Românico Espanhol – Simbolismo na Escultura

Da mesma forma que na arquitetura, as demais manifestações artísticas do Estilo Românico estão impregnadas de conotação simbólica, ou seja, onde o transcedental e o divino se revelam à alma humana mediante o símbolo. O templo representava uma imagem cósmica do universo, porque os trabalhadores que o construíam reproduziam a atividade criadora de Deus e porque a própria igreja era considerada um universo em miniatura onde se integravam, através dos elementos decorativos, as distintas criaturas que compunham as ordens humana, divina, vegetal e animal. Desta forma, o artista românico era o intérprete da natureza e, portanto, da atividade criadora de Deus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIgreja Românica de San Millán – Segóvia (Castilla y León).

A arte deveria ensinar e emocionar aqueles que a contemplavam pela simplicidade, claridade e expressividade das imagens. Profundamente antinaturalista, a Arte Românica tratava de captar a ideia imanente das coisas, para que o invisível pudesse ser revelado. Um dos conceitos herdados do Neoplatonismo, que contribuiu para o desenvolvimento do Românico, afirmava que a forma de se conhecer a Deus é através do intelecto. Por isso, as imagens românicas deveriam distanciar-se do natural, para permitir a contemplação da essência ou espírito invisível das coisas e seres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPorta Principal Românica – Avilés (Principado de Asturias).

No mundo medieval, cada imagem, cada figura, possuía seu lugar dentro do sistema geral do simbolismo, dotando as imagens de seu sentido pleno. Nele, encontramos a concepção estética e a ideia de beleza, sempre associada ao bem. As representações do belo constituem o símbolo de sua realidade superior, de maneira que sua beleza visível (microcosmo) é um reflexo da beleza invisível ou espiritual, integrante da beleza absoluta ou divina (macrocosmo). Aqui temos o conceito do templo como uma imagem cósmica do universo. Abaixo, vemos a representação escultórica de um anjo na Igreja de San Vicente de Cardona (Catalunha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor outro lado, o mal está sempre relacionado à feiura e ao grotesco, como em muitas imagens que podemos observar em várias esculturas representativas do diabólico, como nestes canecillos existentes na Catedral de Lérida (Catalunha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO bem e o mal também estavam presentes nos códigos de condutas estabelecidos para o convívio humano, a exaltação do amor e a superação ao ódio, como vemos nestes capitéis abaixo, com cenas de luta e abraço fraternal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs pecados capitais aparecem frequentemente representados na escultura, sempre vinculados ao mal e ao poder das trevas. Um dos mais presentes é o pecado da luxúria, como vemos na próxima imagem, que podemos ver no Museu Arqueológico Nacional de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa representação do nu humano não se busca a perfeição anatômica e muito menos o sentido estético. O corpo humano chega a ser um objeto de vergonha e humilhação, normalmente associado ao demoníaco. Muitas vezes aparece deformado e de forma grotesca, unido à ideia do pecado, como vemos na imagem acima. Tanto na pintura quanto na escultura, quando existem cenas representadas em diversos níveis, encontram-se submetidas a uma hierarquia simbólica. A cena superior representa o mundo celestial, a cena intermediária, o mundo humano, e a inferior, o infernal. A denominada graduação hierárquica é uma fórmula herdada da Arte Bizantina, em que a divindade sempre é representada maior em relação aos seres humanos, como vemos na imagem abaixo, uma cena escultórica presente na Basílica de San Prudencio de Armentia (País Vasco), com Cristo no centro e os Apóstolos nas laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro simbolismo escultórico relaciona-se com as Pias Batismais, associadas simbólicamente com o Cálice de Cristo (água benta que salva pela limpeza e eliminação do pecado, da mesma forma que o sangue de Cristo). Sua colocação no interior da igreja, durante a Idade Média, não era arbitrária, sendo colocada na parte mais escura do templo, normalmente na lateral, junto à entrada. Este fato expressava que o bebê, antes de receber o sacramento do Batismo, se encontrava nas sombras do pecado original, mas que recebia a luz de Cristo depois de batizado. Abaixo, vemos uma Pia Batismal Românica procedente de San Pedro de Villanueva (Asturias), exposta no Museu Arqueológico Nacional de Madrid. Na parte inferior, vemos uma inscrição que diz: “Juan e María fizeram esta obra em 1152”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA escultura românica não era somente religiosa, abordava igualmente temas profanos e o mundo cotidiano da sociedade medieval. Os ofícios tradicionais são um exemplo, como vemos no capitel abaixo (Museu Arqueológico Nacional de Madrid).

OLYMPUS DIGITAL CAMERARepresentaçoes de músicos são comuns na Arte Românica. Hoje em dia, constituem uma fonte excepcional para se conhecer os tipos de instrumentos existentes na Idade Média e, inclusive, se organizam concertos com instrumentos medievais elaborados através desta valiosa fonte informativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConjunto de músicos – Colegiata de Santa Maria de Toro (Castilla y León).

Bailarinos e artistas diversos também possuem seu lugar na escultura românica. Curiosamente, os contorcionistas são frequentemente representados, como vemos abaixo num dos canecillos da Igreja de San Martín de Fromista (Castilla y León).

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