Românico Espanhol – Pintura (Tábuas)

A Pintura Românica na Espanha se desenvolveu sob três formas: a Pintura Mural, que decorava o interior dos muros das igrejas, que vimos nas matérias anteriores, as pinturas que se realizavam para o livros iluminados (códices), que veremos no próximo e último post sobre a Pintura Românica e, finalmente, as pinturas executadas para as tábuas colocadas nas mesas do altar, em sua parte frontal (em espanhol, tablas para el frontón del altar). Lamentavelmente a quantidade destas tábuas, numerosas no período românico, se reduziram de forma drástica com o tempo e, atualmente, podemos admirá-las somente em museus, principalmente no Museu Nacional de Arte da Catalunha de Barcelona (MNAC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrontal de Altar – Proc. do Santuário da Virgem de Rigatel (Catalunha) – MNAC.

Acima, vemos um exemplo deste tipo de pintura realizada na Arte Românica. No centro, aparece a “Virgen de la Leche” com o Menino Jesus. No lado superior esquerdo, uma cena da Anunciação, e no superior direito, o Nascimento de Cristo. No compartimento inferior esquerdo, a Epifania, e no inferior direito, o episódio bíblico conhecido como a “Anunciação dos Pastores“. A maior parte das tábuas conservadas eram usadas como Antipendios, ou seja, para o revestimento do altar, local onde se realiza a Eucaristia. Eram feitas de madeira e substituiam as peças de prata ou cobre existentes nas grandes catedrais, muito mais valiosas. Por esta razão, a maioria destas tábuas procedem de pequenas igrejas situadas no âmbito rural. As tábuas de maior tamanho eram também utilizadas como retábulo, sendo colocadas detrás do altar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrontal do Altar dos Arcanjos – MNAC.

No exemplo acima, de procedência desconhecida (provavelmente de um santuário dedicado a São Miguel), vemos várias cenas narrativas sobre episodios envolvendo arcanjos. No lado superior esquerdo, os Arcanjos Rafael e Gabriel levando a alma de um difunto ao céu. No superior direito, São Miguel lutando contra o dragão. No compartimento inferior esquerdo, São Miguel pesando as almas (Psicostasis), e no inferior direito, o Milagre do Monte Gargano (este episódio da vida de São Miguel relata que um homem chamado Gargano, pastor de ovelhas que também possuía bois e touros, percebeu que havia perdido um dos touros. Saiu em busca do animal e o encontrou numa gruta. Irado, lhe disparou uma flecha envenenada, que mudou de direção com o vento, encravando-se em seu próprio olho. Foi então que perguntou ao Bispo que significado tinha o fato e este lhe recomendou três dias de jejum e preces. Durante a penitência, o Arcanjo Miguel apareceu comunicando ao pastor que havia sido ele quem havia mudado o sentido da flecha e que era o protetor da gruta, o local onde havia decidido viver. Tanto o bispo quanto os habitantes locais realizaram uma peregrinação à cova em sinal de respeito ao arcanjo). O MNAC conserva um dos principais conjuntos de tábuas de frontais da Europa, junto com a Itália. Foram realizadas entre os séculos XII e XIII, em sua grande maioria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrontal de Altar de Baltarga – MNAC.

No exemplar acima, procedente da Igreja de Santo André de Baltarga (Catalunha), vemos as seguintes cenas. No centro, “Maiestas Domini com os Tetramorfos“. No lado superior esquerdo, São João e a Virgem Maria. No superior direito, Santo André e o Apóstolo Santiago. No lado inferior esquerdo, o Martírio de Santo André e no inferior direito, São Felipe e Santo Tomás. Os motivos iconográficos destas pinturas em tábuas coincidem com os realizados para a pintura mural (reresentação de Deus e da Virgem Maria, episódois da vida e martírio dos santos, etc). Sua técnica de execução é a pintura ao temple, uma técnica muito antiga que consiste em dissolver os pigmentos em água e engrossá-lo com uma substância tipo cola (ovo, goma ou uma solução com glicerina). As madeiras eram cobertas com gesso e uma tela com estuco muito alisada, que servia de base para as pinturas. As principais madeiras usadas eram o pino negro e o vermelho, e o álamo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrontal de São Ciríaco e Santa Julita de Durro – MNAC.

Na parte central do frontal acima, procedente da Ermida de Santa Quirce e Santa Julita de Durro (Catalunha) vemos a Santa Julita (também chamada de Santa Julieta) e seu filho São Ciríaco (ou São Ciro). Todas as cenas restantes retratam o martírio de ambos, durante a perseguiçao dos cristãos na época do Império Romano. Além das tábuas  que eram utilizadas como parte do mobiliário litúrgico do altar, outras foram empregadas como elemento decorativo dos Baldaquinos. Estas estruturas arquitetônicas descansam sobre 4 colunas que servem de apoio, e tinham a função de cobrir um altar, tumba ou estátua. O mais famoso Baldaquino do mundo encontra-se na Basílica de São Pedro do Vaticano, construído pelo excepcional arquiteto italiano Bernini, situado sobre a tuma onde a tradição católica diz que foi enterrado São Pedro.

S.Pedro (6)Baldaquino da Basílica de São Pedro – Vaticano.

No MNAC se conservam algumas peças, como a que vemos abaixo, excepcional por sua raridade e grau de conservação, realizada no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência vemos uma tábua para baldaquino que também faz parte do acervo do MNAC, com a representação do “Maiestas Domini e os Tetramorfos“, datado de 1220 e procedente da Igreja de Sant Martí de Tost (Catalunha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERATábua de Baldaquino – MNAC.

 

 

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