Românico Espanhol – Esmaltes e Marfim

Uma arte do Estilo Românico menos conhecida e estudada que as demais (arquitetura, escultura e pintura), a Ourivesaria (Orfebrería, em espanhol) desenvolveu-se de maneira excepcional entre os séculos XII e XIII. Este tipo de manifestação artística consiste no trabalho realizado com metais preciosos, principalmente ouro e prata, pelos ourives ou orfebres, constituindo uma atividade artesanal por excelência. Na Espanha, também se conhece como Arte Suntuária, e integra o mesmo mundo artístico, religioso e simbólico que as demais dentro do panorama românico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido ao alto valor destas peças e sua facilidade de transporte, muitas delas foram expoliadas durante séculos e em determinadas ocasiões foram fundidas para seu reaproveitamento na fabricação de outros objetos. Como consequência, um número reduzido se conserva na atualidade. Apesar de sua escassez atual, se sabe que um grande número destes suntuosos objetos foram elaborados durante o período românico, em virtude da grande atividade construtiva de igrejas, catedrais e monastérios na época. Reis, nobres e bispos doavam estes objetos aos templos mais importantes, que passavam a integrar o tesouro catedralício, como símbolo de riqueza e prestígio. As peças conservadas incluem principalmente esmaltes e objetos feitos de marfim.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACristo Crucificado – Marfim (Museu da Catedral de Ávila).

Durante o Concílio de Reims, realizado no ano 803, se proibiu a utilização de cálices fabricados com materiais de origem animal e vegetal, pois o “sangue de Cristo” somente poderia estar em contato com metais preciosos. O brilho do ouro, por exemplo, era interpretado como reflexo da luz divina. Apesar de se fabricarem objetos pessoais, a grande maioria eram peças religiosas, como arcas, relicários, cruzes, cálices, incensários, etc. Algumas das obras mais destacadas eram fabricadas com metais preciosos combinados com esmaltes. No mundo bizantino, os esmaltes adquiriram uma enorme importância na criação de verdadeiros tesouros.

DSC02013Relicário de esmalte e pedras preciosas – Basílica de São Marcos – Veneza (Itália).

Os Esmaltes são uma combinaçao de vidro, sílica e óxidos metálicos. No século XII, a cidade francesa de Limoges se converte no principal centro produtor de esmaltes, e suas peças fazem atualmente parte da coleção de diversos museus do mundo. Na Espanha se conservam várias destas peças, como a existente no Museu Arqueológico Nacional de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAArqueta de Limoges (século XII) – Museu Arqueológico Nacional de Madrid.

Abaixo, vemos outra destas peças no Museu da Catedral de Ourense, cidade da Galícia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAArqueta de Limoges – Museu Catedralício de Ourense.

Os principais tesouros românicos da Espanha encontram-se na Colegiata de San Isidoro de León (Castilla y León), na Catedral de Oviedo (Asturias), no Monastério de Santo Domingo de Silos (Castilla y León) e no Monastério de Yuso (Rioja), entre outros.

IMG_2899Arqueta de San Millán – Monastério de Yuso (Rioja).

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