Arquitetura Gótica

Nesta matéria e na seguinte veremos alguns elementos construtivos essenciais e característicos da Arquitetura Gótica. Uma das grandes contibuições do Estilo Gótico é, como já dissemos, a amplitude da iluminação interna, além da leveza estrutural das construções, em contraposição aos volumes pesados dos muros e a escassa iluminação interior dos edifícios românicos. Seus elementos principais, o Arco Ojival e a Bôveda de Crucería, que permitem uma maior distribuição das cargas e uma altura mais elevada, já eram conhecidos antes do surgimento do Estilo Gótico. O Arco Ojival foi usado pelos egípcios, assírios e persas, embora pouco frequentemente, ao contrário da Arquitetura Islâmica, que o utilizou de forma ampla. Durante a época gótica alcançou seu apogeu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAArco Ojival – Claustro da Abadia de Saint Mitchel (França).

O Arco Ojival substituiu o Arco Semicircular românico, e constitui o resultado da intersecção de dois círculos. Ao diminuir as tensões laterias, permite elevar a altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADetalhe do Arco Ojival – Claustro da Abadia de Saint Mitchel.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAArco Ojival em uma das portas da Catedral de Notre Dame (Paris).

A Bôveda de Crucería (Abóbada em Cruzaria, em português) é outro dos elementos fundamentais da Arquitetura Gótica. Também denominada Bôveda Nervada, está formada por arcos ojivais que se cruzam. Como é muito mais leve, seu peso pode ser sustentado por pilastras ou colunas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABôveda de Crucería – Igreja de Santa Maria de Lubeck (Alemanha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInterior da Catedral de Barcelona (Catalunha).

No transcurso do Estilo Gótico, as bôvedas foram adquirindo cada vez maior complexidade, estrutural e decorativa. As Bôvedas de Crucería passaram a estar divididas em 4 partes, 6 partes, em formato de estrela, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInterior da Igreja Gótica de Castro Urdiales (Cantábria).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInterior da Catedral de Astorga (Castilla y León).

OLYMPUS DIGITAL CAMERABôveda Estrelhada – Capela dos Condestables – Catedral de Burgos (Castilla y León).

A parte principal das cargas dos edifícios góticos são distribuídas ao exterior através de contrafortes chamados Arbotantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAArbotantes – Igreja Gótica de Castro Urdiales (Cantábria).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADetalhe de Arbotantes – Catedral de León (Castilla y León).

Como resultado, os muros deixam de exercer sua função sustentadora, e sua maior parte pode ser utilizada para a abertura de vãos interiores, decorados por magníficos vitrais. Um exemplo excepcional é a Saint Chapelle de Paris, em que o espaço mural praticamente desaparece, ocupado por um incrível conjunto de vitrais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInterior de Saint Chapelle – Paris.

Outro elemento exterior que identifica a Arquitetura Gótica são os Pináculos, um remate de forma piramidal ou cônica situado na parte superior das construções. Além de sua função estética e decorativa, cumpre uma finalidade estrutural, ao servir de contrapeso à pressão dos contrafortes, aumentando a establidade dos edifícios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConjunto de Pináculos da Catedral Gótica de Segóvia (Castilla y León).

As plantas das igrejas góticas correspondem a dois tipos principais. A denominada Planta de Cruz Latina segue a tradição românica, composta por 3 ou 5 naves, sendo a central mais larga que as laterais, e uma nave transversal. As igrejas e catedrais podem dispor de um espaço que rodeia o altar maior, chamado Girola ou Deambulatório. Desde a época românica, este espaço interior foi utilizado para a construção de capelas. A partir do século XIII, se abriram também capelas situadas nas naves laterais para satisfazer a devoção dos grêmios, confrarias religosas e da população em geral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGirola da Catedral de Valência.

Outro modelo criado no período gótico correponde às denominadas Plantas de Salão, em que a nave central e as laterais apresentam a mesma altura, conferindo um espaço amplo e unitário. No sentido vertical, as catedrais góticas apresentam três partes diferenciadas, principalmente a partir do final do século XII e durante boa parte do século XIII, considerada a etapa clássica do Estilo Gótico. Ao nível do solo situa-se o conjunto de arcos que separam a nave central das laterais. Encima dos arcos, um espaço chamado Trifório, uma espécie de galeria estreita e aberta, que realiza a ligação entre os arcos e a parte superior, denominada Clerestório, onde se situam as janelas que iluminam o interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADistribuição dos espaços verticais interiores – Catedral de Oviedo (Asturias).

A partir do final do século XIII e início do XIV, com a progressiva eliminação dos muros para o aproveitamento dos vitrais, o espaço ficou restrito ao conjunto de arcos e ao Clerestório. Um aspecto curioso das Catedrais Góticas Espanholas é a localização do Coro, local onde se celebravam os cantos litúrgicos. Nas Catedrais Góticas Francesas, o Coro situa-se junto ao Altar Mayor, e o espaço da nave central fica aberto, como um grande corredor. Já nas Catedrais Góticas da Espanha, o Coro foi colocado no meio da nave central.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInterior da Catedral de Orléans (França) – Coro junto ao Altar Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAParte Traseira do Coro (Trascoro), no meio da nave central – Catedral de Ávila (Castilla y León).

DSC01391Coro da Catedral de Tudela (Navarra).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACoro da Catedral de Barcelona (Catalunha).

 

 

 

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