Os Vitrais Góticos

Uma das grandes contribuições da Arte Gótica foram, sem dúvida nenhuma, as técnicas construtivas que possibilitaram a grande iluminação interior dos templos através dos vitrais. Apreciados já durante o período românico, os vitrais gozaram de grande popularidade e desenvolvimento nos séculos em que o Estilo Gótico se difundiu, colaborando para que se tornasse um de seus elementos mais reconhecíveis. Neste post e no próximo comentarei um pouco sobre os Vitrais Góticos, cuja beleza, riqueza decorativa e cromatismo jamais foram superados na História da Arte.

Brugge (83)Vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Bruges (Bélgica).

A importância dos Vitrais Góticos esteve vinculada ao pensamento religioso e à filosofia que serviram de base para o florescimento do estilo. A divulgação da corrente neoplatônica e da filosofia escolástica nos séculos XIII e XIV (baseada na filosofia de Aristóteles, na tradição árabe, que estava sendo traduzida ao latim, e pelo próprio neoplatonismo), permitiram o estabelecimento de uma relação entre o conceito de Deus e a Luz. O Abade Suger de Saint Denis, influenciado por estas correntes de pensamento, expressou em seus escritos o significado imaterial do vidro e o alcance transcendental da Luz, identificando-a com a beleza e a presença divina.

Bruxelles (26)Vitrais da Catedral de São Miguel e Santa Gúdula – Bruxelas (Bélgica).

Portanto, a Luz é adotada nas catedrais góticas como um elemento simbólico da essência divina. Neste época, passa a ser considerada o mais nobre dos fenômenos naturais e, ao mesmo tempo, o menos material. O interior dos templos se inundam de luz, que se convertirá num elemento característico do Estilo Gótico. Evidentemente, as cores dos vitrais adquirem uma equivalente relevância simbólica, sendo que cada tonalidade se relacionava a um atributo ou qualidade, seja ela humana ou divina.

IMG_3390Vitral da Catedral de Berna (Suíça).

Os amplos vãos cobertos por vitrais existentes nas catedrais góticas permitem que a luz penetre no interior criando uma maravilhosa combinação de luzes coloridas, que se transformam segundo a hora do dia. Geralmente se empregavam as denominadas cores puras, como o branco, o vermelho, azul e verde. Numa primeira etapa, as cores eram mais saturadas e pouco a pouco se incrementa a variedade de cores utilizadas. No século XIV se descobre o amarelo-prata, e os vitrais adquirem um aspecto mais leve, com uma bonita tonalidade dourada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACatedral da Santíssima Trindade – Dublin (Irlanda).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACatedral da Santíssima Trindade – Dublin (Irlanda).

A arte da fabricação de vitrais desenvolveu-se de forma paralela à arquitetura gótica, revelando mais que nenhuma outra arte a pintura realizada no período correspondente entre os séculos XII e XV. Ao mesmo tempo, influenciou outras áreas em que o Estilo Gótico se manifestou, como a iluminação dos manuscritos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACatedral de Orléans (França).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACapela do Castelo de Blois (França).

As Catedrais de Lincoln, York e Canterbury (Inglaterra), de Friburgo, Colônia e Ulm (Alemanha) e a Catedral de São Estevão de Viena (Áustria) são alguns dos templos que conservam vitrais góticos. Na França, destacam os vitrais da Catedral de Estrasburgo, mas nenhuma  delas supera o conjunto de vitrais góticos da Catedral de Chartres, considerado o mais importante do mundo, tanto pela quantidade existente como também por seu grau de conservação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACatedral de Chartres (França).

Outro templo francês com vitrais magníficos é a Saint Chapelle, que praticamente ocupam todo o espaço interior, constituindo um dos locais onde melhor podemos admirar a riqueza e estética desta arte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASaint Chapelle – Paris (França).

Abaixo, vemos outros belos vitrais existentes em igrejas da Alemanha:

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIgreja de Santa Maria de Lubeck.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIgreja de São João de Luneburg.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIgreja de São João de Luneburg.

Com o final do Estilo Gótico e o surgimento do Renascimento, os vitrais perderam importância, e somente foram recuperados no século XIX, com a eclosão da corrente neogótica. Abaixo, vemos um exemplo, na belíssima Catedral Neogótica de San Patrick, em Nova York

OLYMPUS DIGITAL CAMERACatedral de San Patrick – Nova York.

 

 

 

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