Escultura Gótica – Parte 2

Um dos aspectos mais importantes da Escultura Gótica é seu caráter coletivo e o papel dos grêmios e associações na produção das obras. Até mediados do século XIV, a grande maioria das esculturas é anônima e produzida por um conjunto de artistas, de forma que o mestre possuía uma equipe de auxiliares que colaboravam em sua execução. Os grêmios excerceram um poder considerável na distribuição de contratos, métodos de ensino para os aprendizes e na definição dos padroes estéticos. Muitas vezes, as obras eram realizadas por encargo, e o gosto dos clientes era decisivo. Na medida em que a Arte Gótica avança, as esculturas começam a apresentar aspectos cada vez mais naturalistas e realistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEscultura – Monastério de Poblet (Catalunha).

Os Retábulos constituem uma das obras mais originais da Escultura Gótica. Não exerceu uma função tão simbólica como no período românico, preferindo representar de um modo naturalista e narrativo cada uma das cenas. Episódios da vida de Jeus Cristo e da Virgem Maria predominam nos retábulos, estas estruturas que combinam arquitetura, pintura e escultura. Normalmente na Espanha se utilizou a madeira policromada para sua excecução. Um dos retábulos mais impressionantes da Arte Gótica na Espanha é o Retábulo Maior da Catedral de Toledo, que pertence à última fase do estilo. Encarregado pelo Cardeal Cisneros, foi finalizado em 1504, com um conjunto de cenas que ilustram episódios da vida de Jesus e culminando com um calvário.

DSC09177Retábulo Maior – Catedral de Toledo.

Outro retábulo de grande complexidade artística e beleza encontramos na Cartuja de Miraflores, situada a pouca distância do centro de Burgos. Considerado uma jóia da última etapa do Estilo Gótico, foi talhado em madeira por Gil de Siloé e policromado e dourado por Diego de la Cruz, sendo terminado em 1499.

20150726_133649Retábulo Maior – Cartuja de Miraflores (Burgos).

As pequenas esculturas feitas de madeira também adquirem uma expressividade que a diferencia do Estilo Românico. A Virgem Maria, por exemplo, que normalmente aparece esculpida com o Menino Jesus no colo, se torna mais feminina, maternal e emotiva, refletindo e trocando sentimentos com o filho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVirgem Maria com o Menino Jesus.

Na representação de Cristo Crucificado, o salvador perde a rigidez das esculturas românicas e adquire um corpo que transmite uma sensação de maior peso, enaltecendo as feridas da paixão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACristo Crucificado.

Devido à importância concedida ao aspecto humano, os monumenos funerários ganham grande importância na Escultura Gótica, de forma a perpetuar o nome de personagens ilustres e também daqueles que contribuíram para a construção de um templo. Na Espanha se conservam vários destes sepulcros góticos, alguns deles reais. Um exemplo destes encontramos novamente na Cartuja de Miraflores. Encarregados pela Rainha Isabel Católica a Gil de Siloé como um monumento funerário para seus pais, Juan II de Castilla e Isabel de Portugal. Feito de alabastro e com um formato de estrela de 5 pontas, é considerado uma dos melhores exemplos da Escultura Gótica Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADetalhe do sepulcro de Isabel de Portugal – Cartuja de Miraflores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASepulcros de Juan II e Isabel de Portugal – Cartuja de Miraflores.

Outro monumento funerário real de Estilo Gótico encontramos na Catedral de Pamplona, capital da Navarra. Realizado em alabastro no começo do século XV pra o Rei de Navarra Carlos III “El Noble” e sua esposa Leonor de Castilla, é considerada uma obra prima da Escultura Gótica em Navarra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASepulcros de Carlos III “El Noble” e Leonor de Castilla – Catedral de Pamplona.

Monumentos funerários de grande beleza e complexidade escultórica foram realizados para a nobreza. Como símbolo de prestígio social, poder político e riqueza, com o tempo os personagens se representam com traços naturalistas cada vez maiores e com uma observação anatômica progressivamente mais detalhada. A forma mais simples de escultura funerária na Idade Média é aquela em que a estátua do defunto aparece na posição supina, com os atributos próprios de sua hierarquia. Abaixo vemos o sepulcro do Condestable de Castilla D. Pedro Fernández de Velasco e sua esposa Mencía de Mendoza y Figueroa, patrocinadores da maravilhosa Capela do Condestable da Catedral de Burgos, construída com a finalidade de se converter em panteão familiar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACapela do Condestable – Catedral de Burgos.

Finalizo a matéria com o sepulcro de D. Martín Vázquez de Arce (conhecido como El Donzel), situado no interior da Catedral de Siguenza (Castilla La Mancha). Terminado no final do século XV, sua novidade reside na posição da estátua funerária, sentada no sentido lateral com as pernas estendidas e concentrado na leitura de um livro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERASepulcro de El Doncel – Catedral de Siguenza.

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