Pintura Gótica Hispano-Flamenca

Neste último post sobre a Pintura Gótica, veremos a influência da Pintura Flamenca em sua evolução, especialmente na Pintura Gótica Espanhola, que anuncia a chegada do Renascimento. Caracteriza a quarta e última fase da Pintura Gótica, a partir do início do século XV, cujo centro é a região de Flandres. Sua importância fez com que fosse difundida por toda a Europa, através de um conjunto de artistas excepcionais. Sua principal inovação é a introdução da pintura ao óleo, assim denominada por utilizar o azeite como pigmento, proporcionando uma grande riqueza cromática e uma maior variedade de suas tonalidades. Também se identifica por uma maior sutileza e minuciosidade dos detalhes, da textura das formas, fidelidade dos rostos, etc.

DSC07879“Ecce Homo” – Pintura Hispano-Flamenca (anônimo) – século XV.

Outro fator relevante da pintura flamenca é seu forte caráter simbólico, pois detrás da representação de objetos triviais existem mensagens ocultas, que transformam os quadros em alegorias. Esta fase é também denominada Pré-Renascimento, por seu colorido, concepção de perspectiva e ao avançado tratamento da luz. No entanto, se conservam certos elementos das fases anteriores como gestos forçados, solenidade excessiva na representação dos personagens, diminuindo a veracidade das cenas.

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Cardeal Pedro de Mendoza orando a São Pedro – Anônimo (século XV).

Na escola flamenca, a maior parte das obras foram encarregadas pela aristocracia e a burguesia, com um forte conteúdo civil e profano. É comum que o cliente seja representado nas cenas, como um personagem a mais. A partir de então, se introduz um novo gênero pictórico, o Retrato. Na Espanha, a temática religiosa continua sendo predominante, como podem observar nos quadros que fazem parte da matéria. Dentro do conjunto de pintores flamencos primitivos, o destaque fica por conta de Jan Van Eyck, a quem se atribui a introdução da pintura ao óleo. Pintor oficial do Duque de Borgonha, viveu numa ambiente aristocrático e refinado, convertendo-se num pintor elitista. Seus quadros são obras primas repletas de personagens solenes, frios e impassíveis, caracterizando-se pelo realismo, o valor concedido à luz e à perspectiva. Uma de suas obras mais admiráveis é o quadro intitulado “Retrato do Casal Arnolfini”, pintado em 1434 e exposto na National Gallery de Londres.

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Enterro do Senhor – século XV (Museu da Catedral de Astorga) – Anônimo.

Outro destaque da Pintura Flamenca, Roger Van der Weiden é considerado a antítese de Jan van Eick, pela expressividade dos personagens, dinamismo e dramatismo das cenas. Sua obra capital é a representação do “Descendimento de Cristo”, maravilhoso quadro exposto no Museu do Prado de Madrid. O quadro foi concebido como se fosse uma  escultura, com esmerada composição e forte emotividade dos personagens, refletindo o gosto popular da classe burguesa da época.

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Retábulo da Virgem de Montserrat – Catedral de Tarragona (século XV).

No último terço do século XV, é imprecindível a figura e talento de Hieronymus Bosch, na Espanha conhecido como El Bosco. Artista obsesionado pela religião e o conceito de pecado, em suas obras são abundantes os seres fantásticos e diabólicos, cujo objetivo é moralizante, conseguido através de numerosos recursos como o claro-escuro, a paisagem e a perspectiva. Seu estilo inigualável e forte simbolismo permanecem vivos na atualidade. Sua obra prima “O Jardim das Delícias”, exposto no Museu do Prado, é um tríptico que resume a história moral do ser humano desde a criação à condenação por seus pecados. O Rei Felipe II era um grande admirador da Pintura Flamenca, sendo um dos responsáveis pela excepcional coleção desta escola pictórica na Espanha, principalmente no Prado. Na segunda metade do século XV, a Pintura Flamenca se difunde pela Europa, gozando de grande desenvolvimento na Espanha.

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Retábulo de São Miguel – século XV.

Um dos grandes nomes da Pintura Hispana-Flamenca e vinculado à escola valenciana é o pintor Jacomart (1411/1461). Abaixo, vemos a “Anunciação”, quadro por ele realizado e exposto no Museu de Belas Artes de Valência.

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“Anunciação” – Jacomart – Museu de Belas Artes de Valência.

Juan Reixach, discípulo de Jacomart, é outro dos nomes fundamentais do estilo. Na sequência, vemos o quadro “San Vicente Ferrer”, pintado entre 1455 e 1459 (Museu de Belas Artes de Valência).

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“San Vicente Ferrer” – Juan Reixach – Museu de Belas Artes de Valência.

Jaume Mateu (1402/1452), também relacionado à pintura valenciana, realizou o quadro abaixo com cenas da vida de Santo Domingo Guzmán, fundador da Ordem Dominicana.

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“Cenas da vida de Santo Domingo de Guzmán” – Jaume Mateau – Museu de Belas Artes de Valência.

Apesar de ter nascido em Córdoba, o pintor Bartolomé Bermejo trabalhou para a Coroa de Aragón, deixando um trabalho de excepcional qualidade. Apenas mencionei alguns pintores que na Espanha receberam a influência flamenca, a lista é bem maior. Para finalizar a matéria sobre a Pintura Gótica, convêm comentar que os melhores lugares do país para apreciá-la são o Museu do Prado de Madrid e o Museu de Belas Artes de Valência.

 

 

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