A Recuperação do Gótico

Durante o período gótico as chamadas Artes Santuárias tiveram um grande desenvolvimento, sobretudo os objetos litúrgicos, como os relicários, custódias e ostensórios, graças ao incremento das festividades do Corpus Christi, instituída em 1264. O florescimento do comércio da lã, relacionado às feiras e rotas comerciais entre o sul e o norte de Europa favoreceram o nascimento de uma arte singular, a produção de tapetes, que alcançou um prestígio social enorme. Seus maiores centros produtores foram França e Flandres. Eram utilizados como elementos decorativos de forma abundante nos palácios europeus e nas dependências religiosas, sendo que também  cumpriam a função de aquecer o interior dos edifícios.

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Sala Capitular – Catedral de Segóvia.

Com a chegada do Renascimento e sua difusão pela Europa, a Arte Gótica foi menosprezada pelos críticos, e tardou séculos em recuperar sua estima. Durante os séculos XVII e XVIII foi ignorada, e tanto no período barroco quanto no neoclássico, o patrimônio gótico sofreu prejuízos irreparáveis.

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Catedral Gótica de Oviedo – Asturias (Espanha).
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Interior da Catedral de Oviedo.

A Revolução Francesa de 1789 provocou inúmeros ataques ao patrimônio histórico de suas catedrais góticas. A Catedral de Notre Dame de Paris perdeu boa parte do conjunto escultural que decorava suas fachadas.

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Interior da Catedral de Caen – Normandia (França).
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Bôvedas do interior da Catedral de Caen.

Foi somente no começo do século XIX quando a percepção da estética gótica começou a mudar. Em parte, esta mudança de mentalidade se deve à publicação do livro “O Gênio do Cristianismo“, escrito por François René Chateaubriand, considerado o fundador do Movimento Romântico na França. Nesta obra, o autor dedica um capítulo inteiro enaltecendo a beleza das catedrais góticas do país. Em 1804, um fato histórico colaborou para a recuperação do Estilo Gótico, a coroação de Napoleão Bonaparte como Imperador da França em plena Catedral de Notre Dame de Paris.

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Catedral de Palencia (Castilla y León – Espanha), construída a partir do séc. XV no Estilo Gótico.
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Igreja de Santa Maria de Betanzos, cidade considerada a capital do Gótico na Galícia (Espanha).

Um outro fato fundamental para o reconhecimento do Estilo Gótico também se deve à literatura, a publicação da famosa novela de Vitor Hugo, o “Corcunda de Notre Dame“, publicada em 1831. Depois de séculos de desprezo e com o advento do Movimento Romântico, as construções góticas começaram ser reconhecidas como obras de arte que mereciam toda atenção e esforço para sua conservação.

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Coro da Catedral de Segóvia – Castilla y León – Espanha.

Na França, berço do Estilo Gótico, foi o arquiteto Eugene Viollet-Le-Duc (1814/1879) o grande responsável pela recuperação da estética medieval e da reputação do Estilo Gótico, enaltecendo as catedrais góticas como um elemento essencial da nacionalidade francesa. Iniciou um amplo trabalho de restauração dos edifícios góticos no país, como a Santa Capela de Paris e a cidade medieval de Carcassonne, situada no sul da França.

IMG_2274Cidade medieval de Carcassonne – França.

Na opinião de Viollet-Le-Duc, o restaurador deveria devolver o edifício ao seu estado original, eliminando partes complementares que modificavam a concepção inicial de seu projeto. Por este motivo, foi muito criticado pelos adeptos do conservacionismo, que o acusaram de destruir peças arquitetônicas que não encaixavam em seu conceito de unidade de estilo. Em 1842, o arquiteto ganhou o concurso para a restauração da Catedral de Notre Dame de Paris, junto com seu colega Jean Baptiste Lassus. Em 1846, foi nomeado arquiteto restaurador da Basílica de Saint Dennis, o local de nascimento do Estilo Gótico.

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Catedral de Notre Dame de Paris, antes do fatídico e recente incêndio…
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Detalhes Escultóricos – Catedral de Notre Dame de Paris.

Atualmente, boa parte da beleza e grandiosidade das Catedrais Góticas Francesas se deve à intervenção de Eugene Viollet-Le-Duc. Na arquitetura da segunda metade do século XIX, a revalorização do Estilo Gótico propiciou a chegada de uma nova corrente construtiva, inspirada e interpretada nos antigos edifícios medievais, o Estilo Neogótico, que será o tema do penúltimo post sobre a Arte Gótica.

 

 

 

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