Gótico e Literatura

Finalmente chegamos ao último post sobre o Estilo Gótico. Nesta matéria gostaria de comentar a importância do papel da Literatura e das demais artes na recuperação do Estilo Gótico, e a presença da novela histórica na atualidade, com inúmeras publicações em que as construções góticas aparecem como cenário fundamental em suas tramas. O ambiente artístico dos séculos XIX e XX foi ideal ao medievalismo, e não foi somente a literatura esteve vinculada à revalorização do estilo. Na música, por exemplo, o compositor Claude Debussy compôs em 1910 um prelúdio para piano intitulado “A Catedral Submergida“. Na pintura, tornaram-se célebres a série criada pelo pintor impressionista Claude Monet, que realizou um conjunto de 31 quadros com uma única temática, a fachada gótica da Catedral de Ruán, no qual representa um estudo pictórico das diferentes impressões luminosas do monumento de acordo com as horas do dia.

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A Literatura representou um campo artístico fundamental para que os monumentos góticos fossem considerados obras sublimes do espírito humano. Na França, escritores de renome como Vitor Hugo foram responsávies por ambientar suas estórias num cenário gótico. Em 1914, o autor Auguste Rodin, depois de viajar pelo país, publicou a obra “As Catedrais da França“. Na Inglaterra, o Estilo Gótico converteu-se no estilo nacional do país, e muitos foram os edifícios modernos cuja construção foi inspirada na antiga tradição medieval. Um pouco antes, no século XVIII, o termo “Gótico” foi utilizado para a criação de um novo gênero literário, a Literatura Gótica. Uma de suas principais características é que muitas de suas obras foram ambientadas em cenários medievais. O aspecto sobrenatural foi recorrente, e duas obras clássicas deste gênero foram escritas no idioma inglês, a novela “Frankenstein“, publicada em 1818 pela escritora inglesa Mary Shelley, e “Drácula“, escrita pelo irlandês Bram Stoker em 1897.

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Já no século XX, o Premio Nobel de Literatura Thomas S. Eliot publica em 1935 o livro “Assassinato na Catedral“, no qual aborda o assassinato histórico do Arcebispo Tomás Beckett, sucedido na Catedral Gótica de Canterbury no ano de 1170. Na Espanha, o autor Vicente Blasco Ibáñez utiliza uma catedral como um cenário mágico no qual desenvolve a ação, na obra “A Catedral“, publicada em 1903. A época final do apogeu gótico foi fielmente retratada pelo escritor italiano Umberco Eco, em sua novela “O Nome da Rosa“, publicada em 1980 e que também foi adaptada ao cinema num maravilhoso filme protagonizado por Sean Connery. Um dos gêneros que mais despertam o interesse literário atual é o das novelas históricas, sendo que muitas obras literárias foram adaptadas ao cinema e como populares séries de TV, vistas por um público fiel em todos os lugares do mundo. O novelista checo Milos Urban publicou em 2006 o livro “A Sombra da Catedral“, cuja trama gira em torno a um misterioso assassinato na Catedral Gótica de São Vito, em Praga. Outro famoso título das novelas históricas, “Os Pilares da Terra” foi escrito pelo autor galês Ken Follet em 1989. Nesta magistral obra, o escritor narra a construção de uma catedral gótica na Inglaterra do século XIII, que serve de cenário para descrever a sociedade medieval da época. Em 2007, o escritor ofereceu sua continuação, a novela “Um mundo sem Fim“.

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Outro grande sucesso editorial, a novela “A Catedral do Mar” foi escrita em 2006 pelo espanhol Ildefonso Falcones, e posteriormente adaptada como uma série. Ambientada na Barcelona do século XIV, o autor recria a construção da Igreja de Santa María del Mar, uma das principais construções do Gótico Catalão.

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Outro título interessante é o livro “O Número de Deus“, uma obra do aragonês José Luis Corral. Publicado em 2004, o livro aborda o simbolismo e as técnicas construtivas das Catedrais de Burgos e León, numa estória que combina ficção e realidade histórica.

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Apesar de tudo, em pleno século XXI o termo “medieval” continua sendo associado a um período histórico como sinônimo de uma época bárbara, atrasada e ignorante, e também como práticas e atitudes mentais retrógadas. Já faz algum tempo que os historiadores deixaram de considerar a Idade Média uma etapa obscura da humanidade, uma “Idade das Trevas”, e sim como um momento histórico no qual a sociedade feudal foi capaz, graças aos avanços tecnológicos da época, de criar monumentos assombrosos referentes aos estilos artísticos do período, o Românico e o Gótico. Basta admirar de perto algumas destas admiráveis construções, que mesmo com atual tecnologia seria muito complicado de reproduzir. Séculos depois de serem construídos, os templos góticos fazem parte do gênio criativo humano, constituindo obras admiráveis que devem ser assim consideradas e conservadas para o futuro. Por outro lado, a Idade Média exerce um fascínio que ampliou seu leque cultural através de suas lendas e mitos, proliferando as feiras medievais em todos os cantos do mundo, festas inspiradas na temática medieval e uma abundante produção cinematográfica de filmes e séries, inclusive jogos de computadores que foram criados e inspirados graças a época medieval.

DSC02383Feira Medieval em Zaragoza (Comunidade de Aragón).

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Feira Medieval em Alcalá de Henares (Comunidade de Madrid).

 

 

 

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