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Tarragona em Festa

Logo quando cheguei a Tarragona fiquei surpreso com a grande quantidade de turistas e pessoas presentes nas ruas da cidade. Tarragona é uma cidade turística, graças ao seu excepcional patrimônio histórico de época romana, como vocês puderam ver nas matérias do blog, de modo que sempre atrai a uma grande quantidade de pessoas de todo o mundo dispostas a conhecê-lo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do mais, minha estadia em Tarragona coincidiu com uma das festas religiosas de maior importância de seu calendário anual, dedicada a Santa Magi, celebradas entre 16 e 19 de agosto, período em que me encontrava na cidade. As ruas foram decoradas com bandeiras de Tarragona e também das diversas associações culturais existentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAVárias atividades foram realizadas, como desfiles com bandas de música que tocavam instrumentos convencionais e também típicos da comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém foram organizadas procissões com as imagens religiosas mais veneradas pelos habitantes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA praça onde situa-se o Edifício do Ayuntamiento (sede da prefeitura) foi um dos lugares mais festivos, com a presença de gente disfarçada que me permitiram tirar umas fotos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante as festividades não faltaram personagens onipresentes nas festas espanholas, os gigantes

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAE os cabeçudos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPara saber mais sobres os Gigantes e os Cabeçudos, ver a matéria publicada em 21/9/2012. Tive a sorte de presenciar uma das manifestações culturais mais genuínas da Catalunha, os denominados Castells, como se conhecem as fantásticas pirâmides humanas realizadas em ocasiões festivas em toda a comunidade. Por este motivo, publicarei dois posts para que tenham uma idéia da paixão que despertam nos catalães, e do impressionante que são…

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Street Art em Tarragona

Desde que comecei a interessar-me pela Street Art, também chamada Arte Urbana, realizei diversas matérias no blog, com a intenção de divulgar esta genuína manifestação artística, cada vez mais valorizada e presente nas cidades de todo o mundo. Em minhas andanças por Tarragona, descobri vários exemplos deste tipo de expressão, que gostaria de compartilhar com vocês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Street Art em Tarragona, nos últimos tempos, alcançou um grande dinamismo, e podemos apreciar diversos exemplos pelas ruas da cidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Centro Histórico da cidade várias iniciativas interessantes foram realizadas para transformar zonas abandonadas em espaços onde artistas urbanos pudessem transmitir suas idéias, opiniões, e divulgar seus trabalhos. A rua que vemos abaixo foi convertida num verdadeiro museu da Street Art, com pinturas que embelezam esta parte do núcleo histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Street Art ganha cada vez mais adeptos, e diferencia-se de forma clara da mera pixaçao, graças ao seu conteúdo e qualidade artística, chamando a atenção de pessoas de todas as idades e classes sociais, dos turistas e dos habitantes que vivem nas cidades.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs muros dos edifícios converteram-se num dos espaços mais utilizados para os artistas urbanos, como vemos nos exemplos abaixos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos um clássico da Street Art em Tarragona, situado junto às ruínas arqueológicas da cidade…

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Modernismo em Tarragona

Tarragona é uma cidade que conta com belos edifícios pertencentes aos séculos XIX e XX. alguns dos quais veremos no post de hoje. Vários deles localizam-se na Rambla Nova, como este que vemos abaixo, de grande complexidade decorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo encontramos o Teatro Metropol, um dos espaços culturais mais importantes de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo em muitas outras cidades importantes da Catalunha, o Estilo Modernista difundiu-se em Tarragona, com vários exemplos de construções, residenciais e pùblicas. A Casa Ximenis foi construída em 1914, e destaca-se por seus elementos decorativos como o esgrafiado e o trabalho de ferro forjado nos balcões da fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da Casa Ximenis vemos outra residência decorada seguindo a estética modernista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1915, o Mercado Central de Tarragona foi projetado pelo arquiteto Josep Maria Pujol, com interessantes incorporações modernistas na fachada e nos detalhes de sua estrutura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça de Touros de Tarragona também segue o estilo modernista, projetada pelo arquiteto da cidade Ramón Salas Ricomá, estando considerada uma das primeiras amostras do Modernismo na província.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a aprovação de uma lei que proíbe a realização de touradas na Catalunha ( uma das poucas comunidades da Espanha onde este tipo de espetáculos não é mais permitido), a Praça de Touros de Tarragona foi reformada em 2010 e atualmente serve de espaço para outros tipos de atividades culturais, como concertos e eventos esportivos. A partir de então, passou a ser chamada de Tarraco Arena Plaza.

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Tarragona Moderna e Contemporânea

A partir do século XVI, se constroem em Tarragona novas fortificações para defender a cidade das constantes guerras e ataques de piratas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs epidemias continuavam assolando a cidade, provocando uma alta taxa de mortalidade, além do êxodo populacional. O porto sofreu graves prejuízos e acabou ficando abandonado, de forma que a atividade comercial foi desviada ao Porto de Salou. A economia entrou num período crítico, do qual se recuperou somente no século XVIII, quando se autorizou a reconstrução do porto, concedendo-lhe a permissão para comercializar livremente com o continente americano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo plano cultural, a partir do século XVI os arcebispos da cidade desempenharam um importante papel em sua renovação. Muitos deles ocuparam cargos políticos, e dotaram a cidade de uma Universidade Literária. Por outro lado, as ordens religiosas realizaram abundantes atividades benéficas e educacionais. A chegada da água à cidade, impulsionada pelos religiosos, contribuiu de forma evidente para a melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIX, a Guerra da Independência, travada contra o exército de Napoleão, foi devastadora para Tarragona. Ocupada em 1811, o rastro de fome e miséria deixado após o conflito foi enorme.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa metade do século XIX, o crescimento econômico possibilitou reformas urbanas que acabaram transformando sua fisionomia. Em 1868, Tarragona deixou de ser uma praça forte, fato que permitiu a construção de novos edifícios situados fora do recinto de Muralha de San Juan, erguida no século XVI, que havia se convertido numa barreira entre a tradicional parte alta da cidade e o florescente bairro da marina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pouco antes, em 1854, se começou a derrubar uma parte da muralha medieval para que a cidade pudesse expandir-se. Neste ano, iniciou-se o projeto da Rambla Nova, que acabou convertendo-se no eixo comercial da cidade. Atualmente, a Rambla Nova é uma das mais importantes avenidas de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras no porto e no ensanche (processo de expansão urbana) provocaram a descoberta de vários restos arqueológicos de época romana, base da coleção do importante Museu Arqueológico de Tarragona. Durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, a cidade mais uma vez sofreu danos, desta vez devido aos bombardeios, e sua infraestrutura teve que ser novamente reconstruída. Na segunda metade do século XX, Tarragona transformou-se numa cidade industrial especializada no campo petroquímico, considerado o mais importante de toda a Espanha. Seu renovado porto torna-se o segundo do país em quantidade de toneladas anuais. A população aumenta graças à imigração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeste período, a partir do século XVI, podemos conhecer vários outros pontos de interesse na cidade, como a Casa Museu Castellarnau, um excepcional exemplo de residência nobre em Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente construída no começo do século XV, nesta casa esteve hospedado o Rei Carlos I, durante uma visita à cidade em 1542. Conserva um interessante pátio gótico, e no século XVIII foi adquirida por um nobre chamado Carles de Castellarnau, que reformou o edifício. A casa hoje em dia é um museu e na visita contemplamos um estilo decorativo pertencente aos séculos XVIII e XIX.

DSC02057DSC02064Ao final da Rambla Nova, situa-se um maravilhoso mirante da cidade, com vistas ao porto, praias e monumentos relacionados com Tarraco, como o Anfiteatro Romano. Ficou conhecido como o Balcão do Mediterrâneo, nome escolhido por Emilio Castelar (1832/1899), político, escritor e jornalista espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado num acantilado ao borde do mar, uma zona ajardinada de forma elíptica evoca a fisionomia do Anfiteatro Romano, localizado junto ao mar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO jardim foi plantado com várias espécies vegetais, entre as quais mencionamos a denominada “Trilogia do Mediterrâneo“, que constituía a base agrícola do mundo romano, o trigo, a uva e a oliva.

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Tarragona Medieval

Com a queda do Império Romano, Tarragona e o território espanhol foram invadidos pelos visigodos. Parece que a conquista foi tranquila, pois não se encontraram sinais de destruição. Os visigodos aproveitaram a estrutura urbana existente. No ano 585, Hermenegildo, irmão do Rei Visigodo Leovigildo, foi assassinado na cidade. Neste período, Tarragona entrou em decadência, com perda paulatina de suas atividades econômicas e população. Entre 713 e 714, foi invadida por um exército muçulmano. A maioria dos estudiosos afirmam que  a cidade foi destruída depois de um assédio de um mês. O Bispo de Tarragona fugiu para a Itália e a cidade careceu de um líder para organizar sua resistência. A antiga Tarraco perde toda sua importância adquirida em época romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo ano 1129, San Olegario, Bispo de Tarragona, cedeu a cidade ao mercenário Robert Bordet, que foi nomeado Príncipe de Tarragona mediante um ato de vassalagem. O cavalheiro aproveitou a antiga torre romana, conhecida como Torre do Pretório, para no local estabelecer seu castelo. Com a morte de San Olegario, uma série de conflitos jurídicos culminaram na extinção do principado, e Tarragona passou a depender do Condado de Barcelona em 1151. No século XII, a cidade converte-se num núcleo urbano consolidado e centro de um grande território. Seu crescimento realizou-se ocupando a área do antigo Fórum Romano, mantendo a estrutura herdada dos romanos. Em 1171 se inicia a construçao da Catedral de Tarragona, que foi consagrada somente em 1331. O templo foi iniciado dentro do estilo românico, mas finalizada já no estilo gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Tarragona foi o tema de dois posts, publicados em 8 e 9/4/2013, motivo pelo qual não me estenderei muito sobre ela. Apenas comentar que se trata de um templo belíssimo, e que sua visita é muito recomendável. Abaixo, vemos uma foto geral de seu interior e outra do claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFora do recinto defensivo desta época, haviam outras zonas diferenciadas. Por exemplo, a área ocupada pelo antigo Circo Romano transformou-se num núcleo situado fora das muralhas denominada El Corral, acolhendo uma população dedicada ao comércio e pequenas atividades industriais. Outra parte importante, a chamada Vila Nova prolongava-se desde El Corral até o porto, estando dedicada aos cultivos. Abaixo, vemos uma interessantíssima maquete que foi colocada no interior da Torre do Pretório, que nos proporciona uma excelente idéia da Tarragona Medieval na primeira metade do século XV. Foi realizada com dois tipos de madeiras. Uma mais escura, que sinaliza os edifícios romanos que se crê foram reutilizados dentro da estrutura urbana medieval, e uma mais clara, que representa os edifícios construídos na Idade Média.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA sala onde foi situada a maquete constitui uma atração por si só. Foi construída no ano 1368, durante o reinado de Pedro III “El Ceremonioso”, e se considera um dos melhores exemplos da Arquitetura Gótica Civil de toda a Catalunha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém na sala vemos um curioso sarcófago romano do século I, que foi reutilizado por um legionário romano numa época posterior e novamente usado como sepulcro por um nobre medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1348, a Peste Bubônica chegou à Tarragona, causando uma alta taxa de mortalidade. Depois, a cidade começou um processo de reforço de suas antigas muralhas, mediante a construção da chamada La Muralleta, na altura do Circo Romano. Dessa forma, a zona conhecida como El Corral foi incorporado ao núcleo urbano. No século XV, a situaçao política agravou-se, ocasionando uma guerra civil que levou à cidade a mais absoluta decadência. As defesas da cidade foram duramente afetadas, principalmente as relacionadas com La Muralleta. A população mais uma vez diminuiu de maneira drástica e o município declarou-se em quebra. Os efeitos desta guerra foram visíveis na cidade durante muito tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo período medieval se conservam muitos outros elementos de interesse, como os arcos góticos do século XIV, que faziam parte da estrutura de um mercado municipal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos o Palácio Episcopal, também edificado no estilo gótico (século XIV).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO atual Centro Histórico de Tarragona pertence ao período medieval, e outro de seus atrativos é visitar o antigo bairro judeu ou Judería. Estava formada por ruas pequenas, com uma acesso independente ao resto da cidade. Sua proximidade com o castelo real indica que seus habitantes estiveram sob a jurisdição do próprio monarca. A seguir, vemos uma parte do bairro que se conserva atualmente…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa antiga Casa del Degá, um palácio renascentista e barroco, propriedade dos diáconos da Catedral, vemos inscrições romanas e lápides judaicas de época medieval. Atualmente este edifício, totalmente reconstruído, é a sede do Colégio de Engenheiros Industriais de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Finalizamos a matéria com os restos arqueológicos de um importante edifício da Judería de Tarragona, dos séculos XIII e XIV.

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Fórum Romano de Tarragona – Parte 2

Neste segundo post sobre o Fórum Romano de Tarragona veremos outros vestígios arqueológicos pertencentes ao incrível conjunto de restos romanos da antiga Tarraco que se conservam na cidade, declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Como dito na matéria  anterior, o Fórum constituía o centro da vida pública de qualquer cidade romana, estando composto por seus principais edifícios administrativos, religiosos e jurídicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta segunda zona pertencente ao Fórum Romano de Tarraco é visitável, mediante o pago de uma modesta entrada. Seus vestígios arqueológicos foram documentados por primeira vez na segunda metade do século XIX, com a derrubada das antigas muralhas renascentistas. Abaixo, vemos um busto em homenagem a Joan Serra i Vilaró, o primeiro em escavar as ruínas desta parte do Fórum Romano de Tarraco, em 1930.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto está formado por duas zonas separadas por uma rua e unidos por uma pequena ponte…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta é considerada a praça inferior do Fórum, ao estar situada numa zona mais baixa da cidade. Tinha umas dimensões impressionantes, de 318 m de comprimento por 175 m de largura, estando cercada em três de seus lados por uma complexa estrutura de pórticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Fórum situava-se o denominado Templo Capitolino, o principal de Tarraco, em homenagem à tríade romana formada pelas divindades Júpiter, Juno e Minerva. Sua parte conservada se restringe à sua fundação estrutural feita com o chamado cimento romano (Opus Caementicium).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma reconstrução gráfica idealizada do monumento…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local imprescindível no Fórum Romano era a Basílica, um edifício de 3 naves separados por colunas, com finalidades administrativas, políticas e, principalmente, jurídicas, além de constituir um ponto de encontro social.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma sala central presidia o interior da Basílica, onde se reunia o senado local, ou Curia. Seu exterior estava formado por colunas de ordem coríntia, 14 delas dispostas em seu comprimento e 4 colunas em seu sentido lateral (14×4). Posteriormente, os cristãos utilizaram a estrutura das basílicas romanas para a construção de suas igrejas, motivo pelo qual muitas delas, principalmente catedrais, possuem uma planta basilical.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs quarteirões das casas estavam delimitados por ruas de pedra com uma largura de 6 metros. O planejamento urbano das cidades romanas estava composto por duas ruas que se cruzavam perpendicularmente, o Decumano (sentido leste-oeste) e o Cardo (orientação norte-sul). O Decumano principal denominava-se Decumanus Maximus, que cruzava com o Cardo Maximus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentro desta zona do Fórum Romano de Tarraco se conservam também vestígios de casas e pequenos comércios. Abaixo, vemos uma cisterna que pertenceu a uma residência construída no século II aC, anterior portanto à própria construçao do Fórum.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade de Mérida (situada na Comunidade de Extremadura) foi, junto com Tarraco, uma das principais cidades romanas de Hispania. Antiga Emerita Augusta, foi a capital da Província da Lusitânia. Uma placa oferecida à cidade de Tarragona pela “hermana histórica” foi colocada dentro da área protegida do Fórum.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de todos estes monumentos pertencentes ao seu passado romano que estamos vendo no blog, se conservam outros lugares icônicos da antiga Tarraco, situados a poucos quilômetros da cidade, como o Aqueduto. Construído no século I dC, originalmente tinha 15 km de extensão, dos quais foram preservados “apenas” 217 m de comprimento e 27 m de altura em sua parte central. Uma pena que não tive a oportunidade de visitá-lo…

Fórum Romano de Tarragona

Nas antigas cidades romanas, o denominado Fórum constituía o principal espaço públicos dentro de seu planejamento urbano. Nele encontravam-se os edifícios administrativos de maior importância, além de ser um local onde se situavam os edifícios jurídicos e de culto ao poder imperial, representando também um ponto de encontro social e de transações comerciais através das tabernas e mercados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Romano como espaço ordenado desenvolveu-se a partir das ágoras e acrópoles gregas, tornando-se parte integrante de todas as províncias romanas. Além de constituírem centros da vida pública, nele eram realizadas cerimônias triunfais. Nos períodos eleitorais, os candidatos usavam os degraus dos templos para seus discursos, contando com o apoio dos ouvintes. Na cidade romana de Tarraco, a chegada ao poder de Vespasiano no ano 70 dC ocasionou uma série de transformações na estrutura administrativa das províncias hispânicas. A concessão da cidadania latina a seus habitantes representou o fato primordial em sua reorganização e uma ampla reforma urbana realizou-se. No ano 73, iniciou-se na parte alta da cidade, correspondente ao atual Centro Histórico de Tarragona, a construção do Fórum Provincial, convertendo-se com o tempo no símbolo do poder de Roma no território. Seu monumental tamanho, de cerca de 18 hectares, o transformou no maior de todo o mundo imperial, e incluía o Circo Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi estruturado em duas grandes praças porticadas que acolhiam os principais edifícios religiosos, culturais e administrativos da cidade. Estas praças estavam situadas em níveis de alturas diferentes, devido ao desnível do terreno. A praça superior, cujas imagens vemos acima, foi destinada ao culto imperial e possuía 153 m de comprimento x 126 m de largura. Estava cercada por pórticos em três de seus lados, estando presidida por um templo aos imperadores divinizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta parte do Fórum situava-se o antigo templo dedicado a Augusto, cuja localização exata se desconhece, provavelmente próximo à catedral. Abaixo, vemos a atual Plaza del Pallol, que em época romana constituía a Praça da Representação do Fórum Provincial de Tarraco, conservando vários vestígios arqueológicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi utilizado até o século V dC, quando seus edifícios foram ocupados como residências privadas. A partir do século XII, a praça foi reurbanizada, definindo a estrutura urbana que se conserva atualmente, correspondente ao Centro Histórico de Tarragona, de origem medieval, portanto. Dentro do conjunto arqueológico da cidade, conservam-se as galerias (bôvedas) que faziam parte do Fórum, como a denominada Bôveda de Tecleta, assim chamada por uma escultura feminina feita de mármore branco no século I/II dC, provavelmente parte de um antigo monumento funerário. Este fato se explica porque foi encontrada no atual parque da cidade em 1992, uma zona que no período romano fazia parte de seu subúrbio e constituía uma área funerária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta galeria acolhe uma excelente amostra de coleção epigráfica romana, que faziam parte de tumbas funerárias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma delas, com uma inscrição funerária de um liberto chamado Victor, que viveu no século II dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta bôveda correspondia à parte inferior da Praça de Representação do Fórum Provincial. Na sequência vemos a Bôveda Superior

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro podemos contemplar um dos sarcófagos romanos mais bem conservados da antiga Tarraco, o Sarcófago de Hipólito, datado do século III dC, e decorado com cenas relativas ao mito deste herói.

DSC02054No próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Fórum Romano de Tarragona.