Casa de Pilatos – Última Parte

O pátio principal da Casa de Pilatos, além de sua exuberância decorativa, serve como eixo ao redor do qual se organizam as várias dependências do palácio. Composto por dois níveis, a escada de acesso ao Palácio de Inverno, situado em sua parte superior, é um dos seus espaços mais monumentais. Construído por Fadrique Enríquez no séc. XVI, ao seu lado foi colocado um quadro da Virgem Maria do séc. XVIII, uma cópia de um original realizado pelo pintor Bartolomé Esteban Murillo em 1606.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das estâncias mais importantes do palácio, o Salão Dourado recebe este nome graças a cor do artesanato mudéjar que decora o teto da sala.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de Pilatos possui, além do pátio e suas diversas salas, dois belíssimos jardins, uma exclusividade da elite no séc. XVI, pois neles existiam depósitos de água que chegavam desde o aqueduto romano. Este privilégio estava reservado ao Real Alcázar de Sevilha, aos monastérios e conventos da cidade e algumas residências senhoriais, como a Casa de Pilatos. Do Salão Dourado existem 3 acessos ao denominado Jardim Chico. Abaixo vemos um detalhe do jardim, visto do citado salão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto acima, vemos a escultura de uma Ninfa dormindo, obra renascentista do séc. XVI. Abaixo, vemos uma imagem geral do Jardim Chico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra área verde do palácio é o maravilhoso Jardim Grande. Foi construído por ordem de Per Afán de Ribera, para que pudesse exibir sua excepcional coleção de esculturas clássicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1568, Per Afán de Ribera contratou o arquiteto napolitano Benvenuto Tortello para que realizasse as obras de construção do jardim. No entanto, não pôde desfrutar de seu projeto, pois faleceu em 1571, um pouco antes da finalização das obras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO arquiteto, para conseguir o caráter desejado por Per Afán de Ribera, seguiu os ditames arquitetônicos das vilas italianas do Renascimento, criando uma ambiente íntimo, e ao mesmo tempo, monumental.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo podemos observar acima, as galerias de arcos do Jardim Grande reproduzem a estrutura do pátio principal. Abaixo, vemos um detalhe decorativo com as esculturas que adornam o espaço.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs esculturas foram expostas nas chamadas logias, formadas por duas galerias superpostas com 3 arcos semicirculares cada, sustentados por colunas de mármore. A seguir, vemos a logia inferior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE a logia superior

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Jardim Grande ocupa o local da antiga horta do palácio de Fadrique Enríquez. Na época de sua construção, foi chamado de Jardim Arqueológico, exercendo uma grande influência na arte sevilhana. Num dos ângulos do jardim, o arquiteto Tortello desenhou uma pequena gruta e em seu interior foi colocada uma escultura de mármore de Vênus, pertencente ao séc. XVI. Com a imagem da deusa, finalizamos a matéria sobre a Casa de Pilatos, este belíssimo palácio considerado uma das grandes atrações de Sevilha.

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Casa de Pilatos – Parte 2

Depois do falecimento do casal fundador da Casa de Pilatos, D.Pedro Enríquez e sua esposa Dona Catalina de Ribera, seus descendentes continuaram o trabalho de ampliação do palácio, incorporando uma maravilhosa decoração renascentista, realizadas por seu filho Don Fadrique Enríquez de Ribera e seu neto Per Afán de Ribera. O primeiro, acostumado com o ambiente medieval de Sevilha, surpreendeu-se com o humanismo em suas viagens pela Itália, abraçando o Renascimento, o estilo que rompia com os preceitos da Idade Média, transformando-se num dos primeiros nobres de Espanha que pode ser classificado como um modelo de aristocrata culto. Graças a ele, foram importadas as primeiras obras renascentistas que chegaram a Sevilha, que podemos contemplar no pátio principal da Casa de Pilatos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 1526 e 1539, D.Fadrique Enríquez decora o pátio com elementos renascentistas, como a fonte situada no centro, bustos de imperadores romanos e esculturas clássicas. Um conjunto de 24 colunas de mármore talhadas em Gênova compõem o espaço do pátio. A partir de então, o estilo mudéjar original da construção passa a conviver com o modelo italiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFeita  de mármore branco de Carrara, a fonte colocada na parte central do pátio está ornamentada com uma temática mitológica. Um busto do Deus Jano (divindade romana das transformações, representada por duas caras direcionadas em sentidos opostos) do séc. I coroa a fonte. No entanto, não fazia parte da fonte original, pois foi colocada no séc. XVIII, no lugar de um sátiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsculturas clássicas situadas nos ângulos do pátio acentuam seu caráter renascentista. Foram incorporadas ao espaço por Per Afán de Ribera, um apaixonado pela Arte Clássica e um grande colecionador de obras artísticas. Abaixo, vemos a escultura de Palas Atenas, esculpida entre os anos 125 e 150 dC, uma cópia romana de uma original grega do ano 435 aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta outra belíssima escultura representa uma dançarina, réplica romana do séc. II dC, de um original grego do séc. IV aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos admirar uma outra representação de Atenas, a denominada Palas Pacífera, vestida com uma túnica que a cobre até os pés, como normalmente ocorre nas esculturas desta deusa grega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa galeria de arcos do pátio principal se conserva uma coleção de 24 bustos que representam imperadores romanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o busto do Imperador Marco Antônio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma tradição diz que as cinzas do Imperador Trajano, trazidas de Itália, foram espalhadas pelos jardins do palácio. A seguir, seu busto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA combinação da decoração renascentista, detalhes mudéjares e os azulejos colocados por todo comprimento das galerias do pátio o transformam num local em que a arte se manifesta de maneira sublime…

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Casa de Pilatos – Sevilha

Depois da descoberta da América em 1492 e a incorporação de novas terras ao Reino de Castilla, a cidade de Sevilha desempenhou um papel proeminente entre a metrópole e o novo continente, graças ao monopólio comercial que exerceu com a implantação da Casa da Contratação, órgão fundado pelos Reis Católicos em 1505 para regulamentar as transações comerciais entre ambas regiões. Sevilha transforma-se então na maior cidade do país e capital econômica do Império Espanhol. Neste ambiente de grande prosperidade e pujança, foi construído um dos palácios mais belos que tive a oportunidade de conhecer na Espanha, a chamada Casa de Pilatos, cujo nome se deve à  sua própria localização na Praça de Pilatos, bem no centro histórico da cidade e antigo cenário de corridas de touros e espetáculos diversos. Abaixo, vemos a fachada oriental que dá para a praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída entre 1483 e 1571, a Casa de Pilatos é considerada o maior palácio nobiliário de Sevilha. Sua beleza e suntuosidade deixam impressionados (as) qualquer pessoa que visite suas dependências. Foi levantado por D.Pedro Enríquez, que ocupava o cargo de Adelantado Maior de Andaluzia (um importante posto a nível jurídico), e sua segunda esposa, Catalina de Ribera. Inicialmente, o estilo utilizado foi o mudéjar, que pode ser admirado no trabalho de gesso que decora as colunas do pátio principal do palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAD.Pedro Enríquez era descendente direto de Fadrique de Castilla (1334/1358), gêmeo e meio irmão, respectivamente, dos reis castelhanos Enrique II de Trastámara e Pedro I El Cruel, inimigos irreconciliáveis que se enfrentaram na Primeira Guerra Civil Castelhana, entre 1366 e 1369. Sua morte, ao regressar das batalhas envolvendo a conquista de Granada em 1492, fez com que sua esposa tomasse as rédeas da construção do palácio até seu falecimento, ocorrido em 1505. Foi ela quem decidiu sobre a disposição interna das principais dependências do palácio. Abaixo, vemos  a Capela da Flagelação, construída durante a etapa de Pedro Enríquez, cujo aspecto se mantêm intacto. Trata-se do único espaço realizado com elementos góticos, graças a identificação deste estilo artístico com a arquitetura religiosa católica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra das estâncias que compõem o palácio, que data da época inicial de sua construção no final do séc. XV, é o Salão de Descanso dos Juízes. Esta denominação com referências bíblicas está relacionada aos 71 membros que julgaram a Jesus Cristo durante sua condenação por Pilatos. Este espaço precede a Capela da Flagelação, que vimos acima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vocês podem comprovar nas fotos, os azulejos formam um dos elementos principais na decoração do palácio. São considerados, tanto por sua variedade, quanto pela qualidade de sua fabricação, como uma das mais ricas coleções de azulejos de todo o mundo. Mais de 150 desenhos distintos podem ser contemplados, e foram realizados no bairro sevilhano de Triana, entre 1536 e 1539. Confeccionados, em sua maior parte, segundo a chamada técnica de arista ou de cuenca, estão compostos por motivos geométricos (azulejos mudéjares), inspirados nos desenhos de tapetes do séc. XV (isabelinos) e vegetais, além de figuras grotescas e desenhos inspirados no artesanato de madeira (azulejos renascentistas). Inúmeros são as peças decoradas com os escudos relacionados às linhagens do casal fundador. A seguir, vemos o escudo de armas dos Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE o escudo de armas da dinastia dos Enríquez….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs galerias que compõem o famoso Pátio Principal, que veremos na próxima matéria, também foram adornadas com azulejos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de Pilatos foi edificada em dois andares quase idênticos. O andar inferior, composto por várias dependências situadas em torno ao pátio principal, algumas das quais vemos acima, constituem o denominado Palácio de Verão. A planta baixa é mais fresca e menos exposta ao abrasador calor sevilhano. A planta superior compõe o Palácio de Inverno, organizado em várias salas, mas as fotos neste andar infelizmente não estão permitidas. Abaixo, vemos uma imagem do andar superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs convidados que chegavam ao palácio eram recebidos num local denominado Apeadero, um recinto típico dos palácios andaluzes. Representava um espaço de transição entre a praça pública e a intimidade do pátio principal, estando situado logo depois da entrada principal do palácio. Consta de um pátio descoberto com galerias perpendiculares, que protegiam os recém chegados da chuva e do sol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a galeria norte, composta por duas fileiras de colunas que formam arcos de meio ponto, permitindo a entrada ao pátio principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a morte do casal fundador, seus descendentes realizaram reformas que determinaram seu maravilhoso caráter renascentista, que veremos na próxima matéria. A partir do séc. XVII, a Casa de Pilatos passa a ser propriedade dos Duques de Medinaceli, cujo escudo podemos observar num dos muros do palácio.

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Sevilha: Metropol e I.San Pedro

Depois de deixar Cádiz, pude passar uma tarde em Sevilha, esta maravilhosa cidade da Andaluzia. Sevilha é um desses lugares em que é necessário visitar várias vezes, para conhecer seu enorme patrimônio histórico. Ainda me falta muito por conhecer. De qualquer forma, em algumas horas pude visitar locais imprescindíveis que não conhecia. Um deles situa-se na central Plaza de la Encarnación, o famoso Metropol Parasol, um tesouro da Arquitetura Contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Metropol é uma imensa estrutura feita de madeira, com núcleo de concreto, que cobre todo o espaço da praça. Inaugurado em 2011, foi concebido pelo arquiteto alemão Jurgen Mayer como forma de reabilitação do lugar. Suas instalações incluem um mercado, estabelecimentos comerciais, locais para espetáculos e o Museu Aquarium, que exibe os restos arqueológicos encontrados durante as obras, de época romana. Também chamado de Setas de Sevilha (cogumelos), é considerada a maior estrutura de madeira de todo o mundo. Suas dimensões são de 150x70m, e 26m de altura. Sua forma proporciona uma grande sensação de movimento ondulatório.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2013, o Metropol foi escolhido, entre outros 335 projetos apresentados, como um dos 5 finalistas do prestigiado prêmio de arquitetura contemporânea Mies Van Der Rohe, criado em homenagem a um dos mais influentes arquitetos do séc. XX. Na parte superior da estrutura existe um grande mirante, com belas vistas do centro antigo de Sevilha. Lamentavelmente, se encontrava fechado e não pude caminhar por suas passarelas, algo que me possibilitaria uma outra perspectiva desta surpreendente construção. Sevilha possui uma grande quantidade de lindas igrejas, a maioria de importância histórica e artística. A Igreja de San Pedro, situada na praça homônima, é uma delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi levantada sobre uma antiga mesquita em 1379, no estilo gótico-mudéjar. Durante os séculos XVI e XVII foi reformada. Entre 1613 e 1624, Diego de Quesada realizou a portada, decorada com uma escultura de São Pedro, obra de Martín Cardino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo corpo da torre podemos observar restos mudéjares, datados da época de sua fundação. A parte que acolhe o campanário foi construído no séc. XVI. Na Igreja de San Pedro foi batizado, em 6 de junho de 1599, o grande pintor sevilhano Diego Velázquez, como comprova uma placa comemorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O interior do templo possui diversas obras de interesse. O Retábulo Maior, por exemplo, está dedicado ao santo titular, executado pelos irmãos Felipe e Francisco Dionísio de Rivas, entre 1640 e 1662. Uma escultura de São Pedro preside o retábulo, realizado por Andrés de Ocampo. Cenas da vida do santo formam sua composição, que culmina no Calvário de Cristo. Em sua parte inferior, vemos uma imagem da Virgem da Assunção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas capelas mais importantes é a do Sagrário, um dos poucos restos da primitiva igreja erguida no séc. XIV. Seu retábulo, feito de azulejos, está presidido pelo Jesús de la Salud, obra do séc. XVII realizada por Felipe de Rivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outras fotos do interior da Igreja de San Pedro

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de visitar a igreja, eu e minha esposa fomos à Casa de Pilatos, um dos principais objetivos de nossa viagem a Sevilha. Nossa grande expectativa foi amplamente superada, pois seguramente este palácio é um dos mais belos que conheci em toda a Espanha. Vocês terão a oportunidade de conhecê-lo detalhadamente, nas próximas matérias…

Sevilha

Sevilha é a cidade mais populosa da Andaluzia (700mil hab. em 2011), e a quarta de Espanha. Capital da província homônima e também da Comunidade Andaluza, seu centro antigo é considerado o mais extenso do país, acolhendo inúmeros monumentos de interesse, além dos retratados nos dois últimos posts.

O rio Guadalquivir cruza toda a cidade, e seu porto é o único fluvial de toda Espanha, já que o rio é navegável nos 80km desde o oceano atlântico até a cidade.

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Seu nome provém da antiga Tartessos, povoado pré-romano, que a designava como Spal, que significa terra plana. Depois da conquista romana, o antigo nome foi latinizado, tornando-se Hispalis. Durante a época árabe, transformou-se em Isbiliya, donde procede a atual denominação. Em sua larga história, foi testemunho de vários povos que a habitaram, bem como de momentos de esplendor artístico e econômico. Sevilha foi durante o período romano uma das urbes mais importantes da Hispania. Depois da ocupação árabe, foi capital duas vezes, a primeira de um Reino de Taifas, e a segunda durante o denominado Império Almohade (dinastia originária do Marrocos, que dominou o norte da África e o sul da Península Ibérica entre os séc. XII e XIII. Desta época é a famosa Torre do Ouro, situada na margem esquerda do rio Guadalquivir.

Sevilha29A torre foi erguida como uma atalaia de vigilância, visando evitar possíveis invasoes pelo rio Guadalquivir. Uma de suas formas de proteção era uma gigantesca corrente que se desenrolava sob as águas e era erguida para impedir a passagem de barcos indesejáveis.Se nome explica-se pelo revestimento de azulejos dourados que possuía antigamente ou então como armazém das riquezas procedentes dos barcos que chegavam da América. Compõem-se de 3 partes, sendo a inferior dodecagonal e construída no séc. XII. A segunda, hexagonal, foi levantado na época do rei Pedro I, e a terceira, circular, foi rematado por uma cúpula, pertence ao séc. XVIII. Um pouco antes de finalizada, foi seriamente danificada pelo terremoto de Lisboa de 1755. A torre foi declarada Monumento Histórico-Artístico em 1931 e atualmente sedia o Museu Naval de Sevilha.

Sevilha27Em 1248, a cidade foi incorporada ao Reino de Castilla, pois foi reconquistada por Fernando III. Logo depois, uma grande comunidade judia assentou-se no conhecido bairro de Santa Cruz, um dos mais representativos e pitorescos do centro histórico, repleto de ruas estreitas e sinuosas, com suas casas brancas compostas de um pátio interior e adornada com balcões de ferro, cuja estampa é característica de toda a Andaluzia.

DSC00224A judería cresceu e transformou-se na segunda mais importante de toda a Espanha, depois da de Toledo. No bairrro, encontramos vários bares, onde tapear se converteu em quase uma religiao.

Sevilha2Em sua parte alta, encontramos o Hospital dos Venerados Sacerdotes, cujo edifício barroco do séc. XVII possui grande quantidade de obras de arte, além de exibir esplêndidas pinturas murais de Valdés Leal. A instituição foi criada para servir de asilo aos sacerdotes aposentados e fundada em 1675.

Sevilha3Sevilha4Abaixo, vemos algumas fotos da igreja e sua bela decoraçao.

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Atualmente, é a sede do Centro Velázquez, dedicado ao sevilhano mais conhecido internacionalmente do mundo artístico.

Depois do descobrimento da América em 1492, Sevilha converteu-se no centro econômico do Império Espanhol, pois as atividades comerciais entre a Espanha e suas colônias do novo mundo se realizavam a partir do porto da cidade de maneira exclusiva.

Nos jardins de Murillo, cujo nome homenageia o célebre e também pintor sevilhano Bartolomeu Esteban Murillo, vemos um monumento dedicado a Cristóvão Colombo, cujos restos encontram-se na catedral, como vimos no post anterior.

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A época barroca na cidade contribuiu sobremaneira ao denominado Século de Ouro Espanhol, graças aos citados pintores acima. Um de seus monumentos de destaque desta época é a Praça de Touros da Real Maestranza, situada próxima à Torre do Ouro. Considerada a segunda mais importante do país, depois da de Madrid, possui, no entanto, a maior tradição taurina de todo o país. Construída em 1733 em madeira, é uma das mais antigas e belas e também a primeira em ter forma circular.

Sevilha31No séc. XIX, a cidade recebeu uma doaçao da Infanta Maria Luisa Fernanda, duquesa de Montpellier, que se transformou na área verde mais conhecida de toda a cidade, o Parque de Maria Luisa.

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O pavilhão de Alfonso XII homenageia a visita do rei na época de sua inauguração.

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Em seu perímetro, podemos visitar dois dos principais museus da cidade, o Arqueológico e o dedicado às artes e costumes populares, cujas imagens vemos abaixo.

Sevilha33DSC00376Em 1929, Sevilha sediou a Exposição Ibero-Americana, e um de seus grandes trunfos foi a construção da Praça de Espanha.

DSC00368O espaço que a compreende é um dos mais espetaculares exemplos da denominada arquitetura regionalista surgida no país nos finais do séc. XIX. Sua concepção baseava-se na idéia de plasmar arquitetonicamente a essência de uma determinada região. Projetada pelo arquiteto sevilhano Aníbal González, possui uma forma semielíptica e destaca suas grandes dimensões.

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Sua construção à base de tijolos e os amplos elementos decorativos feitos de cerâmica, artesanato, ferro forjado e mármore lhe conferem um aspecto renascentista. As duas torres, uma em cada extremo da praça, no entanto, lhe proporciona um caráter barroco.

Sevilha36O canal que contém é cruzado por 4 pontes, que representam os antigos reinos espanhóis.

Sevilha37DSC00369Nas paredes, se encontram uma série de bancos que homenageiam as 50 províncias do país.

DSC00352A monumental praça foi cenário de muitos filmes de renome, entre os quais Lawrence da Arábia e Star Wars II – O Ataque dos Clones, em que representa o planeta Naboo.

Espero que esta série de posts dedicada à cidade tenha colaborado para que se tenha uma idéia dos seus inumeráveis encantos. Na sequência, outras imagens de Sevilha.

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Patrimônios da Humanidade de Sevilha

Além do Real Alcázar, Sevilha possui dois outros monumentos catalogados em conjunto como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1987. O primeiro deles é a Catedral de Santa Maria , eleito um dos 12 tesouros de Espanha.

O templo sevilhano é considerado a catedral gótica de maior superfície de todo o mundo. Segundo a tradição, foi construída a partir de 1403, embora não exista documentos dos trabalhos construtivos até 1433. A edificação se realizou no mesmo local da antiga mesquita maior da cidade, construída no séc. XII.

DSC00229Depois da conquista da cidade pelos reinos cristãos no séc. XIII, a mesquita foi consagrada como templo católico, sendo desta forma utilizada durante mais de 150 anos. Devido ao mau estado da mesquita, e sua quase ruína depois de ser afetada por um terremoto em 1356, decidiu-se pela construção de uma nova catedral, que sería inaugurada em 1506.

Sevilha22Sevilha19Um dos seus elementos mais conhecidos é a Torre Campanário, conhecida como “La Giralda”, cuja altura se eleva a mais de 100m. Grande parte da estrutura corresponde ao minarete da antiga mesquita do séc. XII, e foi construída à imagem e semelhança da mesquita de Marrakech (Marrocos).

Sevilha25A parte superior foi levantada no séc. XVI em estilo renascentista para acolher os sinos, cujo encarregado foi o arquiteto Hernán Ruiz, que também foi o responsável pela estátua que coroa a torre, instalada em 1568. Durante séculos, foi a torre mais alta do país.

Sevilha26Do alto da torre vemos os sinos e uma bela vista geral do templo.

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No exterior, existem inúmeras portas de acesso, dada suas grandes dimensões. Uma delas é a Porta das Campanillas, assim denominada porque quando foi levantada, era deste local onde se tocavam as campanas para chamar aos trabalhadores. As esculturas que a adornam são renascentistas, bem como o relevo do tímpano que representa a entrada de Cristo em Jerusalém.

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A Porta dos Palos é também chamada de Porta da Adoração dos Reis Magos, devido ao relevo do tímpano, executado em 1520.

DSC00293O interior está formado por 5 naves, cujas dimensões são de 116m comp x 76m de largura. No cruceiro, a cúpula eleva-se a 40m de altura. Neste espaço retangular, situava-se a antiga mesquita.

DSC00324A nave central está constituída pelo Coro e a Capela Maior. O coro está franqueado por dois órgãos gêmeos, construídos em 1901. O móvel que serve de suporte, porém, é de 1724. Ambos instrumentos se interpretam simultaneamente a partir de um mesmo teclado. O conjunto formado possui 4  teclados manuais, um de pedal e cerca de 7000 tubos.

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A Capela Maior, por sua vez, alberga o Retábulo Maior, considerado o maior da cristiandade. Foi realizado pelo escultor flamenco Pedro Dancart em 1482.

DSC00308Abaixo, vemos algumas imagens das muitas capelas que existem no interior da catedral.

DSC00329DSC00327A luz penetra no interior através de belas vidreiras historiadas.

DSC00301A Catedral de Sevilha guarda também sepulcros de personagen ilustres, como o do rei Fernando III, conquistador da cidade. Porém, mais famosa ainda é a tumba de outro conquistador, cuja autenticidade de seus restos foi motivo de uma acirrada polêmica. Nos referimos à tumba de Cristóvão Colombo.

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Na verdade, existem várias “tumbas de Cristóvao Colombo”, em conseqüência das mudanças dos seus locais de sepultamento. Sua história se remonta ao ano de 1506, quando falece o navegador genovês em Valladolid. Na cidade, é enterrado por primeira vez e três anos depois foi desenterrado e levado à Cartuja de Sevilha, nela permanecendo entre 1509/1537. No entanto, o ilustre defunto manifestou em vida o desejo de ser sepultado em terras americanas, e seus restos foram levados à catedral de Santo Domingo, República Dominicana, onde se manteve até 1795. Com a perda da posse da ilha para os franceses, o corpo é levado desta vez à catedral de Havana, em Cuba. Em 1898, Espanha perde o domínio do país e seus restos realizam sua última viagem à Catedral de Sevilha. Na República Dominicano se acredita que ali estão os verdadeiros restos de Colombo, graças à descoberta de um ataúde com a inscrição “Varón ilustre y distinguido, Don Cristóbal Colón…”. Segundo uma interpretação, houve um equívoco durante o traslado do corpo em 1795, e os restos levados à Espanha seriam os do seu filho. Para acabar de vez com a controvérsia, foram realizados exames de DNA em 2003, que certificaram a identidade dos restos da Catedral de Sevilha como o de Cristóvão Colombo.  Para custodiar seu corpo, foi edificado um monumento em que se representam os quatro reinos espanhóis (Castela, Leão, Aragão e Navarra) que sustentam o féretro.

DSC00313O outro monumento distinguido pela Unesco é o Arquivo Geral das Índias, criado em 1785 pelo rei Carlos III, com o objetivo de centralizar em um único lugar, a enorme documentação existente referente à administração das colônias espanholas, até então dispersas. Convém ressaltar que, depois da descoberta do novo mundo, Sevilha converteu-se no porto exclusivo do comércio com o continente americano.

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Os documentos nele conservados ocupam mais de 9km lineais de estantes, sendo considerado o maior arquivo documental existente no mundo da atividade espanhola na América. Muitos destes documentos possuem um valor incalculável, como o diário de Cristóvão Colombo, e outros assinados por Fernando de Magalhães, Francisco Pizarro e Hernán Cortés, entre outros. O edifício sede foi construído no séc. XVI (1572), durante o reinado de Felipe II, dentro da estética renascentista, para abrigar a Lonja dos Mercadeiros.

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Real Alcázar de Sevilha

Dos lugares que conheci na Andaluzia, Sevilha foi aquele que mais me impressionou. Em parte, isso se deve à falta de conhecimentos que possuía da cidade, fazendo com que meu grau de expectativa não fosse muito elevado. Na maior parte das vezes, este nível de exigência com relação a lugares, coisas ou até mesmo pessoas, pode levar à decepção e até mesmo a indiferença. Tal não foi o caso da cidade andaluz, muito pelo contrário.

Entre os muitos monumentos que se pode conhecer, o Real Alcázar é uma maravilha, que por si só, torna recomendável uma visita à cidade de Velázquez. Tanto é, que lhe foi concedido o título de Patrimônio da Humanidade em 1984, junto com o Arquivo Geral das Índias e a Catedral.

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Na verdade, trata-se de um conjunto de palácios, em cuja construção foram desenvolvidos diferentes estilos ao longo de sua história, desde o islâmico de seus primeiros moradores, o mudéjar e o gótico do período posterior à reconquista da cidade pelas tropas castelhanas, além dos elementos renascentistas e barrocos incorporados em sucessivas reformas a partir de então.

O recinto, como o próprio nome indica, tem sido habitualmente usado como local de residência da Casa Real Espanhola e dos chefes de estado em suas visitas à cidade, sendo considerado o Palácio Real mais antigo da Europa em atividade, como reconheceu a Unesco.

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O Alcázar começou a ser construído no séc. X pelo primeiro califa andaluz Abderramán III, que aproveitou um antigo assentamento romano.

O primitivo palácio pertence à mesma época que a Alhambra de Granada, e foi ampliado durante o Emirato nos séculos XI e XII, bem como no período dos almohades. Atualmente, se conserva deste antigo palácio apenas o Pátio de Gesso. Depois da conquista de Sevilha pelo rei Fernando III em 1248, transformou-se na residência dos reis cristãos, e seu filho Alfonso X “EL Sábio”, ordenou a construção de três salões no estilo gótico. A sala gótica, também denominada sala das festas, foi utilizada no séc. XVI para a celebração de banquetes reais, como sucedeu no casamento do rei Carlos I.

DSC00263Durante o reinado de Felipe II (séc. XVI), foi reformada com toques renascentistas. O terremoto de Lisboa de 1755 afetou o conjunto, sendo restaurado dentro de uma estética barroca. Abaixo, vemos a capela e a sala dos tapetes, cujas peças que decoram o ambiente são de origem flamenca (Bruxelas).

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Em 1364, Pedro I de Castilla decidiu pela construção do denominado Palácio Mudéjar, que assombra pela riqueza e ornamentação decorativa. Hoje em dia, é célebre por ser considerado um dos conjuntos mais completos da arquitetura mudéjar de toda Espanha.

O palácio está constituído por vários recintos. O chamado Pátio das Donzelas é uma obra prima da arte mudéjar andaluz. De planta retangular, apresenta no seu nível inferior, uma série de arcos apoiados em colunas de mármore. Situados à direita do pátio, encontram-se a Alcova e a Sala reais.

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O Salão dos Embaixadores, onde realizavam-se as principais cerimônias da corte, é um dos mais importantes de todo o conjunto.

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O Pátio das Bonecas, cujo nome refere-se aos pequenos rostos visíveis em vários de seus arcos, está belissimamente decorado com azulejos, destacando as colunas e capitéis procedentes de Medina Azahara. O nível superior está composto pelos quartos ampliados e reformados na época dos Reis Católicos, mas não estão abertos à visitação pública, já que é um espaço destinado ao uso exclusivo da família real.

DSC00241DSC00247O Pátio da Montería permite o acesso ao palácio mudéjar.

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Os imensos e belos jardins que compõem o Real Alcázar estão compostos por terraças, fontes e esculturas, e é um verdadeiro prazer caminhar sem pressa, contemplando cada lugar que se descobre neste imenso espaço verde.

DSC00238Sevilha11DSC00283O acesso principal ao Real Alcázar se dá pela Porta do Leão, cujo painel de azulejos, com a figura do animal que lhe dá nome, data de 1894.

DSC00230Este incrível lugar foi cenário de vários filmes, entre eles, 1492- A Conquista do Paraíso, Lawrence de Arábia e o Reino dos Céus.

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