Na Torre da Catedral de Ávila

A Catedral de Ávila é outra das atrações históricas da cidade, e foi tema de uma série de 3 posts, publicados nos dias 21, 22 e 23/01/2017. Considerada a primeira catedral de estilo gótico na Espanha, foi edificada como templo e como fortaleza, já que o ábside da construção constitui um dos cubos da própria muralha de Ávila, algo inédito nos edifícios catedralícios, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão se sabe com precisão quando começou a ser levantada. A teoria mais aceita diz que data de mediados do século XII, cujo projeto foi realizado por um mestre francês chamado Fruchel, coincidindo com o processo de repovoamento de terras castelhanas por Raimundo de Borgoña, genro do Rei Alfonso VI. A parte construída por Fruchel, correspondente ao altar maior da catedral, se insere no estilo românico de transiçao ao gótico. Posteriormente, outros mestres finalizaram as obras da catedral (naves, capelas e o remate das torres) já no estilo gótico. Abaixo, vemos a fachada principal da Catedral de Ávila e seu impressionante aspecto de fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vemos na imagem acima, se construiu apenas uma torre, a outra permaneceu inacabada. O primeiro corpo da torre campanário data do século XIII, assim como as naves da igreja. As bôvedas (teto) e o segundo corpo da torre campanário datam do século XIV. No século XV, finalmente se finaliza todas as obras da catedral. Abaixo, vemos uma foto de seu interior, destacando sua bôveda de crucería, característica da arquitetura gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesta última vez que estive em Ávila com o Marcelo, a Cristina e o Ernesto, tivemos a oportunidade de subir no alto da torre campanário, um passeio imperdível que proporciona visitar lugares de uma catedral que normalmente estão fechados ao público. Antes de chegar na parte mais elevada da torre, pudemos contemplar umas excelentes vistas da nave central da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre campanário possui 7 sinos (campanas, em espanhol), cada qual com seu nome de batismo, como “Maria Teresa”, “Platera”, devido à presença de prata em sua fabricação, ou “San Segundo”, em homenagem ao Santo Padroeiro de Ávila. Abaixo, vemos algumas delas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, uma foto da torre inacabada, que foi fechada com tijolos, mas que deixa à vista uma parte da construção de pedra…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita inclui um elemento que normalmente os visitantes não têm acesso, a estrutura de madeira construída como sustentação do telhado ou cobertura da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto curioso foi observar as diversas marcas de canteiros ao longo da construção. Estas marcas talhadas na pedra constituem uma espécie de assinatura dos trabalhadores que colaboraram na edificação da catedral. Cada um deles possuía uma marca diferente e, desta forma, podiam cobrar pelo trabalho realizado. As marcas de canteiros são habituais nas catedrais românicas e góticas. Abaixo, vemos algumas das que descobrimos no passeio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto que me surpreendeu está relacionado com o antigo ofício dos campaneiros. Na realidade, este termo se refere a dois ofícios tradicionais, designando aqueles responsáveis pela fabricação dos sinos (elaboração do molde e posterior fundição do metal) e também às pessoas que realizavam os toques das campanas. Sempre pensei de como seria a vida destes trabalhadores que executavam este trabalho de tocar os sinos e, na visita à torre, muitas perguntas foram respondidas. A primeira questionava onde viviam e o mais curioso, é que residiam na própria torre, ao nível dos próprios sinos. A torre da Catedral de Ávila conserva maravilhosamente a casa do campaneiro. De estilo castelhano humilde, parece incrível que se manteve intacta. Os campaneiros nela viveram até os anos 50 do século XX. A residência possuía sala, alcobas, cozinha com chaminé, banheiro, etc…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa dos campaneiros foi construída aos pés da catedral, sobre a bôveda gótica. Para visitá-la, subimos os 113 degraus de uma escada em espiral, que salva a diferença entre o solo da catedral e sua cobertura. Nela se desenvolvia  a vida familiar dos campaneiros, sendo praticamente tarefa de todos seus membros realizar o toque das campanas, durante todo o dia. Frequentemente, o ofício passava de pai para filho, e as condições de vida eram extremamente duras, como nos explicou o guia que conduziu a visita. Em primeiro lugar, tinham que suportar um frio aterrador, numa cidade na qual as temperaturas normalmente atingem mínimas negativas, e muitos padeciam de doenças respiratórias. Além do mais, muitos campaneiros, depois de uma longa vida dedicada ao ofício, ficavam surdos com o forte som decorrente dos sinos. Em seus momentos de ócio, construíram pequenos jogos talhados nas pedras da torre (algo parecido com o atual jogo de damas), como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs dificuldades de acesso a esta peculiar residência fizeram com que fossem criados mecanismos de abastecimento e comunicação com o mundo exterior. O sistema implantado na Catedral de Ávila se resume a uma corda atada a uma polea que se utilizava para para subir alimentos e água, além de outros objetos essenciais à vida, e para baixar tudo aquilo que já não servia. Abaixo, vemos o sistema desde o solo da catedral e em sua parte superior, junto à casa dos campaneiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante séculos as campanas funcionaram como uma forma de comunicação social, anunciando festas, falecimentos e os atos litúrgicos, entre outros. O ofício de campaneiros data do período medieval em sua concepção atual. Atualmente, está em perigo de extinção com o desenvolvimento de métodos eletromecânicos para os toques de sinos e muitos aspiram que o toque manual seja declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. As campanas e seus variados sons constituem um maravilhoso universo, e seu estudo denomina-se Campanologia. Para saber mais sobre elas, ver as matérias publicadas em 6 e 7/3/2018, cujo tema foi o Museu das Campanas da belíssima cidade de Urueña, também situada na Comunidade de Castilla y León.

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Caminhando pela Muralha de Ávila

Qualquer pessoa que tenha a oportunidade de conhecer a cidade de Ávila se impressiona por sua muralha, uma das estruturas de caráter defensivo de maior relevância em todo o continente europeu. A Muralha de Ávila foi o tema de dois posts publicados em 17 e 19/1/2017, e em minha recente visita com meus amigos brasileiros tivemos o privilégio de conhecer outra parte da estrutura que eu ainda não tinha visitado. Abaixo, vemos uma panorâmica da muralha, cuja foto foi tirada desde o chamado mirante dos Quatro Postes.

20160612_124733Esta incrível estrutura militar data do período românico, e segundo numerosos estudiosos é considerada a maior e mais conservada muralha desta época, sendo construída no final do século XI. De fato, trata-se da única construção defensiva da Europa Cristã que se conserva tal e como foi edificada originalmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção foi realizada logo depois que a cidade foi reconquistada pelo Rei Alfonso VI de Castilla, que encarregou seu genro Raimundo de Borgoña (casado com a Infanta D.Urraca, filha do monarca) que repovoasse a cidade e construísse a muralha. A construçao durou apenas 9 anos, de 1090 a 1099, e segundo a tradição o projeto foi realizado por dois mestres da geometria, o romano Casandro e o francês Florín de Pituenga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralha de Ávila possui 2516 metros de perímetro, estando composta por 87 torres e 9 portas de acesso. Seus muros possuem cerca de 3m de grossura e sua altura alcança os 12m. Seu perímetro exterior pode ser percorrido à pé, algo que recomendo, pois o passeio nos permite observá-la de vários ângulos diferentes e compreender sua real dimensão. O mais interessante é que se pode percorrer a parte mais elevada da estrutura, num percurso de cerca de 1700 metros (entrada de 5 euros). Abaixo vemos uma grande maquete da muralha…

20161120_125219A parte superior de uma muralha se conhece como Adarve, uma estreita passagem onde os guardas que a protegiam realizavam o denominado caminho de ronda. O trecho principal que se pode caminhar possui 1400m, e já tinha realizado diversas vezes. O trecho menor, de 300 metros, percorri por primeira vez com meus amigos. O caminho não é contínuo devido à presença da Catedral de Ávila, cujo ábside faz parte da própria muralha, algo realmente insólito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO passeio pelo Adarve proporciona belíssimas vistas da cidade intramuros…

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OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara que fosse construída se utilizou pedra de granito de cores negra e cinza, e alguns materiais procedem de uma antiga necrópole romana, além de edifícios civis e das anteriores muralhas romana e do período visigodo. Podemos admirar também as vistas exteriores da cidade, com muitas das igrejas românicas que integram o excepcional patrimônio histórico desta cidade castelhana, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos de maior destaque da Muralha de Ávila é a Porta do Alcázar, formada por duas grandes torres semicirculares unidas por uma ponte, singular e única entre as muralhas européias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATanto esta porta, quanto a similar Porta de San Vicente, encontram-se situadas num terreno plano. Por este motivo, estavam mais expostas ao ataque inimigo, de forma que foram melhor fortificadas. Abaixo e acima,vemos fotos da Igreja de San Pedro, de estilo românico e situada numa praça onde se celebram os grandes eventos festivos da cidade, além do mercado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs muralhas constituem um aspecto fundamental do urbanismo das cidades medievais e historicamente contribuíram de forma decisiva na distribuição do espaço urbano entre os diversos grupos sociais que nelas viviam. Representavam a separação do mundo civilizado, situado no interior da muralha, com o mundo selvagem. No campo viviam os camponeses, a classe social menos favorecida, e sobre eles recaiam 80% dos custos da infraestruturas urbanas, como a manutenção da própria muralha. Incrível, verdade ?

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Ampliação do Museu Reina Sofia

O Museu Reina Sofia de Madrid é considerado um dos museus de Arte Contemporânea mais importantes de todo o mundo. Sua exposição permanente exibe obras dos artistas mais influentes dos séculos XIX e XX, como Picasso, Dalí, Miró, etc. Entre todas as pinturas deste museu imprescindível destaca-se o famoso quadro de Picasso “Guernica“, possivelmente o quadro mais importante do século XX (ver post publicado em 17/5/2012). Realizei também, entre 29/6 e 4/7/2016, uma série de publicações sobre as obras primas do museu, que servem de referência a uma visita ao Reina Sofia. O museu encontra-se sediado no edifício do antigo Hospital de San Carlos, entidade fundada no século XVI pelo Rei Felipe II com a finalidade de centralizar todos os serviços de atendimento hospitalar que se encontravam dispersos pela capital da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVIII, o monarca Carlos III decidiu construir um novo edifício para o hospital, já que as instalações do edifício anterior ficaram insuficientes com o crescimento populacional da cidade. O projeto foi encarregado aos arquitetos José de Hermosilla e, principalmente, a Francisco Sabatini. Ainda hoje, a sede principal do museu é conhecida como Edifício Sabatini. O hospital foi clausurado em 1965, e o edifício sobreviveu apesar dos rumores sobre sua demolição, principalmente depois que foi catalogado como Monumento Histórico-Artístico em 1977, garantindo sua continuidade. Em 1980 inicia-se sua restauração e em 1986 se inaugura o Centro de Arte Reina Sofia, utilizando os primeiros andares do edifício como salas de exposições temporárias. No final de 1988 se construíram as torres de aço e vidro para servir de elevadores. A coleção permanente do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, seu nome completo, foi inaugurada em 1992, com a presença do Rei Juan Carlos I e sua esposa, a Rainha Sofia, com os fundos artísticos provenientes do antigo Museu Espanhol de Arte Contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 2001 e 2005, o museu foi alvo de uma grande ampliação, a cargo do arquiteto francês Jean Nouvel, cujo resultado contribuiu para transformar o aspecto do museu e da própria paisagem urbana de Madrid.

20190202_125010O custo da obra foi de 92 milhões de euros e possibilitou um aumento de 60% da superfície do museu. Uma praça, decorada com uma escultura de Roy Lichtenstein, conecta o Edifício Sabatini com as estruturas de ampliação realizadas por Jean Nouvel.

20190202_132209Jean Nouvel (França – 1945) é considerado atualmente um dos arquitetos de maior prestígio internacional e recebeu em 2008 o Prêmio Pritzker de arquitetura. Para ele, a arquitetura constitui uma arte visual, uma produção de imagens que provocam emoções e sensações, algo que podemos comprovar numa visita ao museu.

20190202_13222920190202_133023A ampliação do museu possibiltou a construção de uma excelente biblioteca, duas novas salas para exposições temporais, dois auditórios, uma loja e um restaurante, cujas imagens vemos abaixo…

20190202_13014720190202_131525Qualquer pessoa pode conhecer esta parte do museu, sem a necessidade de pagar entrada para ver o acervo permanente, visita que evidentemente recomendo. A seguir vemos o contraste entre os dois edifícios, o histórico de Sabatini e a obra realizada por Jean Nouvel.

20190202_13365220190202_133630Vale a pena subir na parte mais alta do edifício e contemplar as vistas que oferece, principalmente da Estação Ferroviária de Atocha, situada nas proximidades do museu.

20190202_133239Finalizo o post com outras fotos do Museu Reina Sofia

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Último Passeio por Cáceres

Fora do recinto amuralhado de Cáceres, declarado Patrimônio da Humanidade, existem outros edifícios históricos de importância, todos eles situados próximos à Plaza Mayor. Nesta última matéria sobre esta bela cidade da Extremadura, veremos alguns deles. Bem perto do hotel onde me hospedei situa-se a Igreja de San Juan, cercada de restaurantes e bares que oferecem excelente comida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta igreja é um exemplo da arquitetura gótica, e foi levantada no século XIII, com sucessivas reformas nos séculos XIV, XV e XVII, sendo finalmente concluída somente no século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX foi restaurada, recuperando o estilo original. A Plaza de San Juan, onde se localiza a igreja, antigamente se denominava Plaza de San Juan de los Ovejeros, pois nela se assentavam os pastores e mercadores de gado para uma feira que comercializava animais. Abaixo, vemos o órgão da igreja e uma comovedora imagem da Virgem Maria

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente à porta principal, colocou-se uma estátua que representa um membro de uma confraria, simbolizando a importância da Semana Santa em Cáceres, quando muitas delas saem pelas ruas em procissão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio dos Ovandro-Saavedra é outra das inúmeras residências nobres existentes em Cáceres (lado direito da foto abaixo). Sua simples fachada esconde um belo saguão, decorado com azulejos nas paredes e com pinturas no teto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santiago impressiona por seu tamanho. Alguns estudiosos afirmam que foi construída no século XII, mas os restos mais antigos que se conservam pertencem ao século XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, a igreja foi reformada por Rodrigo Gil de Hontañón, considerado um dos arquitetos renascentistas mais importantes do país. Sua obra simboliza a coexistência da etapa final do estilo gótico com o renascimento, contribuindo na Espanha para a superação do medievalismo. Abaixo, vemos a portada gótica do templo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma lástima que quando estive visitando a igreja, ela encontrava-se fechada, e não pude admirar seu rico interior. No final do dia caminhava invariavelmente pelo Paseo de Cánovas, um parque público inaugurado no final do século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX, o parque ficou cercado por ambos lados pela Avenida España, uma das principais artérias viárias da parte nova da cidade. O nome do parque é uma homenagem a Antonio Cánovas del Castillo (1828/1897), um personagem fundamental da política espanhola na segunda metade do século XIX, assassinado por um anarquista dois anos depois da inauguração do parque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEspero que vocês tenham gostado desta série de posts sobre Cáceres, uma cidade rica em história e com um conjunto monumental reconhecido pela Unesco, e uma das mais importantes da Comunidade de Extremadura.

Concatedral de Cáceres

O principal templo religioso de Cáceres, a Concatedral de Santa María La Mayor, situa-se logo depois de cruzarmos o Arco da Estrela, porta de entrada ao Centro Histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstá situada na Plaza de Santa María, uma das mais belas da cidade, junto com vários palácios antigos conservados, que veremos no próximo post. Um dos símbolos de Cáceres, a Concatedral de Santa  María foi erguida provavelmente sobre uma anterior mesquita, algo habitual em muitas cidades da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi construída entre os séculos XV e XVI sobre uma anterior edificação do século XIII, combinando o estilo de transição do românico ao gótico com elementos renascentistas, como sua torre. Acima, vemos uma das duas portas góticas do templo. A seguir, vemos outra das características da arquitetura gótica, a presença das gárgulas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma panorâmica da igreja tirada do alto da Igreja de San Francisco, que em breve será o tema de outra matéria sobre Cáceres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte externa foi colocada uma escultura de um dos santos mais venerados de Extremadura, San Pedro de Alcántara, realizada pelo escultor contemporâneo Enrique Pérez Comendador.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior está formado por três naves cobertas com bôvedas de crucería, algo habitual das igrejas góticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa nave central vemos um magnífico retábulo maior plateresco, talhado por Guillén Ferrant e Roque Balduque. Possui a cor própria da madeira sem que fosse policromada, pino de Flandes e cedro. Suas cenas retratam episódios da vida da Virgem Maria e de Jesus Cristo. No centro do retábulo vemos a Assunção da Virgem

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui uma grande quantidade de obras de arte, como a imagem gótica de um Cristo Negro, uma das mais veneradas da cidade, que sai em procissao durante a Semana Santa. A capela que o acolhe pertence aos séculos XIV e XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, um curioso púlpito gótico feito em ferro forjado no século XV, procedente de um convento desaparecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo solo da igreja vemos os sepulcros de importantes famílias nobres da cidade….

OLYMPUS DIGITAL CAMERABelas capelas adornam o interior da igreja, como a Capela da Virgem de las Dolores, do século XVI. O retábulo é barroco, de 1743. No centro aparece a Virgen de las Dolores. Nas laterais, São Vicente de Paula e São Pedro Alcântara. Fora do retábulo, as imagens de Santo Antônio de Pádua e Santa Rita de Cássia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a Pia Batismal construída em 1552, ao lado de dois sepulcros góticos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro objeto impressionante é a Custódia, realizada em 1643 pelo artista nascido na cidade Diego Rodríguez de Prado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos o belo órgão da igreja…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1957, a antiga Igreja Paroquial de Santa María La Mayor recebeu o título de Concatedral, passando a dividir a sede episcopal com outro templo, a Catedral de Coria. Abaixo, vemos a bula papal concedida pelo Papa Pio XII ao templo de Cáceres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro detalhe interessante é que está permitido subir à torre….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1931, a Concatedral de Cáceres recebeu a designação de Monumento Histórico-Artístico por sua importância religiosa e histórica, e conhecê-la é um passeio obrigatório numa visita à cidade.

 

Igreja de Santa María – Trujillo

Caminhando por Trujillo sobressai em sua paisagem a belíssima Igreja de Santa María “La Mayor”, considerada o templo religioso de maior importância da cidade. Se acredita que foi levantada sobre uma das mesquitas de Trujillo, no século XIII dentro da estética românica.

DSC02236Deste período inicial, destaca a Torre Campanário, cuja beleza pode ser admirada desde vários pontos do centro histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns autores afirmam, equivocadamente, que antes havia no local um templo dedicado ao Imperador Romano Júlio César, motivo pelo qual passou a ser conhecida como “Torre Júlia“. Duramente castigada ao longo do tempo, a torre campanário sofreu graves danos durante os terremotos de Lisboa de 1521 e 1755, qua causaram estragos por toda a Extremadura. Em 1871, a torre teve que ser demolida, mas foi fielmente reconstruída segundo os gravados da época. Ao seu lado, ergue-se a chamada “Torre Nova“, construída a partir do século XVI e rematada somente no XVIII.

20181209_120929É possível subir a parte mais elevada de ambas torres. Preferi subir à “Torre Júlia“, cujas vistas compensam o esforço. Abaixo, vemos a “Torre Nova” e o Castelo de Trujillo

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto da parte mais alta da “Torre Júlia“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando a igreja foi edificada no século XIII, depois da reconquista da cidade, o templo foi consagrado a Virgem Maria da Assunção. No século XVI, a estrutura foi reformada em sua maior parte no estilo gótico com elementos renascentistas, como podemos apreciar em sua fachada.

20181209_120939A roseta que preside a fachada (rosetón, em espanhol) pertence ao gótico e foi construída em 1550, durante a reforma da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos interiores que chamam mais a atenção é o coro, de estilo plateresco, também construído em 1550.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, a Igreja de Santa María de Trujillo é conhecida por seu espetacular Retábulo Mayor, obra do pintor gótico espanhol Fernando Gallego (1440/1507), que o realizou em torno a 1480.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFernando Gallego insere-se dentro do estilo hispano-flamenco, e foi influenciado pelo pintor Rogier Van der Weiden. Atualmente, contemplamos a obra em todo seu esplendor, depois que foi restaurado no século XX. O retábulo combina elementos da pintura flamenca, alemã e da escola castelhana e suas cenas giram em torno a episódios da vida da Virgem Maria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da igreja existe uma grande quantidade de sepulcros pertencentes à nobreza local, além de magníficas obras de arte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1943, a Igreja de Santa María de Trujillo foi declarada Monumento Nacional, devido a sua importância histórica e artística. Antes de finalizar a matéria, desejo a todos os (as) leitores (as) um maravilhoso Natal e um ano de 2019 repleto de alegrias e momentos inesquecíveis. Um grande abraço a todos (as)…

 

Palácio de la Generalidad – Valência

Durante nossa estadia em Valência, eu e meu irmão Marcelo tivemos a sorte de poder conhecer um edifício que normalmente se encontra fechado ao público, mas que abriu suas portas com o motivo da celebração do dia da Comunidade Valenciana, no início de outubro. O denominado Palácio de la Generalidad (Palau de la Generalitat, no idioma valenciano) é a sede do governo da Comunidade Valenciana, e situa-se em pleno centro histórico da cidade.

20181004_161945Considerado um símbolo das instituições políticas da comunidade, o Palácio de la Generalidad é um excelente exemplo da arquitetura gótica civil que podemos apreciar na cidade. Foi construído no século XV (1421) como residência nobre, e reformado no século XVI, quando incorpora também o estilo renascentista em sua fachada, com a construção de uma grande torre.

20181004_160500Formam parte da Generalidad as Cortes Valencianas, o Presidente da Comunidade e o Conselho. Seu antecedente histórico, do qual procede seu nome, foi a Deputação Geral, que surgiu na segunda metade do século XIV como uma comissao organizada pelas Cortes do antigo Reino de Valência, encarregada de cobrar o imposto chamado de generalidades.

20181004_161748Abaixo, vemos um detalhe da fachada…

20181004_160555O interior do edifício está formado por um belo pátio gótico, com uma escada construída em 1511.

20181004_160635Tivemos a oportunidade de conhecer as principais dependências do palácio, como a Sala Dourada, assim chamada pela cor do artesanato de estilo mudéjar que a decora.

20181004_16125720181004_161313A Sala dos Reis possui um interessante conjunto de retratos dos monarcas que governaram a Comunidade Valenciana. Também se conhece como a Sala da Capela devido ao pequeno espaço religioso que se situa em seu extremo.

20181004_16112220181004_161148O local mais interessante do palácio é a Sala Nova ou das Cortes, decorada em seu teto com um artesanato original de madeira do século XVI.

20181004_160811Além do mais, pinturas representativas dos diversos setores sociais (políticos, clero e classe militar) ornamentam suas paredes…

20181004_16085420181004_160837Ao longo de sua existência, o palácio foi a sede de várias instituições, como a Casa da Deputação do Reino de Valência (1421 a 1705), Real Audiência (1750 a 1923), Deputação Provincial (1923 a 1982) e finalmente sede da Generalidad a partir de 1982.

20181004_160714Em 1931, o Palácio de la Generalidad foi declarado Monumento Histórico-Artístico.