Museu do Traje Popular – Morón de Almazán

Neste pequeno povoado de Castilla y León, existe um interessante museu, dedicado ao traje popular da Província de Sória.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALocalizado na Praça Maior do pueblo, ocupa o espaço do antigo Palácio dos Mendoza, senhores da vila.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA coleçao do museu foi possível graças às doaçoes dos generosos habitantes da província, que cederam suas roupas típicas, muitas delas usadas por seus antepassados, e que estiveram guardadas em arcas durante um bom tempo. O visitante poderá, portanto, realizar uma viagem ao passado dos pueblos da regiao, conhecendo as vestimentas que eram utilizadas por sua gente. A visita inicia-se com uma mostra das matérias primas relacionadas com a fabricaçao textil, bem como com as rudimentares máquinas de tecer.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo museu, estao expostas várias fotografias antigas, que nos proporcionam imagens de seus habitantes vestidos com suas roupas tradicionais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo recuperar essas peças, revitaliza-se a herança cultural baseada na tradiçao, presente no modo de vestir dos sorianos, que respondia às necessidades de uma sociedade já desaparecida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPreservando sua memória, incrementa-se o respeito pela cultura da sociedade criadora destes trajes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs roupas estavam adaptadas aos duros trabalhos cotidianos da época e da climatologia da província, caracterizada por invernos rigorosos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo passado, eram fundamentais roupas de proteçao e abrigo, que resistissem ao seu uso prolongado. Para tanto, fabricavam-se com toscos panos de fabricaçao local em cores pardos ou escuros, que aumentavam sua durabilidade. No entanto, os trajes de gala para as ocasioes festivas estavam confeccionados com tecidos finos, onde o colorido e a elaboraçao requintada eram os requisitos para saias, bordados, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs adornos como colares, por ex., complementavam os trajes. Nos bebês, era algo comum colocar amuletos, que lhes ofereciam proteçao contra os maus espíritos, o mau de olho, etc.

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Morón de Almazán – Província de Sória

Morón de Almazán é uma destas llocalidades que surpreendem o visitante pela beleza que possui, de uma certa forma inesperada para um pueblo com menos de 250 habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado na Comarca de Almazán (Prov. Sória, Comunidade de Castilla y León), o pueblo foi designado como vila em 1304 pelo monarca Fernando IV de Castilla. A palavra Morón significa monte, onde antigamente se localizava o castelo, atualmente desaparecido. Do alto do morro, uma panorâmica permite vislumbrar a torre da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMorón de Almazán é conhecida por sua Praça Maior do séc. XVI, um dos mais belos conjuntos renascentistas de toda a comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs edifícios que a compoem constituem uma verdadeira maravilha arquitetônica, digna de contemplar-se. O prédio da prefeitura, por ex., é de finais do séc. XV, e consta de dois plantas com arcos. Antigamente Casa Consistorial, em sua parte superior vemos um relógio instalado em 1881.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da igreja, o Palácio dos Mendoza, antigos senhores da vila, sediam hoje em dia o Museu do Traje Popular, que veremos no próximo post.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte mais elevada da praça, destaca a Igreja de Nossa Senhora da Assunçao, cuja construçao iniciou-se no séc. XV no estilo gótico de transiçao ao renascimento, e que alberga o sepulcro dos Mendoza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos mais significativos da construçao é a maravilhosa torre plateresca, levantada em 1540, por Juan Hurtado de Mendoza e sua esposa Leonor del Río.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe planta quadrada, está composta por 4 corpos. O primeiro é maciço,  desprovido de decoraçao. No segundo abre-se uma janela belamente adornada com duas colunas. O terceiro corpo é o mais interessante, no qual vemos a esfera de um relógio de sol e os brasoes referentes às famílias de Juan Hurtado de Mendoza e sua esposa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEncima do relógio, uma inscriçao relata a construçao da torre, em 1540. O corpo superior está destinado aos sinos. Situado no centro da praça, vemos o denominado rollo, uma coluna de pedra que representa a categoria administrativa da vila. Erguido no princípio do séc. XVI, representa um símbolo da capacidade jurídica do pueblo, ou seja, da capacidade de ditar sentenças em nome do rei, por parte dos membros da prefeitura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça Maior de Morón é uma das mais charmosas de toda Castilla, segundo distintos historiadores de arte, opiniao que modestamente comparto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo redor do pueblo, contemplamos a paisagem das terras sorianas.

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Ermita de San Baudélio – Província de Sória

Situada a escassos quilómetros de Berlanga del Duero, a Ermita de San Baudélio representa um monumento de excepcional envergadura, tanto por sua singular arquitetura, quanto pelo conjunto de pinturas murais românicas que acolhe em seu interior. A ermita foi construída a finais do séc. XI por artesaos mozárabes, o seja, por cristaos que viviam nos territórios ocupados pelos árabes. Sua construçao coincide com a época de consolidaçao definitiva dos reinos cristaos na regiao (1060). A simplicidade e austeridade de seu aspecto exterior é quebrada apenas pela porta, formada por um arco de ferradura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo exterior do ábside, encontra-se uma necrópole rupestre composta por mais de 20 tumbas antropomórficas, toscamente talhadas, datadas do séc. X.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a tradiçao, uma pequena gruta existente no interior da ermita serviu de moradia a algum eremita. Em torno a ela, e ao manancial de água que brota de suas proximidades, desenvolveu-se a finais do séc. X um monastério que hipoteticamente esteve sob a advocaçao de San Baudélio, mártir francês do séc. IV. O interior da ermita está formado por apenas uma nave, que se conecta com um ábside quadrado. No centro, de uma grande coluna arrancam os arcos que sustentam a bôveda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo extremo da nave, abre-se uma tribuna cujo peso é suportado por um conjunto de arcos de ferradura, semelhante a uma pequena mesquita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA coluna de arcos permite o acesso à pequena cova eremítica, escavada na rocha (situada no fundo do lado esquerdo da foto abaixo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas murais foram realizadas no séc. XII, e representam as mais antigas mostras de pintura românica no país. Surpreendem por sua beleza e porque combinam temáticas religiosas com elementos profanos. Por este motivo, foi apelidada de a “Capela Sixtina da Arte Mozárabe”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos pinturas que decoram o ábside, nas quais vemos uma imagem de San Baudélio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas do nível inferior se caracterizam por sua simplicidade e apresentam cenas profanas de caráter animalesco. Abaixo, vemos a figura de um camelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas superiores, no entanto, possuem uma maior riqueza cromática e por reproduzirem cenas mais complexas, sempre com a vida de Cristo como elemento condutor. Na foto que segue, vemos a figura de um guerreiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, em 1922, muitas de suas pinturas foram retiradas e vendidas, encontrando-se expostas atualmente em museus norte-americanos. A Ermita de San Baudélio é considerada como Monumento Nacional desde 1917.

Berlanga Del Duero – Província de Sória

Este pequeno pueblo de aproximadamente mil habitantes situa-se ao sul da Província de Sória, na Comunidade de Castilla y León. Apesar de seu reduzido tamanho, possui um patrimônio histórico-artístico invejável. Sua antiguidade remonta à época romana, entao chamada Augusta Valerámica, em memória ao imperador Valério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua importância histórica está relacionada à geografia, pois situa-se na denominada Linha do Duero, marco divisório entre as terras cristas e árabes durante toda a Idade Média, sendo saqueada e conquistada alternadamente por ambos os povos. O guerreiro árabe Almanzor conquista a cidade, e logo depois o rei Fernando I de Castilla-León a retoma para os cristaos. Em seguida, é novamente invadida e dominada pelos mouros, até que finalmente Alfonso VI reconquista definitivamente a vila, em 1080. O monarca cede as terras de Berlanga a El Cid, considerado o primeiro senhor da vila. No entanto, no período subsequente, entra em decadência, ficando praticamente abandonada. Somente em 1108, é colonizada pelo rei aragonês Alfonso I, em grande parte por judeus provenientes de Zaragoza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo religioso mais importante do pueblo é a Colegiata de Santa Maria del Mercado, construída em apenas 4 anos (1526/1530). Exemplo de arquitetura de transiçao do gótico ao renascimento, destaca por suas grandes dimensoes, dignas de capital do reino. No exterior, impoem-se seu aspecto maciço.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior, apreciamos o Retábulo Maior Barroco, esculpido no séc. XVIII, que contém uma imagem de Santa Maria del Mercado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outras fotos do interior, como o trascoro e as belas bôvedas góticas do teto da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm detalhe que chama a atençao é um enorme jacaré, colocado em um dos muros da igreja. O réptil foi trazido do continente americano pelo Frade Tomás de Berlanga (1487/1551), o filho ilustre da cidade, que foi nomeado bispo no Panamá no séc. XVI, e a quem se atribui a descoberta das Ilhas Galápagos. Tomás de Berlanga está sepultado na colegiata.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma estátua do frade, situada em frente as ruínas do antigo Palácio dos Marqueses de Berlanga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe longe, avista-se a inconfundível silueta de seu imponente castelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA atual edificaçao pertence ao séc. XVI (1527), erguida sobre um anterior castelo cristao do séc. XII, que por sua vez, foi construído sobre uma primitiva fortaleza árabe do séc. X.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo está cercado por muralhas românicas levantadas no séc. XII, durante a época de Alfonso I.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs árabes tinham uma especial estima pela vila, graças à posiçao estratégica de seu castelo. Desta época é o aqueduto situado ao lado da fortaleza, cujas ruínas vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo possui uma planta retangular, composto por sólidos e grandes cubos em cada um de seus lados, simbolizando o caráter defensivo da fortaleza. A evoluçao da arquitetura militar dos castelos haviam transformado as torres retangulares do período alto-medieval em construçoes poliédricas que resistiam muito mais ao impacto da artilharía, até convertirem-se nas torres cilíndricas que compoem o castelo de Berlanga Del Duero.

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Canyon do Rio Lobos – Sória

O Canyon do Rio Lobos é um dos espaços naturais mais surpreendentes da Comunidade de Castilla-León, combinando de maneira harmoniosa natureza e arte, história e misticismo.

Canion1Situado em sua maior parte na Província de Sória, está protegido por um Parque Natural, compreendendo uma superfície de 9.580 hectares. Os paredões que se elevam desde o fundo do canyon possuem uma formação calcárea, apresentando várias grutas que testemunham, através de pinturas rupestres, a presença humana desde, pelo menos, a idade do bronze.

DSC00624DSC00625O rio lobos foi em grande parte o responsável pelo processo erosivo que deu forma à garganta, que possui 25km de comprimento.

Canion3DSC00628Desde o mirante chamado Las Gullurias, é possível observar o parque a beira do alcantilado.

DSC00621No seu interior, várias espécies de animais buscaram refúgio dentro de seus limites, principalmente as aves de rapina, como a águia, o falcão e a coruja real. Peixes (trutas), anfíbios e répteis (víbora), também encontraram no local um ambiente propício para desenvolverem-se. Os mamíferos estão representados pelo javali, veado, raposa, lontra, lebre, morcegos, etc.

Canion4Existem várias trilhas que podem ser percorridas, transformando o parque em um excelente local para a caminhada relaxada..

Canion2 A mais conhecida é a do Colmenar de Los Frailes, em que se localiza a maravilhosa Ermita de San Bartolome, construção românica do séc. XIII e que provavelmente fazia parte do convento templário de San Juan de Otero, sendo seu único elemento conservado atualmente.

Canion6Esta vinculação com a ordem templária está comprovada, suscitando diversas teorias esotéricas, como a relativa à sua própria localização, eqüidistante dos limites oeste e leste da Península Ibérica. A união do seu ponto geográfico com os demais templos templários da península formam uma Cruz de Malta, símbolo da ordem.

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Próxima ao parque, situam-se as ruínas do também templário Castelo de Ucero.

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No dia 24 de agosto, celebra-se a tradicional romaria de San Bartolome, no interior do canyon.

Medinaceli – Província de Sória

A histórica vila de Medinaceli situa-se na Província de Sória, que por sua vez é parte integrante da Comunidade de Castilla y León. O povoado conserva monumentos de distintas épocas e devido ao seu rico patrimônio, foi declarada Conjunto Histórico-Artístico em 1963.

Sua origem é anterior ao período da dominação romana, quando foi habitada pelos povos celtíberos, na época conhecida como Occillis. A cidade como tal, porém, foi fundada pelos romanos, que necessitavam de um local estrategicamente localizado entre as influentes César Augusta (Zaragoza) e Emérita Augusta (Mérida). Um dos monumentos mais conhecidos de Medinaceli é justamente o Arco Romano, construído no séc.I dC.

Trata-se do único conservado em Espanha que possui 3 arcadas, sendo que a central era utilizada para carruagens e as laterais, para pessoas. Formava parte da antiga muralha, servindo como portão de acesso à vila. Em sua construção foram usadas pedras areníticas.

Também do mesmo período são os dois mosaicos encontrados sob suas ruas, e um deles está exposto no Palácio Ducal. Realizado no séc.II dC, representa seres mitológicos, combinados com a fauna e a flora da região.

Medinaceli foi uma fronteira divisória entre os territórios cristãos e muçulmanos. Apesar do nome, a denominada Porta Árabe, segundo hipóteses aceitas, possui cimentos romanos. É a única que se conserva, das 4 que continha a cidade.

Da época árabe, podemos apreciar um típico neverro , cuja função era armazenar e conservar a neve do inverno para sua posterior utilização.

Além disso, o legado árabe é facilmente visto em suas estreitas ruas, dando um aspecto notadamente medieval à Medinaceli.

Segundo alguns autores, na cidade veio a falecer o famoso caudilho árabe Almanzor, depois da batalha de Calatañazor.

Em 1129, a cidade é reconquistada pelo rei aragonês Alfonso I “El Batallador”, até então sob o poder muçulmano. Seu período de máximo esplendor ocorreu quando, a partir de 1370 o rei Enrique II converte a cidade num condado. Foram os primeiros condes os responsáveis pela construção do castelo no séc. XIV, levantado sobre o antigo alcázar árabe, e que reforçava as defesas do antigo recinto de muralhas. A fortificação serviu de residência para os condes até a construção do Palácio Ducal, situado na Praça Maior.

De lonje, é possível avistar a silueta do castelo. A partir do séc. XIX, vem sendo utilizado como o cemitério da vila.

Em 1479 a vila é elevada a categoria de ducado pelos Reis Católicos, que nomeia a Don Luis de la Cerda o primeiro duque de Medinaceli, personagem que contribuiu sobremaneira na paisagem urbana que atualmente podemos admirar.

Típica praça castelhana, a Praça Maior localiza-se no que foi o antigo foro romano.

Bem conservada, nela se destacam dois edifícios: a Alfândega, do séc. XVI, está constituída por dois níveis porticados. Nela se controlavam o comércio da cidade e também residia a sede do conselho. Em sua parte posterior, funcionava a prisão.

O Palácio Ducal, anteriormente citado, ocupa o lado norte da praça. De estilo renascentista, foi construído entre os séc. XVI/XVII. Sua fachada apresenta uma decoração sóbria, elegante e simétrica, com duas torres realizadas segundo o projeto do arquiteto Juan Gómez de Mora.

O interior se distribui em torno a um pátio central retangular, composto de dois andares, também de estética renascentista. Recentemente foi objeto de reformas, quando foi colocada sua belíssima cúpula.

No séc. XIX, o palácio foi abandonado e a deterioração subsequente quase causou sua ruína total. Nos anos 90 do século passado foram realizadas obras de restauração e em 2008 foi inaugurado o Centro de Arte Contemporâneo, onde se pode contemplar exposições temporais, concertos, além do mosaico romano nele instalado.

A Colegiata de N.Sra da Asunçao é o principal templo da cidade. Antes de sua construçao, existiam várias igrejas na cidade, provavelmente românicas. O duque D. Luis de la Cerda decidiu derrubar a todas, concentrando o culto na parróquia que vemos atualmente.

A nova igreja foi erguida no séc. XVI, no estilo tardo gótico.

No interior, apreciamos uma famosa talha do séc. XVI conhecida como Cristo de Medinaceli, além de um órgao do séc. XVIII.

Localizado no antigo bairro judeu, se supoe que o Beatério de San Román foi antigamente uma sinagoga. Transformada em paróquia, cumpriu esta funçao até o séc. XVI. Posteriormente, se converteu num beatério, e atualmente encontra-se em ruínas.

Durante os séc. XIX e XX, a cidade perdeu grande parte de sua população, que se foram às grandes urbes em busca de melhores condições de vida. Atualmente, porém, Medinaceli ressurge como  enclave turístico de primeira ordem, testemunho de sua riqueza monumental e de sua importância histórica.

Nas proximidades da cidade, existem muitas outras opçoes de passeios, como visitar um parque arqueológico com fósseis de dinossauros e muitos outros pueblos típicos desta encantadora e surpreendente Província de Sória.

Românico em Sória

Situada às margens do rio Duero, Sória é uma das menores capitais de Província da Espanha, com cerca de 40 mil habitantes.
Devido à sua posição estratégica, estabeleceu, no séc. XI, o limite entre os domínios de árabes e cristãos, na denominada linha do Duero.
No começo do séc. XII, foi reconquistada pelo rei Alfonso I, o batalhador.
O comércio, controlado pelos judeus, incrementou o desenvolvimento da cidade, sobretudo a partir da comercialização da la, e sua expulsão em 1492, provocou o início do período decadente da cidade.
Atualmente, graças ao turismo e conservando parte de seu esplendor medieval, Soria transformou-se numa capital dinâmica, apesar do isolamento ocasionado pelas escassas vias de acesso. Nela, encontramos excepcionais exemplos de arquitetura Românica. Vejamos alguns deles:
A Igreja de San Juan de Rabanera é de finais do séc. XII e princípios do XIII, sendo reformada no período barroco, modificações estas que quase a deixaram irreconhecível.
Felizmente, as restaurações efetuadas no séc. XX conseguiram devolver-lhe, em grande parte, sua pureza original.
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Possui planta latina e absides semicirculares, além de uma magnífica portada, que não é própria, e sim cedida. Ante o estado de ruína irremediável em que se encontrava a igreja de San Nicolás, decidiu-se transportar sua portada ao templo de San Juan em 1908. Consta de quatro arquivoltas lisas, exceto a interior, apoiadas por capitéis decorados com cenas do Novo Testamento e da vida de de San Nicolas de Bari.
No tímpano, aparece o santo, sentado e vestido com seus atributos, e rodeado por outras figuras eclesiásticas.
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A Concatedral de São Pedro foi erguida no estilo Românico no séc. XII, porém derrubou-se em 1520, razão pela qual foi reconstruída. Da época original, conserva-se apenas uma parte do transepto e do claustro, que vemos abaixo.
O templo divide com a cidade de Burgo de Osma a sede episcopal, o que explica sua denominação de concatedral.
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A igreja de Santo Domingo foi declarada Monumento Histórico-Artístico em 1931.
Foi levantada no séc. XII, em agradecimento à acolhida que recebeu da cidade o rei Alfonso VIII de Castilla, que a mandou edificar em substituição ao modesto templo anterior, e celebrando nela seu casamento com Leonor de Inglaterra, filha de Enrique II e Leonor de Aquitânia.
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Sua excepcional portada representa um dos maiores logros do Românico espanhol, encontrando-se perfeitamente conservada.
Na parte superior, o rosetón original está composto por quatro círculos concêntricos, e justo embaixo aparecem as figuras dos reis fundadores, apesar do desgaste da pedra, que dificulta sua visualização.
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Sua portada é, indubitavelmente, o elemento mis valioso do conjunto.
Quatro arquivoltas ricamente adornadas coronam o tímpano, em que destaca a figura do pantocrátor em sua mandorla oval e os quatro evangelistas, além de José e Maria, que completam a cena.
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Nos capitéis, representam-se episódios do Antigo Testameno, como o gênesis, a criação de Adão a partir de uma figura de barro, e a de Eva, criada a partir das costelas de Adão.
Na arquivolta inferior, aparecem os 24 anciaos do Apocalipse e seus respectivos instrumentos musicais. A seguinte representa a matança dos inocentes promovida por Herodes, aconselhado por um demônio com asas.
A terceira exibe acontecimentos narrados nos evangelhos, tais como a Anunciação, nascimento de Jesus, adoração dos Reis Magos, etc.
Finalmente, a última arquivolta contém episódios da Paixão e Ressureiçao de Cristo.
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Na foto a seguir, o interior do templo.

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Este post estaria incompleto se, ao menos, não mencionasse o fabuloso Monastério de San Juan de Duero e seu singular claustro, único em Espanha.
Tive o privilégio de visitar-lo alguns anos atrás, mas infelizmente não possuo fotos do mesmo.
Recomendo sua visualização e a leitura de sua história nas numerosas páginas web, dedicadas ao assunto.