Turismo Rural – Taragona

Antes de iniciar o post, convém lembrar que a primeira etapa do concurso “Conhecendo Espanha” se realizará sexta feira próxima. Cada uma das seis etapas do concurso  já possuem datas definidas: dias 5 e 20 de cada mês, ok? Nao deixem de participar…as respostas das perguntas estao no próprio blog…

A matéria de hoje é sobre um dos setores turísticos que mais crescem na Espanha: o Turismo Rural. Apesar de recente, em comparaçao com outros países europeus, Espanha possui uma ampla rede de estabelecimentos denominadas de forma genérica de casas rurais. Normalmente, apresentam uma arquitetura típica de cada regiao, e que foram readaptadas como pousadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo o próprio nome indica, o Turismo Rural se desenvolve em pequenas localidades, afastadas dos grandes centros urbanos, estando associado ao Turismo Ecológico, graças ao privilegiado entorno onde se encontram as pousadas, bem como ao denominado Agroturismo, em que o turista participa ativamente das atividades do campo. Recentemente, tive a oportunidade de conhecer uma destas casas rurais, localizada na Província de Taragona (Catalunha), mais precisamente na comarca de Conca de Barberá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA pousada denomina-se Mas de Caret, e oferece a possibilidade de alojamento numa típica construçao rural da Catalunha, chamada Masía. A casa foi reconstruída por um simpático casal que resolveu abandonar  o caos urbano e viver tranquilamente em meio à natureza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANormalmente, as casas rurais sao gestionadas pelas próprias famílias que nela vivem, muitas vezes em zonas separadas da casa principal, e que oferecem um serviço de qualidade, como é o caso da Mas de Caret. O Turismo Rural contribui para a dinamizaçao econômica da populaçao campestre, permitindo-lhes uma fonte alternativa de renda. Outro aspecto interessante relacionada a este tipo de atividade é que se pode provar a gastronomia tradicional, além de participar de festas populares e conhecer ofícios que em muitas partes estao praticamente desaparecidos, como o artesanato. Em nossa estadia, nos deliciamos com uma comida típica da zona interior da Catalunha, chamada Calçots. Esta palavra do idioma catalao se refere a uma variedade de cebola. Na realidade, trata-se de um broto de cebola já maduro e que foi replantado no terreno.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA medida que crescem, se cobrem com terra suas partes laterais para branquear sua base, e esta é a parte que se consome. Ao estar enterrada, adquire um sabor e uma doçura características. Os calçots sao, depois de retirados, cozinhados na braza e envoltos num papel, geralmente de alumínio, para preservar a alta temperatura. Na hora de comer, retira-se sua capa exterior, e adiciona-se um molho chamado Romanesco, típico de Taragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma reuniao de pessoas que se juntam para saborear o calçots constitui uma calçotada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO calçot da regiao de Valls, também situada em Taragona, foi catalogado como um produto Denominaçao de Origem (D.O.), um controle de qualidade que engloba também os vinhos, azeites, jamón, etc. O Turismo Rural na Espanha desenvolveu-se inicialmente no norte do país (Asturias, Pais Vasco e Navarra), a partir dos anos 80, para em seguida generalizar-se por todo o território. Possibilita também visitar pueblos encantadores, como este que integra a Rota do Císter, que engloba os principais monastérios desta ordem religiosa na Catalunha, e que vimos nos posts publicados entre 1/4 e 6/4 de 2013.

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Catedral de Taragona – Segunda Parte

Declarada Monumento Nacional em 1905, a Catedral de Taragona possui planta basilical com 3 naves e transepto (também denominado cruceiro, corresponde ao espaço perpendicular à nave central, o “braço da cruz”). Nas naves laterais, numerosas capelas, construídas entre os séculos XV e XVIII, mostram a evoluçao estilística da arte, com elementos góticos, renascentistas, barrocos e neoclássicos. A Capela dedicada à Virgem de Montserrat, por ex., possui um retábulo do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela do Santíssimo Sacramento, uma das mais belas de toda a catedral, foi construída no séc. XVI, com influências da arte italiana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela de Santa Lúcia, vemos pinturas murais do séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado no meio da nave central, o coro é uma obra do séc. XV, realizado com madeira de roble.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo seu lado esquerdo, vemos um magnífico órgao, de grandes proporçoes, construído na segunda metade do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior foi esculpido por Pere Johan na primeira metade do séc. XV. É considerado um dos expoentes da escultura gótica catala. Nele, estao representadas cenas da história da vida e do martírio de Santa Tecla, titular da Catedral de Taragona, além de outras que nos mostram episódios do Novo Testamento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua parte central, vemos a Virgem com o menino Jesus, e nas laterais, a Santa Tecla e Sao Paulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua parte inferior foi realizada com alabastro policromado, e nele vemos episódios da vida de Santa Tecla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado no Presbitério, o sepulcro de Juan de Aragón, morto em 1334, e responsável pela consagraçao do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muitos locais do conjunto catedralício, podemos admirar maravilhosas estruturas de ferro. Em espanhol, sao conhecidas como rejas, e delimitam o espaço compreendido pelas capelas, o coro e até mesmo o altar maior. Representam, por si só, verdadeiras obras de arte, pela elegância e refinamento de sua composiçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, outras imagens da catedral.

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Catedral de Taragona

Localizada na parte mais elevada da cidade, a Catedral Basílica Metropolitana e Primada de Santa Maria, é a sede bispal da cidade de Taragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi erguida no mesmo local dos templos religiosos relativos a épocas anteriores, como o dedicado a Augusto (período Romano), a catedral visigótica e a mesquita árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construçao iniciou-se em 1171, e foi consagrada em 1331, sendo considerada estilisticamente um edifício representante do período de transiçao do Românico ao Gótico. Como era habitual na construçao de catedrais, as obras prosseguiram entre os séc. XIV e XVII, com novos elementos renascentistas e barrocos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada principal consta de 3 portas, referentes a cada uma das naves de sua planta gótica. A porta central foi inspirada nos modelos góticos franceses, principalmente as catedrais de Amiens e Reims, e foi levantada no séc. XIII. Na coluna central, vemos uma imagem da Virgem, e no seu pedestal estao narrados episódios do Gênesis, como a criaçao de Adao e Eva, e o pecado original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo tímpano, encontramos cenas relacionadas com o Juízo Final.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais de ambos os lados, foram esculpidos os 12 apóstolos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs portas laterais, contrastando com a central, sao Românicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo muro da porta do lado direito, encontramos o sarcófago de Bethesda, cuja origem nos remete ao período paleocristiano, no séc. IV dC. Nele estao esculpidos cenas da vida de Jesus, como a cura do paralítico.

DSC02073No alto da fachada principal, um excepcional rosetón Gótico, que mede 11m de diâmetro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro catedralício foi construído no final do séc. XII e princípio do XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro exibe uma variada decoraçao escultórica, presente principalmente em seus capitéis, com motivos historiados, animais fantásticos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento que destaca no conjunto do claustro é a antiga porta de acesso à igreja, românica do séc. XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém como parte integrante do claustro, a Sacristia recebe as obras do Museu Diocesano. De um total de quase 6 mil peças, estao expostas 350 delas, como a série de esculturas referentes aos 4 evangelistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos o interior da catedral.

Monastério de Poblet – Última Parte

A igreja do Monastério de Poblet foi construída no último terço do séc. XII, possui planta basilical formada por uma nave central e duas laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO ábside está composto por uma girola, que reúne 7 capelas de grande sobriedade, como corresponde ao estilo cistercense.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma antiga porta românica permitia o acesso à igreja desde o exterior, e ainda podemos ver parte de sua policromia, principalmente no tímpano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO órgao data de 1961, mas está documentada a utilizaçao do instrumento desde 1436, muito embora os antigos foram destruídos com o tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO excepcional retábulo que vemos no altar maior foi realizado pelo escultor valenciano Damián Forment, entre 1527 e 1529. É considerado a primeira obra renascentista realizada na Catalunha, e nele vemos representadas cenas das vidas de Jesus e da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Panteao Real é, sem dúvida, um dos elementos fundamentais de todo o conjunto. Desde Alfonso El Casto até os Reis Católicos, 8 dos 13 reis aragoneses, assim como 6 rainhas e numerosos príncipes e infantes estao enterrados aqui, cujas tumbas principais situam-se no cruceiro da igreja (Jaime I, Juan I e II, etc).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a tumba de Martin I destaca pela  elaboraçao de suas formas, e está situada numa das naves laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra imagem geral da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Sacristía Nova foi erguida no séc. XVIII, no estilo barroco, mas perdeu toda sua rica decoraçao num incêndio, no séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita ao monastério finaliza-se no antigo Palácio de Martin I, considerado como uma das jóias do Gótico Civil Catalao. Foi iniciado em 1397, um desejo do monarca de ter seus aposentos reais no monastério. Porém, o rei faleceu antes de terminada a obra, e consequentemente,  o palácio permaneceu inacabado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o palácio é a sede do museu do monastério, onde se exibe o tesouro, composto por uma coleçao de esculturas, quadros, objetos litúrgicos, etc.

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Monastério de Plobet – Segunda Parte

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A visita pelo interior do monastério inicia-se num pátio (final do séc. XIV) que comunica várias dependências, como o palácio inacabado do rei Martin I, hoje habilitado como museu e a clausura. Em seguida, chegamos a um átrio, que comunica o antigo dormitório dos conversos com o claustro, com destaque para sua porta românica.

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O dormitório dos conversos situava-se precisamente próximo à saída do monastério, já que constantemente saíam do recinto para o trabalho nas granjas e campos das proximidades. No séc. XIV, esta estância mudou de função, agora dedicada à elaboração do vinho. O refeitório dos conversos transformou-se em bodega.

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O claustro representava o centro da vida monacal, e ao seu redor situavam-se as principais dependências do monastério. Segundo pequenas variações, esta distribuição é característica dos demais monastérios cistercenses existentes. Iniciado no séc. XII, caracteriza-se por sua uniformidade e simplicidade, como pregava São Bernardo.

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Em seu muros, vemos as tumbas de nobres que aqui tiveram o privilégio de repousar.

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A primeira estância que vemos no claustro é a cozinha, uma ampla sala coberta com bôveda de crucería, em cujo centro constava uma clarabóia para a saída da fumaça. Nas laterais, duas pequenas janelas permitiam que os pratos fossem deixados no refeitório.

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O refeitório foi finalizado no séc. XII, e nele vemos o púlpito, onde um monje recitava as escrituras, enquanto os demais permaneciam em silèncio. A regra postulava apenas uma refeição ao dia que, no entanto, podia variar segundo a época do ano e os trabalhos agrícolas.

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Em frente ao refeitório, ergue-se uma maravilhosa fonte românica do séc. XII. Servia para que os monges lavassem as maos antes de entrar no refeitório, quando retornavam dos campos. A fonte é um elemento clássico de todos os monastérios cistercenses. 

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Ao lado do refeitório, situava-se o calefatório, local onde uma chaminé aquecia os monjes nos duros dias de inverno (séc. XIII). Na Sala Capitular, realizavam-se os atos mais importantes do cotidiano monacal, como a eleiçao do abade, entrega dos hábitos aos noviços e também como lugar de enterramento dos abades. Nela, eram lidos os capítulos da regra de São Bento.

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Construída no séc. XIII, representa a fase final do românico e o incipiente estilo gótico.  Está formada por 4 torres octogonais com delicados capitéis, dos quais arrancam os nervos das bôvedas.

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O sobreclaustro ou claustro superior foi edificado na época dos Reis Católicos. A partir dele, obtemos uma bela vista do cimbório e da torre campanário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPelo monastério, foram realizados várias estruturas de ferro, no estilo modernista, que dao um toque especial ao conjunto.

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Abaixo, vemos o dormitório dos monges, uma imensa nave com quase 90m. No teto, por primeira vez as bôvedas de pedra foram substituídas por uma estrutura de madeira, solução utilizada em outros locais do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos a última parte da matéria sobre o Monastério de Poblet, quando conheceremos sua igreja e o Panteao Real.

Monastério de Poblet – Província de Taragona

O Monastério de Plobet é um dos mais importantes de toda a Espanha, e foi declarado, tanto por sua importância histórica, quanto por sua originalidade arquitetônica, como Patrimônio da Humanidade. Está situado na comarca da Cuenca de Barberá, na Província de Taragona, aos pés dos Montes de Prades e do denominado Bosque de Plobet, antigamente propriedade do monastério, e catalogado desde 1984 como Reserva Natural. Integra a denominada Rota do Císter, formada por outros dois monastérios cistercenses, o de Santes Creus e o de Vallbona de Les Monges.

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Atualmente, o monastério está rodeado por vinhedos, que deixam a paisagem circundante ainda mais bela. Este entorno rico em paisagens naturais foi exatamente o que encontraram os primeiros monges que aqui chegaram, no séc. XII.

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Além do esplendor natural, outros fatores contribuíram para a fundação do monastério neste local, como o clima temperado, sua localização estratégica, rica em recursos naturais e, ao mesmo tempo, distante das grandes cidades, aspecto fundamental para o sossego espiritual.

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No séc. XII, estas terras tinham acabado de serem reconquistadas pelos cristãos, então sob poder muçulmano. Desta forma, era fundamental repovoá-las, e para tanto, nada melhor que fundar um monastério. O conde Ramón Berenguer IV escolheu para sua fundação, a ordem com mais prestígio da época, os monges brancos do Císter. Para alcançar seu objetivo fundacional, o conde dirigiu-se ao abade do monastério principal da ordem, situado na França, e concedeu-lhe terras. Logo depois, os primeiros doze monges franceses chegaram à Taragona para constituir uma inicial organização monástica. A vida destes primeiros religiosos transcorria segundo os princípios de austeridade cistercense, reconhecidos na frase latina “Ora et labora”, reza e trabalha. Dormiam numa sala comum, encima de um colchão de palha e uma manta, suportando os largos dias do frio invernal.

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Os cistercenses são conhecidos historicamente como pertencente a uma ordem rebelde, pois desprezavam a riqueza na qual se havia convertido a Ordem Beneditina de Cluny. Pregavam, pois, um retorno aos primitivos conceitos de austeridade, pobreza e trabalho, que propunha a original regra de São Bento. Fundaram, então, um novo monastério em Cíteaux, na Borgonha francesa. Seu líder espiritual foi uma das figuras mais influentes e carismáticas da época, São Bernardo de Claraval. Para seguir a regra em toda a sua pureza, buscavam locais ermos, em pleno contato com a natureza. O Monastério de Poblet foi fundado segundo a advocaçao da Virgem Maria, segundo a tradição da ordem cistercense. Graças às doações das classes nobres, que deixavam seus bens para o monastério em benefício de sua alma, e também para obter o privilégio de nele ser sepultado, o patrimônio do monastério foi crescendo e, com o tempo, chegou a ser o mais extenso de toda a Catalunha. Seus abades participaram ativamente da política de seu tempo, e três deles presidiram a Generalitat (governo) da Catalunha. A partir do séc. XIV, Poblet passou a ser o Panteão Real da Coroa Aragonesa-Catala. Foi Pedro El Cerimonioso quem impôs a obrigatoriedade de que os reis aqui fossem sepultados. Foi ele também que fortificou o monastério no séc. XIV, para proteger a comunidade que nele vivia, bem como o cenóbio onde se encontravam as tumbas reais.

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A criação da Congregação Cistercense da Coroa de Aragón em 1616, provocou a separação com a “casa mãe “, na França. Com a Desamortizaçao de Mendizábal em 1835, o monastério e suas terras passaram ao controle do estado. Abandonado, seu rico patrimônio foi saqueado e incendiado. As tumbas reais foram profanadas em busca de tesouros, até que foram custodiadas na Igreja Paroquial de Espluga de Francolí, e depois levadas à Catedral de Taragona em 1843. Em 1930, foi criada uma comissão para a restauração do Monastério de Poblet e, a partir de 1940, uma nova comunidade de monges cistercenses, vindos da Itália, restabeleceram a vida monacal no local, presente até hoje.

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Dentro da comunidade que habitava o monastério, existiam duas classes sociais bem diferenciadas: os monges, sujeitos ao estrito cumprimento da regra beneditina, e os conversos, que não tinham obrigações litúrgicas e basicamente realizavam os trabalhos manuais e do campo. A austeridade e simplicidade dos monges se refletia na arquitetura do edifício, não havendo quase pinturas, nem esculturas que o decoram. Sua ornamentação existente é fruto de épocas posteriores.O conjunto monacal está formado por 3 portas, que encerram recintos perfeitamente delimitados. Junto à estrada, vemos a primeira delas, a Porta de Prades.

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Ao passar por ela, chama a atenção uma pequena capela dedicada a São Jorge, construída no séc. XV.

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A seu lado, vemos a segunda porta, denominada Dourada, também do séc. XV. Neste local, deixavam os cavalos os reis em suas visitas ao monastério, bem como eram recebidos os féretros reais para seu enterramento.

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Logo, encontramos um imenso pátio, que permite admirar a grandeza do monastério. Nele, se distribuíam algumas de sua dependências, como o edifício da administração, o hospital, etc, atualmente desaparecidos, e que foram substituídos por uma nova hospedaría.

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O serviço espiritual a hóspedes, peregrinos e habitantes da região realizava-se na Capela de Santa Catalina, românica do séc. XIII.

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No centro do pátio, vemos uma cruz construída em 1568 e, ao lado, as ruínas da antiga hospedaria, do séc. XV.

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A última porta, que permite o acesso ao monastério, é a chamada Porta Real, integrada nas muralhas que cercam o conjunto. Seu perímetro é de 608m, e está formada por 13 torres de aspectos e dimensões diferentes.

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A fachada que preside o conjunto monacal, apesar de barroca, representa em suas esculturas os postulados da Ordem Cistercense.

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Em sua parte superior, vemos a Virgem, uma tradição da ordem de consagrar suas igrejas à Santa Maria.

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Em sua parte inferior, vemos a duas esculturas, que representam a São Bento, fundador do monacato ocidental, e São Bernardo de Claraval, responsável pela reforma cistercense.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos o interior do magnífico Monastério de Poblet.

Espluga de Francolí – Província de Taragona

Espluga de Francolí é um município situado na Província de Taragona, bem perto da cidade de Montblanc, que vimos nos posts anteriores. Com apenas 4 mil habitantes, a cidade possui dois museus que são uma verdadeira referência em seus estilos e temáticas. Seu nome deriva do latim, Spelunca, que significa gruta, relacionado às numerosas cavidades que se encontram nas proximidades da cidade. Por uma delas passa em seu subterâneo, o Rio Francolí, e pode ser visitada. Denominada Cova de Font Major, foi descoberta casualmente em 1853, e constitui um dos grandes atrativos turísticos da cidade. Com 3.590m de corredores e galerias descobertos até hoje, é considerada uma das sete maiores do mundo, formada por conglomerados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo fato curioso, mencionamos que praticamente toda a sua extensao situa-se no subsolo da cidade e uma parte dela está habilitada como museu, onde foram idealizados painéis explicativos, audiovisuais, e outros elementos que propiciam a compreensão do modo de vida e das características do homem pré-histórico. Tais distinções, convertem este museu num espaço único no mundo. A visita é guiada e dura aproximadamente 1h. Infelizmente, as fotos não estão permitidas no interior. Outra possibilidade é realizar uma visita espeleológica, tipo aventura, pelos recantos mais ocultos da caverna. Porém, é necessária uma reserva prévia.

Na cidade podemos conhecer outro centro cultural, de características completamente distintas, mas igualmente interessante, o Museu da Vida Rural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de um espaço etnográfico, constitui uma iniciativa cultural que pretende mostrar a importância dos valores tradicionais, como o esforço, o tempo e a paciência, para a transformação de um mundo mais sustentável.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACriado em 1988 pela Fundação Lluís Carulla, ocupa uma grande superfície, formada por dois edifícios de estética completamente distintas, mas que se complementam, no que se refere à temática abordada. O edifício antigo corresponde à fazenda da família Carulla, datada de 1690, restaurado e adaptado para acolher as peças da exposição permanente. Nele, se desenvolve os aspectos da vida rural, anterior ao processo de industrialização.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu propósito é salvar do esquecimento os modos de vidas tradicionais, com uma excelente exposição de fotos, utensílios, ferramentas, vestidos, móveis, etc, relacionados ao ambiente rural da Catalunha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComeçamos a visita conhecendo uma exposição de carros antigos e outros meios de transporte utilizados pelos camponeses de antigamente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu estrutura-se em quatro partes. Na dedicada à agricultura, setor econômico tradicional da comarca, estão abordados os cultivos principais da região, como a uva, os cereais e a oliva. Muitas peças antigas relacionadas ao plantio, colheita e demais processos de fabricação podem ser admiradas, bem como uma maravilhosa ambientação criada em forma de pinturas murais pelo artista barcelonês Llucià Navarro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seguida, podemos conhecer os diversos aspectos de uma casa rural, e as costumes familiares. Os ofícios tradicionais constituem um aspecto fundamental do museu, com uma grande coleção de utensílios e fotos antigas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita finaliza num amplo espaço dedicado à Cuenca de Barberá, comarca onde situa-se a cidade de Espluga de Francolí, principalmente sobre seu meio natural.

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Em 2008, o museu foi submetido a uma ampliação que lhe proporcionou um novo edifício anexo, duplicando o espaço da exposição, e dotando-lhe de modernas tecnologias, enriquecendo ainda mais a visita. Sua inspirada arquitetura sustentável está composta por numerosas clarabóias que facilitam a entrada de luz natural. Sem janelas e praticamente desprovido de interrupções físicas, o espaço de suas paredes podem ser preenchidos totalmente pelas peças expostas. Em sua fachada, vemos uma homenagem ao vocabulário rural, palavras esquecidas pela falta de utilização, e relacionadas ao antigo modo de vida.

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