Plaza del Obradoiro – Santiago de Compostela

Em Santiago de Compostela, todos os caminhos levam à Plaza del Obradoiro, a praça mais importante, monumental e movimentada da cidade. Milhares de peregrinos, depois de muitos dias caminhando, finalmente se aproximam à praça para visitar a Catedral de Santiago de Compostela, cuja fachada principal dá para a praça, e finalizar o caminho abraçando a imagem do apóstolo que se encontra no interior do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome da praça está relacionada com o grêmios de obreiros que trabalharam na construção da catedral. No centro da praça encontra-se o “Km 0” do Caminho de Santiago e uma placa com a declaração do caminho de peregrinação como o “Primeiro Itinerário Cultural Europeu“. Abaixo, vemos uma panorâmica da praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada principal da Catedral preside este lugar maravilhoso da cidade. O templo foi construído a partir do século XI no estilo românico, mas a fachada foi alvo de várias reformas a partir do século XVI, com a intenção de proteger uma de suas partes mais famosas, o incrível Pórtico da Glória, além de suas duas torres. No século XVIII decidiu-se pela construção de uma nova fachada no estilo barroco, que acabou se transformando numa obra prima do estilo na Espanha e um símbolo da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto da fachada barroca da Catedral de Santiago de Compostela se deve ao arquiteto nascido e falecido na cidade Fernando de Casas Novoa. Destaca-se por sua riqueza decorativa, verticalidade e seu formato relativamente côncavo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre ambas torres, foram colocadas janelas acristalados que permitem a iluminaçao interna do interior. Toda a iconografia escultórica da fachada relaciona-se com o Apóstolo Santiago, cuja imagem vemos na parte superior do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, o arquiteto responsável não pôde ver finalizada a obra, terminada em 1750, um ano depois de seu falecimento. A escada de acesso foi construída no século XVII, no estilo renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a fachada está sendo objeto de uma intensa restauração, com a finalidade de limpeza de sua estrutura. Em algumas fotos da presente matéria, vocês podem observar a fachada limpa e quase terminada, enquanto nas demais fotos, tiradas em 2012, podemos ver a sujeira acumulada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente à Catedral encontra-se o Palácio de Raxoi (Rajoy, em espanhol), atual sede da Presidência da Junta de Galícia e do Centro de Cultura da Galícia, além de albergar a Prefeitura de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInspirado nos palácios franceses do século XVIII, o edifício foi projetado pelo engenheiro francês Charles Lemau no estilo neoclássico, e realizado na segunda metade do século XVIII. Inicialmente, foi construído como residência dos meninos que integravam o coro da catedral e também como seminário. Depois funcionou como prisao civil e eclesiástica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior do palácio vemos um rico conjunto escultórico que representa a Batalha de Clavijo, a primeira em que o Apóstolo Santiago aparece como guerreiro para auxiliar o exército cristão na luta contra os árabes, ocorrida em 844 e considerada uma das mais célebres da denominada Reconquista. O próprio santo, representado como Padroeiro da Reconquista, remata a estrutura do palácio. A construção do palácio permitu o fechamento da Plaza del Obradoiro, antigamente denominada Plaza del Hospital, graças ao antigo hospital fundado pelos Reis Católicos que vemos em uma de suas laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste local será o tema da próxima matéria, onde vocês poderão conhecer com mais profundidade sua história e beleza. Do outro lado da praça localiza-se o  Colégio de San Jerónimo (em galhego, San Xerome), atual sede da Reitoria da Universidade de Santiago de Compostela. Sobre a Universidade também publicarei posts especiais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da catedral situa-se o Palácio de Xemírez, que foi a residência do primeiro arcebispo da cidade, Diego Xemírez. Ele ordenou a construção, a partir de 1120, de um novo palácio de estilo românico que substituiu o anterior, destruído durante uma revolta popular. O palácio é visitável, pois atualmente se realizam exposições no interior, mas as fotos não estão permitidas…

 

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Um Passeio por Ferrol

Em meus três dias de estadia em Ferrol pude conhecer a cidade caminhando por suas ruas, praças e igrejas, com muitos lugares interessantes para ver. O Bairro de la Magdalena é um dos mais conhecidos, e pela importância de seus edifícios e monumentos foi declarado Conjunto Histórico-Artístico em 1984. A Plaza de Amboage constitui uma das principais da cidade, servindo de ponto de encontro de seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta praça recebeu este nome devido a um monumento dedicado a Ramón Plá y Monge (1823/1892), empresário galhego nascido na cidade que recebeu o título de Marquês de Amboage. Antes, porém, foi conhecida como Plaza de Dolores, devido à igreja que se encontra em um de seus costados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Paróquia de Dolores foi construída na segunda metade do século XVIII como sede da congregação de mesmo nome, que reúne o grêmio de comerciantes da cidade, cuja origem se remonta ao século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo a praça se encontra a Igreja de San Francisco, construída a partir de 1757, substituindo um anterior templo gótico que formava parte do Convento de San Francisco, que deixou de ser habitado devido ao processo de desamortização dos bens eclesiásticos em 1835.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua fachada apresenta um caráter maciço em seu formato retangular, anunciando a chegada do neoclassicismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto do interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANum dos muros laterais da igreja se construiu, também na segunda metade do século XVIII, a Capela da Ordem Terceira de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO principal templo religioso da cidade é a Concatedral de San Julián, que começou a ser construída em 1765, sendo inaugurada sete anos depois. Na realidade, a igreja atual substituiu uma anterior, situada na parte velha da cidade, cuja estrutura foi seriamente prejudicada com a construção do Arsenal de Ferrol em 1762, motivo pelo qual decidiu-se pela construção de uma igreja nova.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja combina influências do renascimento italiano e francês, além da tradição barroca espanhola. Até 1888, foi considerada a única paróquia da cidade. Em 1959, através de uma bula concedida pelo Papa João XXIII, foi elevada à categoria de Concatedral e Ferrol passou a ser sede episcopal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior apresenta uma planta de cruz grega, apreciável em sua estrutura circular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de percorrer a parte antiga da cidade, decidi conhecer o Parador de Turismo de Ferrol, e tomar um café enquanto descansava as pernas. Conheci um simpático garçom senegalês e batemos um descontraído papo em espanhol…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAJunto ao Museu Naval, que em breve publicarei uma matéria, existe uma bonita área verde ideal para relaxar…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMe chamou a atenção uma colorida escultura em homenagem à rica tradição musical da Galícia

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Catedral de Ourense – Parte 2

Como comentei na matéria anterior, o interior da Catedral de Ourense é digno de conhecer-se, pelas incríveis obras de arte que possui. Realmente, fiquei impressionado com a riqueza de seus espaços internos, formado por 3 naves.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA nave central encontra-se presidida por um magnífico retábulo gótico do século XVI, realizado por Cornelis de Holanda entre 1516 e 1520. Nele vemos episódios da vida de Jesus e Maria, santos do Antigo e do Novo Testamento e os apóstolos. San Martín de Tours, titular da catedral e padroeiro de Ourense, aparece no centro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI foram construídas várias capelas no interior da catedral, algumas com um grande requinte decorativo. A Capela da Anunciação é uma delas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe todas as capelas existentes, a de Santo Cristo impressiona por sua exuberância decorativa, um dos grandes exemplos da Arte Barroca do século XVIII. Pena que as fotos não ficaram à altura de sua beleza…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAInegavelmente, uma das jóias da catedral é o chamado Pórtico do Paraíso, inspirado no Pórtico da Glória realizado pelo Mestre Mateo para a Catedral de Santiago de Compostela. Realizado no século XIII, sofreu reparações no século XVI, e se conserva notavelmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs pórticos das catedrais medievais constituíam, além de antesala do templo, um local com finalidades funerárias, realização de assembléias e um espaço para a promulgação da justiça. A disposição e dimensões do Pórtico do Paraíso são similares ao Pórtico da Glória, estando formado por 3 arcos, sendo o central mais largo que os laterais, e uma coluna central, denominada na Espanha de Parteluz (imagem acima). Aos seus pés, vemos uma estátua do Apóstolo Santiago, com um livro e uma espada, obra do século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas colunas que sustentam os arcos foram representados profetas e apóstolos, testemunhos da vida de Cristo e como união do Antigo e do Novo Testamento. A maioria deles possui uma espécie de cartaz com seu nome, e os detalhes escultóricos mostram um grande realismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm um dos tímpanos vemos a San Martín entregando sua capa ao pobre, uma escultura do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto a salientar do Pórtico do Paraíso é sua mensagem apocalíptica, com a representação do Juízo Final e os 24 personagens com seus instrumentos musicais, que vemos na foto acima. A seguir, vemos outro dos arcos do pórtico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelizmente, o Pórtico do Paraíso conserva toda sua policromia, resultado de uma restauração realizada no século XVIII. Nos muros laterais, vemos pinturas  representando a San Ildefonso (recebendo as vestes de bispo da Virgem Maria) e a São Cristóvão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANuma época em que a grande maioria da população era analfabeta, o Pórtico do Paraíso cumpria a função de instruir o povo nas sagradas escrituras. No interior da Catedral de Ourense vemos também muitos sepulcros…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita finaliza com o Museu Catedralício, que guarda excelentes amostras de Arte Sacra, tanto na escultura, quanto na pintura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos destaques do museu é esta arca de cobre esmaltado que funciona como relicário, concebida em Limoges (França) no século XIII, um dos principais centros medievais na fabricação deste tipo de objetos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATerminamos a matéria sobre a Catedral de Ourense com uma foto da Pia Batismal e um quadro em que vemos novamente a San Martín

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Catedral de Ourense

Principal monumento da cidade de Ourense, a catedral se ergue no coração de seu centro histórico. Poder conhecê-la, tanto em sua parte exterior, quanto seu belo interior, foi uma grata surpresa devido aos maravilhosos espaços que a constituem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ considerada o edifício medieval mais importante de toda a Galícia, depois da Catedral de Santiago de Compostela. De fato, mereceu o título de Monumento Histórico-Artístico que recebeu em 1931. Várias outras construções existiram no mesmo local, depois que Ourense tornou-se sede episcopal em sua etapa visigoda (século VI). A catedral atual começou a ser edificada na segunda metade do século XII, sendo finalizada no século seguinte, inserindo-se dentro da fase final do Estilo Românico. No entanto, o aspecto que vemos atualmente é o resultado de 8 séculos de reformas realizadas no conjunto do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Ourense foi dedicada a San Martín de Tours, que tornou-se o padroeiro da cidade já na época do Rei Suevo Carriarico, no século VI. Este monarca foi o introdutor do culto deste santo francês na Galícia, depois que a ele foi atribuída a cura milagrosa de seu filho, que padecia de uma doença comum naqueles tempos, a lepra. Em sinal de agradecimento, nomeou o santo como padroeiro de Ourense. Sua representação mais comum, montado num cavalo e entregando sua capa a um pobre mendigo, pode ser vista em vários lugares da catedral, desde os vitrais que a compõem, quanto na parte escultórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo exterior da catedral, o grande destaque fica por conta de suas 3 portas de acesso, maravilhosamente esculpidas, com uma notória influência do chamado Mestre Mateo, e seu trabalho inigualável do Pórtico da Glória da Catedral Compostelana, considerado uma das obras máximas da Arte Universal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra das portas da catedral, com especial ênfase nas esculturas que a adornam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo tímpano observamos a representação da piedade com São João Evangelista e Madalena. Sobre ela, uma cruz com a coroa de espinhos. No lado esquerdo, San Martín entregando a capa e no direito, vemos a figura de Santiago como peregrino, segurando um bastão.OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, detalhes de sua rica decoração escultórica, tanto nas arquivoltas, quanto nos capitéis.OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XV, a catedral sofreu ataques durante uma guerra travada entre nobres e algumas de suas partes tiveram que ser reconstruídas ou mesmo incorporadas a partir do século XVI, caso do belíssimo cimbório que remata a estrutura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARealizado em 1500 por Rodrigo de Badajoz, possui uma grande importância histórica, pois está incluído entre os três existentes no país desta época.Em sua parte externa, podemos observar seu formato octogonal. Abaixo, vemos seu aspecto interior e a excepcional bôveda estrelhada de 8 pontas que cobre a estrutura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos a torre do relógio, de formato quadrado e também erguida no século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, alguns detalhes construtivos da catedral, como uma de suas rosetas e as janelas que iluminam o interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, faremos uma visita ao interior da Catedral de Ourense, que me deixou literalmente de boca aberta…

Catedral de Córdoba – Parte 3

Um dos elementos arquitetônicos mais emblemáticos da Mesquita-Catedral de Córdoba é a esbelta torre, que se eleva de forma imponente. Guarda em parte de sua estrutura, os vestígios de sua primitiva existência como Minarete, como são conhecidas as torres dos templos muçulmanos, cuja função principal é convocar os fiéis às cinco preces que devem ser realizadas diariamente pelo crente mulçumano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Minarete, também denominado Alminar, foi edificado em tempos do Califa Abderramán III (ano 951 dC), com 48 metros de altura. Parte de sua estrutura, de 22 metros, se encontra integrado na atual torre, construída pelo arquiteto Hernán Ruiz III como torre campanário. Inicialmente, projetou dois níveis para alojar as campanas e um relógio em 1593. Um pouco depois, em 1644, foi construído outro corpo, onde foi colocada uma estátua do protetor da cidade, o Arcanjo São Rafael. Em 1755, o Terremoto de Lisboa causou estragos em sua estrutura. É possível subir ao alto da torre para contemplar os sinos e também as maravilhosas vistas da cidade de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Córdoba, além de seu núcleo central formado pela Capela Maior, o Coro e o Trascoro, que vimos na matéria anterior, está formada por mais de 50 capelas, boa parte delas construídas junto ao muro da antiga mesquita. Vejamos algumas das mais importantes. A denominada Capela Real, de estilo mudéjar, foi fundada em tempos do Rei Enrique II de Castilla como local de sepultamento dos monarcas Fernando IV e Alfonso XI. Em 1736 os sepulcros de ambos reis foram levados para outra igreja de Córdoba, a de San Hipólito, e neste templo permanecem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra La Antigua está decorada com uma bela imagem da Virgem realizada em 1641 pelo artista Francisco Vargas, inspirada na tradição bizantina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1565 é a Capela da Natividade de Nossa Senhora, cujas pinturas do retábulo foram realizadas por Gabriel Rosales. Representa a Árvore de Jessé, como tradicionalmente se conhece a Árvore Genealógica de Cristo, iniciada partir de Jessé, pai do Rei Davi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra do Rosário fundou-se em 1612. As coloridas colunas que compõem o retábulo simulam o mármore. Esta bela obra é atribuída ao pintor barroco, natural de Córdoba, Antonio del Castillo (1616/1668), considerado um dos grandes nomes do Século de Ouro Espanhol. No quadro vemos a Virgem do Rosário no centro, com São Sebastião no lado esquerdo e São Roque no direito. Na parte superior, aparece Cristo Crucificado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra da Concepção é uma das mais belas da Catedral de Córdoba. Também conhecida como Capela do Santíssimo Sacramento, foi construída a partir de 1679, estando decorada por pinturas em sua cúpula que representam ao Espírito Santo e os 4 evangelistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra capela de grande beleza é a de Santa Teresa, fundada em 1697 pelo Cardeal Pedro de Salazar Gutiérrez de Toledo, grande admirador e devoto da santa de Ávila. De planta octogonal, está coberta por uma esplêndida cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela se encontra o sepulcro do cardeal fundador, feito com mármore branco e negro, e com a estátua orante do cardeal, junto com querubins. A capela foi construída no começo do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta capela acolhe a Câmara do Tesouro, que exibe algumas das peças artísticas mais valiosas da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA principal delas foi situada no centro da capela, uma custódia realizada por Enrique de Arfe no princípio do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte exterior da Mesquita-Catedral podemos admirar alguns altares, como o dedicado à Virgen de los Faroles (original em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERABrasões do século XVIII com os escudos episcopais decoram um dos muros da catedral…

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom esta matéria, finalizo os posts dedicados a este templo sagrado universal, a Mesquita-Catedral de Córdoba. No entanto, as matérias sobre a cidade estão longe de finalizar-se devido a grande quantidade de locais de interesse histórico e artístico que podemos ver numa visita pela cidade. No próximo post, veremos outro lugar fundamental, o Alcázar dos Reis Cristianos

Catedral de Córdoba – Parte 2

A construção da Catedral de Córdoba iniciou-se em 1523, quando se abriu uma grande nave central dentro da estrutura da mesquita.O projeto foi encarregado ao arquiteto Hernán Ruiz “El Viejo” no estilo renascentista, e as obras prosseguiram sob o cuidado de seu filho, Hernán Ruiz “El Joven”. Outro arquiteto de importância na execução das obras foi Juan de Ochoa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADedicada à Assunção de Nossa Senhora, o núcleo central da catedral está formada pela Capela Maior, o Coro e sua parte traseira, o Trascoro. Abaixo, vemos a Capela Maior, decorada com um belo retábulo realizado em 1618 pelo mestre jesuíta Alonso Matias, que utilizou mármore vermelho e jaspe cordobês em sua arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA O Coro, belíssimo, foi realizado com madeira de caoba, procedente do continente americano, a mediados do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu autor foi Pedro Duque Cornejo, que também realizou o trono episcopal que preside o Coro, que vemos na imagem acima. Adornado com cenas relativas à Ascensão de Cristo, abaixo vemos o requinte das representações escultóricas que decoram cada um dos assentos do coro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais do Coro, foram colocados dois órgãos de grande beleza, que impressionam a todos os visitantes da Catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um dos instrumentos no detalhe…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o Trascoro, com uma representação de São Pedro em sua parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cúpula da nave central é maravilhosa, como podemos ver a seguir…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Córdoba finalizou-se em 1766. Aproveito para publicar outras imagens do templo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a última parte desta construção símbolo da cidade de Córdoba, a Mesquita-Catedral, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

A Catedral de Córdoba

O conjunto da Mesquita-Catedral de Córdoba é resultado dos vários períodos históricos que passou a cidade, desde sua construção inicial como templo islâmico sobre a Basílica Visigoda de San Vicente a partir do século VIII, e suas reformas e ampliações nos séculos posteriores, até a incorporação do edifício catedralício em sua estrutura, depois que Córdoba foi reconquistada pelos cristãos no século XIII. Mas como ocorreu este processo?

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA chegada ao poder de Almanzor, primeiro ministro do governo do califa Hisham II, supôs a última reforma da Mesquita de Córdoba, como vimos no post anterior. Este personagem destacou-se por suas inúmeras incursões militares contra as cidades que faziam parte dos Reinos Cristianos, como Barcelona, Léon e Santiago de Compostela, somente para citar algumas. Como general que era, a influência e importância de Almanzor debilitou o poder do califa, originando uma guerra civil que provocou a desintegração do Califato de Códoba em 1013 e  seu desaparecimento em 1031. A partir deste momento, Al Andalus se transforma num conglomerado de estados independentes, denominados Reinos de Taifas. Esta descentralização facilitou o avanço cristão e o processo de reconquista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs contínuas guerras travadas entre os distintos Reinos de Taifas provocaram a interferência dos monarcas cristãos através da política de Parias, um tributo que os Reinos de Taifas começaram a pagar para não serem atacados ou em troca de proteção militar. A situação de debilidade frente aos cristãos ficou patente em 1085, com a reconquista de Toledo. Depois deste importante acontecimento, os Reinos de Taifas solicitaram o auxílio dos Almorávides e depois dos Almohades, que invadiram a península a partir do final do século XI. Estes povos estavam formados por uma classe guerreira que defendiam uma doutrina ortodoxa do Islã. No entanto, a vitória dos exércitos cristãos na famosa Batalha de Navas de Tolosa em 1212 deixou o caminho aberto para a reconquista. Abaixo, vemos um braseiro de época almohade, pertencente ao acervo do Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns anos antes da batalha, em 1146, o Rei Alfonso VII protagonizou a primeira conquista de Córdoba, embora nao fosse a definitiva, e a dedicação da Mesquita de Córdoba como Catedral. A cidade é reconquistada definitivamente em 1236 pelo Rei Fernando III, depois de 6 meses de assédio.  Abaixo, vemos um quadro situado numa das capelas da catedral que celebra a Reconquista de Córdoba por Fernando III.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASomente depois da conversão da mesquita em catedral o monarca realizou sua entrada solene na cidade. Considerado um rei piedoso e compassivo, ganhou a simpatia de seus súditos pela humildade que demonstrava em suas ações. Costumava convidar as pessoas de poucos recursos para comer junto a sua mesa e visitava pessoalmente os feridos nas batalhas. Antes de empreender uma ação militar, tentava esgotar todas as possibilidades diplomáticas. Grande devoto da Virgem Maria, seu corpo está enterrado na Catedral de Sevilha, cidade que também reconquistou. Estimulou as ciências e a cultura, contribuindo para o aparecimento das universidades. Sua fama de santidade fez com que fosse canonizado em 1671, passando a ser chamado de Fernando III, “El Santo“. Foi o responsável da recuperação de grandes áreas ocupadas pelos muçulmanos, como o Reino de Murcia e boa parte da atual Andaluzia. Abaixo, vemos uma estátua do rei, situada no Real Alcázar Cristiano de Córdoba (original em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMaravilhado com a Mesquita de Córdoba, Fernando III decretou sua conservação, e não houve alterações substanciais em sua estrutura. A maior modificação na antiga mesquita ocorreu no século XVI, quando se decidiu construir uma catedral em seu interior a partir de 1523, durante a etapa do Bispo Alonso Manrique. O eclesiástico era tio do Imperador Carlos I, que recebeu sua autorização para a construção da catedral. O processo construtivo não esteve isento de polêmica, entre os que consideravam oportuno construir um templo cristão no interior da mesquita e aqueles que eram contrários ao projeto. Um pouco depois, o próprio Imperador Carlos I se arrependeu, ao pronunciar uma frase que ficou famosa: “Destruímos o que era único no mundo, e colocamos em seu lugar algo que podemos ver em todas as partes”. Não obstante, a transformação de parte da mesquita em catedral possibilitou sua conservação, e atualmente podemos contemplar ambos templos nesta construção maravilhosa. Nas próximas matérias, publicarei fotos e informações referentes à Catedral de Córdoba.

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