Catedral Nova de Plasencia

A Catedral Nova de Plasencia está dedicada a Asunçao de Nossa Senhora. Conforma, junto com a Catedral Antiga, a silueta arquitetônica mais conhecida da cidade.

De estilo renascentista, no exterior o templo possui duas portadas de interesse. A Portada Norte corresponde à porta principal da catedral.

O desenho e a execução de sua parte inferior pertencem ao mestre Juan de Ávila, que realizou a obra no estilo plateresco, variedade do Renascimento Espanhol. Ávila se encontrou com um espaço gótico de tendência vertical, ao qual era complicado esculpir estruturas ornamentais renascentistas de caráter horizontal. O problema foi solucionado colocando, entre os contrafortes, quatro corpos clássicos com suas correspondentes colunas. A bela decoração que adornam os muros e seu rico conteúdo iconográfico convertem esta estrutura em uma jóia do patrimônio artístico espanhol.

Em sua parte superior, interveniram grandes mestres da época, como Diego de Siloé e Rodrigo Gil de Hontañón. Na parte alta da porta, os canteiros deixaram gravada a data de sua finalização: “Em 1558 se terminou esta portada”.

A portada Sul forma um magistral conjunto com a Torre da Catedral Antiga e a Torre do Melão, que coroa a sala capitular, também da catedral velha. Denominada Porta do Enlosado, possui uma estrutura clássica e a combinação com as demais elementos proporciona um “livro aberto”, um manual de estudos de arquitetura.

O interior do templo está inundado de dourado, cor que na cultura crista está relacionada à Luz Celeste e à divindade.

O Retábulo Maior é barroco e está composto por 3 partes. Nele se fundem arquitetura, escultura e pintura, com o objetivo de atrair o olhar dos fiéis à sua contemplação. A parte escultórica é obra do mestre Gregório Fernández. O conjunto desenvolve temas próprios da Contra-reforma.

Em sua parte inferior, vemos a Paixão de Cristo. Sua parte central está representada pelo momento em que a Virgem, padroeira da catedral, é elevada ao céu em meio de um coro de anjos.

O calvário compõem as imagens da parte superior. Em quanto às pinturas, destacam os quadros de Francisco Rizzi, Anunciação e Adoração dos Pastores.

No presbitério, vemos o sepulcro de Ponce de León, bispo desta diocese no séc. XVI.

Em frente ao sepulcro, situa-se a Porta da Sacristia, realizada por Francisco de Colônia e Juan de Ávila em estilo plateresco.

Nas naves laterais, encontramos dois retábulos de estilo churrigueresco, típicos do barroco espanhol.

O Coro é outro dos tesouros da catedral. Feito de madeira de nogal por Rodrigo Alemán a finais do séc. XV, foi realizado para a Catedral Antiga e adaptado posteriormente ao local que ocupa atualmente.

O maravilhoso órgão está classificado dentro do grupo de instrumentos românticos de princípio do séc. XX. A caixa do órgão, porém, é barroca do séc. XVII e contém figuras de pedra ricas em expressão e movimento. Representam os símbolos da música. À esquerda, vemos a estátua de Jubal, pai dos tocadores de cítara e flauta e, à direita, a estátua de Orfeu com a Lira.

Abaixo, outras fotos da catedral.

Com estas fotos, concluímos a série de post dedicadoa à cidade de Plasencia. Espero que tenham gostado, e nao deixem de conhecê-la, quando venham à Espanha. Vocês, como eu, se surpreenderao…

Catedral Velha de Plasencia

Na mesma época da fundaçao da cidade no séc. XII, surgiu a sede episcopal de Plasencia. A cidade possui duas catedrais dedicadas à Virgem Maria, formando o conjunto arquitetônico e artístico mais importante da cidade. Ambas estão incompletas, sendo que a catedral velha carece de ábside e cruceiro, derrubados para a construção da catedral nova.

A Antiga Catedral de Santa Maria é um belo exemplo de templo de transição dos estilos românico ao gótico. Do primeiro, pertence os capitéis das colunas e do segundo, os arcos, janelas e bôvedas de crucería. Sua construção iniciou-se a princípios do séc. XIII e no século seguinte edificou-se a maior parte do templo, cujas obras foram dirigidas pelos mestres Juan Pérez, Diego Díaz e Juan Francês.

A portada principal é de estilo românico. Na parte superior vemos uma escultura da Anunciação de Nossa Senhora, que também aparece no rosetón.

Suas 3 naves estavam cobertas até o séc. XVIII por uma espessa camada de cal que, ao desaparecer, permitiu que admirássemos  a esbeltez do templo, solene e acolhedor ao mesmo tempo.

No muro que separa as duas catedrais, foi colocado um retábulo de estilo barroco português, representando as cenas da paixão de Jesus Cristo.

Além do Retábulo Maior, outros decoram as naves da igreja.

De planta retangular, o claustro conserva seu aspecto original. Inspirado na arquitetura cistercense, serve de união às duas catedrais. No centro, vemos uma fonte gótica do séc.  XV, com as armas do bispo e cardeal D.Juan de Carvajal.

A partir do claustro, acedemos à Capela de San Pablo, antiga sala capitular, e conhecida popularmente como a Torre do Melão, assim chamada por seu aspecto exterior, culminado com uma bola que parece um melão aberto.

Seu interior é de formato quadrangular com uma cúpula octogonal. A configuração do espaço recorda os cimbórios da Catedral de Zamora, da Colegiata de Toro e da Torre do Galo da Catedral de Salamanca.

Abaixo, uma bela imagem da Virgem colocada dentro da capela.

A Torre possui im claro aspecto românico.

A Catedral Antiga de Plasencia foi declarada Monumento Nacional em 1931. A princípio do séc. XV, decidiu-se levantar uma nova catedral, de tamanho superior que, como comentamos, destruiu parte da cabeceira e do cruceiro. Sobre a Catedral Nova, falaremos no próximo post.

Plasencia – Extremadura (Parte 2)

Desde sua fundaçao, Plasencia foi uma cidade de realengo, isto é, propriedade exclusiva da coroa e a partir de 1189 tornou-se sede episcopal.

Em 1488, passou a ser governada pelos Reis Católicos e Fernando de Aragón nela viveu desde 1515. Em 1446 foram criados os estudos universitários de Plasencia, os primeiros de Extremadura. A biblioteca do Monastério do Escorial foi criada com o acervo de livros pertencente ao Palácio Episcopal de Plasencia, levados ao monastério madrilenho por ordem do rei Felipe II.

A cidade conserva uma grande quantidade de palácios e casas senhoriais, como a Casa das Infantas, construída entre os séc. XVI/XVII.

A Casa del Deán  é uma casa-palácio do séc. XVII e seu destaque é o balcão em estilo neoclássico, coroado pelo escudo do proprietário.

Nas fotos seguintes, vemos outros exemplos de casas senhoriais da cidade.

Outro monumento emblemático é o Aqueduto Medieval, levantado no séc. XVI, em substituição ao anterior, do séc. XII. Com um comprimento de 200m, se conservam 55 arcos.

Plasencia é atravessada por duas rotas jacobeas, o chamado Caminho de Santiago do Levante, que parte de Alicante e finaliza em Plasencia, onde se une com o Caminho de La Plata. Os monumentos religiosos mais importantes são sua 2 catedrais, que serão tratadas em post à parte. A Igreja de San Esteban pertence ao séc. XV, e nela se casou o célebre poeta José Maria Gabriel y Galán.

A Igreja de San Nicolás existe desde o séc. XII e seu aspecto atual é fruto de várias reformas. A principal foi realizada no séc. XV, conferindo o estilo gótico que vemos atualmente.

O antigo Convento dos Dominicanos, do séc. XV, foi convertido em Parador Nacional, e enquanto tomamos um café em suas dependências, admiramos o histórico edifício.

O Convento de San Francisco Ferrer abriga uma excelente coleção de peças sacras, utilizadas pelas confrarias da cidade, principalmente durante as festas da Semana Santa.

O Museu Etnográfico-Textil Pérez Enciso encontra-se situado no antigo hospital de Santa Maria, fundado no ano 1300. Inaugurado em 1989, é o primeiro do gênero na comunidade. Exibindo um variado conjunto de objetos, reflexo de formas de vida tradicionais, como a manufatura da la e trajes típicos.

Plasencia – Extremadura

Plasencia situa-se na Província de Cáceres, ao norte da Comunidade de Extremadura, sendo a cidade mais populosa da província com aprox. 40mil hab. É conhecida como a Pérola do Vale, por estar localizada próxima ao belo Vale do Jerte, rio que cruza a cidade. Seu nome significa “cidade agradável”, dado pelo seu fundador, o rei Alfonso VIII de Castilla.

Durante o Império Romano, foi um acampamento militar para as legiões romanas. Posteriormente, tornou-se um alcázar (fortaleza) durante a ocupação muçulmana, até que foi reconquistado por Alfonso VIII em 1186. Ao fundar a cidade, seu objetivo era garantir o domínio militar que lhe permitisse proseguir o caminho da Reconquista ao norte e leste da Serra dos Gredos e de facilitar o repovoamento dos territórios conquistados. Esta origem militar e populacional explica a importância de seu sistema de fortificação.

Já no ano de sua fundação, iniciou-se a construção das muralhas defensivas. Porém, Plasencia foi tomada pelas tropas do caudilho árabe Almanzor em 1196, e uma vez mais Alfonso VIII reconquista a cidade um ano depois, reedificando definitivamente suas muralhas a finais do séc. XII.

Sobrevivem 21 das 71 torres que cobriam o perímetro da muralha e se conservam 2 que formavam parte do antigo alcázar.

A mais importante é a chamada Torre Lucía, cujo nome se deve porque em sua parte mais elevada se acendiam fogueiras pela noite para servir de referência aos caminhantes que se aproximavam da cidade. Atualmente o espaço sedia o Centro de Interpretação da Cidade Medieval de Plasencia.

Se conservam também 5 das portas de acesso ao interior da cidade. Abaixo, vemos algumas delas, como a Porta do Sol, a mais monumental de todas.

Abaixo, vemos a Porta del Clavero.

Curiosamente, algumas casas foram incorporadas às muralhas.

Devido ao seu caráter histórico e a grande quantidade de monumentos que possui, a cidade é um dos destinos preferentes da Comunidade de Extremadura.

A Praça Maior, por ex., é o local de celebração do mercado desde a Idade Média.

Nela se casaram, em 1475, a rainha Juana La Beltraneja e Alfonso V de Portugal, sendo proclamados reis de Castilla e Portugal. Num de seus extremos, localiza-se o Palácio Municipal, construído no séc. XVI e composto por uma dupla arcada renascentista.

Em sua parte mais alta, vemos um dos personagens mais queridos da cidade, o Abuelo Mayorga, responsável em fornecer as horas aos habitantes da cidade.

Ao redor da praça, sao vários os estilos arquitetônicos de seus edifícios.

No próximo post, seguiremos com seu patrimônio monumental…