Tudela – Navarra

Segunda cidade mais populosa de Navarra, com aprox. 35 mil habitantes, Tudela localiza-se no sul da comunidade e é banhada pelas águas do Rio Ebro. Fundada em 802 durante o reinado de Al Hakan I, é considerada uma das cidades de origem muçulmana mais importantes da Espanha e mesmo da Europa. Durante o domínio árabe, adquiriu grande protagonismo, econômico e social.

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Durante o momento de ampliação da cidade, entre os séc. IX e X, a chegada dos Judeus transforma o núcleo urbano, que chegou a possuir um dos bairros judaicos (juderia) mais importantes do reino. Dessa forma, durante séculos, e tal como sucedeu com Toledo, Tudela obrigou comunidades das três religiões monoteístas: cristãos, árabes e judeus.

Em 1119, foi reconquistado pelo rei Alfono I “El Batallador”, e o rei Carlos III “El Noble”, outorgou-lhe o título de cidade em 1390. Na época do reinado de Fernando Católico, foi a última cidade em rendir-se às tropas reais. Apesar da rendição, obrigou o rei a respeitar e manter o foro da cidade.

No séc. XIX, durante a Guerra da Independência, a cidade mais uma vez se inserre na história militar, combatendo as tropas francesas na Batalha de Tudela. Devido à vitória das tropas napoleônicas, o nome da cidade foi inscrito no Arco do Triunfo de Paris.

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Um passeio por suas ruas nos permite retornar ao passado, e conhecer suas atrações.

Do séc. XII, a Igreja da Magdalena é o maior expoente da arquitetura românica da cidade e foi construída sob um templo mozárabe pré-existente, reservada ao culto dos cristãos que viviam sob a dominação árabe.

tudela17Abaixo, vemos o tímpano com a representação de Cristo em majestade (pantocrátor), rodeado pelos símbolos dos 4 evangelistas e duas figuras de joelhos, Madalena e Marta (ou Lázaro).

DSC01405O Palácio do Deán foi levantado no estilo gótico mudéjar (séc. XV) e sedia o museu da cidade, com um belo acervo de obras, entre as quais um quadro atribuído a El Bosco.

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A casa do Almirante é um excelente exemplo da arquitetura civil renascentista (séc. XVI).

DSC01413Um dos locais mais conhecidos da cidade, na Praça dos Foros transcorre a vida social de seus habitantes.

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Construída no séc. XVIII, num princípio realizavam-se corridas de touro na praça.

DSC01416As casas estao decoradas com escudos de famílias nobres.

DSC01415Porém, o edifício principal de Tudela é a Catedral de Santa Maria. Construída a partir de finais do séc. XII (1168), durante o reinado de Sancho VI “El Sábio”, é uma obra de transição dos estilos românico ao gótico.

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Para sua construção, foram utilizados alguns materiais da antiga Mesquita maior que havia na cidade (séc. IX/X). Inicialmente possuía o título de colegiata, tornando-se templo catedralício apenas no séc. XVIII. No exterior, a torre foi levantada a finais do séc. XVII (1682/1697), substituindo a anterior românica finalizada em 1228 e que ruiu em 1676. A catedral possui 3 portas, das quais a chamada do Juízo Final é a mais importante.

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Também denominada Porta Pintada, pois originalmente estava policromada, é considerada uma das mais impressionantes do período românico tardio europeu, por suas dimensões e profusão decorativa. Devido ao formato ogival ou apuntado de seus arcos e o conjunto estilístico de suas esculturas, é também qualificada como pertencente ao início do período gótico. Falta-lhe a cena do tímpano, que certamente existia, e consta de 8 arquivoltas em que se narra de forma detalhada e exuberante o Juízo Final (na parte direita, estão representados os castigos infernais, enquanto do lado esquerdo, vemos personagens saindo de suas tumbas, acompanhados por anjos).

DSC01403DSC01407O claustro do séc. XII (1180/1206) é um dos expoentes máximos do românico Navarro, formando um conjunto escultórico de grande beleza, destacando capitéis que nos contam histórias bíblicas.

tudela2DSC01411DSC01410O interior nos reserva muitas surpresas, como o maravilhoso retábulo maior. Construído entre 1487/1492 por Pedro Díaz de Oviedo e Diego de Águila, é uma obra típica do denominado gótico hispano-flamenco.

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O coro, magnífico, é do séc. XVI, e nele vemos o órgão, do séc. XVIII.

DSC01391DSC01385DSC01383Das capelas que acolhe, a de Santa Ana, padroeira de Tudela, se destaca por seu barroquismo e adornos decorativos.

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O sepulcro de Francisco Villaespesa, um nobre eclesiástico falecido em 1421, chama a atenção por sua beleza. Realizado em alabastro policromado, é de estilo gótico, e ricos são seus elementos decorativos e sua iconografia.

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Olite – Navarra

Antes de chegar à cidade de Olite, situada na Comunidade de Navarra, é possível avistar, esbelta e harmoniosa, a silueta do Palácio Real, que domina a paisagem deste pequeno povoado, localizado a 47km de Pamplona. Declarado Monumento Nacional em 1925, constitui o exemplo mais importante do gótico civil na comunidade.

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O Palácio Real foi construído durante o reinado de Carlos III “El Noble” (1387/1425) e é um dos emblemas mais representativos do velho Reino de Navarra. Trata-se de um complexo conjunto irregular de torres, estâncias, galerias, pátios e jardins, que lhe conferem um aspecto majestoso. No próprio edifício faleceram a rainha esposa de Carlos III em 1415, Leonor, e dez anos depois o próprio rei. Posteriormente, serviu como residência real de vários monarcas em suas visitas à cidade.

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Apesar de que muitos se referem a ele como castelo, o correto seria catalogá-lo como palácio, pois é uma construção de caráter cortesano, onde os aspectos residenciais prevalecem sobre os militares.

Um de seus principais encantos é a aparente desordem de seu desenho, pois seu resultado final é conseqüência das contínuas reformas e ampliações sucedidas ao longo dos séculos. Em sua época, foi celebrado como um dos mais belos palácios de Europa.

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Depois da invasão do Reino de Navarra pelos castelhanos no séc. XVI, o estado de abandono resultante fez com que fosse deteriorando-se progressivamente. Este processo culminou com o incêndio ordenado pelo comandante Espoz y Mina durante a Guerra de Independência Espanhola, ante o temor de que se apoderasse do palácio as tropas francesas. Seu excelente estado de conservação é fruto das restaurações efetuadas a princípios do séc. XX.

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Adossada ao palácio, encontramos a Igreja de Santa Maria La Real, cuja construção foi iniciada no primeiro terço do séc. XIII e finalizada em 1300. O templo foi usado pelos monarcas navarros em grandes festividades e atos solenes. Sua fachada representa um dos conjuntos mais importantes da escultura gótica de Navarra.

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No tímpano, a cena está presidida pela Virgem com o menino Jesus no centro, e estão representados a Anunciação, o nascimento de Cristo, a matança dos inocentes, a Fuga ao Egito, a apresentação de Jesus no templo e o batismo de Cristo. A decoração escultórica pertence ao séc. XV.

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Porém, a igreja mais antiga da cidade é a de San Pedro, construída no final do séc. XII. Originalmente pertencente ao estilo românico, foi ampliada em épocas gótica e barroca.

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Selva de Irati – Navarra

Existem lugares que nos causam uma impressao tao intensa que dificilmente serao apagados de nossa memória. Lugares em que o simples ato de caminhar se transforma num exercício de contemplação contínuo, diante de uma natureza soberba, pictórica e cuja beleza é inalcançável pelas variadas formas de expressão. Tal é o caso da Selva de Irati, localizada ao norte da Comunidade de Navarra.

Situada nos Pirineus Orientais, próximo à fronteira com a França, com a qual comparte seu território protegido, a região pode ser facilmente atingida desde a capital Pamplona, num trajeto espetacular de uma hora de carro.

A Selva ou também denominado Bosque de Irati constitui a maior área florestal contínua não só da comunidade, como também de toda a península e representa um dos bosques mais extensos, de maior riqueza ambiental e melhor conservado de toda a Europa.

Com 17mil hectares, está catalogado como Parque Natural e Zona Especial de proteçao de aves (ZEPA), possibilitando que seu estado de conservação seja excepcional.

Superado apenas pela Selva Negra (Alemanha), a Selva de Irati é o segundo hayedo-abetal em extensão do continente.

Em sua vertente espanhola, o parque situa-se na cabeceira do rio Irati, entre os vales de Aezkoa e Salazar.

Das várias trilhas que podem ser percorridas, a que contorna o embalse (represa) de Irabia é uma das mais procuradas, pela infinita beleza que proporciona. Com aproximadamente 10km, é praticamente plana, não oferecendo nenhuma dificuldade para o caminhante.

A paisagem que se aprecia no outono é simplesmente maravilhosa, pela variedade cromática de suas árvores e pela combinação harmoniosa de suas águas com a esplendorosa vegetação que a rodeia.

Este é um daqueles posts que realmente uma imagem vale muito mais do que mil palavras. Finalizo, pois, o texto, e que as fotos a seguir se encarreguem de mostrar ou, ao menos tentar, esta indescritível maravilha que é a Selva de Irati.

Pamplona – Navarra

Situada no norte de Espanha, Pamplona é a capital da Comunidade Foral de Navarra.

A cidade foi fundada em 74 aC pelo general romano Pompeyo, sobre um povoado pré-existente chamado Iruña, nome do idioma euskera pelo qual também é conhecida  atualmente. Logo, a cidade se converteu num dos povoados mais importantes dos territórios dos vascones. Foi ocupada por visigodos e árabes e no séc. IX se tornou capital do Reino de Pamplona e, durante a Idade Média, no Reino de Navarra.

Em 1423, o rei Navarro Carlos III ditou o Privilégio da União, mediante o qual Pamplona, até então formada por 3 burgos independentes (Navarrería, San Saturnino e San Nicolás), se unifica ao redor da prefeitura, acabando com séculos de conflitos. A Casa Consistorial se localiza exatamente na confluência destes antigos burgos. Do seu aspecto original não sobrou nada, e sua parte mais antiga é a fachada reformada no séc. XVIII, numa combinação de elementos barrocos e neoclássico.

Localizado no centro histórico da cidade, de seu balcão iniciam-se, com o lançamento de um foguete (chupinazo), as festas de maior projeção internacional da cidade, o San Fermín.

Celebradas entre os dias 6 e 14 de julho, sua fama é um fenômeno recente, vinculado à difusão dada ao evento pelo escritor Ernest Hemingway, em sua novela “Fiesta”. As festividades homenageiam a San Fermín, padroeiro de Navarra e da diocese de Pamplona. Segundo a tradição, Fermín, filho do senador Firmus, que governou a cidade no séc. III, se converteu ao catolicismo e foi batizado por San Saturnino.

Uma de sua principais atividades é o encierro, com séculos de antiguidade. Consiste numa corrida de touros, realizada em plena rua e num trajeto de 800m, que culmina na Praça de Touros da cidade. Durante o evento são comuns as graves lesões e, inclusive, foram registradas 15 mortes desde 1922, principalmente de turistas embriagados, que pensam que fugir de um touro de 700kg é a mesma coisa que fugir de um cachorro bravo.

Em 1512, Pamplona foi anexada à coroa espanhola, ao ser ocupada pelas tropas do rei Fernando Católico. A parir do séc. XVI, tornou-se um baluarte de defesa contra as invasões francesas. A cidadela, um recinto fortificado de estilo renascentista construída em 1571 pelo rei Felipe II, fazia parte deste sistema defensivo. Situado no centro da cidade, possui planta pentagonal e se converteu atualmente numa das áreas verdes preferentes dos habitantes da cidade.

A Praça do Castelo é o principal ponto de encontro da cidade, e seus edifícios representam uma variada combinação de estilos.

O café Iruña, situado na praça, é um dos locais preferidos para tomar uma cerveja, comer umas tapas e bater papo.

Durante a Idade Média, Pamplona possuía uma esplêndida catedral românica. Em 1317, decidiu-se construir um claustro novo, adossado ao templo românico. Durante sua construção,em 1389, a igreja ruiu e foi necessária sua reconstrução, também no estilo da época, o gótico.

Na Catedral de Santa Maria ainda podemos contemplar o claustro do séc. XIV, um dos mais belos da Europa realizados nesta época.

Das diversas portas de acesso que possui, a denominada Porta Preciosa está belamente esculpida. Construída entre 1350/1360, comunica o claustro com o dormitório dos canônigos. Seu nome se explica porque o clero, quando entravam no dormitório, o realizavam em procissão litúrgica, cantando um salmo de louvor à Virgem que começava com este adjetivo. No tímpano, vemos talhadas cenas da vida da Virgem.

No interior, destacamos o mausoléu dos reis navarros Carlos III e sua esposa Leonor. Foi executado entre 1413/1419 pelo escultor flamenco Johan Lome de Tournay, em alabastro.

No presbitério, vemos a imagem românica de Santa Maria la Real.

O teto está formado por bôvedas de crucería, típicas do estilo gótico.

No exterior, a fachada pertence à época neoclássica, realizada por Ventura Rodríguez no séc. XVIII. A catedral representa o conjunto gótico mais importante da comunidade.

Outro monumento religioso de importância é a Igreja de San Saturnino, localizada próxima à Casa Consistorial. Inicialmente construído no estilo românico (séc. XII), foi reedificada no século seguinte em estilo gótico. Além de ter sido centro religioso do burgo medieval, cumpria também a função de defesa militar, numa época de habituais disputas com os demais burgos. O fato se comprova pelo aspecto da torre, mais parecida a uma fortaleza.

Abaixo, vemos o decorado tímpano da portada principal.

A cidade de Pamplona é atualmente o centro financeiro, comercial e administrativo da comunidade, além de ser sua cidade mais populosa, com cerca de 200mil hab. Possui invejável qualidade de vida, e sua renda per capita é bastante superior á média espanhola e da Uniao Européia.

Pamplona faz parte da segunda etapa do Caminho de Santiago, da rota de peregrinos procedentes de Roncesvalles.

Estella – Navarra (Parte 2)

Continuando nossa visita pela cidade de Estella, ao redor da Fonte de los Chorros, do séc. XVI, encontramos os monumentos mais representativos da cidade.

O Palácio dos Reis de Navarra é um dos poucos edifícios civis de estilo Românico remanescente na Espanha, e o único da Comunidade de Navarra.

Construído na segunda metade do séc. XII, desde 1931 é considerado Monumento Nacional. Foi a residência dos monarcas navarros desde sua fundação e atualmente sedia o museu do pintor Gustavo de Maeztu.

De planta retangular, sua parte inferior está constituída por uma galeria de arcos, apoiados por pilastras também retangulares.

O piso superior compõem-se de janelas formadas por 4 vaos cada uma.

Situada em frente ao palácio, vemos a Igreja de San Pedro De La Rúa, típico exemplo de igreja-fortaleza.

Erguida numa ladeira, entramos no templo por uma escada que sai da rua e que, no passado, foi o principal eixo da rota de peregrinação que passava pela cidade, rumo à Santiago de Compostela.

Sua construção iniciou-se no séc. XII, sendo consagrada antes de 1174, e as obras prolongaram-se até o século seguinte. Por este motivo, o templo mistura os estilos românico e gótico. Suas sucessivas reformas chegaram, no entanto, a distorcionar seu aspecto original.

Devido a sua adaptação ao terreno, possui uma planta irregular, composta por 3 naves. Por sua vez, a cabeceira está formada por 3 ábsides, sendo que o central conserva a estrutura original.

No interior, podemos contemplar uma pia batismal românica.

Abaixo, uma imagem de Santiago, que adorna um dos pilares da nave.

A portada septentrional, que possibilita o acesso ao templo, foi levantada no princípio do séc. XIII. Abaixo, vemos um dos capitéis que a decoram, um sagitário e uma sereia.

O claustro da igreja é excepcional, apesar de conservar apenas duas de suas partes.

Os capitéis estão sustentados por colunas duplas, e decorados com motivos descritivos, como cenas de episódios do Evangelho.

Nas fotos seguintes, vemos capitéis representando o enterro de Cristo e o episódio da matança dos inocentes.

Na galeria ocidental, predominam os capitéis ornamentais, com pássaros, animais fantásticos, etc.

Finalizamos o post com fotos de algumas casas e sua singular decoraçao.

Estella – Navarra

Situada a meio caminho entre Pamplona e Logroño, Estella/Lizarra é uma cidade da Comunidade Navarra que faz parte do Caminho de Santiago.

Fundada no ano 1090 pelo monarca de Pamplona e Aragón Sancho Ramírez, seu nome em castelhano (Estella) provém do latim (Stella) e foi criado no momento de sua fundação, como ponto de acolhida para os peregrinos que realizavam a rota de Santiago. Lizarra, em euskera, significa “Terra de Fresno”, uma espécie de árvore que cresce abundante nas margens do rio Ega. Este curso fluvial é um afluente do rio Ebro e num agradável passeio, denominado “Los Llanos”, podemos apreciar seu trajeto pela cidade.

A chamada Ponte da Prisao está formada por um grande arco, e foi construída em 1973, em substituiçao à anterior, destruída no séc. XIX.

Para aqueles que chegam à cidade em ônibus, a antiga estação de trem, construída em 1927, transformada posteriormente em estação de ônibus, dá as boas vindas ao viajante.

Sua localização em pleno caminho de Santiago atraiu a grande quantidade de comerciantes na Idade Média, principalmente Francos e Judeus.

Estella conta com um rico patrimônio monumental, pelo qual é conhecida como a Toledo do Norte. A partir do séc. XII se construíram importantes edifícios que fizeram da cidade a capital do românico em Navarra, alcançando seu apogeu no séc. XIII.

Passeando por suas ruas, revivemos o passado glorioso da cidade e contemplamos suas passagens estreitas, típicas da Idade Média.

Hoje em dia, Estella continua exercendo o papel para o qual foi criada, a mais de 900 anos atrás.

A Igreja de Sao Miguel Arcanjo é um belo exemplo de templo românico.

Construída a finais do séc. XII, e terminada no século seguinte, possui uma maravilhosa portada, obra prima da escultura românica.

O tímpano está presidido pela figura do pantocrátor. Este segura um Crismón, em lugar do habitual livro. Uma mandorla o rodeia, com uma inscrição que diz:

“Nem Deus, nem homem, é esta imagem que contemplas, e sim Deus e Homem.”

Os tetramorfos a seu lado, cada qual com um livro, estão acompanhados por um homem e uma mulher nos extremos.

Os capitéis da coluna exibem cenas da vida de Jesus, como a Anunciação, nascimento, fuga ao Egito, etc.

O pórtico que acolhe a portada engloba uma série de talhas laterais. As da parte inferior representa o ciclo de São Miguel Arcanjo (vencendo o dragão e disputando com o demônio as almas que são pesadas). Na parte superior 8 estátuas representam os apóstolos, 4 de cada lado.

A Igreja de Santa Maria Jus del Castillo foi uma antiga sinagoga, e no ano de1145 foi transformada em templo católico, dedicado a Todos os Santos. Mais tarde adquiriu o nome atual, por estar situada aos pés do Castelo de Belmecher, hoje em ruínas. À exceção de sua fachada barroca, o edifício românico se conserva integralmente. Atualmente, a igreja acolhe o Centro de Interpretação do Românico e do Caminho de Santiago.

Das portas que rodeavam a muralha de Estella, apenas uma sobreviveu aos séculos, a Porta de Castilla.

No próximi post, veremos a segunda parte da matéria sobre Estella…até lá.

Artajona – Navarra

Artajona é um dos pueblos mais bonitos de toda a Comunidade Navarra. Sua impressionante muralha do séc. XI, conhecida pelo nome de “El Cerco”, domina a paisagem circundante. O conjunto atual pertence ao séc. XIII.

Originalmente, a fortaleza possuía 14 torres, das quais se conservam 9. Foi construída pelos clérigos da francesa Catedral de Saint Sernin de Toulouse.

A principal característica da fortificação é que é a única que se conserva de seu estilo em Navarra. A Idade Média contribuiu notavelmente para que reis, senhores e religiosos desejassem a posse da vila, transformando-a então no bastiao do reino e provocando numerosas lutas, tornando necessárias várias reconstruções da fortaleza.

O conjunto protege a Igreja-Fortaleza de San Saturnino (Saint Sermin, em castelhano). Construída entre os séc. XIII e XIV sobre as ruínas de um templo românico anterior, formou parte da defesa do pueblo. Assim evidenciam seus robustos murros e contrafortes.

A torre, construída no séc. XIV, além de ser usada como campanário, foi utilizada também como posto de guarda. No seu corpo inferior, situavam-se as masmorras.

Porém, seu destaque é a portada monumental gótica, de finais do séc. XIII. No tímpano estão talhadas as figuras de San Saturnino e os reis de Navarra, a rainha Joana I e o rei Felipe “El Hermoso”. No dintel, estrutura horizontal que remata um vão e situado na parte inferior do tímpano, observamos o martírio de San Saturnino.

Nesta outra porta, vemos uma decoraçao curiosa, com figuras humanas com expressoes desconcertantes.

No povoado que desenvolveu-se abaixo do cerco, vemos a Igreja Paroquial de San Pedro, de estilo gótico.