Muralha de Lugo: Parte 2

Atualmente, a Muralha Romana de Lugo possui 10 portas de acesso que comunicam o interior da parte histórica com a zona moderna da cidade. Algumas destas portas foram abertas na Idade Média ou a partir do século XIX, enquanto outras foram construídas em época romana, caso da Porta Miñá, a melhor conservada do período construtivo da muralha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra porta provavelmente aberta no período romano , a denominada Porta Falsa era de uso exclusivamente militar. Durante séculos esteve fechada, e em 1798 foi reformada, conservando restos do arco original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas portas de origem romana foram reconstruídas na Idade Média devido às novas necessidades do traçado urbano da época medieval, como a Porta de Santiago, reformada provavelmente no século XI e reconstruída em 1759 pelo Bispo Izquierdo, que colocou seu escudo de armas e uma imagem do santo padroeiro da Espanha. Situada em frente à catedral, por ela passava o Caminho Primitivo em direção à Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Porta de San Pedro também foi reformada no século XVIII. Seu nome se deve a  proximidade com uma capela dedicada ao santo, situada fora da muralha. Era considerada a principal porta de entrada à cidade de Lugo. Em sua parte superior foi colocado o escudo da cidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs portas modernas foram abertas para facilitar a comunicação da zona antiga com a parte nova da cidade, situada no exterior do recinto de muralhas. Em 1853, se construiu a Porta de San Fernando e, cinco anos depois, coincidindo com a visita da rainha Isabel II a Lugo, passou a ser chamada de Porta do Príncipe Alfonso, filho da rainha e futuro Rei da Espanha com o nome de Alfonso XII. Devido ao seu estado ruinoso, foi reconstruída em 1963.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1875 se abriu a Porta da Estação, com o objetivo de unir a cidade com a recém construída estação ferroviária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1888, a Porta de la Cárcel foi aberta para comunicar o centro com a prisão nova, que tinha acabado de ser inaugurada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1893 se inaugurou o seminário de Lugo, e no ano seguinte se construiu a Porta do Bispo Aguirre para servir de comunicação do centro da cidade com a nova instituição religiosa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Porta Nova foi reconstruída em 1900 sobre uma antiga porta de origem medieval, em péssimo estado e derrubada um ano antes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralha Romana de Lugo é excepcional por sua antiguidade e pela conservação de su traçado original. Somente para admirá-la, uma viagem a Lugo é mais do que recomendável. Além disso, a cidade possui um importante patrimônio medieval, que veremos no próximo post…

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Muralha de Lugo: Patrimônio da Humanidade

No centro de Lugo, antiga Lucus Augusti, ergue-se imponente a famosa Muralha Romana da cidade, que rodeia a parte histórica num perímetro de mais de 2 km de comprimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALugo é considerada a cidade mais antiga de toda a Galícia, com mais de 2 mil anos de história. Cerca de 300 anos depois de sua fundação, se construiu esta espetacular estrutura defensiva, a única de todo o Império Romano que conserva íntegro seu traçado original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu excelente grau de conservação e sua importância histórica foram reconhecidos com vários títulos como Monumento Nacional em 1921, Bem de Interesse Cultural em 1985 e Patrimônio da Humanidade, desde o ano 2000.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA  A Muralha Romana de Lugo foi construída no final do século III e princípio do século IV dC. Possui um formato quadrangular e as esquinas redondeadas. Sua altura varia de 8 a 12 m, e os cubos semicirculares que a compõem têm um diâmetro entre 10 e 13m.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha é classificada dentro de um grupo denominado Estilo Legionário Hispânico, e foi projetada segundo os princípios do grande arquiteto Vitrubio para a arquitetura militar. Originalmente possuía 85 cubos ou torres, dos quais se conservam 72.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO esplendor de Lucus Augusti ocorreu justamente no momento em que a cidade foi fortificada. A construção deste excepcional sistema defensivo foi realizada em função dos conflitos internos existentes na época, mais que pelo temor das invasões bárbaras que já assolavam o Império Romano naquele momento. Seus principais materiais construtivos, a pedra de granito e a ardósia, se encontram nas imediações da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua parte inferior, fossos com mais de 20 metros de largura e 5 de profundidade dificultavam ainda mais a aproximação do inimigo. O acesso à parte superior das torres é possível através das escadas existentes ao longo da muralha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO caminho de ronda da parte superior da muralha, em espanhol denominado Adarve, constitui um tradicional passeio pela cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI se castigava com 30 dias de prisão e uma pesada multa a todos aqueles que se atrevessem a roubar materiais da muralha. No século seguinte, o rei responsabiliza o bispo de Lugo para qualquer reforma ou intervenção realizada em sua estrutura. Na segunda metade do século XVIII, esta responsabilidade passa a ser da prefeitura da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1972, foram derrubados 81 edifícios que se encontravam adossados à muralha em sua parte exterior, dentro do processo de sua restauração geral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara compreender sua importância e o processo histórico de sua dilatada existência, convém visitar o Centro de Interpretação da Muralha de Lugo, situado numa das Oficinas de Turismo da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o traçado geral da Muralha Romana de Lugo

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, cada torre estava composta por janelas em seus dois ou três níveis. Para sua defesa, eram necessários 4 arqueiros em cada torre, totalizando cerca de 350 arqueiros…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre a grande Muralha Romana de Lugo

A Judería de Toledo: Parte 4

Desde suas origens, a Judería de Toledo foi um bairro residencial, pois a atividade comercial se desenvolvia no centro da cidade. Ainda que os judeus podiam viver em qualquer parte da cidade, a maioria preferiu viver na zona oeste do recinto de muralhas da cidade, no local designado à comunidade judaica durante a dominação árabe. No bairro não existia uma muralha própria que o protegesse, estando composto por ruas estreitas e sinuosas, algumas delas sem saída.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas ruas principais é a atualmente denominada Calle del Ángel, uma das artérias mais antigas de Toledo e que separava a judería com o resto da cidade. No meio da rua vemos um cobertizo, curiosas estruturas urbanas abundantes no centro histórico de Toledo (matéria publicada em 19/7/2017).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome desta rua se deve a uma pequena estátua gótica, decorada com um leão, situada na mesma. Uma lenda diz que uma dama da corte ficou doente e que um anjo lhe apareceu anunciando sua cura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Judería Toledana existiam estabelecimentos próprios para os banhos públicos e rituais (chamados Miqvés), e hoje em dia se conserva um deles na Calle del Ángel, que pode ser visitado. Infelizmente, nunca tive sorte, pois sempre que vou à cidade o encontro fechado. Este banho foi construído entre os séculos XI e XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs casas do bairro judeu, como as demais da cidade de Toledo, contava com um ou dois andares acima do térreo, além de uma parte subterrânea, aqui na Espanha denominada sótão. Normalmente, no interior das residências havia um pátio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma destas partes subterrâneas pode ser vista no Museu de El Greco, e sua estrutura lembram covas onde se instalaram armazéns de depósito e também um importante banho ritual.

DSC09382Normalmente possuíam um formato quadrado com cúpula octogonal, e podiam ser utilizados como reserva de água para os banhos ou como um local de banhos propriamente dito. Estas galerias constituem os únicos restos conservados do palácio que Samuel Leví, tesoureiro maior do Rei Pedro I, mandou construir a mediados do século XIV.

DSC09385Outra rua importante da Judería de Toledo é a atual Calle de San Juan de Dios, no século XV chamada de Calle de la Judería

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentro dos limites da Judería Medieval existiam dois castelos, os chamados velho e novo. Infelizmente se conservam apenas ruínas, e poucas as informações referentes a eles. O Castelo Velho situava-se próximo à Sinagoga de Santa María La Blanca, e atualmente no local onde se localizava existe um hotel, que exibe restos do castelo em seu interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá o Castelo Novo situava-se próximo à Ponte de San Martín, e atualmente podemos observar um muro e duas das torres da antiga fortaleza.

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A Judería de Toledo: Parte 3

Depois que a cidade de Toledo foi reconquistada pelo monarca Alfonso VI em 1086, a boa convivência entre cristãos, árabes e judeus prosseguiu. Muitos dos muçulmanos mais ricos preferiram, no entanto, mudarem-se para a Andalucia, zona que ainda era governada por dirigentes árabes. Os que permaneceram na cidade passaram a ser denominados Mudéjares, que realizaram diversas construçoes para os reis castelhanos, contribuindo para o desenvolvimento do estilo mudéjar na cidade, uma de suas principais características e o estilo por excelência encontrado em Toledo. Abaixo, vemos um exemplo deste tipo de arquitetura encontrado na Judería de Toledo, a Igreja de Santo Tomé, famosa por acolher em seu interior o famoso quadro de El Greco, “O Enterro do Senhor de Orgaz”, tema de matérias publicadas em 28/1 e 29/1/2015. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA comunidade judaica prosperou porque alguns de seus membros foram nomeados para cargos de relevância dentro da corte, como conselheiros, médicos, astrólogos, financiadores etc, concedendo importantes benefícios para a sociedade judaica. Uma das personalidades mais famosas da Judería de Toledo foi Samuel Leví, tesoureiro maior do Rei Pedro I de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASamuel Leví foi o responsável pela construção de uma das sinagogas mais importantes de Toledo no século XIV (1357), denominada Sinagoga do Trânsito. Em 1971 passou a ser sede do Museu Sefardí, e representa um exemplo vivo da passagem da comunidade judaica pela Espanha e outra amostra do Mudéjar Toledano. Abaixo, vemos uma foto exterior deste templo de visita obrigatória…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem do interior da Sinagoga do Trânsito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Judería de Toledo chegou a contar com 12 sinagogas e 5 centros de estudo, dados que refletem a importância da comunidade na cidade castelhana. A outra sinagoga que se conservou, construída no final do século XII e declarada Monumento Nacional, é a Sinagoga de Santa María La Blanca, considerada a Sinagoga Maior de Toledo (matéria publicada em 27/6/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sinagoga de Sofer constituiu outro dos templos judaicos de importância, segundo as fontes documentais. No entanto, desta sinagoga se conservam apenas ruínas, que podem ser vistas em frente à Escola de Artes e Ofícios (publicado recentemente, em 22/7/2017), junto com restos arqueológicos referentes ao sistema hidráulico de época romana. Um pequena fonte de água identifica os restos conservados e na parte subterrânea podemos ver as ruínas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém das comunidades árabes e judia, a comunidade cristã se incrementou de forma notável depois da reconquista de Toledo. Num primeiro momento, os antigos mozárabes (católicos que viveram sob o poder muçulmano) conservaram suas tradições e continuaram utilizando o idioma árabe para a escritura de documentos. Numerosos grupos chegaram à cidade oriundos do norte da península, Portugal, França e da Europa Central. Este conjunto de culturas distintas estabeleceram laços de convivência, mas eram regidos por suas próprias leis. A sexta feira, por exemplo, era o dia sagrado para os muçulmanos, o sábado para os judeus e o domingo para os católicos. Seus rituais eram diferentes, e sua forma de vestir e de se alimentar também. Apesar disso, os membros das três culturas passeavam pelas mesmas ruas, compravam nos mesmos estabelecimentos comerciais, existindo relações de amizade e amor entre eles. É neste período em que se manifesta o auge cultural da cidade, culminando na fundação da famosa Escola de Tradutores de Toledo pelo Rei Alfonso X “El Sábio” (reinou entre 1241 e 1264), uma instituição na qual se reunia os grandes sábios das três comunidades. Foram eles que realizaram a tradução do árabe e do hebreu para o latim das grandes obras filosóficas e científicas da antiguidade clássica. Também nesta época se completa a configuração urbana herdada dos árabes, formada por um labirinto de ruas com construções mudéjares que propiciaram uma certa uniformidade à paisagem de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Porta del Cambrón, considerada a porta de acesso à Judería de Toledo. De origem muçulmana (séculos X e XI), seu nome se deve à presença no local de plantas espinhosas denominadas cambroneras, mas sempre foi conhecida como a Porta dos Judeus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu aspecto atual é o resultado de reformas realizadas entre 1572 e 1577 durante o reinado de Felipe II, quando foi rebatizada como Porta de Santa Leocádia, padroeira da cidade, cuja imagem preside a porta, debaixo do escudo de Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto da parte externa da Porta del Cambrón

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A Judería de Toledo: Parte 2

Na matéria de hoje, veremos um pouco da histórica presença da comunidade judaica na Espanha, durante as várias etapas por qual passou o país, e as relações travadas com os diversos povos que governaram o território durante mais de mil anos. As fotos publicadas foram tiradas na Judería de Toledo. Parece que os judeus se assentaram em grande número na Europa Ocidental a partir do século III dC. Os primeiros textos que comentam a presença da comunidade judaica na Península Ibérica datam do século II aproximadamente, quando muitos judeus foram vendidos como escravos a famílias romanas assentadas em Hispania. Muitos outros chegaram à Europa depois da expulsão dos judeus de Jerusalém por parte do Imperador Vespasiano e de seu filho Tito, ocorrida logo após a destruição do Templo de Salomão em 70 dC. Em território espanhol, a sinagoga mais antiga, encontrada em Elche, data do século IV dC. Também desta época é o testemunho mais antigo da presença judaica em Toledo, uma lâmpada decorada com um Menorah.

DSC09446Toledo é uma cidade historicamente conhecida pela tolerância em relação a povos de outras culturas. Sua origem se remonta ao período visigodo, entre os séculos VI e VII, quando foi a capital do Reino, na qual coexistiram três sociedades culturalmente distintas: a Visigoda, cujos reis eram adeptos do Arrianismo, a comunidade Hispano-Romana, que representava a maior parte da população, que eram católicos, e a judaica, que viviam num bairro próprio, embrião do que mais tarde seria a Judería de Toledo. Apesar de ocuparem o mesmo espaço urbano, cada um destes grupos eram regidos por suas próprias leis, que proibiam inclusive os casamentos mixtos.

DSC09277OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar das diferenças culturais, estes grupos conviveram durante um tempo sem grandes conflitos. A situação mudou quando os visigodos abandonaram o Arrianismo (doutrina considerada herética pela igreja católica oficial, pois negava o dogma da Santíssima Trindade) e o Rei Recaredo se converteu ao Catolicismo no III Concílio de Toledo, realizado em 589 dC. A partir deste momento, a religiao católica passa a ser oficialmente a religião estatal, produzindo uma maior união entre os visigodos e a antiga população hispano romana, em detrimento da comunidade judaica. Severas limitações foram impostas aos judeus, como a obrigação de educar seus filhos como se fossem cristãos e a proibição de realizarem seus ritos ancestrais. Em 694 dC, durante o IV Concílio de Toledo, o Rei Égica ordenou submeter a comunidade judaica à escravidão, requisitando todos seus bens, dando-lhes apenas a alternativa à conversão ao catolicismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido a esta repressão imposta pelos governantes visigodos, algumas teorias afirmam que a comunidade judaica facilitou a conquista muçulmana a partir do século VIII, vendo estes povos como aliados diante de sua precária situação. Devido a tolerância dos muçulmanos, tanto cristãos quanto judeus puderam conservar seus costumes e tradições, pois da mesma forma que o Islamismo, o Catolicismo e o Judaísmo eram credos monoteístas e se baseavam na Bíblia, livro sagrado respeitado pelo Islã. Evidentemente, as práticas religiosas foram toleradas desde que aceitassem as leis estabelecidas pelo poder muçulmano, como a obrigação de pagar impostos e de viverem em locais separados, além da impossibilidade de ocuparem cargos de importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASe pode afirmar que enquanto durou o domínio muçulmano, as três religiões conviveram de forma pacífica, originando o título de Toledo como Cidade das Três Culturas. Os cristaos passaram ser chamados de Mozárabes e seguiram praticando seus rituais nas 6 paróquias para o culto católico espalhadas por Toledo. Os judeus aumentaram sua riqueza e ampliaram o perímetro de seu bairro. Graças a esta prosperidade, muitos judeus imigraram à cidade desde vários lugares da península e mesmo da Europa.

DSC09459Abaixo, vemos uma típica rua da Judería de Toledo….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos nomes das ruas pertencentes à Judería de Toledo recordam a presença judaica na cidade…

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Os Cobertizos de Toledo

A cidade castelhana de Toledo, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, possui um conjunto medieval de grande relevância histórica, formado por museus, igrejas, etc. Sua própria estrutura urbana impressiona por sua conservação e características, que transforma um passeio pela cidade numa constante descoberta de locais de grande beleza arquitetônica. Um destes elementos urbanos que não passam desapercebido pelo visitante disposto a explorar suas ruas, os denominados Cobertizos conformam um dos detalhes mais curiosos do centro histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Cobertizos constituem uma das estruturas arquitetônicas diferenciais de Toledo, e representam um tipo de galeria, normalmente feita de madeira, situada por encima das ruas e que conectam duas partes da mesma. Sua origem se remonta ao período árabe da cidade, e sua presença na paisagem urbana data dos séculos X e XI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente se conservam cerca de 30 cobertizos em Toledo, sendo que alguns deles possuem a função de unir edifícios situados a ambos lados da rua, pertencentes a um mesmo proprietário ou instituição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos mais conhecidos cobertizos estão relacionados a conventos, que devido a doações e aquisições de novos edifícios ao longo dos séculos, fizeram com que o tamanho útil de suas propriedades aumentasse significamente. Este tipo de cobertizos se originaram a partir do momento em que os conventos começaram a expandir suas propriedades e para que os alunos (as) internos (as) não tivessem que sair nas ruas, utilizando os cobertizos para seu deslocamento. Desta forma, podiam mover-se com mais facilidade, sem ter a necessidade de cruzar a rua constantemente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA maior parte dos cobertizos situam-se na zona conventual da cidade. Essa solução arquitetônica criava uma espécie de túnel, que converteu-se numa passagem obrigatória dos habitantes da cidade. No entanto, com o tempo começaram a aparecer transtornos derivados de sua própria constituição, como o fato de serem lugares escuros, propícios para emboscadas de bandidos, além de sujos e pouco higiênicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o aspecto interior do cobertizo acima…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1509, a Rainha Juana, apelidada “La Loca“, com a intençao de solucionar os problemas de sujeira que afetavam a saúde pública, decidiu proibir a construção de novos cobertizos e os existentes deveriam preencher um requisito relacionado à sua altura, que deveria ser maior que a de um cavalheiro sentado em seu cavalo com a lança em posição vertical, aproximadamente entre 4.5 e 5m.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra das medidas tomadas foi que os cobertizos deveriam estar iluminados as 24 horas do dia, e que os gastos de manutenção e conservação deveriam ser pagos por seu proprietário ou instituição.

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A Lonja de Valencia: Patrimônio da Humanidade

A prosperidade econômica e a estabilidade monetária alcançada por Valencia no século XV a transformou numa das maiores potências econômicas do Mediterrâneo. Este período é considerado o século de ouro da cidade no plano demográfico, cultural e artístico. Com cerca de 75 mil habitantes em 1483, converteu-se na cidade mais importante da península, através do seu grande porto marítimo e o desenvolvimento das atividades mercantis. O edifício mais importante desta época é ainda hoje um dos referentes da cidade, a Lonja dos Mercadeiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma lonja é um local de reunião de comerciantes, e a Lonja de Valencia é considerada uma das obras mais importantes da arquitetura gótica civil de toda a Europa. Simboliza a pujança e riqueza da cidade no século XV, um exemplo perfeito da Revolução Comercial que se propagou por todo o continente, além do crescimento social e o prestígio alcançado pela burguesia valenciana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcebida como um verdadeiro templo dedicado ao comércio, foi construído em apenas 15 anos, entre 1483 e 1498, pelo mestre Pere Compte. A lonja situa-se na Praça do Mercado, centro vital da cidade desde a época árabe. Nela se realizaram corridas de touros, execuções públicas, etc. Sua função de mercado data do reinado de Jaime I, mas foi com Pedro IV de Aragón que adquiriu um caráter comercial permanente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara que pudesse ser realizada sua construção, foram adquiridas e posteriormente derrubadas 25 casas. O edifício se assemelha aos castelos medievais, por seu imponente aspecto de fortaleza. A estrutura está repleta de figuras simbólicas e personagens grotescos, e somente em relação às gárgulas, se contabilizam 28 delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o Escudo do Reino de Aragón, franqueado por anjos, colocado numa das esquinas exteriores do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Lonja de Valencia consta de 4 partes. Na torre situa-se o calabouço, onde eram confinados aqueles que roubavam os comerciantes e os proprietários de estabelecimentos menos honrados…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas dependências mais espetaculares, a denominada Sala de Contrataçao deslumbra por sua beleza gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço está formado por duas fileiras de colunas helicoidais de 16 m de altura, que lhe proporcionam um aspecto semelhante a um bosque de palmeiras. Por sua vez, o teto da sala está composto por espetaculares bôvedas de crucería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, o edifício recebeu o nome de Lonja da Seda, pois nele se realizavam as transações relativas ao comércio da seda, cuja indústria era a mais potente da cidade. No século XIV, existiam muitos comerciantes que se dedicavam à sua fabricação, principalmente judeus, e mais tarde conversos, que se agruparam em 1465 numa confraria chamada “Virgem da Misericórdia“. Por este motivo encontramos uma capela a ela dedicada no interior da Lonja. O século XVIII representou o momento de maior esplendor do comércio da seda, com cerca de 25 mil pessoas que trabalhavam em sua indústria. A partir de 1790, a atividade entrou em decadência, mas a Lonja de Valencia mantêm o nome de Lonja da Seda até hoje, uma homenagem a esta indústria pioneira. A seguir, vemos o Pátio de los Naranjos (Pátio das Laranjas, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma escada situada no pátio conduz a outra dependência do edifício, a Sala do Consulado do Mar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Consulado do Mar foi uma instituição criada em 1238, onde os juízes celebravam sessões relacionadas a assuntos marítimos e mercantis. Abaixo, vemos a belíssima sala, também decorada com um magistral teto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Lonja de Valencia foi declarada Monumento Nacional em 1931, e em 1996 recebeu o título de Patrimônio da Humanidade, concedido pela Unesco, por sua importância histórica, excelente estado de conservação e exemplo único do Gótico Civil Europeu.

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