A Judería de Toledo: Parte 4

Desde suas origens, a Judería de Toledo foi um bairro residencial, pois a atividade comercial se desenvolvia no centro da cidade. Ainda que os judeus podiam viver em qualquer parte da cidade, a maioria preferiu viver na zona oeste do recinto de muralhas da cidade, no local designado à comunidade judaica durante a dominação árabe. No bairro não existia uma muralha própria que o protegesse, estando composto por ruas estreitas e sinuosas, algumas delas sem saída.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas ruas principais é a atualmente denominada Calle del Ángel, uma das artérias mais antigas de Toledo e que separava a judería com o resto da cidade. No meio da rua vemos um cobertizo, curiosas estruturas urbanas abundantes no centro histórico de Toledo (matéria publicada em 19/7/2017).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome desta rua se deve a uma pequena estátua gótica, decorada com um leão, situada na mesma. Uma lenda diz que uma dama da corte ficou doente e que um anjo lhe apareceu anunciando sua cura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Judería Toledana existiam estabelecimentos próprios para os banhos públicos e rituais (chamados Miqvés), e hoje em dia se conserva um deles na Calle del Ángel, que pode ser visitado. Infelizmente, nunca tive sorte, pois sempre que vou à cidade o encontro fechado. Este banho foi construído entre os séculos XI e XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs casas do bairro judeu, como as demais da cidade de Toledo, contava com um ou dois andares acima do térreo, além de uma parte subterrânea, aqui na Espanha denominada sótão. Normalmente, no interior das residências havia um pátio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma destas partes subterrâneas pode ser vista no Museu de El Greco, e sua estrutura lembram covas onde se instalaram armazéns de depósito e também um importante banho ritual.

DSC09382Normalmente possuíam um formato quadrado com cúpula octogonal, e podiam ser utilizados como reserva de água para os banhos ou como um local de banhos propriamente dito. Estas galerias constituem os únicos restos conservados do palácio que Samuel Leví, tesoureiro maior do Rei Pedro I, mandou construir a mediados do século XIV.

DSC09385Outra rua importante da Judería de Toledo é a atual Calle de San Juan de Dios, no século XV chamada de Calle de la Judería

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentro dos limites da Judería Medieval existiam dois castelos, os chamados velho e novo. Infelizmente se conservam apenas ruínas, e poucas as informações referentes a eles. O Castelo Velho situava-se próximo à Sinagoga de Santa María La Blanca, e atualmente no local onde se localizava existe um hotel, que exibe restos do castelo em seu interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá o Castelo Novo situava-se próximo à Ponte de San Martín, e atualmente podemos observar um muro e duas das torres da antiga fortaleza.

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A Judería de Toledo: Parte 3

Depois que a cidade de Toledo foi reconquistada pelo monarca Alfonso VI em 1086, a boa convivência entre cristãos, árabes e judeus prosseguiu. Muitos dos muçulmanos mais ricos preferiram, no entanto, mudarem-se para a Andalucia, zona que ainda era governada por dirigentes árabes. Os que permaneceram na cidade passaram a ser denominados Mudéjares, que realizaram diversas construçoes para os reis castelhanos, contribuindo para o desenvolvimento do estilo mudéjar na cidade, uma de suas principais características e o estilo por excelência encontrado em Toledo. Abaixo, vemos um exemplo deste tipo de arquitetura encontrado na Judería de Toledo, a Igreja de Santo Tomé, famosa por acolher em seu interior o famoso quadro de El Greco, “O Enterro do Senhor de Orgaz”, tema de matérias publicadas em 28/1 e 29/1/2015. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA comunidade judaica prosperou porque alguns de seus membros foram nomeados para cargos de relevância dentro da corte, como conselheiros, médicos, astrólogos, financiadores etc, concedendo importantes benefícios para a sociedade judaica. Uma das personalidades mais famosas da Judería de Toledo foi Samuel Leví, tesoureiro maior do Rei Pedro I de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASamuel Leví foi o responsável pela construção de uma das sinagogas mais importantes de Toledo no século XIV (1357), denominada Sinagoga do Trânsito. Em 1971 passou a ser sede do Museu Sefardí, e representa um exemplo vivo da passagem da comunidade judaica pela Espanha e outra amostra do Mudéjar Toledano. Abaixo, vemos uma foto exterior deste templo de visita obrigatória…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem do interior da Sinagoga do Trânsito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Judería de Toledo chegou a contar com 12 sinagogas e 5 centros de estudo, dados que refletem a importância da comunidade na cidade castelhana. A outra sinagoga que se conservou, construída no final do século XII e declarada Monumento Nacional, é a Sinagoga de Santa María La Blanca, considerada a Sinagoga Maior de Toledo (matéria publicada em 27/6/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sinagoga de Sofer constituiu outro dos templos judaicos de importância, segundo as fontes documentais. No entanto, desta sinagoga se conservam apenas ruínas, que podem ser vistas em frente à Escola de Artes e Ofícios (publicado recentemente, em 22/7/2017), junto com restos arqueológicos referentes ao sistema hidráulico de época romana. Um pequena fonte de água identifica os restos conservados e na parte subterrânea podemos ver as ruínas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém das comunidades árabes e judia, a comunidade cristã se incrementou de forma notável depois da reconquista de Toledo. Num primeiro momento, os antigos mozárabes (católicos que viveram sob o poder muçulmano) conservaram suas tradições e continuaram utilizando o idioma árabe para a escritura de documentos. Numerosos grupos chegaram à cidade oriundos do norte da península, Portugal, França e da Europa Central. Este conjunto de culturas distintas estabeleceram laços de convivência, mas eram regidos por suas próprias leis. A sexta feira, por exemplo, era o dia sagrado para os muçulmanos, o sábado para os judeus e o domingo para os católicos. Seus rituais eram diferentes, e sua forma de vestir e de se alimentar também. Apesar disso, os membros das três culturas passeavam pelas mesmas ruas, compravam nos mesmos estabelecimentos comerciais, existindo relações de amizade e amor entre eles. É neste período em que se manifesta o auge cultural da cidade, culminando na fundação da famosa Escola de Tradutores de Toledo pelo Rei Alfonso X “El Sábio” (reinou entre 1241 e 1264), uma instituição na qual se reunia os grandes sábios das três comunidades. Foram eles que realizaram a tradução do árabe e do hebreu para o latim das grandes obras filosóficas e científicas da antiguidade clássica. Também nesta época se completa a configuração urbana herdada dos árabes, formada por um labirinto de ruas com construções mudéjares que propiciaram uma certa uniformidade à paisagem de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Porta del Cambrón, considerada a porta de acesso à Judería de Toledo. De origem muçulmana (séculos X e XI), seu nome se deve à presença no local de plantas espinhosas denominadas cambroneras, mas sempre foi conhecida como a Porta dos Judeus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu aspecto atual é o resultado de reformas realizadas entre 1572 e 1577 durante o reinado de Felipe II, quando foi rebatizada como Porta de Santa Leocádia, padroeira da cidade, cuja imagem preside a porta, debaixo do escudo de Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto da parte externa da Porta del Cambrón

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A Judería de Toledo: Parte 2

Na matéria de hoje, veremos um pouco da histórica presença da comunidade judaica na Espanha, durante as várias etapas por qual passou o país, e as relações travadas com os diversos povos que governaram o território durante mais de mil anos. As fotos publicadas foram tiradas na Judería de Toledo. Parece que os judeus se assentaram em grande número na Europa Ocidental a partir do século III dC. Os primeiros textos que comentam a presença da comunidade judaica na Península Ibérica datam do século II aproximadamente, quando muitos judeus foram vendidos como escravos a famílias romanas assentadas em Hispania. Muitos outros chegaram à Europa depois da expulsão dos judeus de Jerusalém por parte do Imperador Vespasiano e de seu filho Tito, ocorrida logo após a destruição do Templo de Salomão em 70 dC. Em território espanhol, a sinagoga mais antiga, encontrada em Elche, data do século IV dC. Também desta época é o testemunho mais antigo da presença judaica em Toledo, uma lâmpada decorada com um Menorah.

DSC09446Toledo é uma cidade historicamente conhecida pela tolerância em relação a povos de outras culturas. Sua origem se remonta ao período visigodo, entre os séculos VI e VII, quando foi a capital do Reino, na qual coexistiram três sociedades culturalmente distintas: a Visigoda, cujos reis eram adeptos do Arrianismo, a comunidade Hispano-Romana, que representava a maior parte da população, que eram católicos, e a judaica, que viviam num bairro próprio, embrião do que mais tarde seria a Judería de Toledo. Apesar de ocuparem o mesmo espaço urbano, cada um destes grupos eram regidos por suas próprias leis, que proibiam inclusive os casamentos mixtos.

DSC09277OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar das diferenças culturais, estes grupos conviveram durante um tempo sem grandes conflitos. A situação mudou quando os visigodos abandonaram o Arrianismo (doutrina considerada herética pela igreja católica oficial, pois negava o dogma da Santíssima Trindade) e o Rei Recaredo se converteu ao Catolicismo no III Concílio de Toledo, realizado em 589 dC. A partir deste momento, a religiao católica passa a ser oficialmente a religião estatal, produzindo uma maior união entre os visigodos e a antiga população hispano romana, em detrimento da comunidade judaica. Severas limitações foram impostas aos judeus, como a obrigação de educar seus filhos como se fossem cristãos e a proibição de realizarem seus ritos ancestrais. Em 694 dC, durante o IV Concílio de Toledo, o Rei Égica ordenou submeter a comunidade judaica à escravidão, requisitando todos seus bens, dando-lhes apenas a alternativa à conversão ao catolicismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido a esta repressão imposta pelos governantes visigodos, algumas teorias afirmam que a comunidade judaica facilitou a conquista muçulmana a partir do século VIII, vendo estes povos como aliados diante de sua precária situação. Devido a tolerância dos muçulmanos, tanto cristãos quanto judeus puderam conservar seus costumes e tradições, pois da mesma forma que o Islamismo, o Catolicismo e o Judaísmo eram credos monoteístas e se baseavam na Bíblia, livro sagrado respeitado pelo Islã. Evidentemente, as práticas religiosas foram toleradas desde que aceitassem as leis estabelecidas pelo poder muçulmano, como a obrigação de pagar impostos e de viverem em locais separados, além da impossibilidade de ocuparem cargos de importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASe pode afirmar que enquanto durou o domínio muçulmano, as três religiões conviveram de forma pacífica, originando o título de Toledo como Cidade das Três Culturas. Os cristaos passaram ser chamados de Mozárabes e seguiram praticando seus rituais nas 6 paróquias para o culto católico espalhadas por Toledo. Os judeus aumentaram sua riqueza e ampliaram o perímetro de seu bairro. Graças a esta prosperidade, muitos judeus imigraram à cidade desde vários lugares da península e mesmo da Europa.

DSC09459Abaixo, vemos uma típica rua da Judería de Toledo….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos nomes das ruas pertencentes à Judería de Toledo recordam a presença judaica na cidade…

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Os Cobertizos de Toledo

A cidade castelhana de Toledo, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, possui um conjunto medieval de grande relevância histórica, formado por museus, igrejas, etc. Sua própria estrutura urbana impressiona por sua conservação e características, que transforma um passeio pela cidade numa constante descoberta de locais de grande beleza arquitetônica. Um destes elementos urbanos que não passam desapercebido pelo visitante disposto a explorar suas ruas, os denominados Cobertizos conformam um dos detalhes mais curiosos do centro histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Cobertizos constituem uma das estruturas arquitetônicas diferenciais de Toledo, e representam um tipo de galeria, normalmente feita de madeira, situada por encima das ruas e que conectam duas partes da mesma. Sua origem se remonta ao período árabe da cidade, e sua presença na paisagem urbana data dos séculos X e XI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente se conservam cerca de 30 cobertizos em Toledo, sendo que alguns deles possuem a função de unir edifícios situados a ambos lados da rua, pertencentes a um mesmo proprietário ou instituição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos mais conhecidos cobertizos estão relacionados a conventos, que devido a doações e aquisições de novos edifícios ao longo dos séculos, fizeram com que o tamanho útil de suas propriedades aumentasse significamente. Este tipo de cobertizos se originaram a partir do momento em que os conventos começaram a expandir suas propriedades e para que os alunos (as) internos (as) não tivessem que sair nas ruas, utilizando os cobertizos para seu deslocamento. Desta forma, podiam mover-se com mais facilidade, sem ter a necessidade de cruzar a rua constantemente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA maior parte dos cobertizos situam-se na zona conventual da cidade. Essa solução arquitetônica criava uma espécie de túnel, que converteu-se numa passagem obrigatória dos habitantes da cidade. No entanto, com o tempo começaram a aparecer transtornos derivados de sua própria constituição, como o fato de serem lugares escuros, propícios para emboscadas de bandidos, além de sujos e pouco higiênicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o aspecto interior do cobertizo acima…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1509, a Rainha Juana, apelidada “La Loca“, com a intençao de solucionar os problemas de sujeira que afetavam a saúde pública, decidiu proibir a construção de novos cobertizos e os existentes deveriam preencher um requisito relacionado à sua altura, que deveria ser maior que a de um cavalheiro sentado em seu cavalo com a lança em posição vertical, aproximadamente entre 4.5 e 5m.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra das medidas tomadas foi que os cobertizos deveriam estar iluminados as 24 horas do dia, e que os gastos de manutenção e conservação deveriam ser pagos por seu proprietário ou instituição.

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A Lonja de Valencia: Patrimônio da Humanidade

A prosperidade econômica e a estabilidade monetária alcançada por Valencia no século XV a transformou numa das maiores potências econômicas do Mediterrâneo. Este período é considerado o século de ouro da cidade no plano demográfico, cultural e artístico. Com cerca de 75 mil habitantes em 1483, converteu-se na cidade mais importante da península, através do seu grande porto marítimo e o desenvolvimento das atividades mercantis. O edifício mais importante desta época é ainda hoje um dos referentes da cidade, a Lonja dos Mercadeiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma lonja é um local de reunião de comerciantes, e a Lonja de Valencia é considerada uma das obras mais importantes da arquitetura gótica civil de toda a Europa. Simboliza a pujança e riqueza da cidade no século XV, um exemplo perfeito da Revolução Comercial que se propagou por todo o continente, além do crescimento social e o prestígio alcançado pela burguesia valenciana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcebida como um verdadeiro templo dedicado ao comércio, foi construído em apenas 15 anos, entre 1483 e 1498, pelo mestre Pere Compte. A lonja situa-se na Praça do Mercado, centro vital da cidade desde a época árabe. Nela se realizaram corridas de touros, execuções públicas, etc. Sua função de mercado data do reinado de Jaime I, mas foi com Pedro IV de Aragón que adquiriu um caráter comercial permanente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara que pudesse ser realizada sua construção, foram adquiridas e posteriormente derrubadas 25 casas. O edifício se assemelha aos castelos medievais, por seu imponente aspecto de fortaleza. A estrutura está repleta de figuras simbólicas e personagens grotescos, e somente em relação às gárgulas, se contabilizam 28 delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o Escudo do Reino de Aragón, franqueado por anjos, colocado numa das esquinas exteriores do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Lonja de Valencia consta de 4 partes. Na torre situa-se o calabouço, onde eram confinados aqueles que roubavam os comerciantes e os proprietários de estabelecimentos menos honrados…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas dependências mais espetaculares, a denominada Sala de Contrataçao deslumbra por sua beleza gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço está formado por duas fileiras de colunas helicoidais de 16 m de altura, que lhe proporcionam um aspecto semelhante a um bosque de palmeiras. Por sua vez, o teto da sala está composto por espetaculares bôvedas de crucería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, o edifício recebeu o nome de Lonja da Seda, pois nele se realizavam as transações relativas ao comércio da seda, cuja indústria era a mais potente da cidade. No século XIV, existiam muitos comerciantes que se dedicavam à sua fabricação, principalmente judeus, e mais tarde conversos, que se agruparam em 1465 numa confraria chamada “Virgem da Misericórdia“. Por este motivo encontramos uma capela a ela dedicada no interior da Lonja. O século XVIII representou o momento de maior esplendor do comércio da seda, com cerca de 25 mil pessoas que trabalhavam em sua indústria. A partir de 1790, a atividade entrou em decadência, mas a Lonja de Valencia mantêm o nome de Lonja da Seda até hoje, uma homenagem a esta indústria pioneira. A seguir, vemos o Pátio de los Naranjos (Pátio das Laranjas, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma escada situada no pátio conduz a outra dependência do edifício, a Sala do Consulado do Mar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Consulado do Mar foi uma instituição criada em 1238, onde os juízes celebravam sessões relacionadas a assuntos marítimos e mercantis. Abaixo, vemos a belíssima sala, também decorada com um magistral teto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Lonja de Valencia foi declarada Monumento Nacional em 1931, e em 1996 recebeu o título de Patrimônio da Humanidade, concedido pela Unesco, por sua importância histórica, excelente estado de conservação e exemplo único do Gótico Civil Europeu.

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Convento de Santa Teresa: Ávila

Neste último post sobre a cidade de Ávila, veremos o Convento de Santa Teresa, outro lugar fundamental associado à sua vida. Foi levantado sobre a casa natal da santa no primeiro terço do século XVII, alguns anos após sua morte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento foi construído pelo Carmelita Descalço Fray Alonso de San José entre 1629 e 1636. Ambas datas sao simbólicas. A primeira pedra de sua construção foi colocada em 19/3/1629, dia de San José, e o convento foi consagrado em 15/10/1636, dia de Santa Teresa, que já tinha sido canonizada.

dsc00168Desde sua inauguração, foi severamente criticado, pois sua fachada ostentava uma riqueza decorativa que nao tinha nada que ver com a forma de vida levada pela santa. Na parte inferior da fachada se abriu uma galeria composta por 3 arcos de meio ponto. Logo acima, se colocou uma imagem da santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Ávila, o convento é conhecido como a “Igreja da Santa“, constituindo a residência das Carmelitas Descalças na cidade natal de sua fundadora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja está formado por 3 naves. O altar maior ocupa parte do espaço onde antes se encontrava sua casa. O pai de Santa Teresa, devido a problemas econômicos, decidiu vender a residência familiar. Tempos depois, a Ordem das Carmelitas Descalças adquiriu o imóvel, com a intenção de erguer um convento em homenagem à santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um retábulo com freiras e frades carmelitas na parte inferior, e Santa Teresa escrevendo sua obra literária, em sua parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJunto ao Presbitério se encontra o local mais importante do conjunto, a Capela do Nascimento, que coincide com o local onde veio ao mundo Santa Teresa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço está presidido por um retábulo com uma imagem de Santa Teresa, esculpida pelo maior escultor do Barroco Espanhol, Gregório Fernández, que viveu nos anos imediatos à morte da santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA imagem retrata a santa comovida ante o sofrimento de Cristo, reproduzindo a visão que ela teve num dos locutórios do Monastério de la Encarnación.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas partes laterais da capela, foram pintados quadros que representam os principais episódios de sua vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém encontramos um espaço onde se reproduz como deveria ter sido o quarto onde nasceu a santa, com uma inscrição em que D.Alonso, seu pai, comenta o nascimento da famosa filha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVestígios de sua casa podem ser vistos na cripta. A partir da década de 80 do século passado, seu enorme espaço foi transformado em outro museu dedicado à vida e obra de Santa Teresa. Lamentavelmente as fotos estão proibidas, e vale muito a pena conhecê-lo. Finalizamos a matéria com uma foto que mostra a entrada ao museu.

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Monastério de la Encarnación: Ávila

O Monastério de la Encarnación é um lugar de visita obrigatória para as pessoas que desejam realizar o itinerário turístico existente em Ávila, relacionado com a vida de Santa Teresa. Nele, a santa viveu 30 anos, dos quais 27 como freira e posteriormente 3 anos em que exerceu o cargo de Priora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPrimeira comunidade feminina da Ordem das Carmelitas em Ávila, o Monastério de la Encarnación foi fundado em 1479 por um desejo de D.Elvira González de Medina. Inicialmente situado em residências nobres, foi levado ao local atual em 4 de Abril de 1515, no mesmo dia em que Santa Teresa foi batizada na Igreja de San Juan Bautista. Durante muitos anos, tornou-se o monastério preferido pelas famílias da nobreza, chegando a contar com 200 freiras em 1565. Foi neste momento quando passou por dificuldades econômicas, por não poder alimentar a todas elas com o monastério ainda em construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando foi fundado, a instituição era uma espécie de casa de oração, um Beatério, para mulheres solteiras, viúvas, ou em situação de desamparo. Não constituía ainda um monastério ou convento, pois não pertencia a nenhuma ordem religiosa. Adotou a Regra Carmelita em 1515, ano de nascimento de Santa Teresa. Este lugar transformou-se num local simbólico, pois nele Santa Teresa realizou a Reforma Carmelita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASanta Teresa nele ingressou em 1535, quando tinha 20 anos de idade. Entre 1571 e 1574 tornou-se sua Priora. Seu estado atual pouco mudou desde que nele viveu a santa. O melhor de tudo é que o monastério é visitável, sendo que seu museu conta com diversas lembranças materiais da época de Santa Teresa e várias relíquias, como uma parte do seu braço.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um pedaço de madeira que Santa Teresa usava como uma espécie de almofada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Monastério de la Encarnación Santa Teresa viveu suas experiências religiosas mais intensas, e muito dos quadros e pinturas conservadas  retratam suas vivências místicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa escada principal, que vemos abaixo, a santa encontrou-se com o Menino Jesus

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério conserva 3 locutórios, espaços sagrados que foram testemunhos dos momentos místicos da santa. Em um deles, teve a visão de Cristo preso à coluna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConserva sua cela original e a chave da mesma, onde experimentou a “Transverberación“, quando foi atingida pelo “fogo divino”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o quadro doado por D.Alonso, pai da santa, quando sua filha ingressou no monastério. Este quadro representa o encontro de Jesus com a Samaritana, episódio bíblico que Santa Teresa tinha especial devoção. Devido as dificuldades econômicas por que passava sua família na época, seu pai em vez de realizar doações em dinheiro, decidiu fazê-lo com obras de arte, como esta que decorava sua casa natal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1628, o Bispo de Ávila Francisco Márquez Gaceta ordenou que a cela da santa fosse transformada na Capela da Transverberación, o momento espiritual mais transcendental de sua vida. Abaixo, vemos outras dependências do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de la Encarnación também está ligado à figura de San Juan de la Cruz, que nele viveu entre  1573 e 1577. Este grande poeta místico colaborou de forma decisiva na Reforma Carmelita, pois enquanto a santa fundou Conventos Femininos da Ordem das Carmelitas Descalças, San Juan de la Cruz foi o responsável pela fundação de Conventos Masculinos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos apreciar também uma bela coleção de instrumentos antigos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1562, Santa Teresa saiu do Monastério de la Encarnación e fundou o Convento de San José de Ávila, o primeiro da Ordem das Carmelitas Descalças na Espanha. Posteriormente, regressa ao monastério, já como Priora. A visita do Papa João Paulo II em 1982 representou um momento auge na vida deste espaço sagrado, um dos referentes de todo o mundo em relação à Ordem do Carmelo.

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