Santo Domingo de Guzmán

Finalizo os posts sobre Caleruega com uma matéria sobre seu filho mais ilustre, Santo Domingo de Guzmán (Sao Domingos de Gusmão, em português), fundador da Ordem Dominicana, também denominada Ordem dos Predicadores, de grande importância na história do Cristianismo. Em frente ao Real Monastério de Santo Domingo de Caleruega existe um monumento em sua homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASanto Domingo nasceu neste povoado em 1170 e faleceu com 51 anos de idade, na cidade italiana de Bolonha, em 1221. Filho de Félix Nuñez de Guzmán (conhecido como o Venerável Félix) e Juana Garcés (também chamada de Santa Juana de Aza, beatificada em 1828), teve dois irmãos maiores, Antonio e o Beato Manés, considerado um dos primeiros beatos dominicano. Abaixo, vemos sua família num mosaico situado no interior do Real Monastério de Santo Domingo de Caleruega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASanto Domingo foi batizado na Igreja Paroquial de Caleruega, que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Pia Batismal desta igreja foi levada ao Monastério de Santo Domingo El Real de Madrid, onde todos os membros da Família Real Espanhola são batizados. Abaixo, vemos o monastério na capital e a famosa Pia Batismal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASanto Domingo recebeu uma cuidada educação moral e cultural. Ao descobrir sua vocação missionária, foi predicar a doutrina católica aos cátaros em 1206, que professavam uma corrente cristã considerada herética pelo catolicismo oficial, iniciando desta forma o movimento dos predicadores. Neste ano, estabeleceu no sul da França sua primeira instituição religiosa feminina e, em 1215, a primeira fundação masculina. Também neste ano chega a Roma para assistir o Quarto Concilio de Letrán e solicitar ao Papa a aprovação de sua ordem como nova instituição religiosa. Para sua criação, escolhe a regra de Santo Agostinho, e em 22/12/1216 recebeu do Papa Honorio III a bula “Religiosam Vitam“, conformando a fundaçao da Ordem dos Predicadores. Abaixo, vemos uma escultura gótica do santo (1380/1410), feita de alabastro (Monastério de Santo Domingo de Caleruega).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFaleceu em 1221 no Convento Dominicano da cidade de Bolonha, e seus restos encontram-se enterrados na Basílica de Santo Domingo desta cidade italiana. Foi canonizado em 1234 pelo Papa Gregório IX. São Domingos, capital da República Dominicana, leva este nome em homenagem ao santo de Caleruega. A seguir, vemos outra escultura de Santo Domingo, datada de 1500 (Real Monastério de Santo Domingo de Caleruega).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma lenda a ele associada diz que o santo teve uma visão da Virgem com um rosário, ensinando-lhe como rezá-lo, ordenando-o para que difundisse a doutrina católica pelo mundo. Apesar de que o rosário fosse conhecido desde o século IX, o santo espanhol teve um papel fundamental na difusão do rosário, outorgando-lhe uma finalidade evangelizadora. Abaixo, vemos uma pintura do santo, do século XVII…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das representações artísticas mais comuns do santo é a do cão com uma tocha na boca. Segundo a tradição, sua mãe, Santa Juana de Aza, antes do nascimento do filho, teve um sonho em que um cachorro saía de seu ventre, com uma tocha acesa na boca. Incapaz de compreender seu significado, decidiu buscar a Santo Domingo de Silos, fundador do famoso monastério beneditino situado próximo a Caleruega, realizando uma peregrinação a dita instituição. Ali finalmente compreendeu o sonho, e seu filho seria o responsável por difundir o “fogo” de Jesus Cristo ao redor do mundo através da predicação. Em outro mosaico do Real Monastério de Santo Domingo de Caleruega podemos ver o episódio….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm agradecimento ao santo de Silos, a Beata Juana colocou o nome de Domingo ao seu filho, um nome apropriado pois se origina do latim “Dominicus“, que significa “Do Senhor“. Deste nome se originou a palavra “Dominicanus“, a denominação da ordem fundada pelo santo, um composto de “Dominus” e “Canis“, que significa “Cão do Senhor“. Na sacristia do Real Monastério de Caleruega se conservam dois sepulcros com os restos de seu irmão Antonio e de Félix de Guzmán, pai do santo, que vemos na foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm outras representações, Santo Domingo de Guzmán aparece segurando a Bíblia, fonte de predicação, ou com uma igreja na mão, que representa a Igreja Universal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHistóricamente, a Ordem Dominicana teve um papel preponderante, e nos últimos 900 anos, 4 papas pertenceram a ela, além de quase 3 mil cardeais e bispos. Muitos dos principais santos dominicanos desempenharam um relevante papel na arte, literatura e da filosofia. Entre alguns dos mais importantes, citamos: San Vicente Ferrer (1350/1419), predicador e filósofo, a mística Santa Catalina de Siena (1347/1380), Santo Tomás de Aquino (1225/1274), autor da “Suma Teológica” e principal representante da Escolástica, San Luís Beltrán (1526/1581), um dos primeiros missioneiros do continente americano, e Rosa de Lima (1586/1617), exemplo de vida religiosa na América Latina. Depois da descoberta da América, vários frades dominicanos defenderam o apoio aos direitos indígenas, como o espanhol Bartolomé de las Casas (1486/1566). A seguir, vemos um quadro com personagens relevantes da Ordem Dominicana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a Ordem Dominicana está formada por cerca de 160 mil membros, dos quais 6 mil frades espalhados por 88 países continuam exercendo a obra predicadora do santo de Caleruega.

Reus Modernista – Pere Caselles (Última Parte)

O extenso e variado legado do arquiteto modernista Pere Caselles i Tarrats em Reus incluiu não somente belos edifícios residenciais, como também muitas outras obras públicas. Neste último post sobre sua obra, veremos algumas delas. A Igreja de Sant Joan Baptista foi construída a partir de 1912 no estilo neogótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja permaneceu inacabada. Durante a Guerra Civil Espanhola, o templo foi queimado, motivo pelo qual teve que ser reconstruída nos anos 40 do século XX. Abaixo, vemos o projeto original do arquiteto para sua fachada principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior, apesar das circunstâncias históricas, é muito interessante, como podemos observar nas fotos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja conserva belos vitrais, como vemos no detalhe a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPere Caselles incorporou o estilo modernista na arquitetura industrial. Em 1906, executou o projeto de uma Estação Enológica, criada no ano anterior por decreto real. Inicialmente foi pensada como uma Escola Nacional de Agricultura, com o tempo passou a ser usada como um local para o desenvolvimento de técnicas para a obtenção do vinho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO andar térreo foi destinado a oficinas, enquanto no primeiro andar situava-se a residência do engenheiro responsável e no andar superior para os demais funcionários. Em sua fachada foi colocada uma torre com finalidade não somente estética, mas devido a necessidade de poder abrigar instrumentos de observaçao metereológica. Em sua parte decorativa, vemos capitéis decorados com frutas, uma referência ao uso agrícola do local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo a este edifício Pere Caselles projetou o Matadouro em 1889, também com elementos modernistas. Atualmente é a sede de uma Biblioteca Pública e da Universidade Obreira da Catalunha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe grande interesse, a Escola Prat de la Riba constitui um exemplo da modernização do ensino através do desenho arquitetônico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto desta instituiçao reflete o interesse pelas correntes higiênicas presentes na reforma educacional da época, com ambientes frescos propiciados pela constante renovação do ar, além de espaços bem iluminados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte exterior foi construída com materiais resistentes e de fácil manutenção, como a pedra e o tijolo. Nela aparecem como elementos decorativos o Escudo da Catalunha, na imagem acima, e o da Espanha, sustentados por dois leões, prova de que o edifício foi financiado pelo estado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARepresentações florais geometrizadas em pedra também integram sua decoração, como se fossem os capitéis dos pilares construtivos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma série de painéis decorativos feitos de cerâmica completam o conjunto, com desenhos azuis sobre fundo branco que retratam episódios do Novo Testamento relacionados à infância. Foram realizados por Francesc Labarta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA escola continua exercendo seu papel educacional ainda hoje…

Reus Modernista – Pere Caselles (Parte 2)

Neste segundo post sobre a obra arquitetônica de Pere Caselles i Tarrats, veremos outros edifícios projetados por ele em Reus, que integram o invejável patrimônio modernista da cidade. De 1905, a Casa Anguera destaca por sua esbelta decoração floral, recentemente restaurada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste edifício constitui a única obra de Pere Caselles em que os elementos decorativos possuem um caráter basicamente escultural. Os esgrafiados também possuem motivos florais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1908, o arquiteto realizou a Casa Sagarra, com uma decoração que inclui esgrafiados, a presença de animais fantásticos, motivos vegetais e bustos femininos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1909, a Casa Tomàs Jordi destaca por seu belo trabalho de ferro forjado nos balcões. Os elementos decorativos foram realizados com pedra natural, incluindo rosas (que aparecem no escudo da cidade) e rostos femininos, tipicamente modernistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs três janelas de cada andar do edifício coincidem com as três portas do andar térreo, facilitando a entrada de luz natural. Abaixo, detalhes decorativos do edifício…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASituada na importante Plaza del Mercadal, a Casa Piñol foi construída em 1910. O edifício foi propriedade do comerciante Tomás Piñol Gasull, sócio fundador da Sociedade Manicômio de Reus, promotora da construção do Instituto Pere Mata. Sua decoração se concentra nos balcões e no coroamento da fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs elementos decorativos florais ganham em complexidade na medida em que o edifício aumenta sua altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém construída em 1910, a Casa Grau Pla recebeu uma grande influência do modernismo belga, graças a viagem que o proprietário Miguel Grau Cabré realizou a Bruxelas. Apresenta uma interessante decoração floral, além das linhas curvas do edifício em sua parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro edifício realizado pelo arquiteto Pere Caselles que recorda o modernismo do centro da Europa, a Casa Ramon Vendrell foi concluída em 1912. O proprietário, Jaume Ramon, encarregou o arquiteto a reforma de duas casas vizinhas, transformando-a em uma só. Sua decoração concentra-se nos andares superiores, com rostos femininos e as formas habituais do estilo modernista de Viena nos cabelos.

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Reus Modernista – Pere Caselles

A Rota Modernista de Reus está formada por dezenas de edifícios de grande interesse artístico. A maior parte deles foram projetados pelo arquiteto nascido na cidade Pere Caselles i Tarrats (1864/1936). Este arquiteto municipal recebeu uma grande influência de Lluís Domènech i Montaner, com quem colaborou no Instituto Pere Mata, aprendendo com ele as técnicas modernistas. Numa série de três posts veremos os principais edifícios da cidade que foram projetados por Pere Caselles. Em 1893 realizou o projeto da Casa Homedéu, que corresponde à arquitetura neogótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA utilização de elementos medievais neste edifício constituiu uma ruptura com a arquitetura até então estabelecida. Possui uma ampla decoração com destaque para sua tribuna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1896, a Casa Sardà foi construída para o escritor Romano Sardà. Além dos elementos neogóticos, Pere Caselles inclui também neste edifício características da arquitetura mudéjar. Vemos nos balcões do edifício o habitual trabalho de ferro forjado com formas típicas do Modernismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1900, Pere Caselles projetou a Casa Punyed. Da mesma forma que os edifícios anteriores, o arquiteto recorreu aos elementos medievais próprios do início de sua carreira, graças a influência exercida por Lluís Domènech i Montaner.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste belíssimo edifício conta com uma excepcional decoração feita de pedra. Na planta superior aparece o Escudo da Catalunha, o que demonstra uma vez mais a relação do modernismo com o sentimento nacionalista desta comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAElementos vegetais, rostos humanos e animais fantásticos completam sua decoração. Durante anos funcionou no andar térreo uma farmácia chamada Punyed, que acabou dando o nome ao edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1901 é a Casa Querol, situada numa das vias comerciais mais importantes de reus, a Carrer de Llovera. Sua decoração inclui motivos esgrafiados com a representação do Escudo de Reus, uma rosa, e o do proprietário, Fernan de Querol, um escritor que ocupou cargos políticos na Catalunha, como de Prefeito de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta construção impulsionou uma importante renovação arquitetônica desta rua, uma das principais da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra contribuição relevante de Pere Caselles para a arquitetura modernista de Reus é a Casa Munné, de 1904. O eixo principal do edifício está marcado por uma bela tribuna em sua esquina, de formato octogonal, e realizada com ferro e vidro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComo nos demais edifícios da Rota Modernista de Reus, foi colocada na frente do edifício uma placa de bronze com seu nome, ano em que foi construído e o arquiteto responsável, para sua devida identificação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém de 1904, a Casa Laguna situa-se em outra rua importante, a Carrer de Monterols. Nela destaca o papel da cerâmica como elemento decorativo, combinando diferentes técnicas como o Trencadís, que se tornaria famoso através da obra de Gaudí. O resultado é um rico conjunto cromático e de textura em sua fachada.

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Antonio Mingote – Madrid (Parte 2)

Neste segundo e último post sobre o desenhista Antonio Mingote, veremos o legado deixado pelo artista na cidade de Madrid. Por exemplo, na Calle Duquesa de Osuna, em 1993, Mingote realizou a decoração dos balcões de um edifício, com personagens que nos mostram várias situações cotidianas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua obra pode ser admirada na Estação do Metrô do Retiro, que permite o acesso público ao famoso Parque do Retiro. Seus desenhos foram utilizados para decorar a plataforma da estação com azulejos, retratando cenas dentro do parque carregadas de grande humor e ironia, elementos essenciais de seu trabalho como humorista gráfico.

20190715_10335820190715_103305Mingote adorava passear pelo parque, e logo depois de decorar a estação em 1987, recebeu o título de Alcalde Honorífico do Parque do Retiro e a Medalha de Ouro da Comunidade de Madrid. Abaixo, vemos o diploma que lhe outorgava tal distinção, que pude fotografar durante a exposição em sua homenagem no Museu de História de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentro do Parque do Retiro foi colocado um busto de Antonio Mingote, esculpido pela artista Alicia García Huertas

20160528_112028Outro mural realizado por ele podemos ver na Calle de la Sal, junto à Plaza Mayor de Madrid. Pintado em 2001, o mural retrata cenas da famosa novela “Fortunata y Jacinta“, do escritor Benito Pérez Galdós

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua obra está relacionada também com os chamados Comércios Históricos de Madrid, aqueles estabelecimentos comerciais com mais de 100 anos prestando serviços à comunidade. Integram o patrimônio histórico da cidade, e a Prefeitura de Madrid decidiu no início do século XXI homenageá-los. Encarregou a Mingote o desenho de uma placa comemorativa, para que fosse colocada na calçada em frente ao estabelecimento histórico. Hoje em dia vemos centenas destas placas espalhadas, e a primeira foi outorgada em 2006 ao tradicional Restaurante Lhardy, fundado em 1839. Abaixo vemos o desenho de Mingote e uma foto do restaurante…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA20190724_172828Outro comércio histórico, uma antiga fábrica de relógios situada em frente ao mural da Calle de la Sal, recorreu a uma estratégia interessante ao colocar um boneco que realiza movimentos simulando o concerto de relógios. Em determinadas horas do dia, podemos ver este singelo e bonito artifício publicitário. O desenho foi feito, é claro, por Antonio Mingote

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Plaza de las Cortes, impressiona pela beleza de sua fachada o edifício de seguros da Companhia Plus Ultra, construído no início do século XX. Tornou-se famoso graças a um carrilhão (carrillón, em espanhol) que em determinados horários do dia (12hs/15hs/18hs e 20 hs) podemos apreciar. Pela janela da fachada central do edifício saem 5 bonecos que representam personagens emblemático da cultura espanhola. Da esquerda para direita aparecem: o famoso toureiro Pedro Romero, uma Maja madrilenha (no século XIX eram as mulheres bonitas que se vestiam com trajes vistosos e que utilizavam um vocabulário tradicional dos bairros populares), o Rei Carlos III com uma espingarda, a Duquesa de Alba e o pintor Francisco de Goya.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACada personagem realiza movimentos simples que o caracterizam, ao som de uma música tocada pelo total de 18 sinos situados a cada lado do relógio. Dependendo do horário, são diferentes as músicas que escutamos. Os bonecos foram construídos por uma empresa especializada da Holanda e o carrilhão foi inaugurado em 1993 pela Infanta Pilar de Borbón, Duquesa de Badajoz. Os desenhos originais dos bonecos foram realizados por Mingote. Abaixo, vemos os bonecos em miniatura, também fotografados na exposição a ele dedicada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo vídeo abaixo, vocês poderão assistir a uma “apresentação” do carrilhão. Com ele, finalizo esta matéria sobre Antonio Mingote, convidando a todos (as) que venham a Madrid e ver ao vivo sua importante obra artística….

Antonio Mingote – Madrid

Além do patrimônio histórico e cultural da Espanha, sempre que possível publico matérias sobre os personagens que colaboraram para seu desenvolvimento, muitos dos quais desconhecidos além da fronteira espanhola. Fazia tempo que almejava publicar um post em homenagem a Antonio Mingote (1919/2012), que com seus desenhos transformou a paisagem urbana de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMeu desejo concretizou-se com uma exposição a ele dedicado, no ano do centenário de seu nascimento, realizada no Museu de História de Madrid, denominada “Madrid se escreve com M de Mingote“. Abaixo, vemos este imprescindível museu da cidade e o cartaz publicitário da exposição…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntonio Mingote, membro da Real Academia Espanhola, foi um cartunista, escritor e jornalista espanhol. Apesar de ter nascido em Sitges, na Província de Barcelona, deixou um legado artístico relacionado com a cidade de Madrid, onde faleceu em 2012, com 93 anos de idade. Aprendeu a desenhar de forma autodidata, iniciando sua carreira de humorista gráfico em 1946. Devido a sua intensa atividade neste campo e a qualidade artística dos desenhos, foi reconhecido não somente na Espanha, como também em diversas partes do mundo. Suas ilustrações foram reproduzidas em meios de comunicação de prestígio internacional, como o New York Times, entre outros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1948 publicou sua primeira novela, “Las Palmeras de Cartón“, e em 1953 iniciou uma colaboração com o Diário ABC, que continuou até seu falecimento em 2012. Também escreveu roteiros para o cinema e séries de televisão. De grande interesse foram os livros de divulgação histórica que publicou, como “História de Madrid“, escrito em 1961.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa exposição podemos admirar a maior parte dos desenhos originais que ilustram o livro. De um total de 185 ilustrações, foram expostas no museu 125, constituindo uma maneira divertida para compreender a história da cidade, criadas com o humor característico do artista. Seu estilo está impregnado de sutilezas e ironia, além da sensibilidade social. Aproveito para publicar alguns deles, como o desenho em que arqueólogos tentam decifrar a origem da cidade de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro desenho curioso revela o apelido como são conhecidos os nascidos em Madrid, “Gatos“. A origem deste nome se remonta a época da Reconquista de Madrid pelo Rei Alfonso VI no final do século XI. Fundada pelos muçulmanos no século IX, durante pouco mais de dois séculos Madrid foi uma cidade islâmica. Se diz que quando a cidade foi conquistada pelo monarca castelhano, um de seus soldados começou a escalar a muralha árabe de 12 m de altura com tamanha agilidade e destreza, que o rei afirmou que mais parecia a um “gato“. A partir de então, todos começaram a chamá-lo de gato, assim como a todos os membros de sua família. Inclusive, parece que mudou seu sobrenome, incluindo seu novo apelido, que com o passar do tempo tornou-se ilustre em Madrid. Sua família ostentou um escudo de armas no qual aparecia um punhal (utilizado pelo soldado para escalar a muralha) e um muro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO soldado tornou-se tão famoso que, com o tempo, o termo “gato” identificava a qualquer pessoa valente de Madrid. Posteriormente, passou a ser relacionada a qualquer pessoa nascida na cidade. Abaixo, vemos a antiga muralha islâmica de Madrid, situada aos pés de sua bela catedral…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra teoria diz que o apelido “gato” se refere ao hábito dos nascidos na cidade de sair à noite, como os pequenos felinos…Na realidade, atualmente se consideram “gatos” autênticos aquelas pessoas cujos pais e avós, tanto maternos quanto paternos, tenham nascido em Madrid. Ou seja, cada vez se torna mais difícil encontrar um gato genuíno pela cidade…Abaixo, vemos outro desenho, em que Mingote retrata o “jogo de domingo” na Idade Média

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMadrid no ano 1500, com vistas da muralha árabe, e o antigo Alcázar, a fortaleza de origem islâmica que se incendiou em 1734, sendo substituído pelo atual Palácio Real de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO êxodo rural que multiplicou a população da cidade, depois de tornar-se capital da Espanha a partir de 1561…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMingote retratou também monumentos que ainda se conservam no Centro Histórico de Madrid, como o Real Monasterio de La Encarnación, fundado no início do séculoXVII…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre Antonio Mingote, veremos o legado deixado pelo artista pelas ruas da cidade…

As Viagens do “Guernica”

Antes de abandonar Salamanca, tive a oportunidade de ver uma interessantíssima exposição sobre o quadro “Guernica“, a obra prima do mais influente artista do século XX, Pablo Ruiz Picasso (1881/1973). A exposição foi montada na Plaza de Anaya, situada ao lado das Catedrais de Salamanca, e foi organizada pelo Centro Cultural Caixa Forum, que está percorrendo várias cidades da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O “Guernica” já foi o tema de um post publicado em 17/5/2012, junto com o museu onde se encontra exposto, o Museu Reina Sofía de Madrid, que vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns anos atrás, pude fotografar o “Guernica“, algo impensável atualmente, mesmo porque está proibido captar imagens do quadro.

DSC03525A exposição de Salamanca discorre sobre as viagens que o quadro realizou depois de ter sido pintado por Picasso, participando de diversas exposições internacionais antes de seu retorno a Espanha. Considerado uma das obras mais conhecidas, reproduzidas, admiradas e reinterpretadas da História da Arte, o “Guernica” transformou-se num verdadeiro ícone do século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro foi realizado por Picasso entre maio e junho de 1937 e seu título é uma referência ao bombardeio da cidade basca de Guernica pela aviação alemã no dia 26 de abril deste ano, dentro do contexto da Guerra Civil Espanhola (1936/1939). Este ataque aéreo é considerado o primeiro realizado contra uma população civil da história das disputas bélicas. Na realidade, sua elaboração por parte de Picasso foi um encargo do governo republicano para ser exposto no Pavilhão Espanhol, montado durante a Exposição Internacional de Paris de 1937, com a finalidade de atrair a atenção pública à causa republicana. Abaixo, vemos uma foto do pavilhão, cujo projeto construtivo se deve aos arquitetos Josep Lluís Sert e Luis La Casa, e o quadro exposto no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom o final da Guerra Civil Espanhola em 1939 e o início do governo ditatorial do General Franco, Picasso manifestou o desejo que o quadro retornasse ao país somente depois que voltasse a ser uma nação democrática. Depois de sua exibição na Exposição Internacional de Paris, muitas outras foram realizadas no continente europeu, como a de 1938/1939 no Reino Unido, com grande êxito de público e organizada para arrecadar fundos para o Comitê de Ajuda aos Refugiados Espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante décadas, o quadro viajou por boa parte do mundo, antes de ser custodiado pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA) a partir de 1958, onde permaneceu exposto até 1981. Abaixo, vemos o itinerário do “Guernica“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO processo de criação da obra foi plenamente documentado pelo pintor através de esboços preparatórios e também por fotografias realizadas por Dora Maar (1907/1997), uma artista plástica francesa que se tornou uma das mulheres da vida de Picasso. Este material constitui um dos melhores exemplos documentados do progresso de uma obra artística em toda a História da Arte Universal. Picasso realizou, num prazo de 6 meses, (antes, durante e depois da conclusão do quadro), uma série de 45 esboços que atualmente encontram-se expostos no Museu Reina Sofía de Madrid, junto com a famosa obra do artista de Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “Guernica“, um exemplo memorável da Arte Cubista, além de sua importância histórica e indiscutível qualidade artística, impressiona por seu tamanho (7.76m de comprimento x 3.49m de altura). Foi pintado utilizando-se somente as cores branca, negra e várias tonalidades de cor cinza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar do título da obra e suas circunstâncias históricas, não existe no quadro nenhuma referência explícita ao bombardeio da cidade de Guernica, pois trata-se de uma composição simbólica, e não narrativa, retratando o horror à guerra e os sofrimentos que infringe a todos os seres humanos. Por este motivo, o quadro converteu-se num símbolo de protesto antibélico, utilizado contra os vários confrontos do século passado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgo que desconhecia e que pude orgulhosamente constatar, é que durante as viagens do “Guernica” pelo mundo, o quadro esteve presente no Brasil em 1953, durante a realização da II Bienal de São Paulo, como vemos na foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro serviu de motivo inspiratório a inúmeras obras em todo o mundo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, em 1981, o quadro retornou a Espanha, com uma ampla divulgação da imprensa, escrita e televisiva…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA chegada do “Guernica” no Aeroporto de Barajas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, o quadro permaneceu no Casón del Buen Retiro, uma das dependências que faziam parte do destruído Palácio del Buen Retiro, originalmente construído dentro do Parque do Retiro, de propriedade real na época de sua construção, que ainda podemos contemplar passeando pela cidade.

DSC08622OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1982, o “Guernica” passou a ser exposto permanentemente no Museu Reina Sofía, considerado um dos centros de Arte Contemporânea de maior prestígio de todo o mundo, cuja visita, evidentemente, recomendo !!!!!