Santo Domingo de Guzmán

Finalizo os posts sobre Caleruega com uma matéria sobre seu filho mais ilustre, Santo Domingo de Guzmán (Sao Domingos de Gusmão, em português), fundador da Ordem Dominicana, também denominada Ordem dos Predicadores, de grande importância na história do Cristianismo. Em frente ao Real Monastério de Santo Domingo de Caleruega existe um monumento em sua homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASanto Domingo nasceu neste povoado em 1170 e faleceu com 51 anos de idade, na cidade italiana de Bolonha, em 1221. Filho de Félix Nuñez de Guzmán (conhecido como o Venerável Félix) e Juana Garcés (também chamada de Santa Juana de Aza, beatificada em 1828), teve dois irmãos maiores, Antonio e o Beato Manés, considerado um dos primeiros beatos dominicano. Abaixo, vemos sua família num mosaico situado no interior do Real Monastério de Santo Domingo de Caleruega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASanto Domingo foi batizado na Igreja Paroquial de Caleruega, que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Pia Batismal desta igreja foi levada ao Monastério de Santo Domingo El Real de Madrid, onde todos os membros da Família Real Espanhola são batizados. Abaixo, vemos o monastério na capital e a famosa Pia Batismal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASanto Domingo recebeu uma cuidada educação moral e cultural. Ao descobrir sua vocação missionária, foi predicar a doutrina católica aos cátaros em 1206, que professavam uma corrente cristã considerada herética pelo catolicismo oficial, iniciando desta forma o movimento dos predicadores. Neste ano, estabeleceu no sul da França sua primeira instituição religiosa feminina e, em 1215, a primeira fundação masculina. Também neste ano chega a Roma para assistir o Quarto Concilio de Letrán e solicitar ao Papa a aprovação de sua ordem como nova instituição religiosa. Para sua criação, escolhe a regra de Santo Agostinho, e em 22/12/1216 recebeu do Papa Honorio III a bula “Religiosam Vitam“, conformando a fundaçao da Ordem dos Predicadores. Abaixo, vemos uma escultura gótica do santo (1380/1410), feita de alabastro (Monastério de Santo Domingo de Caleruega).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFaleceu em 1221 no Convento Dominicano da cidade de Bolonha, e seus restos encontram-se enterrados na Basílica de Santo Domingo desta cidade italiana. Foi canonizado em 1234 pelo Papa Gregório IX. São Domingos, capital da República Dominicana, leva este nome em homenagem ao santo de Caleruega. A seguir, vemos outra escultura de Santo Domingo, datada de 1500 (Real Monastério de Santo Domingo de Caleruega).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma lenda a ele associada diz que o santo teve uma visão da Virgem com um rosário, ensinando-lhe como rezá-lo, ordenando-o para que difundisse a doutrina católica pelo mundo. Apesar de que o rosário fosse conhecido desde o século IX, o santo espanhol teve um papel fundamental na difusão do rosário, outorgando-lhe uma finalidade evangelizadora. Abaixo, vemos uma pintura do santo, do século XVII…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das representações artísticas mais comuns do santo é a do cão com uma tocha na boca. Segundo a tradição, sua mãe, Santa Juana de Aza, antes do nascimento do filho, teve um sonho em que um cachorro saía de seu ventre, com uma tocha acesa na boca. Incapaz de compreender seu significado, decidiu buscar a Santo Domingo de Silos, fundador do famoso monastério beneditino situado próximo a Caleruega, realizando uma peregrinação a dita instituição. Ali finalmente compreendeu o sonho, e seu filho seria o responsável por difundir o “fogo” de Jesus Cristo ao redor do mundo através da predicação. Em outro mosaico do Real Monastério de Santo Domingo de Caleruega podemos ver o episódio….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm agradecimento ao santo de Silos, a Beata Juana colocou o nome de Domingo ao seu filho, um nome apropriado pois se origina do latim “Dominicus“, que significa “Do Senhor“. Deste nome se originou a palavra “Dominicanus“, a denominação da ordem fundada pelo santo, um composto de “Dominus” e “Canis“, que significa “Cão do Senhor“. Na sacristia do Real Monastério de Caleruega se conservam dois sepulcros com os restos de seu irmão Antonio e de Félix de Guzmán, pai do santo, que vemos na foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm outras representações, Santo Domingo de Guzmán aparece segurando a Bíblia, fonte de predicação, ou com uma igreja na mão, que representa a Igreja Universal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHistóricamente, a Ordem Dominicana teve um papel preponderante, e nos últimos 900 anos, 4 papas pertenceram a ela, além de quase 3 mil cardeais e bispos. Muitos dos principais santos dominicanos desempenharam um relevante papel na arte, literatura e da filosofia. Entre alguns dos mais importantes, citamos: San Vicente Ferrer (1350/1419), predicador e filósofo, a mística Santa Catalina de Siena (1347/1380), Santo Tomás de Aquino (1225/1274), autor da “Suma Teológica” e principal representante da Escolástica, San Luís Beltrán (1526/1581), um dos primeiros missioneiros do continente americano, e Rosa de Lima (1586/1617), exemplo de vida religiosa na América Latina. Depois da descoberta da América, vários frades dominicanos defenderam o apoio aos direitos indígenas, como o espanhol Bartolomé de las Casas (1486/1566). A seguir, vemos um quadro com personagens relevantes da Ordem Dominicana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a Ordem Dominicana está formada por cerca de 160 mil membros, dos quais 6 mil frades espalhados por 88 países continuam exercendo a obra predicadora do santo de Caleruega.

Real Monastério de Santo Domingo – Caleruega

O povoado de Caleruega deve sua existência a que atualmente é sua principal atração turística, o Real Monastério de Santo Domingo. Sua história se remonta um pouco depois da morte de Santo Domingo, fundador da Ordem dos Dominicanos, em 1221, quando seu irmão, o Beato Manés, ordenou a construção de uma capela no local de nascimento do santo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, o monastério esteve habitado por freiras pertencentes à Ordem de Santo Agostinho. Com a canonização de Santo Domingo no século XIII, o Rei Alfonso X “El Sábio” ordenou o traslado de monjas dominicanas ao monastério, que tornaram-se as proprietárias do Senhorio de Caleruega a partir deste momento. Ou seja, a vila de Caleruega passa a pertencer à comunidade de religiosas dominicanas deste monastério, fato que se prolongou até o século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um facsímil do documento original feito de pergaminho, no qual o Rei Alfonso X outorga o Senhorio de Caleruega ao Real Monastério de Santo Domingo, em 1266.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALodo depois, o monarca ordenou a construção de uma igreja gótica no local da antiga capela. Deste edifício do século XIII se conservam algumas interessantes esculturas religiosas, ambas do século XIII, como a do Arcanjo Gabriel e da Virgem da Anunciação em estado de gestação, uma representação rara em sua iconografia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa igreja gótica também se conserva o coro, que vemos a seguir…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI se construiu uma nova igreja no estilo renascentista, que é a que vemos atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da nave vemos um belo Retábulo Maior de estilo renascentista, com cenas relativas à vida de Santo Domingo, cujas pinturas foram realizadas por Blas de Cervera (1584/1643). Em sua parte superior, vemos um calvário de madeira executado por integrantes da escola de Gregorio Fernández, um dos principais escultores barrocos da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro do Monastério de Santo Domingo é muito bonito. Composto por dois níveis, o primeiro foi construído em pedra entre os séculos XIII e XIV, e o segundo é posterior, edificado somente no século XVIII, e construído com tijolos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a decoração dos capitéis do nível inferior do claustro….

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo claustro se encontra o que restou do sepulcro da Infanta Leonor, filha do Rei Alfonso X “El Sabio”, além da roupa com que foi sepultada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX se construiu a cripta do monastério, presidido por um poço de água, em que a tradição o associa como o local exato de nascimento de Santo Domingo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a visita podemos apreciar várias obras artísticas, como esculturas de Santo Domingo e pinturas relacionadas com personagens relevantes da Ordem Dominicana, como a que vemos a seguir, um quadro do século XVII de Santo Tomás de Aquino, um dos mais importantes teólogos do cristianismo, e principal expoente da corrente denominada Escolástica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1868, dentro dos processos desamortizadores do século XIX, o Real Monastério de Santo Domingo deixou de se a proprietária do povoado de Caleruega, que começa a se desenvolver como um núcleo urbano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA No próximo e último post sobre Caleruega, publicarei uma matéria sobre seu filho ilustre, Santo Domingo de Guzmán, e a Ordem dos Dominicanos por ele criada.

Caleruega – Província de Burgos

Depois de conhecer Coruña del Conde e a antiga cidade romana de Clunia, fomos visitar o povoado de Caleruega, também situado na Província de Burgos, precisamente na Comarca da Ribera del Duero.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste pequeno povoado de cerca de 500 habitantes sempre aparece na lista dos Pueblos mais bonitos da Espanha

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASeu nome está vinculado aos vascos, que desempenharam um importante papel de repovoamento depois que a cidade foi reconquistada aos mouros. Significa “terra de Cal“, graças às montanhas de pedra calcárea que rodeiam o município.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA existência de Caleruega se remonta ao século X, durante o processo de reconquista nos primórdios do território do antigo Reino de Castilla. Sua importância histórica se deve a que no povoado nasceu Santo Domingo de Guzmán, fundador da Ordem dos Dominicanos (Orden de los Dominicos, em espanhol), também conhecida como Ordem dos Predicadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs edifícios históricos de Caleruega estão vinculados a Ordem Dominicana, como o Real Monastério de Santo Domingo, que em breve veremos no blog, e o Convento dos Padres Dominicanos, construído em 1952. Ambos edifícios transformaram o povoado num dos principais referentes mundiais relacionados a ordem fundada por Santo Domingo de Guzmán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa época inicial de Caleruega se conservam monumentos importantes, como o Torreón de los Guzmanes, assim denominado porque tradicionalmente se acredita que esteve relacionado com a família de Santo Domingo de Guzmán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta torre de 20m de altura foi edificada no século XII, e formava parte do recinto defensivo criado pelos reis cristãos para impedir que os exércitos muçulmanos pudesem apoderar-se novamente destas terras. Constitui um dos poucos exemplos de torre defensiva de Castilla y León com um formato quadrado. A torre pode ser visitada, e em sua parte superior acolhe um museu relacionado com a Ordem dos Dominicanos, bem como com outros interessantes peças religiosas, como uma coleção de esculturas do Menino Jesus realizadas entre os séculos XVII e XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACuriosamente, o Convento dos Padres Dominicanos foi construído rodeando a torre, e atualmente a fortificação encontra-se integrada ao claustro do convento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outras imagens do convento, cuja construção na metade do século XX levou em consideração a presença do Real Monastério situado ao lado, de forma que mantivesse uma uniformidade construtiva e arquitetônica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro monumento importante de Caleruega é a Igreja de San Sebastián, construída no século XII no estilo românico. Deste período inicial se conserva a torre a o arco da entrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post publicarei uma matéria sobre o Real Monastério de Santo Domingo, construído no local de nascimento do santo fundador da Ordem Dominicana

Coruña del Conde – Província de Burgos

Recentemente realizei uma excursão organizada pelos meus professores de história a uma região de grande potencial turístico, a Província de Burgos, uma das províncias que formam a Comunidade de Castilla y León. Visitamos a antiga cidade romana de Clunia e o belo povoado de Caleruega, que em breve vocês verão no blog. Nossa primeira parada, no entanto, foi o município de Coruña del Conde, cujas principais atividades econômicas são a agricultura (cereais e vinho) e a indústria madeireira. Este pueblo conta com apenas 120 habitantes, mas em seus limites acolhe uma das construções mais antigas da zona conhecida como Ribera del Rio Duero, a Ermita de Santo Cristo de San Sebastián (a palavra ermita, em português, pode ser traduzida como uma pequena capela).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO reduzido tamanho da construção é inversamente proporcional à sua importância histórica, representando uma combinação das diversas culturas presentes nesta zona entre os séculos IX e X. Parece que o edifício original foi destruído pelos árabes no século X, sendo reconstruído no estilo pré-românico com influências bizantinas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa etapa pré-românica, o grande destaque fica por conta do ábside da ermita, cujo formato retangular constitui uma das principais características desta corrente arquitetônica. Foi construído provavelmente no ano 912, quando este território foi incorporado ao antigo Condado de Castilla. Seu muro foi decorado com os denominados Arcos Cegos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa parede superior do ábside vemos um relevo com uma curiosa figura humana, que por sua vestimenta poderia remontar à época visigoda

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns dos capitéis que rematam as colunas da ermita também pertencem ao período pré-românico, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ermita foi novamente reformada no final do século XI, quando se adotou o estilo românico, como podemos observar em sua porta principal, formada por 3 arcos semicirculares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO mais curioso desta reforma foi a incorporação de diversos blocos de pedra que foram trazidos da cidade romana de Clunia, situada próxima ao município de Coruña del Conde. Algumas destas pedras apresentam relevos esculpidos, como observamos nas colunas que sustentam a porta principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutras apresentam símbolos pagãos, como o chamado corno da abundância

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior deste insólito templo religioso está composto por apenas uma nave retangular, que não visitamos pois a ermita estava fechada à visitação pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde a ermita, tínhamos uma bela vista das ruínas do Castelo de Coruña del Conde, cuja origem se remonta ao século X, quando o Rei García de León decidiu repovoar estas terras. No início do século XXI, o castelo foi reforçado para que não desabasse. Como curiosidade, a prefeitura do município, proprietária da fortaleza, colocou a construção a venda ao preço de 1 euro (acreditem, se quiser…) a qualquer pessoa que se comprometa em sua restauração e posterior conservação, diante da impossibilidade de obter fundos públicos para a tarefa….alguém se habilita ?

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Plazas de Toros de España

Neste novo post sobre o mundo dos touros, veremos algumas das Plazas de Toros mais importantes do país, além de outras existentes nos povoados espanhóis, que caracterizam-se pelo tamanho reduzido e simplicidade construtiva, além de algumas de suas plazas históricas. Esta matéria será dividida em vários posts, devido a quantidade de locais que gostaria de publicar. As Plazas de Toros (original em espanhol) foram construídas a partir do século XVIII para acolher festividades taurinas como as corridas de touros ou touradas. Apesar disso, atualmente servem também como local para eventos diversos, como concertos musicais, como vemos na foto abaixo, em que aparece a Plaza de Toros de Las Ventas de Madrid como o local escolhido para a realização de uma feira.

20160611_164219Em 1961, a Plaza de Toros de Toledo foi palco para uma apresentação dos Harlem Globetrotters

20190117_122335Segundo informaçao que obtive na internet, existem 1727 plazas de toros espalhadas pelo país. Mesmo nos pequenos povoados vemos praças nas quais os habitantes podem presenciar festejos taurinos, como a Plaza de Toros de Fuentidueña del Tajo (conhecida como “La Ribereña“), um povoado situado na Comunidade de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs plazas de toros estão classificadas em diversas categorias, dependendo do tamanho, antiguidade, tradição taurina e o número de festividades anuais que acolhe. As mais importantes do país receberam a distinção de plazas de primeira categoria. Abaixo, vemos a Plaza de Toros de Navalcarnero (Comunidade de Madrid), inaugurada em 2006. Possui capacidade para 7500 espectadores e é considerada de terceira categoria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMorella, um belíssimo povoado da Comunidade Valenciana, possui uma praça de mais de 100 anos. Integra o patrimônio histórico do povoado, mas sua arena é pequena e  não preenche o requisito básico de ter, como mínimo, 30 m de diâmetro.

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas praças de touros são verdadeiramente curiosas, como a de Brihuega, um povoado de Castilla La-Mancha, conhecida como “La Muralha“, pois foi construída com materiais construtivos similares ao da muralha medieval que a rodeia. Edificada em apenas 200 dias, é considerada a maior da Província de Guadalajara, com capacidade para receber 7 mil espectadores. Inaugurada em 1965, é uma praça de terceira categoria.

DSC08111DSC08271Para a construção de algumas praças foram utilizados materiais originários provenientes de edifícios históricos, caso da Plaza de Toros de Medina de Rioseco  (Castilla y León), na qual se utilizou pedras do antigo castelo da localidade. De formato poligonal com 10 lados, foi inaugurada em 1858 (capacidade para 5500 espectadores, de terceira categoria).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConhecida como “La Chata“, a Plaza de Toros de Albacete, cidade castelhana com grande tradição taurina, se destaca pela grande quantidade de touradas anuais que acolhe, mais que muitas praças de primeira categoria. Foi inaugurada em 1917 e sua construção segue o estilo neomudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade de Toledo (Castilla La-Mancha), famosa por seu impressionante patrimônio histórico-artístico, organizou uma tourada em 1566 para celebrar o nascimento da Infanta Clara Eugênia, filha do monarca Felipe II. Até 1865, as touradas eram realizadas na Plaza del Zocodover, a principal praça da cidade. Em 1866, se construiu a Plaza de Toros de Toledo, com capacidade para 8530 espectadores, sendo considerada de segunda categoria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do século XIX, a Plaza de Toros de Valencia é um exemplo de praça de primeira categoria. Inaugurada em 1859, possui capacidade para 17 mil espectadores, sendo considerada uma das maiores da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo neoclássico e formato poligonal, sua construção foi inspirada na arquitetura civil romana, como os anfiteatros. Possui 384 arcos feitos de tijolo, o principal material construtivo do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta praça é visitável e possui um excelente Museu Taurino, inaugurado em 1929 e considerado um dos pioneiros no país, contando com um acervo de mais de 3 mil peças.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo exterior da praça vemos um monumento em homenagem ao banderillero valenciano Manolo Montoliu, personagem muito querido pelos valencianos e que faleceu na Praça de Touros de Sevilha em 1992.

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Espanha – O País dos Touros

Poucos aspectos da cultura tradicional espanhola estão tão associados à imagem do país no estrangeiro como as touradas, aqui denominadas Corridas de Touros. Muitos de meus clientes me perguntam se atualmente as touradas continuam sendo realizadas na Espanha, e ficam surpresos quando a resposta é afirmativa. Se surpreendem ainda mais quando lhes comento que o desenlace final do espetáculo é a morte do touro. Apesar do desprezo de parte da sociedade espanhola e as críticas das associações de proteção à vida animal, o mundo dos touros continua gozando de saúde em boa parte do país, e o título de País dos Touros permanece em vigor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs touradas constituem a expressão mais famosa, embora não seja a única, das festividades relacionadas com os touros. Particularmente, eu nunca presenciei uma tourada, pela crueldade do espetáculo e também porque não tenho “estômago” para vê-la. No entanto, reconheço sua importância como patrimônio cultural do país e tenho curiosidade por todos os aspectos relacionados à Tauromaquia, termo que designa a “Arte de lidiar Touros, tanto à pé, quanto à cavalo”. Em minhas viagens pelo país, sempre que posso visito as Plazas de Toros das cidades espanholas, os estádios construídos especialmente para os espetáculos taurinos, por sua importância histórica e arquitetônica e também por sua estética. Num sentido mais amplo, a tauromaquia envolve todo o processo prévio à realização das touradas, desde a criação dos touros, a confecção das vestimentas dos toureiros, a exibição de cartazes publicitários, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADecidi, pois, realizar uma extensa série de posts abordando os mais variados aspectos da tauromaquia, desde as origens das touradas, passando pelas escolas mais importantes da arte de tourear, os toureiros mais famosos, as praças de touros de maior relevância, fatos curiosos e trágicos, além das críticas e controvérsias que sempre existiram envolvendo a prática dos espetáculos taurinos.

20190130_084655Neste post inicial, abordarei a origem das touradas e sua evolução histórica, que terá sua continuação na próxima publicação. O touro sempre foi um animal simbólico relacionado ao poder divino e à fertilidade, aparecendo um muitas culturas e em sua mitologia, como o famoso Touro de Creta e a lenda do Minotauro. As lutas rituais entre homem e animal representam o desejo humano de dominar a natureza. O antecedente direto do touro, o Uro, pastava pelas paisagens do continente europeu há milênios atrás e sua figura foi imortalizada por artistas pré-históricos na famosa Caverna de Altamira, situada na Cantábria, região norte da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMatanças rituais com touros já eram realizadas na Mesopotâmia e na mencionada Ilha de Creta. Na Grécia antiga se praticavam sacrifícios rituais em honra a Zeus, a principal divindade da cultura helena. Em época romana, o Imperador Júlio César introduziu nos jogos circenses a luta entre o touro e o matador, armado com espada e escudo. A origem das corridas de touros na Espanha se remonta à cultura greco-latina que foi introduzida dentro do processo de romanizaçao da Península Ibérica, quando o atual território espanhol passou a ser uma província do Império Romano, denominada Hispania. Abaixo, vemos os denominados “Touros de Costitx“, peças taurinas esculpidas em bronze entre os séculos V e III aC e encontrados na Ilha de Mallorca, comprovando a importância simbólica dos touros dentro da cultura pré-romana na Espanha, e expostos no Museu Arqueológico Nacional de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs romanos introduziram na cultura local os jogos e lutas com feras, nas quais o touro era um animal frequente nos espetáculos, existindo constância de seu enfrentamento com outros animais selvagens, como leões, ursos, e também com humanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a época visigoda e muçulmana existem poucas fontes informativas referentes à prática de espetáculos taurinos. No entanto, a persistência das festividades em períodos históricos posteriores levam a crer que o costume de realizar-se touradas permaneceu intacto ao longo do tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira Corrida de Touros oficialmente documentada celebrou-se em Ávila no ano 1080 e, desde então, passaram por períodos gloriosos e também momentos em que foram proibidas sua realização. Existem notícias sobre festas com touros em Cuéllar (Província de Segóvia) em 1215, quando o bispo local proibiu que os clérigos assistissem aos espetáculos. Em Pamplona, capital do Reino de Navarra e famosa pelo Encierro de San Fermín, onde os habitantes da correm junto com os touros pelas ruas da cidade, as primeiras notícias relacionadas com a realização de espetáculos taurinos remontam ao ano de 1385.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pouco antes, no século XIII, o Rei Alfonso X “El Sabio” proibiu que os jogos com touros se celebrassem por dinheiro, indicando a existência de uma incipiente profissionalidade entre a sociedade da época.

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San Clemente – Parte 2

A cidade de San Clemente possui um importante patrimônio histórico digno de conhecer-se. Seus principais edifícios encontram-se nas proximidades de sua Plaza Mayor. Uma destas construções, que reflete a importância da localidade, é o Pósito, um depósito de cereais para ser utilizado em época de produção insuficiente, que somente encontramos em cidades de relevância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século XVI, posteriormente foi usado como prisão e quartel da guarda civil. Em sua fachada, vemos os escudos da Casa Real dos Áustrias e o próprio escudo de San Clemente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar do nome, o chamado Arco Romano pertence ao período barroco, servindo de passagem à parte histórica da cidade.  Abaixo, vemos do lado direito o Pósito e, à esquerda, a Igreja Paroquial de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPassando pelo arco, encontramos a Real Audiência, também do século XVI. Atualmente é a sede da Prefeitura de San Clemente. Do edifício original, conserva a arcada inferior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADois dos edifícios mais notáveis da cidade pertencem ao estilo renascentista. A Igreja Paroquial de Santiago constitui uma extraordinária obra, que inclui elementos góticos e barrocos em sua estrutura e decoração interna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo possui duas portas principais, em uma das quais foi representado o Apóstolo Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto da igreja é atribuído ao grande arquiteto renascentista Andrés de Vandelvira (1505/1575). O interior está formado por 3 naves com enormes pilares de sustentaçao e cúpulas estrelhadas. Possui um impressionante retábulo maior barroco, que foi construído segundo o formato do original, queimado durante a Guerra Civil Espanhola do século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro do retábulo, vemos a figura de Santiago Matamouros, montado num cavalo branco cujas patas destroçam a cabeça de um guerreiro muçulmano. Em uma das capelas da igreja vemos uma excepcional cruz feita de alabastro, de 3 metros de altura,  considerada uma verdadeira jóia artística do final do século XV. Seu autor é desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA sacristia da igreja exibe uma coleção de várias peças interessantes, como as que vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Antiga Casa Consistorial de San Clemente é um verdadeiro orgulho para seus habitantes, pois é considerada uma das mais belas de toda a Comunidade de Castilla La-Mancha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituada na Plaza Mayor, é uma obra prima do Renascimento Espanhol. Foi edificada no século XVI, durante o  reinado de Felipe II.  Está composta por dois níveis de arcadas e uma torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO último arco de sua parte inferior serve de passagem para a rua lateral, como vemos na imagem acima. Foi projetado por Domingo de Zalvide e sua construção se estendeu de 1566 a 1622. O edifício apresenta uma curiosa decoração de personagens, estando coroado pelo Escudo Monárquico dos Áustrias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, funciona como arquivo histórico local e museu, além de um centro de exposições. Tanto a igreja quanto a antiga Casa Consistorial foram declarados Bem de Interesse Cultural em 1992.