Os Cigarrales de Toledo

Existe um bairro de Toledo que praticamente não é visitado pelos turistas que chegam à cidade. Em grande parte este desconhecimento se deve à própria localização do bairro, situado em terrenos acidentados com um forte desnível, junto ao Rio Tajo, no lado oposto ao centro histórico. Este post está dedicado aos Cigarrales, uma zona de Toledo com uma interessante história, como tudo relacionado a esta cidade castelhana. Abaixo, vemos uma panorâmica da cidade desde os Cigarrales.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão se conhece ao certo o significado do termo Cigarral. Os toledanos dizem que no verão proliferam as cigarras e que o único que se escuta nesta época do ano sao os sons emitidos pelo animal. Outra teoria diz que com a chegada do tabaco das terras americanas a partir do século XVII, alguns religiosos se dirigiam a esta zona para fumar seus cigarros. Outros defendem a tese que o termo procede do árabe, e que significa manancial, fonte de água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGrandes casas de estilo tradicional formam parte do panorama desta zona de Toledo. Estas sofisticadas casas do entorno urbano foram cercadas por um muro de pedra em 1400 para a exploração da pecuária, sendo utilizadas historicamente também como terra de cultivo e residência campestre para o descanso e desfrute da natureza, além da contemplação da própria cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA origem dos Cigarrales se remonta às vilas de época romana e nas hortas de recreio construídas pelos muçulmanos ao redor da cidade, estratégicamente situadas junto aos riachos para a irrigação dos cultivos, o que explica o significado da palavra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a Reconquista de Toledo pelo Rei Alfonso VI no século XI, estas propriedades rentáveis devido a sua produção agrícola passaram a fazer parte do patrimônio da elite cristã, perdendo sua função recreativa, pois seus novos proprietários, nobres e instituições religiosas, lhe deram um caráter exclusivamente econômico, obtendo consideráveis recursos com os produtos da terra e o seu arrendamento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA época dourada dos Cigarrales se deu com a chegada do Renascimento no século XVI, momento no qual se importou o conceito italiano de convívio junto à natureza e a vila renascentista como modelo de vida ideal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir deste período se recupera o costume da casa de campo, iniciando-se um amplo processo construtivo, que prosseguiu no século XVII. Os Gigarrales históricos de época renascentista estavam formados por grandes parcelas de terra, mas no século XVIII se subdividiram, originando outros menores, base dos atuais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muitos deles se celebravam tertúlias literárias, isto é, uma reunião de intelectuais e escritores, estando presentes em novelas de grandes personalidades da Literatura Espanhola, como Tirso de Molina em sua obra “Los Cigarrales de Toledo“, escrita em 1621, em que o autor ambienta a história nesta parte da cidade. Muitos dos Cigarrales possuem nome próprio, como vemos na imagem acima e também abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, os Cigarrales de Toledo perderam sua finalidade agrícola, convertendo-se em residências de luxo, habituais ou secundárias de seus proprietários. Alguns transformaram-se em hotéis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Os Cobertizos de Toledo

A cidade castelhana de Toledo, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, possui um conjunto medieval de grande relevância histórica, formado por museus, igrejas, etc. Sua própria estrutura urbana impressiona por sua conservação e características, que transforma um passeio pela cidade numa constante descoberta de locais de grande beleza arquitetônica. Um destes elementos urbanos que não passam desapercebido pelo visitante disposto a explorar suas ruas, os denominados Cobertizos conformam um dos detalhes mais curiosos do centro histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Cobertizos constituem uma das estruturas arquitetônicas diferenciais de Toledo, e representam um tipo de galeria, normalmente feita de madeira, situada por encima das ruas e que conectam duas partes da mesma. Sua origem se remonta ao período árabe da cidade, e sua presença na paisagem urbana data dos séculos X e XI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente se conservam cerca de 30 cobertizos em Toledo, sendo que alguns deles possuem a função de unir edifícios situados a ambos lados da rua, pertencentes a um mesmo proprietário ou instituição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos mais conhecidos cobertizos estão relacionados a conventos, que devido a doações e aquisições de novos edifícios ao longo dos séculos, fizeram com que o tamanho útil de suas propriedades aumentasse significamente. Este tipo de cobertizos se originaram a partir do momento em que os conventos começaram a expandir suas propriedades e para que os alunos (as) internos (as) não tivessem que sair nas ruas, utilizando os cobertizos para seu deslocamento. Desta forma, podiam mover-se com mais facilidade, sem ter a necessidade de cruzar a rua constantemente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA maior parte dos cobertizos situam-se na zona conventual da cidade. Essa solução arquitetônica criava uma espécie de túnel, que converteu-se numa passagem obrigatória dos habitantes da cidade. No entanto, com o tempo começaram a aparecer transtornos derivados de sua própria constituição, como o fato de serem lugares escuros, propícios para emboscadas de bandidos, além de sujos e pouco higiênicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o aspecto interior do cobertizo acima…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1509, a Rainha Juana, apelidada “La Loca“, com a intençao de solucionar os problemas de sujeira que afetavam a saúde pública, decidiu proibir a construção de novos cobertizos e os existentes deveriam preencher um requisito relacionado à sua altura, que deveria ser maior que a de um cavalheiro sentado em seu cavalo com a lança em posição vertical, aproximadamente entre 4.5 e 5m.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra das medidas tomadas foi que os cobertizos deveriam estar iluminados as 24 horas do dia, e que os gastos de manutenção e conservação deveriam ser pagos por seu proprietário ou instituição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

 

Museu da Cultura Visigoda: Parte 2

Uma boa forma de conhecer os diferentes aspectos relacionados à época visigoda em Espanha, e particularmente em Toledo, é visitando o Museu dos Concílios e da Cultura Visigoda, situado na Igreja de San Román de Toledo. O principal recurso econômico do período visigodo foi a exploração da terra. Por este motivo, as cidades deixaram de ter o protagonismo da atividade comercial, e as grandes vilas rurais adquiriram importância. Poucas indústrias da época romana seguiram sendo produtivas a partir do século V dC. A especialidade artesanal mais conhecida dos visigodos foi a elaboração de peças de metal e jóias de grande beleza, nas quais se utilizaram pedras preciosas e semipreciosas. Uma destas peças, emblemáticas da cultura visigoda, foram os broches de cinto, usados na vestimenta habitual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm tipo de broche que se tornou marca registrada deste período foram as fíbulas, que serviam para fixar a roupa, pois os botões somente apareceram em época posterior. Possuíam também uma função ornamental. Entre as mais belas destacam as fíbulas aquiliformes, em forma de águia. A grande maioria delas apareceram em necrópoles, isto é, locais de enterramento. O fato de que a tradição funerária implicava na deposição do cadáver vestido, permitiu que estes objetos cotidianos fossem conservados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas delas constituem verdadeiras obras de arte, e refletiam a posição social do proprietário. As primeiras moedas visigodas foram fabricadas em 418, seguindo o modelo romano. No entanto, a primeira genuinamente visigoda apareceu durante o reinado de Leovigildo. Estas moedas eram de ouro, e denominavam-se Tremís, sendo considerada a oficial do reino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO gosto pelos objetos de ouro e incrustações de vidro ou pedras preciosas era algo típico relacionado aos povos godos. Para sua fabricação, se combinavam técnicas romanas e bizantinas, adquirindo o auge nos séculos VII e VIII. Muitas destas peças eram usadas como elementos decorativos e com finalidade religiosa. De importância fundamental é o famoso Tesouro de Guarrazar, descobertos de forma casual em 1858 numa sepultura situada na Província de Toledo. O enorme conjunto de peças está formado por coroas reais, cruzes e colgantes feitos de ouro e pedras preciosas. Muitas delas foram parar na França e atualmente se encontram no Museu de Cluny de Paris. Outra parte se encontra no Museu Arqueológico Nacional, em Madrid. No Museu da Cultura Visigoda vemos  réplicas do tesouro, como a Coroa de Recesvinto.

DSC09619As coroas visigodas não foram realizadas para se colocar na cabeça, mas para serem expostas. Denominam-se Coroas Votivas, isto é, oferecidas pelos reis ou membros da nobreza e se penduravam no altar de uma igreja durante as celebrações litúrgicas. A Coroa de Recesvinto, por exemplo, foi fabricada na segunda metade do século VII, seguindo a tradição bizantina. Feita de ouro, está composta também por uma cruz em sua parte inferior, e provavelmente foi uma oferenda do rei para alguma das basílicas visigodas de Toledo. O objeto recordava o vínculo entre a monarquia, simbolizada pela coroa, e a divindade, representada pela cruz e o altar onde era colocada. Desta forma, se legitimava o poder terrenal do monarca. Abaixo, vemos a Coroa original de Recesvinto, exposta no Museu Arqueológico Nacional de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro rei visigodo da Hispania foi Ataúlfo, proclamado em 409. Num primeiro momento, os reis visigodos não eram eleitos de forma hereditária, e eram escolhidos pelos altos cargos da nobreza (sistema gentilício). No século VII, Isidoro de Sevilha deu um caráter sagrado à monarquia com a prática da Unção Régia ou sacralização real realizada pelos bispos, estabelecendo-se a sucessão hereditária e a institucionalização dos concílios. O poder real baseava-se no poder administrativo e fiscal. As instituições principais estavam formadas pela Aula Régia, destinada ao assessoramento e consulta dos reis, e os Concílios, órgão de legislação eclesiástica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEncontradas em cemitérios públicos, as lápides funerárias constituíram uma fonte primordial para o conhecimento do período visigodo, como a que vemos a seguir, feita de mármore em 562 dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesavenças e conflitos entre o poder real e a nobreza facilitaram o avanço das tropas árabes na Península Ibérica a partir do começo do século VIII. O último Rei Visigodo, Rodrigo, pereceu na Batalha de Guadalete, permitindo a conquista do território pelos árabes em muito pouco tempo. A partir de entao, inicia-se o período muçulmano na Espanha, mas esta já é outra história…

Museu da Cultura Visigoda: Toledo

Além de sua beleza e dilatada história, no interior da Igreja de San Román de Toledo podemos conhecer o Museu dos Concílios e da Cultura Visigoda, que nos permite apreciar a trajetória do antigo Reino Visigodo, cuja capital foi precisamente a cidade de Toledo.

DSC09657As peças expostas referentes ao período visigodo facilitam a compreensão deste período histórico da Espanha, que vai do século V, quando uma variedade de povos godos invadiram a Península Ibérica logo após a queda do Império Romano, até o século VIII, quando os muçulmanos invadem o território e conquistam o Reino Visigodo, já decadente. Num primeiro momento, os povos que se assentaram na península estavam formados pelos suevos, vândalos, bizantinos e outros grupos, que acabaram sendo submetidos pelos visigodos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 567 dC, durante o reinado do monarca visigodo Atanagildo, Toledo se converteu na capital do Reino, que passa a ostentar uma perfeita organização política e administrativa, graças a unificação religiosa e jurídica entre o povo godo e a população hispano romana, que ocupava o território antes da conquista visigoda. Grande parte deste êxito se deve aos 18 concílios que foram realizados na cidade. Apesar que a celebração dos concílios em Toledo se inicia sob dominação romana, em 397, será com a consolidação do Reino Visigodo quando recebem seu verdadeiro impulso. Do ponto de vista histórico, destaca o III Concílio de Toledo (589), em que o Rei Recaredo oficializou sua conversão e do povo godo ao catolicismo, abandonando a doutrina considerada herética do Arrianismo, que negava a natureza divina de Jesus Cristo. A partir deste momento, os hispanos romanos se integram ao estado visigodo, já que o catolicismo era a religião maioritária da população. Como resultado, a igreja assumiu um enorme poder como autoridade religiosa, exercendo uma grande influência no poder público através dos concílios, assembléias que contavam com a presença dos nobres e bispos godos e presidido pelo rei. Os testemunhos mais antigos do catolicismo em território espanhol datam do século II, durante o período em que foi uma província do Império Romano, com o nome de Hispania (cujo nome significa terra de coelhos…). Abaixo, vemos um Crismón, antigo símbolo que representa o monograma do nome de Cristo, com as letras alfa e ômega, como princípio e fim de todas as coisas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos um sarcófago do período romano datado de finais do século IV dC, um dos poucos exemplos da escultura funerária da época, que pertenceu a personagens da alta aristocracia provincial (encontrado na vila romana de Carrenque, situada na Província de Toledo)

DSC09613No VIII Concílio de Toledo se produz a fusão entre as leis godas e as hispanos romanas num único código, conhecido como Lex Visigothorium, durante o reinado de Recesvinto. Graças ao respaldo estatal e das elites sociais, a igreja se converteu na principal impulsora da atividade cultural da época. Como figuras de importância, destacam San Ildelfonso, Bispo de Toledo e padroeiro da cidade, San Bráulio, Bispo de Zaragoza e principalmente San Isidoro de Sevilha, cuja obra literária tornou-se um referente para toda a Europa Medieval. Abaixo, vemos um relevo com a representação de São Lucas datado entre os séculos VI e VII, um touro alado segurando o livro de seu evangelho ( o touro é o animal associado ao apóstolo).

DSC09594Muitos poucos monumentos da época visigoda resistiram ao tempo. Atualmente, podemos encontrar algumas igrejas localizadas no âmbito rural, que possibilitam o conhecimento de sua arquitetura e elementos artísticos. A Arquitetura Religiosa Visigoda estava inspirada nos modelos romanos e orientais, especialmente em relação às basílicas. No museu podemos ver alguns dos elementos arquitetônicos relacionados aos templos religiosos do período visigodo, caracterizados por desenhos geométricos ou vegetais, inspirados na decoração dos mosaicos romanos, e por seu simbolismo.

DSC09604Abaixo, uma coluna decorada com uvas, símbolo da eucaristia

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas destas colunas ou pilastras que formavam parte dos templos visigodos ainda podem ser vistas em Toledo, como esta peça exposta no museu. Sua decoração recebeu uma forte influência do mundo bizantino, e mostra cenas relacionadas à vida de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte sobre o Museu dos Concílios e da Cultura Visigoda, onde poderemos ver outros aspectos relacionados ao Reino Visigodo.

Igreja de San Román – Toledo

Toledo é uma cidade com um patrimônio histórico-artístico riquíssimo, e muitos dos locais mais interessantes ainda permanecem desconhecidos pelos turistas. Um exemplo é a bela Igreja de San Román, situada na parte mais alta da cidade. Este templo é um dos mais curiosos da cidade, por conservar sua estrutura mudéjar do século XIII e por apresentar em seu interior um excepcional conjunto de Pinturas Românicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da escassez de dados, se pode afirmar que a origem desta igreja se remonta à época visigoda, graças a restos arqueológicos encontrados em seu interior em 1968, ano em que o processo de restauração da igreja finalizou-se. Com a chegada dos árabes no século VIII, o templo foi reutilizado como uma mesquita (foram encontrados no século XVI sepulcros muçulmanos em seu interior).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo paróquia do período cristão aparece documentada por primeira vez em 1125, ainda que sua estrutura atual pertence ao século XIII (1221). A Igreja de San Román apresenta uma clara influência construtiva islâmica, tanto em sua arquitetura exterior, quanto em seu formidável interior.  Na foto acima, vemos uma imagem da torre, um exemplo do Mudéjar Toledano, edificada no final do século XIII e começo do XIV. A visita ao templo permite subir ao alto da mesma…

20160503_113012O interior, belíssimo, está formado por três naves separados por Arcos de Ferradura, típicos da arquitetura islâmica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs arcos se encontram apoiados por colunas e capitéis de época romana e visigoda, que foram reutilizados quando o templo foi usado como mesquita. Até 1926, as paredes e os arcos estavam pintados de branco, quando foram descobertas as pinturas que decoram todo o interior da igreja. Especialistas foram capazes de remover a antiga pintura e mostrar as pinturas românicas originais do templo, realizadas no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto de pinturas está formado por 3 estilos distintos. Em primeiro lugar, aparecem as pinturas mudéjares, caracterizadas por motivos geométricos, vegetais e epigráficos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior dos arcos (em arquitetura denominado intradós), aparecem figuras de santos, profetas e bispos com um olhar frontal, que recordam as pinturas italianas de estilo bizantino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente aparecem as pinturas de composição narrativa, feitas com maior naturalismo e movimento. Podemos apreciar vários episódios e personagens bíblicos, como a Ressurreição dos Mortos, os Apóstolos Evangelistas, o Pecado Original e o Paraíso, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, uma família nobre de Toledo adquiriu o espaço pertencente à capela maior para que se transformasse em sua cripta particular. Para a realização da reforma, foi encarregado um dos melhores arquitetos do Renascimento Espanhol, Alonso de Covarrubias, que foi o responsável pelo intenso plano de revitalização da cidade durante o reinado de Carlos I, quando Toledo passou a ser a capital do Império. Abaixo, vemos uma imagem da capela maior, cujo retábulo foi executado por Diego Velasco, e da cúpula renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja conserva uma Pia Batismal do século XV…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm uma das capelas do templo podem ser vistos vários sepulcros antigos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma lauda sepulcral de 1400, composta por inscriçoes góticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1968, a Igreja de San Román passou a acolher o Museu dos Concílios e da Cultura Visigoda. Em 1931, foi declarada de forma merecida Monumento Histórico-Artístico de caráter nacional.

Os Trampantojos

Dentro dos elementos decorativos utilizados tanto na arquitetura, quanto na pintura, os Trampantojos se destacam por sua identidade ilusória, criando imagens que não correspondem aquilo que parecem. Seu nome se origina da expressão “Trampa ante os ollhos”, ou seja, um recurso para enganar a vista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Trampantojo consiste numa técnica pictórica que consiste em enganar a vista, utilizando elementos arquitetônicos, suas perspectivas e os jogos de luzes e sombras. Também se conhece com o nome de “Ilusionismo”, simulando ou criando realidades inexistentes.

20170630_131054No exemplo acima, tanto as pedras quanto os tijolos foram pintadas, simulando suas texturas, formas, cores etc. Os objetos, materiais construtivos, perspectivas e personagens se utilizam como um recurso decorativo e também para ocultar defeitos na construção. Através de pintura, se retratam portas falsas, janelas sem fundos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs paredes servem como superfície para a criação de pinturas murais de um acentuado realismo, desenhadas com uma perspectiva tal que, contempladas desde um determinado ponto de vista, fazem crer ao espectador que o fundo se projeta para além do muro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Trampantojos foram um recurso utilizado já na antiguidade pelos gregos e romanos. Durante o Renascimento, proporcionou a desejada profundidade aos tetos e paredes das igrejas, mas foi com o advento do Barroco que atingiu sua máxima expressão. Abaixo, vemos uma pintura mural em Madrid que cria uma rua imaginária…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta técnica se baseia em estudos ópticos, e se utiliza também por outras razões que as decorativas, como a falta de orçamento durante o processo construtivo ou para criar elementos arquitetônicos com a intenção de produzir efeitos que seriam impossíveis na realidade. A seguir, vemos uma superfície mural em Madrid que proporciona uma solução de continuidade com o edifício situado ao lado, imitando sua arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Trampantojos podem ser usados tanto no exterior, quanto no interior das construções, como vemos a seguir, numa pequena casa situada no Parque do Capricho, em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro exemplo de sua utilização vemos no maravilhoso teto da Igreja de San Antonio de los Alemanes de Madrid, totalmente decorado com pinturas que simulam elementos associados à arquitetura, como colunas, arcos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO grande pintor espanhol Francisco de Goya aproveitou a técnica para criar uma sensação de profundidade que podemos admirar no teto da Ermita de Santo Antonio de la Florida, também em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra cidade onde encontramos diversos Trampantojos é Toledo, principalmente no exterior dos edifícios.

20170630_13094820170630_12023720170630_130138

Casa de Allende – Madrid

Um dos edifícios mais interessantes do Centro Histórico de Madrid, a Casa de Allende é uma construção única situada na Plaza de Canalejas, esquina com a Carrera de San Jerónimo, a poucos metros da Puerta del Sol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi projetado pelo arquiteto Leonardo Rucabado e construído entre 1916 e 1920 para um promotor imobiliário da cidade de Bilbao, chamado Tomás de Allende.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALeonardo Rucabado foi um arquiteto fundamental da denominada Arquitetura Regionalista, e a Casa de Allende representou sua principal obra na capital. O edifício destaca-se por sua riqueza decorativa, presente em elementos associados à história espanhola, como a concha relacionada ao Caminho de Santiago, que vemos acima, e os belíssimos balcões de ferro. Outra figura, no caso relacionada à Arte Ibérica, que podemos admirar na fachada do edifício, é a famosa Dama de Elche, considerada um ícono da Arqueologia Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta escultura de finais do século V e princípio do século IV aC, foi encontrada casualmente na zona arqueológica de La Alcudia, situada a poucos quilometros da cidade de Elche, e pode ser vista no excepcional Museu Nacional Arqueológico, em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento arquitetônico de destaque é a Torre do edifício, decorada com cerâmicas realizadas por Daniel Zuloaga (1858/1921), um dos renovadores mais importantes da arte realizada com este tipo de material na história do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de Allende foi construída como um edifício residencial. No entanto, durante um bom tempo ficou conhecida como Edifício Credit Lyonnais, pois no andar térreo albergava a sede desta instituição financeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa construção do edifício foi empregada formas típicas da Arquitetura Tradicional Espanhola, principalmente da Cantábria, terra natal do arquiteto, seguindo os princípios da corrente regionalista de finais do século XIX. Neste aspecto, sobressai na fachada que dá para a Carrera de San Jerónimo um magnífico mirador (mirante, em português) totalmente realizado em madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Plaza de Canalejas recebeu este nome em homenagem a José de Canalejas (1854/1912), um famoso político liberal espanhol, que foi assassinado por um anarquista em plena Puerta del Sol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com outras imagens da Casa de Allende

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA