Ayuntamientos de España: Parte 2

Na Arquitetura Civil Espanhola se destaca por sua importância e originalidade o Edifício do Ayuntamiento ou da Prefeitura. A própria evolução dos estilos arquitetônicos deixará suas marcas nas construções realizadas para acolher a sede desta instituição pública. Normalmente, a construção era realizada o mais sólida e artisticamente possível, por constituir o símbolo representativo das cidades. Abaixo, vemos os Edificios do Ayuntamiento de Arévalos e de Toro, ambas cidades situadas na Comunidade de Castilla y León.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes que o Conselho tivesse um local próprio para exercer suas funções políticas e administrativas, as sessões eram realizadas em lugares como as Praças de Mercado, Igrejas e Catedrais. Por exemplo, houve uma lei aprovada em 1325 em Calatayud na qual estava terminantemente proibido jogar lixo no átrio da Igreja de San Andrés, local de reunião do Conselho. O Conselho de Sevilha se realizava na antiga mesquita árabe, naquela época já transformada em catedral. O Conselho de Burgos se reuniu em vários lugares distintos, como o claustro de sua Catedral Gótica, que vemos abaixo.

IMG_2857O Caso de Burgos é curioso, pois até finais do século XVIII as sessões do Ayuntamiento se realizavam no Arco de Santa María, que exerceu as funções de Casa Municipal, porta de entrada à cidade e Arco de Triunfo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1788 se finalizou o atual Edifício do Ayuntamiento de Burgos, levantado sobre uma das portas da muralha que cercava a cidade.

20150727_113517Uma constante da administração municipal era situar as Casas Consistoriais junto à Praça do Mercado ou no local de maior atividade do perímetro urbano, como no caso dos Ayuntamientos de Gijón (Asturias) e de Guadalajara (Comunidade de Castilla La Mancha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XV iniciam-se as construções de edifícios para sediar a instituição, adaptando antigas construções ou então erguendo novos edifícios. A primeira época de esplendor da Arquitetura Civil relacionada com os Ayuntamientos ocorrerá com a chegada do Renascimento, momento em que se erguerá numerosos e belos edifícios ao longo do século seguinte, como os de Úbeda (Comunidade de Andalucía) e de Sigüenza (Castilla La Mancha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERAO ímpeto construtivo dos conselhos inicia-se durante o reinado dos Reis Católicos, a partir de 1480. Com o aparecimento das Plazas Mayores, herdeira das antigas Praças de Mercado, os Edifícios do Ayuntamiento passam a ter seu lugar preferencial, pelo caráter representativo da praça, com o edifício consistorial presidindo a mesma, como nos casos de Salamanca e Riaza, ambas cidades castelhanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da Lei de Desamortização dos bens eclesiásticas, aprovada em 1835, muitos edifícios religiosos ou conventos passaram a ser propriedade municipal, transformando-se em Ayuntamientos. Este é o caso do Ayuntamiento de Bilbao (País Vasco), construído sobre o antigo Convento de San Agustín, e finalizado em 1892.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da Guerra Civil de 1936/1939, numerosas construções foram praticamente destruídas e tiveram que ser reconstruídas. Outros edifícios, originalmente destinados como Ayuntamiento, atualmente exercem outras funções, como em Albacete (Castilla La Mancha).

DSC09468A seguir, vemos o atual Ayuntamiento de Albacete, uma construção moderna…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm fato marcante na vida pública das cidades espanholas, algo que não mudou ao longo dos séculos, foi a construção dos Edifícios do Ayuntamiento. Finalizamos com uma imagem do Ayuntamiento de Toledo (Castilla La Mancha).

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Ayuntamientos de España

Sempre que tenho a oportunidade de viajar pelas cidades e pueblos da Espanha, procuro encontrar, por uma série de razões de índole histórica e cultural (que irei explicando ao longo desta série de matérias que hoje começamos) o edifício sede da Prefeitura local, ou se vocês preferirem, o Ayuntamiento, no idioma espanhol. Normalmente, esta agradável tarefa é simples, pois a maioria deles estão situados em lugares emblemáticos, como a Plaza Mayor, ou outro lugar de importância histórica, caso do Ayuntamiento de Teruel (Comunidade de Aragón), situado próximo de sua bela catedral mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Ayuntamiento de Zaragoza, a principal cidade aragonesa, situa-se  no local mais visitado da cidade, na chamada Plaza de las Catedrales, entre a famosa Basílica do Pilar e a Catedral de San Salvador (La Seo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de ter lido o livro “Ayuntamientos de España“, uma referência no tema, escrito por Wifredo Rincón García, resolvi publicar esta série sobre estes edifícios de importância capital e que fazem parte do patrimônio histórico, artístico e cultural do país. As informações contidas nestes posts foram tiradas deste livro, e abordaremos alguns aspectos desta representativa instituição, sua arquitetura e os elementos que tornam estes edifícios facilmente reconhecíveis, além de alguns dos mais belos Ayuntaminetos de Espanha. A seguir, vemos o Ayuntamiento de um povoado aragonês situado nos Pirineus, chamado Sallent de Gállego.

IMG_2982A instituição municipal espanhola originou-se durante o período romano, mantém suas peculiaridades no Reino Visigodo, mas rompe sua estrutura durante a etapa árabe, ressurgindo nos tempos da reconquista. Sua organização se remonta ao século X, determinada por uma coesão cada vez maior dos grupos humanos unidos por interesses e finalidades comuns. Num primeiro momento, as reuniões de cidadãos que habitavam uma cidade ou povoação realizavam-se numa assembléia chamada Conselho. Nos séculos seguintes, o conselho é favorecido pelo monarca, uma forma de contrabalancear o poder cada vez maior da nobreza. O principal cargo do Conselho variava segundo a localidade espanhola, mas na maioria dos casos denominava-se Alcalde, que possuíam atribuições administrativas, políticas, judiciárias e militares. O florescimento dos Conselhos ocorreu entre os séculos XII e XIV, quando os municípios chegaram a dispor de uma certa autonomia. A seguir, o Ayuntamiento de Calatayud, outra importante cidade da Comunidade de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste poder municipal, no entanto, em muitas ocasiões, não favorecia os interesses do rei, nem dos nobres. A instituição transforma-se num regime aristocrático, embora em pequenas cidades conserve uma estrutura mais democrática. Nas grandes cidades, os cargos e ofícios públicos começaram a ser um privilégio de alguma influentes famílias, cuja nomeação era efetuada pelos monarcas de cada período. A seguir, vemos o Ayuntamiento de Valladolid (Comunidade de Castilla y León).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o renascimento do direito romano na Idade Moderna, surge a figura do regidor perpétuo, ou corregidor, cujo cargo se conservará até 1835, quando as funções judiciárias passam a ser realizadas pelos juízes de primeira instância, enquanto as atribuições econômicas e administrativas ficam reservadas novamente aos Alcaldes. Em 1877, uma nova lei, originária da Constituição de 1876, prescrevia que os cargos municipais seriam escolhidos pelos próprios cidadãos. Abaixo, os Ayuntamientos de Coca e Lerma, ambas cidades da Comunidade de Castilla y León.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício da Prefeitura, além da denominação Ayuntamiento, recebe outros nomes, como por exemplo Casa Consistorial ou Consistório, Casa da Vila e Casa do Conselho. Em termos gerais, prevalece Casa Consistorial ou Ayuntamiento, este último como uma referência à instituição municipal, mas que passou a ser utilizado indiscriminadamente para denominar o edifício sede da Prefeitura. Abaixo, uma imagem do Ayuntamiento de Burgo de Osma, cidade castelhana situada na Província de Sória.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do século XII se fixam as características que marcaram a arquitetura civil dos conselhos, permitindo sua fácil identificação. Por exemplo, muitos dos edifícios sede de Ayuntamientos eram originalmente palácios que foram reformados e adaptados às novas funções. Um elemento destacável na maioria deles é a Torre, situada nas esquinas ou então na parte central do edifício, como no Ayuntamiento de Brihuega, cidade da Comunidade de Castilla La Mancha.

DSC08257Na cidade de Aranjuez, situada na Comunidade de Madrid, também a torre situa-se no centro.

DSC09689Geralmente, os Edifícios dos Ayuntamientos possuem dois níveis. O inferior, em alguns casos também em sua parte subterrânea, eram utilizados como prisão. No nível superior encontram-se as principais dependências da instituição, onde se realizava as sessões como a Sala dos Regidores, Arquivo, Capela e Tesouro. Em muitos edifícios antigos existia um espaço para o vigilante, que comunicava aos habitantes a toque de campana (sinos) que as sessões iriam ser iniciadas, e alertavam a população em caso de incêndios, ataques, etc. Finalizamos esta primeira matéria com os Ayuntamientos de Jaén (Comunidade da Andalucía) e de Taragona (Comunidade da Catalunha).

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Instituto do Patrimônio Cultural da Espanha

Recentemente fiz uma visita guiada num dos edifícios mais interessantes da Cidade Universitária, o Instituto do Patrimônio Cultural da Espanha (IPCE).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO IPCE pertence ao Ministério da Educação, Cultura e Deporte e se dedica à investigação, conservação, restauração e documentação do patrimônio espanhol. Para que possa realizar estas funções, conta com profissionais das mais variadas áreas, como arqueólogos, arquitetos, restauradores, físicos, geólogos, químicos, bibliotecários, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício do instituto se insere dentro da corrente arquitetônica denominada Brutalismo, cujo auge se deu entre as décadas de 50 e 70 do século XX. Seus princípios se inspiraram nos trabalhos do influente arquiteto suíço Le Corbusier (1887/1965) e do finlanês Eero Saarinen (1910/1961). De fato, o edifício impressiona por sua singular composição circular, rematado por pináculos que lhe concederam o apelido de “Coroa de Espinhos“.

20161212_115527No Brutalismo, as estruturas geométricas se repetem, a base de concreto, embora o emprego deste material não seja  exclusivo. Sua idéia principal é expressar os materiais utilizados em sua forma bruta. Se durante décadas o Brutalismo esteve marginalizado, atualmente volta a estar de moda.

20161212_120107O edifício suscitou, desde que foi construído por Fernando Higueras e Antonio Miró Valverde, grande interesse nos arquitetos de muitos países. Em 1975, um pouco antes de ser finalizado, foi catalogado como um dos 24 edifícios de maior relevância de Madrid no Congresso Internacional de Arquitetos. Atualmente, o edifício está protegido por ter recebido a distinção de Bem de Interesse Cultural e seu projeto recebeu o Prêmio Nacional de Arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção constituiu um dos processos mais longos e complicados da segunda metade do século XX em toda a Espanha. O projeto inicial foi realizado por Fernando Higueras em 1961, e contou com a colaboração do jovem Rafael Moneo. Por uma série de fatores, a construção tardou 30 anos, estando abandonado durante 16 anos. Além do mais, suas funções foram modificadas em 13 ocasiões.

20161212_114842O interior do edifício destaca-se por sua amplitude e luminosidade natural, propiciada por uma grande estrutura de vidro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs vigas pré-fabricadas foram criadas por uma grande variedade de elementos geométricos, como hexágonos, quadrados e octógonos, cuja estrutura se refletem na decoração de seus pavimentos.

20161212_115424OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs jardins interiores colaboram para a atmosfera de suavidade e tranquilidade que se experimenta dentro do edifício.

20161212_114908Para os interessados no patrimônio histórico, artístico e cultural da Espanha, o IPCE é o local ideal para seu aprofundamento, pois conta com uma excepcional biblioteca de planta circular composta por mais de 40 mil livros sobre o tema.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa entrada do edifício, vemos uma pequena panorâmica da Cidade Universitária de Madrid, cuja matéria finalizo com este post…

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Cidade Universitária de Madrid: Parte 3

Como foi dito na matéria anterior, a maior parte dos edifícios que compunham a Cidade Universitária de Madrid estavam terminados na década de 30 do século XX. No entanto, em 1936 eclode a Guerra Civil Espanhola. Madrid, como enclave republicano que era, sofreu intensos bombardeos pelas tropas nacionalistas durante o conflito que se estendeu durante três anos mais. Por estar situada numa frente de batalha, a Cidade Universitária foi uma das zonas mais castigadas. Abaixo, vemos uma foto tirada durante a guerra, e podemos observar o estado que ficou a Escola de Engenheiros Agrônomos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda hoje podemos ver algumas estruturas situadas no Parque do Oeste, localizado ao lado da Cidade Universitária, que funcionaram como ninhos de metralhadoras durante o conflito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil, o campus universitário se converteu num campo de batalha no qual a maior parte dos edifícios foram destruídos. Tornou-se famosa a guerra travada na Faculdade de Filosofia e Letras, em que os combatentes dos bandos republicano e nacionalista lutaram corpo a corpo. Trincheiras e muros foram “construídos” com os livros de sua importante biblioteca. Abaixo, vemos uma foto atual da faculdade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua fachada exterior não apresenta elementos destacáveis, mas em seu interior se reconstruiu um magnífico painel de vitrais de estilo Art Decô, uma recriação do vitral destruído durante a guerra. Foi realizado pela Casa Maumejeán, especializada em vitrais artísticos e fundada em 1860.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo jardim da faculdade vemos uma escultura do grande filósofo espanhol José Ortega y Gasset (Madrid: 1883/1955), realizada por Juan de Ávalos e inaugurada em 2002.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo final da contenda, o panorama na Cidade Universitária era desolador, e se perdeu quase a metade dos edifícios construídos antes da guerra. Mais de 40 mil árvores foram derrubadas. Com a vitória nacionalista, Franco reconstruiu o campus, feito que foi utilizado pelo próprio ditador como um grande êxito do novo regime. O próprio Franco reinaugurou a Cidade Universitária em 1943. Abaixo, vemos o Colégio Maior José Antonio, cujo nome foi uma homenagem a José Antonio Primo de Rivera (1903/1936), filho primogênito do ditador Miguel Primo de Rivera. Considerado o principal líder do fascismo espanhol, foi ele o fundador da Falange Espanhola. Acusado de conspiração e rebelião militar, foi executado nos primeiros meses da Guerra Civil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAProjetado em 1948, durante boa parte do século XX foi um reduto franquista formado por estudantes que apoiavam o regime. Depois de uma profunda reforma realizada em 1981, passou a ser o edifício sede da Reitoria da Universidade Complutense, função que persiste até os dias de hoje.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi construído dentro dos parâmetros do estilo herreriano, referência a Juan de Herrera, construtor do Monastério de El Escorial (século XVI). Esta estética arquitetônica acabou sendo adotada pelo Franquismo e muitas construções desta época podem ser vistas na região que integra a Cidade Universitária. Dessa reconstrução foram encarregados os arquitetos Pedro Muguruza e o próprio Modesto López Otero, responsável pelos projetos dos edifícios originais do campus. Em grande parte, os novos edifícios seguiram os planos originais de 1928, ainda que introduzindo modificações relacionadas com o novo regime, como  introduzir capelas em todas as faculdades.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa segunda metade do século XX, a Cidade Universitária experimentou um grande desenvolvimento, principalmente depois que a Universidade Complutense foi instalada, incorporando novas faculdades ao conjunto. Atualmente, a Complutense, universidade pública mais antiga de Madrid, é considerada uma das mais prestigiosas da Espanha e de todo o mundo hispânico. Dos 8 Prêmios Nobel do país, 7 estudaram ou foram professores na Universidade.

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Cidade Universitária de Madrid: Parte 2

A Cidade Universitária de Madrid foi construída em terrenos que foram cedidos pela coroa espanhola, situados no Distrito de Moncloa. A idéia de sua construção surgiu nos anos 20 do século passado, e seu projeto nasceu com a celebração das bodas de prata do Rei Alfonso XIII. Na realidade, representava mais que um projeto construtivo, pois seu objetivo era criar um novo tipo de modelo universitário, que estivesse preocupado tanto pelas questões técnicas quanto acadêmicas, nas quais o esporte e a convivência determinassem suas relações e atividades, como acontecia então nos EUA. Abaixo, vemos a Escola Superior de Engenheiros de Montes, cuja construção foi realizada ao término da Guerra Civil, entre 1941 e 1945, e inspirada nos edifícios castelhanos, principalmente relacionados ao barroco de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe fato, a Cidade Universitária foi a primeira em ser construída na Europa baseada na tipologia das universidades americanas. Sua construção reconhecia de maneira oficial a importância da juventude como um grupo social a ser levado em conta, pertencente a uma classe média em expansão. Para a elaboração do projeto se organizou uma junta diretiva, e o complexo deveria abrigar centros de ensino e pesquisa, administração e manutenção, bem como residências para os alunos e amplas áreas desportivas. A seguir, vemos o edifício do Conselho Superior de Deportes, e algumas esculturas que foram colocadas em seu jardim.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO recinto foi concebido como um campus autônomo, em que os edifícios docentes se agrupavam por áreas temáticas, humanidades, ciências, saúde e belas artes. Para que o projeto pudesse ser efetuado, foi necessário desativar as faculdades situadas no centro histórico, sediadas em velhos edifícios da Calle de San Bernardo que compunham a Universidade Central de Madrid, como vimos no post anterior. O plano construtivo da Cidade Universitária teve, desde o primeiro momento, pleno respaldo governamental, devido à implicação do rei, tornando-se um símbolo da modernidade educativa e científica do país. Abaixo, vemos a Faculdade de Odontologia

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComo responsável das obras, se designou a Modesto López Otero, um arquiteto de prestígio e respeitado por todos (nomeado pela monarquia, confirmado no período republicano e posteriormente também durante a etapa franquista). As primeiras faculdades se construíram entre os anos 1928 e 1936, e estavam quase finalizadas quando se iniciou a Guerra Civil Espanhola. Os estilos predominantes foram o Racionalismo de influência centro européia e o Funcionalismo americano. Em 1928 começaram as obras do campus da Faculdade de Medicina, o mais complexo de todos, cujo interior do edifício principal vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo jardim da faculdade vemos um monumento a Severo Ochoa (1904/1993), que foi congratulado com o Prêmio Nobel de Medicina em 1959. Realizado por seu sobrinho, Victor Ochoa, o monumento foi inaugurado em 1993, e contou com a participação do homenageado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs materiais utilizados na construção dos principais edifícios estavam relacionados com a tradição histórica de Madrid, como o tijolo. Suas principais características eram a ausência decorativa, a simplicidade das linhas arquitetônicas e as soluções clássicas combinadas com amplos volumes geométricos, sendo que algumas das faculdades continham pórticos de caráter monumental, como na Faculdade de Odontologia, visto acima, e também na Faculdade de Farmácia, que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma antiga imagem da Faculdade de Farmácia, de 1952…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ampliação da Faculdade de Farmácia realizada entre 2002 e 2005…

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Cidade Universitária – Madrid

A Cidade Universitária de Madrid localiza-se na parte noroeste da cidade, no Distrito de Moncloa. Por este motivo, é também conhecido como Campus de Moncloa, e alberga a maior parte dos edifícios das Faculdades da Universidade Complutense e da Universidade Politécnica de Madrid, além de cerca de 30 colégios maiores. Ultimamente, estive várias vezes no campus fotografando suas principais faculdades, e decidi realizar uma matéria sobre a Cidade Universitária, por sua grande importância histórica, educacional e arquitetônica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, a instituição de Ensino Superior de Madrid denominava-se Universidade Central e estava situada na Calle de San Bernardo, ocupando o antigo edifício do Noviciado de Jesuítas, fundado em 1602 e cuja finalidade principal era fornecer uma formação espiritual aos aspirantes a entrar na Companhia de Jesus. Abaixo, vemos o edifício…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Universidade Complutense, uma das instituições educacionais mais relevantes da história da Espanha, foi fundada pelo Cardeal Cisneros em 1499, na cidade de Alcalá de Henares, terra natal de Cervantes, declarada Patrimônio da Humanidade e localizada a cerca de 20 km de Madrid (ver matérias publicadas entre 23/8 e 27/8/2016). Por incrível que pareça, mesmo sendo capital do país, Madrid nao teve universidade própria, até que em 1822, durante o período conhecido como Triênio Liberal, se decidiu trazer a Universidade Complutense a Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor não existir locais adequados para a instalação da universidade, vários edifícios foram utilizados para suas funções educativas, até que em 1842 foi trazida para o edifício de Noviciado. Foi então que o edifício foi reconstruído pelo arquiteto Narciso Pascual y Colomer e adaptado para sediar a universidade. As classes universitárias iniciaram suas atividades durante o curso de 1844/1845, com a abertura das Faculdades de Direito e Filosofia e Letras. A Universidade Central continuou desempenhando seus serviços até o momento em que foi levado à Cidade Universitária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de ter sido construída e reconstruída no século XX (no próximo post falaremos um pouco de sua conturbada história), na Cidade Universitária podemos contemplar monumentos históricos, como a Portada que pertenceu ao Hospital de La Latina,que atualmente se encontra em frente à fachada da Faculdade de Arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste hospital também foi fundado no ano de 1499, por Beatriz Galindo e seu marido Francisco Ramírez. Ambos pertenceram ao círculo familiar dos Reis Católicos, Beatriz como responsável da educação dos filhos de Isabel La Católica e o marido como um tenente do exército de Fernando El Católico. Por seu domínio total do latim, Beatriz Galindo ficou conhecida como “La Latina” e realizou diversas obras assistenciais em Madrid naquela época. Este apelido passou a denominar o bairro onde foram criadas as principais instituições por ela fundada. O centro assistencial denominava-se Hospital de la Concepción de Nuestra Señora, mas sempre foi conhecido como Hospital de La Latina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA portada foi edificada no estilo gótico-mudéjar pelo mestre Hazan, e consta de um arco gótico com três esculturas em sua parte superior e o escudo dos fundadores. O hospital esteve em funcionamento até 1899, e foi demolido em 1904 por reformas urbanas na Calle de Toledo, onde se localizava. Abaixo, vemos uma foto antiga do hospital e da portada em sua localização original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA portada se encontra na Cidade Universitária desde os anos 60 e a estrutura de tijolo que a sustenta foi projetada pelo arquiteto Fernando Chueca Goitia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos aspectos mais importantes do projeto construtivo da Cidade Universitária foi que os edifícios deveriam situar-se dentro de um entorno natural com amplos espaços abertos dotados de vegetaçao. Esta idéia de um campus-parque se inspirou nos modelos das universidades americanas, adaptados às características espanholas. Abaixo, vemos o Real Jardim Botânico de Alfonso XIII, monarca que viabilizou o projeto da Cidade Universitária, formando parte do projeto original realizado em 1927 por encargo do rei.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor uma série de razões históricas, que abordaremos na próxima matéria, o jardim botânico somente foi inaugurado em 2001 como um espaço propício para a investigação e divulgação de mais de 800 espécies botânicas. Atualmente também se realizam concertos nos limites do jardim.

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Monastério de San Frutos de Duratón

Dentro dos limites do Parque Natural das Hoces del Río Duratón situa-se o Monastério de San Frutos, cuja localização ao borde do precipício formado pela ação erosiva do rio é verdadeiramente magnífica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara se chegar ao monastério, os carros devem ser deixados num estacionamento, e logo percorrer uma trilha inclinada de 800m, com vistas incríveis do canyon e do próprio monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua história é muito antiga e está relacionada a San Frutos, San Valentín e Santa Engrácia, que viveram como eremitas no local. O primeiro faleceu no ano de 715 e seus irmãos foram decapitados pelos árabes um pouco depois. O lugar tornou-se um centro de peregrinação ao se construir um monastério depois da morte dos santos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1076, depois da reconquista destas terras pelo Rei Alfonso VI, o Priorato de San Frutos passou a depender do Monastério de Silos, um dos mais importantes da Espanha no período medieval, ao qual pertenceu até a Desamortização dos bens eclesiásticos de 1835 (ver matérias publicadas sobre Silos em 8/8 e 9/8/2015).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO antigo monastério foi reconstruído em torno ao ano 1100 no estilo românico, um dos exemplos desta corrente artística mais antigos existentes na Província de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo uma inscrição, as obras foram realizadas pelo arquiteto Michel, e sua construção ordenada pelo Abade Fortunio, pertencente ao Monastério de Silos. Este dado transforma o monastério num raro exemplo da Arte Românica, pois na maioria dos casos o nome do arquiteto construtor é desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o ábside românico

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de San Frutos atingiu seu auge no século XIII. Em torno ao ábside foi descoberto uma necrópole, com tumbas escavadas na rocha em formato antropomórfico, e a cabeça orientada ao oeste, onde o sol nasce.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XII se construíram também duas capelas, das quais se conserva apenas uma delas. Abaixo, vemos outras imagens do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs corpos dos três santos foram colocadas em tumbas situadas dentro de uma singela construção. No entanto, seus restos foram levados a outro local, para serem venerados como relíquias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtravés de um dos vãos da construção do monastério, podemos contemplar a beleza das águas do Rio Duratón

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMe despedi do Monastério de San Frutos e da Província de Segóvia, meu último destino no passeio que realizei com minha esposa no feriado da Semana Santa. Felizes regressamos a Madrid, depois de termos conhecido povoados encantadores e as belas paisagens da Comunidade de Castilla y León.