Catedral de Córdoba – Parte 3

Um dos elementos arquitetônicos mais emblemáticos da Mesquita-Catedral de Córdoba é a esbelta torre, que se eleva de forma imponente. Guarda em parte de sua estrutura, os vestígios de sua primitiva existência como Minarete, como são conhecidas as torres dos templos muçulmanos, cuja função principal é convocar os fiéis às cinco preces que devem ser realizadas diariamente pelo crente mulçumano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Minarete, também denominado Alminar, foi edificado em tempos do Califa Abderramán III (ano 951 dC), com 48 metros de altura. Parte de sua estrutura, de 22 metros, se encontra integrado na atual torre, construída pelo arquiteto Hernán Ruiz III como torre campanário. Inicialmente, projetou dois níveis para alojar as campanas e um relógio em 1593. Um pouco depois, em 1644, foi construído outro corpo, onde foi colocada uma estátua do protetor da cidade, o Arcanjo São Rafael. Em 1755, o Terremoto de Lisboa causou estragos em sua estrutura. É possível subir ao alto da torre para contemplar os sinos e também as maravilhosas vistas da cidade de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Córdoba, além de seu núcleo central formado pela Capela Maior, o Coro e o Trascoro, que vimos na matéria anterior, está formada por mais de 50 capelas, boa parte delas construídas junto ao muro da antiga mesquita. Vejamos algumas das mais importantes. A denominada Capela Real, de estilo mudéjar, foi fundada em tempos do Rei Enrique II de Castilla como local de sepultamento dos monarcas Fernando IV e Alfonso XI. Em 1736 os sepulcros de ambos reis foram levados para outra igreja de Córdoba, a de San Hipólito, e neste templo permanecem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra La Antigua está decorada com uma bela imagem da Virgem realizada em 1641 pelo artista Francisco Vargas, inspirada na tradição bizantina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1565 é a Capela da Natividade de Nossa Senhora, cujas pinturas do retábulo foram realizadas por Gabriel Rosales. Representa a Árvore de Jessé, como tradicionalmente se conhece a Árvore Genealógica de Cristo, iniciada partir de Jessé, pai do Rei Davi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra do Rosário fundou-se em 1612. As coloridas colunas que compõem o retábulo simulam o mármore. Esta bela obra é atribuída ao pintor barroco, natural de Córdoba, Antonio del Castillo (1616/1668), considerado um dos grandes nomes do Século de Ouro Espanhol. No quadro vemos a Virgem do Rosário no centro, com São Sebastião no lado esquerdo e São Roque no direito. Na parte superior, aparece Cristo Crucificado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra da Concepção é uma das mais belas da Catedral de Córdoba. Também conhecida como Capela do Santíssimo Sacramento, foi construída a partir de 1679, estando decorada por pinturas em sua cúpula que representam ao Espírito Santo e os 4 evangelistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra capela de grande beleza é a de Santa Teresa, fundada em 1697 pelo Cardeal Pedro de Salazar Gutiérrez de Toledo, grande admirador e devoto da santa de Ávila. De planta octogonal, está coberta por uma esplêndida cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela se encontra o sepulcro do cardeal fundador, feito com mármore branco e negro, e com a estátua orante do cardeal, junto com querubins. A capela foi construída no começo do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta capela acolhe a Câmara do Tesouro, que exibe algumas das peças artísticas mais valiosas da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA principal delas foi situada no centro da capela, uma custódia realizada por Enrique de Arfe no princípio do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte exterior da Mesquita-Catedral podemos admirar alguns altares, como o dedicado à Virgen de los Faroles (original em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERABrasões do século XVIII com os escudos episcopais decoram um dos muros da catedral…

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom esta matéria, finalizo os posts dedicados a este templo sagrado universal, a Mesquita-Catedral de Córdoba. No entanto, as matérias sobre a cidade estão longe de finalizar-se devido a grande quantidade de locais de interesse histórico e artístico que podemos ver numa visita pela cidade. No próximo post, veremos outro lugar fundamental, o Alcázar dos Reis Cristianos

Córdoba – Capital de Al Andalus

No ano 711 dC, os exércitos árabes e bereberes invadiram a Península Ibérica desde o norte da África e conquistaram o decadente Reino Visigodo. Em menos de 7 anos, praticamente todo o território estava sob seu poder. Inicia-se uma fase de grande importância para a história de Espanha e, particularmente, para Córdoba. A cidade é conquistada no mesmo ano e pouco tempo depois, em 716 dC, foi escolhida como capital do Império Árabe do Ocidente, chamado de Al Andalus, papel que desempenhou até o começo do século XI, apesar que a ocupação muçulmana se perpetuou na cidade até 1236. A cidade passa a denominar-se Madinat Qurtuba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO esplendor árabe inicia-se durante o governo de Abderramán I (731/788), último sobrevivente da dinastia dos Omeya de Damasco (Síria). Em 756 dC, funda o Emirato Independente de Al Andalus, criando um estado forte e centralizado, facilitando a ascensão ao poder de outros membros da dinastia. Um dos emires de Córdoba, Muhammad I, funda a cidade de Madrid aproximadamente no ano 860 dC. Abaixo, vemos capitéis do período emiral (século IX), pertencente ao acervo do Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbderramán I inicia a construçao da mesquita em 756 dC, mas o grande esplendor da cidade ocorre a partir do governo de Abderramán III (891/961 dC), que se autoproclama Califa, dando origem ao Califato de Córdoba em 929 dC, que se prolonga até 1031. Abderramán III rompe os antigos laços com o Oriente e começa uma fase de grandes construções pela cidade, como a ampliação que realizou na mesquita (sobre ela publicarei matérias especiais). Abaixo, vemos peças de cerâmica do período califal, também pertencente ao Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século X, chegou a contar com uma população estimada entre 500 mil e 1 milhão de habitantes, transformando-se na maior, mais culta e opulenta de todo o mundo, sendo comparada somente com Bagdá e Constantinopla. Este grande momento de sua história se refletiu no desenvolvimento artístico e científico. Contou com uma famosa universidade e uma biblioteca que possuía cerca de 400 mil volumes. O nível de alfabetização era alto, graças as 27 escolas espalhadas pela cidade. Estava adornada com jardins, cascatas e lagos artificiais, e possuía uma grande quantidade de fontes, iluminação pública e rede de saneamento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMediante um aqueduto, se abastecia de água as fontes e banhos públicos da cidade que, segundo os cronistas, chegou a contar com 700 !!!! Um destes banhos da época califal pode ser visitado atualmente, sendo considerado o mais importante (em Córdoba se conservam 5 banhos da época árabe).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste banho foi construído durante o Califato de Córdoba para o desfrute do califa e de sua corte. Estava situado junto ao desaparecido Alcázar Árabe, ao qual pertencia. Seguia o modelo dos banhos romanos, com salas frias, temperadas e quentes, e as estâncias eram cobertas com bôvedas suportadas por arcos rematados com capitéis de mármore, como o que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA limpeza corporal e ritual era e continua sendo uma prática fundamental da cultura islâmica. Precediam a oração, além de constituir um ato social.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes banhos eram denominados de Hammam, e este concretamente serviu também como harém para o califa. Encontrado acidentalmente em 1903, foi aberto como museu em 2006.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma maquete do Banho Califal de Córdoba

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs cemitérios em época islâmica estavam situados na periferia do núcleo urbano. As tumbas eram austeras, sendo pouco comum a existência de grandes sepulcros. Abaixo, vemos lápides de algumas tumbas, decoradas com inscriçoes (Museu Arqueológico de Córdoba).

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Murcia

A Comunidade Murciana, uma das 17 comunidades autônomas que constituem a Espanha, situa-se na região sudeste da Península Ibérica. Seu clima mediterrâneo com algumas características semidesérticas lhe proporciona muitos dias ensolarados ao ano, com escassas precipitações. Por este motivo, os 180 km de litoral que possui se transformaram num importante destino turístico, tanto a nível nacional, quanto estrangeiro. Sua capital, Murcia, é uma agradável cidade com aproximadamente 400 mil habitantes, cuja população é aberta e hospitaleira. Estive por primeira vez na cidade há alguns meses atrás, e fiquei encantado com sua história, gente e gastronomia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Comunidade Murciana é conhecida como a “Horta da Espanha”, graças a importância de sua agricultura, na qual se destacam suas verduras e legumes. O elemento essencial de sua fertilidade é o Rio Segura, que corta a comunidade e atravessa a cidade de Murcia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu desenvolvimento esteve intimamente relacionado ao rio e sua agricultura prosperou graças ao eficiente sistema de irrigação criado pelos árabes, os fundadores da cidade. Na foto acima, vemos a Ponte Velha, a mais antiga da cidade. Abaixo, vemos uma antiga foto, tirada mais ou menos do mesmo local, com a torre da catedral no lado esquerdo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ponte Velha, feita totalmente de pedra, finalizou-se em 1742 e substituiu uma anterior de madeira, que se destruiu depois de uma enchente provocada pelo Rio Segura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte central da ponte podemos observar um marcador que foi colocado para determinar a altura do rio durante as épocas de maior quantidade de água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ponte Velha também é conhecida como a Ponte dos Perigos, em virtude da capela que se situa num dos lados do rio e que alberga a imagem da Virgem dos Perigos, de grande veneração na cidade. Segundo a tradição, a santa protegia os murcianos toda a vez que cruzavam o rio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo a ponte foi colocada uma curiosa escultura de um enorme peixe…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA segunda ponte construída na cidade ficou conhecida como a Ponte Nova, também chamada Ponte de Ferro, devido a sua estrutura metálica composta por vigas parabólicas. Projetada em 1894 pelo arquiteto José María Ortíz, foi concluída em 1903 e seu uso é exclusivo para pedestres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs habitantes de Murcia possuem outra alternativa para atravessar o rio, através de uma bela passarela, construída há alguns anos atrás.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade de Murcia foi fundada pelos árabes em torno ao ano 825. Com o objetivo de acabar com as constantes lutas internas entre os distintos grupos árabes da região, o emir de Córdoba Abderramán III decidiu fundar um novo núcleo urbano, em que pudesse exercer a autoridade no lugar. Bem protegida por sólidas muralhas, a Mursiya muçulmana desenvolveu-se rapidamente, transformando-se num importante centro regional. Deste período se conservam uma parte das muralhas, pertencentes ao séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1266, Murcia foi reconquistada pelo rei Jaime I, “El Conquistador”, no momento de maior esplendor de sua época árabe. Depois deste grande acontecimento histórico, o sistema defensivo da cidade continuou sendo utilizado, mas sofreu várias reformas durante a Idade Média. Uma parte deste complexo defensivo pode ser visitado num museu que conserva os restos de sua muralha medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu, que chama a atenção por sua combinação de cedro americano, aço e vidro, está localizado na Praça de Santa Eulália, cujo nome é uma referência a uma das portas de acesso da muralha medieval edificada no séc. XV, que podemos ver no museu. Um moderno sistema de áudio e vídeo ajuda a entender a importância histórica da muralha e sua evolução ao longo dos séculos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm painel com os distintos nomes que a porta recebeu no decorrer de sua história também foi colocado no museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos próximos posts, veremos as muitas atrações que nos reserva a cidade de Murcia, suas praças, monumentos, a bela catedral, o impactante cassino, etc.

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Museu Arqueológico Nacional: Al Ándalus

A conquista muçulmana da Península Ibérica condicionou de forma significativa e permanente a história da Espanha. Basta observá-la nas inúmeras cidades fundadas pelos árabes, na sua gastronomia, vocabulário, arquitetura, etc. Depois da vitória sobre os visigodos na Batalha de Guadalete em 711, em poucos anos os muçulmanos se apoderaram de grande parte do território peninsular, com exceção feita ao Reino de Asturias, situado no norte do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAl Ándalus foi o nome que os muçulmanos deram ao império peninsular sob seu domínio, até sua dissolução em 1492, quando os Reis Católicos conseguiram conquistar o último reduto árabe, a cidade de Granada. Ou seja, permaneceram quase oito séculos. A fronteira de Al Ándalus foi variando na medida em que o processo cristão de reconquista passou a ocupar os territórios então sob o poder dos árabes. Abaixo, podemos ver outro mapa em que notamos a ampliação territorial  dos reinos cristãos, no séc. XI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma primeira etapa, de 711 a 756, Al Ándalus foi um Emirato dependente do Califato de Damasco. Em 756, um príncipe da dinastia omeya de Damasco chamado Abderramán, conquistou o território árabe da península, fundando o Emirato de Córdoba, cidade que tornou-se desde o início do império sua capital. O estado cordobês se consolida com Abderramán II, o primeiro de uma série de excelentes governantes com interesses culturais e protetores das artes e das letras. Al Ándalus se transforma numa grande potência. No ano 929, Abderramán III instaura o Califato de Córdoba. Seu governo, junto com o de seu filho Al Hakam II representou a época dourada do império andalus. Abderramán III fundou a poucos quilômetros de Córdoba uma nova cidade residencial, cujo luxo e opulência impressionaram a todos aqueles que a conheceram. Atualmente, Medina Azahara é uma das grandes atrações turísticas da região de Córdoba, e sua visita é obrigatória para poder compreender o esplendor de Al Ándalus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo período do Califato, Córdoba se destaca como a principal cidade de Europa, tanto no plano cultural, quanto artístico. Herdeiros do conhecimento da Antiguidade Clássica e do Oriente, os árabes contribuíram de forma extraordinária para o conhecimento científico e a filosofia, entre muitas outras áreas. O aparecimento de um guerreiro chamado Almanzor, que adquiriu poderes e prestígio superiores aos do califa está relacionado com o período de expansão dos reinos cristãos ao sul, provocando uma mudança radical no processo histórico. As campanhas vitoriosas de Almanzor o levaram desde Catalunha até Santiago de Compostela. Sua morte em 1002 marcou o início da decadência árabe, pois depois da hegemonia militar seguiu-se uma grande crise política pelo poder. O resultado final foi a desintegração do império árabe, que se fragmenta em diversos reinos independentes denominados Reinos de Taifa, a partir de 1031. Entre os mais importantes, destacaram-se a Taifa de Toledo e a de Zaragoza, cujo palácio muçulmano do séc. XI vemos abaixo (Aljafería de Zaragoza).

DSC04832Com a falta de um poder centralizador, os Reinos de Taifa facilitaram enormemente o avance cristão. A progressiva expansão dos reinos cristãos transformou o território. A população árabe das cidades reconquistadas, e que permaneceram nas mesmas, passou a ser chamada de mudéjares. No Museu Arqueológico Nacional estão expostas várias peças do legado artístico dos árabes que viviam sob domínio cristão, como estas cerâmicas, do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA  OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de grandes artesãos, os mudéjares eram hábeis construtores, erguendo várias igrejas que ainda hoje podemos ver em Toledo, Castilla, Aragón, etc. Decoravam também o interior dos templos e dos palácios com um típico artesanato feito de madeira, de grande qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs mudéjares realizaram cúpulas para os recintos interiores verdadeiramente magistrais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos outras obras do período árabe no museu, como um friso de gesso que fazia parte do Palácio da Aljafería de Zaragoza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesta peça de bronze do séc. X em forma de cervo, saía a água de uma fonte em Medina Azahara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm objeto de marfim de incrível refinamento…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma pia de rituais religiosos pertencente a Almanzor, e também encontrada em Medina Azahara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a reconquista, os edifícios árabes são adaptados às novas funções, os alcázares se transformam em palácios e as mesquitas, em igrejas e catedrais. No próximo post, veremos a seção do Museu Arqueológico Nacional dedicada aos Reinos Cristãos.

Castelo de Gibralfaro – Málaga

Além da Alcazaba, o denominado Monte Gibralfaro acolhe em sua parte mais elevada o Castelo, cujo nome se originou de um farol existente durante a época fenícia. Dessa forma, o Castelo de Gibalfaro e sua localizaçao estao relacionados às origens da cidade de Málaga, tanto no que se refere à sua funçao como posto de vigia, como no aspecto de assentamento humano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ bem provável que durante o período romano já existisse uma fortaleza no local, mas foi na época árabe quando se construiu o castelo, que domina toda a regiao. Realmente, o chamado castelo é, na realidade, um grande recinto defensivo, e seu aspecto nao tem nada que ver com a imagem de um castelo, e sim de um Alcázar (fortaleza).

DSC09516As ruínas existentes no local foram transformadas num sistema defensivo pelo rei Abderramán III, sendo ampliadas e convertidas em Alcázar por Yusuf I, no séc. XIV. Sua funçao era de albergar as tropas e proteger a Alcazaba, situada na parte inferior do Monte Gibralfaro.

DSC09517Considerada durante uma época a fortaleza mais inexpugnável da Península Ibérica, o Castelo de Gibralfaro sofreu um forte assédio pelos Reis Católicos durante a reconquista da cidade no final do séc. XV. Depois de conquistada pelos monarcas, foi utilizado pelo rei Fernando El Católico como residência, enquanto a rainha Isabel preferiu viver na cidade.

DSC09518A estrutura geral do castelo está formada por uma linha dupla de muralhas e 8 torres, das quais a mais alta possui 17m de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi também durante o governo dos Reis Católicos quando a imagem do castelo foi incorporada ao escudo e a bandeira, tanto da província, quanto da cidade de Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma maquete situada no Centro de Interpretaçao do Castelo de Gibralfaro, onde podemos observar o Castelo na parte superior e a Alcazaba na inferior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O Castelo de Gibralfaro foi declarado Monumento Histórico-Artístico em 1931, e pode ser visitado, depois de uma “boa” subida pelo monte. Para os que preferem uma excurçao mais “light”, existem ônibus que chegam no alto do monte, mas as vistas de todo o recinto defensivo formado pela Alcazaba e o Castelo aconselham a caminhada. Do alto, apreciamos toda a cidade de Málaga.

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Real Alcázar de Sevilha

Dos lugares que conheci na Andaluzia, Sevilha foi aquele que mais me impressionou. Em parte, isso se deve à falta de conhecimentos que possuía da cidade, fazendo com que meu grau de expectativa não fosse muito elevado. Na maior parte das vezes, este nível de exigência com relação a lugares, coisas ou até mesmo pessoas, pode levar à decepção e até mesmo a indiferença. Tal não foi o caso da cidade andaluz, muito pelo contrário.

Entre os muitos monumentos que se pode conhecer, o Real Alcázar é uma maravilha, que por si só, torna recomendável uma visita à cidade de Velázquez. Tanto é, que lhe foi concedido o título de Patrimônio da Humanidade em 1984, junto com o Arquivo Geral das Índias e a Catedral.

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Na verdade, trata-se de um conjunto de palácios, em cuja construção foram desenvolvidos diferentes estilos ao longo de sua história, desde o islâmico de seus primeiros moradores, o mudéjar e o gótico do período posterior à reconquista da cidade pelas tropas castelhanas, além dos elementos renascentistas e barrocos incorporados em sucessivas reformas a partir de então.

O recinto, como o próprio nome indica, tem sido habitualmente usado como local de residência da Casa Real Espanhola e dos chefes de estado em suas visitas à cidade, sendo considerado o Palácio Real mais antigo da Europa em atividade, como reconheceu a Unesco.

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O Alcázar começou a ser construído no séc. X pelo primeiro califa andaluz Abderramán III, que aproveitou um antigo assentamento romano.

O primitivo palácio pertence à mesma época que a Alhambra de Granada, e foi ampliado durante o Emirato nos séculos XI e XII, bem como no período dos almohades. Atualmente, se conserva deste antigo palácio apenas o Pátio de Gesso. Depois da conquista de Sevilha pelo rei Fernando III em 1248, transformou-se na residência dos reis cristãos, e seu filho Alfonso X “EL Sábio”, ordenou a construção de três salões no estilo gótico. A sala gótica, também denominada sala das festas, foi utilizada no séc. XVI para a celebração de banquetes reais, como sucedeu no casamento do rei Carlos I.

DSC00263Durante o reinado de Felipe II (séc. XVI), foi reformada com toques renascentistas. O terremoto de Lisboa de 1755 afetou o conjunto, sendo restaurado dentro de uma estética barroca. Abaixo, vemos a capela e a sala dos tapetes, cujas peças que decoram o ambiente são de origem flamenca (Bruxelas).

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Em 1364, Pedro I de Castilla decidiu pela construção do denominado Palácio Mudéjar, que assombra pela riqueza e ornamentação decorativa. Hoje em dia, é célebre por ser considerado um dos conjuntos mais completos da arquitetura mudéjar de toda Espanha.

O palácio está constituído por vários recintos. O chamado Pátio das Donzelas é uma obra prima da arte mudéjar andaluz. De planta retangular, apresenta no seu nível inferior, uma série de arcos apoiados em colunas de mármore. Situados à direita do pátio, encontram-se a Alcova e a Sala reais.

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O Salão dos Embaixadores, onde realizavam-se as principais cerimônias da corte, é um dos mais importantes de todo o conjunto.

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O Pátio das Bonecas, cujo nome refere-se aos pequenos rostos visíveis em vários de seus arcos, está belissimamente decorado com azulejos, destacando as colunas e capitéis procedentes de Medina Azahara. O nível superior está composto pelos quartos ampliados e reformados na época dos Reis Católicos, mas não estão abertos à visitação pública, já que é um espaço destinado ao uso exclusivo da família real.

DSC00241DSC00247O Pátio da Montería permite o acesso ao palácio mudéjar.

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Os imensos e belos jardins que compõem o Real Alcázar estão compostos por terraças, fontes e esculturas, e é um verdadeiro prazer caminhar sem pressa, contemplando cada lugar que se descobre neste imenso espaço verde.

DSC00238Sevilha11DSC00283O acesso principal ao Real Alcázar se dá pela Porta do Leão, cujo painel de azulejos, com a figura do animal que lhe dá nome, data de 1894.

DSC00230Este incrível lugar foi cenário de vários filmes, entre eles, 1492- A Conquista do Paraíso, Lawrence de Arábia e o Reino dos Céus.

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Córdoba

Situada numa depressao às margens do rio Guadalquivir e aos pés da Serra Morena, Córdoba é a terceira maior cidade Andaluza, depois de Sevilha e Málaga.

Seu primeiro nome conhecido, Corduba, foi outorgado sob a forma de Colônia Patrícia Corduba, quando de sua fundação pelos romanos no séc. I aC. Outras referências, porém, ressaltam uma origem semítica, Qorteba, que significa moinho de azeite. Outras possibilidades seriam Qart-tuba, cidade boa, ou Kart-oba, cidade do rio.

O centro histórico da cidade foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1994, englobando uma das mais extensas áreas catalogadas com este título no mundo.

Seu primeiro momento de esplendor ocorreu quando foi a capital da província romana Hispania Ulterior Baética. A ponte romana que ainda hoje podemos contemplar foi durante 20 séculos a única existente, até que foi construída a ponte de San Rafael em mediados do séc. XX. Construída no séc. I dC, possui um comprimento de 331m e está formada por 16 arcos. Em 2004, tornou-se uma ponte exclusiva para pedestres e em 2008 sofreu a maior reforma de toda sua história, cujo objetivo foi devolver-lhe seu aspecto original.

Córdoba foi o local de nascimento de 3 grandes filósofos: o estóico Sêneca, em sua época romana, foi o primeiro. Averroes, cuja estátua vemos abaixo, é considerado por muitos, o maior filósofo árabe da Idade Média, e sua obra literária gira em torno de Aristóteles, definindo as relações entre religião e filosofia. Por último, o judeu Maimónides. Filósofo, rabino, intérprete da lei hebraica e médico, publicou várias obras em múltiplos campos do saber, das quais o Guia dos Perplexos, obra de filosofia aristotélica baseada na Torá, concilia o judaísmo com a razão.

Abaixo, vemos uma foto da antiga judería, formada por ruas de formato irregular e de casas brancas.

No ano de 711 dC, os árabes invadiram a península e em menos de dois séculos converteram Córdoba na maior cidade da Europa e uma das maiores do mundo e, possivelmente, a mais culta. No séc. X, finalizou-se a grande Mesquita, chegando a ser um importante centro de peregrinação para os muçulmanos. Contava com uma famosa universidade e uma biblioteca com mais de 400 mil volumes. O nível de alfabetização da população era alto e estava adornada com jardins, cascatas e lagos artificiais de grande beleza. Por toda parte se podia admirar suntuosos palácios, cheios de requinte, como por ex., o de Medina Azahara. Levou 25 anos para construir-se e suas ruínas são testemunho de sua antiga grandeza. Mais que um palácio, era uma cidade palatina, construída sob as ordens do primeiro califa de Córdoba, Abderramán III. Situada a 8 km da cidade, sua edificação foi realizada por motivos políticos-religiosos, pois seria uma mostra da superioridade da dinastia Omeya diante de seus inimigos, os Fatimíes, estabelecidos no norte do continente africano. Além disso, pertenciam à comunidade xiita, enquanto os omeyas eram sunitas, fato que supôs uma grande rivalidade entre ambos. A cultura popular, no entanto, diz que foi edificado em homenagem à favorita do califa, chamada Azahara.

Aproveitando o desnível do terreno, a cidade foi distribuída em 3 terraças separadas por muros. O palácio situava-se em sua parte mais elevada. No nível intermediário, estavam as casas dos funcionários mais ilustres da corte e no inferior, a cidade propriamente dita, com sua mesquita.

Os textos históricos e literários nos contam o elevadíssimo gasto de sua construção, do enorme esforço para realizá-lo e de sua monumentalidade e esplendor artístico, além do luxo e ostentação das recepções e cerimônias realizadas no palácio. Transcorrido menos de 100 anos, o conjunto ficou reduzido a um imenso campo de ruínas, pois foi destruído e saqueado no ano 1010, como conseqüência da guerra civil que colocou fim ao califato cordobês.

De todas suas dependências, destaca o salão de Abderramán III, também denominado Salão Rico, por sua qualidade artística e importância histórica. Sua parte central está separada das demais por um conjunto de arcadas de ferradura similar às encontradas na Mesquita de Córdoba.

As paredes estavam revestidas com finos painéis decorados em mármore.

Um de seus motivos principais é a Árvore da Vida, tema importado do oriente, e que tinham um grande simbolismo cosmológico, em concordância com o teto feito de madeira que cobria a estância, onde se representava um céu de estrelas.

A presença árabe na cidade esteve marcada por dois períodos. O primeiro foi o Emirato de Córdoba, proclamado por Abderramán I em 756 dC, no qual tornou-se independente do centro da dinastia, em Bagdá. Já o Califato foi fundado por Abderramán III, em 929 dC. Durante o reinado de seu filho, Hisham II (976/1016), o grande protagonista foi o hayib ou primeiro ministro Almanzor, gênio militar que em várias batalhas manteve aos reis cristãos do norte em xeque, chegando a invadir León, Pamplona, Barcelona e Santiago de Compostela. Depois de sua morte em 1002, os problemas sucessórios levaram a uma guerra civil que ocasionou a desintegração do califato em 1031 dC. Como conseqüência, surgiram os Reinos de Taifas, que devido à sua descentralização e fragilidade, fortaleceu os reinos cristãos e acelerou o processo de Reconquista.

Em 1236, Córdoba é reconquistada para o reino de Castilla y León, graças ao rei Fernando III “El Santo”. Na foto a seguir, vemos sua estátua, na entrada do Alcázar dos Reis Cristaos.

Um dos principais monumentos desta época, este edifício de caráter militar foi construído durante o reinado de Alfonso XI de Castilla, sobre os restos do Alcázar árabe anterior.

Tornou-se a residência dos monarcas em suas estâncias pela cidade, e os Reis Católicos nele permaneceram 8 anos, dirigindo da mesma a campanha contra o último reino muçulmano de Espanha, o Reino de Granada. Em suas dependências, Cristóvão Colombo solicitou os fundos para sua aventura marítima em 1486. Na imagem de abaixo, a estátua de Cristóvao Colombo, junto com os Reis Católicos.

Depois da conquista de Granada (1492), os Reis Católicos cederam o imóvel às autoridades eclesiásticas, que o converteram no Tribunal de Santo Ofício, perdendo seu ambiente palaciego. Com a abolição do Tribunal da Inquisição em 1812, foi transformado em prisão, até que em 1931 foi destinado a fins militares. Por fim, em 1955 foi cedido à prefeitura de Córdoba e, atualmente, é um museu e centro cultural. Na Sala dos Mosaicos, podemos ver alguns deles encontrados na cidade, como este, que pertenceu ao antigo circo romano.

O exterior do alcázar caracteriza-se por sua sobriedade, em contraste com o rico interior, repleto de jardins arborizados e pátios.

Este post apresenta uma pequena parcela do excepcional patrimônio desta cidade de Andaluzia. Recomendo, pois, sua visita, de preferência que nao seja no verao (julho/agosto), por que faz um calor de rachar…