Igrejas Históricas de S.Compostela – Parte 2

Muitas das Igrejas Históricas de Santiago de Compostela estão relacionadas ao Apóstolo Santiago, como nao poderia ser diferente. Um exemplo é a Igreja de San Félix de Solovio, que está intimamente vinculada à descoberta da tumba do santo padroeiro da Espanha, pois no local onde se ergueu viveu o eremita Pelayo, que encontrou por primeira vez o sepulcro do apóstolo, guiado por luzes celestiais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO grande destaque desta igreja é sua portada, realizada no estilo românico ao redor do ano 1200. No tímpano, vemos a representação da Adoração dos Reis Magos, cujo relevo escultórico data de 1316. A torre e o resto do templo pertencem ao século XVIII, quando Simón Rodríguez ampliou a igreja e construiu a torre campanário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da descoberta da tumba do apóstolo no século IX, o Rei Alfonso II fundou o Monastério de San Paio de Antealtares com a finalidade de cuidar dos peregrinos, estando habitado inicialmente por 12 monges beneditinos. Esta comunidade religiosa masculina, regida pela regra de San Benito, permaneceu no monastério até o ano de 1487, quando passaram a outro importante monastério da cidade, de San Martín Pinario, que em breve veremos no blog.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPouco depois, o monastério acolheu uma comunidade de freiras beneditinas, procedentes de vários outros conventos que foram suprimidos. Atualmente, este monastério é o único existente em Santiago de Compostela que pertence à Ordem Beneditina. Na fachada, atribuída ao português Mateo López, que a realizou em 1600, vemos a imagem do santo titular, San Paio, que foi martirizado em Córdoba ainda menino, sendo degolado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja do monastério pertence aos séculos XVII e XVIII, pois a primitiva construção foi derrubada. Abaixo vemos algumas imagens do interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra instituição religiosa de importância é o Convento das Madres Mercedarias, fundado em 1671. Possui uma  esplêndida fachada, com um relevo da Anunciação realizada pelo escultor barroco Mateo de Prado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASeguramente, uma das igrejas mais interessantes que conheci na cidade foi a Igreja de Santa María de Sar, fundada como um pequeno monastério sob a regra de San Agustín (Santo Agostinho, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída às margens do Rio Sar, foi edificada no século XII no estilo românico. Junto com a Catedral de Santiago, é o templo que mais conserva sua estrutura românica em toda a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua fachada é sóbria, mas apresenta um belo sentido de proporção…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVIII, com o objetivo de evitar sua ruína, foram colocados arbotantes para proteger e segurar os muros da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos fotos do belo interior desta igreja….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima, vemos a imagem da Virgem Maria que preside o Altar Maior, esculpida em 1800. Na igreja encontra-se sepultado o Arcebispo Compostelano Don Bernardo, falecido em 1291. Ao renunciar à mitra, se retirou neste monastério. Seu sepulcro é considerado o mais antigo que se conhece de um arcebispo da cidade. Abaixo, vemos os ábsides românicos da igreja…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste templo possui um interessante claustro, que infelizmente não pude conhecer porque estava fechado, mas pude tirar uma foto de sua porta de entrada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, a igreja recebeu o título de Colegiata. Em 1867, foi transformada em paróquia e no ano de 1895 foi declarada Monumento Nacional, antes mesmo que a própria Catedral, cujo título foi outorgado um ano depois.

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Igreja de San Miguel – Ayllón

Em relação ao seu patrimônio religioso, Ayllón conta com duas igrejas românicas, as Igreja de San Juan (que veremos no próximo post) e a de San Miguel. Esta última preside a Plaza Mayor da cidade, junto ao Edifício do Ayuntamiento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde que foi construída no século XII, a Igreja de San Miguel foi a principal da vila. No século XVI, se colocou um grande pórtico com um balcão em sua fachada principal para que os clérigos pudessem presenciar as festividades e atos públicos que se realizavam na praça, como podemos ver na imagem acima. Esta igreja destaca-se por sua riqueza escultórica, presente nos capitéis que rematam as colunas do exterior do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo capitel acima, vemos motivos geométricos entrelaçados e um curioso detalhe em forma de um tabuleiro de xadrez, inspirado nas construções românicas das igrejas da Comunidade de Aragón. Também foram esculpidos motivos do denominado Bestiário Românico, composto por animais fantásticos de grande valor simbólico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o típico ábside semicircular da igreja, algo característico das construções românicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior do ábside existem pequenas esculturas chamadas  Canecillos, onde também foram talhadas pequenas e curiosas figuras, como um homem trabalhando…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta de acesso ao templo ficou um pouco escondida depois da construção do pórtico…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1902, a Igreja de San Miguel foi fechada para o culto. A partir de então, passou a sediar uma grande variedade de atividades culturais, como exposições, concertos, etc. Nos meses de verão, em seu interior funciona a Oficina de Turismo de Ayllón. Quando estive na cidade, havia uma interessante feira de artesanato local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o retábulo maior da igreja, junto com objetos produzidos na cidade, de estilo barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO principal tesouro que alberga a igreja é o sepulcro plateresco de Don Pedro Gutiérrez e César e sua segunda esposa, Dona Juana Enríquez, Marqueses de Villena. Originalmente o sepulcro se encontrava na Igreja de San Juan, numa capela gótica construída por ordem dos marqueses para acolher sua sepultura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos o post com mais uma foto da Igreja de San Miguel

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Igrejas Românicas: Ávila

Ávila possui um enorme e importante patrimônio histórico relacionado à Arquitetura Românica. De fato, junto com as cidades de Segóvia e Zamora, Ávila conta com a maior quantidade de Igrejas Românicas de toda Espanha. Algumas delas já foram matéria aqui no blog, como a maravilhosa Basílica de San Vicente (publicada em 22/7/2012) e a Igreja de San Pedro (post intitulado “Românico em Ávila”, publicado em 30/7/2012). Hoje veremos outros templos edificados neste estilo, que podem ser conhecidos numa visita à cidade. Em sua maioria, foram construídas no século XII, e todas elas receberam o título de Monumento Nacional, outorgado àqueles monumentos representativos da história do país e que sao protegidos por lei. A única Igreja Românica situada dentro das muralhas de Ávila é a Igreja de San Esteban, cujo aspecto atual é o resultado de reformas realizadas a partir do século XVI. O ábside é original do período românico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADedicada ao padroeiro da cidade, a Igreja de San Segundo também foi reformada no século XVI. Inicialmente estava dedicada a São Sebastião, titularidade que mudou com a descoberta no século XVI de restos humanos que foram atribuídos a San Segundo, primeiro Bispo de Ávila.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs três ábsides que a constituem são originais, bem como uma das portas de acesso ao templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos capitéis românicos que decoram a porta, mas que estão muito erosionados pela ação do tempo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA espadaña foi colocada em época posterior à construção da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Nicolás foi construída na segunda metade do século XII, numa zona ocupada tradicionalmente por artesãos e abundante população mourisca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi consagrada pelo Bispo Jacobo de Ávila em 1198 e em 1980 recebeu o título de Monumento Histórico-Artístico. O destaque fica por conta de sua imponente torre e uma das portas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das igrejas mais antigas de Ávila, a Igreja de San Andrés destaca-se na paisagem urbana da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAparece documentada por primeira vez em 1250, mas sua construção é anterior. Monumento Nacional desde 1923, foi restaurada duas vezes no século XX, na década de 30 e nos anos 60.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída com pedra arenítica, destaca-se por seu tamanho e sua bela torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima vemos os ábsides semicirculares da igreja, característicos da Arquitetura Românica. Os arcos de meio ponto, também semicirculares, podem ser observados na torre e nas portas de entrada, e constituem outro dos elementos associados ao estilo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA escultura, depois de um longo período de abandono a partir da queda do Império Romano, voltou a ser realizada no Românico, como um elemento associado à arquitetura. Os capitéis que rematam as colunas foram decorados com esculturas que representam motivos florais, animais e cenas religiosas.Abaixo, vemos um dos capitéis que ornamentam a porta de acesso à Igreja de San Andrés.

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Monastério de Sant Pere de Rodes – Parte 2

A igreja do Monastério de Sant Pere de Rodes é uma das construções mais importantes do Românico na Catalunha, em sua fase inicial. Existe uma polêmica em relação a sua data construtiva, devido a escassa documentação existente. No entanto, a maioria dos estudiosos a situam no século XI. A planta de sua nave central possui uma grande originalidade arquitetônica, destacando sua bôveda formada por arcos semicirculares (Bôveda de Cañon).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO teto se sustenta por poderosas colunas e pilastras, estando ornamentada por capitéis cujos modelos foram copiados diretamente da arte romana, no estilo corintio. A presença de capitéis esculpidos é bastante rara nos monumentos românicos do século XI, na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cabeçeira está composta por 3 ábsides semicirculares. Para salvar o desnível do terreno onde se levantou o monastério, se construiu uma cripta, relacionada ao culto das relíquias na Idade Média. Um pouco depois da igreja, se construiu o átrio, também denominado galilea, cuja função principal  era servir como um panteão nobre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu elemento mais relevante era a portada, esculpida em mármore no século XII. Infelizmente, foi expoliada no princípio do século XIX, e atualmente a maioria de suas peças se encontram espalhadas pelos museus do mundo. Porém, podemos admirar uma cópia do relevo que representa a Aparição de Cristo Ressuscitado, que decorava a porta, realizada pelo chamado Mestre de Cabestany no século XII. O original se encontra no Museu Frederic Marès de Barcelona, matéria de um post publicado em 22/2/2013, cuja visita recomendo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo redor do ábside central, contornando o altar maior, foi construído um Deambulatório, que proporciona belas vistas do interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério conta com dois claustros. O claustro primitivo, do século XI, foi descoberto em escavações realizadas no começo da década de 90 do século passado. No século XII, a prosperidade do conjunto monacal fez com que fosse necessário um claustro maior. O antigo foi soterrado e o “novo” se ergueu em sua parte superior. Abaixo, vemos o primeiro claustro e, em seguida, o superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEnquanto o claustro inferior permaneceu praticamente intocado, o superior foi reconstruído, e atualmente pouco conserva do original. As restaurações realizadas na década de 90 produziram modificações no claustro, mas podemos visualizar de maneira simultânea a ambos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o claustro superior e a torre campanário, pertencente ao século XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo centro de cultura que foi na época medieval, uma das grandes obras produzidas no Monastério se encontra atualmente na Biblioteca Nacional da França, a chamada Bíblia de Rodes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pouco antes de se chegar ao monastério, se localizam as ruínas do antigo povoado de Santa Creus de Rodes, que provavelmente estava amurralhado, graças às portas fortificadas que vemos hoje em dia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar do estado ruinoso, podemos imaginar as casas do local…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelizmente, a igreja se conserva, sendo que já era conhecida no ano de 974. No final do século XI, se menciona o templo como uma possessão do monastério. Seu estilo é o pré-românico, com algumas partes posteriores. No século XVI, o povoado foi abandonado. Finalizamos a matéria com uma foto do exterior da igreja, e outra de seu interior.

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Românico em Brihuega

Em Brihuega se conservam ainda hoje excelentes exemplares de Igrejas Românicas, entre as quais destacamos a de San Miguel, San Felipe e de Santa Maria. Todas elas foram construídas no séc. XIII, durante o período em que a vila se tornou possessao do Arcebispo de Toledo D. Rodrigo Ximénez de Rada. O conjunto arquitetônico românico de Brihuega é um produto do contexto histórico resultante do processo de reconquista e a posterior colonizaçao do território. Quando os cristaos conseguiram dominar a bacia do Rio Duero, as terras da Província de Guadalajara continuaram, entretanto, a sofrer períodos de inestabilidade, consequência de sua posiçao limítrofe com os Reinos Árabes. Com a pacificaçao da regiao, ocorreu um aumento demográfico que se traduz na construçao de inúmeras igrejas dentro do estilo próprio daquela época, o Românico. Todas as igrejas de Brihuega se classificam no período final do estilo, também chamado Românico Tardio, e sua fábrica está inspirada nos modelos da arquitetura cistercense. Este período é conhecido também como Românico de Transiçao, pois já se observam elementos que anunciam o Estilo Gótico. O primeiro templo que vamos conhecer é a Igreja de San Miguel.

DSC08225Nesta construçao aparecem elementos oriundos do Mudéjar Toledano, como podemos apreciar no ábside poligonal, feito de tijolo (ladrillo, em espanhol), e nos  contrafortes.

DSC08224A Igreja de San Miguel sofreu um incêndio entre os séc. XVI e XVII, e perdeu praticamente todas as obras de arte que possuía. Abaixo, vemos a fachada principal e a portada.

DSC08226Depois de finalizada a Guerra Civil Espanhola, a igreja ficou praticamente abandonada e, finalmente, seu teto e as naves derrubaram-se. Em 1979, foi restaurada pela Associaçao Amigos de Brihuega, e atualmente é utilizada para eventos culturais. Abaixo, vemos uma imagem da parte lateral da igreja, com uma porta mais simples que a da fachada.

DSC08228A Igreja de San Felipe é justamente considerada uma das mais belas de Brihuega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua lindíssima fachada apresenta um conjunto de 3 rosetones admiráveis, e uma bela portada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACuriosamente, a torre de planta octogonal nao está unida ao templo, pois foi edificada aproveitando-se uma das torres da muralha da cidade, e posteriormente levantou-se o nível superior para os sinos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém na fachada, podemos apreciar curiosos e enigmáticos capitéis figurados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da Igreja de San Felipe está composto por 3 naves, algo habitual no Românico, separadas entre si por 5 arcos sustentados por colunas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o ábside semicircular, cuja aparente simplicidade construtiva revela sua própria beleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1904, uma vela produziu um incêndio que se propagou pelo teto de madeira. O criterioso processo de restauraçao realizado devolveu, felizmente, o aspecto original que a igreja tinha quando foi construída. A seguir, vemos uma Pia Batismal, que no Românico foi decorada com maravilhosos relevos, com inúmeros exemplos por todo o território espanhol. A que vemos, no entanto, apresenta uma decoraçao mais austera e simples.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santa Maria veremos num post à parte, quando conheceremos o encantador local onde se localiza, o Prado de Santa Maria. Até lá…