Córdoba – Capital de Al Andalus (Parte 2)

Existem numerosos documentos que comprovam a importância do legado artístico, científico e filosófico de Al Andalus. Várias foram as disciplinas que os árabes introduziram na Europa, como a cartografia e a medicina, além da filosofia aristotélica, que exerceu grande influência no mundo ocidental durante séculos. Uma das grandes personalidades da Córdoba muçulmana foi Averroes (1126/1198), introdutor de Aristóteles e de seu pensamento metafísico, além de realizar tratados sobre medicina, matemática, astronomia, ética, etc. Abaixo, vemos um monumento a ele dedicado, situado junto à muralha de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo ramo da medicina, a cirurgia alcançou grande desenvolvimento. Abaixo, vemos instrumentos utilizados pelos muçulmanos na prática cirúrgica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos médicos mais famosos naquela época foi o célebre oculista Mohamed Al-Gafequi, cujo busto vemos abaixo, situado no bairro judeu de Córdoba. Especialista em cataratas e doenças oculares, escreveu um importante tratado de oftalmologia, o “Guia do Oculista“, cujo manuscrito original se encontra na Biblioteca do Monastério de El Escorial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs muçulmanos se distinguiram também pela alta capacidade no aproveitamento da água. Atualmente podemos observar um dos moinhos de época árabe que ainda se conservam na cidade, e que foi devidamente restaurado no século XX. O chamado Moinho de Albolafia utilizava a força da água para moer farinha. Situado próximo à Ponte Romana, a roda hidráulica foi construída por Abderramán II, e reconstruído por um tal de Abú I-Áfiya, que deu origem ao seu nome. O moinho, junto com o Rio Guadalquivir, aparece no escudo da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra grande influência da Córdoba Muçulmana na cidade atual são os esbeltos pátios, abundantes por todo o Centro Histórico da cidade (a eles, dedicarei posts especiais). No Museu da Casa Andalusí, também situado na Judería de Córdoba, podemos conhecer uma típica casa cordobesa do século XII, que foi cuidadosamente restaurada como museu e aberto ao público em 1997.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos principais aspectos abordados no museu é a fabricação do papel, inventado pelos chineses no século II dC, e trazido pelos árabes à Europa no ano 900 dC. Em Al Andalus se instala a primeira e mais importante fábrica de papel da época, e o museu destaca a importância do papel na cidade de Córdoba em seu período califal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma excelente coleção de moedas de ouro, prata e bronze de época árabe compõem o acervo do museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAproveitei a visita e tirei uma foto de um busto do grande Averroes

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA influência da arquitetura islâmica é facilmente perceptível na Córdoba atual, como vemos nos edifícios abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs próximas matérias estarão dedicadas a um dos monumentos mais impressionantes da Europa, a Mesquita-Catedral de Córdoba.

 

Córdoba – Capital de Al Andalus

No ano 711 dC, os exércitos árabes e bereberes invadiram a Península Ibérica desde o norte da África e conquistaram o decadente Reino Visigodo. Em menos de 7 anos, praticamente todo o território estava sob seu poder. Inicia-se uma fase de grande importância para a história de Espanha e, particularmente, para Córdoba. A cidade é conquistada no mesmo ano e pouco tempo depois, em 716 dC, foi escolhida como capital do Império Árabe do Ocidente, chamado de Al Andalus, papel que desempenhou até o começo do século XI, apesar que a ocupação muçulmana se perpetuou na cidade até 1236. A cidade passa a denominar-se Madinat Qurtuba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO esplendor árabe inicia-se durante o governo de Abderramán I (731/788), último sobrevivente da dinastia dos Omeya de Damasco (Síria). Em 756 dC, funda o Emirato Independente de Al Andalus, criando um estado forte e centralizado, facilitando a ascensão ao poder de outros membros da dinastia. Um dos emires de Córdoba, Muhammad I, funda a cidade de Madrid aproximadamente no ano 860 dC. Abaixo, vemos capitéis do período emiral (século IX), pertencente ao acervo do Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbderramán I inicia a construçao da mesquita em 756 dC, mas o grande esplendor da cidade ocorre a partir do governo de Abderramán III (891/961 dC), que se autoproclama Califa, dando origem ao Califato de Córdoba em 929 dC, que se prolonga até 1031. Abderramán III rompe os antigos laços com o Oriente e começa uma fase de grandes construções pela cidade, como a ampliação que realizou na mesquita (sobre ela publicarei matérias especiais). Abaixo, vemos peças de cerâmica do período califal, também pertencente ao Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século X, chegou a contar com uma população estimada entre 500 mil e 1 milhão de habitantes, transformando-se na maior, mais culta e opulenta de todo o mundo, sendo comparada somente com Bagdá e Constantinopla. Este grande momento de sua história se refletiu no desenvolvimento artístico e científico. Contou com uma famosa universidade e uma biblioteca que possuía cerca de 400 mil volumes. O nível de alfabetização era alto, graças as 27 escolas espalhadas pela cidade. Estava adornada com jardins, cascatas e lagos artificiais, e possuía uma grande quantidade de fontes, iluminação pública e rede de saneamento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMediante um aqueduto, se abastecia de água as fontes e banhos públicos da cidade que, segundo os cronistas, chegou a contar com 700 !!!! Um destes banhos da época califal pode ser visitado atualmente, sendo considerado o mais importante (em Córdoba se conservam 5 banhos da época árabe).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste banho foi construído durante o Califato de Córdoba para o desfrute do califa e de sua corte. Estava situado junto ao desaparecido Alcázar Árabe, ao qual pertencia. Seguia o modelo dos banhos romanos, com salas frias, temperadas e quentes, e as estâncias eram cobertas com bôvedas suportadas por arcos rematados com capitéis de mármore, como o que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA limpeza corporal e ritual era e continua sendo uma prática fundamental da cultura islâmica. Precediam a oração, além de constituir um ato social.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes banhos eram denominados de Hammam, e este concretamente serviu também como harém para o califa. Encontrado acidentalmente em 1903, foi aberto como museu em 2006.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma maquete do Banho Califal de Córdoba

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs cemitérios em época islâmica estavam situados na periferia do núcleo urbano. As tumbas eram austeras, sendo pouco comum a existência de grandes sepulcros. Abaixo, vemos lápides de algumas tumbas, decoradas com inscriçoes (Museu Arqueológico de Córdoba).

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Museu das Campanas (Sinos) – Urueña

A outra grande atração cultural do povoado de Urueña é o museu dedicado às campanas ou sinos, que despertou em mim um grande interesse sobre o universo destes instrumentos sonoros, de grande transcendência não só para a história das religiões e das grandes civilizações do mundo, como também nas lembranças de qualquer pessoa. Quem não se recorda das badaladas dos sinos em sua pequena cidade natal ou mesmo para aqueles que viveram nas grandes cidades? Este curioso e didático museu abriu suas portas em 1995, graças a um convênio entre a Fundação Joaquín Díaz e a Empresa Quintana S.A., que forneceu as peças pertencente à extraordinária coleção de Manuel Quintana, formada por sinos fabricados entre os séculos XV e XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interesse por este objetos foi despertado através da paixão com que a funcionária do museu, chamada Aurora, transmitiu seus enormes conhecimentos sobre a história e os fatos interessantes relacionados aos sinos, com um entusiasmo contagiante. Dividirei com vocês um pouco deste conhecimento em duas matérias sobre o museu, onde abordarei temas associados à sua história e evolução, sempre mostrando peças que fazem parte do acervo desta instituição cultural e também de alguns exemplares de sinos de algumas igrejas da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO uso das campanas como instrumento sonoro está documentado desde a antiguidade, e já era utilizado no terceiro milênio aC pelos chineses e desde o segundo milênio pela Civilização Egípcia. Entre os romanos, as campanas eram utilizadas para convocar a população aos atos públicos, e também como instrumento lúdico. Os sinos adquirem grande importância na Civilização Cristã Ocidental ao ser incorporado nas torres das igrejas, com a função de chamar as pessoas a oração e ao culto religioso. Por este motivo, começou-se a equiparar seu som com a voz de Deus. Interpretado pela Igreja Católica como instrumento sonoro de comunicação e também como objeto sagrado, sua sonoridade constitui até os dias de hoje uma linguagem universal. Os sinos acompanham nossa vida desde tempos remotos, como vimos, e os principais fatos da vida, como nascimento, matrimônio e morte, foram celebrados por seu inconfundível toque.  Também os principais acontecimentos e festividades de cada cidade, além do perigo relacionados aos elementos naturais, como incêndios e tormentas, foram anunciados pelas campanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe acredita que foi a partir do século V dC quando as campanas começaram a ser instaladas nas igrejas. Tradicionalmente se atribui a San Paulino de Nola sua incorporação aos templos católicos. A cidade de Nola era a capital da região da Campania, situada no sul da Itália. San Paulino, bispo de Nola, tornou-se o padroeiro dos campaneros e as torres que passaram a alojar os sinos receberam o nome de Torre Campanário. No entanto, sua utilização receberá respaldo oficial da igreja somente no ano de 604, quando o Papa ordenou que as campanas fossem tocadas para avisar os fiéis do início dos cânticos canônicos realizados no interior das igrejas. Ao longo do século VIII se generalizou este costume e no século seguinte se produz a difusao total das campanas, sendo que cada paróquia deveria conter, ao menos, uma delas. Nos séculos XII e XIII, com a construçao das grandes catedrais e de suas imponentes torres, os sinos começaram a se destacar por suas grandes dimensões.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANetsa época, na Península Ibérica se travaram constantes enfrentamentos entre os muçulmanos e os cristãos, e as campanas passaram a ser consideradas como os objetos mais desejados para enaltecer uma vitória nos campos de batalha. Almanzor, um dos grandes generais árabes da história, ao chegar a Santiago de Compostela, se apoderou do grande sino da catedral compostelana e o levou consigo para ser instalado na Mesquita de Córdoba, neste período capital do Império de Al Andaluz. Posteriormente, com a reconquista de Córdoba pelos cristaos no século XIII, o monarca Fernando III o devolveu ao seu local de origem. Este costume de roubar as campanas das igrejas católicas e colocá-las nas mesquitas com o objetivo de transformá-la num objeto de iluminação foi muito comum na época, e mesmo hoje em dia muitos exemplares de sinos podem ser encontrados no interior de mesquitas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs campanas foram utilizadas também como forma de espantar os maus espíritos. O bronze, material empregado em sua fabricação, foi considerado em muitas culturas como um metal sagrado ao ser usado na elaboração de peças de culto. Por sua dureza e resistência constitui um símbolo de incorruptibilidade e imortalidade. No mundo católico, as campanas adquirem estas virtudes no momento em que são consagradas através o ritual da bendição, cuja finalidade era transformar um objeto profano em sagrado para o culto religioso. Num princípio, os sinos foram elaborados com ferro soldado, mas logo passou-se a utilizar o bronze, uma combinação de cobre e estanho. O denominado “Bronze Campana” está formado por uma mistura composta de 80% de cobre e 20% de estanho.

Alicante – Comunidade Valenciana

No verão deste ano (meses de julho e agosto) conheci por primeira vez a cidade de Alicante, um dos destinos de férias preferidos para muitos espanhóis, inclusive os madrilenhos. Situada no leste do país e banhada pelo Mar Mediterâneo, Alicante é uma das três capitais de província que compõem a Comunidade Valenciana (as outras duas são Valencia e Castellón).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACidade mais importante da denominada Costa Blanca, Alicante (Alacant, no idioma valenciano) possui aproximadamente 340 mil habitantes, o que a torna o segundo município mais populoso da comunidade, depois da cidade de Valencia.

20160808_174120Na época mais quente do ano, a cidade atrai a uma enorme quantidade de turistas, tanto nacionais quanto estrangeiros, em busca de suas praias e do sol que brilha intensamente. Em pleno centro urbano, a Praia de El Postiguet fica lotada com a presença de turistas ingleses, alemães, etc, além da presença dos próprios alicantinos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs jovens preferem a Praia de San Juan, um pouco afastada do centro…

20160811_171151Alicante não é apenas sinônimo de sol e belas praias, e possui uma história milenária. Pelo seu porto natural, inúmeras culturas como os Iberos, Fenícios e Gregos desenvolveram uma intensa atividade mercantilista. No entanto, na antiguidade foram os Cartagineses os povoadores de maior destaque, que transformaram sua costa no centro mais importante de suas bases navais, até que foram expulsos pelos Romanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da dominação romana, Alicante pertenceu a Bizancio e em seguida ao Reino Visigodo. Uma das épocas mais prósperas ocorreu a partir do século VIII, quando passa a integrar o Império Árabe de Al Andaluz, sendo então denominada Medina Laqant. A cidade foi muçulmana até o século XIII, quando foi incorporada ao Reino de Aragón pelo monarca Jaime I. No século XVI, durante o reinado de Felipe II, os mouriscos (muçulmanos convertidos ao catolicismo) foram expulsos do país, fato que alterou enormemente sua produção agrícola, já que a maioria deles trabalhavam no campo. As consequências econômicas logo se fizeram sentir. Durante o século XVIII, a cidade se recupera, momento em que se transforma na terceira cidade mercantil da Espanha, depois de Barcelona e Cádiz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlicante ostenta o título de cidade desde 1490, concedido durante o reinado de Fernando II de Aragón. Atualmente, o turismo é uma importante fonte de ingressos. Uma das razões para tanto é a qualidade de suas águas. Mesmo as praias urbanas possuem um excelente nível de qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas avenidas mais populares é a Explanada de España, um dos símbolos da cidade. Situada paralela ao mar, é exclusiva para pedestres e está repleta de palmeiras.  Toda sua extensão foi decorada com mosaicos de formato ondulado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas próximas matérias, vocês poderão conhecer um pouco mais sobre Alicante e seus principais monumentos. As fotos panorâmicas deste post foram tiradas do alto do Castelo de Santa Bárbara, situado num cerro em frente à Praia de El Postiguet. Esta imponente construção militar e defensiva será o tema do próximo post…

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Rota de El Cid – Parte 2

Uma das partes mais importantes da Rota de El Cid discorre pela atual Comunidade de Aragón. Na época de El Cid estas terras pertenciam à importante Taifa de Zaragoza, a qual o personagem histórico prestou seus serviços durante vários anos. Os chamados Reinos de Taifa constituíam uma espécie de cidades independentes que se formaram depois da desintegração do Califato de Córdoba. Zaragoza foi durante os séculos XI e XII uma das mais importantes taifas do império árabe de Al Andaluz. A rota percorre, antes de se chegar à Zaragoza, pelas margens dos rios Jalón e Jiloca, duas regiões ricas nas quais o guerreiro pôde cobrar impostos. As proximidades dos cursos de água eram vitais para seu exército particular. Uma das maiores cidades desta zona é Calatayud (cuja matéria está em preparação), fundada pelos muçulmanos no séc. VIII e cujo nome significa Castelo de Ayub.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACalatayud é conhecida por suas igrejas mudéjares, incluídas na lista de monumentos deste estilo existentes na Comunidade de Aragón que foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cerca de 90 km de Calatayud aparece Zaragoza, a capital da comunidade aragonesa. Abaixo, vemos uma vista da Basílica do Pilar, considerada um dos centros de peregrinação e de devoção à Virgem mais populares do mundo (post publicado em 1/6/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEl Cid hospedou-se no belo Palácio da Aljafería, que vemos abaixo (post publicado em 3/4/2012).

DSC04830Segundo o poema El Cantar de Mio Cid, o herói castelhano se dirige ao sul percorrendo o Vale do Rio Jiloca até encontrar Daroca, importante cidade medieval também fundada pelos árabes (14/10/ a 18/10/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEl Cid travou algumas das batalhas mais sangrentas de sua vida contra o senhor da Taifa de Albarracín, e numa delas sofreu uma ferida no pescoço que  quase lhe custou a vida. Abaixo, vemos as muralhas deste pueblo, considerado dos mais belos da Espanha (21/10/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Teruel, atualmente uma das três capitais de província de Aragón, El Cid utiliza a cidade como base de operações, para efetuar ofensivas contra os árabes. Suas torres mudéjares são famosas, e a seguir vemos a de San Martín.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de chegar a atual Comunidade Valenciana, El Cid percorre uma zona denominada Maestrazgo de Teruel (29/3/2012), onde os belos povoados são abundantes, como por exemplo, Mirambel

OLYMPUS DIGITAL CAMERACantavieja possui uma bela Praça Maior porticada….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos Iglesuela de El Cid….

OLYMPUS DIGITAL CAMERASaindo de Aragón, El Cid entrou na atual Província de Castellón, na Comunidade Valenciana. Logo passou por Morella (20/3/2012), uma das cidades medievais mais fascinantes do caminho. Em suas proximidades, teve lugar a famosa batalha campal de Pinar de Tévar, na qual El Cid capturou o Conde de Barcelona, que tornou-se seu prisioneiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, El Cid chega a Valencia (5/9/2012) , cidade que seria por ele conquistada e onde também viria a falecer.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAqui finalizamos a Rota de El Cid, este caminho literário que, como vocês viram, está repleto de referências a este personagem histórico, que exerceu um papel importante dentro do contexto da Reconquista. Fica também a sugestão do caminho como uma excelente maneira para se conhecer uma Espanha diferente do trivial, mas igualmente rica em arte, cultura, história e muito mais…

Mesquita-Catedral de Córdoba

Este post está dedicado a um dos monumentos mais extraordinários que a arte hispano-muçulmana produziu no país. A Mesquita de Córdoba, posterior Catedral da Asunçao de Nossa Senhora, é considerada o monumento islâmico mais importante do ocidente. Declarada, juntamente com o centro histórico da cidade, Patrimônio da Humanidade, faz parte também da lista dos 12 tesouros do território espanhol.

O lugar que ocupa a Mesquita-Catedral foi, durante séculos, um local de culto de diferentes divindades. Durante a época visigoda se construiu a Basílica de San Vicente, que foi utilizada tanto por cristãos quanto por árabes. Escavações arqueológicas demonstraram a existência de um complexo episcopal que pode datar-se dos séc. IV e V dC. Ali se encontram os restos da antiga basílica.

Com o aumento da população muçulmana, a basílica foi adquirida por Abderraman I, o primeiro Emir da dinastia dos Omeya, que a destruiu para a edificação da mesquita. Um fato singular desta primeira mesquita é que está orientada ao sul, e não à Meca como seria o habitual. Esta circunstancia pode ser explicada de várias formas, e parece provável que os terrenos arenosos do rio Guadalquivir impossibilitavam uma orientação ortodoxa à cidade sagrada.

Um elemento novo relacionado à arquitetura foi a utilização dos denominados arcos de ferradura procedentes da arte visigoda, e que o islã adotou como símbolo de sua arquitetura.

Sua construção iniciou-se no ano 786 dC e com 23.400 metros quadradas é uma das maiores do mundo. Durante sua história, foram realizadas 3 grandes ampliações.

A primeira ocorreu durante o reinado de Abderraman II (821/852 dC), que ampliou a denominada sala de oração. Sob o governo de Abderraman III (séc. X), Córdoba se converte na capital do maior e mais influente reino islâmico do ocidente. Proclamado califa, construiu o primeiro minarete no continente europeu e ampliou o pátio dos naranjos. A última reforma foi realizada a finais do mesmo século, graças às intervenções feitas por Almanzor.

Nada mais entrar no interior, um imenso bosque de colunas de mármore, jaspe e granito recebe o extasiado visitante. A alternância de pedra e tijolo lhe confere sua singular bicromia.

O Mihrab, local sagrado de uma mesquita, é uma jóia feita de mármore e mosaicos bizantinos, decorados sobre um fundo de ouro e bronze, além de cobre e prata.

Abaixo vemos a suntuosa cúpula do Mihrab, belíssimamente decorada.

Em 1238, depois da reconquista crista, a mesquita foi convertida em catedral católica, e em 1523 se iniciou a construção de um templo renascentista no centro da mesquita muçulmana, durante o governo do rei Carlos V.

Apesar de terem respeitado as ampliações feitas anteriormente, se alterou o aspecto que tinha originalmente. Um comentário feito pelo próprio monarca 3 anos depois é significativo:

“Destruímos uma maravilha única no mundo, e colocamos em seu lugar algo que podemos ver em qualquer lugar…”.

Na foto que segue, uma imagem da torre campanário, cujo minarete construído por Abderraman II encontra-se em seu interior.

Podemos admirar atualmente um resumo histórico da arquitetura omeya de Espanha, além dos estilos gótico, renascentista e barroco da Catedral católica. A Mesquita-Catedral de Córdoba é um símbolo da fusão cultural, que durante quase 800 anos, marcou a história do pais, e junto com a Alhambra de Granada, é o expoente máximo da arquitetura de Al Andaluz.