Castelos e Fortalezas Árabes da Espanha

Muitas dos Castelos e Fortalezas da Espanha que hoje contemplamos pelo país originaram-se na época árabe, a partir do século VIII. Grande parte recebe a denominação de Alcazaba, uma palavra de origem árabe que designa um recinto fortificado de caráter urbano, cuja função primordial era servir de residência a um governador, além da defesa de um local determinado e seu entorno. Estavam constituídos por uma guarnição militar e frequentemente um bairro com casas e serviços variados, que formavam uma ciudadela. Em caso de assédio, os habitantes dos núcleos urbanos próximos se refugiavam detrás das muralhas das Alcazabas. Neste post, veremos algumas das principais hoje existentes na Espanha. A cidade de Badajoz (Comunidade de Extremadura) conserva uma das mais importantes do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABadajoz foi fundada pelos muçulmanos no ano 875, e sua Alcazaba construiu-se entre os séculos IX e XIII, sendo considerada uma das maiores fortalezas de toda a Europa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de ter sido uma fortaleza muçulmana e residência dos governadores da Taifa de Badajoz nos séculos XI e XII, posteriormente tornou-se um castelo medieval cristão (entre os séculos XIII e XVI) e uma fortificação moderna dos séculos XVII ao XIX.

20160516_183237Os denominados Reinos de Taifa surgiram depois da desintegração do Califato de Córdoba no início do século XI, constituindo pequenos estados que se espalharam pela Espanha da época. As Taifas mais importantes eram a de Sevilha, Toledo, Badajoz e Zaragoza. Neste período histórico ocorreu um grande florescimento cultural, mas sua descentralização possibilitou o avanço cristão, que aproveitaram sua debilidade militar para submetê-las, principalmente através de um imposto chamado Párias, que os governadores muçulmanos eram obrigados a pagar aos monarcas católicos. Outra Alcazaba importante era a de Alicante, situada nesta cidade da atual Comunidade Valenciana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no final do século IX, na Alcazaba de Alicante foram encontrados restos de períodos anteriores, desde a idade do bronze, passando pelos iberos e os romanos. Também é conhecida como Castelo de Santa Bárbara, pois foi conquistada pelo infante Alfonso de Castilla, futuro Rei Alfonso X El Sábio, no dia 4/12/1248, no qual eram celebradas as festividades em homenagem a santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASituada num local de grande valor estratégico, no alto de um cerro, as vistas da cidade de Alicante são maravilhosas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa atual Comunidade de Andaluzia foram construídas algumas das Alcazabas mais importantes, como a de Málaga, por exemplo, também conhecida como Castelo de Gibralfaro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi edificada sobre ruínas romanas pré-existentes por Abderramán III no século X. Em 1340, a Alcazaba de Málaga foi ampliada e convertida num Alcázar pelo Rei Yusuf I.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada uma das fortalezas mais inexpugnáveis da Península Ibérica, representa o modelo da arquitetura militar andaluza dos Reinos de Taifas do século XI. Está formada por duas linhas de muralhas e 8 torres defensivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muitas das fortalezas muçulmanas, podemos apreciar belíssimos jardins que representavam a idéia do paraíso muçulmano, como podemos ver na Alcazaba de Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Alcazaba de Málaga sofreu um forte assédio pelas tropas dos Reis Católicos em 1487, quando foi finalmente conquistada. Faz parte do escudo de Málaga e foi declarada Monumento Histórico-Artístico em 1931. Abaixo, vemos alguns detalhes do interior da Alcazaba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASituada na Província de Málaga, a cidade de Antequera conserva sua Alcazaba, também edificada no alto do cerro onde se construiu o conjunto amuralhado da antiga medina muçulmana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALevantada provavelmente sobre restos romanos, se desconhece a data exata de sua construção, sendo mencionada por primeira vez no século XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Torre de Homenaje é a principal de todo o recinto. Em 1582, se construiu sobre a torre uma nova estrutura para acolher o sino principal da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post veremos outros  Castelos e Fortalezas da Espanha originários da época árabe

Praças Alta e de San José – Badajoz

Na matéria de hoje, veremos dois lugares emblemáticos de Badajoz. Dentre todas as praças da cidade, as denominadas Praça de  San José e Praça Alta são consideradas as mais importantes, do ponto de vista histórico. Ambas estão situadas ao lado da Alcazaba e formam um espaço contínuo. A origem da Praça de San José se remonta ao período em que a Alcazaba ficou pequena para acolher uma população em aumento, que começou a mudar-se para a zona adjacente.OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta praça recebeu este nome graças a Ermita de San José, construída no século XIII depois da reconquista da cidade, ocorrida no dia de São José. Com a Guerra de Independência no início do século XIX, o templo foi bombardeado e saqueado pelos franceses, provocando sua deterioração progressiva. Em 1917, a ermita foi substituída pela construção atual,o Convento de San José, projetada pelo arquiteto Francisco Franco Pineda no estilo neogótico. Em frente a igreja podemos observar uma cruz de ferro colocada em 1632.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte lateral da praça, se conservam casas construídas no estilo mudéjar. Se desconhece a época exata de sua construção. Sua fachada está composto por arcos sobre colunas, cujos capitéis são de origem visigodos, que foram reutilizados. Atualmente, acolhem um Centro de Informação Turística.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça Alta passou a existir depois que casas da época árabe foram derrubadas, quando então funcionava o mercado de animais da cidade. Em 1458, iniciou-se uma reforma que modificou seu aspecto, com a construção de portais formados por um conjunto de arcos feitos de tijolo e pedra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO objetivo principal desta reforma era transformar o local para que voltasse a cumprir sua função original de mercado. Ainda hoje podemos ver exemplos de rótulos escritos em seus muros, que delimitavam os espaços reservados para as distintas classes de comerciantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA praça também passou a ser um local de espetáculos diversos. Nela se celebraram corridas de cavalos e de touros, autos sacramentais, representações teatrais e execuções públicas. O local apresenta duas partes bem diferenciadas. Na mais antiga situava-se a antiga Casa Consistorial, de finais do século XV. Este edifício exerceu a função de prefeitura da cidade até 1799. Destaca sua fachada com elementos mudéjares. Atualmente o edifício é utilizado para a celebração de atos institucionais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto acima, vemos duas das torres que compõem o recinto da Alcazaba, situadas detrás da antiga Casas Consistorial. Ao lado dela, vemos a fachada do Edifício do Conselho de Ferias e Festas, considerada a mais antiga da cidade (1450).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça Alta possui um caráter renascentista, com amplos espaços abertos. É considerada a primeira praça pública construída em Badajoz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA finais do século XVII, o bispo da cidade Juan Marin de Rodezno realizou uma nova reforma na praça, finalizada abruptamente em 1703 devido à Guerra da Sucessão Espanhola. Se completou apenas um terço do planejamento previsto, e a praça também é conhecida pelo nome deste bispo. No costado da praça, vemos um monumento em sua homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da reforma não ter sido completada integralmente, podemos admirar a decoração barroca dos edifícios desta parte da praça, que em conjunto foram denominadas Casas Coloradas, composta por esgrafiados com motivos geométricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem da praça tirada da Alcazaba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo foi dito no começo da matéria, antigamente as Praças de San José e Alta estavam unidas, até que a mediados do século XVI se construiu o Arco del Peso, que acabou separando as mesmas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a Praça Alta está sendo reabilitada e é um dos principais pontos de encontro dos habitantes de Badajoz. Um lugar único, sem dúvida nenhuma.

 

Museu Arqueológico de Badajoz

Depois da reconquista de Badajoz em 1230, o recinto da Alcazaba passou a ser conhecido como “El Castillo“. Nele se estabeleceram as Ordens Militares de Santiago e Calatrava, passando a ser o local de residência das famílias mais importantes da cidade, mantendo seu papel como centro de poder. No séc. XIV, os assaltos sofridos motivados pelas guerras com Portugal fizeram com que estas famílias construíssem verdadeiros palácios -fortalezas, caso do denominado Palácio dos Duques de Feria, construído no século XV pelo regidor (cargo semelhante ao de um prefeito) da cidade, Lorenzo Suárez de Figueroa. De planta quadrada, está franqueado por 4 torres, apresentando linhas renascentistas com toques mudéjares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVII, o palácio transformou-se em um local para o armazenamento de artilharia e, no seguinte, como quartel de infantaria. Uma de suas partes de maior interesse é o claustro interior, de estilo mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, este palácio de origem nobre foi convertido na sede do Museu Arqueológico de Badajoz. Conhecer a  coleção de suas peças nos permite realizar uma verdadeira trajetória pelo passado da cidade e da Província de Badajoz, pois possui abundantes achados arqueológicos pertencentes às mais diversas etapas históricas. Da pré-história destacam os restos de cerâmica encontrados, além de adornos pessoais e utensílios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir dos séculos IX a VIII aC, na época final da chamada Idade de Bronze, os povos autóctonos começaram a realizar estelas com a representação de guerreiros. As razões para tanto ainda não foram devidamente explicadas, mas foram interpretadas como sinalizadoras de tumbas ou para delimitar o território. Na região de Badajoz se encontraram uma  grande quantidade delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO período romano está muito bem representado no museu, com algumas peças realmente interessantes, como esta estátua do lar, uma divindade de culto doméstico, do século I dC e procedente de Mérida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo mesmo período vemos uma estátua representativa do Imperador Tibério

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm se tratando da época romana, não poderia faltar os mosaicos, como o que vemos a seguir, cujas cenas narram o Mito de Orfeu (séc. IV dC). Uma pena que se encontra incompleto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das salas de maior riqueza arqueológica pertence à época visigoda, tanto pela quantidade de peças, como pela raridade de algumas delas e seu excelente grau de conservação. Abaixo, vemos um tesouro encontrado na Sierra de la Martela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeterminadas peças possibilitam uma melhor compreensão da arquitetura visigoda, que evoluiu através da tradição clássica, mas que se transformou notavelmente graças ao cristianismo e a reorganização política e social da época. A maior parte dos restos encontrados pertencem a locais de culto, como este fragmento de pedra, provavelmente procedente de uma igreja (séculos VI/VII dC). A tradução da inscrição que se vê esculpida na pedra seria: “Por aqui se entra ao altar sagrado de São Cristóvão. Paz perpétua para aqueles que entram e saem”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVerdadeiramente impressionante é o conjunto de pilastras visigodas, decoradas com um grande simbolismo religioso. A cruz, por exemplo, passou a ser representada como símbolo cristão somente no século V, pois no mundo antigo estava relacionada como um signo de infâmia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs espigas de trigo e as uvas se relacionam à Eucaristia. Indicam fertilidade, prosperidade e abundância, e também representam a igreja e seus fiéis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto da sala em que se exibem as pilastras visigodas

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa época árabe destaca a lauda sepulcral de Sapur, o primeiro rei da Taifa de Badajoz, falecido no ano de 1022.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, do período medieval cristão, vemos o escudo de Juana I, apelidada La Loca, e de seu marido, o rei Felipe I, chamado El Hermoso. Realizado em 1506, de procedência desconhecida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com um Escudo de Badajoz do século XVII. Nele observamos a Coluna de Hércules com o lema Plus Ultra (além da), um símbolo heráldico do monarca Carlos I, que foi incorporado ao escudo da cidade no início do século XVI. O leão simboliza o reino que reconquistou a cidade (Castilla y León) e seu uso como figura simbólica se deve a que Badajoz, depois da reconquista, se tornou uma vila de realengo, dependendo diretamente do rei.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

 

Alcazaba de Badajoz – Parte 2

O sistema defensivo da Alcazaba de Badajoz estava composto por 3 partes: as portas de acesso, as torres e a barbacana. A Barbacana constitui um muro de menor altura, que foi levantado na parte externa da muralha principal. Representava o primeiro obstáculo a ser superado pelo inimigo, e quando em perigo, se abandonava continuando-se a defesa nos muros superiores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, se conservam 4 portas da muralha (das quais veremos duas) e praticamente todas suas torres defensivas. A maioria destas portas são chamadas de Recodo, isto é, composta por uma porta dupla que conduz a um pátio interior. Estão protegidas por uma torre almenada para sua vigilância. A chamada Porta do Capitel foi edificada no período almohade, e recebeu este nome devido a presença de um capitel romano em sua parte superior, procedente do foro romano da cidade de Mérida. É considerada a porta de acesso principal a Alcazaba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Porta de Yelves foi reconstruída com grande fidelidade a obra original. Apresenta arcos duplos, de ferradura no exterior e de meio ponto (semicircular) no interior do pátio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação às torres, destacam as denominadas Torres Albarranas, que se situavam fora das muralhas, mas a elas comunicadas, cuja construção visava proteger as partes mais vulneráveis do conjunto, ou um ponto estratégico determinado. A mais importante de todas, por seu tamanho e características de estilo, é a Torre da Atalaia, também chamada de Espantaperros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPossui planta octogonal, característica da arquitetura militar almohade. Representa um dos exemplos mais notáveis deste tipo de torre relacionada ao período almohade em toda a Península Ibérica, sendo erguida no século XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, foi colocado um campanário no estilo mudéjar em sua parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo foi dito no post anterior, a Alcazaba, além de sua função defensiva, era o local de residência do governante da cidade. O Palácio Árabe não sobreviveu aos séculos, e segundo a bibliografia tradicional, possuía 3 mesquitas. Badajoz foi reconquistada em 1230 pelo rei de Castilla y León Alfonso IX. Foi então quando estes templos muçulmanos foram convertidos em igrejas católicas, como habitualmente ocorreu em todo o país. A mais importante delas, a Mesquita Maior, transformou-se na primeira catedral de Badajoz, conhecida como Igreja de Santa María del Castillo. Infelizmente, na segunda metade do século XIX, se construiu um hospital militar e a igreja foi derrubada. Recentemente, o edifício foi totalmente reformado, convertendo-se na sede conjunta da Faculdade de Biblioeconomia e Documentação e da Biblioteca Regional. Durante a reforma, restos arqueológicos foram encontrados, como partes da igreja (um ábside) e ruínas do antigo palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Alcazaba de Badajoz

A importância de Badajoz como centro político, cultural e artístico iniciou-se na época árabe, quando foi fundada por IBN Marwan no ano 875 dC, durante o denominado período Omeya, momento em que o império Al Andaluz estava governado pelo emir Muhammad I, e sua capital era Córdoba. Ou seja, Badajoz aparece no mapa na mesma época que Madrid. Abaixo, vemos uma estátua em homenagem ao fundador da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADevido a sua posição estratégica, entre a planície castelhana e Lisboa, Badajoz foi uma cidade que nasceu para a guerra, e viveu com intensidade todos os acontecimentos bélicos que se sucederam na história espanhola. A cidade muçulmana foi situada sobre uma elevação natural de 60m de altura em relação ao Rio Guadiana, denominado Cerro de la Muela. Sua própria geografia acentuou ainda mais seu caráter militar, incrementado pela presença do curso fluvial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGraças aos achados arqueológicos encontrados, está comprovada que a ocupação humana do local se remonta a época pré-histórica. No entanto, somente podemos falar de cidade a partir da fundação no séc. IX por IBN Marwan, provavelmente sobre uma pequena aldeia anterior existente. Batalyaws, assim foi chamada inicialmente, se organizou segundo os modelos habituais das cidades islâmicas medievais. Se construiu um forte recinto militar, a Alcazaba ou cidadela, que também representava uma zona administrativa e de residência do governante. Além da muralha que cercava a cidade, havia outra que protegia a própria Alcazaba. Sua função defensiva estava destinada não só aos ataques externos, quanto a possíveis revoltas internas. Acolhia uma guarnição militar e tinha reservas suficientes para resistir a um longo assédio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Alcazaba de Badajoz é considerada uma das mais importantes da Espanha, junto com as de Málaga e Almería, devido a conservação de todos os elementos defensivos exteriores, sendo que seu perímetro é o de maior extensão de todo o país. Viveu seu período de máximo esplendor depois da desintegração do Califato de Córdoba, quando se transformou num importante Reino de Taifa no século XI, período em que a cidade gozou de um grande florescimento cultural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA falta de centralização dos Reinos de Taifa, que na realidade eram um conjunto de cidades independentes, facilitou o avance cristão. Como último recurso para conter a invasão dos exércitos dos reis cristãos, os reinos muçulmanos solicitaram o auxílio de uma confederação de tribos do norte da África, os denominados Almorávides. Estes derrotaram as tropas cristãs em 1086 numa batalha travada próxima a Badajoz, e logo depois conquistaram todos os Reinos de Taifa, formando o Império Almorávide de Al Andaluz, que sobreviveu até mediados do séc. XII. Com sua dissolução, chegaram os Almohades, inimigos declarados dos Almorávides, que se caracterizavam pela ortodoxia religiosa. Foram eles quem se encarregaram de ampliar e reforçar a Alcazaba, cujo aspecto  de sua muralha se mantêm praticamente intacto até os dias de hoje.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de 1169, o califa almohade Yusuf I ordenou a ampliação da muralha em direção ao rio, facilitando a provisão de água e obtendo um maior espaço para acolher as tropas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cerca que rodeia a alcazaba possui uma forma ovalada, com umas dimensões aproximadas de 400m no sentido norte-sul e 200m de leste a oeste. A parte superior da muralha e as torres que a conformam estão comunicados por um passeio de ronda denominado Adarve, cujo acesso se dá por meio de escadas interiores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPara sua construção, se empregou o tradicional sistema de mampostería, composto por uma argamassa feita de cimento, cal e areia, além de tijolos e pedras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha foi reforçada com inúmeras torres quadrangulares, que se distribuíram em espaços regulares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADevido a sua importância e grau de conservação, a Alcazaba de Badajoz foi declarada Monumento Histórico-Artístico em 1931. No próximo post, veremos a segunda parte a ela dedicada…