Castelos e Fortalezas Árabes da Espanha – Parte 2

Além das Alcazabas que vimos no post anterior, várias outras fortificações espanholas que vemos hoje em dia tiveram sua origem no período árabe ou islâmico. Veremos algumas delas, como o impressionante Castelo de Frías, situado na Província de Burgos, Comunidade de Castilla y León. Sua origem se remonta ao século X, e no século XV foi cedido à família dos Fernández de Velasco, Duque de Frías.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALocalizado na Província de Guadalajara (Comunidade de Castilla La Mancha), o Castelo de Molina de Aragón originou-se como um Alcázar muçulmano (palavra árabe que significa fortaleza), a residência dos governadores da Taifa de Guadalajara. Conquistado pelo Rei Alfonso I de Aragón em 1129, foi a partir deste momento reconstruído, dando-lhe o aspecto que vemos atualmente. Este belo castelo é considerado o maior de toda a Província de Guadalajara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade de Extremadura, Província de Cáceres, destaca o Castelo de Trujillo, construído entre os séculos IX e XII. Nele observamos detalhes arquitetônicos característicos  das construções islâmicas, como o Arco de Ferradura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma vista panorâmica da fortaleza de Trujillo e uma imagem de sua muralha defensiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade de Aragón, gostaria de mencionar duas fortalezas relevantes do período islâmico. Na cidade de Calatayud, Província de Zaragoza, situa-se o Castelo de Ayyub, de origem muçulmano e construída no século IX. O nome da fortaleza é uma referência ao fundador da cidade Ayyub Ben Habib Al Lajmi, que fundou Calatayud no ano 716. Este castelo é uma das 5 fortalezas existentes nos cerros que delimitam a cidade, unidos por 4 km de muralhas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs vistas da cidade desde o alto do castelo impressionam, destacando suas belas igrejas mudéjares, que integram a lista deste tipo de edifícios aragoneses declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa capital e maior cidade da Comunidade de Aragón, Zaragoza, se conserva uma fortaleza de grande importância histórica relacionada às fortificaçoes do período islâmico, o Palácio da Aljafería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste belíssimo palácio fortificado foi construído na segunda metade do século XI e reflete o esplendor alcançado pela Taifa de Zaragoza. Se considera o único palácio muçulmano que se conserva de toda a Espanha, relacionado ao período de Taifas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua parte mais antiga é a chamada Torre do Trovador, que vemos na esquina do lado direito na imagem acima. Esta fortaleza era um palácio de recreio dos governadores da Taifa de Zaragoza, e sua tradução significa “Palácio da Alegria“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da reconquista de Zaragoza pelo Rei Alfonso I “El Batallador” em 1118, a Aljafería passou a ser a residência dos reis aragoneses, quando a partir deste momento foi reformado no estilo mudéjar.

DSC_0195DSC_0194DSC04832O Palácio da Aljafería conserva inclusive sua mesquita

DSC00187Posteriormente, foi reformado durante o reinado dos Reis Católicos e transformou-se na prisão do Tribunal da Inquisição em Aragón. Também foi utilizado como quartel militar em séculos posteriores. Atualmente é a sede das Cortes de Aragón.

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Parque Grande – Zaragoza

Zaragoza é uma das cidades pela qual sinto mais carinho, porque nela vivi 4 anos e principalmente pelas grandes amizades que fiz na capital da Comunidade de Aragón. Recentemente, passei dois dias na cidade dos maños (como são carinhosamente conhecidos seus habitantes), revendo meus queridos amigos e passeando um pouco, visitando locais que não havia conhecido e retornando a outros lugares emblemáticos, como seu principal parque urbano, popularmente conhecido como Parque Grande.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste belo parque foi inaugurado em 1929 por Miguel Primo de Rivera (1870/1930), militar que governou o país como ditador entre 1923 e 1930. Durante 81 anos, oficialmente o parque se denominou Parque Primo de Rivera, mas em 2010 foi rebatizado como Parque José Antonio Labordeta, em homenagem ao cantor e compositor, escritor, além de político aragonês, falecido neste ano.

20181113_153531O Parque Grande é considerado a área verde mais importante de Zaragoza, com mais de 400 mil metros quadrados, e um local perfeito para contemplar a natureza e interessantes monumentos.

20181113_15192220181113_152624Quando foi construído, o parque situava-se fora do núcleo urbano, mas com o crescimento da cidade atualmente se encontra incorporado ao Distrito da Universidade de Zaragoza, e bem próximo ao Estádio de la Romareda, sede do Real Zaragoza, um time histórico do futebol espanhol. Caminhar pelo parque oferece momentos de grande prazer o ano todo, principalmente na primavera e no outono, quando as flores e o colorido das árvores transformam sua fisionomia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA20181113_15222420181113_152442O parque acolhe espaços de grande importância, como o Museu de Etnologia e o Jardim Botânico, cuja origem se remonta a 1796.

20181113_152739A primeira fonte construída na cidade (1845), chamada Fonte da Princesa, também se encontra no interior do parque…

20181113_153315Em sua parte mais elevada foi colocada uma estátua em homenagem ao Rei Alfonso I “El Batallador”, para comemorar o oitavo centenário da reconquista da cidade, e inaugurada em 1925.

20181113_152139OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara admirar a escultura e as magníficas vistas que esta parte do parque oferece (primeira foto da matéria), basta subir a bela escada monumental decorada com uma fonte…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acesso principal ao parque é feito através da Ponte dos Cantautores, como são designados, na Espanha, os artistas que escrevem, compõem e cantam suas próprias músicas, normalmente de caráter social e político, caso de José Antonio Labordeta.

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Tarazona – Comunidade de Aragón

No final do ano passado, voltei à Comunidade de Aragón para rever amigos e aproveitar a estadia para visitar algumas cidades, cujo patrimônio histórico-cultural são dos mais relevantes. A primeira cidade que retornei foi Calatayud, que vimos numa série de posts publicada entre 22/11 e 1/12/2015. Logo depois, visitei Tarazona, uma cidade que já conhecia, mas que na época não pude conhecer bem, pois a maioria de seus monumentos ou estavam fechados para visitação, ou estavam sendo restaurados. Felizmente, desta vez pude admirar sua arquitetura, monumentos e obras de arte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarazona se localiza a 90km de Zaragoza, a capital aragonesa, e possui cerca de 11 mil habitantes. Para uma população tão reduzida, possui uma história dilatada e um riquíssimo patrimônio monumental. Está situada às margens do Rio Queiles, e sua posição estratégica, na confluência entre os antigos Reinos de Aragón, Castilla e Navarra, lhe outorgou uma grande importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm de seus atrativos naturais mais conhecidos é o Monte Moncayo. Com 2315m, é a maior montanha do chamado Sistema Ibérico, situado entre as bacias hidrográficas dos Rios Duero e Ebro. Representa também a fronteira natural entre Aragón e Castilla y León, e integra desde 1998 uma belíssima reserva natural.

DSC01332Inúmeros povos se assentaram na cidade, como os romanos, que a denominaram Turiaso, visigodos, árabes, quando passou a chamar-se Tirasone, e finalmente os cristãos, que lhe deram o nome pela qual a conhecemos hoje em dia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns restos arqueológicos nos remontam à época romana, mas a partir do séc. III dC, a cidade foi abandonada progressivamente, devido à instabilidade do império. Sobre a presença visigoda, as informações são escassas e no ano 713, a cidade caiu ante o invasor árabe. Boa parte do urbanismo de Tarazona reflete as características arquitetônicas desta cultura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade foi reconquistada em 1119 pelo rei Alfonso I El Batallador, quando foi repovoada por uma nova comunidade de cristãos. No entanto, muitos muçulmanos permaneceram na cidade, contribuindo para o desenvolvimento da arte mudéjar. Além do mais, acolheu uma importante comunidade judaica, que viveram num bairro independente, a denominada Juderia, uma das mais conservadas de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA convivência entre estas culturas (crista, árabe e judaica) possibilitaram seu variado e rico conjunto de monumentos, que atualmente podemos admirar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou um momento de grande crescimento construtivo, possível graças a prosperidade econômica. Um exemplo de monumento renascentista é o Edifício do Ayuntamiento (prefeitura), um dos mais belos de toda a Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o período barroco, Tarazona recebeu abundantes comunidades religiosas, como os jesuítas, carmelitas, capuchinos, etc. Sua maravilhosa catedral foi recentemente restaurada, exibindo uma grande quantidade de verdadeiras joias artísticas (em breve, publicarei uma matéria exclusiva…). Caminhar por seu centro histórico e suas ruas estreitas nos remete a um passado cheio de vida e de enorme importância cultural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a cidade possui uma extensa programação de festas e atividades. Um local de referência é o Teatro de Belas Artes, inaugurado em 1921 e construído pelo arquiteto Miguel Àngel Navarro, seguindo os preceitos da arquitetura eclética, com detalhes modernistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarazona possui uma singular Praça de Touros e belas igrejas, que veremos proximamente. Espero que gostem desta nova série que hoje iniciamos, homenageando e divulgando as belezas artísticas desta cidade aragonesa….

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Calatayud – Comunidade de Aragón

Calatayud é, tanto no plano histórico quanto no econômico, uma das principais cidades da Comunidade de Aragón. Situada na Província de Zaragoza, dista aproximadamente 90 km da capital aragonesa, estando comunicada pelos trens de alta velocidade que unem Madrid e Barcelona. Sem contar as chamadas capitais de província da comunidade (Zaragoza, Teruel e Huesca), Calatayud é a única cidade que conta com mais de 20 mil habitantes (21 mil, no senso realizado em 2014).

20150813_092026Sua localização na confluência dos rios Jiloca, Jalón e Ribota condicionou sua longa história, representando um lugar de passagem entre as principais rotas que comunicavam o Vale do Rio Ebro e a zona central do país. Abaixo, vemos o Rio Jalón, que atravessa a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs primeiros habitantes da cidade, os celtíberos, se assentaram a 4 km da atual cidade de Calatayud, num povoado denominado Bílbilis, que foi posteriormente conquistada pelos romanos, transformando-se numa importante cidade. Até hoje, os nascidos em Calatayud são chamados de bilbilitanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, Calatayud “aparece no mapa” com a chegada dos árabes em 716, quando foi construído o Castelo de Qual at Ayub, que deu o nome à cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XI, Calatayud transformou-se numa das maiores cidades da Taifa de Zaragoza. Foi reconquistada em 1120 pelo rei Alfonso I “El Batallador”, quando então recebeu o foro. Desde 2006 celebram-se as festas chamadas “Las Alfonsadas“, quando a cidade volta a ter um aspecto medieval, recriando os acontecimentos que sucederam durante o processo da reconquista. A necessidade de repovoamento do território depois de reconquistada fez com que o foro da cidade fosse respeitoso com as minorias. A partir de então, passaram a conviver junto com os cristãos, os judeus e os mouros. Abaixo, vemos o atual aspecto da antiga Judería da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA presença judaica em Calatayud foi simultânea com a dominação islâmica. Se assentaram principalmente na parte alta, próximo às fortalezas da cidade, criando ruas sinuosas e estreitas. Como Aljama, isto é, como bairro judeu, se constituiu no séc. XII. No final do séc. XIII, a população judaica estava formada por quase 200 famílias, uns 900 habitantes aproximadamente (um número significativo na Idade Média), convertendo a Judería de Calatayud na mais importante de Aragón, depois da comunidade judaica de Zaragoza. Os judeus permaneceram na cidade até o edito de expulsão promulgado pelo Reis Católicos em 1492. Os que não se converteram foram obrigados a emigrar a outros países. Já os judeus conversos permaneceram na cidade, mantendo seus ritos, crenças e tradições na clandestinidade. Em Calatayud, como em grande parte das cidades que chegaram a possuir importantes bairros, os judeus desenvolveram uma importante atividade comercial, artesanal e científica, neste caso principalmente relacionada com a medicina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs mouros habitaram um bairro próprio, a Morería, até que foram expulsos em 1610. Abaixo, vemos uma foto da antiga morería, reconhecível pelo nome da rua com um desenho da lua em quarto crescente, símbolo do islã.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA convivência entre estas três culturas produziu uma das artes mais originais do continente europeu, embora seja exclusivamente espanhola, o Mudéjar. Em Aragón, este estilo adquiriu características próprias, que lhe valeram o reconhecimento da Unesco como Patrimônio da Humanidade em 2001. Calatayud é, junto com Zaragoza, Teruel e Daroca, uma das capitais do mudéjar aragonês, e algumas das igrejas da cidade formam parte da lista de monumentos mudéjares da comunidade que foram protegidos pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACalatayud ostenta o título de cidade desde 1366. O principal ponto de encontro de seus habitantes é a medieval Plaza de España, que originalmente era o local onde se realizava o mercado.

20150813_101406Nela também se realizavam corridas de touros, como sucedeu com a maioria das praças maiores do país. A maior parte das casas que vemos atualmente foram construídas nos séc. XVII e XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO principal edifício da praça é a Casa Consistorial, sede da Prefeitura de Calatayud, uma construção renascentista do séc. XVI e reformada no XIX.

20150813_101418 Calatayud faz parte do Caminho de El Cid, que vimos recentemente no blog. Nos próximos posts veremos com mais profundidade a história dos principais monumentos desta bela e importante cidade aragonesa.

Molina de Aragón – Prov. de Guadalajara

Molina de Aragón é um belíssimo pueblo situado na Província de Guadalajara, pertencente à Comunidade de Castilla-La Mancha. Como centro de uma comarca economicamente voltada à agricultura e pecuária, Molina possui cerca de 4 mil habitantes, e situa-se numa das zonas mais frias do país, com registros históricos de temperaturas inferiores a  28 graus negativos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO pueblo é uma típica vila senhorial da Idade Média, e foi catalogada como Conjunto Histórico-Artístico.  Depois de originalmente povoada por tribos ibéricas durante séculos, houve um período de desolação que afetou toda a região, interrompido com a chegada dos muçulmanos e a posterior criação dos denominados Reinos de Taifa no séc. XI. A cidade aparece, então, governada pelo rei  mouro Abengalbón, amigo pessoal de El Cid. A ocupação árabe termina com a reconquista, efetuada pelo rei cristão Alfonso I “El Batallador” em 1129.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo terra de fronteira, Molina esteve sob domínio tanto de castelhanos, quanto de aragoneses. Durante apenas 6 anos (1369/1375), pertenceu ao Reino de Aragón, época em que mudou o nome de Molina de los Caballeros para Molina de Aragón, e que conserva ainda hoje. A partir de então, volta a ser propriedade do Reino de Castilla, graças ao casamento da infanta Leonor de Aragón com o castelhano infante Juan. Um século depois, a rainha Isabel “La Católica” concede um privilégio, a partir do qual Molina pertencerá sempre a Castilla. Abaixo, vemos a Praça de Espanha, situada no centro do povoado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMolina de Aragón viveu seus dias gloriosos no séc. XVI, devido ao aumento populacional e a exploração econômica de seus recursos. No séc. XIX, o valor  heróico demonstrado por seus habitantes durante a Guerra de Independência outorgou ao pueblo o título de cidade, concedido por Fernando VII em 1812. Abaixo, vemos parte do recinto de muralhas conservados, como a Porta de Medina e a Porta do Banho, ambas levantadas no séc. XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, podemos observar pequenas partes dos muros que formavam as muralhas, que cercava toda a localidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de seu reduzido tamanho, em Molina sobrevivem numerosos templos religiosos, edificados em várias épocas. A Igreja de San Pedro, por ex., foi construída originalmente no estilo românico no séc. XIII, mas reformada nos séc. XVI/XVII, apresentando uma mistura de estilos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Francisco, também fundada no séc. XIII, foi reformada na etapa gótica e barroca, quando foi levantada a torre no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo alto da torre, vemos uma estátua denominada de Giraldo, uma referência à famosa estrutura que coroa a parte superior da Catedral de Sevilha (La Giralda).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA vila está atravessada pelo Rio Gallo, um afluente do Tajo (Tejo, em português). Um de seus símbolos é a ponte medieval, construída entre os séc. XII/XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída com pedra arenítica, está formada por três arcos. A imagem que contemplamos de sua localização é um dos cartões postais de Molina de Aragón, com a imponente visão  do castelo ao fundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, seguiremos conhecendo este pueblo castelhano.

Colegiata de Santa Maria – Daroca

Estamos diante do templo religioso mais importante da cidade de Daroca, a Colegiata de Santa Maria. Sua construção original foi realizada no período românico, mas a igreja foi remodelada e ampliada em várias ocasiões durante as etapas gótica e renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo foi construído sobre a antiga mesquita da cidade, uma vez reconquistada por Alfonso I “El Batallador” em 1120. O templo atual ergueu-se entre 1585/1592, incorporando elementos renascentistas, mas dentro de uma estética e tradição gótica. De sua construção primitiva românica, conserva-se apenas o ábside.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA entrada principal do templo até finais do séc. XVI correspondia à denominada Porta do Perdão. Construída durante o período gótico (séc. XIV), conserva em seu tímpano a policromia original da Idade Média.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO relevo do tímpano representa uma cena do livro do Apocalipse de São João. Nele vemos a Cristo triunfante situado entre o sol e a lua e dois anjos que portam os instrumentos da paixão. É adorado pela Virgem e por São João, que intercede pelos homens.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1603 se constrói a Porta Nova, atual acesso ao interior do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior da porta, vemos uma cena que representa uma famosa tradição da cidade, protagonista de um milagre que a converteu  num centro de peregrinação para os cristãos, os chamados Sagrados Corporales.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA história dos Sagrados Corporales está documentada, e sucedeu no ano 1239, época de contínuos enfrentamentos entre cristãos e árabes. A tradição conta que um sacerdote consagrou 6 hóstias destinadas à comunhão de cada um dos capitães das tropas do exército cristão. No entanto, um ataque surpresa do inimigo suspendeu o culto, e as hóstias se ocultaram envolvidas num corporal, uma peça quadrada de tela sobre a qual se realiza a Eucaristia. A contraofensiva cristiana saiu vitoriosa e os comandantes solicitaram ao sacerdote que finalmente lhes dessem a comunhão, em ação de graças pela vitória. O padre, então, encontrou as 6 hóstias empapadas de sangue e o acontecimento provocou a exaltação dos comandantes, que viram no fato um sinal de vitória final. Com o corporal fixado a um estandarte, conseguiram o êxito almejado, tomando um castelo até o momento sob domínio dos muçulmanos. A Colegiata de Santa Maria guarda em seu interior as relíquias dos Sagrados Corporales e por este motivo é também conhecida como Igreja de N.Sra de los Corporales. As sagradas relíquias podem ser vistas na Capela construída para guardá-las, e concluída durante o reinado dos Reis Católicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA capela situa-se na antiga cabeçeira do templo românico, sendo considerada uma obra prima do denominado gótico-flamígero.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja está formado por 3 naves, com capelas situadas entre os contrafortes. Abaixo, vemos algumas delas, que acolhem excepcionais obras de arte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Altar Maior, destaca um baldaquino inspirado no modelo da Basílica de San Pedro do Vaticano e construído no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASituado no centro do baldaquino, vemos um grupo escultórico dedicado à Assunção, talhado em 1682.  As quatro colunas salomônicas de mármore negro que o sustentam foram colocadas em 1677. Em sua parte superior, estão representados os 4 doutores da Igreja Ocidental. Seus escritos foram fundamentais para os fundamentos da fé e da ortodoxia da Igreja Católica. São eles: São Ambrósio, Santo Agostinho, São Jerônimo e São Gregório Magno.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtrás do baldaquino situa-se um estupendo órgão do séc. XV, um dos melhores de todo o país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde 1337, a Igreja de N.Sra de los Corporales foi considerada como Basílica Colegiata, e graças à sua riqueza ornamental e importância religiosa, está catalogada como Monumento Nacional.

Daroca – Comunidade de Aragón

Uma das cidades de maior riqueza monumental e histórica de Aragón, Daroca situa-se na Província de Zaragoza. Durante 4 séculos, integrou o reino árabe que conquistou boa parte da Espanha a partir do ano 711 dC. O rei Alfonso I “El Batallador” a reconquistou em 1120 e vinte anos depois lhe outorgou um primitivo foro, hoje desaparecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda no séc. XII, o conde Ramón de Berenguer IV concedeu-lhe privilégios que a converteu na capital da famosa Comunidade de Daroca, de grande importância social e militar durante a Idade Média. Coexistiam, na época, três grupos sociais, formados por cristãos, judeus e muçulmanos, que gozavam dos mesmos privilégios, ainda que com uma organização social e tributária distintas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo estar localizada no Vale do Rio Jiloca, no caminho que unia os antigos reinos de Castilla com Catalunha (então pertencente ao Reino de Aragón), Daroca era frequentemente um ponto de parada das comitivas reais, como sucedeu com os Reis Católicos, Carlos I, Felipe II, Felipe III, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Calle Mayor, a mais importante da localidade, atravessa a cidade de um lado a outro. A geografia da vila fez com que esta rua fosse um verdadeiro barranco natural, unindo as partes alta e baixa. Na sequência, vemos no lado esquerdo da foto, uma imagem de seu traçado, entre edifícios pintados de cores vivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor este motivo, os arcos que conformam as portas da muralha de Daroca são de grandes dimensões, permitindo o escoamento da água das chuvas. Porém, quando as portas se fechavam, a cidade era vítima de desastrosas inundações. A seguir, vemos outra foto da Calle Mayor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara solucionar este problema, foi construído em 1555 durante o reinado de Felipe II, um túnel que corre paralelo à Calle Mayor, denominado de La Mina. O responsável de sua construção foi um especialista em obras hidráulicas, o engenheiro francês Pierres Bedel, e permitia o escoamento das águas diretamente ao Rio Jiloca. Com 750m de comprimento, 6 de largura e 8m de altura, é considerado o túnel da época moderna com esta função mais antigo de toda Europa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADaroca aparece citada no poema “Cantar de Mío Cid”, uma obra épica anônima que relata as aventuras do herói castelhano Rodrigo Díaz de Vivar, conhecido popularmente como “EL Cid”. Composto ao redor do ano 1200, é o único poema épico da Literatura Espanhola que se conserva em quase sua totalidade e que se pode ver na Biblioteca Nacional da Espanha, em Madrid. Por este motivo, Daroca integra a Rota de El Cid, um itinerário composto por cidades protagonistas na obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu patrimônio monumental é impressionante, e durante uma época era conhecida como a cidade dos “sete 7”, pois possuía o mesmo número de igrejas, conventos, ermitas, fortificações, praças, portas e fontes. Ao lado da Porta Baixa, vemos uma das mais monumentais fontes de toda a Comunidade Aragonesa, bem como uma das poucas que sobreviveram, chamada Fonte dos 20 canos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída em 1638 para embelezar o espaço compreendido pela principal porta de acesso à cidade. Consta, como o próprio nome indica, por 20 canos decorados com rostos humanos, infelizmente bastante deteriorados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante toda esta semana, iremos conhecendo os principais monumentos desta cidade, de visita imprescindível numa excursão à Comunidade de Aragón.