Conhecendo Santiago de Compostela

A grande maioria das pessoas passa apenas um dia em Santiago de Compostela, percorrendo a zona próxima à Catedral. No entanto, para conhecê-la a fundo, recomendo, como mínimo, dois dias inteiros na cidade galega. Isso porque a cidade possui um vasto patrimônio histórico que vai muito além de seu famoso templo catedralício, que vale a pena ser conhecido e visitado. Caminhando, pude descobrir boa parte de seu centro histórico, além de zonas mais afastadas. Nesta matéria gostaria de realizar um pequeno passeio com os (as) leitores (as) pela cidade, mostrando alguns dos lugares que a transformaram num grande centro turístico. Percorrendo suas ruas, deslumbramos lendas, locais e personagens que fizeram a história do Caminho de Santiago, como o Rei Asturiano Alfonso II “El Casto” (760/842), em cujo longo reinado de 51 anos se descobriu a tumba do Apóstolo Santiago, no ano de 814. Este monarca é considerado o primeiro peregrino do Caminho de Santiago, e inaugurou o chamado Caminho Primitivo (cerca de 320 km), que vai de Oviedo, atual capital de Asturias, até Santiago de Compostela. Uma estátua do rei lhe rende uma homenagem…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Caminho de Santiago possui inúmeras lendas e tradições que o enriqueceram, e conhecendo as ruas da cidade podemos encontrar muitas delas, como a relativa à Fonte de Franco. Diz a tradição que há dois mil anos atrás dois bois que levavam o corpo do Apóstolo Santiago pararam para beber água. Esta brotou milagrosamente depois que os animais começaram a cavar o solo com suas patas. Outro fato interessante é que esta água devolveu a vista a um beato italiano chamado Franco de Siena, depois de ter lavado os olhos com o bendito líquido, daí seu nome. A fonte atual data de 1830 e durante muito tempo matou a sede dos habitantes locais….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Porta de Mazarelos, a única porta sobrevivente da antiga muralha que rodeava a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação às igrejas, Santiago de Compostela é uma verdadeira mina de ouro, com uma grande quantidade de templos nos mais variados estilos, principalmente de época barroca. A Igreja de Santa María Salomé é um caso especial na Espanha, ao ser a única que está dedicada à mãe do Apóstolo Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua fundação remonta ao século XII, conservando deste período a porta original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre campanário somente foi levantada no século XVIII…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra igreja de importância histórica, situada junto à Plaza del Obradoiro, é a Igreja de San Fructuoso, também conhecida como da Nossa Senhora das Angústias, devido a imagem da Virgem das Angústias que preside a fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta igreja construída no século XVIII foi edificada para ser observada desde um nível superior, neste caso a Plaza del Obradoiro. Por este motivo, a decoração da fachada encontra-se em sua parte mais alta, onde vemos 4 figuras que simbolizam as Virtudes Cardenais (Justiça, Prudência, Fortaleza e Templanza ou Moderação).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local emblemático da cidade é a Plaza de Cervantes, que historicamente sempre foi um lugar de reunião popular. Nela esteve sediada a prefeitura durante 200 anos, de 1583 a 1787, quando foi levada à Plaza del Obradoiro. Durante a época do Tribunal da Inquisição, foram realizados na praça os denominados Autos de Fé, os julgamentos daqueles que foram acusados de cometer crimes contra os dogmas eclesiásticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Posteriormente, com a chegada das lojas de alimentos e mercadorias, a praça passou a ser denominada Plaza del Campo e recebeu o mercado municipal. Daí a explicação da igreja situada num de seus costados, a Igreja de San Benito del Campo, de origem medieval mas reformada no século XVIII dentro do estilo neoclássico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO grande nome da Literatura Espanhola, Miguel de Cervantes, foi homenageado com o nome da praça no final do século XIX, recordando que seus dois sobrenomes, Cervantes e Saavedra, possuem uma origem galega. Um busto do escritor situado no alto de uma coluna assim o testemunha…

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Monastério de Piedra – Comunidade de Aragón

Um dos passeios mais interessantes que podemos fazer na bela Comunidade de Aragón, o Monastério de Piedra se destaca tanto por sua história secular quanto pela beleza espetacular da paisagem que o rodeia. Situa-se na Província de Zaragoza, a cerca de 20 km da cidade de Calatayud.

20160912_20030220160912_193852O Real Monastério de Santa María de Piedra, seu nome completo, foi fundado em 1195 dentro da política de repovoamento territorial promovida pelo Rei Alfonso II “El Casto”. Ele e sua esposa, a Rainha Sancha, solicitaram ao abade do Monastério de Poblet, situado  na Catalunha, a criação de um monastério no Reino de Aragón (para maiores informações deste impressionante monastério, ver as matérias publicadas entre 4/4 e 6/4/2013). Para tanto, doaram uma região chamada Castillo de Piedra, assim denominada por encontra-se às margens do Rio Piedra.

20160912_19313420160912_195400Ambas instituições religiosas, os Monastérios de Poblet e Piedra, pertenciam à Ordem Cistercense e sua vida comunitária seguia a Regra de San Benito (São Bento, em português). Depois da lei real para sua fundação, 12 monges saíram de Poblet para a construção do novo monastério, dirigidos por Gaufredo de Rocaberti, que se converteria no primeiro abade do Monastério de Piedra. Passados 23 anos, a igreja do convento foi consagrada (1218). Outras dependências, como o claustro, seriam finalizadas somente no século XV.

20160912_19330520160912_194744Todo o perímetro do monastério estava protegido por uma muralha

20160912_194903A denominada Torre de Homenagem constituía um dos principais pontos de sua defesa.

20160912_195923Os monges habitaram o monastério durante aproximadamente 650 anos, de 1195 a 1835. A construção monacal se desenvolveu ao longo de três etapas distintas: a primitiva românico-gótica (século XIII), a fase renascentista (XVI) e o período barroco (XVIII).

20160912_195102Com sua construção, os monges do monastério, graças às doações reais, detiveram o domínio e a jurisdição sobre um amplo território. Viviam segundo o lema principal da Ordem Cistercense e da Regra de San Benito, “Ora et Labora”, isto é, Reza e Trabalha.

20160912_194559No próximo post, veremos algumas das principais dependências conservadas deste importante monastério aragonês, e um pouco mais sobre sua complicada história…