Fuentidueña del Tajo – C.Madrid

A Comunidade de Madrid possui muitos outros tesouros a serem descobertos, além dos inumeráveis existentes na capital. Por exemplo, a cerca de 60 km de Madrid localiza-se o povoado de Fuentidueña del Tajo. Com aproximadamente 2 mil habitantes, encontra-se bastante próximo à Província de Toledo, já na Comunidade de Castilla La-Mancha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABoa parte da zona sudeste da Comunidade de Madrid, onde se situa o pueblo, pertenceu, em épocas passadas, à Ordem de Santiago, uma das 4 ordens militares autóctonas da Espanha (as outra são as ordens de Calatrava, Alcántara e Montesa). Esta ordem religiosa e militar nasceu no século XII no antigo Reino de León com o objetivo inicial de proteger os peregrinos que realizavam o Caminho de Santiago. Dentro do Processo de Reconquista, exerceu um papel fundamental na reocupação das terras dominadas pelos muçulmanos. Uma das maiores atraçoes de Fuentidueña del Tajo é seu castelo, que foi propriedade da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASituado num cerro que se eleva sobre a cidade, dele podemos admirar todo o povoado, como vemos na primeira foto da matéria. Também conhecido como Castelo de Santiago, infelizmente encontra-se num estado ruinoso. A Torre de Homenagem é sua parte melhor conservada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua história inicialmente está vinculada a uma fortificação muçulmana, construída para deter o avance dos cristãos. A fortaleza foi conquistada pelo Rei Alfonso VI entre os séculos XI e XII, momento em que foi construído um novo castelo, que foi utilizado como residência de personagens relevantes da época. Nele viveu a Rainha Urraca I, esposa do monarca Alfonso I de Aragón, a quem os habitantes do povoado chamam de sua “Dueña”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XV, o castelo passou a ser propriedade da Ordem de Santiago e foi utilizado como cárcere. Durante a Guerra da Independência contra os franceses no início do século XIX, a fortaleza foi severamente castigada e seus materiais construtivos foram utilizados para a construção de outros edifícios. Os restos conservados datam do século XIV, quando o castelo foi ampliado dois séculos depois de sua fundação. Sua importância se reflete em seu aparecimento no escudo da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Rio Tajo atravessa os limites do povoado, e aos pés do castelo se encontra uma fonte que originalmente foi construída em tempos da Rainha Urraca, cujo apelido “Dueña” completa a origem da denominaçao do povoado, Fuentidueña del Tajo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próxima ao castelo vemos a Igreja de San Andrés Apóstol, construída no século XVII no estilo barroco sobre uma antiga capela erguida no século XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi dedicada ao Apóstolo André, que se tornou o santo padroeiro da vila. Em sua fachada destacam a torre quadrada e suas três colunas toscanas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO povoado é também conhecido pela Torre do Relógio, situada ao lado do Ayuntamiento, o edifício sede da prefeitura do município. Sua máquina de funcionamento é uma das mais antigas de toda a Comunidade de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando estive na cidade, seus habitantes tinham acabado de celebrar as festividades em honra a sua padroeira, Nossa Senhora de Alharilla, cuja imagem decora a torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATanto a torre quanto o Ayuntamiento situam-se na Plaza de la Constitución, a mais importante do povoado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFuentidueña del Tajo possui uma singela Plaza de Toros, chamada “La Ribereña“, onde se realizam espetáculos taurinos…

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A Catedral Compostelana

Esta série de matérias sobre Santiago de Compostela estaria incompleta, caso não publicasse posts sobre seu edifício mais famoso e importante, a Catedral, que preside o Centro Histórico da cidade, declarado Patrimônio da Humanidade em 1985.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada um dos templos mais importantes de todo o mundo, a Catedral Compostelana está dedicada ao Apóstolo Santiago, cujos restos descansam em seu interior. Este fato a converteu num dos principais centros de peregrinação da Europa desde a Idade Média, através do Caminho de Santiago. O sepulcro do Apóstolo, nomeado Padroeiro da Espanha, foi descoberto no século IX por um eremita chamado Pelayo, que comunicou o achado ao Bispo Teodomiro de Iria Flávia, atual município galego de Padrón. O bispo, por su vez, avisou da notável descoberta ao Rei Asturiano Alfonso II, que posteriormente converteu-se no primeiro peregrino documentado do caminho. O monarca ordenou a construção de uma pequena capela no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADiante do crescente número de peregrinos e das reduzidas dimensões do templo, se construiu uma igreja maior no ano 829 e no final do século IX (899) uma outra igreja, de estilo pré-românico, construída pelo Rei Alfonso III, que se transformou gradualmente num importante local de peregrinaçao. Em 997, esta primitiva igreja foi destruída pelo General Almanzor, comandante do exército muçulmano do Califato de Córdoba, que respeitou, no entanto, o sepulcro do Apóstolo Santiago. Apesar disso, as portas e campanas da igreja foram levadas à Mesquita de Córdoba. Quando a cidade andaluza foi reconquistada pelo Rei Fernando III em 1236, foram transportadas por prisioneiros muçulmanos à cidade de Toledo, concretamente a sua notável catedral gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADestruída a igreja primitiva, durante o reinado de Alfonso VI e sob o patrocínio do Bispo Diego Peláez, se iniciou a construção da atual catedral, um dos edifícios de estilo românico de maior importância em toda Europa. Edificada basicamente com granito, as obras se detiveram em vários momentos, sendo finalizada em 1122 e consagrada por primeira vez seis anos depois. Seus principais arquitetos foram Bernardo El Viejo, seu discípulo Roberto e um grande arquiteto da Arquitetura Românica, o Mestre Esteban. A última etapa construtiva ocorreu a partir de 1168, quando o chamado Mestre Mateo realizou a cripta e o fabuloso Pórtico da Glória, considerado um dos expoentes máximos da Arte Românica. As obras finalizaram em 1211, ano em que a Catedral é definitivamente consagrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima, vemos o aspecto da fachada principal românica da catedral, antes da reforma barroca realizada no século XVIII, que dá para a Plaza del Obradoiro. Esta imponente e maravilhosa fachada, além de outras partes da Catedral, como o mencionado Pórtico da Glória, está sendo restaurada para solucionar o processo de deterioração em seus elementos estruturais e decorativos, causado principalmente pela humidade, além de intervenções realizadas no passado que resultaram problemáticas. Além do mais, a fachada recebeu um necessário tratamento de limpeza. Abaixo, vemos duas imagens da fachada, antes da reforma, e outra atual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs primitivas torres da fachada principal eram românicas, mas forma substituídas pelas atuais durante a reforma barroca. Abaixo, vemos a Torre do Relógio, situada no lado direito da fachada. Foi realizada em 1680 por Domingo de Andrade. O relógio é de 1831, e os sinos são réplicas, cujos originais foram colocadas no claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo exterior da catedral, a única fachada que conserva sua fábrica românica é a impressionante Fachada de las Platerías, construída pelo Mestre Esteban entre 1103 e 1117.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACaracteriza-se por sua riqueza escultórica, tanto nos capitéis, quanto nos tímpanos de suas duas portas. No tímpano da esquerda, vemos cenas relacionadas às tentaçoes de Cristo. No extremo direito aparece a representação de Eva com uma caveira, identificada como adúltera pelo Códice Calixtino (um pouco complicado de ver na foto…).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo tímpano da direita, vemos outras cenas historiadas, como a Epifania em sua parte superior. Na parte inferior, a cura do cego e episódios da Paixão de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns elementos decorativos foram colocados posteriormente (final do século XIX), como estes 6 meninos que faziam parte do coro de pedra situado na nave central da igreja e realizado pelo Mestre Mateo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local destacável do exterior da catedral é a Porta Santa, cuja porta se abre somente nos denominados Anos Santos ou Jubilar, quando as festividades em honra ao Apóstolo Santiago (25 de julho) caem num domingo, algo que ocorre em intervalos de 5, 6 e 11 anos. Este privilégio foi concedido pelo Papa Calixto II em 1122.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais da porta, também foram colocadas, no século XVII, 24 figuras de personagens bíblicos, do Antigo e do Novo Testamento, que originalmente integravam o coro pétreo do Mestre Mateo. Em sua parte superior, vemos o Apóstolo Santiago, cuja imagem foi realizada em 1694 por Pedro del Campo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos esta primeira parte sobre a Catedral de Santiago de Compostela com a Fachada da la Azabachería, construída em 1758, substituindo a antiga Porta do Paraíso, pela qual entravam a maioria dos peregrinos.

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Santiago de Compostela

Minha viagem com o Marcelo e a Cristina pela Galícia finalizou de forma maravilhosa em Santiago de Compostela, cidade monumental cujos adjetivos escasseiam para definir sua beleza e importância histórica. Capital da Comunidade da Galícia, sede do governo e do parlamento galhego, meta última dos milhares de peregrinos que realizam o Caminho de Santiago, pois acolhe o sepulcro do Apóstolo Santiago, padroeiro da Espanha, e Patrimônio da Humanidade desde 1985, Santiago de Compostela é uma destas cidades que merecem ser visitadas ao menos uma vez na vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas origens estão intimamente relacionadas ao culto do apóstolo que lhe dá nome, pois até o descobrimento de seus restos no início do século IX, se pode dizer que a cidade não existia. O crescimento e importância desta cidade se deve à enorme quantidade de peregrinos que desde a Idade Média visitam a tumba do apóstolo, situado em sua impressionante Catedral Românica, que recebiam o apelativo genérico de “francos“, independente de seu local de origem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome “Compostela” deriva da expressao latina “Campus Stellae“, que significa “Campo de Estrela“. Segundo a tradição medieval, no ano de 813 um eremita chamado Pelayo, alertado pelas estrelas que iluminavam o céu noturno num bosque denominado Libredón, encontrou os restos do Apóstolo Santiago e avisou ao Bispo Teodomiro de Iria Flávia sobre as relíquias do santo. A descoberta propiciou que o Rei Alfonso II de Asturias (760/842) realizasse a primeira peregrinação a este novo local sagrado para o Cristianismo, pois as outras rotas de peregrinação, como Roma, encontravam-se, naquele momento, num período de decadente, e Jerusalém estava sob o poder dos árabes. Abaixo, vemos a imagem do apóstolo que preside a incrível fachada barroca da Catedral de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPouco a pouco a cidade começou a desenvolver-se devido a este protagonismo religioso, mas foi destruída pelo General Almanzor em 997, numa batalha situada dentro do processo de reconquista cristã das terras ocupadas pelos mouros. Almanzor, respeitou, no entanto, a tumba do apóstolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra explicação para o nome da cidade vem da expressao “Composita Tella“, que significa “Tierras Hermosas“. A cidade foi reconstruída e fortificada a partir do século XI, momento em que se construiu uma nova muralha, além de transformar-se numa sede apostólica pelo Bispo Cresconio. Em 1075, o Bispo Diego Pelaéz ordenou a construção da Catedral Românica, que atualmente contemplamos apesar das reformas realizadas, principalmente em sua fachada principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo ponto de vista político, destaca-se a coroação do Rei Alfonso VI (1040/1109) na catedral compostelana. Este monarca foi Rei de León, Castilla e da Galícia. Em 1181, o Papa Alexandro III concedeu o privilégio do Ano Santo Jacobeu. Nesta época foi redatado o famoso Códice Calixtino, um conjunto de textos que tornou-se uma fonte primordial para os peregrinos que realizavam o caminho, e que atualmente encontra-se protegido dentro da catedral, depois que foi roubado há poucos anos atrás e posteriormente reencontrado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra data fundamental para a cidade foi 1643, quando o Rei Felipe IV estabeleceu o Apóstolo Santiago como o Padroeiro da Espanha. A prosperidade alcançada fez com que se tornasse um grande centro artístico a partir da época barroca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos a Plaza del Obradoiro, a principal da cidade, onde situa-se a fachada principal da Catedral, a Prefeitura, um maravilhoso Parador de Turismo e um dos edifícios de sua famosa Universidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Atualmente, Santiago de Compostela é uma cidade de serviços em virtude do intenso turismo religioso e cultural que possui. Sua economia destaca-se também pela indústria de telecomunicações e do setor madeireiro, além de centro universitário e sede administrativa do Governo Autônomo da Galícia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATive o privilégio de ficar 4 dias na cidade, e conhecer boa parte de seus monumentos, igrejas, praças, ruas e pontos de interesse turístico. A partir de hoje, inicio uma extensa série de matérias, onde os leitores (as) do blog poderão conhecê-la com mais profundidade.

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Olmedo – Província de Valladolid

Na Semana Santa deste ano aproveitei para conhecer a bela cidade de Olmedo, situada ao sul da Província de Valladolid, uma das províncias que integram a Comunidade de Castilla y León. Apesar de seu reduzido tamanho, pois conta apenas com cerca de 3.500 habitantes, Olmedo possui um importante patrimônio histórico, principalmente religioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu nome se deve à abundância de olmos, uma árvore de porte elevado e robusto, que pode chegar a 40 metros de altura, e que faz parte de seu escudo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns historiadores dizem que foi fundada pelos Vacceos, um povo pré-romano (celtíberos). Na realidade, nada se sabe de sua existência até o ano 1085, quando aparece como um dos povoados reconquistados pelo monarca Alfonso VI aos árabes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOlmedo foi palco de acontecimentos históricos relevantes, como a Batalha de Olmedo, travada em 1445 entre as Coroas de Castilla e Aragón. No século XVIII, o Rei Felipe V concede privilégios à vila e no começo do século XIX é visitada por José Bonaparte, irmão do imperador francês que assumiu o trono espanhol durante a Guerra da Independência Espanhola (1808/1814).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs principais festividades da cidade possuem um caráter religioso, como a celebrada no dia 29 de setembro, data em que se comemora as festas em honra ao Arcanjo São Miguel, padroeiro da cidade. Durante a Semana Santa se realizam várias procissões pelo centro de Olmedo, e tive a oportunidade de presenciar uma delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pessoas esperam ansiosas a saída das imagens veneradas colocadas no interior das igrejas para o início da procissão, que percorre as ruas do centro histórico de Olmedo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPoder acompanhar a procissão foi um verdadeiro privilégio, ao mesmo tempo em que pude constatar a fé de seus habitantes neste país eminentemente católico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO centro da cidade está constituído pela Plaza Mayor, como acontece normalmente nos povoados e cidades do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela se realizava como um privilégio real, o mercado semanal, estando presidida pela Casa Consistorial de Olmedo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa porta principal do edifício vemos uma inscrição feita na pedra com a data de sua construção (1692), apesar das reformas realizadas posteriormente. Em sua parte inferior, o edifício está composto por uma interessante galeria de arcos, que sustentam o edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do próximo post, publicarei matérias onde vocês poderão conhecer um pouco mais sobre esta típica vila castelhana, e seus principais monumentos históricos.

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Os Cigarrales de Toledo

Existe um bairro de Toledo que praticamente não é visitado pelos turistas que chegam à cidade. Em grande parte este desconhecimento se deve à própria localização do bairro, situado em terrenos acidentados com um forte desnível, junto ao Rio Tajo, no lado oposto ao centro histórico. Este post está dedicado aos Cigarrales, uma zona de Toledo com uma interessante história, como tudo relacionado a esta cidade castelhana. Abaixo, vemos uma panorâmica da cidade desde os Cigarrales.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão se conhece ao certo o significado do termo Cigarral. Os toledanos dizem que no verão proliferam as cigarras e que o único que se escuta nesta época do ano sao os sons emitidos pelo animal. Outra teoria diz que com a chegada do tabaco das terras americanas a partir do século XVII, alguns religiosos se dirigiam a esta zona para fumar seus cigarros. Outros defendem a tese que o termo procede do árabe, e que significa manancial, fonte de água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGrandes casas de estilo tradicional formam parte do panorama desta zona de Toledo. Estas sofisticadas casas do entorno urbano foram cercadas por um muro de pedra em 1400 para a exploração da pecuária, sendo utilizadas historicamente também como terra de cultivo e residência campestre para o descanso e desfrute da natureza, além da contemplação da própria cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA origem dos Cigarrales se remonta às vilas de época romana e nas hortas de recreio construídas pelos muçulmanos ao redor da cidade, estratégicamente situadas junto aos riachos para a irrigação dos cultivos, o que explica o significado da palavra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a Reconquista de Toledo pelo Rei Alfonso VI no século XI, estas propriedades rentáveis devido a sua produção agrícola passaram a fazer parte do patrimônio da elite cristã, perdendo sua função recreativa, pois seus novos proprietários, nobres e instituições religiosas, lhe deram um caráter exclusivamente econômico, obtendo consideráveis recursos com os produtos da terra e o seu arrendamento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA época dourada dos Cigarrales se deu com a chegada do Renascimento no século XVI, momento no qual se importou o conceito italiano de convívio junto à natureza e a vila renascentista como modelo de vida ideal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir deste período se recupera o costume da casa de campo, iniciando-se um amplo processo construtivo, que prosseguiu no século XVII. Os Gigarrales históricos de época renascentista estavam formados por grandes parcelas de terra, mas no século XVIII se subdividiram, originando outros menores, base dos atuais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muitos deles se celebravam tertúlias literárias, isto é, uma reunião de intelectuais e escritores, estando presentes em novelas de grandes personalidades da Literatura Espanhola, como Tirso de Molina em sua obra “Los Cigarrales de Toledo“, escrita em 1621, em que o autor ambienta a história nesta parte da cidade. Muitos dos Cigarrales possuem nome próprio, como vemos na imagem acima e também abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, os Cigarrales de Toledo perderam sua finalidade agrícola, convertendo-se em residências de luxo, habituais ou secundárias de seus proprietários. Alguns transformaram-se em hotéis.

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Monastério de San Frutos de Duratón

Dentro dos limites do Parque Natural das Hoces del Río Duratón situa-se o Monastério de San Frutos, cuja localização ao borde do precipício formado pela ação erosiva do rio é verdadeiramente magnífica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara se chegar ao monastério, os carros devem ser deixados num estacionamento, e logo percorrer uma trilha inclinada de 800m, com vistas incríveis do canyon e do próprio monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua história é muito antiga e está relacionada a San Frutos, San Valentín e Santa Engrácia, que viveram como eremitas no local. O primeiro faleceu no ano de 715 e seus irmãos foram decapitados pelos árabes um pouco depois. O lugar tornou-se um centro de peregrinação ao se construir um monastério depois da morte dos santos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1076, depois da reconquista destas terras pelo Rei Alfonso VI, o Priorato de San Frutos passou a depender do Monastério de Silos, um dos mais importantes da Espanha no período medieval, ao qual pertenceu até a Desamortização dos bens eclesiásticos de 1835 (ver matérias publicadas sobre Silos em 8/8 e 9/8/2015).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO antigo monastério foi reconstruído em torno ao ano 1100 no estilo românico, um dos exemplos desta corrente artística mais antigos existentes na Província de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo uma inscrição, as obras foram realizadas pelo arquiteto Michel, e sua construção ordenada pelo Abade Fortunio, pertencente ao Monastério de Silos. Este dado transforma o monastério num raro exemplo da Arte Românica, pois na maioria dos casos o nome do arquiteto construtor é desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o ábside românico

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de San Frutos atingiu seu auge no século XIII. Em torno ao ábside foi descoberto uma necrópole, com tumbas escavadas na rocha em formato antropomórfico, e a cabeça orientada ao oeste, onde o sol nasce.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XII se construíram também duas capelas, das quais se conserva apenas uma delas. Abaixo, vemos outras imagens do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs corpos dos três santos foram colocadas em tumbas situadas dentro de uma singela construção. No entanto, seus restos foram levados a outro local, para serem venerados como relíquias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtravés de um dos vãos da construção do monastério, podemos contemplar a beleza das águas do Rio Duratón

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMe despedi do Monastério de San Frutos e da Província de Segóvia, meu último destino no passeio que realizei com minha esposa no feriado da Semana Santa. Felizes regressamos a Madrid, depois de termos conhecido povoados encantadores e as belas paisagens da Comunidade de Castilla y León.

Riaza – Província de Segóvia

No feriado da Semana Santa deste ano, eu e minha esposa fizemos uma viagem maravilhosa pelo nordeste da Província de Segóvia (Comunidade de Castilla y León) em busca de povoados com encanto (pueblos), belas paisagens e um rico patrimônio histórico, artístico e cultural. Nossa primeira parada foi Riaza, cidade serrana situada no Maciço de Ayllón, a quase 1200m de altitude.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome da cidade se deve ao Rio Riaza, que passa por suas terras. O primeiro documento que comprova a existência da cidade data de 1235. O povoado originou-se dentro do processo de repovoamento com a finalidade de conter o avanço muçulmano ocorrido no final do século XI, depois da conquista de Toledo (1085) pelo rei castelhano Alfonso VI. Tempos depois, a cidade foi colonizada, aproveitando-se os recursos disponíveis para o desenvolvimento da pecuária e da exploração florestal. Em 1139 passa a depender do Bispado de Segovia e em 1430 se converte num senhorio, pertencente a Álvaro de Luna. Do século XVI até 1812, tornou-se propriedade do Duque de Maqueda, ano em que os senhorios foram abolidos pela Constituiçao de Cádiz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARiaza é conhecida sobretudo por sua belíssima Praça Maior, uma das mais famosas da província. Seu aspecto atual data de 1873. Até inícios do século XIX, em seu centro havia um monumento chamado Picota, em que eram exibidas as cabeças daqueles que foram condenados, simbolizando o poder do senhor feudal sobre a administração e a justiça de seus vassalos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA praça está dividida pelo Edifício do Ayuntamiento, ou seja, a Prefeitura. Do século XVIII, está formado por 3 andares e possui uma torre campanário cujo relógio de ferro forjado foi instalado em 1895.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA maioria das casas que rodeiam a praça foram construídas no séuculo XVIII, mas algumas correspondem a épocas anteriores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas das residências pertenceram no passado à nobreza local, e conservam o escudo da família na fachada. Possuem colunas de sustentação de pedra ou madeira, e a galeria que se forma entre as colunas e as casas sao usadas pela população para o comércio e também para o abrigo em dias de mau tempo. A Praça Maior de Riaza também é utilizada como Coso Taurino, isto é, um local onde se realizam espetáculos com touros, principalmente touradas, além de concertos e festas populares. Detrás do Edifício do Ayuntamiento se encontra a Igreja de Nuestra Señora del Manto, que acolhe a imagem da virgem padroeira do lugar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo renascentista, foi edificada no final do século XV e princípio do XVI. Possui uma bela torre quadrada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o retábulo do altar maior realizado pelo mestre Diego Valentín Díaz, no século XVII, com cenas relativas à vida de San Jerónimo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui um Museu de Arte Sacra , com peças de vários estilos artísticos. Próximo à Riaza situa-se uma das melhores estações de esqui da comunidade, a “La Pinilla“, pela variedade, qualidade e extensão de suas pistas.