Espanha – O País dos Touros

Poucos aspectos da cultura tradicional espanhola estão tão associados à imagem do país no estrangeiro como as touradas, aqui denominadas Corridas de Touros. Muitos de meus clientes me perguntam se atualmente as touradas continuam sendo realizadas na Espanha, e ficam surpresos quando a resposta é afirmativa. Se surpreendem ainda mais quando lhes comento que o desenlace final do espetáculo é a morte do touro. Apesar do desprezo de parte da sociedade espanhola e as críticas das associações de proteção à vida animal, o mundo dos touros continua gozando de saúde em boa parte do país, e o título de País dos Touros permanece em vigor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs touradas constituem a expressão mais famosa, embora não seja a única, das festividades relacionadas com os touros. Particularmente, eu nunca presenciei uma tourada, pela crueldade do espetáculo e também porque não tenho “estômago” para vê-la. No entanto, reconheço sua importância como patrimônio cultural do país e tenho curiosidade por todos os aspectos relacionados à Tauromaquia, termo que designa a “Arte de lidiar Touros, tanto à pé, quanto à cavalo”. Em minhas viagens pelo país, sempre que posso visito as Plazas de Toros das cidades espanholas, os estádios construídos especialmente para os espetáculos taurinos, por sua importância histórica e arquitetônica e também por sua estética. Num sentido mais amplo, a tauromaquia envolve todo o processo prévio à realização das touradas, desde a criação dos touros, a confecção das vestimentas dos toureiros, a exibição de cartazes publicitários, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADecidi, pois, realizar uma extensa série de posts abordando os mais variados aspectos da tauromaquia, desde as origens das touradas, passando pelas escolas mais importantes da arte de tourear, os toureiros mais famosos, as praças de touros de maior relevância, fatos curiosos e trágicos, além das críticas e controvérsias que sempre existiram envolvendo a prática dos espetáculos taurinos.

20190130_084655Neste post inicial, abordarei a origem das touradas e sua evolução histórica, que terá sua continuação na próxima publicação. O touro sempre foi um animal simbólico relacionado ao poder divino e à fertilidade, aparecendo um muitas culturas e em sua mitologia, como o famoso Touro de Creta e a lenda do Minotauro. As lutas rituais entre homem e animal representam o desejo humano de dominar a natureza. O antecedente direto do touro, o Uro, pastava pelas paisagens do continente europeu há milênios atrás e sua figura foi imortalizada por artistas pré-históricos na famosa Caverna de Altamira, situada na Cantábria, região norte da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMatanças rituais com touros já eram realizadas na Mesopotâmia e na mencionada Ilha de Creta. Na Grécia antiga se praticavam sacrifícios rituais em honra a Zeus, a principal divindade da cultura helena. Em época romana, o Imperador Júlio César introduziu nos jogos circenses a luta entre o touro e o matador, armado com espada e escudo. A origem das corridas de touros na Espanha se remonta à cultura greco-latina que foi introduzida dentro do processo de romanizaçao da Península Ibérica, quando o atual território espanhol passou a ser uma província do Império Romano, denominada Hispania. Abaixo, vemos os denominados “Touros de Costitx“, peças taurinas esculpidas em bronze entre os séculos V e III aC e encontrados na Ilha de Mallorca, comprovando a importância simbólica dos touros dentro da cultura pré-romana na Espanha, e expostos no Museu Arqueológico Nacional de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs romanos introduziram na cultura local os jogos e lutas com feras, nas quais o touro era um animal frequente nos espetáculos, existindo constância de seu enfrentamento com outros animais selvagens, como leões, ursos, e também com humanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a época visigoda e muçulmana existem poucas fontes informativas referentes à prática de espetáculos taurinos. No entanto, a persistência das festividades em períodos históricos posteriores levam a crer que o costume de realizar-se touradas permaneceu intacto ao longo do tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira Corrida de Touros oficialmente documentada celebrou-se em Ávila no ano 1080 e, desde então, passaram por períodos gloriosos e também momentos em que foram proibidas sua realização. Existem notícias sobre festas com touros em Cuéllar (Província de Segóvia) em 1215, quando o bispo local proibiu que os clérigos assistissem aos espetáculos. Em Pamplona, capital do Reino de Navarra e famosa pelo Encierro de San Fermín, onde os habitantes da correm junto com os touros pelas ruas da cidade, as primeiras notícias relacionadas com a realização de espetáculos taurinos remontam ao ano de 1385.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pouco antes, no século XIII, o Rei Alfonso X “El Sabio” proibiu que os jogos com touros se celebrassem por dinheiro, indicando a existência de uma incipiente profissionalidade entre a sociedade da época.

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Torre de Hércules – Patrimônio da Humanidade

Em maio de 2012 estive na cidade de La Coruña, uma das mais importantes da Galícia, e sobre ela publiquei um dos primeiros posts do blog, em 23/5/2012. Naquela oportunidade, comentei um pouco sobre a história da cidade, mencionando algumas de suas principais atrações. Retornei a La Coruña com o Marcelo e a Cristina para um passeio de um dia, partindo de Ferrol, e voltei a visitar a Torre de Hércules, um impressionante farol de origem romano que foi declarado Patrimônio da Humanidade em 2009.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO tempo não estava muito convidativo, com chuva, vento e um pouco de frio, mas não impediu que visitássemos o farol, situado numa colina a 60 metros sobre o nível do mar. A Torre de Hércules é considerado o único farol da antiguidade que segue em funcionamento. Foi construído pelos romanos, no século I dC, e sob a torre se encontram  restos arqueológicos e os cimentos originais da estrutura, além de construções que foram realizadas posteriormente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA lenda atribui ao herói grego Hércules sua construção, relatada pelo Rei Alfonso X “El Sábio” em 1270. Conta a história que Hércules venceu um gigante chamado Gerión, que ameaçava todos os habitantes da zona. Vitorioso, o herói enterrou a cabeça de seu inimigo e sobre ela ordenou que se edificasse uma torre. Em suas proximidades fundou uma cidade com o nome de Crunia, lembrança da primeira mulher que a habitou e da qual se apaixonou. Esta denominação latina evolucionou até o nome da cidade atual, La Coruña (em espanhol) ou A Coruña (em galhego). A origem lendária do farol podemos observar numa das portas da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATrata-se do único farol romano de todo o mundo do qual se sabe o nome do arquiteto que o projetou, Caio Sevio Lupo, graças a uma inscrição conservada. A Torre de Hércules se iluminava com uma lâmpada de azeite, similar às de uso doméstico, mas de grande tamanho. Abaixo, vemos uma pedra circular que fazia parte do sistema de iluminação do farol, colocada sobre o recipiente que continha o azeite. Vemos na foto o orifício onde a mancha era acesa, projetando a luz sobre um espelho parabólico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente o farol era mais baixo, com 41.5 metros de altura e mais largo, porque contava com uma rampa exterior através da qual se transportava o combustível que o alimentava. Atualmente, possui 59m de altura e possui uma planta quadrada, sendo que sua luz alcança as 24 milhas náuticas. Da parte subterrânea, onde se encontram os restos arqueológicos, começa uma escada que nos conduz ao alto da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACartazes advertem que a subida não é apta para pessoas com problemas cardiorrespiratórios ou claustrofobia…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, em razão das medidas de segurança adotadas devido ao mau tempo, no dia em que estivemos no farol as visitas à parte mais alta da torre foram suspensas. De qualquer modo, pudemos admirar o núcleo interno desta maravilhosa obra de engenharia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo de sua milenar história, o farol sofreu diversas modificações, sendo a mais importante realizada em 1788, durante o reinado de Carlos III, cuja estátua colocada em frente a torre celebra o fato.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA reforma recobriu a estrutura romana com fachada que vemos atualmente. Para recordar a antiga rampa existente, se introduziu na fachada uma faixa ascendente que percorre toda a altura da torre. Abaixo, vemos alguma imagens do farol tiradas em 2012, quando o sol embelezava este emblemático monumento da arquitetura romana na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo o post com uma placa colocada na fachada que enaltece a importância da reforma de Carlos III.

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A Judería de Toledo: Parte 3

Depois que a cidade de Toledo foi reconquistada pelo monarca Alfonso VI em 1086, a boa convivência entre cristãos, árabes e judeus prosseguiu. Muitos dos muçulmanos mais ricos preferiram, no entanto, mudarem-se para a Andalucia, zona que ainda era governada por dirigentes árabes. Os que permaneceram na cidade passaram a ser denominados Mudéjares, que realizaram diversas construçoes para os reis castelhanos, contribuindo para o desenvolvimento do estilo mudéjar na cidade, uma de suas principais características e o estilo por excelência encontrado em Toledo. Abaixo, vemos um exemplo deste tipo de arquitetura encontrado na Judería de Toledo, a Igreja de Santo Tomé, famosa por acolher em seu interior o famoso quadro de El Greco, “O Enterro do Senhor de Orgaz”, tema de matérias publicadas em 28/1 e 29/1/2015. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA comunidade judaica prosperou porque alguns de seus membros foram nomeados para cargos de relevância dentro da corte, como conselheiros, médicos, astrólogos, financiadores etc, concedendo importantes benefícios para a sociedade judaica. Uma das personalidades mais famosas da Judería de Toledo foi Samuel Leví, tesoureiro maior do Rei Pedro I de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASamuel Leví foi o responsável pela construção de uma das sinagogas mais importantes de Toledo no século XIV (1357), denominada Sinagoga do Trânsito. Em 1971 passou a ser sede do Museu Sefardí, e representa um exemplo vivo da passagem da comunidade judaica pela Espanha e outra amostra do Mudéjar Toledano. Abaixo, vemos uma foto exterior deste templo de visita obrigatória…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem do interior da Sinagoga do Trânsito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Judería de Toledo chegou a contar com 12 sinagogas e 5 centros de estudo, dados que refletem a importância da comunidade na cidade castelhana. A outra sinagoga que se conservou, construída no final do século XII e declarada Monumento Nacional, é a Sinagoga de Santa María La Blanca, considerada a Sinagoga Maior de Toledo (matéria publicada em 27/6/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sinagoga de Sofer constituiu outro dos templos judaicos de importância, segundo as fontes documentais. No entanto, desta sinagoga se conservam apenas ruínas, que podem ser vistas em frente à Escola de Artes e Ofícios (publicado recentemente, em 22/7/2017), junto com restos arqueológicos referentes ao sistema hidráulico de época romana. Um pequena fonte de água identifica os restos conservados e na parte subterrânea podemos ver as ruínas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém das comunidades árabes e judia, a comunidade cristã se incrementou de forma notável depois da reconquista de Toledo. Num primeiro momento, os antigos mozárabes (católicos que viveram sob o poder muçulmano) conservaram suas tradições e continuaram utilizando o idioma árabe para a escritura de documentos. Numerosos grupos chegaram à cidade oriundos do norte da península, Portugal, França e da Europa Central. Este conjunto de culturas distintas estabeleceram laços de convivência, mas eram regidos por suas próprias leis. A sexta feira, por exemplo, era o dia sagrado para os muçulmanos, o sábado para os judeus e o domingo para os católicos. Seus rituais eram diferentes, e sua forma de vestir e de se alimentar também. Apesar disso, os membros das três culturas passeavam pelas mesmas ruas, compravam nos mesmos estabelecimentos comerciais, existindo relações de amizade e amor entre eles. É neste período em que se manifesta o auge cultural da cidade, culminando na fundação da famosa Escola de Tradutores de Toledo pelo Rei Alfonso X “El Sábio” (reinou entre 1241 e 1264), uma instituição na qual se reunia os grandes sábios das três comunidades. Foram eles que realizaram a tradução do árabe e do hebreu para o latim das grandes obras filosóficas e científicas da antiguidade clássica. Também nesta época se completa a configuração urbana herdada dos árabes, formada por um labirinto de ruas com construções mudéjares que propiciaram uma certa uniformidade à paisagem de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Porta del Cambrón, considerada a porta de acesso à Judería de Toledo. De origem muçulmana (séculos X e XI), seu nome se deve à presença no local de plantas espinhosas denominadas cambroneras, mas sempre foi conhecida como a Porta dos Judeus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu aspecto atual é o resultado de reformas realizadas entre 1572 e 1577 durante o reinado de Felipe II, quando foi rebatizada como Porta de Santa Leocádia, padroeira da cidade, cuja imagem preside a porta, debaixo do escudo de Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto da parte externa da Porta del Cambrón

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Catedral de Ciudad Real

Das três igrejas góticas de Ciudad Real, a Catedral de N.Sra del Prado foi a última em ser construída, sendo edificada a partir do século XV e finalizada apenas no século seguinte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Virgem do Prado é a padroeira da cidade, e goza de especial veneração. Segundo a tradição, em 1088 uma imagem românica da virgem foi trazida pelo rei Alfonso VI, e os habitantes do povoado de Pozuelo Seco de Don Gil solicitaram ao monarca que a imagem fosse deixada ali, para que pudesse ser venerada. Este povoado foi o núcleo urbano inicial de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois que o rei Alfonso X “El Sábio” concedeu o título de vila a este pequeno povoado, ordenou a construção da Paróquia de Santa Maria para albergar a escultura e também para repovoar a localidade. Como vimos no post anterior, em 1420 o rei Juan II, em agradecimento ao apoio dado pela população à monarquia contra a expansão da Ordem de Calatrava, outorgou à vila o título de cidade. Este templo primitivo foi derrubado para a construção da igreja gótica, mas conserva alguns elementos de sua anterior igreja românica, como a Porta do Perdão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de tudo, a catedral possuiu um grande vínculo com as ordens militares, pois se transformou no priorato das mesmas. Em frente ao templo podemos observar o Escudo da Ordem de Calatrava

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA última parte da igreja em ser levantada foi a torre, no princípio do século XIX…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Ciudad Real é considerada a segunda mais larga da Espanha, superada apenas pela Catedral de Girona, na Catalunha (matéria publicada em 12/9 e 13/9/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior que preside o interior do templo pertence ao século XVII, e apresenta um programa iconográfico dedicado à Virgem do Prado. Foi realizado por Giraldo de Merlo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, boa parte de seu patrimônio foi roubado ou destruído, incluindo a escultura românica da virgem. A atual é moderna, e foi talhada pelo escultor valenciano Raussel y Llorels.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos alguns dos belos vitrais que inundam de luz o templo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1931, a Catedral de Ciudad Real recebeu o título de Monumento Histórico-Artístico

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Ciudad Real – Comunidade de Castilla La Mancha

Ciudad Real é a capital da província homônima, uma das 5 que compõem a Comunidade de Castilla La Mancha (as demais são Toledo, Guadalajara, Cuenca e Albacete). Com uma população de 75 mil habitantes, conta com um interessante patrimônio histórico, infelizmente muitas vezes não devidamente valorizado pelos próprios espanhóis. Num final de semana decidi conhecer a cidade, e encontrei um lugar agradável para passear e com muita coisa interessante para ver.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASomente em relação ao seu patrimônio religioso, a cidade possui três igrejas góticas, incluída a catedral, o que reflete sua importância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi fundada pelo rei Alfonso X “El Sábio” em 1255, com a finalidade de deter o crescente poder das Ordens Militares, especialmente a de Calatrava, que dominava o território onde se localiza. Inicialmente chamada Villa Real, o objetivo do monarca era diminuir seu poder e influência, criando uma cidade de realengo, que estivesse submetida à sua autoridade. Abaixo, vemos a escultura em homenagem ao rei fundador, situada em plena Praça Maior de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPara proteger a cidade, Alfonso X ordenou a construção de um recinto de muralhas formado por 130 torres, com 7 portas de acesso ao interior. A única que se conserva é a magnífica Porta de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInspirada na arquitetura muçulmana, está sustentada por duas torres. Possui uma grande complexidade em relação aos seus vários arcos. Os exteriores são ojivais, os intermediários são de ferradura e os internos, góticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Porta de Toledo foi finalizada em 1328, como indica uma inscrição, e foi declarada Monumento Nacional em 1915.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois de sua fundação, na cidade passaram a conviver cristãos, judeus e muçulmanos, estando dividida em três paróquias, a de Santa María, de San Pedro e de Santiago. Ciudad Real chegou a ter uma das mais importantes juderias, ou bairro judeu, do antigo Reino de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1420, o rei Juan II lhe concedeu o título de cidade, por seu apoio contra as ordens militares, momento em que passou a ser denominada Ciudad Real. Sua época de maior esplendor se verificou na época dos Reis Católicos (final do século XV e princípio do XVI). O aumento populacional e das atividades comerciais relacionadas à produção de lã, couro e vinho fizeram com que os Reis Católicos ordenassem a construção de importantes órgãos administrativos. Em 1488 se estabelece o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição e, seis anos mais tarde, a Real Chancelaría, o principal órgão de justiça do reino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a expulsão das comunidades judia e muçulmana, a população diminuiu e a cidade entrou num período de decadência, do qual se recuperou apenas no século XIX, com a chegada da ferrovia. Em 1691, tornou-se a capital da Comarca de La Mancha e em 1833 criou-se a Província de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra da Independência, ocorrida no princípio do século XIX, a cidade foi ocupada pelas tropas francesas até 1813, destruindo uma importante parte de seu patrimônio, especialmente religioso. A cidade se orgulha de ser conhecida como a “Capital del Quijote“, e as referências ao grande escritor Miguel de Cervantes e sua obra mais conhecida são abundantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos próximos posts, vocês poderão conhecer um pouco mais sobre a cidade, e comprovar que ela merece uma visita, sem sombra de dúvida !

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Centro Histórico de Elche

A atual cidade de Elche foi fundada pelos árabes no século VIII dC, ainda que existam  importantes restos arqueológicos de um assentamento romano situado a 3 km do núcleo urbano que vemos hoje em dia, em concreto em Alcudia. Infelizmente, a maior parte de seu período inicial foi destruído para a construção de novos edifícios, logo depois que a cidade foi reconquistada pelo rei Alfonso X “El Sábio” em 1265.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da destruição promovida, Elche conserva alguns edifícios e construções do período árabe de grande relevância, caso da Torre de Calahora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta robusta torre tinha a função de uma pequena fortaleza para proteger uma das portas principais da muralha árabe. Pertence ao período almohade (final do século XII e princípio do XIII), uma das poucas existentes em toda a Comunidade Valenciana desta época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre pode ser visitada e vale a pena adentrar-se e descobrir suas dependências e obras artísticas, como o espaço de origem árabe conhecido como Almudín, onde se armazenava trigo e outros cereais. As primeiras notícias a respeito de sua existência datam de 1442 e também foi utilizado como bodega, para armazenar o vinho. Está formado por três estâncias abovedadas, como vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma parte do Almudín transformou-se numa sala utilizada por uma loja maçônica fundada em 1878, decorada com pinturas esotéricas relacionadas com o antigo Egito, realizadas por Pedro Ibarra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos andares superiores da torre, estão expostos vários quadros interessantes, como este anônimo do século XVII, em que se representa o Descendimento de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das obras do pintor valenciano Joaquín Sorolla também pode ser vista, um dos inúmeros quadros por ele realizado em que retrata paisagens litorâneas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO artista Muñoz Degrain realizou um encantador quadro de características impressionistas denominado “Alhambra”, inspirado no monumento fundamental da arquitetura nazarí, o Palácio da Alhambra, localizado em Granada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO próprio palácio serviu de inspiração para uma das salas mais belas da torre, decorada com cerâmicas e paisagens pintadas relacionadas à própria cidade de Elche, como seu Palmeiral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a bela escada de acesso às salas superiores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas escavações estão sendo realizadas, permitindo a descoberta dos banhos árabes

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns destes banhos árabes escaparam do desaparecimento por estarem situados no sótão de um convento. Pertencente ao século XII, estão compostos por três salas paralelas e com o teto em forma de bôveda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas relíquias se encontram no Convento de la Merced, fundado no século XIII, ainda que reformado posteriormente, principalmente nos séculos XVIII e XIX, como o claustro que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com uma foto de sua fachada principal, do século XVI.

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Castelo de Santa Bárbara – Alicante

Um dos monumentos mais importantes de Alicante, o Castelo de Santa Bárbara se ergue no alto do Monte Benacantil, em frente a Praia de El Postiguet.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa realidade, trata-se de uma enorme fortaleza, uma das maiores do país. O acesso ao recinto defensivo se dá pelo Paseo de Gómiz, situado em frente a praia. A entrada foi escavada na rocha e, através de um extenso túnel, chegamos ao elevador que nos leva a parte mais elevada do cerro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua origem é árabe, apesar dos poucos restos conservados. O seu nome se relaciona com o fato de ter sido reconquistado pelo infante e futuro rei Alfonso X “El Sábio” no dia 4/12/1245, dia de Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuase todos os fatos relevantes da história de Alicante estiveram relacionados com o castelo e sua estratégica posição defensiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fortaleza possui três partes diferenciadas, segundo sua altura em relação a montanha e a época em que foi construída. A parte mais alta é a mais antiga, em que podemos observar os canhões alinhados em direção a costa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local foi palco de sucessivas destruições e reconstruções ao longo da Idade Média, em virtude das guerras entre os reinos de Aragón e de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos séculos XV e XVI várias torres defensivas foram construídas principalmente nas cidades costeiras devido a presença de corsários e piratas no Mediterrâneo. Quando as naves inimigas chegavam, as torres se comunicavam uma às outras, dando o alerta para que se formasse um contingente militar para enfrentar os piratas que desembarcavam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre as mais frequentes se encontravam as Torres Vigias, as Torres Refúgios e as Torres Urbanas. O monarca Felipe II promoveu as maiores reformas na fortaleza, tornando-a inexpugnável para os piratas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XVII, o Castelo de Santa Bárbara foi bombardeado durante a guerra travada entre Espanha e França. Logo depois, se transformou num forte, erguendo-se um quartel, um hospital e uma ermita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs vistas da cidade são incríveis desde a fortaleza…

20160808_185225OLYMPUS DIGITAL CAMERANo início do século XX, o castelo foi cedido à Prefeitura de Alicante. Durante a Guerra Civil Espanhola (1936/1939), tornou-se uma prisão e posteriormente foi declarado Monumento Histórico-Artístico, devido a sua enorme importância histórica. Abaixo, vemos o Escudo de Alicante, que podemos observar dentro da fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO passeio pela fortaleza é muito interessante, mas é preciso estar em forma para subir e descer por seus diferentes níveis…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs últimas reformas e ampliações foram realizadas nos séculos XVIII e XIX. Abaixo, vemos duas imagens com o aspecto que a fortaleza possuía em 1575, e outra de 1986.

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