A Judería de Toledo: Parte 3

Depois que a cidade de Toledo foi reconquistada pelo monarca Alfonso VI em 1086, a boa convivência entre cristãos, árabes e judeus prosseguiu. Muitos dos muçulmanos mais ricos preferiram, no entanto, mudarem-se para a Andalucia, zona que ainda era governada por dirigentes árabes. Os que permaneceram na cidade passaram a ser denominados Mudéjares, que realizaram diversas construçoes para os reis castelhanos, contribuindo para o desenvolvimento do estilo mudéjar na cidade, uma de suas principais características e o estilo por excelência encontrado em Toledo. Abaixo, vemos um exemplo deste tipo de arquitetura encontrado na Judería de Toledo, a Igreja de Santo Tomé, famosa por acolher em seu interior o famoso quadro de El Greco, “O Enterro do Senhor de Orgaz”, tema de matérias publicadas em 28/1 e 29/1/2015. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA comunidade judaica prosperou porque alguns de seus membros foram nomeados para cargos de relevância dentro da corte, como conselheiros, médicos, astrólogos, financiadores etc, concedendo importantes benefícios para a sociedade judaica. Uma das personalidades mais famosas da Judería de Toledo foi Samuel Leví, tesoureiro maior do Rei Pedro I de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASamuel Leví foi o responsável pela construção de uma das sinagogas mais importantes de Toledo no século XIV (1357), denominada Sinagoga do Trânsito. Em 1971 passou a ser sede do Museu Sefardí, e representa um exemplo vivo da passagem da comunidade judaica pela Espanha e outra amostra do Mudéjar Toledano. Abaixo, vemos uma foto exterior deste templo de visita obrigatória…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem do interior da Sinagoga do Trânsito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Judería de Toledo chegou a contar com 12 sinagogas e 5 centros de estudo, dados que refletem a importância da comunidade na cidade castelhana. A outra sinagoga que se conservou, construída no final do século XII e declarada Monumento Nacional, é a Sinagoga de Santa María La Blanca, considerada a Sinagoga Maior de Toledo (matéria publicada em 27/6/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sinagoga de Sofer constituiu outro dos templos judaicos de importância, segundo as fontes documentais. No entanto, desta sinagoga se conservam apenas ruínas, que podem ser vistas em frente à Escola de Artes e Ofícios (publicado recentemente, em 22/7/2017), junto com restos arqueológicos referentes ao sistema hidráulico de época romana. Um pequena fonte de água identifica os restos conservados e na parte subterrânea podemos ver as ruínas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém das comunidades árabes e judia, a comunidade cristã se incrementou de forma notável depois da reconquista de Toledo. Num primeiro momento, os antigos mozárabes (católicos que viveram sob o poder muçulmano) conservaram suas tradições e continuaram utilizando o idioma árabe para a escritura de documentos. Numerosos grupos chegaram à cidade oriundos do norte da península, Portugal, França e da Europa Central. Este conjunto de culturas distintas estabeleceram laços de convivência, mas eram regidos por suas próprias leis. A sexta feira, por exemplo, era o dia sagrado para os muçulmanos, o sábado para os judeus e o domingo para os católicos. Seus rituais eram diferentes, e sua forma de vestir e de se alimentar também. Apesar disso, os membros das três culturas passeavam pelas mesmas ruas, compravam nos mesmos estabelecimentos comerciais, existindo relações de amizade e amor entre eles. É neste período em que se manifesta o auge cultural da cidade, culminando na fundação da famosa Escola de Tradutores de Toledo pelo Rei Alfonso X “El Sábio” (reinou entre 1241 e 1264), uma instituição na qual se reunia os grandes sábios das três comunidades. Foram eles que realizaram a tradução do árabe e do hebreu para o latim das grandes obras filosóficas e científicas da antiguidade clássica. Também nesta época se completa a configuração urbana herdada dos árabes, formada por um labirinto de ruas com construções mudéjares que propiciaram uma certa uniformidade à paisagem de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Porta del Cambrón, considerada a porta de acesso à Judería de Toledo. De origem muçulmana (séculos X e XI), seu nome se deve à presença no local de plantas espinhosas denominadas cambroneras, mas sempre foi conhecida como a Porta dos Judeus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu aspecto atual é o resultado de reformas realizadas entre 1572 e 1577 durante o reinado de Felipe II, quando foi rebatizada como Porta de Santa Leocádia, padroeira da cidade, cuja imagem preside a porta, debaixo do escudo de Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto da parte externa da Porta del Cambrón

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Catedral de Ciudad Real

Das três igrejas góticas de Ciudad Real, a Catedral de N.Sra del Prado foi a última em ser construída, sendo edificada a partir do século XV e finalizada apenas no século seguinte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Virgem do Prado é a padroeira da cidade, e goza de especial veneração. Segundo a tradição, em 1088 uma imagem românica da virgem foi trazida pelo rei Alfonso VI, e os habitantes do povoado de Pozuelo Seco de Don Gil solicitaram ao monarca que a imagem fosse deixada ali, para que pudesse ser venerada. Este povoado foi o núcleo urbano inicial de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois que o rei Alfonso X “El Sábio” concedeu o título de vila a este pequeno povoado, ordenou a construção da Paróquia de Santa Maria para albergar a escultura e também para repovoar a localidade. Como vimos no post anterior, em 1420 o rei Juan II, em agradecimento ao apoio dado pela população à monarquia contra a expansão da Ordem de Calatrava, outorgou à vila o título de cidade. Este templo primitivo foi derrubado para a construção da igreja gótica, mas conserva alguns elementos de sua anterior igreja românica, como a Porta do Perdão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de tudo, a catedral possuiu um grande vínculo com as ordens militares, pois se transformou no priorato das mesmas. Em frente ao templo podemos observar o Escudo da Ordem de Calatrava

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA última parte da igreja em ser levantada foi a torre, no princípio do século XIX…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Ciudad Real é considerada a segunda mais larga da Espanha, superada apenas pela Catedral de Girona, na Catalunha (matéria publicada em 12/9 e 13/9/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior que preside o interior do templo pertence ao século XVII, e apresenta um programa iconográfico dedicado à Virgem do Prado. Foi realizado por Giraldo de Merlo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, boa parte de seu patrimônio foi roubado ou destruído, incluindo a escultura românica da virgem. A atual é moderna, e foi talhada pelo escultor valenciano Raussel y Llorels.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos alguns dos belos vitrais que inundam de luz o templo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1931, a Catedral de Ciudad Real recebeu o título de Monumento Histórico-Artístico

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Ciudad Real – Comunidade de Castilla La Mancha

Ciudad Real é a capital da província homônima, uma das 5 que compõem a Comunidade de Castilla La Mancha (as demais são Toledo, Guadalajara, Cuenca e Albacete). Com uma população de 75 mil habitantes, conta com um interessante patrimônio histórico, infelizmente muitas vezes não devidamente valorizado pelos próprios espanhóis. Num final de semana decidi conhecer a cidade, e encontrei um lugar agradável para passear e com muita coisa interessante para ver.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASomente em relação ao seu patrimônio religioso, a cidade possui três igrejas góticas, incluída a catedral, o que reflete sua importância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi fundada pelo rei Alfonso X “El Sábio” em 1255, com a finalidade de deter o crescente poder das Ordens Militares, especialmente a de Calatrava, que dominava o território onde se localiza. Inicialmente chamada Villa Real, o objetivo do monarca era diminuir seu poder e influência, criando uma cidade de realengo, que estivesse submetida à sua autoridade. Abaixo, vemos a escultura em homenagem ao rei fundador, situada em plena Praça Maior de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPara proteger a cidade, Alfonso X ordenou a construção de um recinto de muralhas formado por 130 torres, com 7 portas de acesso ao interior. A única que se conserva é a magnífica Porta de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInspirada na arquitetura muçulmana, está sustentada por duas torres. Possui uma grande complexidade em relação aos seus vários arcos. Os exteriores são ojivais, os intermediários são de ferradura e os internos, góticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Porta de Toledo foi finalizada em 1328, como indica uma inscrição, e foi declarada Monumento Nacional em 1915.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois de sua fundação, na cidade passaram a conviver cristãos, judeus e muçulmanos, estando dividida em três paróquias, a de Santa María, de San Pedro e de Santiago. Ciudad Real chegou a ter uma das mais importantes juderias, ou bairro judeu, do antigo Reino de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1420, o rei Juan II lhe concedeu o título de cidade, por seu apoio contra as ordens militares, momento em que passou a ser denominada Ciudad Real. Sua época de maior esplendor se verificou na época dos Reis Católicos (final do século XV e princípio do XVI). O aumento populacional e das atividades comerciais relacionadas à produção de lã, couro e vinho fizeram com que os Reis Católicos ordenassem a construção de importantes órgãos administrativos. Em 1488 se estabelece o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição e, seis anos mais tarde, a Real Chancelaría, o principal órgão de justiça do reino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a expulsão das comunidades judia e muçulmana, a população diminuiu e a cidade entrou num período de decadência, do qual se recuperou apenas no século XIX, com a chegada da ferrovia. Em 1691, tornou-se a capital da Comarca de La Mancha e em 1833 criou-se a Província de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra da Independência, ocorrida no princípio do século XIX, a cidade foi ocupada pelas tropas francesas até 1813, destruindo uma importante parte de seu patrimônio, especialmente religioso. A cidade se orgulha de ser conhecida como a “Capital del Quijote“, e as referências ao grande escritor Miguel de Cervantes e sua obra mais conhecida são abundantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos próximos posts, vocês poderão conhecer um pouco mais sobre a cidade, e comprovar que ela merece uma visita, sem sombra de dúvida !

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Centro Histórico de Elche

A atual cidade de Elche foi fundada pelos árabes no século VIII dC, ainda que existam  importantes restos arqueológicos de um assentamento romano situado a 3 km do núcleo urbano que vemos hoje em dia, em concreto em Alcudia. Infelizmente, a maior parte de seu período inicial foi destruído para a construção de novos edifícios, logo depois que a cidade foi reconquistada pelo rei Alfonso X “El Sábio” em 1265.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da destruição promovida, Elche conserva alguns edifícios e construções do período árabe de grande relevância, caso da Torre de Calahora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta robusta torre tinha a função de uma pequena fortaleza para proteger uma das portas principais da muralha árabe. Pertence ao período almohade (final do século XII e princípio do XIII), uma das poucas existentes em toda a Comunidade Valenciana desta época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre pode ser visitada e vale a pena adentrar-se e descobrir suas dependências e obras artísticas, como o espaço de origem árabe conhecido como Almudín, onde se armazenava trigo e outros cereais. As primeiras notícias a respeito de sua existência datam de 1442 e também foi utilizado como bodega, para armazenar o vinho. Está formado por três estâncias abovedadas, como vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma parte do Almudín transformou-se numa sala utilizada por uma loja maçônica fundada em 1878, decorada com pinturas esotéricas relacionadas com o antigo Egito, realizadas por Pedro Ibarra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos andares superiores da torre, estão expostos vários quadros interessantes, como este anônimo do século XVII, em que se representa o Descendimento de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das obras do pintor valenciano Joaquín Sorolla também pode ser vista, um dos inúmeros quadros por ele realizado em que retrata paisagens litorâneas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO artista Muñoz Degrain realizou um encantador quadro de características impressionistas denominado “Alhambra”, inspirado no monumento fundamental da arquitetura nazarí, o Palácio da Alhambra, localizado em Granada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO próprio palácio serviu de inspiração para uma das salas mais belas da torre, decorada com cerâmicas e paisagens pintadas relacionadas à própria cidade de Elche, como seu Palmeiral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a bela escada de acesso às salas superiores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas escavações estão sendo realizadas, permitindo a descoberta dos banhos árabes

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns destes banhos árabes escaparam do desaparecimento por estarem situados no sótão de um convento. Pertencente ao século XII, estão compostos por três salas paralelas e com o teto em forma de bôveda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas relíquias se encontram no Convento de la Merced, fundado no século XIII, ainda que reformado posteriormente, principalmente nos séculos XVIII e XIX, como o claustro que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com uma foto de sua fachada principal, do século XVI.

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Castelo de Santa Bárbara – Alicante

Um dos monumentos mais importantes de Alicante, o Castelo de Santa Bárbara se ergue no alto do Monte Benacantil, em frente a Praia de El Postiguet.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa realidade, trata-se de uma enorme fortaleza, uma das maiores do país. O acesso ao recinto defensivo se dá pelo Paseo de Gómiz, situado em frente a praia. A entrada foi escavada na rocha e, através de um extenso túnel, chegamos ao elevador que nos leva a parte mais elevada do cerro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua origem é árabe, apesar dos poucos restos conservados. O seu nome se relaciona com o fato de ter sido reconquistado pelo infante e futuro rei Alfonso X “El Sábio” no dia 4/12/1245, dia de Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuase todos os fatos relevantes da história de Alicante estiveram relacionados com o castelo e sua estratégica posição defensiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fortaleza possui três partes diferenciadas, segundo sua altura em relação a montanha e a época em que foi construída. A parte mais alta é a mais antiga, em que podemos observar os canhões alinhados em direção a costa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local foi palco de sucessivas destruições e reconstruções ao longo da Idade Média, em virtude das guerras entre os reinos de Aragón e de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos séculos XV e XVI várias torres defensivas foram construídas principalmente nas cidades costeiras devido a presença de corsários e piratas no Mediterrâneo. Quando as naves inimigas chegavam, as torres se comunicavam uma às outras, dando o alerta para que se formasse um contingente militar para enfrentar os piratas que desembarcavam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre as mais frequentes se encontravam as Torres Vigias, as Torres Refúgios e as Torres Urbanas. O monarca Felipe II promoveu as maiores reformas na fortaleza, tornando-a inexpugnável para os piratas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XVII, o Castelo de Santa Bárbara foi bombardeado durante a guerra travada entre Espanha e França. Logo depois, se transformou num forte, erguendo-se um quartel, um hospital e uma ermita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs vistas da cidade são incríveis desde a fortaleza…

20160808_185225OLYMPUS DIGITAL CAMERANo início do século XX, o castelo foi cedido à Prefeitura de Alicante. Durante a Guerra Civil Espanhola (1936/1939), tornou-se uma prisão e posteriormente foi declarado Monumento Histórico-Artístico, devido a sua enorme importância histórica. Abaixo, vemos o Escudo de Alicante, que podemos observar dentro da fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO passeio pela fortaleza é muito interessante, mas é preciso estar em forma para subir e descer por seus diferentes níveis…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs últimas reformas e ampliações foram realizadas nos séculos XVIII e XIX. Abaixo, vemos duas imagens com o aspecto que a fortaleza possuía em 1575, e outra de 1986.

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Real Monastério de Santa Clara – Murcia

A matéria de hoje está dedicada ao Real Monastério de Santa Clara, uma das mais importantes e, por incrível que pareça, desconhecidas construções de Murcia. Este monastério possui um significativo papel não só para a  cidade, mas para todo o país nos aspectos históricos, artísticos e, principalmente, arqueológicos. Originário do séc. XIV, foi construído sobre um antigo palácio muçulmano do séc. XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde o séc. XIV, o monastério pertence à Ordem das Clarissas, que ainda vivem no local. Mas tudo começou no séc. XII, durante o próspero período governado pelo rei da Taifa de Murcia IBN MARDANIS (1147/1172), que ordenou a construção de um palácio residencial. Este Alcázar, denominado AL DAR al SUGRA, foi parcialmente destruído durante a conquista da cidade pelos Almohades, em 1172. No interior do monastério, podemos observar os restos arqueológicos deste palácio primitivo, referentes ao pavilhão central do mesmo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIII, entre 1228 e 1238, um outro rei árabe murciano, IBN HUD al MUTAWAKKI, mandou construir outro palácio no mesmo lugar do anterior, sendo desta vez chamado de Alcázar SEGUIR. A maior parte dos restos conservados pertencem a este palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs achados arqueológicos do Palácio SEGUIR possuem um grande interesse para a arte e arquitetura da Península Ibérica durante a época muçulmana. Isso porque é considerado o melhor expoente do período de transição da Arte Almohade (cujo máximo representante é a torre campanário da Catedral de Sevilha, conhecida como La Giralda, e o Real Alcázar, situado na mesma cidade) ao Período Nazarí, cujo monumento mais importante é a Alhambra de Granada. Podemos apreciar suas principais características nos arcos e no novo desenho do pátio. Nele, se construiu uma grande Alberca em sua parte central, uma construção hidráulica em forma de lago para o armazenamento de água. É considerada um precedente dos palácios nazaríes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGraças aos estudos realizados, as plantas situadas ao redor da alberca reproduzem a flora original existente no palácio. Abaixo, vemos a elegante portada de um dos salões do palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAté os dias de hoje, este é o único palácio com estas peculiaridades encontrado em todo o território espanhol. Em 1267, depois que a cidade passou a ser controlada pelos cristãos, o Alcázar SEGUIR se transformou na Casa Real da Monarquia Castelhana. Personagens como Alfonso X “El Sábio” e Jaime I nele viveram algumas temporadas. No monastério podemos visitar um Museu, com uma seção de Arte Sacra, que veremos na próxima matéria, e outra com achados arqueológicos muçulmanos. Alguns deles vemos a continuação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo séc. XIII, vemos exemplares de cerâmica árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente a Mesquita de Murcia, sobre a qual foi construída a Catedral, vemos este capitel com uma decoração conhecida como Ninho de Abelhas (mármore branco, séc. X).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo séc. XIII, uma inscrição comemorativa da construção de uma das torres que faziam parte da muralha de Murcia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta outra inscrição abaixo pertence a lapida fundacional de uma mesquita de Alicante, do séc. X. Entre outras coisas, diz: “Em nome de Deus o Clemente, o Misericordioso. Não existe outra divindade que Deus. Maomé é o enviado de Deus.” Escrito em linguagem cúfica, aparece também o nome do construtor do monumento, IBN MARYAN BN AL-BANNÁ.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post publicarei a segunda e última parte do Real Monastério de Santa Clara.

Catedral de Murcia – Parte 2

O interior da Catedral de Murcia possui a mesma riqueza estilística que em seu aspecto exterior. Belas obras de arte enriquecem e adornam o templo, das quais veremos as principais. Está composto por 3 naves, a central e duas laterais, e a girola, como se conhece a prolongação das naves laterais que rodeiam o Altar Maior. O Retábulo Maior é do séc. XIX, que substituiu o original renascentista do séc. XVI, destruído num incêndio em 1854. O Altar maior é considerado uma Capela Real por acolher o sepulcro com o coração do rei Alfonso X “El Sábio”, que passou longas temporadas na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe da Virgem que preside o Retábulo Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao Altar Maior situa-se o Coro, exemplo da Arte Plateresca, que foi trazido à catedral pela rainha Isabel II procedente do Monastério de San Martín de Valdeiglesias (Comunidade de Madrid), depois que o anterior coro e os órgãos nele situados ardessem no mesmo incêndio relatado acima. O órgão atual é de 1855.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte traseira do coro, por este motivo denominado Trascoro, vemos a Capela da Imaculada Conceição, realmente muito bonita. Construída no séc. XVII, é considerada uma das primeiras capelas de toda  Europa dedicada a ela. De estilo barroco, está ornamentada com abundantes mármores coloridos e uma imagem da Virgem do séc. XVIII, pertencente à escola madrilenha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a Capela do Nazareno, construída em 1479 e fundada pelo canônico D.Diego Rodríguez de Almeida, que nela está enterrado. Uma escultura de Jesus Nazareno do séc. XVIII preside a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Capela de San Fernando foi fundada em 1477 e está adornada com um retábulo rococó do séc. XVIII, presidido por uma imagem do santo de autor desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra bela capela é a do Socorro, construída no estilo renascentista em 1541 por Giovanni de Lugano. Tanto a capela quanto a imagem de N.Sra do Socorro foram realizados em mármore de Carrara.Famosa também é sua Pia Batismal, executada por Jacobo Florentino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA gótica Capela de San Bartolomé acolhe um quadro do santo de começo do séc. XIX, atribuído a Manuel Lázaro Meroño, uma cópia do grande pintor espanhol José de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, apesar da beleza e importância de cada uma destas capelas, a mais famosa é a Capela dos Vélez, situada na parte de trás do Altar Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta maravilhosa capela foi construída durante o reinado dos Reis Católicos. Sua construção foi encomendada por Juan de Chacón, Adelantado de Murcia, em 1490 e finalizada em 1507 por seu filho D. Pedro Fajardo, Marquês de Vélez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO autor do projeto é desconhecido, e sua exuberante decoração lhe valeu o título de Monumento Nacional em 1928. Fiquei um bom tempo contemplando esta joia da catedral, uma das obras mais destacadas do Gótico Espanhol. A seguir, vemos sua bôveda de crucería em forma de estrela de oito pontas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma das pinturas murais que se conservam no interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcluímos a matéria com a imagem de um dos vitrais da catedral, com a representação de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre a Catedral de Murcia, veremos o interessantíssimo Museu Catedralício, que complementa a visita ao templo.