Catedral de Córdoba – Parte 3

Um dos elementos arquitetônicos mais emblemáticos da Mesquita-Catedral de Córdoba é a esbelta torre, que se eleva de forma imponente. Guarda em parte de sua estrutura, os vestígios de sua primitiva existência como Minarete, como são conhecidas as torres dos templos muçulmanos, cuja função principal é convocar os fiéis às cinco preces que devem ser realizadas diariamente pelo crente mulçumano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Minarete, também denominado Alminar, foi edificado em tempos do Califa Abderramán III (ano 951 dC), com 48 metros de altura. Parte de sua estrutura, de 22 metros, se encontra integrado na atual torre, construída pelo arquiteto Hernán Ruiz III como torre campanário. Inicialmente, projetou dois níveis para alojar as campanas e um relógio em 1593. Um pouco depois, em 1644, foi construído outro corpo, onde foi colocada uma estátua do protetor da cidade, o Arcanjo São Rafael. Em 1755, o Terremoto de Lisboa causou estragos em sua estrutura. É possível subir ao alto da torre para contemplar os sinos e também as maravilhosas vistas da cidade de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Córdoba, além de seu núcleo central formado pela Capela Maior, o Coro e o Trascoro, que vimos na matéria anterior, está formada por mais de 50 capelas, boa parte delas construídas junto ao muro da antiga mesquita. Vejamos algumas das mais importantes. A denominada Capela Real, de estilo mudéjar, foi fundada em tempos do Rei Enrique II de Castilla como local de sepultamento dos monarcas Fernando IV e Alfonso XI. Em 1736 os sepulcros de ambos reis foram levados para outra igreja de Córdoba, a de San Hipólito, e neste templo permanecem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra La Antigua está decorada com uma bela imagem da Virgem realizada em 1641 pelo artista Francisco Vargas, inspirada na tradição bizantina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1565 é a Capela da Natividade de Nossa Senhora, cujas pinturas do retábulo foram realizadas por Gabriel Rosales. Representa a Árvore de Jessé, como tradicionalmente se conhece a Árvore Genealógica de Cristo, iniciada partir de Jessé, pai do Rei Davi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra do Rosário fundou-se em 1612. As coloridas colunas que compõem o retábulo simulam o mármore. Esta bela obra é atribuída ao pintor barroco, natural de Córdoba, Antonio del Castillo (1616/1668), considerado um dos grandes nomes do Século de Ouro Espanhol. No quadro vemos a Virgem do Rosário no centro, com São Sebastião no lado esquerdo e São Roque no direito. Na parte superior, aparece Cristo Crucificado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra da Concepção é uma das mais belas da Catedral de Córdoba. Também conhecida como Capela do Santíssimo Sacramento, foi construída a partir de 1679, estando decorada por pinturas em sua cúpula que representam ao Espírito Santo e os 4 evangelistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra capela de grande beleza é a de Santa Teresa, fundada em 1697 pelo Cardeal Pedro de Salazar Gutiérrez de Toledo, grande admirador e devoto da santa de Ávila. De planta octogonal, está coberta por uma esplêndida cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela se encontra o sepulcro do cardeal fundador, feito com mármore branco e negro, e com a estátua orante do cardeal, junto com querubins. A capela foi construída no começo do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta capela acolhe a Câmara do Tesouro, que exibe algumas das peças artísticas mais valiosas da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA principal delas foi situada no centro da capela, uma custódia realizada por Enrique de Arfe no princípio do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte exterior da Mesquita-Catedral podemos admirar alguns altares, como o dedicado à Virgen de los Faroles (original em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERABrasões do século XVIII com os escudos episcopais decoram um dos muros da catedral…

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom esta matéria, finalizo os posts dedicados a este templo sagrado universal, a Mesquita-Catedral de Córdoba. No entanto, as matérias sobre a cidade estão longe de finalizar-se devido a grande quantidade de locais de interesse histórico e artístico que podemos ver numa visita pela cidade. No próximo post, veremos outro lugar fundamental, o Alcázar dos Reis Cristianos

Salamanca Medieval

Como vimos no post anterior, a Diocese de Salamanca foi restaurada depois da reconquista da cidade pelos Reinos Cristaos na Idade Média, fato que provocou a construçao da Catedral Românica que podemos visitar atualmente. Além do mais, foram fundadas as chamadas escolas catedralícias, germe da futura Universidade de Salamanca. Em 1218, o rei Alfonso IX de León outorgou a estas escolas o título de Estudo Geral, que no ano de 1253 se transformarao num dos centros culturais mais importantes da história de Espanha.  Em 1311, nasce o único rei castelhano que deu a cidade, Alfonso XI. No séc. XV, as famílias nobres da cidade atuaram como um elemento fundamental na paisagem urbana de Salamanca, como patrocinadores de diversas construçoes que ainda resistem à passagem do tempo. Um exemplo é o Palácio de Almarza e Arias Convelle, decorado com belos esgrafiados. Desde 1999, é a sede do Centro Cultural Hispano-Japonês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs membros destas famílias, como os Maldonado e os Anaya, refletiram seu poder social e econômico na atividade construtiva, levantando inúmeros palácios como símbolo de sua influência. Durante a época dos Reis Católicos, no final do séc. XV, as lutas pelo poder realizadas pela aristocracia da cidade ao longo de séculos, chegam ao fim. Em troca de submissao à coroa, recebem importantes privilégios. Em alguns dos palácios construídos, observamos reminiscências dos antigos castelos rurais, como vemos abaixo, no Palácio de Villena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA conhecida Torre del Aire é o único resto sobrevivente do Palácio de Fermoselle, levantado a partir de 1440.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMonumento Nacional desde 1931, a Torre del Clavero pertencia a uma casa palácio propriedade da Ordem Militar de Alcântara. Com 28m de altura, destaca-se por sua planta quadrada em sua parte inferior e octogonal, na superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém dos palácios, a nobreza, auxiliada pelo clero, foram responsáveis pela construçao de vários conventos, igrejas e capelas como lugares de enterramento, para que seu poder perdurasse mesmo depois da morte. O Convento das Úrsulas, também chamado da Anunciaçao, foi fundado no séc. XV por Sancha Maldonado, destinado às irmas da Ordem Terceira de Sao Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja, além da funçao de templo conventual, exerce também o papel de espaço funerário, albergando o sepulcro do bispo Alonso II de Fonseca, aos pés da Capella Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO retábulo foi construído no séc. XVIII pelo escultor Miguel Martínez. Abaixo, vemos uma escultura de Sao Miguel lutando contra o dragao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro recinto conventual de importância é o Convento de las Dueñas, também fundado no séc. XV para a Ordem dos Dominicanos. Nao pude conhecer seu interior, apenas o claustro, cuja imagem vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO séc. XVI representou a época de maior esplendor de Salamanca, graças à consolidaçao do prestígio de sua Universidade, gerando a maior parte dos monumentos mais conhecidos da cidade, levantados dentro da estética renascentista. Esta será a matéria dos próximos posts…

Real Monastério de Santa Maria de Guadalupe

A história de Guadalupe está estreitamente relacionada ao Real Monastério de Santa Maria, pois o povoado cresceu ao redor do santuário para satisfazer as necessidades do mesmo, e também para acolher a grande quantidade de peregrinos que se dirigiam para venerar a famosa imagem da Virgem de Guadalupe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta relaçao do pueblo com o monastério iniciou-se quando um pastor chamado Gil de Cordero encontrou uma imagem da Virgem às margens do Rio Guadalupe. No local foi construída uma pequena ermita para sua veneraçao, origem primitiva do monastério. As primeiras notícias documentadas do monastério datam de 1340, quando o rei Alfonso XI concede terrenos  para aquele que se instalaram ao redor da ermita. Logo depois, aparece um documento referindo-se à Guadalupe como um local de realengo, isto é, cuja jurisdiçao estava subordinada ao monarca.

DSC08808Em 1389, o monastério foi entregue a Ordem dos Jerônimos pelo rei Juan I, que o custodiaram até 1835, quando foi alvo da Desamortizaçao. O convento foi abandonado e progressivamente alcançou um estado deplorável, até que em 1908 foi novamente habitado, agora por monges pertencentes a Ordem Franciscana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monges franciscanos continuam vivendo no monastério, e foram os responsáveis pela excelente reabilitaçao do edifício e suas dependências. Atualmente , o Real Monastério de Santa Maria constitui um dos grandes centros de devoçao mariana do mundo cristao, e no dia 8 de setembro sao celebradas as festividades em honra à Virgem de Guadalupe.

DSC08828Devido às várias ampliaçoes e reformas a que foi submetido durante sua história, o monastério apresenta um traçado irregular. Graças às torres e muralhas que o cercam, o conjunto apresenta um aspecto de fortaleza. De fato, até mediados do séc. XIV, o monastério cumpriu uma funçao defensiva. Originalmente, estava cercado por uma extensa muralha, que possuía 9 metros de altura, com dois metros de grossura. A muralha rodeava o espaço destinado como horta, um espaço exterior e ao livre, que muitas vezes representava a única forma dos monges sairem de sua clausura. Os monastérios de monges que seguiam a Regra Beneditina contavam sempre com uma área reservada para o trabalho agrícola, pois seu estilo de vida baseava-se na máxima “Ora et Labora”, ou seja, reza e trabalha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste magnífico conjunto religioso foi construído com pedra e tijolo, dentro do estilo denominado Gótico-Mudéjar. Os elementos mudéjares podem ser percebidos em suas decoradas janelas.

DSC08823DSC08826O monastério está constituído por duas torres, sendo que a chamada Torre do Relógio possui 36 metros de altura, e junto com a Torre da Portería, estava adossada à antiga muralha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADSC08769Abaixo, vemos a espetacular fachada principal do monastério, que dá para a Praça de Santa Maria, situada bem no centro de Guadalupe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos as portas de acesso à igreja e um de seus característicos detalhes decorativos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEntramos ao interior do monastério por uma porta gótica construída no séc. XV. Junto a ela, vemos uma escultura de Sao Francisco de Assis, em atitude de bendiçao aos inúmeros peregrinos que visitam o santuário diariamente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor sua importância histórica, as obras de arte que possui e seu excelente estado de conservaçao, o Real Monastério de Santa Maria de Guadalupe foi declarado Monumento Histórico Artístico e Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1993. No próximo post, conheceremos algumas dependências deste maravilhoso lugar de devoçao.

Talavera de la Reina – Segunda Parte

O significado do nome “Talavera de la Reina” possui duas explicações: “Talavera” está relacionado à sua posição geográfica, enquanto “de la Reina”  alude ao ano 1328, quando o rei Alfonso XI de Castilla se casa com sua prima Maria de Portugal, e lhe concede, de presente, a cidade. Durante os séc. XV/XVI, a localidade alcançou grande fama, graças a prestigiosa fabricação da conhecida cerâmica talaverana. Nesta época, alguns de seus filhos mais ilustres participaram ativamente na conquista do continente americano, como Francisco de Aguirre e Juan de Orellana. O século XVI corresponde ao período áureo de Talavera de la Reina. Em muitos de seus principais monumentos encontramos, como elemento decorativo, sua famosa cerâmica. Tal é o caso do Centro de Artesanato, localizado no antigo mercado, construído sobre uma antiga igreja jesuíta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO centro administrativo e político está concentrado na denominada Plaza del Pan, cujos bancos também estão adornados com cerâmica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém conhecida como Praça de Santa Maria, antigamente nela se situava a Calahorra, uma oficina municipal de venda de pão, colocada durante os tempos de carência. A Plaza del Pan sofreu modificações desde o séc. XVI, e até hoje funciona como a Praça Maior da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela encontra-se o principal monumento religioso da cidade, a Colegiata de Santa Maria la Mayor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo gótico-mudéjar, sua existência está documentada desde o séc. XII, embora seu aspecto atual se deve às reformas realizadas entre os séc. XIV e XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada, seu maior destaque é o rosetón gótico-flamígero, fabricado com técnicas mudéjares no séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre foi finalizada no princípio do séc. XVIII, quando foram colocados os dois níveis superiores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, não pude conhecer o interior, pois o templo estava fechado, e admirar seu claustro gótico, que acolhe o sepulcro de Fernando de Rojas, célebre autor de um marco da Literatura Espanhola, “La Celestina”. A tradição pecuarista da cidade pode ser comprovada com um monumento localizado junto ao Ponte Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma placa comemorativa explica o significado do monumento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Já na época Moderna, cabe dizer que Talavera de la Reina foi uma das primeiras cidades espanholas em contar com uma Estação ferroviária. Plenamente modernista é o Teatro Victoria, construído em 1912 sobre um antigo Corral de Comédias do séc. XVII, e que foi derrubado em 1892.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício está decorado com a tradicional cerâmica de Juan Ruiz de Luna, um dos principais nomes da cerâmica talaverana, cujo museu em breve veremos no blog. Estão representados retratos de vários autores e nomes de conhecidas obras de Zarzuela, bem como alegorias do teatro e da música.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Peñaranda del Duero – Prov. Burgos

Peñaranda del Duero é um destes pueblos que fazem parte de nosso imaginário popular. Situado a apenas 18km de Aranda del Duero, é considerado, com razão, um dos povoados mais bonitos da Comunidade de Castilla y León.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATanto Peñaranda, quanto Aranda del Duero, foram repovoadas simultaneamente a começos do séc. X. A chamada fronteira do Rio Duero representava a delimitação dos territórios cristãos e árabes durante a Idade Média. A vila aparece por primeira vez mencionada em torno ao ano 1000 dC, por sua condição de praça defensiva. De fato, conservam-se duas das três portas que integravam a antiga muralha, construída já no séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa época do reinado de Alfonso XI, a vila tornou-se vinculada à família Avellaneda, que ostentava o título de Condes de Miranda, contribuindo notavelmente para o enriquecimento do local, mediante a construção de seus principais monumentos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça Maior, epicentro da vida social do pueblo, é uma das mais belas da comunidade castelhana e de todo o país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela, se concentram os monumentos mais relevantes de Peñaranda, entre os quais o Palácio de Avellaneda. Foi construído em 1530, no estilo renascentista, por encargo de D.Francisco de Zúñiga Avellaneda y Velasco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada do palácio, vemos o escudo da família Avellaneda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo passar pela entrada, vemos um elegante pátio, composto por dois níveis de galerias, belamente decorados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO palácio foi catalogado, em 1931, como Bem de Interesse Cultural. Em frente a ele, do outro lado da praça, situa-se a ex Colegiata de Santa Ana, o principal templo religioso da localidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção foi financiada pela viúva de Francisco de Zúñiga e seu filho, e seu traçado é atribuído ao arquiteto Rodrigo Gil de Hontáñon. Iniciada em 1540, foi reformada no séc. XVIII com a edificação de uma portada barroca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe frente para a igreja, observamos uma pequena coluna de pedra. Trata-se do denominado “Rollo de Justiça”, uma estrutura em forma de coluna, coroada, geralmente, por uma cruz ou uma bola. Representa a categoria administrativa do local, levantando-se nas vilas que possuem plena jurisdição, indicando a que tipo de regime estava submetida, seja real, senhorial ou eclesiástico. Servia, também, para delimitar o território, e como lugar de castigos para os crimes comuns, cujos condenados eram açoitados e expostos ao escárnio público.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do mais, abundam no povoado, exemplos de casas construídas segundo os ditames da arquitetura tradicional da região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo não poderia faltar, no alto do pueblo se eleva, imponente, o Castelo de Peñaranda, matéria do próximo post…

Córdoba

Situada numa depressao às margens do rio Guadalquivir e aos pés da Serra Morena, Córdoba é a terceira maior cidade Andaluza, depois de Sevilha e Málaga.

Seu primeiro nome conhecido, Corduba, foi outorgado sob a forma de Colônia Patrícia Corduba, quando de sua fundação pelos romanos no séc. I aC. Outras referências, porém, ressaltam uma origem semítica, Qorteba, que significa moinho de azeite. Outras possibilidades seriam Qart-tuba, cidade boa, ou Kart-oba, cidade do rio.

O centro histórico da cidade foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1994, englobando uma das mais extensas áreas catalogadas com este título no mundo.

Seu primeiro momento de esplendor ocorreu quando foi a capital da província romana Hispania Ulterior Baética. A ponte romana que ainda hoje podemos contemplar foi durante 20 séculos a única existente, até que foi construída a ponte de San Rafael em mediados do séc. XX. Construída no séc. I dC, possui um comprimento de 331m e está formada por 16 arcos. Em 2004, tornou-se uma ponte exclusiva para pedestres e em 2008 sofreu a maior reforma de toda sua história, cujo objetivo foi devolver-lhe seu aspecto original.

Córdoba foi o local de nascimento de 3 grandes filósofos: o estóico Sêneca, em sua época romana, foi o primeiro. Averroes, cuja estátua vemos abaixo, é considerado por muitos, o maior filósofo árabe da Idade Média, e sua obra literária gira em torno de Aristóteles, definindo as relações entre religião e filosofia. Por último, o judeu Maimónides. Filósofo, rabino, intérprete da lei hebraica e médico, publicou várias obras em múltiplos campos do saber, das quais o Guia dos Perplexos, obra de filosofia aristotélica baseada na Torá, concilia o judaísmo com a razão.

Abaixo, vemos uma foto da antiga judería, formada por ruas de formato irregular e de casas brancas.

No ano de 711 dC, os árabes invadiram a península e em menos de dois séculos converteram Córdoba na maior cidade da Europa e uma das maiores do mundo e, possivelmente, a mais culta. No séc. X, finalizou-se a grande Mesquita, chegando a ser um importante centro de peregrinação para os muçulmanos. Contava com uma famosa universidade e uma biblioteca com mais de 400 mil volumes. O nível de alfabetização da população era alto e estava adornada com jardins, cascatas e lagos artificiais de grande beleza. Por toda parte se podia admirar suntuosos palácios, cheios de requinte, como por ex., o de Medina Azahara. Levou 25 anos para construir-se e suas ruínas são testemunho de sua antiga grandeza. Mais que um palácio, era uma cidade palatina, construída sob as ordens do primeiro califa de Córdoba, Abderramán III. Situada a 8 km da cidade, sua edificação foi realizada por motivos políticos-religiosos, pois seria uma mostra da superioridade da dinastia Omeya diante de seus inimigos, os Fatimíes, estabelecidos no norte do continente africano. Além disso, pertenciam à comunidade xiita, enquanto os omeyas eram sunitas, fato que supôs uma grande rivalidade entre ambos. A cultura popular, no entanto, diz que foi edificado em homenagem à favorita do califa, chamada Azahara.

Aproveitando o desnível do terreno, a cidade foi distribuída em 3 terraças separadas por muros. O palácio situava-se em sua parte mais elevada. No nível intermediário, estavam as casas dos funcionários mais ilustres da corte e no inferior, a cidade propriamente dita, com sua mesquita.

Os textos históricos e literários nos contam o elevadíssimo gasto de sua construção, do enorme esforço para realizá-lo e de sua monumentalidade e esplendor artístico, além do luxo e ostentação das recepções e cerimônias realizadas no palácio. Transcorrido menos de 100 anos, o conjunto ficou reduzido a um imenso campo de ruínas, pois foi destruído e saqueado no ano 1010, como conseqüência da guerra civil que colocou fim ao califato cordobês.

De todas suas dependências, destaca o salão de Abderramán III, também denominado Salão Rico, por sua qualidade artística e importância histórica. Sua parte central está separada das demais por um conjunto de arcadas de ferradura similar às encontradas na Mesquita de Córdoba.

As paredes estavam revestidas com finos painéis decorados em mármore.

Um de seus motivos principais é a Árvore da Vida, tema importado do oriente, e que tinham um grande simbolismo cosmológico, em concordância com o teto feito de madeira que cobria a estância, onde se representava um céu de estrelas.

A presença árabe na cidade esteve marcada por dois períodos. O primeiro foi o Emirato de Córdoba, proclamado por Abderramán I em 756 dC, no qual tornou-se independente do centro da dinastia, em Bagdá. Já o Califato foi fundado por Abderramán III, em 929 dC. Durante o reinado de seu filho, Hisham II (976/1016), o grande protagonista foi o hayib ou primeiro ministro Almanzor, gênio militar que em várias batalhas manteve aos reis cristãos do norte em xeque, chegando a invadir León, Pamplona, Barcelona e Santiago de Compostela. Depois de sua morte em 1002, os problemas sucessórios levaram a uma guerra civil que ocasionou a desintegração do califato em 1031 dC. Como conseqüência, surgiram os Reinos de Taifas, que devido à sua descentralização e fragilidade, fortaleceu os reinos cristãos e acelerou o processo de Reconquista.

Em 1236, Córdoba é reconquistada para o reino de Castilla y León, graças ao rei Fernando III “El Santo”. Na foto a seguir, vemos sua estátua, na entrada do Alcázar dos Reis Cristaos.

Um dos principais monumentos desta época, este edifício de caráter militar foi construído durante o reinado de Alfonso XI de Castilla, sobre os restos do Alcázar árabe anterior.

Tornou-se a residência dos monarcas em suas estâncias pela cidade, e os Reis Católicos nele permaneceram 8 anos, dirigindo da mesma a campanha contra o último reino muçulmano de Espanha, o Reino de Granada. Em suas dependências, Cristóvão Colombo solicitou os fundos para sua aventura marítima em 1486. Na imagem de abaixo, a estátua de Cristóvao Colombo, junto com os Reis Católicos.

Depois da conquista de Granada (1492), os Reis Católicos cederam o imóvel às autoridades eclesiásticas, que o converteram no Tribunal de Santo Ofício, perdendo seu ambiente palaciego. Com a abolição do Tribunal da Inquisição em 1812, foi transformado em prisão, até que em 1931 foi destinado a fins militares. Por fim, em 1955 foi cedido à prefeitura de Córdoba e, atualmente, é um museu e centro cultural. Na Sala dos Mosaicos, podemos ver alguns deles encontrados na cidade, como este, que pertenceu ao antigo circo romano.

O exterior do alcázar caracteriza-se por sua sobriedade, em contraste com o rico interior, repleto de jardins arborizados e pátios.

Este post apresenta uma pequena parcela do excepcional patrimônio desta cidade de Andaluzia. Recomendo, pois, sua visita, de preferência que nao seja no verao (julho/agosto), por que faz um calor de rachar…