Berlanga Del Duero – Província de Sória

Este pequeno pueblo de aproximadamente mil habitantes situa-se ao sul da Província de Sória, na Comunidade de Castilla y León. Apesar de seu reduzido tamanho, possui um patrimônio histórico-artístico invejável. Sua antiguidade remonta à época romana, entao chamada Augusta Valerámica, em memória ao imperador Valério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua importância histórica está relacionada à geografia, pois situa-se na denominada Linha do Duero, marco divisório entre as terras cristas e árabes durante toda a Idade Média, sendo saqueada e conquistada alternadamente por ambos os povos. O guerreiro árabe Almanzor conquista a cidade, e logo depois o rei Fernando I de Castilla-León a retoma para os cristaos. Em seguida, é novamente invadida e dominada pelos mouros, até que finalmente Alfonso VI reconquista definitivamente a vila, em 1080. O monarca cede as terras de Berlanga a El Cid, considerado o primeiro senhor da vila. No entanto, no período subsequente, entra em decadência, ficando praticamente abandonada. Somente em 1108, é colonizada pelo rei aragonês Alfonso I, em grande parte por judeus provenientes de Zaragoza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo religioso mais importante do pueblo é a Colegiata de Santa Maria del Mercado, construída em apenas 4 anos (1526/1530). Exemplo de arquitetura de transiçao do gótico ao renascimento, destaca por suas grandes dimensoes, dignas de capital do reino. No exterior, impoem-se seu aspecto maciço.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior, apreciamos o Retábulo Maior Barroco, esculpido no séc. XVIII, que contém uma imagem de Santa Maria del Mercado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outras fotos do interior, como o trascoro e as belas bôvedas góticas do teto da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm detalhe que chama a atençao é um enorme jacaré, colocado em um dos muros da igreja. O réptil foi trazido do continente americano pelo Frade Tomás de Berlanga (1487/1551), o filho ilustre da cidade, que foi nomeado bispo no Panamá no séc. XVI, e a quem se atribui a descoberta das Ilhas Galápagos. Tomás de Berlanga está sepultado na colegiata.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma estátua do frade, situada em frente as ruínas do antigo Palácio dos Marqueses de Berlanga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe longe, avista-se a inconfundível silueta de seu imponente castelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA atual edificaçao pertence ao séc. XVI (1527), erguida sobre um anterior castelo cristao do séc. XII, que por sua vez, foi construído sobre uma primitiva fortaleza árabe do séc. X.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo está cercado por muralhas românicas levantadas no séc. XII, durante a época de Alfonso I.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs árabes tinham uma especial estima pela vila, graças à posiçao estratégica de seu castelo. Desta época é o aqueduto situado ao lado da fortaleza, cujas ruínas vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo possui uma planta retangular, composto por sólidos e grandes cubos em cada um de seus lados, simbolizando o caráter defensivo da fortaleza. A evoluçao da arquitetura militar dos castelos haviam transformado as torres retangulares do período alto-medieval em construçoes poliédricas que resistiam muito mais ao impacto da artilharía, até convertirem-se nas torres cilíndricas que compoem o castelo de Berlanga Del Duero.

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Barcelona Romana

As colinas que fazem parte da paisagem de Barcelona já estavam ocupadas desde o séc. IV aC, principalmente no atual bairro de Montjuic. Devido à sua localização, próximo ao porto formado pela desembocadura do rio Llobregat, e por situar-se numa zona mais elevada que as demais, adquiriu uma posição estratégica no controle das rotas comerciais da região. Os povos autóctonos comercializavam produtos agrícolas, vinho e azeite de oliva por recipientes de cerâmica e utensílios de metal com a cidade de Empúries, situada ao norte da península, e também com os centros comerciais controlados pelos cartagineses na costa sul e Ilhas Baleares.

Esta situação modificou-se com as chamadas Guerras Púnicas entre Cartago e Roma, que lutavam pelo domínio do Mediterâneo. Dessa forma, os romanos invadiram a Península Ibérica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro assentamento romano na futura Barcelona situou-se no monte Táber e foi utilizado como posição defensiva. Depois da vitória sobre os cartagineses, iniciou-se o processo de colonização e pacificação do território conquistado. Barcino foi fundada entre os anos 15 e 10 aC, durante o reinado de Augusto. No princípio, o povoado carecia de importância dentro do império, ma devido à sua estratégica localização, seu papel foi tornando-se cada vez mais relevante. A prosperidade econômica fez com que  o povoado se transformasse de colônia em civitas durante o governo de Caracalla (211/217 dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA mediados do séc. III, porém, a cidade foi invadida e arrasada pelos francos. Posteriormente, para evitar novos ataques, o imperador Cláudio ordenou a construção de uma poderosa muralha, transformando Barcelona na cidade melhor defendida do território catalão nos dez séculos seguintes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fortificação estava composta por 76 torres, sendo que duas delas sustentavam a porta de entrada da cidade, e que podemos contemplar atualmente na Praça Nova, ao lado da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAdossada a uma das torres, vemos os restos do aqueduto que levava água à cidade.

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Muitas das seções desta antiga muralha estão integradas a edifícios de épocas posteriores, como podemos ver no emblemático bairro gótico de Barcelona.

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A cidade romana estruturava-se ao redor do Monte Táber, onde situava-se o fórum e os principais edifícios públicos e políticos e que hoje em dia continua como o centro político da capital catalã, na conhecida Praça de Sant Jaime, que acolhe a sede da prefeitura e da Generalitat da Catalunha.

Uma excelente maneira de conhecer a antiga Barcino é visitar o Museu de História da cidade, localizado na Praça do Rei. Situado num palácio do séc. XV, tanto o pátio quanto a escada de acesso ao interior do museu são de época gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo subsolo da instituição, podemos conhecer um de seus maiores atrativos, um impressionante trajeto que cobre uma área de 4000 metros quadrados com os vestígios arqueológicos da época romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs escavações realizadas permitem contemplar ruas, casas com mosaicos e até uma instalação vinícola, em que se pode conhecer a elaboração da apreciada bebida durante o séc. III dC.

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Além disso, o museu conserva em seu acervo estátuas e bustos de personagens romanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo museu vemos também restos de pinturas que decoravam as casas de Barcino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm outro centro cultural fundamental da cidade, o museu Frederic Marès, existem esculturas relativas à época da dominaçao romana.

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Um dos legados da época romana mais incríveis existentes na cidade está atualmente localizado num edifício que sedia o Centro Excurcionista de Catalunha. Trata-se do templo de Augusto, datado da época da fundação da cidade (séc. I aC). Conservam-se 4 colunas coríntias do templo que foi consagrado ao culto imperial. A estrutura dominava a paisagem do fórum, ao estar situado num local elevado.

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Plasencia – Extremadura (Parte 2)

Desde sua fundaçao, Plasencia foi uma cidade de realengo, isto é, propriedade exclusiva da coroa e a partir de 1189 tornou-se sede episcopal.

Em 1488, passou a ser governada pelos Reis Católicos e Fernando de Aragón nela viveu desde 1515. Em 1446 foram criados os estudos universitários de Plasencia, os primeiros de Extremadura. A biblioteca do Monastério do Escorial foi criada com o acervo de livros pertencente ao Palácio Episcopal de Plasencia, levados ao monastério madrilenho por ordem do rei Felipe II.

A cidade conserva uma grande quantidade de palácios e casas senhoriais, como a Casa das Infantas, construída entre os séc. XVI/XVII.

A Casa del Deán  é uma casa-palácio do séc. XVII e seu destaque é o balcão em estilo neoclássico, coroado pelo escudo do proprietário.

Nas fotos seguintes, vemos outros exemplos de casas senhoriais da cidade.

Outro monumento emblemático é o Aqueduto Medieval, levantado no séc. XVI, em substituição ao anterior, do séc. XII. Com um comprimento de 200m, se conservam 55 arcos.

Plasencia é atravessada por duas rotas jacobeas, o chamado Caminho de Santiago do Levante, que parte de Alicante e finaliza em Plasencia, onde se une com o Caminho de La Plata. Os monumentos religiosos mais importantes são sua 2 catedrais, que serão tratadas em post à parte. A Igreja de San Esteban pertence ao séc. XV, e nela se casou o célebre poeta José Maria Gabriel y Galán.

A Igreja de San Nicolás existe desde o séc. XII e seu aspecto atual é fruto de várias reformas. A principal foi realizada no séc. XV, conferindo o estilo gótico que vemos atualmente.

O antigo Convento dos Dominicanos, do séc. XV, foi convertido em Parador Nacional, e enquanto tomamos um café em suas dependências, admiramos o histórico edifício.

O Convento de San Francisco Ferrer abriga uma excelente coleção de peças sacras, utilizadas pelas confrarias da cidade, principalmente durante as festas da Semana Santa.

O Museu Etnográfico-Textil Pérez Enciso encontra-se situado no antigo hospital de Santa Maria, fundado no ano 1300. Inaugurado em 1989, é o primeiro do gênero na comunidade. Exibindo um variado conjunto de objetos, reflexo de formas de vida tradicionais, como a manufatura da la e trajes típicos.

Segóvia

Segóvia é uma das nove capitais de província que compõem a Comunidade de Castilla-León e, seguramente, uma das cidades mais monumentais de toda Espanha. Está situada na confluência entre os rios Eresma e Clamores, aos pés da Serra de Guadarrama. Distante 87km da capital Madrid, pode ser facilmente atingida em ônibus ou trem. Sua altitude é de cerca de 1000m acima do nível do mar, ocasionando invernos rigorosos. A população atual é de aprox. 55.000 hab.

A origem do nome é celtibera. Desde há muito tempo, a cidade vem sendo povoada, já que no local onde localiza-se o Alcázar, existia um povoado celta. Durante o período romano, Segóvia gozava de um importante status, fato comprovado por seu imenso e conservado aqueduto. Sob a dominação visigoda, foi sede episcopal.

Acredita-se que logo após a invasão árabe, a cidade foi abandonada. Depois da conquista de Toledo por Alfonso VI de Castilla, iniciou-se o repovoamento de Segóvia pelo conde Raimundo de Borgoña em 1088, com cristãos procedentes do norte peninsular. No séc. XII, a cidade converteu-se num importante centro de comércio de produtos têxteis. Tal prosperidade se observa na arquitetura urbana, com inúmeros exemplos de igrejas românicas que ainda se conservam em seu centro histórico.

O final da Idade Média é uma época de esplendor, acolhendo uma atuante comunidade de judeus.  Seu bairro, conhecido como Juderia, é um dos mais preervados de todo o país. Passear e perder-se por suas ruas é um convite à contemplação e admiração de suas casas, edifícios e templos. A Porta do Sol rodeava o antigo bairro judeu e a Sinagoga Maior era uma das mais relevantes do país.

Durante esta época, desenvolveu-se uma admirável arquitetura gótica, tornando-se sede da corte da dinastia dos Trastámara. Finalmente, na Igreja de San Miguel, Isabel I de é proclamada a rainha de Castilla em 1474. No séc. XVI, a cidade contava com 27.000hab, número elevado para a época.

Em seguida, começou o período de decadência e um século depois, contava com apenas 8.000hab. A princípios do séc. XVII, tentou-se revitalizar a indústria têxtil, com escasso êxito. Em 1764, inaugura-se o Real Colégio de Artilharia, considerada a Academia Militar mais antiga do país, e que ainda se encontra sediada na cidade.

Em 1808, foi saqueada pelas tropas francesas durante a Guerra da Independência.

Durante os séc. XIX e XX, experimentou uma recuperação demográfica, possível graças ao relativo progresso econômico. Abaixo, vemos um edifício medieaval do centro histórico e uma das esculturas que adornam suas praças.

Em 1985, a cidade velha e seu aqueduto foram declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Uma das mais célebres esculturas da cidade é a Loba Capitolina, uma réplica da escultura de Luperca, conservada no Museu Capitolino de Roma. A escultura foi um presente da capital italiana à cidade de Segóvia, durante a comemoração pelo bimilenário de seu famoso aqueduto.

As muralhas da cidade já existiam quando Alfonso VI retomou  Segóvia, então sob o poder árabe. Posteriormente, o rei mandou ampliar-la, chegando a ter 3km de perímetro, 80 torres e 5 grandes portas.

Além de seu impressionante centro histórico, Segóvia oferece ao visitante ávido por caminhar, trilhas perfeitamente condicionadas para o senderismo, principalmente às margens de seus rios, tornando o passeio deveras agradável.

Abaixo, vemos uma das antigas entradas de acesso à cidade e mais uma ponte medieval.

Outro de seus destaques é a parte gastronômica. O viajante nao pode perder, após suas andanças pela cidade, de provar o prato mais conhecido da cidade. É o cochinillo assado, nome que recebe o porco quando ainda jovem.

Finalizamos com uma imagem do Torreón de Lozoya, uma torre defensiva situada na Praça de San Martín. Foi levantada no séc. XIV sobre um antigo calefatório romano e abriga atualmente um centro cultural.

 

 

 

Aqueduto de Segóvia

O Aqueduto de Segóvia é a obra de engenharia civil do período romano mais importante da Espanha e um dos monumentos mais significativos e melhor conservados que os romanos deixaram na Península Ibérica.

A falta de inscriçao impede o conhecimento exato de sua data de construçao. Os investigadores a situam entre a segunda metade do séc. I  e princípios do séc. II, durante o reinado dos imperadores Vespasiano e Trajano.

O aqueduto conduz as águas do manancial de Fuenfría, situado na serra próxima a 17km da cidade e percorre mais de 15km antes de chegar à Segóvia. Em sua parte mais elevada mede 28m de altura e possui dois níveis de arcos sustentados por pilares. No total, são 167 arcos, totalizando um comprimento de 728m. Foram nescessários 35 mil blocos de granito para erguer este espetacular monumento. No primeiro setor aparecem 34 arcos apuntados reconstruídos no séc. XV para restaurar a parte destruída pelos árabes em 1072.

Na parte superior os arcos possuem uma abertura de 5,10m, enquanto no nível inferior são de 4,50m. Os pilares diminuem sua espessura de forma escalonada, de baixo para cima. Na base  suas medidas são de 2,40×3,0m, enquanto no nível superior são de 1,80×2,50m.

Foi construído com granito sem argamassa entre as partes que o compoem. Sobre os 3 arcos de maior altura havia, na época romana, uma cartela com letras de bronze onde constava a data e seu construtor. Também na parte superior existem 2 nichos, um em cada lado do aqueduto. Um deles continha a imagem de Hércules, que segundo a lenda, foi o fundador da cidade. Atualmente, observamos a imagem da Virgem da Fuencisla, padroeira da cidade e de San Esteban. Na época dos Reis Católicos (séc. XV), realizou-se a primeira obra de restauraçao do aqueduto e no século seguinte foram colocadas as estátuas anteriormente citadas.

Representa o logro arquitetônico mais impressionante da cidade e se manteve ativo ao longo de vários séculos. Talvez por este motivo tenha chegado aos nossos dias em perfeito estado.

Porém, nos últimos anos sofreu um processo de deterioraçao devido à contaminaçao meio ambiental e aos próprios processos de erosao do granito. Para garantir sua sobrevivência, se procedeu a uma minuciosa obra de restauraçao que durou 8 anos. Além disso, foi proibido o tráfico rodado em suas imediaçoes, transformando a Plaza del Azoguero, local onde está situado, numa zona exclusiva para pedestres. O aqueduto de Segóvia, juntamente com outros efifícios da cidade, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1985.

Patrimônios da Humanidade

A Torre de Hércules é considerado o farol de origem romano mais antigo ainda em funcionamento  em todo o mundo.

Torre de Hércules - La Coruña

Torre de Hércules - La Coruña

O templo expiatório da Sagrada Família (este é seu nome completo) é a expressão máxima do gênio de Gaudi. O deslumbramento que provoca seu interior somente será superado quando, por fim, a catedral estiver terminada.

Sagrada Família - Barcelona

Sagrada Família - Barcelona

O Alcázar de Segóvia, juntamente com o famoso aqueduto romano, são os maiores atrativos desta magnífica cidade de Castilla – León.

Alcázar de Segóvia

Alcázar de Segóvia

Espero que tenham gostado. Abraços.