Santiago Ramón y Cajal

Com o post de hoje, inauguramos uma nova categoria no blog chamada Personalidades. Com o tempo, conheceremos alguns dos mais renomados nomes do panorama histórico, artístico e cultural da Espanha. Iniciamos, pois, com um dos mais importantes cientistas do séc. XX e personagem destacado na história do país, Santiago Ramón y Cajal (1852/1934). Nasceu em Petilla de Aragón (Navarra), mas viveu em muitos povoados de Aragón, fato que fez com que tivesse um grande vínculo afetivo com a comunidade aragonesa. Os estudos primários realizou em Jaca e posteriormente em Huesca. Possuía inclinaçoes artísticas, mas graças a seu pai, decidiu tornar-se médico. A partir de 1870, passou a viver em Zaragoza, onde cursou a Faculdade de Medicina, cujo edifício, atualmente denominado Paraninfo, vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIMG_2792Ao entrar no edifício, vemos uma estátua dedicada a Ramón y Cajal no alto de uma bela escadaria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizado o curso superior, foi aprovado num exame para o Corpo de Sanidade Militar, que o levou à Cuba,  que na época lutava por sua independência do domínio espanhol. Na ilha, foi vítima de doenças tropicais e regressou à Espanha em 1875. Parte das economias acumuladas na ilha caribenha lhe permitiram comprar seu primeiro microscópio, além de outros materiais para suas investigaçoes. Em 1877, conclui o doutorado, com apenas 25 anos. No ano seguinte, adoece de tuberculose, mas em 1879 obtém o cargo de Diretor de Anatomia da Faculdade de Zaragoza. No mesmo ano, se casa com a mulher com quem viveria 50 anos, e que lhe proporcionaria 7 filhos. Na década de 80, ocupa os cargos da cátedra de Anatomia na Faculdade de Medicina de Valencia e de Histologia na Universidade de Barcelona. 1888 foi definido pelo próprio cientista como seu “melhor ano”, graças as descobertas que realizou e que o tornaram famoso, a saber, sobre os processos conectivos dos neurônios, cuja teoria foi aceita pela comunidade científica em 1889. Esta descoberta revolucionária para o conhecimento das funçoes cerebrais passou a denominar-se “Doutrina dos Neurônios”. Abaixo, vemos um retrato e um busto do cientista na Real Academia de Medicina de Madrid, sobre a qual esteve dedicado o último post.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1892, ocupa a cátedra de Histologia e Anatomia Patológica na Universidade de Madrid. Graças a ele, foi criado um moderno laboratório de investigaçoes biológicas, germe da Escola Espanhola de Neurohistologia, um dos centros científicos mais importantes do país. Nele trabalhou até 1922, quando passa a dedicar-se ao Instituto Ramón y Cajal, criado em sua homenagem, onde manteve seu trabalho científico até sua morte. Em 1904 publica sua principal obra, “Histologia do Sistema Nervoso do Homem e dos Vertebrados”. Santiago Ramón y Cajal recebeu inúmeros prêmios de reconhecimento, entre os quais o Prêmio Internacional de Moscou (1900), Doutor Honoris Causa das Universidades de Clark, Boston, Sorbone e Cambridge. Em 1906, graças a sua descoberta dos mecanismos responsáveis pela morfologia e os processos conectivos das células nervosas, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina. Abaixo, vemos o Colégio de Médicos de Madrid, edifício neoclássico projetado por Francisco Sabatini no séc. XVIII, mas cuja construçao iniciou-se apenas em 1831.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada, uma placa comemorativa destaca a figura do grande cientista, e no interior da instituiçao, uma estátua em sua homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO falecimento de sua mulher em 1930 representou um duro golpe para ele. Santiago Ramón y Cajal falece 4 anos depois, e foi sepultado no Cemitério de Almudena, situado em Madrid. Desde entao, inúmeras instituiçoes, como colégios, hospitais, centros de investigaçao, além de ruas espalhadas por todo o país, levam seu nome. A seguir, vemos a casa onde viveu, durante sua estadia na capita espanhola.

DSC08575DSC08573Outro monumento de destaque que homenageia Ramón y Cajal podemos ver no Parque do Retiro de Madrid, uma fonte inaugurada pelo rei Alfonso XIII em 1926.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA idéia de homenageá-lo com uma fonte partiu da Real Academia de Medicina, para celebrar os 70 anos de idade do cientista, que nao pôde comparecer à inauguraçao do monumento, por encontrar-se enfermo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos o post com algumas célebres frases do grande homem e cientista:

“Enquanto o cérebro for um mistério, o Universo também continuará sendo”.

“O peor nao é cometer um erro, e sim tratar de justificá-lo, em vez de aproveitá-lo como um aviso providencial de nossa ignorância”.

“Ao carro da Cultura Espanhola, lhe falta a Roda da Ciência”.

“Nada me inspira mais veneraçao e assombro que um idoso que sabe mudar de opiniao”.

“Todo homem pode ser, se assim o deseja, escultor de seu próprio cérebro”

Santiago Ramón y Cajal, considerado o Pai da Neurobiologia Moderna.

Pueblos de Aragón

O Patrimônio Cultural-Artístico da Comunidade de Aragón destaca-se por suas múltiplas manifestações, apesar de ser desconhecida da maior parte dos turistas. Este post  tem como objetivo retratar alguns dos pueblos da região, ricos em história e construções monumentais, que fogem um pouco dos chamados roteiros tradicionais. Na Província de Zaragoza, maior cidade e capital da comunidade, existem muitos deles. Iniciamos nosso relato pelo pueblo de Illueca, conhecido por ser a terra natal do chamado Papa Luna.

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Sua vida transcorreu nos turbulentos anos do denominado Cisma do Ocidente, quando a Igreja Católica se dividiu entre dois papados, um instalado na cidade de Avigñon (França), e o outro em Roma. Eleito pelos cardeais franceses com o nome de Benedito XIII, é considerado como o único papa aragonês da história. Uma das clausuras de seu papado sería que abdicaria, caso a questão religiosa fosse resolvida, algo que não sucedeu. Destronado de seu cargo, o Papa Luna refugiou-se na cidade de Peníscola, reclamando o título papal até sua morte. Por este motivo, é considerado atualmente como um antipapa. Abaixo, vemos o Palácio do Papa Luna em Illueca, cidade na qual passou sua infância. Construído no séc. XIV, foi reformado no séc. XVII.

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Próximo à Illueca, encontramos o Castelo de Mesones de Isuela, construído em 1370 para defender as fronteiras de Castela.

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O pueblo de Tierga é outro exemplo de povoado tipicamente aragonês.

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A cidade de Tarazona é uma das maiores da comunidade e sua importância artística se comprova por ter sido declarada Conjunto Histórico-Artístico desde 1965, possuindo excepcionais mostras da arte mudéjar. A Catedral de N. Sra. de la Huerta é um bom exemplo. Construída no séc. XII, possui planta gótica, estando decorada com elementos da arquitetura mudéjar. Seu processo de restauraçao foi recentemente finalizado, e se pode atualmente contemplar sua beleza numa aconselhável visita. Quando estive na catedral, estava em obras e nao pude visitá-la. De qualquer modo, abaixo vemos uma foto de sua cúpula.

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Já a Igreja de Santa Maria Magdalena é a mais antiga da cidade, e foi levantada no estilo Românico-Mudéjar. Abaixo, vemos sua esbelta torre.

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A Casa Consistorial, construída entre 1557/63 possui uma bela fachada renascentista, com várias figuras mitológicas esculpidas.

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A velha Praça  de Touros está constituída por casas que eram alugadas por seus proprietários em ocasiões festivas e seguem habitadas até hoje.

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A Judería, bairro onde se agrupavam os judeus na Idade Média é uma das mais conservadas de Aragón.

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Uma das manifestações de maior universalidade cultural de Tarazona é a festa do Cipotegato, um personagem disfarçado de alerquim, açotado por imensas quantidades de tomates pela multidão. O Cipotegato é escolhido anualmente por sorteio, entre os jovens da cidade e representá-lo é motivo de orgulho para o eleito. A festa acontece a finais de agosto e princípio de setembro. Infelizmente, nao tive ainda ocasiao de presenciar o evento…

O pueblo de Uncastillo, situado na denominda comarca de Cinco Villas, é um dos mais monumentais de Aragón, e sua importância radica na quantidade de Igrejas Românicas que conserva, construídas no séc. XII. A Igreja de San Felices é uma mostra do estilo.

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Abaixo, vemos a portada da Igreja de Santa Maria, uma das mais belas de todo o Românico Hispano.

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A vila foi declarada Conjunto histórico-Artístico em 1966.

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Situada na Província de Teruel, o pueblo de Peñarroyas encanta por suas casas de arquitetura teadicional em pedras, apesar de quase abandonado.

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A cidade de Teruel, capital da província homônima, também exibe orgulhosa excepcionais construções mudéjares, muitas das quais foram incluídas na lista dos edifícios do estilo, catalogados como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A Torre de San Martín, por ex., foi construída em 1316 e reformada no séc. XVI. Feita de tijolo e decorada com cerâmica, a torre imita a estrutura dos minaretes islâmicos.

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A mais famosa e triste história da cidade é a dos Amantes de Teruel, que teriam vivido no séc. XIII. O amor entre Isabel de Segura e Diego de Marcilla não vingou, já que o jovem foi desprezado pela família de Isabel, por nao possuir bens. Decidido a enriquecer-se, partiu para a guerra e quando voltou, Isabel havia casado com um nobre da região. Conseguiu, porém, estar a sós com a amada e lhe pediu um beijo, que foi negado. Diego, então, morreu de tanta dor e durante seu funeral uma jovem que logo se reconheceu como Isabel aproximou-se do defunto e beijou-lhe, ato que lhe foi negado em vida. Em seguida, caiu repentinamente morta sobre Diego. Esta trágica lenda foi, segundo estudiosos, a inspiração que o escritor W.Shakespeare utilizou para sua célebre novela “Romeu e Julieta”. Seus corpos foram encontrados juntos no séc. XVI na Igreja de San Pedro, onde permanecem em um mausoléu construído para recordar sua história.

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Paisagens de Aragón

A Comunidade de Aragón, apesar de nao ser dos destinos preferenciais quanto ao turismo em Espanha, reserva inúmeras surpresas relativas ao extenso patrimônio Artístico-Cultural que possui, como também referente às suas paisagens. Se ao norte reina soberano os Pirineus, nas demais regiões a natureza é igualmente generosa. Visitaremos, pois, algumas delas, já que são muitas, e em uma só publicação sería impossível retratar toda sua riqueza.

O Parque Natural do Monastério de Piedra localiza-se na Província de Zaragoza, a cerca de 1h30min da capital.

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Oculto entre as abruptas serras do denominado Sistema Ibérico, situa-se no município de Nuévalos. O parque oferece caminhadas, cuja protagonista indiscutível é a água, que moldou cascatas e grutas de inegável encanto.

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A cachoeira mais impressionante é a Cola de Caballo, cuja queda de 50m pode ser apreciada dentro de uma gruta.

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Dentro de seus limites, observam-se ecossistemas de grande valor biológico, onde a fauna e a flora são abundantes, em um espaço relativamente reduzido.

O Lago do espelho é um dos locais onde a natureza mais transborda magia e esplendor.

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Não bastasse seu fabuloso entorno natural, no parque encontra-se um monastério Cistercense construído entre os séc. XII/XIII e que também pode e deve ser visitado. A região passou a ser mais conhecida pelos brasileiros depois da publicação do livro “Na margem do Rio Piedra, eu sentei e chorei”, de Paulo Coelho.

Um dos lugares mais misteriosos de toda a comunidade é o Monte Moncayo, devido às histórias e lendas de tempos passados, que lhe conferiram o status de mágico, quando na Idade média bruxas reuniam-se para seus rituais nas imediações da montanha. Situado entre as províncias de Zaragoza e Sória, esta já em território de Castilla-León, o Moncayo é o pico mais alto do denominado Sistema Ibérico, cordilheira que separa a meseta central do Vale do Rio Ebro, com 2.314m de altitude

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Sua ascensão não apresenta grandes dificuldades, com exceção do inverno, quando o acúmulo de neve pode representar dificuldade e perigo para os montanhistas.

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Desde 1978, sua área foi protegida sob a designação de Parque Natural De La Dehesa del Moncayo.

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A paisagem aragonesa está repleta de represas, aqui chamadas de embalses, cujas construções para o plantio e a agricultura tornaram-se fundamentais, num ambiente árido e seco como o de boa parte da comunidade. Um dos exemplos é o embalse de Maideuera, cujas imagens abaixo refletem sua singular beleza.

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Outra das reservas dignas de visitação é o Parque Cultural del Rio Martín. Uma das trilhas mais populares é a chamada rota de Peñarroyas, próxima ao município de Montalbán, situado a nordeste da Província de Teruel.

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Ao longo do rio, abundam as formações areníticas e em seus barrancos encontramos mais de 40 grutas, muitas delas com pinturas rupestres.

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Finalizamos o post numa das trilhas da denominada Selva de Oza, situada ao norte da comunidade, numa porção em que os Pirineus não ganham tanta altura como em sua parte central.

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De qualquer modo, a paisagem é maravilhosa, embelecida com cachoeiras e rios. Originária do degelo, um mergulho em suas águas requer muita, mais muita coragem…

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Pirineus e P.N. Ordesa-Monte Perdido

A Cordilheira Pirenaica formam a fronteira natural entre Espanha e França. Estendem-se por aprox. 415km, desde o mar Cantábrico, no Golfo de Vizcaya (País Vasco) até o Cabo de Creus, no mar Mediterâneo (Catalunha). Os Pirineus subdividem-se em Ocidentais ou Atlânticos, Centrais (onde encontram-se as montanhas mais altas) e Orientais. O ponto culminante da cordilheira é o Monte Aneto, com 3404m de altitude e existem cerca de 200 montanhas acima dos 3000m. Sua aparência maciça e conservada deve-se à abundância de granito, particularmente resistente à erosão.  Em sua parte ocidental as montanhas estão formadas por uma camada de calcário. Segundo a lenda, a origem da palavra procede da mitológica filha de Atlas, Pirene, a qual Hércules levou consigo em uma de suas viagens. Quando faleceu, o herói acumulou pedras para selar sua tumba, originando a cadeia montanhosa.

A flora pirenaica conta com aprox. 4500 espécies, das quais 160 são endêmicas, e sua representante mais conhecida é a denominada flor de neve ou Edelweiss, encontrada nos Pirineus Aragoneses. Entre as quase 200 espécies de animais que sobrevivem na região, destacamos a presença do Urso Pardo, cuja populaçao lentamente se recupera após séculos de perseguição. Não obstante, estima-se que apenas de 20/25 exemplares buscam refúgio em seu território. Em melhores condições, estão o Cervo, a marmota e o onipresente Javali. Em relação às aves, a grande predadora é a Águia Real, embora o Quebrantahuessos seja o símbolo inegável da região, já que foi exterminado em todo o continente, encontrando nos Pirineus seu último hábitat.

Um dos Espaços naturais protegidos mais importantes de toda a cordilheira é o Parque Nacional de Ordesa-Monte Perdido, localizado em território aragonês, ao norte da Província de Huesca. Criado em 1918, é o segundo parque mais antigo do país, e conta com uma extensão de 15.608 hectares. Em 1977, a zona foi declarada Reserva da Biosfera e 20 anos depois foi incluída na lista de Patrimônio da Humanidade concedida pela Unesco. Dentro de seus limites, destaca o imponente maciço das Três Sórores, cuja montanha denominada Monte Perdido é considerada a mais alta formação calcária de toda Europa, com 3350m. O parque está formado por vales glaciares, situados entre imensos paredões rochosos. O mais visitado é o Vale de Ordesa, que pode ser atingido desde trilhas que começam  desde a bela cidade de Torla.

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O chamado Circo de Soaso oferece as mais belas vistas do Monte Perdido e o Rio Arazas o acompanha, formando cachoeiras maravilhosas.

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Uma das mais conhecidas é a Cola del Caballo, situada aos pés do Monte Perdido.

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Igualmente impressionante, o Vale do Rio Bellós forma o Cânion de Anisclo, que pode ser percorrido a pé em grande parte de sua extensão.

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Já o Vale de Escuaín, por onde passa o Rio Yaga, oferece caminhadas ao borde do penhasco, com excelentes panorâmicas das montanhas circundantes.

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Dominado pelo Rio Cinca, o Vale de Pineta é um destino muito popular, e no inverno é uma delícia caminhar sobre suas montanhas nevadas.

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Em minha opiniao, a melhor época para visitar o parque é no outono, quando a paisagem se trona multicolorida…

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O Dólmen de Pineta é testemunho da presença humana na regiao há milenios.

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Cabe ressaltar que, no lado francês, os Pirineus também estão protegidos por reservas, como o Parque Nacional dos Pirineus, que no denominado Circo de Gavarnie encontramos a cascata mais alta de Europa, com mais de 400m de queda vertical. É imprescindível sua visita no verao, já que no inverno (época de minha visita), não se aprecia a cachoeira, já que tudo está congelado. Burro…

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Expo Zaragoza 1

Durante 3 meses, de junho a setembro de 2008, a Exposiçao Internacional de Zaragoza colocou a cidade “maña” no cenário turístico mundial.
Dedicada a “Água e Desenvolvimento Sustentável”, acolheu uma extensa e variada programação de eventos culturais.
Neste mesmo ano, a cidade comemorava o bicentenário do chamado Sítio de Zaragoza, data capital de sua história, na qual enfrentou-se bravamente às tropas invasoras de Napoleão, durante a guerra da independência. Celebrava também o centenário da exposição Hispano-francesa de 1908. Estes fatos históricos, aliado ao projeto de revitalização da cidade, fizeram com que a cidade fosse a escolhida para sediar um evento de tal magnitude.
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Na época, vivíamos em Zaragoza, e pudemos comprovar sua transformação, quando foram realizadas melhorias e ampliações de sua infra-estrutura, proporcionando um grande salto na qualidade de vida de seus habitantes. A ribeira do rio Ebro, local onde se encontrava o recinto da Expo, foi beneficiada com a construção de novas e modernas pontes, e a revitalização da área legou a seus habitantes uma nova opção de ócio e lazer.
Mais de 5 milhoes e meio de visitantes compareceram à exposição, que teve como mascote a uma gota da água, apelidada de “Fluvi”, acrônimo de Flumen Vitae (do latim, rio da vida).

A seguir, veremos alguma das construções mais interessantes do recinto da Expo: Um dos locais mais visitados, a Torre da Água acolhia em seu interior uma escultura denominada Splash, que representava a explosao de uma gota de água.
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O palácio de congressos funcionava como o centro da exposição, com debates, palestras, peças de teatro, etc, cuja temática girava em torno da utilização sustentável das fontes de água do planeta.
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Duas curiosas construções, os edifícios denominados de Faro (marrom) e Água extrema (azul). Este proporcionava aos visitantes sentir na pele os efeitos muitas vezes devastadores da natureza.

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O núcleo central estava formado pelos pavilhões dos mais de 100 países que compareceram à Expo. Na minha opinião, os mais interessantes foram o do Japão e da Alemanha.
O pavilhao da Espanha era climaticamente sustentável, já que sua refrigeração se produzia de forma natural, mediante a água da chuva, e assemelhava-se a um grande bosque.

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O da Comunidade de Aragón tinha um formato de cestas de frutas, típica da região.

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O aquário fluvial tornou-se o maior de seu estilo de todo o continente.

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Abaixo, o pavilhão Africano e, na seqüência, uma exibição de música tradicional no colorido pavilhao do Vietnan.

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Relembro com saudade estes meses, em que a cidade esteve em permanente estado de festa, onde fizemos muitas amizades e nos divertimos muito.

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Românico em Aragón

O Românico Aragonês esteve vinculado às idéias e
influências recebidas pelo caminho de Santiago, sobretudo
francesas e da lombardia, já que a comunidade de Aragón
é o primeiro passo em território espanhol, dos peregrinos
vindos do sul da França. Entrando por Samport, se dirigiam
à cidade de Jaca, onde se pode contemplar sua magnífica catedral.
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Dedicada à São Pedro, o templo está considerado um dos mais
antigos e característicos de todo românico peninsular.
Sua construção iniciou-se quase ao mesmo tempo que
a catedral de Santiago de Compostela, a finais do séc.XI, sendo
finalizada no séc.XII. Como sede episcopal e, durante 20 anos
capital do Reino de Aragón, foi através da iniciativa do rei
Sanho Ramírez que se colocou sua primeira pedra.
A planta da catedral é do tipo basilical e com 3 naves, sendo a central
mais alta e larga que as laterais, disposição típica do românico.
Durante o Renascimento, em 1572, são colocadas novas
capelas e em 1598, a boveda da nave central.
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O sublime órgão foi construído em 1705.

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Na portada exterior, destaca o Crismón românico, que representa o
anagrama de Cristo e que consiste na junção das letras gregas X e P,
as duas primeiras letras do nome de Cristo no idioma grego.( Xpiotós ).
Pode também ser complementado com as letras alfa e ômega, represen-
tando neste caso a Cristo sendo o princípio e o fim de todas as coisas.
Na portada da catedral, porém, o leão da direita aplasta a um urso, significando Cristo como vencedor do pecado e da morte, e da esquerda, um homem penitente que se inclina diante dele, mostrando sua misericórdia divina.

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Outro monumento fundamental do Românico Aragonês é a Igreja de São Pedro de Huesca. O edifício que vemos atualmente data do séc.XII, considerado Monumento Nacional desde 1885, representando um dos conjuntos mais destacados da Comunidade de Aragón. Estudos arqueológicos revelaram sua origem romana.
A fachada exterior, igualmente que a catedral jaques, representa a um crismón sustentado por anjos.
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Alberga no claustro os sepulcros dos reis aragoneses Alfonso I, o batalhador, e do seu irmão e sucessor Ramiro II, o monje, estando considerado como panteão real.
No interior, destaca o retablo maior, de madeira policromada e realizado no séc.XVII.

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Se conservam restos de pinturas murais, os únicos que sobreviveram da antiga decoração pictórica que adornava a igreja.
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A nave central está coberta pelas típicas bôvedas de cânon.
Existe constância do órgão sendo reformado desde o séc.XVI.
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O portal de acesso ao coro é uma obra barroca, e no alto as estátuas de São Vicente, no centro, e dos santos Justo e Pastor ao seu lado.
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O famoso claustro está formado por colunas duplas e elaborados capitéis que representam a fatos históricos da vida de Cristo, bem como cenas de caráter alegórico.

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A metade dos 38 capitéis existentes permanecem em seu estado original, e a outra são reproduções feitas no séc.XIX.
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Castelo de Loarre

Os castelos, recintos fortificados por excelência no cenário europeu, representam um dos elementos mais característicos da paisagem espanhola. Tanto é verdade, que duas de suas comunidades autônomas, invocam o seu nome (Castilla-León e Castilla-La-Mancha). Geralmente de caráter militar defensivo, servia também como residência de um nobre ou rei. Sua peculiar localizaçao, normalmente situado na parte mais alta de um pueblo ou cidade, lhes permitia fiscalizar e controlar todo seu amplo território. Porém, existem aqueles que foram construídos em zonas planas, para a defesa de uma cidade ou a proteçao de algo relevante como o passo de um rio, uma zona de cultivos, etc. Em ambos casos, estavam unidos por fortificaçoes secundárias por meio de torres de vigilància, cumprindo sua finalidade de maneira mais efetiva.

Castelo de Loarre

Castelo de Loarre

Um exemplo notável deste tipo de arquitetura militar é o castelo de Loarre, situado na província de Huesca, comunidade de Aragón.
Encravado na rocha que o sustenta, data do séc. Xl (1033).
Construído pelo rei Sancho el mayor, é considerado o castelo de estilo românico mais bem preservado de toda a Europa. Possui uma planta irregular com 10 torres circulares e uma quadrada, pela qual se acede ao interior.

Castelo de Loarre

Castelo de Loarre

O castelo não chegou a sofrer nenhum confronto bélico, mantendo-se em sua estrutura original até os dias de hoje. O material construtivo é a pedra de mamposteria, escassamente trabalhada, que lhe confere seu aspecto compacto de fortaleza.

Torres do Castelo de Loarre

Torres do Castelo de Loarre