Museu de Cáceres

Para se conhecer as etapas históricas de Cáceres, bem como poder contemplar inúmeras peças artísticas, recomendo visitar o Museu da cidade, situado na Plaza de San Mateo. O museu encontra-se sediado no Palácio de los Veleta, um dos inúmeros palácios existentes no Centro Histórico da cidade, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo local onde atualmente se ergue o edifício, no século XIII se levantava o antigo Alcázar Árabe. Na segunda metade do século XV, o Rei Enrique IV concedeu a Diego Gómez de Torres a possibilidade de construir sobre a fortaleza um novo palácio, com a condição que não tivesse elementos defensivos. No entanto, o edifício que vemos atualmente se deve a Lorenzo de Ulloa y Torres. Na fachada, vemos os escudos de ambas as linhagens, dos Ulloa e da família Torres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das grandes atrações do museu é que se conserva o antigo Aljibe Árabe, um local utilizado como depósito de água. Excavado em parte na rocha, o espaço ocupado pelo Aljibe está formado por 5 naves separadas por arcos de ferradura. Suas colunas conservam elementos de épocas romana, que foram reutilizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu de Cáceres foi inaugurado em 1933, cuja origem se deve a sua importante coleção de peças arqueológicas, formada a partir do final do século XIX e que abrangem desde o Paleolítico até a Idade Média. Do período ibérico estão expostos vários Verracos, como se conhecem as esculturas zoomórficas feitas de granito, que representam touros, porcos ou javalis e utilizados como marcadores de territórios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutras peças de grande interesse histórico constituem as Estelas, monumentos funerários onde guerreiros são representados de maneira heróica. O Museu de Cáceres possui uma das maiores coleções deste tipo de obras da Idade de Bronze. Os guerreiros aparecem junto às suas armas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém relacionado à cultura ibérica, o denominado Tesouro de Aliseda foi descoberto em 1920, estando considerado uma importante façanha da Arqueologia Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da seção de arqueologia, o Museu de Cáceres está composto pelo acervo de Etnografía e Belas Artes, esta com várias peças de interesse, tanto na pintura quanto na escultura. Abaixo, vemos um Cristo Crucificado de marfim, feito por um artista anônimo das Filipinas, no século XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste outro foi esculpido em madeira, no século XV, por um artista espanhol anônimo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a representação da Santíssima Trindade, uma escultura feita de alabastro do século XVI (anônimo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à Pintura, vários quadros despertaram meu interesse, entre os quais um de El Greco (1541/1614), com a representação de Jesus Salvador.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, um belíssimo tríptico flamenco da Paixão de Cristo, anônimo do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALuca Giordano (1632/1705), um pintor italiano que realizou diversas obras em solo espanhol, realizou este quadro de Santo André

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPintura Contemporânea Espanhola também faz parte do acervo pictórico do museu. Um exemplo é o pintor Darío Villalba (1939/2018), que realizou esta obra intitulada “Noche 81” em 1981.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra obra interessante, o quadro feito de acrílico intitulado “Agressión” em 1976 foi realizado pelo artista valenciano Juan Genovés, nascido em 1930.

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Museu Nacional do Teatro – Almagro

A fundamental relação de Almagro com o teatro vai mais além de seu famoso Corral de Comédias, pois num dos extremos laterais de sua Plaza Mayor situa-se outro local de visita indispensável, o Museu Nacional do Teatro. Está sediado no Palácio Maestrales, construído a mediados do século XIII como residência dos membros mais importantes da Ordem de Calatrava.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, o palácio passou a ser a residência do governador de Almagro e no século XVIII converteu-se num quartel de cavalaria. Em 1802, uma parte do palácio acolheu um novo convento da Ordem de Calatrava, mas com a Desamortizaçao de Mendizábal (1836), o edifício passou a ser propriedade de particulares. De seu aspecto original conserva a robusta torre em uma de suas esquinas (foto acima) e um belo pátio central arqueado, formado por arcos de ferradura feitos de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 1994 e 2001, o edifício foi reabilitado para acolher o museu, considerado um dos poucos Museus Nacionais situados fora de Madrid. Ocupa três andares, sendo o único museu dedicado exclusivamente à história do teatro no país. Está administrado pelo Instituto Nacional de Artes Cênicas e da Música, um organismo dependente do Ministério de Educação, Cultura e Deporte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASuas salas nos mostram uma interessante trajetória histórica do Teatro Espanhol, desde seus inícios em época romana, até o século XX, passando por seus maiores dramaturgos, atores e atrizes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Nacional de Teatro de Almagro possui um acervo de mais de 12 mil obras, entre desenhos, gravados, quadros, maquetes e esculturas. Abaixo, vemos um retrato do grande poeta e dramaturgo Federico García Lorca (1898/1936), realizado pelo pintor valenciano Alejandro Cabeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA grande atriz María Guerrero (1867/1928) aparece retratada pelo pintor Anselmo Miguel Nieto (1881/1964) num quadro realizado em 1914.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos um gravado realizado por Salvador Dalí (1904/1989) para a peça “Don Juan Tenorio“, sendo responsável por sua decoração e vestuário. A peça estreou em 1949 no Teatro María Guerrero de Madrid, sendo considerada uma das melhores adaptações do clássico de José Zorrilla (1817/1893), publicada por primeira vez em 1844.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu conta com inúmeras e formidáveis maquetes que retratam a história do teatro na Espanha. Abaixo, vemos uma delas, em que aparece o Parque do Retiro de Madrid, quando a partir do século XVII foi utilizado como cenário de representação teatral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO denominado Século de Ouro da Cultura Espanhola (XVII) está muito bem documentado no museu. Seus grandes dramaturgos realizaram obras eminentementes populares. Neste prolífico período cultural, todas as manifestações teatrais erm conhecidas como comédias, independente se a obra representada era um drama ou tragédia. A exceção constituíam os denominados Autos Sacramentais. A seguir, vemos um deles, realizado por Calderón de La Barca, um dos maiores expoentes do Teatro Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo campo escultural, o museu conta com vários bustos, entre os quais o de Fray Gabriel Téllez (1579/1648), mais conhecido por seu pseudônimo, Tirso de Molina, considerado um dos grandes dramaturgos do Barroco Espanhol. O busto foi realizado pelo escultor Lorenzo Coullaut Valera (1876/1932).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos escultores espanhóis que mais admiro, o valenciano Mariano Benlliure (1862/1947), realizou esta bela obra em que retrata a bailarina sevilhana Pastora Rojas Monje (1889/1979), uma das figuras mais representativas da história do flamenco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVários trajes também podem ser vistos, como o que vemos abaixo, utilizado pela atriz Cristina Higueras, nascida em 1961, para a representaçao da peça “Doña Rosita la Soltera“, de Federico García Lorca, em 1980.

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Igreja de San Román – Toledo

Toledo é uma cidade com um patrimônio histórico-artístico riquíssimo, e muitos dos locais mais interessantes ainda permanecem desconhecidos pelos turistas. Um exemplo é a bela Igreja de San Román, situada na parte mais alta da cidade. Este templo é um dos mais curiosos da cidade, por conservar sua estrutura mudéjar do século XIII e por apresentar em seu interior um excepcional conjunto de Pinturas Românicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da escassez de dados, se pode afirmar que a origem desta igreja se remonta à época visigoda, graças a restos arqueológicos encontrados em seu interior em 1968, ano em que o processo de restauração da igreja finalizou-se. Com a chegada dos árabes no século VIII, o templo foi reutilizado como uma mesquita (foram encontrados no século XVI sepulcros muçulmanos em seu interior).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo paróquia do período cristão aparece documentada por primeira vez em 1125, ainda que sua estrutura atual pertence ao século XIII (1221). A Igreja de San Román apresenta uma clara influência construtiva islâmica, tanto em sua arquitetura exterior, quanto em seu formidável interior.  Na foto acima, vemos uma imagem da torre, um exemplo do Mudéjar Toledano, edificada no final do século XIII e começo do XIV. A visita ao templo permite subir ao alto da mesma…

20160503_113012O interior, belíssimo, está formado por três naves separados por Arcos de Ferradura, típicos da arquitetura islâmica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs arcos se encontram apoiados por colunas e capitéis de época romana e visigoda, que foram reutilizados quando o templo foi usado como mesquita. Até 1926, as paredes e os arcos estavam pintados de branco, quando foram descobertas as pinturas que decoram todo o interior da igreja. Especialistas foram capazes de remover a antiga pintura e mostrar as pinturas românicas originais do templo, realizadas no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto de pinturas está formado por 3 estilos distintos. Em primeiro lugar, aparecem as pinturas mudéjares, caracterizadas por motivos geométricos, vegetais e epigráficos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior dos arcos (em arquitetura denominado intradós), aparecem figuras de santos, profetas e bispos com um olhar frontal, que recordam as pinturas italianas de estilo bizantino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente aparecem as pinturas de composição narrativa, feitas com maior naturalismo e movimento. Podemos apreciar vários episódios e personagens bíblicos, como a Ressurreição dos Mortos, os Apóstolos Evangelistas, o Pecado Original e o Paraíso, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, uma família nobre de Toledo adquiriu o espaço pertencente à capela maior para que se transformasse em sua cripta particular. Para a realização da reforma, foi encarregado um dos melhores arquitetos do Renascimento Espanhol, Alonso de Covarrubias, que foi o responsável pelo intenso plano de revitalização da cidade durante o reinado de Carlos I, quando Toledo passou a ser a capital do Império. Abaixo, vemos uma imagem da capela maior, cujo retábulo foi executado por Diego Velasco, e da cúpula renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja conserva uma Pia Batismal do século XV…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm uma das capelas do templo podem ser vistos vários sepulcros antigos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma lauda sepulcral de 1400, composta por inscriçoes góticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1968, a Igreja de San Román passou a acolher o Museu dos Concílios e da Cultura Visigoda. Em 1931, foi declarada de forma merecida Monumento Histórico-Artístico de caráter nacional.

Ronda Árabe

Devido a sua relativa proximidade com o Estreito de Gibraltar, Ronda esteve intimamente ligada aos fatos envolvendo a invasao árabe da Espanha, proveniente do norte da África, a partir do séc. VIII dC. Em 713 é conquistada, passando-se a denominar Izna-Rand-Onda. Progressivamente, a cidade ganha em importância, tornando-se a capital da Tacoronna, uma das 5 divisoes administrativas do sul da Andaluzia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha que protegia a cidade foi levantada no séc. XI, e algumas partes ainda podem ser observadas num passeio pelas ruas de Ronda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Porta de Almocábar era a principal via de acesso à cidade, ligando a parte baixa com o bairro alto, hoje chamado do Espírito Santo. Foi levantada no séc. XIII, entre duas imponentes torres circulares. No séc. XVI, ergueu-se outra porta lateral, no estilo renascentista. Seu nome significa “Cemitério”, por estar situada próxima à necrópole principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo alto da torre da Igreja do Espírito Santo, situada na parte detrás da porta, as vistas do conjunto fortificado impressionam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra porta conservada é a de Xijara. Sua localizaçao lhe conferia um grande valor estratégico e defensivo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir dela, a muralha se tornam ainda mais fortificada, com a presença de grandes torres de vigilância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro monumento conservado da época, de enorme importância por seu excelente estado de conservaçao, sao os Banhos Árabes. Foram construídos no bairro baixo, ou da Judería, a finais do séc. XIII. Um dos melhores conservados de todo o país, o edifício está cercado por um muro e possuía um moinho que subia a água do riacho próximo, enviando-a depois a um aqueduto situado sobre os arcos, para entao chegar à sala de banhos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO recinto estava formado por 3 salas, cada qual com banhos a temperaturas diferentes, esquema inspirado nos antigos banhos romanos. A primeira sala estava destinada aos banhos quentes, com uma chaminé para a saída da fumaça. O sistema utilizado para o aquecimento de água era o hipocausto, também uma soluçao herdada dos romanos. A sala central é a mais espetacular de todas, estando dividida por 3 naves cobertas de bôvedas semi-esféricas sobre Arcos de Ferradura feitos de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA iluminaçao da sala era possível graças aos pequenos vaos em forma de estrela, orientados de leste a oeste. O espaço está perfeitamente conservado, e nela os banhos eram de água morna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, na terceira sala, o banho era de água fria.  Nela realizavam-se, também, sessoes de relaxamento e massagem, além da funçao de vestiário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos mais típicos da arquitetura islâmica sao os Minaretes, uma torre onde os fiéis sao chamados à oraçao diária. Também chamados de Alminar, sao parte integrante das mesquitas, e uma das mais identificáveis. Em Ronda se conserva um deles, o Minarete de San Sebastián, construído no séc. XIV. Depois da reconquista de Ronda pelos Reis Católicos, foi transformado em paróquia com a advocaçao do santo que lhe dá nome. Foi entao quando se construiu seu último corpo, transformando-se em torre campanário. Os dois primeiros corpos sao originais do séc. XIV. Em 1931, foi declarado Monumento Histórico-Artístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a queda do Califato do Córdoba, Ronda se converte num Reino de Taifa. Será a partir de entao quando adquire sua configuraçao urbana, presente até os dias de hoje, como vimos no post.

A Concatedral de Guadalajara

No plano religioso, Guadalajara conta com vários conventos e igrejas, que em breve veremos no blog. Seu principal templo é a Concatedral de Santa Maria, uma das mais peculiares do território espanhol. O termo concatedral designa um templo com nível de catedral, mas que divide a diocese local com outra catedral. Abaixo, vemos um plano geral da Concatedral de Guadalajara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo acontece em muitos casos no país (Toledo, Zaragoza, etc) a igreja foi construída sobre a antiga mesquita da cidade. Originária do séc. XIII, foi edificada no estilo mudéjar, como podemos observar em sua sóbria torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua característica principal é a combinaçao de estilos artísticos, devido às reformas e ampliaçoes realizadas durante os séculos posteriores à sua construçao. O pórtico, por exemplo, rodeia todo o átrio e foi incorporado ao templo apenas no séc. XVI, dentro da estética renascentista.

DSC07862Um dos principais aspectos que chamam a atençao da Concatedral de Guadalajara sao as 3 portadas formadas por Arcos de Ferradura, que lhe conferem uma personalidade própria e um aspecto exótico. Cada uma delas comunica com as 3 naves do interior do templo.

DSC07857DSC07859Atualmente, o interior encontra-se bastante modificado em relaçao ao aspecto original que possuía no séc. XIV, quando foi finalizada sua construçao. Ainda assim, nos revela belas perspectivas, com um belo conjunto dde retábulos barrocos.

DSC07950DSC07959A seguir vemos um dos retábulos que decoram as naves laterais da igreja, com uma interessante estátua do papa Joao Paulo II.

DSC07955O Retábulo Maior foi realizado em 1624 pelo frade Francisco Mir no estilo barroco.

DSC07951Na sequência, vemos uma imagem da parte superior do Retábulo Maior.

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Mesquita-Catedral de Córdoba

Este post está dedicado a um dos monumentos mais extraordinários que a arte hispano-muçulmana produziu no país. A Mesquita de Córdoba, posterior Catedral da Asunçao de Nossa Senhora, é considerada o monumento islâmico mais importante do ocidente. Declarada, juntamente com o centro histórico da cidade, Patrimônio da Humanidade, faz parte também da lista dos 12 tesouros do território espanhol.

O lugar que ocupa a Mesquita-Catedral foi, durante séculos, um local de culto de diferentes divindades. Durante a época visigoda se construiu a Basílica de San Vicente, que foi utilizada tanto por cristãos quanto por árabes. Escavações arqueológicas demonstraram a existência de um complexo episcopal que pode datar-se dos séc. IV e V dC. Ali se encontram os restos da antiga basílica.

Com o aumento da população muçulmana, a basílica foi adquirida por Abderraman I, o primeiro Emir da dinastia dos Omeya, que a destruiu para a edificação da mesquita. Um fato singular desta primeira mesquita é que está orientada ao sul, e não à Meca como seria o habitual. Esta circunstancia pode ser explicada de várias formas, e parece provável que os terrenos arenosos do rio Guadalquivir impossibilitavam uma orientação ortodoxa à cidade sagrada.

Um elemento novo relacionado à arquitetura foi a utilização dos denominados arcos de ferradura procedentes da arte visigoda, e que o islã adotou como símbolo de sua arquitetura.

Sua construção iniciou-se no ano 786 dC e com 23.400 metros quadradas é uma das maiores do mundo. Durante sua história, foram realizadas 3 grandes ampliações.

A primeira ocorreu durante o reinado de Abderraman II (821/852 dC), que ampliou a denominada sala de oração. Sob o governo de Abderraman III (séc. X), Córdoba se converte na capital do maior e mais influente reino islâmico do ocidente. Proclamado califa, construiu o primeiro minarete no continente europeu e ampliou o pátio dos naranjos. A última reforma foi realizada a finais do mesmo século, graças às intervenções feitas por Almanzor.

Nada mais entrar no interior, um imenso bosque de colunas de mármore, jaspe e granito recebe o extasiado visitante. A alternância de pedra e tijolo lhe confere sua singular bicromia.

O Mihrab, local sagrado de uma mesquita, é uma jóia feita de mármore e mosaicos bizantinos, decorados sobre um fundo de ouro e bronze, além de cobre e prata.

Abaixo vemos a suntuosa cúpula do Mihrab, belíssimamente decorada.

Em 1238, depois da reconquista crista, a mesquita foi convertida em catedral católica, e em 1523 se iniciou a construção de um templo renascentista no centro da mesquita muçulmana, durante o governo do rei Carlos V.

Apesar de terem respeitado as ampliações feitas anteriormente, se alterou o aspecto que tinha originalmente. Um comentário feito pelo próprio monarca 3 anos depois é significativo:

“Destruímos uma maravilha única no mundo, e colocamos em seu lugar algo que podemos ver em qualquer lugar…”.

Na foto que segue, uma imagem da torre campanário, cujo minarete construído por Abderraman II encontra-se em seu interior.

Podemos admirar atualmente um resumo histórico da arquitetura omeya de Espanha, além dos estilos gótico, renascentista e barroco da Catedral católica. A Mesquita-Catedral de Córdoba é um símbolo da fusão cultural, que durante quase 800 anos, marcou a história do pais, e junto com a Alhambra de Granada, é o expoente máximo da arquitetura de Al Andaluz.