Casas de Segóvia

Passear pela cidade de Segóvia nos permite conhecer sua dilatada história em seu rico patrimônio artístico e cultural. Além de seus inúmeros monumentos, apresenta também um rico mosaico de estilos, que podemos apreciar em suas casas. Em várias delas, se conservaram elementos de épocas passadas, em outras suas formas e localizaçao curiosa deleitam as vistas daqueles (as) que as contemplam. No entorno do chamado Bairro de Canonjías (ou da Claustra), se localizava a antiga Catedral Românica destruída no séc. XVI, e nele viviam os canônigos ou religiosos pertencentes ao clero local. O bairro era uma pequena cidade e permanecia isolado durante a noite, quando as três portas de acesso eram fechadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO bairro possuía normas próprias, e quando foi construída a nova Catedral Gótica de Segóvia, muitos religiosos mudaram de lugar, e o bairro perdeu sua outrora funçao. As casas possuíam dois andares, sendo que a superior era considerada a planta nobre. Muitas delas conservam suas portadas românicas, algo raro em outras cidades. Por isso, sao consideradas um dos melhores exemplos de arquitetura civil do estilo no país. Todas as casas contavam com água procedente dos canais do aqueduto, que eram armazenadas em cisternas.

DSC09491A vida girava em torno do pátio interior, e muitos deles podemos ver, já que a maioria das casas com pátio mantêm a porta aberta para que possamos admirá-lo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO pátio acima pertencia a uma casa nobre e atualmente é a sede do Colégio Oficial de Arquitetos de Segóvia. Abaixo, vemos a fachada do imóvel.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecentemente, conhecemos a história da Juderia Segoviana, e as belas casas medievais que conservam sao outras de suas atraçoes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA juderia nao se diferenciava dos demais bairros em sua disposiçao urbanística, nem nas formas construtivas de seus edifícios. As ruas sinuosas e estreitas sao uma característica comum das cidades medievais. As casas, igualmente estreitas, entre 4 a 7 metros de largura, compensavam esta limitaçao ganhando altura, e a maioria delas possuem 3 andares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGeralmente tinham entre 30 e 40 m quadrados, estando construídas com alvenaria e tijolo, além de estruturas de sustentaçao de madeira. Em sua parte traseira, situava-se o pátio comunitário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs casas eram simples, mas sólidas. Abaixo, vemos outros exemplos de casas encontradas na Juderia de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas casas da cidade foram construídas encima da muralha, compondo um cenário peculiar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA famosa Casa de los Picos chama a atençao por  sua fachada decorada com elementos de caráter claramente defensivos, como vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta singular decoraçao consiste na utilizaçao de materiais conhecidos como Pontas de diamantes, e a explicaçao mais aceita para este elemento decorativo é que a casa foi levantada junto a Porta de San Martín, um dos acessos da antiga muralha,  infelizmente desaparecida. Atualmente, a Casa de los Picos sedia uma escola de arte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Guadalupe – Parte 3

Um dos detalhes que mais chamam a atençao no pueblo de Guadalupe sao os numerosos edifícios que, em sua origem, funcionavam como hospitais. Um exemplo é o Hospital de San Juan Bautista,  construído em 1402 pelo prior do monastério Yañez de Figueroa. No local, desenvolveu-se a célebre Escola de Medicina e onde por primeira vez  foi realizada  uma dissecaçao de um corpo humano em toda a Espanha, privilégio concedido por uma bula papal. O hospital encontra-se adossado ao Colégio dos Infantes, que vimos no post anterior.

DSC08794Também era conhecido como Hospitais dos Homens, e abaixo vemos uma inscriçao explicativa da origem da instituiçao.

DSC08793Na Idade Média, os hospitais possuiam um conceito bem diferente do atual. Mais do que centros médicos, eram lugares que prestavam assistência aos numerosos peregrinos que chegavam à cidade (no Caminho de Santiago sao abundantes os hospitais com esta mesma funçao). Os primeiros hospitais existentes em Guadalupe remontam ao séc. XIII. Entre 1435 e 1447 foi inaugurado o Hospital das Mulheres, destinado às mulheres peregrinas e necessitadas.

DSC08839Acima, vemos a porta de entrada do antigo hospital. Junto com o Hospital de San Juan Bautista, era considerado o principal  do pueblo. A seguir, vemos os capitéis que adornam a porta.

DSC08841Para peregrinos pobres e confrades doentes, existia o Hospital de San Sebastian.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído a finais do séc. XV, o Hospital de la Passión estava destinado aos membros da Confraria da Sagrada Paixao. Adquiriu importância histórica por sua dedicaçao, no séc. XVI, para a cura da sífiles e outras doenças contagiosas. Posteriormente, foi transformado em fábrica de sabonetes e suas imagens religiosas foram levadas ao monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro detalhe que se destaca na arquitetura dos edifícios de Guadalupe é a variedade estilística de suas portas e janelas. Abaixo, vemos alguns exemplos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADSC08846DSC08751DSC08786DSC08845A partir do próximo post, conhecermos a instituiçao reponsável pela existência do povoado de Guadalupe, e razao pela qual tornou-se famoso no mundo inteiro, o Real Monastério, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Guadalupe – Extremadura

Localizada numa regiao serrana a oeste da Comunidade de Extremadura, precisamente na Comarca de las Villuercas, Guadalupe é um dos pueblos mais belos de toda a comunidade e um dos centros de maior devoçao mariana do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde sua origem, o pueblo está estreitamente vinculado ao Real Monastério de Santa Maria de Guadalupe, e aparece documentado por primeira vez no séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO povoado cresceu ao redor do monastério, e desde 1348 até 1811, Guadalupe esteve submetida ao senhorio civil e juridicional do Prior do Real Monastério. A cidade passa a ter prefeitura própria somente em 1812, cuja imagem vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO centro do povoado está ocupado pela Praça de Santa Maria, situada em frente ao monastério, dividindo a localidade nas partes alta e baixa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConserva-se plenamente o traçado medieval de seu urbanismo, e belíssimos exemplos de arquitetura popular.

DSC08783Sao abundantes as casas porticadas de 2 andares, construídas com balcoes e sustentadas por vigas de madeira no sentido horizontal, e por colunas de madeira de castanho no sentido vertical.

DSC08787Muitas destas casas eram propriedade do monastério, e destinavam-se a estabelecimentos comerciais onde se prestavam serviços aos inúmeros peregrinos que visitavam o santuário, onde até hoje se venera a famosa Virgem de Guadalupe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA devoçao à Virgem se reflete na decoraçao das casas, e a maior parte delas exibe uma representaçao sua. Chama a atençao em Guadalupe o esmero e cuidado no embelezamento da parte externa das residências, principalmente através de arranjos florais.

DSC08814Os peregrinos proscedentes do sul e do leste chegavam à Guadalupe pelo Arco de las Eras, que vemos abaixo.

DSC08780A cidade conserva outras entradas pertencentes ao recinto de muralhas existente desde a Idade Média, como o Arco de Sevilha, construído no séc. XVI.

DSC08789Outro detalhe que impressiona sao as muitas fontes espalhadas pelo pueblo, como a denominada dos Três Chorros, uma das mais importantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta série dedicada à Guadalupe, conheceremos também o maravilhoso Real Monastério, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, e a história da Virgem que lhe deu fama. No próximo post, continuaremos visitando o pueblo, declarado Conjunto Histórico-Artístico pelo incrível legado medieval que  conserva.

Arévalo – Cidade Mudéjar

A Arquitetura Mudéjar é, indiscutivelmente, uma das características mais marcantes da cidade de Arévalo. Designamos Arte Mudéjar, especialmente no campo arquitetônico, a um estilo próprio da Península Ibérica desenvolvida nos Reinos Cristãos entre os séculos XII e XVI. O estilo distingue-se pela combinação das correntes artísticas européias da época (Românico e Gótico, principalmente) com os elementos da denominada tradição Hispano-Muçulmana. Seu surgimento foi possibilitado graças à convivência cultural entre povos de origens diversas na Espanha Medieval. O termo Mudéjar se refere à população muçulmana que permaneceu na península durante o Processo de Reconquista. Hábeis construtores, utilizavam para a construção de edifícios, normalmente de função religiosa, um material abundante e barato, o tijolo. Dois deles podem ser vistos na Praça Da Vila de Arévalo, por si só, uma verdadeira preciosidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça, historicamente falando, sempre representou o centro da localidade. Trata-se de uma típica praça castelhana porticada, cuja excelente conservação lhe valeu o título de Conjunto Histórico-Artístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela, podemos apreciar exemplos da arquitetura popular medieval. As galerias que cumprem a função de suporte das construções estão formadas por 31 colunas de pedra e 25 de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm cada um de seus extremos, o espaço está delimitado pelas torres mudéjares das Igrejas de Santa Maria e San Martín.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santa Maria La Mayor é uma clara amostra do estilo mudéjar. Construída entre os séc. XII/XIII, nela destacam-se o ábside semicircular e a torre, a mais alta da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte inferior da torre está composta pelo Arco de Santa Maria, um dos principais acessos a esta belíssima praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o processo de restauração do templo, foram encontrados em seu interior restos policromados de Pintura Mural da época em que a igreja foi erguida. A cena retrata uma imagem muito representada durante o período Românico, o denominado Pantocrátor ou Cristo em majestade. Com a mão direita e os dois dedos levantados (significando sua dupla natureza, divina e humana), Cristo bendiz a humanidade, enquanto a esquerda segura uma esfera, símbolo do universo. Ao seu lado, nos quatro ângulos da composição, vemos a representação simbólica dos quatro Apóstolos Evangelistas, denominados Tetramorfos. São eles: São João/Águia, São Marcos/Leão, São Mateus/Homem com Asas e São Lucas/Boi

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Martín foi construída em 1250, e se caracteriza por uma mistura estilística que engloba o românico, o mudéjar e o renascimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi reformada nas etapas renascentista e barroca, quando perdeu seu ábside original. Ela é conhecida também pelo nome  “Torres Gêmeas”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem acima, vemos o átrio românico que ainda se conserva, com os característicos Arcos de Meio Ponto. No séc. XX, foi usada como depósito de grãos e logo abandonada. Em 1931, a Igreja de San Martín foi declarada Monumento Nacional e realizou-se um intenso processo de restauração. Atualmente, não realiza cultos, como a Igreja de Santa Maria, e seu espaço interno está dedicado a eventos culturais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de finalizar o post, convém salientar que Arévalo sediou recentemente a décima oitava edição da Exposição “As Idades do Homem”. Estas exposições possuem um caráter itinerante e são organizada por uma fundação de caráter religioso, cujo objetivo é a divulgação da riquíssima Arte Sacra da Comunidade de Castilla y León. Na presente edição, a temática abordada foi o Credo.  Iniciada em 1988, a Exposição “Idades do Homem” repercute positivamente em todas as cidades sedes escolhidas, e com Arévalo não foi diferente, tal a quantidade de visitantes que a cidade recebeu durante o evento.