Pré-Românico Asturiano

Como o próprio nome indica, é um estilo artístico precursor do Românico e exclusivo da Comunidade Asturiana. Se desenvolve a partir do séc.VIII e se extende até o séc. X, quando é absorvido pela arte românica.
Esteve associado plenamente à monarquia  dos reis de Astúrias, cujo reino durou 2 séculos, antes de ser incorporado ao reino de León.
A criação e consolidação deste novo reino ocorre após a batalha de Covadonga, vencida por Pelayo, contra o invasor mussulmano, e é proclama rei de Astúrias.
Paralelamente ao desenvolvimento político-social, o reino alcançou um progresso cultural que resultou num dos momentos artísticos de maior envergadura de toda a Alta Idade Média européia: o Pré-Românico Asturiano.
O novo estilo caracteriza-se por sua capacidade sintetizadora, recebendo as influências dos povos romano e visigodo precedentes e o contao com o mundo carolíngio e mussulmano. Seus maiores êxitos se verificaram no campo da arquitetura.
No geral, os edifícios são de pequeno tamanho, apesar de sua complexa distribuição interna, e localizados quase sempre em locais de grande beleza natural.
Está documentada a existência de mais de 100 monumentos, embora somente se conservem atualmente 14, 7 dos quais foram reconhecidos como Patrimônio da Humanidade em 1985.
Na seqüência, mostraremos algumas destas construções, todas localizadas na cidade de Oviedo, capital da comunidade.

San Julian de los Pardos faz parte do período inicial, em que se fixaram as principais características do estilo, e foi construída no ano 820, durante o reinado de AfonsoIII.

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Está considerado como o maior e mais conservado templo de todos os edifícios espanholes anterior ao românico. De planta basilical com 3 naves, destaca por sua decoração pictórica, com pintura murais ao fresco.

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Formava parte de um complexo palacial, situado fora das muralhas de Oviedo, e que incluía residência real, banhos, etc.
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Já os dois monumentos seguintes correspondem à época de maior plenitude da arte Pré-Românica, desenvolvida no reinado de Ramiro I e de seu filho Ordoño (842/866 dc).
Situada a 3 km de Oviedo, Santa Maria de Naranco representa um símbolo de toda a arte asturiana, alcançando sua máxima complexidade arquitetônica.
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Originalmente, foi levantado em 842 por Ramiro I como palácio e possui planta retangular, cujas dimensões são 20 x 6m.
A construção consta de 2 andares, sendo o inferior utilizado como armazém e banhos.
O superior constitue o verdadeiro recinto palacial, formado por uma esplêndida sala, aberta em ambos lados por magníficos mirantes, que proporcionam fantásticas vistas de Oviedo. A decoração conservada é eminentemente escultórica, com medalhões e capitéis perfeitamente adaptados e que realçam o espaço arquitetônico.
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No séc. XII, o palácio se transformou em igreja, em virtude do derrumbamento da Igreja de São Miguel de Lillo, situada próxima a ele.
Como curiosidade, o filme “Viccky Cristina Barcelona”, do cineasta Woody Allen, foi rodada em parte neste palácio.
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San Miguel de Lillo era a igreja de Ramiro I, construída no ano de 848.
O que se conserva atualmente corresponde somente a um terço de sua estrutura original, pois o resto veio abaixo após um desmoronamento de terra.
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No interior, sua destacável decoração possui influências bizantinas.
Infelizmente, seu precário estado de conservação fez com que fosse incluída na lista de Monumentos em perigo.
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De todas construções de caráter civil, a única sobrevivente é a Fonte de Foncalada, situada no centro histórico da cidade de Oviedo.Construída por Alfonso III, esta fonte de água potável é considerada o monumento civil de uso contínuo mais antigo de toda a Espanha.

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Modernismo em Barcelona

O modernismo catalao é a denominaçao de um estilo
predominantemente arquitetônico, embora tenha se incorporado
nas artes plásticas (pintura e escultura) e também no desenho
e nas artes decorativas.
Apesar de fazer parte de uma corrente geral que surge em toda a
Europa, na Catalunha adquire uma personalidade própria e diferen-
ciada. Foi favorecida por um contexto de crescente desenvolvimento
urbano e industrial da capital, Barcelona, a finais do séc.XIX e princípios
do XX.

A exposição universal de 1888 e a internacional de 1929, ambas realizadas na cidade, forneceram ao mundo uma mostra da originalidade da arte catalã.
Nomes como Lluís Domenech y Montaner e Josep Puig y Cadafalch, entre outros, desenvolveram uma linguagem da qual Antonio Gaudi se inspiraria para criar seu estilo pessoal.

O modernismo despreza o estilo pouco atrativo da arquitetura industrial e desenvolve conceitos baseados na natureza, observados nos materiais construtivos, nas formas dos edifícios e na decoração das fachadas.
O seu desenvolvimento é impulsionado pela burguesia catalã, culta e sensível à arte.
Expandiu, também, sua influência a outras regiões de Espanha, como Astorga, Leon, Cartagena, etc.
Veremos abaixo alguns exemplos, relativos à arquitetura, deste movimento.

A casa Milá, também conhecida como a Pedrera, é uma das criaçoes mais conhecidas de Gaudi.

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Localizada na maravilhosa Passeig de Gràcia, foi finalizada em 1910.

A casa Batlló, na mesma rua, surpreende por sua fachada, onde inexistem as linhas retas, algo carcterístico da obra do genial arquiteto. Terminada em 1906.

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A casa Calvet, por sua vez, é interessnte sobretudo por sua sobriedade e os balcoes de ferro forjado. Gaudi termina o edifício em 1899.

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Josep Vilaseca construiu a casa Cabot para a família de mesmo nome, sua primeira obra inteiramente modernista.

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Para a exposiçao internacional de 1888, Vilaseca realizou este singular arco do triunfo.

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Lluís Domenech y Montaner foi um dos principais representantes do modernismo catalao e dele é a casa Fuster.

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De Salvador Valeri Pupurull, contemplamos a casa Comalat, numa visao geral e no detalhe da fachada inferior.

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Na Carrer Gran de Grácia, existem inúmeros exemplos de edifícios modernistas. Eis um exemplo:

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Finalizamos uma vez mais com Gaudi, e a incrível casa Vicenç, acabada em 1883.

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Mais de 100 arquitetos deixaram sua criatividade registrada pelas ruas de Barcelona. Seríam nescessários o mesmo número de publicaçoes, para poder abarcar a impressionante quantidade de edifícios e obras modernistas da cidade. Espero, algum dia, mencionar obras clássicas, como o Parque Guell, o palau  da música catala, Hospital de Saint Paul, etc, etc. Tamanha oferta e qualidade, rendeu ao modernismo catalao o título de Patrimônio da Humanidade, outorgado pela Unesco.

Catedral de Zamora

A catedral de Zamora, cidade situada na comunidade de Castilla y León,
está dedicada ao Salvador, e é uma  das poucas catedrais espanholas que podem ser incluídas como de estilo românico.
Foi construída num local privilegiado, ao lado do castelo, e foi financiada por Alfonso VII “el emperador”.
O templo foi levantado tão somente em 23 anos, algo inusual nas construções religiosas medievais. A rapidez com que foi feita se traduz numa unidade estilística pouco freqüente, bem como em sua extrema austeridade decorativa.
O maestro de obra, que projetou e dirigiu a construçao é anônimo, como habitual, e, provavelmente, era francês.
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De seus elementos constituintes, o de maior destaque, sem dúvida, é o cimborio, de clara influência bizantina. Serviu de inspiração para outros similares, como ocorre na catedral velha de Salamanca e na colegiata de Toro. Realizado no séc.XII.

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A porta do Bispo é a única que se manteve originalmente intacta, das 3 que haviam.
Se podem observar as figuras de São Paulo e São João à esquerda e, na direita, se representa à Virgem com o menino Jesus sentado no joelho.
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A torre do Salvador, também românica, se construiu no séc.XIII.

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A igreja é de planta latina, com 3 naves.

Abaixo, vemos o cimbório desde o interior e o órgao.Imagem

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O trascoro se caracteriza pelas elegantes linhas e proporçoes.

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A catedral foi declarada monumento Nacional em 1889.

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Castelo de Bellver

O Castelo de Bellver é um dos símbolos da cidade de
Palma de mallorca e foi construído no séc.XIV, sob as ordens
do rei Jaime II, e finalizado em 1310.
De estilo gótico, seu nome se origina do catalão antigo, Bell veer,
que significa “bela vista”, como esta panorâmica que se pode vislumbrar desde o alto do castelo.Imagem

Uma de suas peculiaridades é a originalidade de seu desenho
arquitetônico. De formato circular, é um dos poucos da Europa com
esta característica, e o mais antigo.

De fato, são circulares todos os principais elementos que o compõe:
as muralhas, torres e o pátio central.
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Rodeando o castelo e as torres, há um fosso. No centro do pátio, existe uma cisterna, utilizada para a captação de água.

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Toda as dependências se convergem ao pátio central mediante uma
galeria de arcos góticos.
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Durante sua história, foi utilizado como residência real, refúgio para a peste que assolou a região na idade média e como prisão.
O castelo combina explendidamente as funções  de palácio e de construção defensiva.
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Atualmente, é um dos pontos altos de uma visita à cidade e sede do Museu de Palma, com exposições históricas e recinto para atos culturais, concertos, etc.
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A catedral de Palma de Mallorca

Como inúmeras catedrais espanholas, a de Palma de Mallorca
também se edificou sobre uma mesquita anterior, na qual se
realizaram obras de adaptaçao para o culto cristão durante o
séc.XIII (1229), em virtude da conquista da ilha pelo rei Jaime I.
Porém, a catedral começa a ser efetivamente construída
no séc.XIV, durante o reinado de Jaime II e sua consagração, somente em 1601.
Ao visitante que se depara diante da catedral vista do mar, se impressionará com a semelhança de seu formato com a de um grande navio.
Não só por isso, é considerada um dos templos góticos mais notáveis de todo o continente europeu.
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A nave central, com 44metros de altura, é uma das mais altas dentre as catedrais.
Além disso, em seu interior se observa uma de suas características mais originais, já que com uma menor quantidade de materiais encerra dentro de si um volume maior de espaço útil para os fiéis. A altura da nave, maior que as duas naves laterais, bem como suas colunas, altas e delgadas configuram um aproveitamento magistral dos meios construtivos do gótico para a organização do edifício.
Este tipo de planta, de influência alemã, é conecido como planta de salão.

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A catedral possui também o maior rosetón gótico do mundo.

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A porta do Mirador é a mais bela e antiga da catedral (séc.XIV) e decorada com a representação da última ceia.

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Na capela da trindade descansam os restos dos reis Jaime II e Jaime III.

Abaixo, o órgao da catedral.

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A porta da fachada principal é neogótica, construída no séc.XIX e se
deve ao projeto do arquiteto Juan Bautista Peyronet(1854) e finalizada
por Joaquim Pavía em 1879.
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O famoso arquiteto catalão Antoni Gaudi foi o responsável por uma remodelação que incluiu a mudança da posição do coro e a construção de um baldaquino, que infelizmente permaneceu inacabado.
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Românico em Aragón

O Românico Aragonês esteve vinculado às idéias e
influências recebidas pelo caminho de Santiago, sobretudo
francesas e da lombardia, já que a comunidade de Aragón
é o primeiro passo em território espanhol, dos peregrinos
vindos do sul da França. Entrando por Samport, se dirigiam
à cidade de Jaca, onde se pode contemplar sua magnífica catedral.
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Dedicada à São Pedro, o templo está considerado um dos mais
antigos e característicos de todo românico peninsular.
Sua construção iniciou-se quase ao mesmo tempo que
a catedral de Santiago de Compostela, a finais do séc.XI, sendo
finalizada no séc.XII. Como sede episcopal e, durante 20 anos
capital do Reino de Aragón, foi através da iniciativa do rei
Sanho Ramírez que se colocou sua primeira pedra.
A planta da catedral é do tipo basilical e com 3 naves, sendo a central
mais alta e larga que as laterais, disposição típica do românico.
Durante o Renascimento, em 1572, são colocadas novas
capelas e em 1598, a boveda da nave central.
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O sublime órgão foi construído em 1705.

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Na portada exterior, destaca o Crismón românico, que representa o
anagrama de Cristo e que consiste na junção das letras gregas X e P,
as duas primeiras letras do nome de Cristo no idioma grego.( Xpiotós ).
Pode também ser complementado com as letras alfa e ômega, represen-
tando neste caso a Cristo sendo o princípio e o fim de todas as coisas.
Na portada da catedral, porém, o leão da direita aplasta a um urso, significando Cristo como vencedor do pecado e da morte, e da esquerda, um homem penitente que se inclina diante dele, mostrando sua misericórdia divina.

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Outro monumento fundamental do Românico Aragonês é a Igreja de São Pedro de Huesca. O edifício que vemos atualmente data do séc.XII, considerado Monumento Nacional desde 1885, representando um dos conjuntos mais destacados da Comunidade de Aragón. Estudos arqueológicos revelaram sua origem romana.
A fachada exterior, igualmente que a catedral jaques, representa a um crismón sustentado por anjos.
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Alberga no claustro os sepulcros dos reis aragoneses Alfonso I, o batalhador, e do seu irmão e sucessor Ramiro II, o monje, estando considerado como panteão real.
No interior, destaca o retablo maior, de madeira policromada e realizado no séc.XVII.

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Se conservam restos de pinturas murais, os únicos que sobreviveram da antiga decoração pictórica que adornava a igreja.
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A nave central está coberta pelas típicas bôvedas de cânon.
Existe constância do órgão sendo reformado desde o séc.XVI.
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O portal de acesso ao coro é uma obra barroca, e no alto as estátuas de São Vicente, no centro, e dos santos Justo e Pastor ao seu lado.
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O famoso claustro está formado por colunas duplas e elaborados capitéis que representam a fatos históricos da vida de Cristo, bem como cenas de caráter alegórico.

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A metade dos 38 capitéis existentes permanecem em seu estado original, e a outra são reproduções feitas no séc.XIX.
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Arquitetura Românica

O chamado estilo Românico nasceu na França e se propagou por todo o continente  durante os séculos Xl e Xlll, sendo considerado o primeiro estilo artístico exclusivamente europeu. Precede o Gótico e, na Espanha, se desenvolveu sob as influências do caminho a Santiago de Compostela.

Catedral de Santiago de Compostela

Catedral de Santiago de Compostela

O Românico espanhol alberga uma grande quantidade de edifícios religiosos espalhados, com a exceção da comunidade Andaluza, por todo o território peninsular. Quando se trata, porém, das construções catedralícias, um número bastante reduzido permaneceu incólume à passagem dos séculos. Vale ressaltar que muitas das igrejas góticas foram construídas sobre as bases da antiga construção românica. Um bom exemplo de um templo que permaneceu até nossos dias com sua fábrica original é a Catedral de Zamora, situada na comunidade de Castilla-León.

Torre da Catadral de Zamora

Torre da Catadral de Zamora

Durante o processo de reconquista cristã realizado na idade média, o repovoamento das áreas anteriormente dominadas pelos árabes tornou-se um aspecto fundamental. Em inumeráveis pueblos se edificaram igrejas românicas, e muitas delas permanecem  atualmente, para nosso deleite e contemplação.
O Românico Rural, como hoje é conhecido, forma parte da paisagem espanhola e são exemplos vivos de uma época que merece ser conhecida e valorizada.

Românico Rural- pueblo de Sepúlveda (Província de Segóvia)

Românico Rural – Pueblo de Sepúlveda (Província de Segóvia)

Como vocês irão perceber, sou um apaixonado pelo românico e espero transmitir toda a sua beleza, mistério e simplicidade nos próximos posts. Valeu!