Igreja de Santa Maria – Laguardia

O principal monumento de Laguardia é a Igreja de Santa Maria dos Reis, construída a partir do séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO estilo original é o Românico, que podemos apreciar em seu muro ocidental, em frente à torre abacial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo é conhecido no país graças ao espetacular pórtico gótico policromado que ainda conserva e que, por si só, vale uma visita à vila.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO pórtico foi realizado no séc. XIV e a policromia, no XVII. Construído em pedra, está composto por um típico arco apuntado gótico, formado por sua vez por 5 arquivoltas ricamente decoradas nas quais alternam-se figuras humanas (virgens, profetas,mártires, reis e anjos), com motivos vegetais. Nas laterais, observamos os apóstolos,que levam um livro ou entao objetos que lhe sao próprios e que servem de distinçao dos demais, como a chave de Sao Pedro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Parteluz, uma coluna que divide o pórtico em dois, está decorado com uma escultura da Virgem dos Reis segurando o menino Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs cenas esculpidas no tímpano representam episódios da vida da Virgem e de Jesus, como a Anunciaçao, a Visitaçao, a Adoraçao dos Reis Magos, etc. Na faixa superior, vemos a Coroaçao da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAo interior da igreja é igualmente belo. Abaixo, vemos uma visao geral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior foi esculpido no séc. XVII pelo artista Juan de Bascardó.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComo se pode constatar, em sua parte superior está representada a Crucificaçao de Cristo, enquanto na central vemos a uma representaçao da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outras imagens do templo.

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Românico no Vale de Arán

A riqueza artística depositada no Vale de Arán é um dos tesouros ocultos dos Pirineus. Seu legado cultural é completo, com exemplos de várias correntes estilísticas (românico, gótico, renascentista, etc) e também variado quanto à arquitetura, pintura e escultura, em pedra e madeira.

A paisagem está salpicada de belas igrejas, e o estilo românico é predominante, representando uma atração turística que transforma a região num museu de arte e história.

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Nos posts anteriores, vimos algumas destas igrejas, como a de Santa Maria em Arties, e a de San Miguel, em Vielha. Vejamos, agora, outros templos que se destacam no vale que, em conjunto, compõem a rota do Românico Aranês. Bem próximo à capital, Vielha, situa-se um povoado, que mais parece um bairro, tal a sua proximidade, que se chama Betren. Nele, podemos visitar duas igrejas do estilo.

Infelizmente, a de San Saturnino está em ruínas. Foi erguida entre os séc. XII/XIII, e sobrevive apenas a torre, do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muito melhor estado está a Igreja de Sant Esteve que, levantada entre os séc. XII e XIV, combina de forma harmoniosa os estilos românico e gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa cabeceira, vemos os ábsides poligonais e uma janela gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas partes mais importantes é a portada, com um rico conjunto escultórico em suas arquivoltas, bem como no tímpano, com uma representação da Virgem Maria e o menino Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo pueblo de Escunhau, também próximo à capital, a Igreja de San Pere se ergue solene no alto da vila.

DSC07471DSC07468Foi levantada nos séc. XI/XII, embora tenha sido reformada em séculos posteriores. De longe, se avista a torre campanário, do séc. XVII.

DSC07472O grande destaque do templo é sua maravilhosa portada, uma das mais belas e intrigantes do vale.

DSC07460Românica dos séc. XII/XIII, está composta de uma iconografia incomum, como se pode observar no friso superior. Em seus dois extremos, vemos duas cruzes gregas.

DSC07465Sua parte central está formada por um Crismón (anagrama que representa o nome de Cristo, em grego), acompanhado por duas imagens laterais que representam uma estrela de 8 pontas. Estes símbolos podem significar imagens solares ou inclusive o ciclo sol-lua, como indicativo do princípio e fim de tudo. Estão associados a monumentos funerários paleocristianos, visigodos e pré-românicos, e se relacionam também com a imortalidade da alma.

DSC07463Embaixo do friso, vemos uma imagem de Cristo crucificado, cuja figura aparece desproporcionada.

DSC07462Aparecem nos capitéis rostos humanos. Infelizmente, não se pode visitar o interior da igreja.

DSC07461Finalizamos a matéria no povoado de Gausac, em que podemos conhecer a Igreja de San Martin.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATrata-se de um dos melhores exemplos de arquitetura gótica do Vale de Arán. Não obstante, em seu interior apreciamos uma bela Pia Batismal românica (XII/XIII), que provavelmente fazia parte de uma anterior construção.

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No exterior, a torre fortificada gótica do séc XV/XVI chama a atenção, embelezando ainda mais a paisagem nevada do vale.

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Colegiata De Santa Maria – Toro (Parte 2)

Os templos medievais nao apresentam geralmente, nos dias de hoje, o aspecto com que foram inicialmente concebidos. A maioria das portadas góticas que sobreviveram, por ex., se apresentam com a pedra desnuda, sem a policromia original. Sua preservação se deve a um pórtico, claustro ou qualquer outra edificação que a isolasse das inclemências metereológicas. Foi o que aconteceu na Colegiata de Toro. A denominada Portada da Majestade é uma das poucas em território espanhol que conserva sua policromia de época gótica.

Seu excelente estado de conservação atual é resultado tanto do pórtico construído, quanto dos muros que foram levantados, originando uma capela no séc. XVII que ficou separada do templo principal. As restaurações efetuadas no final do século passado também contribuíram para que se mantivesse íntegra. Nestes trabalhos, foi recuperada a policromia original. Caso a parte foi a Virgem que preside o parteluz, onde se identificaram até 14 camadas de pintura, sendo que a que vemos atualmente corresponde a realizada no séc. XVI. Também durante as restaurações, descobriram uma inscrição, segundo a qual foi um tal de Domingo Pérez o pintor da estrutura, durante o reinado de Sancho IV.

Construída no séc. XIII, a Porta da Majestade possui um formato gótico, embora em seus detalhes esteja constituída por elementos do românico que o precede. A portada tem à Virgem como personagem principal.

No Tímpano, vemos a cena que representa a coroação de Maria por Cristo e em sua parte inferior, Maria está em seu leito de morte, rodeada pelos apóstolos e por dois anjos que levam sua alma.

O programa iconográfico contido na portada é riquíssimo. Está composta por 7 arquivoltas, cada qual representando imagens distintas. Partindo da arquivolta interior, de baixo para cima, a primeira representa anjos com incensários. Na segunda, reis e apóstolos. Na terceira, mártires. A quarta está constituída por personagens eclesiásticos. A quinta arquivolta recebe a santas da igreja e a sexta, reis músicos.

A mais importante porém, é a superior ou externa, em que representa um notável programa do Juízo Final, com cenas do Paraíso, do Inferno e do Purgatório, algo não habitual naquela época. Em sua parte central, vemos a Cristo e a seus lados, Maria e São João, além de 4 anjos com os atributos da paixão (coluna, clavos, cruz, lança e coroa de espinhos).

No costado deste grupo, se distribuem os justos e pecadores. Abaixo, vemos os primeiros.

Na imagem acima, observamos os justos sendo chamados pelo anjo que toca uma trompeta. Abaixo, os pecadores sendo levados por  figuras demoníacas.

Finalizando o conjunto de estátuas, vemos nas laterais, de uma lado, da esquerda para direita, a um Anjo, os profetas Isaías e Daniel e o rei Salomão.

Do outro lado, também da esquerda para a direita, o Rei David, talvez o profeta Jeremias, o profeta Ezequiel e o Arcanjo Gabriel.

Abaixo, um detalhe da portada.

Além dos relevos incluídos na Porta da Majestade, destacam outras 4 esculturas góticas, também policromadas, situadas nos pilares das naves. São elas:

O arcanjo Gabriel contém uma folha na qual se lê a saudação de Ave Maria. Em sua parte inferior, está representado o nascimento de Eva.

São João Evangelista, com motivos vegetais em sua parte inferior.

O apóstolo Santiago, que também aparece na parte inferior, entre duas figuras orantes.

Uma Virgem gestante carrega uma cinta na qual aparece uma abreviação da frase latina “Ecce Ancilla Domini”, que significa “Eis aqui a escrava do Senhor”. Em sua parte inferior está representado o pecado original. Feita aproximadamente no ano 1300, a policromia original é do séc. XVI.

Em relação à escultura funerária, existe um sarcófago junto a entrada da sacristia com um cavalheiro, do séc. XV.

Na capela maior, encontra-se o sarcófago das famílias Fonseca e Ulloas, esculpidos no séc. XVI.

Abaixo, vemos fotos da nave central e do órgão barroco.

A sacristia contém várias obras de arte, entre as quais um calvário renascentista feito de marfim de grande qualidade artística.

Nas fotos que seguem, vemos a parte interior do cimbório e vários retábulos que decoram o templo.

Finalizamos comentando que a Colegiata de Santa Maria vale, por si só, uma viagem á cidade de Toro. Porém, a vila surpreende por seus inúmeros lugares de interesse, como pudemos comprovar nesta série de publicaçoes dedicadas a ela.

Igreja de Santa María de Eunate – Navarra

Localizada próxima à Puente la Reina, mais precisamente no município de Muruzábal, e isolada no campo, a igreja românica de Santa Maria de Eunate tem atraído, ao longo dos tempos, a curiosidade humana pelos mistérios que a cercam.

Construída provavelmente na segunda metade do séc. XII, possui uma peculiar silueta poligonal, e está rodeada por uma arquería octogonal exterior, que cumpre a função de claustro.

Em relação às suas origens, poucos são os dados concretos disponíveis que, aliados à sua singular arquitetura, fez surgir uma série de lendas e teorias sobre sua função e construçao. O monumento é uma das construções românicas mais conhecidas da península, sendo local obrigatório de visita para peregrinos, amantes da arte medieval e esotéricos.

Carente de comprovação, uma tradição secular e constante atribui sua construção à Ordem Templária, por seu formato poligonal, tão característico desta ordem militar. Outra versão, mais respaldada na realidade, vincula o templo à Ordem dos Cavalheiros Hospitalários de San Juan, cuja presença na rota jacobea está mais que documentada.

A igreja situa-se num ponto estratégico do Caminho à Santiago, em que se unem as duas vias do denominado caminho francês.

A igreja que mais se assemelha a Santa Maria de Eunate é a também poligonal igreja de Torres del Rio, igualmente situada em Navarra, mas que não apresenta a arquería exterior daquela, cujo nome em euskera é uma referência deste característico elemento, e que significa “cem portas”.

O que não há dúvidas, é que a igreja cumpria a funçao de cemitério de peregrinos, graças aos enterramentos encontrados com a concha, símbolo maior daqueles que realizam a rota de peregrinação. Desta forma, o templo pode ser uma construção funerária, relacionado com um complexo hospitalar de assistência ao peregrino.

Parece ser que também funcionava como um farol de orientaçao para os caminhantes, através de uma espécie de lanterna localizada na torre, dentro da qual se mantinha aceso o fogo que servia de ponto de referência para o peregrino.

A igreja possui planta octogonal, em cujos lados se abre uma cabeceira absidial semicircular. Todo seu perímetro está cercado pela arquería, também octogonal, mas ligeiramente irregular, ao ter os lados situados a leste um pouco mais alargados. Os muros do templo principal estão formados por arcos de descarga apontados, alguns dos quais se abrem pequenas janelas. A portada principal, localizada no lado norte, está composta por arquivoltas, suportadas por dois pares de colunas. A exterior é a mais interessante, pois está decorada com figuras humanas e de animais. Outros capitéis possuem temática vegetal.

No interior, a sensação de sacralidade é potencializada pela própria disposição da estrutura, que faz com que o olhar se dirija inicialmente ao àbside e depois à cúpula.

A cúpula denota uma influência muçulmana, própria do sincretismo cultural que caracteriza o Caminho de Santiago.

Dentro visualizamos também uma cópia de uma imagem românica da Virgem de Eunate, cuja original do séc. XIII foi roubada anos atrás.