Os 12 Tesouros de Espanha

Logo depois da realização da enquete mundial que estabeleceu as sete maravilhas do mundo moderno, foi realizado na Espanha um concurso nacional para se escolher os 12 tesouros do país. Promovido pelo canal de TV Antena 3 e a estação de rádio Cope, mais de 9 mil candidatos foram inscritos. A eleição baseou-se no voto popular, feito tanto pela internet, quanto pelo celular. Em dezembro de 2007 foi divulgada a lista com os monumentos vencedores, incluindo aqueles que se destacam pela  importância e monumentalidade arquitetônica, quanto pela beleza de suas paisagens naturais. Abaixo, vemos a lista dos ganhadores, e entre parenteses, a data em que foi publicada alguma matéria do blog relacionada com o monumento.

1) Alhambra de Granada: Comunidade de Andaluzia (post publicado em 30/11/2012). Granada foi o último reduto muçulmano da Espanha, sendo conquistada pelos Reis Católicos em 1492, e a Alhambra é seu monumento mais representativo. Trata-se de um impressionante conjunto palacial e fortaleza, residência da corte e dos monarcas da Dinastia Nazarí. Um dos lugares mais visitados do país, sua decoração interior é um dos expoentes máximos da Arte Hispano-Muçulmana.  Junto com o Generalife (palácio de verão da corte nazarí) e o bairro de Albaicín, também situados na cidade, a Alhambra foi declarada pela Unesco Patrimônio da Humanidade em 1984.

DSC00466DSC004822) Mesquita-Catedral de Córdoba: Comunidade de Andaluzia (post publicado em 23/11/2012). Principal mesquita do mundo ocidental, foi construída a partir do séc. VIII no local onde anteriormente se situava a basílica visigoda de San Vicente. Com a reconquista da cidade pelos cristãos, uma parte do enorme recinto da mesquita foi transformado na Catedral da Assunção de Nossa Senhora. Declarada Patrimônio da Humanidade em 1984, junto com o centro histórico da cidade de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADSC004093) Catedral de Sevilha: Comunidade da Andaluzia (post publicado em 11/12/2012). A Catedral de Santa Maria de Sevilha é considerada a maior catedral gótica da cristiandade. Construída sobre a antiga mesquita muçulmana, um de seus destaques é a Giralda, antigo minarete da mesquita que foi convertido em torre campanário. Declarada Patrimônio da Humanidade em 1987, junto com o Real Alcázar e o Arquivo Geral das Índias.

DSC00229OLYMPUS DIGITAL CAMERA4) Teatro Romano de Mérida: Comunidade de Extremadura (post publicado em 19/3/2012). Construído pelo cônsul Agripa (16/15 aC) na antiga capital da província romana de Lusitânia, Emérita Augusta. A cidade destaca-se pela importância de seus inúmeros vestígios arqueológicos do período romano, especialmente seu teatro, um dos mais conservados do mundo. O conjunto arqueológico de Mérida foi declarado Patrimônio da Humanidade em 1993.

DSC02185DSC021975) Catedral de Santiago de Compostela: Comunidade da Galícia (post publicado em 15/5/2012). Depositária dos restos do apóstolo Santiago, é o ponto final da mais importante rota de peregrinação da Europa, o Caminho de Santiago. Um dos principais templos românicos do continente, sua construção iniciou-se no séc. XI e integra o conjunto de monumentos espanhóis declarados Patrimônio da Humanidade desde 1985.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA6) Caverna de Altamira: Comunidade da Cantábria (post publicado em 16/4/2012). Situada próxima à belíssima cidade de Santillana del Mar, esta caverna contém um dos exemplares mais importantes do mundo em relação à Arte Pré-histórica (paleolítico). Considerada a Capela Sixtina da Arte Rupestre, seu enorme conjunto de imagens pictóricas destaca-se pelo realismo das figuras representadas, como animais e seres humanos. Descoberta acidentalmente em 1868 por um caçador, atualmente sua visita pública é restrita. Para tanto, foi construído o Museu de Altamira, com uma réplica exata da gruta original. Declarada Patrimônio da Humanidade em 1985.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos os 6 monumentos restantes…não percam!!!!.

Arévalo – Cidade Mudéjar

A Arquitetura Mudéjar é, indiscutivelmente, uma das características mais marcantes da cidade de Arévalo. Designamos Arte Mudéjar, especialmente no campo arquitetônico, a um estilo próprio da Península Ibérica desenvolvida nos Reinos Cristãos entre os séculos XII e XVI. O estilo distingue-se pela combinação das correntes artísticas européias da época (Românico e Gótico, principalmente) com os elementos da denominada tradição Hispano-Muçulmana. Seu surgimento foi possibilitado graças à convivência cultural entre povos de origens diversas na Espanha Medieval. O termo Mudéjar se refere à população muçulmana que permaneceu na península durante o Processo de Reconquista. Hábeis construtores, utilizavam para a construção de edifícios, normalmente de função religiosa, um material abundante e barato, o tijolo. Dois deles podem ser vistos na Praça Da Vila de Arévalo, por si só, uma verdadeira preciosidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça, historicamente falando, sempre representou o centro da localidade. Trata-se de uma típica praça castelhana porticada, cuja excelente conservação lhe valeu o título de Conjunto Histórico-Artístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela, podemos apreciar exemplos da arquitetura popular medieval. As galerias que cumprem a função de suporte das construções estão formadas por 31 colunas de pedra e 25 de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm cada um de seus extremos, o espaço está delimitado pelas torres mudéjares das Igrejas de Santa Maria e San Martín.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santa Maria La Mayor é uma clara amostra do estilo mudéjar. Construída entre os séc. XII/XIII, nela destacam-se o ábside semicircular e a torre, a mais alta da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte inferior da torre está composta pelo Arco de Santa Maria, um dos principais acessos a esta belíssima praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o processo de restauração do templo, foram encontrados em seu interior restos policromados de Pintura Mural da época em que a igreja foi erguida. A cena retrata uma imagem muito representada durante o período Românico, o denominado Pantocrátor ou Cristo em majestade. Com a mão direita e os dois dedos levantados (significando sua dupla natureza, divina e humana), Cristo bendiz a humanidade, enquanto a esquerda segura uma esfera, símbolo do universo. Ao seu lado, nos quatro ângulos da composição, vemos a representação simbólica dos quatro Apóstolos Evangelistas, denominados Tetramorfos. São eles: São João/Águia, São Marcos/Leão, São Mateus/Homem com Asas e São Lucas/Boi

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Martín foi construída em 1250, e se caracteriza por uma mistura estilística que engloba o românico, o mudéjar e o renascimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi reformada nas etapas renascentista e barroca, quando perdeu seu ábside original. Ela é conhecida também pelo nome  “Torres Gêmeas”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem acima, vemos o átrio românico que ainda se conserva, com os característicos Arcos de Meio Ponto. No séc. XX, foi usada como depósito de grãos e logo abandonada. Em 1931, a Igreja de San Martín foi declarada Monumento Nacional e realizou-se um intenso processo de restauração. Atualmente, não realiza cultos, como a Igreja de Santa Maria, e seu espaço interno está dedicado a eventos culturais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de finalizar o post, convém salientar que Arévalo sediou recentemente a décima oitava edição da Exposição “As Idades do Homem”. Estas exposições possuem um caráter itinerante e são organizada por uma fundação de caráter religioso, cujo objetivo é a divulgação da riquíssima Arte Sacra da Comunidade de Castilla y León. Na presente edição, a temática abordada foi o Credo.  Iniciada em 1988, a Exposição “Idades do Homem” repercute positivamente em todas as cidades sedes escolhidas, e com Arévalo não foi diferente, tal a quantidade de visitantes que a cidade recebeu durante o evento.

Alhambra de Granada

A Alhambra de Granada é, merecidamente, o monumento mais visitado de Espanha. Seu valor histórico, aliado às maravilhosas dependências que integram o conjunto a converteram num símbolo da arte e arquitetura hispano-muçulmana. Por isso, em 1984 foi declarado, junto com o Generalife, Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Representam o exemplo mais notável da lúdica vida palaciana que desfrutava o reino muçulmano nestas terras durante seu período de máximo esplendor, correspondente à dinastia  nazarí, a última dinastia árabe que reinou na Espanha. Foram testemunhos ao longo dos séculos da grandeza da cultura árabe, e também presenciaram a queda dos últimos territórios do império muçulmano através da conquista da cidade pelos Reis Católicos.

Na verdade, trata-se de um rico conjunto de palácios e fortaleza, residência dos reis da dinastia nazarís, e sede da corte do Reino de Granada. O recinto está cercado por muralhas, que ocupam a maior parte da colina de Assabica, situada na margem esquerda do rio Darro.

A Alhambra exibe os elementos da arquitetura islâmica mais conhecidos do país e com as ampliações realizadas pelos reis cristãos no séc. XVI e outras reformas posteriores, constituem o magnífico cenário que podemos contemplar atualmente. Uma das melhores vistas são aquelas que se obtém a partir dos mirantes situados no magnífico bairro de Albaicín.

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Etmologicamente, o termo Alhambra significa fortaleza vermelha, em referência à cor dos tijolos de taipas utilizados na construção das muralhas exteriores. Outra hipótese é que durante a construção, também se trabalhava de noite e as tochas iluminadas lhe conferiam a coloração avermelhada, vistas de longe.

A cidade de Granada possuía seu próprio sistema defensivo. Desta forma, o complexo da Alhambra funcionava de maneira independente em relação à cidade. No princípio, era um dos inúmeros castelos dos emires de Córdoba no séc. IX.

A maior parte do conjunto foi levantado entre 1248/1354, sendo que o primeiro núcleo do palácio se deve a Aben Alhammar, que estabeleceu no local sua residência. Seu filho, Mohamed II, fortificou o complexo. Porém, foi Ismael Yusuf I, o mais ativo de seus construtores, e Mohamed V, os principais impulsores da maior parte das edificações da Alhambra, ao longo do séc. XIV. A Alcazaba constituía a zona militar e centro de defesa e vigilância do recinto. É considerada a parte mais antiga, pois sua primeira edificação data do séc. XI, quando Granada converteu-se na capital de um dos chamados Reinos de Taifas.

Granada3O recinto amuralhado está formado por um polígono irregular, adaptado às condições do terreno, de 2.200m de perímetro. Está composto por 36 torres e 5 portas de acesso, uma das quais vemos abaixo.

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O conjunto está estruturado em duas partes bem definidas. A inexpugnável Alcazaba e no centro a chamada casa real, formados pelo Palácio de Comares e o Palácio dos Leões, ambos erguidos no séc. XIV, como sede administrativa e real.

Veremos agora algumas de suas principais dependências. O Palácio de Comares está formado pela torre do mesmo nome, a mais alta de todo o conjunto, com 45m de altura, e o Pátio dos Arrayanes, cuja imagem vemos abaixo.

DSC00480Ocupando o espaço da torre, o denominado Salão de Comares, ou dos Embaixadores, representa a estância mais ampla do palácio.

DSC00478Construído pelo sultão Yusuf I e seu filho Mohamed V, nele se celebravam as audiências privadas do sultão. Originalmente, seu solo era de mármore, atualmente é de barro. Cada centímetro de suas paredes estão revestidos com elementos decorativos alusivos ao sultão, ao Corao e a Alá. Escritos em árabe clássico, existem mais de 10 mil inscrições na Alhambra, a maior parte delas podemos admirar neste salão.

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Em sua época, era uma das salas mais suntuosas do mundo islâmico. Seu teto, de formato cúbico, está repleto de estrelas que representam os 7 céus da cultura islâmica, e revela a clara intenção de legitimar o soberano como o representante de Deus na terra. No centro do espaço situava-se o trono do sultão, razão pela qual é conhecida também como Salão do Trono.

O Pátio dos Leões é uma das imagens mais conhecidas de toda a Alhambra. Quando estive lá, a fonte composta pelos animais que dão nome ao local estava sendo restaurada e não pude vê-la. Atualmente, o trabalho está concluído, e se pode admirar em toda sua plenitude. Representam uma alegoria ao poder do sultão e foi esculpida a partir de 1377 e finalizada 13 anos depois. Abaixo, uma imagem da bela estrutura que constitui o palácio.

DSC00482A Sala dos Abencerrajes era a alcova do sultão, composta por muros totalmente decorados.

DSC00481Porém, um dos locais de maior riqueza decorativa é o mirante de Daraxa.

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O denominado Portal fazia parte da residência do sultão Yusuf III.

DSC00466Em 1492, com a conquista de Granada pelos Reis Católicos, o último reduto árabe da península, a Alhambra se transforma num Palácio Cristão. Em 1527, o rei Carlos V constrói um palácio renascentista, que apresenta um grande contraste com as demais construções islâmicas.

Granada4Granada5A seguir, algumas imagens que ilustram a beleza da Alhambra.

DSC00473DSC00477Granada13Granada9Localizado na parte norte do complexo, o Generalife é uma vila ajardinada utilizada pelos reis muçulmanos como local de retiro e descanso. Foi construído durante os séc. XII e XIV.

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A Alhambra tem estado presente na cultura popular de várias formas. Muitos livros utilizaram seu ambiente como fonte de inspiração para sua narrativa. Um dos mais conhecidos foi escrito por Washington Irvine, intitulado Contos da Alhambra. O mesmo sucedeu na música. Manuel Fala, por ex., em sua obra Noite nos Jardins de Espanha, inspirou-se no Generalife. Em 2006, a cantora Lorena Mckennitt deu um concerto no palácio de Carlos V, que podemos ouvir no DVD  Nights from the Alhambra.

O acesso ao conjunto está limitado por uma determinada quantidade de visitas diárias. Por isso, se recomenda comprar os bilhetes de entrada via Internet com bastante antecedência

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Mesquita-Catedral de Córdoba

Este post está dedicado a um dos monumentos mais extraordinários que a arte hispano-muçulmana produziu no país. A Mesquita de Córdoba, posterior Catedral da Asunçao de Nossa Senhora, é considerada o monumento islâmico mais importante do ocidente. Declarada, juntamente com o centro histórico da cidade, Patrimônio da Humanidade, faz parte também da lista dos 12 tesouros do território espanhol.

O lugar que ocupa a Mesquita-Catedral foi, durante séculos, um local de culto de diferentes divindades. Durante a época visigoda se construiu a Basílica de San Vicente, que foi utilizada tanto por cristãos quanto por árabes. Escavações arqueológicas demonstraram a existência de um complexo episcopal que pode datar-se dos séc. IV e V dC. Ali se encontram os restos da antiga basílica.

Com o aumento da população muçulmana, a basílica foi adquirida por Abderraman I, o primeiro Emir da dinastia dos Omeya, que a destruiu para a edificação da mesquita. Um fato singular desta primeira mesquita é que está orientada ao sul, e não à Meca como seria o habitual. Esta circunstancia pode ser explicada de várias formas, e parece provável que os terrenos arenosos do rio Guadalquivir impossibilitavam uma orientação ortodoxa à cidade sagrada.

Um elemento novo relacionado à arquitetura foi a utilização dos denominados arcos de ferradura procedentes da arte visigoda, e que o islã adotou como símbolo de sua arquitetura.

Sua construção iniciou-se no ano 786 dC e com 23.400 metros quadradas é uma das maiores do mundo. Durante sua história, foram realizadas 3 grandes ampliações.

A primeira ocorreu durante o reinado de Abderraman II (821/852 dC), que ampliou a denominada sala de oração. Sob o governo de Abderraman III (séc. X), Córdoba se converte na capital do maior e mais influente reino islâmico do ocidente. Proclamado califa, construiu o primeiro minarete no continente europeu e ampliou o pátio dos naranjos. A última reforma foi realizada a finais do mesmo século, graças às intervenções feitas por Almanzor.

Nada mais entrar no interior, um imenso bosque de colunas de mármore, jaspe e granito recebe o extasiado visitante. A alternância de pedra e tijolo lhe confere sua singular bicromia.

O Mihrab, local sagrado de uma mesquita, é uma jóia feita de mármore e mosaicos bizantinos, decorados sobre um fundo de ouro e bronze, além de cobre e prata.

Abaixo vemos a suntuosa cúpula do Mihrab, belíssimamente decorada.

Em 1238, depois da reconquista crista, a mesquita foi convertida em catedral católica, e em 1523 se iniciou a construção de um templo renascentista no centro da mesquita muçulmana, durante o governo do rei Carlos V.

Apesar de terem respeitado as ampliações feitas anteriormente, se alterou o aspecto que tinha originalmente. Um comentário feito pelo próprio monarca 3 anos depois é significativo:

“Destruímos uma maravilha única no mundo, e colocamos em seu lugar algo que podemos ver em qualquer lugar…”.

Na foto que segue, uma imagem da torre campanário, cujo minarete construído por Abderraman II encontra-se em seu interior.

Podemos admirar atualmente um resumo histórico da arquitetura omeya de Espanha, além dos estilos gótico, renascentista e barroco da Catedral católica. A Mesquita-Catedral de Córdoba é um símbolo da fusão cultural, que durante quase 800 anos, marcou a história do pais, e junto com a Alhambra de Granada, é o expoente máximo da arquitetura de Al Andaluz.