Catedral de S.Compostela: O Mestre Mateo

Esta última matéria sobre a Catedral de Santiago de Compostela está dedicada a um de seus maiores artífices, um dos grandes artistas de toda a Arte Medieval Européia, o Mestre Mateo. Quem alguma vez teve o privilégio de contemplar sua obra máxima, o chamado Pórtico da Glória, situado na entrada da catedral, pôde constatar sua beleza inigualável e a imensa influência que exerceu ao longo dos séculos. Devido ao processo de deterioração que se produziu durante os 8 séculos de sua existência, o conjunto está sendo restaurado desde já alguns anos, motivo pelo qual poderemos admirá-lo somente ao final da reforma, que está a ponto de finalizar. De qualquer forma, atualmente existem exposições sobre o trabalho do Mestre Mateo no Museu da Catedral e também no vizinho Palácio de Gelmírez, que possibilitam compreender melhor a obra do grande mestre e o trabalho de restauraçao que está sendo desenvolvido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Catedralício complementa a visita do templo maior compostelano, motivo pelo qual vale a pena conhecê-lo. Possui um excepcional conjunto de escultura e pintura de várias épocas, além de restos arqueológicos encontrados na catedral, mas infelizmente nao se pode fotografar. Abaixo, vemos uma foto exterior do museu, situado em frente à Plaza del Obradoiro, ao lado da bela fachada barroca da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo balcão, situado em seu nível superior, as vistas da praça são impressionantes, bem como das casas do Centro Histórico de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o lento processo construtivo da Catedral Românica, em 1168 o Rei Fernando II encarregou o Mestre Mateo com a incumbência de finalizar as obras de suas naves. Além do mais, construiu uma cripta para salvar o desnível da catedral com a Plaza del Obradoiro, sobre a qual ergueu o maravilhoso Pórtico da Glória, concluído em 1211, quando se realizou a consagração da catedral. Considerado um dos expoentes maiores da Arte Românica de finais do século XII e começo do XIII, suas inovaçoes arquitetônicas, escultóricas e iconográficas anunciam, com o naturalismo de seus personagens, o novo estilo que estava surgindo na França, o Gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO imenso pórtico possui três grandes arcos de meio ponto (semicirculares), correspondentes a cada uma das naves da catedral, e sua iconografia está baseada no Livro do Apocalipse. No Arco Central, aquele que desperta maior atenção por seu tamanho e características, aparece a figura de Cristo em Majestade, rodeado pelos símbolos dos 4 Evangelistas. O arco está dividido por uma coluna, denominada Parteluz, com uma grande riqueza escultórica. Está presidida pelo Apóstolo Santiago, titular do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEmbaixo da imagem do santo, vemos a Árvore de Jessé, que representa a genealogia humana de Cristo, por primeira vez representada na Arte Românica da Península Ibérica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte inferior do Parteluz, o Mestre Mateo se autorepresenta, dedicando sua obra ao Apóstolo Santiago. Uma inscrição possibilita  sua identificação, na qual está escrito “Architectus”. Esta escultura é também conhecida como o “Santo dos Croques“, devido a uma antiga tradição em que os estudantes da cidade golpeavam sua cabeça para adquirir sabedoria. Posteriormente, este gesto foi incorporado pelos peregrinos ao entrar na catedral, mas foi proibido para que a imagem não fosse prejudicada em sua estrutura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstátuas construídas a modo de colunas decoram o Pórtico da Glória, com personagens do Antigo e do Novo Testamento, como as que vemos abaixo, onde aparecem os chamados Profetas Maiores. Da esquerda para a direita, vemos Jeremías, Daniel, Isaías e Moisés. O naturalismo dos personagens, que observamos no sorriso de Daniel, constituem uma das principais inovações artísticas do Mestre Mateo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente as imagens estavam policromadas, para proporcionar um maior realismo. Ao ficarem expostas à humidade durante séculos, pois o Pórtico da Glória somente ficou protegido no século XVI, o colorido sofreu um grande desgaste. As figuras foram pintadas, total ou parcialmente, em várias ocasiões, e um dos objetivos do processo atual de restauração é devolver sua policromia. Abaixo, vemos a cabeça de um dos personagens representados…

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém no Arco Central, vemos a representação dos 24 anciãos do Apocalipse, cada qual com seu instrumento musical. Esta cena, comum na Arte Românica, tornou possível o conhecimento dos instrumentos utilizados na época, e hoje em dia podemos assistir concertos de música antiga realizado somente com instrumentos medievais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Mestre Mateo também realizou um excepcional coro feito de granito, que esteve na nave central da catedral até 1603, quando foi substituído por um coro de madeira. Em 1945, este coro foi levado ao Monastério de San Martín Pinario, que vimos recentemente no blog. Felizmente, podemos apreciar o coro pétreo, pois foi reconstruído no Museu da Catedral. Mais uma vez lamento a proibição das fotografias no local. Por este motivo, tirei uma foto de um livro, que está longe de fazer jus à beleza do coro, mas que pelo menos nos dá uma pequena idéia de sua grandiosidade e qualidade artística.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de derrubado, parte de suas peças foram reutilizadas em outras partes da catedral, principalmente em suas fachadas exteriores, como vimos nas matérias anteriores. A biografia do Mestre Mateo continua sendo um enigma. A fama que alcançou em vida e a transcendência de sua obra fizeram com que os estudiosos procurem documentar sua formação e aprofundar no conhecimento de seu trabalho. Abaixo, vemos uma cabeça masculina, provavelmente um personagem bíblico que fazia parte de uma estátua-coluna realizada pelo Mestre Mateo e seus indispensáveis colaboradores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs fotos da presente matéria foram tiradas em 2012, durante minha primeira visita à Catedral de Santiago, quando ainda podíamos ver em parte o Pórtico da Glória, cuja restauração estava iniciando-se. Outras foram realizadas em minha última viagem de 2018, que foram complementadas com imagens das exposições que podemos ver atualmente sobre o Mestre Mateo e também de livros de arte sobre a catedral. Recomendo que assistam o vídeo abaixo, onde podemos ver o Pórtico da Glória e seu processo de reabilitação.

Interior da Catedral de Santiago de Compostela

Nas duas primeiras matérias sobre a Catedral de Santiago de Compostela comentei um pouco sobre sua história, arquitetura, fachadas externas e o claustro. No post de hoje, veremos os espaços mais emblemáticos de seu interior, como algumas de suas inúmeras capelas, iniciando pela Capela do Sancti Spiritus, que possui um belo retábulo barroco com a Virgem da Solidão (Virgen de la Soledad, em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Capela de Mondragón foi fundada pelo canônigo Juan de Mondragón em 1521, estando decorada com um precioso conjunto escultórico de terracota que representa a lamentação do falecimento de Cristo, realizado por Miguel Perrín em 1526.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de la Comunión foi realizada no estilo neoclássico, com um retábulo do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das capelas existentes pertencem à época românica, quando se construiu a catedral. Abaixo, vemos a porta de uma delas, chamada da Corticela, ornamentada com uma cena da Epifania, de mediados do século XII, e realizada pelo atelier do Mestre Mateo. No centro, vemos uma imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Santiago de Compostela possui dois belíssimos órgãos barrocos, um de frente para o outro, fabricados no início do século XVIII. Foram colocados no meio da nave central.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela Maior, originalmente românica, foi reformada no período barroco por Domingo de Andrade. Está formada por um baldaquino, uma estrutura formada por 4 colunas, que alberga o altar situado sobre o Sepulcro do Apóstolo Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO altar está presidido por uma imagem do Apóstolo Santiago, de pedra policromada e vestido como peregrino, pertencente ao século XIII. Uma escada na parte posterior permite que, finalmente, os peregrinos se aproximem à imagem do santo e realizem um emotivo abraço, dando por concluída a peregrinação do Caminho de Santiago. Apesar de  ter realizado apenas de forma parcial o caminho, fiz questão de realizar o gesto, e a emoção que senti não pode ser descrita com palavras…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADebaixo do altar encontra-se a cripta com o Sepulcro do Apóstolo Santiago, um dos locais mais sagrados do cristianismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA urna de prata que guarda os restos do santo foi inspirada na Arte Românica, sendo fabricada por artesãos da cidade em 1885.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral possui um Panteão Real onde se guardam diversas sepulturas de monarcas espanhóis, como os leoneses Fernando II ( 1137/1188) e Alfonso IX (1171/1230). Infelizmente, nao tive ocasião de vê-los. No entanto, pude contemplar o singelo sepulcro de Teodomiro, Bispo de Iria Flávia considerado o descobridor da tumba do Apóstolo Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uns dos vitrais do interior da igreja….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos o post com a parte interna da Porta Santa que, como dissemos anteriormente, se abre apenas nos Anos Santos, quando as festividades em honra ao Apóstolo de Santiago (25 de julho) caem num domingo. Como elemento decorativo, destacam as figuras que integravam o coro pétreo original, realizado pelo Mestre Mateo em 1200. Na parte superior, uma cruz com inscrições referentes à consagração da catedral. A porta de bronze foi realizada no século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO próximo post estará dedicado a uma das grandes atrações da Catedral de Santiago de Compostela, o Botafumeiro

Igreja de San Nicolás – Portomarín

O Estilo Românico, considerado o primeiro estilo artístico europeu, desenvolveu-se entre os séculos XI e XIII por todo o continente de forma simultânea. Apesar de apresentar características comuns, existem pequenas particularidades dependendo de cada país. Na Espanha se conservam centenas de igrejas românicas que podemos admirar, principalmente entre o centro e norte do país. Uma das principais vias de penetraçao desta corrente artística na Península Ibérica foi justamente o Caminho de Santiago. Por este motivo, se diz de forma apropriada que “A Europa se fez caminhando…”. Um excelente amostra do estilo podemos encontrar no povoado de Portomarín (Comunidade da Galícia), a Igreja de San Nicolás, também chamada de Igreja de San Juan.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste templo foi construído provavelmente no final do século XII e começo do XIII, e destaca-se por seu aspecto de fortaleza militar. Ergue-se na principal praça do povoado, estando considerada como uma das principais atrações do Caminho de Santiago na Galícia. No entanto, a igreja nem sempre esteve situada neste local, pois foi desmontada e reconstruída na praça depois da construção do Embalse de Belesar em 1963, que inundou o antigo povoado de Portomarín.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Nos muros da igreja podemos observar a numeração das pedras, algo essencial no processo de sua reconstrução, para que cada bloco de pedra estivesse em seu lugar correspondente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém vemos nos muros exteriores da igreja curiosos símbolos talhados na pedra, as denominadas Marcas de Canteros, uma espécie de assinatura dos trabalhadores que construíram a igreja. Cada qual possuía seu próprio símbolo, podendo desta forma cobrar pelo trabalho realizado. Estas marcas são comuns na Arquitetura Românica

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Nicolás de Portomarín destaca-se por sua riqueza escultórica, visível em suas 3 portas de acesso. No tímpano da fachada principal vemos a cena da Anunciação, com o Arcanjo São Gabriel comunicando à Virgem Maria seu destino como a mae de Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as esculturas realizadas em um dos capitéis da porta…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais contribuições da Arte Românica foi a recuperação da escultura como forma artística , depois de um longo intervalo em que permaneceu desaparecida, entre a queda do Império Romano no século V e o início do Estilo Românico. Abaixo, vemos outra das portas da igreja e sua decoração escultórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Estilo Românico, a escultura está intimamente ligada aos elementos arquitetônicos, outra de suas características, sendo que as cenas representadas possuem um acentuado significado simbólico e religioso, além de moral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem acima vemos no tímpano a Cristo dentro de uma mandorla, aspecto que evidencia sua natureza divina. Na parte superior, a representação dos 24 personagens do Apocalipse com seus respectivos instrumentos musicais, que faz parte do relato do Juízo Final, descrito pelo Apóstolo João. Na parte traseira do templo, situa-se o imponente ábside semicircular que conforma a estrutura da igreja, junto com um cruzeiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASímbolos da devoção popular, os cruzeiros constituem uma presença constante em todos os lugares da comunidade. Se estima em 12 mil os cruzeiros existentes somente na Galícia. Situados junto a igrejas e em lugares estratégicos nos diversos caminhos, protegem os viajantes e peregrinos. O denominado Cruzeiro de San Nicolás, que vemos acima, é um exemplo raro na comunidade, por suas esculturas de Cristo crucificado presente nos dois lados. A seguir, vemos a roseta, um vitral de formato circular, que apesar de estar relacionado à arquitetura gótica, já existia na etapa românica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma outra imagem da igreja, e uma parte da Casa do Conselho de Portomarín, a sede da Prefeitura do povoado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de visitar Portomarín, fomos a Lugo, cidade que tinha visitado no ano passado e que foi tema de várias matérias publicadas entre 13/11 e 27/11/2017. Meus amigos Marcelo e Cristina puderam conhecer sua excepcional muralha romana, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, e sua bela catedral.

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Igrejas Românicas: Ávila (Parte 2)

Prosseguindo com a matéria sobre as Igrejas Românicas de Ávila, hoje veremos outros templos existentes na cidade que foram construídos neste estilo. A Igreja de Santiago é uma delas. Sua localização, fora das muralhas e num nível mais baixo em relação a elas, é perfeita para se tirar boas fotos do templo e do espaço que a circunda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de ter sido construída durante o período românico, foi reformada nos séculos XIV e XVI, alterando seu aspecto original. Á primeira vista, destaca sua torre, de elevada altura e formato octogonal, caso único nas igrejas da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADevido às reformas e ampliações realizadas, o estilo predominante é o gótico em sua fase final. Segundo a tradição, neste templo se reuniam os cavalheiros da Ordem de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa porta que vemos acima, observamos uma abundante decoração com o símbolo principal associado ao Apóstolo Santiago, as c0nchasOLYMPUS DIGITAL CAMERAExiste outra porta de acesso à igreja, edificada segundo os ditames da Arquitetura Românica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte central de uma das arquivoltas que compõem o arco, vemos um dos elementos mais comuns relacionados com a Arte Românica, o Crismón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Crismón é a representação ou monograma de Cristo no idioma grego, composto pelas duas primeiras letras do seu nome nesta língua, o X e o P. Em muitas ocasiões, aparece acompanhado das letras alfa e ômega, a primeira e a última letra do alfabeto grego, relacionando Cristo como a origem e o fim de todas as coisas, caso do Crismón acima. Vemos ambas letras nas partes laterais. O românico é uma arte essencialmente simbólica, e o Crismón uma de suas representações mais comuns. A Igreja de Santiago foi declarada Bem de Interesse Cultural (BIC) em 1983. Também de origem românica é a Igreja de San Martín, que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar das reformas realizadas nos séculos XVI e XVIII, conserva uma belíssima torre construída no estilo mudéjar, provavelmente do século XIV. Em sua parte inferior foi utilizado o granito, e no resto da estrutura o tijolo, o material construtivo predominante deste estilo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERABem próxima, se localiza a Igreja de Santa María de la Cabeza. Aparece documentada por primeira vez em 1258, sendo que sua construção data desta época, no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente dedicada a San Bartolomé, nesta igreja se encontrava o primeiro cemitério da cidade, do século XIX. Conserva sua cabeçeira com os três ábsides de estilo românico. Abaixo, vemos uma porta decorada com a imagem de Santa María de la Cabeza e um Crismón, situado abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs elementos mudéjares encontrados também neste templo se explicam porque, da mesma forma que a Igreja de San Martín, está situada num bairro onde antigamente vivia uma grande concentração de população mourisca. Em 1708 se colocou a Espadaña, que atualmente transformou-se na residência da fauna urbana…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa mesma época se construiu uma outra porta de acesso ao templo…

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Praça Espanha de Barcelona

Uma das mais movimentadas praças de Barcelona, a Praça de Espanha possui um formato circular, inspirado na Praça de Sao Pedro, no Vaticano. Tanto este conjunto monumental, quanto muitos dos principais edifícios que a rodeam, foram construídos para a Exposiçao Internacional que realizou-se na cidade, em 1929. Com 34 mil metros  quadrados, é a segunda maior com esta denominaçao do país, superada somente pela praça homônima de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem acima, vemos uma panorâmica da praça, com destaque para as duas torres, denominadas Venezianas, pois foram construídas segundo o modelo das torres existentes na Praça de Sao Marcos, em Veneza. As torres foram erguidas graças ao projeto do arquiteto Ramon Reventós. Também vemos na foto, a antiga Praça de Touros Arenas, construída no estilo neomudéjar, pelo arquiteto August Font i Carreras. Com capacidade para 15 mil espectadores, converteu-se numa das melhores de toda Espanha. Inaugurada em 1900, substituiu a anterior, que havía ficado pequena, ante a popularidade que as touradas alcançaram na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil, a Praça de Touros transformou-se em quartel do exército republicano. A última tourada realizada ocorreu em 1977, e a partir de entao, decidiu-se adaptá-la ao uso comercial. Em 2011, inaugurou-se o Centro Comercial Las Arenas, em cuja parte superior podemos provar pratos típicos da Catalunha em seus inúmeros restaurantes, além de admirar a bela vista que oferece de toda a zona da Praça de Espanha.

DSC07408DSC07411Do outro lado da praça, vemos o Mnac, o Museu Nacional de Arte da Catalunha, cuja sede principal encontra-se no Palácio Nacional, situado na Montanha de Montjuic.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo eclético, combina elementos clássicos, renascentistas e barrocos, e possui uma das melhores coleçoes de Arte Românica de todo o mundo.

DSC07373OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro Centro Cultural relevante, situado nas proximidades, é a Fundaçao “La Caixa”, que oferece excelentes exposiçoes temporais durante todo o ano. Está sediada num edifício modernista, construído entre 1909/1912 pelo arquiteto Puig i Cadafalch. O projeto foi realizado para o industrial Casimir Casaramona, que no espaço instalou sua enorme fábrica. Por este motivo, se conhece também pelo nome de Casa Casaramona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa construçao, destacam as duas grandes torres utilizadas antigamente como depósitos de água, uma medida adotada contra a propagaçao de incêndios. A fábrica nao possuía chaminés, pois utilizava energia elétrica, contribuindo para a sensaçao de limpeza que se observava no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra construçao de visita imprescindível é o Pavilhao de Mies Van Der Rohe. Também construído para a Expo de 1929, é considerado um dos marcos da arquitetura moderna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizada a exposiçao em 1930, o pavilhao foi desmontado e ficou desaparecido durante mais de 50 anos. Entre 1983/1986, a prefeitura de Barcelona reconstruiu o pavilhao no mesmo local de origem. Os principais materiais utilizados por Mies foram o vidro, que ocupa um grande espaço de sua superfície total, a pedra, além de colunas de aço com uma alta concentraçao de chumbo. Nas paredes e no solo utilizou diferentes tipos de mármore.

DSC07393Atualmente, a casa pertence à Fundaçao Mies Van Der Rohe, uma entidade pública que objetiva o estudo e a preservaçao da arquitetura modernista e contemporânea.

DSC07401Na foto acima, vemos a chamada Cadeira Barcelona, um expoente da história do desenho industrial do séc. XX, projetada por Mies. Este arquiteto alemao é considerado um dos arquitetos mais influentes do século, no mesmo nível de Le Corbusier e Frank LLoyd Wright. Foi, durante algum tempo, professor da famosa escola de arquitetura, a Bauhaus, e um dos criadores do International Style, estilo que se caracteriza pelo racionalismmo, a utilizaçao geométrica do espaço e a sofisticaçao.DSC07395

Arte Românica (MNAC) – Barcelona

Localizado em Barcelona, o Museu Nacional de Arte de Catalunha, popularmente conhecido como MNAC, foi inaugurado em 1934, e nele contemplamos um panorama global da arte catalana, desde o românico até mediados do séc. XX.

A sede principal situa-se no Palácio Nacional, construído para a Exposição Internacional que celebrou-se na cidade em 1929. O local onde se encontra o palácio é o bairro de Montjuic, o centro museístico por excelência da capital catalana, com uma ampla e variada oferta cultural. Além do MNAC, podemos visitar outros museus de importância, como o dedicado a Juan Miró e o Museu de Arqueologia, entre outros. Abaixo, vemos algumas fotos mais do interior do MNAC.

O grande destaque do MNAC é o seu acervo de Arte Românica, que pela qualidade e quantidade das obras expostas, o torna o melhor do mundo no gênero. A coleção abrange pinturas, esculturas, objetos de metal e de madeira, do período que se extende do séc. XI ao XIII, época de difusão do românico.

A série de Pinturas Murais são únicas no mundo, e a maior parte das obras são exemplos da Arte Românica encontradas na própria Catalunha. Procedem, em grande parte, das Igrejas Românicas situadas nos Pirineus, como aquelas que ainda podemos visitar no chamado Vale de Boí, que por sua importância arquitetônica e artística foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Estas pinturas foram compradas, extraídas de seu local de origem de uma forma que não prejudicassem as pinturas e levadas à Barcelona, com o objetivo de evitar sua venda ao exterior, algo que infelizmente ocorreu muitas vezes com o patrimônio artístico espanhol, sobretudo aqueles relacionados ao período românico.

Este post está dedicado a este maravilhoso conjunto de obras. Antes, porém, uma pequena introdução à pintura românica, já que é necessário diferenciar os vários tipos que engloba, segundo a técnica e seu local de aplicação.

As denominadas pinturas murais em si decoravam os ábsides, naves, colunas e abóbadas das igrejas. Convém realçar que muitos templos românicos estavam completamente pintados no seu interior. Além de sua função estética, o objetivo pedagógico era primordial, numa época em que a grande maioria da população era analfabeta. Desta forma, as imagens serviam para a instrução dos fiéis, em relação aos ensinamentos bíblicos e aos dogmas da fé crista.

Na Espanha se considera, de forma simplificada, duas escolas representativas, a Castelhano-Leonesa e a desenvolvida em Catalunha.

As características formais da pintura mural coincidem com as encontradas nas esculturas, onde predominam a simetria e a justaposição dos elementos, cujos motivos são, em geral, as cenas bíblicas e a figura humana.

A técnica normalmente utilizada era o fresco, e os temas representados eram extraídos do último livro da Bíblia, o Apocalipse. Isso se deve à mentalidade da época, influenciada pelo término do primeiro milênio, ao qual se associava o fim do mundo e o Juízo Final.  As imagens não possuem movimento e são antinaturalistas, com uma desproporção anatômica e realizadas de maneira bidimensional, sem perspectiva.

A escola catalana possui uma forte influência da Arte Bizantina e dos íconos que decoram as Igrejas Ortodoxas.

No MNAC, admiramos alguns exemplos deste tipo de pintuas, qualificadas como uma das melhores do período românico. Considerada uma obra prima do românico europeu, as pinturas que decoravam o abside da Igreja de Sant Climent de Taull, são um dos seus destaques.

Datada de 1123, seu autor é conhecido como o Mestre de Taull, já que as pinturas nesta época não estavam assinadas. Representa a Cristo em majestade (Pantocrátor), rodeado pelos quatro evangelistas e seus símbolos: São Lucas (touro), São Marcos (leão), São João (águia) e São Mateus (anjo). No conjunto são conhecidos como os Tetramorfos. Cristo segura um livro aberto com uma inscrição latina, que significa: “Eu sou a luz do mundo”. Vemos também as letras gregas alfa e ômega, transmitindo a idéia de Deus como a origem e o fim de todas as coisas. A pintura combina a temática do Juízo Final, segundo a concepção de várias visões bíblicas, como o Apocalipse, o Livro de Isaías e Ezequiel.

Também da mesma época e autor, vemos abaixo as pinturas murais do abside da Igreja de Santa Maria de Taull. A cena mostra a Virgem em majestade, representando a Epifania. Outra das carcterísticas que podemos observar é o forte expressionismo das figuras e a grande importância dada ao desenho, além da falta de luz.

Procedente da Igreja de San Pere del Burgal, as pinturas a seguir são uma das mais antigas conservadas, de finais do séc. XI e princípios do XII.

As pinturas podiam também ser realizadas sobre as tablas, colocadas na parte frontal do altar. O MNAC expõe várias delas, e representam um dos conjuntos mais notáveis da pintura catalana.

O Frontal do altar de Durro (anônimo), de mediados do séc. XII, procede da Ermita de Sant Quirce de Durro.

O Frontal do altar dos arcanjos é do segundo quarto do séc. XIII, e seu autor é conhecido como o mestre de San Pau de Carseres.

O Frontal do altar da Igreja de Sant Andreu de Baltarga está datado do ano 1200.

Para realçar sua expressividade, as pinturas podiam ser aplicadas às esculturas. Abaixo, vemos um exemplo, procedente do frontal do altar da Igreja de Santa Maria de Taull (anônimo). Datado do ano 1200, foi repintado em 1579.

Também da mesma igreja, vemos uma foto de uma escultura do Descendimento da cruz, sem policromia. De autor anônimo, foi realizado na segunda metade do séc. XIII.

As esculturas eram utilizadas na decoração dos capitéis que adornavam as colunas. O exemplo da foto de abaixo, mostra Adao e Eva e a cena da serpente e da árvore do bem e do mal.

As pinturas eram usadas também para a iluminação de códices (miniaturas), trabalho executado em monastérios, e que proporcionava uma maior liberdade formal. Um dos mais conhecidos é o Comentário do Apocalipse, atribuído ao Beato de Liébana.

Finalizamos o post com mais algumas imagens, como a do baldaquino de Toses do séc. XIII (anônimo),  e a pintura mural do ábside da Igreja de Santa Maria de Daneu, de finais do séc. XI e princípios do XII.

O Museu Nacional de Arte da Catalunha é um exemplo inigualável da vontade de um povo de reunir, conservar e mostrar aos demais as origens de sua cultura.

Até o próximo post…