Monastério de Sant Pere de Rodes – Parte 2

A igreja do Monastério de Sant Pere de Rodes é uma das construções mais importantes do Românico na Catalunha, em sua fase inicial. Existe uma polêmica em relação a sua data construtiva, devido a escassa documentação existente. No entanto, a maioria dos estudiosos a situam no século XI. A planta de sua nave central possui uma grande originalidade arquitetônica, destacando sua bôveda formada por arcos semicirculares (Bôveda de Cañon).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO teto se sustenta por poderosas colunas e pilastras, estando ornamentada por capitéis cujos modelos foram copiados diretamente da arte romana, no estilo corintio. A presença de capitéis esculpidos é bastante rara nos monumentos românicos do século XI, na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cabeçeira está composta por 3 ábsides semicirculares. Para salvar o desnível do terreno onde se levantou o monastério, se construiu uma cripta, relacionada ao culto das relíquias na Idade Média. Um pouco depois da igreja, se construiu o átrio, também denominado galilea, cuja função principal  era servir como um panteão nobre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu elemento mais relevante era a portada, esculpida em mármore no século XII. Infelizmente, foi expoliada no princípio do século XIX, e atualmente a maioria de suas peças se encontram espalhadas pelos museus do mundo. Porém, podemos admirar uma cópia do relevo que representa a Aparição de Cristo Ressuscitado, que decorava a porta, realizada pelo chamado Mestre de Cabestany no século XII. O original se encontra no Museu Frederic Marès de Barcelona, matéria de um post publicado em 22/2/2013, cuja visita recomendo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo redor do ábside central, contornando o altar maior, foi construído um Deambulatório, que proporciona belas vistas do interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério conta com dois claustros. O claustro primitivo, do século XI, foi descoberto em escavações realizadas no começo da década de 90 do século passado. No século XII, a prosperidade do conjunto monacal fez com que fosse necessário um claustro maior. O antigo foi soterrado e o “novo” se ergueu em sua parte superior. Abaixo, vemos o primeiro claustro e, em seguida, o superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEnquanto o claustro inferior permaneceu praticamente intocado, o superior foi reconstruído, e atualmente pouco conserva do original. As restaurações realizadas na década de 90 produziram modificações no claustro, mas podemos visualizar de maneira simultânea a ambos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o claustro superior e a torre campanário, pertencente ao século XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo centro de cultura que foi na época medieval, uma das grandes obras produzidas no Monastério se encontra atualmente na Biblioteca Nacional da França, a chamada Bíblia de Rodes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pouco antes de se chegar ao monastério, se localizam as ruínas do antigo povoado de Santa Creus de Rodes, que provavelmente estava amurralhado, graças às portas fortificadas que vemos hoje em dia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar do estado ruinoso, podemos imaginar as casas do local…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelizmente, a igreja se conserva, sendo que já era conhecida no ano de 974. No final do século XI, se menciona o templo como uma possessão do monastério. Seu estilo é o pré-românico, com algumas partes posteriores. No século XVI, o povoado foi abandonado. Finalizamos a matéria com uma foto do exterior da igreja, e outra de seu interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Igreja de San Ginés – Madrid

Na Calle del Arenal encontra-se um dos templos mais antigos de Madrid, a Igreja de San Ginés. Nao se sabe exatamente qual sua origem, mas já existia no séc. XII, sendo frequentemente visitada pelo santo padroeiro de Madrid, San Isidro. As primeiras referências datam de 1358, através de uma bula papal de Inocêncio VI, na qual concedia indulgências aos fiéis que realizassem doaçoes para a igreja. Na fachada lateral neoclássica do templo, vemos um relevo com o escudo do Papa Inocêncio VI.

DSC09326O titular da paróquia, San Ginés de Arlés, foi um santo francês nascido em data desconhecida e decapitado no início do séc. IV, sendo considerado o padroeiro dos notários, escrivaos e secretários. A igreja que vemos atualmente pouco se parece com o templo original, devido às muitas reformas realizadas e a sua dilatada história. Em 1641, por ex., foi parcialmente derrubada e reconstruída 4 anos depois. Sofreu três incêndios, em 1724, 1756 e 1824. Entre 1870 e 1872, a prefeitura ordenou a remodelaçao da fachada que dá para a Calle del Arenal, mudando por completo o estilo anterior, quando se constrói o átrio que vemos atualmente.

DSC09328Abaixo, vemos a Calle del Arenal, desde o átrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, a Igreja de San Ginés permaneceu fechada ao público, quando converteu-se num quartel militar republicano, sofrendo o impacto de vários disparos. Entre 1956 e 1964 foi realizada a última intervençao no templo, e a fachada exterior foi totalmente transformada, adquirindo o aspecto que tinha no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante as reformas, foi mantida a torre, feita de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO antigo cemitério de San Ginés situava-se no patio de entrada do átrio. Debaixo dele, existe um poço com 9m de profundidade, que funcionava como crematório na época da Inquisiçao, e também onde eram enterrados os enforcados na Praça Maior. O interior está repleto de obras de arte, inclusive com um quadro de El Greco, situado na Capela do Santíssimo Sacramento, de grande veneraçao e que serviu de paróquia durante as reformas realizadas depois do incêndio de 1824. A atual decoraçao interior foi realizada pelo arquiteto Juan de Villanueva, encarregado pela Real Academia de San Fernando depois do referido incêndio. Abaixo, vemos algumas imagens das capelas do interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADSC09330Acima, vemos a chamada Virgen de la Cabeza, uma talha do séc. XX, pois a original do séc. XII foi destruída no incêndio de 1824. Abaixo, vemos uma belíssima escultura de Cristo caído com a cruz, obra de Nicolo Fumo, que a realizou em 1698.

DSC09333Também queimado no incêndio de 1824 foi o Retábulo Maior, que representava o Martírio de San Ginés, realizado por Francisco Ricci. Foi refeito pelo artista José de San Martin. No entanto, existem estudiosos que afirmam que o retábulo é o original de Ricci, que pôde ser salvo das chamas. Duvidas à parte, o Retábulo é muito bonito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Igreja de San Ginés casou-se o famoso escritor Lope de Vega e foi batizado  Francisco de Quevedo, dois “gigantes” da Literatura Espanhola, como informa uma placa situada no átrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Arévalo – Cidade Mudéjar

A Arquitetura Mudéjar é, indiscutivelmente, uma das características mais marcantes da cidade de Arévalo. Designamos Arte Mudéjar, especialmente no campo arquitetônico, a um estilo próprio da Península Ibérica desenvolvida nos Reinos Cristãos entre os séculos XII e XVI. O estilo distingue-se pela combinação das correntes artísticas européias da época (Românico e Gótico, principalmente) com os elementos da denominada tradição Hispano-Muçulmana. Seu surgimento foi possibilitado graças à convivência cultural entre povos de origens diversas na Espanha Medieval. O termo Mudéjar se refere à população muçulmana que permaneceu na península durante o Processo de Reconquista. Hábeis construtores, utilizavam para a construção de edifícios, normalmente de função religiosa, um material abundante e barato, o tijolo. Dois deles podem ser vistos na Praça Da Vila de Arévalo, por si só, uma verdadeira preciosidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça, historicamente falando, sempre representou o centro da localidade. Trata-se de uma típica praça castelhana porticada, cuja excelente conservação lhe valeu o título de Conjunto Histórico-Artístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela, podemos apreciar exemplos da arquitetura popular medieval. As galerias que cumprem a função de suporte das construções estão formadas por 31 colunas de pedra e 25 de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm cada um de seus extremos, o espaço está delimitado pelas torres mudéjares das Igrejas de Santa Maria e San Martín.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santa Maria La Mayor é uma clara amostra do estilo mudéjar. Construída entre os séc. XII/XIII, nela destacam-se o ábside semicircular e a torre, a mais alta da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte inferior da torre está composta pelo Arco de Santa Maria, um dos principais acessos a esta belíssima praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o processo de restauração do templo, foram encontrados em seu interior restos policromados de Pintura Mural da época em que a igreja foi erguida. A cena retrata uma imagem muito representada durante o período Românico, o denominado Pantocrátor ou Cristo em majestade. Com a mão direita e os dois dedos levantados (significando sua dupla natureza, divina e humana), Cristo bendiz a humanidade, enquanto a esquerda segura uma esfera, símbolo do universo. Ao seu lado, nos quatro ângulos da composição, vemos a representação simbólica dos quatro Apóstolos Evangelistas, denominados Tetramorfos. São eles: São João/Águia, São Marcos/Leão, São Mateus/Homem com Asas e São Lucas/Boi

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Martín foi construída em 1250, e se caracteriza por uma mistura estilística que engloba o românico, o mudéjar e o renascimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi reformada nas etapas renascentista e barroca, quando perdeu seu ábside original. Ela é conhecida também pelo nome  “Torres Gêmeas”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem acima, vemos o átrio românico que ainda se conserva, com os característicos Arcos de Meio Ponto. No séc. XX, foi usada como depósito de grãos e logo abandonada. Em 1931, a Igreja de San Martín foi declarada Monumento Nacional e realizou-se um intenso processo de restauração. Atualmente, não realiza cultos, como a Igreja de Santa Maria, e seu espaço interno está dedicado a eventos culturais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de finalizar o post, convém salientar que Arévalo sediou recentemente a décima oitava edição da Exposição “As Idades do Homem”. Estas exposições possuem um caráter itinerante e são organizada por uma fundação de caráter religioso, cujo objetivo é a divulgação da riquíssima Arte Sacra da Comunidade de Castilla y León. Na presente edição, a temática abordada foi o Credo.  Iniciada em 1988, a Exposição “Idades do Homem” repercute positivamente em todas as cidades sedes escolhidas, e com Arévalo não foi diferente, tal a quantidade de visitantes que a cidade recebeu durante o evento.

Monastério de El Paular – Rascafría

O Real Monastério de Santa Maria de El Paular situa-se na Comunidade de Madrid, precisamente no município de Rascafría, na Serra de Guadarrama. Este histórico monastério conserva um importante legado artístico, e seu estado atual é impecável. O conjunto monástico foi declarado Monumento Nacional em 1876.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção iniciou-se em 1390, graças ao desejo do rei Enrique II, da dinastia dos Trastamara. O local para seus assentamento foi escolhido pelo próprio monarca, junto a uma ermita conhecida como Santa Maria de El Paular. No entanto, o processo construtivo realizou-se durante o reinado do rei Juan I. O monastério foi o primeiro fundado para a Ordem dos Cartuxos no então Reino de Castilla (Orden de los Cartujos, em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto constava de três edifícios principais: o monastério, a igreja e um Palácio Real para o desfrute dos monarcas. Um de seus principais realizadores foi o arquiteto Juan Guas, responsável pela remodelação do monastério durante o reinado dos Reis Católicos. Na foto a seguir, vemos o claustro que possibilita a entrada para a igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério começou a funcionar quando foram trazidos monges procedentes do Monastério de Scala Dei, de Tarragona (Catalunha). Durante séculos, os monges exploravam a pesca no Rio Lozoya e os bosques próximos. Além do mais, possuíam um numeroso rebanho de ovelhas e uma indústria para a fabricação de papel, cuja importância foi comentada no post anterior. Do séc. XV ao XIX, todo o vale dependia da atividade agrícola, comercial e industrial do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a entrada do átrio, a dependência que possibilita a entrada à igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele, existem vários elementos de interesse, como a belíssima portada de acesso à igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo outro lado da porta, um quadro representa a São Bruno e seus companheiros, fundadores da Ordem dos Cartuxos, surgida em 1084. Esta ordem de clausura monástica é considerada como a mais austera no modo de vida de seus membros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parede, vemos uma placa celebrando a fundação do Monastério de El Paular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi finalizada somente no reinado de Isabel La Católica (1475/1504), constituindo a parte principal do conjunto. A reja (espécie de portão monumental que separa os fiéis dos monges) foi realizada por um frade da ordem, chamado Francisco de Salamanca. Uma verdadeira obra prima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento de incomensurável valor artístico é o Retábulo Maior, realizado durante a etapa final do período gótico (final do séc. XV). O material utilizado para sua execução foi o alabastro, e o conjunto está todo policromado. A obra de Juan Guas representa 17 cenas bíblicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe de sua composição central, com a Virgem Maria e o menino Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs fotos durante a visita estão permitidas, mas os monges solicitam que não sejam exageradas, para não atrapalhar o andamento da mesma. Por isso, fico devendo imagens do maravilhoso coro, que em 1883 foi levado à Basílica de São Francisco El Grande (Madrid), e talhado em madeira de nogal no séc. XVI. Em 2003, o coro foi devolvido ao monastério. Lamentavelmente, tampouco disponho de imagens da famosa Capela do Sagrário, uma das obras fundamentais do Barroco Espanhol (séc. XVIII). Abaixo, vemos a cobertura da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1835,  o processo de Desamotizaçao de Mendizábal repercutiu negativamente na vida monástica e os monges tiveram que abandonar o monastério. Boa parte das obras de arte, como retábulos e altares que o decoravam, se perderam, assim como milhares de livros que compunham sua magnífica biblioteca. Em 1876, como dito no princípio, foi declarado Monumento Nacional, fato que possibilitou seu salvamento da ruína total. Em 1954, foi cedido à Ordem Beneditina, que ainda permanece com 8 monges que mantém vivo o velho monastério. O Palácio Real foi transformado numa hospedaria, cujos horários seguem o ritmo da vida dos monges.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos o claustro e a coleção única de quadros pintados por Vicente Carducho para sua decoração. Não percam…

Basílica de San Francisco – Madrid

Este post está dedicado a uma das mais belas e suntuosas igrejas de Madrid, a Real Basílica de San Francisco El Grande. Situada próxima a Catedral de Almudena, no centro histórico da cidade, forma parte do convento franciscano fundado a princípios do séc. XIII, sobre uma desaparecida ermita consagrada a Santa Maria que, segundo a lenda, foi fundada pelo próprio São Francisco de Assis em 1217.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Quando em 1561 Felipe II transformou Madrid na capital do reino, o convento passou a ganhar riquezas e importância, e chegou a receber a custódia dos lugares santos conquistados pelos cruzados. Em 1760, os franciscanos derrubaram a primitiva construção, para levantar um templo maior, cujo projeto foi encarregado ao arquiteto Ventura Rodrigues. Porém, este projeto inicial foi recusado por um novo desenho, realizado pelo frade franciscano Francisco Cabezas, cuja característica principal era sua portentosa cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Em 1768, as obras tiveram que ser interrompidas, devido às dificuldades técnicas da construção, obrigando a Cabezas a abandonar o projeto. As obras foram, então, encomendadas a Antonio Pló, que finalizou a cúpula em 1770. Em 1776, a comunidade de frades solicitou ao rei Carlos III a incorporação do arquiteto real Francesco Sabatini, que realizou a fachada em estilo neoclássico e as duas torres que a integram. O templo foi finalmente finalizado em 1784.

A fachada possui uma configuração convexa, necessária para adaptar-se à planta circular do edifício. Em sua parte superior, elevam-se 4 estátuas de santos, esculpidas em Londres em 1883.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo vestíbulo ou átrio, destacam as 7 portas que permitem a entrada ao recinto. Foram talhadas em madeira de nogal a finais do séc. XIX, representando diferentes cenas bíblicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO teto está formado por mosaicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInstalado na parte superior do vestíbulo, já no interior da igreja, vemos o coro, e um de seus elementos mais significativos é o órgão da direita, construído em Paris em 1884, e restaurado em 2001.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A bôveda está decorada com pinturas murais, cujo tema central é a morte de São Francisco de Assis, realizada em 1882. Debaixo do coro, situam-se duas pias de água benta feitas de mármore, sustentadas por anjos de bronze.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo já comentamos, a Basílica possui uma planta circular, com 6 capelas secundárias circundantes, dispostas simetricamente (três de cada lado), e presididas pela Capela Maior. Cada uma delas está coberta por uma pequena cúpula que imita, a menor escala, a grandiosa cúpula que se alça sobre o templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA mais importante de todas, e um dos maiores atrativos de todo o recinto, é a Capela de San Bernardino, graças ao quadro central representando a Predicação de San Bernardino de Siena ante Alfonso V de Aragón, executado por Francisco de Goya em 1784.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO artista aragonês se auto-representa na parte inferior do quadro (personagem com roupa amarela). Sobre o altar, vemos uma moderna imagem da Virgem do Pilar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da renomada capela e seguindo o sentido em direção à capela maior, vemos a Capela de Santiago. No grande quadro central, vemos a Santiago participando da Batalha de Clavijo, ocorrida em 844, na condição de Santiago Matamouros. A obra foi realizada pelo artista Casado del Alisal e, no altar, vemos uma imagem de São Francisco, de finais do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de Santiago é conhecida também pelo nome de Capela Das Ordens Militares, onde se representam os diferentes símbolos de cada uma destas ordens espanholas. Da direita para a esquerda, vemos a cruz da Ordem de Calatrava e de Santiago. As duas do lado esquerdo correspondem às Ordens de Montesa e Alcântara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela de Carlos III, também denominada de N.Sra del Olvido, em homenagem à ordem criada pelo próprio rei, em honra à Imaculada Conceição, vemos  no quadro central, o rei recebendo o colar de sua nova ordem, obra do pintor Casto Plasencia. Preside o altar uma escultura da Virgem del Olvido, da escola castelhana do séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela Maior está instalada no ábside, estando composta por um conjunto de 5 pinturas murais, retratando distintos episódios da vida de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A meia bôveda que serve de cobertura foi decorada com pinturas de José Marcelo Conteras, sobre um fundo dourado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJunto a base das pilastras, vemos 4 estátuas dos evangelistas e seus respectivos símbolos ou atributos, talhados em madeira bronzeada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas imagens acima, vemos representados a Sao Lucas-Touro e a Sao Mateus-Anjo. Rodeando o presbitério, vemos uma silheria renascentista, oriunda do monastério segoviano de Santa María Del Parral, e adaptada ao local em 1885.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeguiremos com nossa visita à Basílica de San Francisco no próximo post…

Cardona – Catalunha

Situada num vale na parte central da Catalunha, a cidade de Cardona é considerada como Conjunto Histórico-Artístico desde 1992. Tal distinção se deve ao seu rico passado medieval, conservado em seus monumentos e ruas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Cardona sempre foi um enclave estratégico, e na idade média fazia fronteira com a Al Andaluz, o reino árabe peninsular. Sua maior riqueza, responsável por sua existência e esplendor, é o denominado Vale Salino, explorado desde tempos antigos. A exploração e comercialização deste fundamental produto no passado explica seu desenvolvimento e importância, convertendo-se num centro comercial e ponto de encontro de viajantes, que chegavam dos Pirineus e do sul da França. Por este motivo, gozava de uma carta que lhe conferia um excepcional regime de liberdade civil, um privilégio na época. Abaixo, vemos a igreja gótica de San Miguel, construída entre os séc. XIII e XIV, além de sua atmosfera medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo da cidade, localizado no alto de um cerro é, possivelmente, a fortaleza medieval mais importante de toda a Catalunha. Jamais conquistado pelas armas, foi construído no séc. IX e sua história está relacionada com a poderosa família ducal da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe fato, no séc. XV, os Duques de Cardona foram a família mais importante do então Reino de Aragón, exceptuando-se a casa real. Eram considerados “reis sem coroas”, tal seu poderio, que se manifestavam em extensas propriedades em Catalunha, Aragón e Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1714, depois de um assédio que destruiu boa parte de suas muralhas, Cardona foi um dos últimos redutos em entregar-se às tropas borbônicas de Felipe V, durante a chamada Guerra de Sucessão espanhola. O recinto do castelo igualmente nao pôde ser dominado pelo exército de Napoleão. Em 1794, foi convertido em quartel militar pelo exército espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos mais impressionantes do castelo é a Torre de Homenagem, também chamada de Minyona. Localizada na parte mais alta da montanha, sua fisionomia atual se deve às reformas realizadas entre 1794/1810, para evitar que se tornasse um ponto de referência de tiro para a artilharia, em caso de sítio. Com mais de 12m de altura (chegou a ter 25m, nos séc. X/XI), deve seu nome a uma lenda do séc. XVIII, que narra o amor de uma das filhas do senhor do castelo, chamada Minyona, por um guerreiro muçulmano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo pátio de armas da torre, conserva-se uma cisterna, que abastecia de água o castelo. Outro pátio de armas, situado dentro do castelo, corresponde à residência dos viscondes e duques da cidade, até o séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro destaque do conjunto é a Colegiata de San Vicente, erguida entre 1029/1040, em perfeito estado de conservação e integra os monumentos relacionados à primeira etapa do denominado Românico Catalão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo impressiona por suas dimensões, sendo que o interior está formado por 3 naves e seus respectivos absides semicirculares, além do transepto, distribuição que lhe confere a típica planta de cruz latina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATanto o presbitério, quanto o abside central encontram-se num nível mais elevado, pois no espaço inferior situa-se a cripta, local de enterramento e de abrigo das relíquias que possuía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas naves laterais, estão conservados dois sepulcros, sendo um deles do Conde Joan Ramon Folc I (1375/1442), construído em 1668, em mármore.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá o Panteão do Duque Ferran I (1513/1543), é de estilo renascentista (séc. XVI).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro pertence ao séc. XIV e nos capitéis podemos observar os símbolos dos duques de Cardona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

O átrio, espaço de transição entre o claustro e a igreja, estava decorado por pinturas murais, que foram levadas ao Museu Nacional de Arte da Catalunha, em Barcelona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Atualmente, o castelo sedia um Parador Nacional, rede de hotéis cuja carcterística principal é a reabilitação de edifícios históricos para suas dependências, e foi eleito um dos 10 melhores castelos europeus para hospedar-se, segundo os usuários da Tripadvisor. O castelo de Cardona foi declarado Monumento Nacional em 1949 e a Colegiata de San Vicente, em 1931.

Finalizamos com um detalhe realmente curioso sobre o castelo. Histórias que relacionam castelos com fenômenos paranormais sempre existiram, porém parece que no de Cardona, sua crença chegou até mesmo a modificar o dia a dia do local. Segundo testemunhas, que incluem hóspedes e funcionários que trabalham no hotel, o quarto de número 712 registra fenômenos estranhos, como aparições espirituais, móveis que se movem, etc. O fato foi comentado na TV espanhola pelo programa Quarto Milênio, e o espaço permanece fechado, só podendo ser reservado por hóspedes através de um pedido expresso. No andar onde se situa o “embruxado” quarto, o serviço de limpeza sempre é composto por, no mínimo, duas pessoas. Como dizem os espanhóis, por si acaso…