Na Torre da Catedral de Ávila

A Catedral de Ávila é outra das atrações históricas da cidade, e foi tema de uma série de 3 posts, publicados nos dias 21, 22 e 23/01/2017. Considerada a primeira catedral de estilo gótico na Espanha, foi edificada como templo e como fortaleza, já que o ábside da construção constitui um dos cubos da própria muralha de Ávila, algo inédito nos edifícios catedralícios, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão se sabe com precisão quando começou a ser levantada. A teoria mais aceita diz que data de mediados do século XII, cujo projeto foi realizado por um mestre francês chamado Fruchel, coincidindo com o processo de repovoamento de terras castelhanas por Raimundo de Borgoña, genro do Rei Alfonso VI. A parte construída por Fruchel, correspondente ao altar maior da catedral, se insere no estilo românico de transiçao ao gótico. Posteriormente, outros mestres finalizaram as obras da catedral (naves, capelas e o remate das torres) já no estilo gótico. Abaixo, vemos a fachada principal da Catedral de Ávila e seu impressionante aspecto de fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vemos na imagem acima, se construiu apenas uma torre, a outra permaneceu inacabada. O primeiro corpo da torre campanário data do século XIII, assim como as naves da igreja. As bôvedas (teto) e o segundo corpo da torre campanário datam do século XIV. No século XV, finalmente se finaliza todas as obras da catedral. Abaixo, vemos uma foto de seu interior, destacando sua bôveda de crucería, característica da arquitetura gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesta última vez que estive em Ávila com o Marcelo, a Cristina e o Ernesto, tivemos a oportunidade de subir no alto da torre campanário, um passeio imperdível que proporciona visitar lugares de uma catedral que normalmente estão fechados ao público. Antes de chegar na parte mais elevada da torre, pudemos contemplar umas excelentes vistas da nave central da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre campanário possui 7 sinos (campanas, em espanhol), cada qual com seu nome de batismo, como “Maria Teresa”, “Platera”, devido à presença de prata em sua fabricação, ou “San Segundo”, em homenagem ao Santo Padroeiro de Ávila. Abaixo, vemos algumas delas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, uma foto da torre inacabada, que foi fechada com tijolos, mas que deixa à vista uma parte da construção de pedra…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita inclui um elemento que normalmente os visitantes não têm acesso, a estrutura de madeira construída como sustentação do telhado ou cobertura da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto curioso foi observar as diversas marcas de canteiros ao longo da construção. Estas marcas talhadas na pedra constituem uma espécie de assinatura dos trabalhadores que colaboraram na edificação da catedral. Cada um deles possuía uma marca diferente e, desta forma, podiam cobrar pelo trabalho realizado. As marcas de canteiros são habituais nas catedrais românicas e góticas. Abaixo, vemos algumas das que descobrimos no passeio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto que me surpreendeu está relacionado com o antigo ofício dos campaneiros. Na realidade, este termo se refere a dois ofícios tradicionais, designando aqueles responsáveis pela fabricação dos sinos (elaboração do molde e posterior fundição do metal) e também às pessoas que realizavam os toques das campanas. Sempre pensei de como seria a vida destes trabalhadores que executavam este trabalho de tocar os sinos e, na visita à torre, muitas perguntas foram respondidas. A primeira questionava onde viviam e o mais curioso, é que residiam na própria torre, ao nível dos próprios sinos. A torre da Catedral de Ávila conserva maravilhosamente a casa do campaneiro. De estilo castelhano humilde, parece incrível que se manteve intacta. Os campaneiros nela viveram até os anos 50 do século XX. A residência possuía sala, alcobas, cozinha com chaminé, banheiro, etc…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa dos campaneiros foi construída aos pés da catedral, sobre a bôveda gótica. Para visitá-la, subimos os 113 degraus de uma escada em espiral, que salva a diferença entre o solo da catedral e sua cobertura. Nela se desenvolvia  a vida familiar dos campaneiros, sendo praticamente tarefa de todos seus membros realizar o toque das campanas, durante todo o dia. Frequentemente, o ofício passava de pai para filho, e as condições de vida eram extremamente duras, como nos explicou o guia que conduziu a visita. Em primeiro lugar, tinham que suportar um frio aterrador, numa cidade na qual as temperaturas normalmente atingem mínimas negativas, e muitos padeciam de doenças respiratórias. Além do mais, muitos campaneiros, depois de uma longa vida dedicada ao ofício, ficavam surdos com o forte som decorrente dos sinos. Em seus momentos de ócio, construíram pequenos jogos talhados nas pedras da torre (algo parecido com o atual jogo de damas), como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs dificuldades de acesso a esta peculiar residência fizeram com que fossem criados mecanismos de abastecimento e comunicação com o mundo exterior. O sistema implantado na Catedral de Ávila se resume a uma corda atada a uma polea que se utilizava para para subir alimentos e água, além de outros objetos essenciais à vida, e para baixar tudo aquilo que já não servia. Abaixo, vemos o sistema desde o solo da catedral e em sua parte superior, junto à casa dos campaneiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante séculos as campanas funcionaram como uma forma de comunicação social, anunciando festas, falecimentos e os atos litúrgicos, entre outros. O ofício de campaneiros data do período medieval em sua concepção atual. Atualmente, está em perigo de extinção com o desenvolvimento de métodos eletromecânicos para os toques de sinos e muitos aspiram que o toque manual seja declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. As campanas e seus variados sons constituem um maravilhoso universo, e seu estudo denomina-se Campanologia. Para saber mais sobre elas, ver as matérias publicadas em 6 e 7/3/2018, cujo tema foi o Museu das Campanas da belíssima cidade de Urueña, também situada na Comunidade de Castilla y León.

Caminhando pela Muralha de Ávila

Qualquer pessoa que tenha a oportunidade de conhecer a cidade de Ávila se impressiona por sua muralha, uma das estruturas de caráter defensivo de maior relevância em todo o continente europeu. A Muralha de Ávila foi o tema de dois posts publicados em 17 e 19/1/2017, e em minha recente visita com meus amigos brasileiros tivemos o privilégio de conhecer outra parte da estrutura que eu ainda não tinha visitado. Abaixo, vemos uma panorâmica da muralha, cuja foto foi tirada desde o chamado mirante dos Quatro Postes.

20160612_124733Esta incrível estrutura militar data do período românico, e segundo numerosos estudiosos é considerada a maior e mais conservada muralha desta época, sendo construída no final do século XI. De fato, trata-se da única construção defensiva da Europa Cristã que se conserva tal e como foi edificada originalmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção foi realizada logo depois que a cidade foi reconquistada pelo Rei Alfonso VI de Castilla, que encarregou seu genro Raimundo de Borgoña (casado com a Infanta D.Urraca, filha do monarca) que repovoasse a cidade e construísse a muralha. A construçao durou apenas 9 anos, de 1090 a 1099, e segundo a tradição o projeto foi realizado por dois mestres da geometria, o romano Casandro e o francês Florín de Pituenga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralha de Ávila possui 2516 metros de perímetro, estando composta por 87 torres e 9 portas de acesso. Seus muros possuem cerca de 3m de grossura e sua altura alcança os 12m. Seu perímetro exterior pode ser percorrido à pé, algo que recomendo, pois o passeio nos permite observá-la de vários ângulos diferentes e compreender sua real dimensão. O mais interessante é que se pode percorrer a parte mais elevada da estrutura, num percurso de cerca de 1700 metros (entrada de 5 euros). Abaixo vemos uma grande maquete da muralha…

20161120_125219A parte superior de uma muralha se conhece como Adarve, uma estreita passagem onde os guardas que a protegiam realizavam o denominado caminho de ronda. O trecho principal que se pode caminhar possui 1400m, e já tinha realizado diversas vezes. O trecho menor, de 300 metros, percorri por primeira vez com meus amigos. O caminho não é contínuo devido à presença da Catedral de Ávila, cujo ábside faz parte da própria muralha, algo realmente insólito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO passeio pelo Adarve proporciona belíssimas vistas da cidade intramuros…

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OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara que fosse construída se utilizou pedra de granito de cores negra e cinza, e alguns materiais procedem de uma antiga necrópole romana, além de edifícios civis e das anteriores muralhas romana e do período visigodo. Podemos admirar também as vistas exteriores da cidade, com muitas das igrejas românicas que integram o excepcional patrimônio histórico desta cidade castelhana, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos de maior destaque da Muralha de Ávila é a Porta do Alcázar, formada por duas grandes torres semicirculares unidas por uma ponte, singular e única entre as muralhas européias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATanto esta porta, quanto a similar Porta de San Vicente, encontram-se situadas num terreno plano. Por este motivo, estavam mais expostas ao ataque inimigo, de forma que foram melhor fortificadas. Abaixo e acima,vemos fotos da Igreja de San Pedro, de estilo românico e situada numa praça onde se celebram os grandes eventos festivos da cidade, além do mercado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs muralhas constituem um aspecto fundamental do urbanismo das cidades medievais e historicamente contribuíram de forma decisiva na distribuição do espaço urbano entre os diversos grupos sociais que nelas viviam. Representavam a separação do mundo civilizado, situado no interior da muralha, com o mundo selvagem. No campo viviam os camponeses, a classe social menos favorecida, e sobre eles recaiam 80% dos custos da infraestruturas urbanas, como a manutenção da própria muralha. Incrível, verdade ?

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Um Passeio por Ávila

Ávila é uma cidade da Comunidade de Castilla y León cujo patrimônio histórico-artístico surpreende a todos (as) aqueles (as) que a visitam. Seu centro histórico encontra-se rodeado por sua inigualável muralha medieval. A cidade conta com inúmeras igrejas românicas, além de sua catedral com formato de fortaleza. Nela nasceu uma das santas católicas de maior importância dentro do cristianismo, Santa Teresa de Jesús, com abundantes lugares associados à sua vida. Recentemente retornei à Avila com um casal de amigos brasileiros, apaixonados pela Espanha, o Marcelo e a Cristina, que me apresentaram a um novo amigo, o Ernesto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANosso roteiro pela comunidade incluiu, além de Ávila, outra cidade imprescindível, a também histórica Salamanca. Em Ávila permanecemos um dia inteiro, e nos hospedamos num excelente hotel localizado ao lado da Catedral de Ávila, situado num dos inúmeros palácios nobres da cidade, outra de suas atrações históricas. O chamado Palácio de los Velada foi construído no final do século XV e início do XVI, e sua fachada inclui uma esbelta torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Palácios de Ávila foram o tema de vários posts publicados em 25, 26 e 30/1/2017, mas desta vez tive o privilégio de hospedar-me num deles, pois foi convertido em hotel depois de uma cuidada restauração e inaugurado em 1995. Abaixo, vemos o pátio, transformado num local onde pudemos degustar as delícias de sua cozinha…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, outra imagem do interior do Palácio de los Velada, onde vemos alguns dos quartos do hotel.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAproveitamos nossa estadia para conhecer outros lugares que eu ainda não havia estado, como visitar os restos arqueológicos de fornos construídos no século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes fornos históricos tinham a finalidade de fabricar cerâmicas, um objeto imprescindível na vida cotidiana de antigamente. A exposição do museu ressalta sua importância, junto com várias peças de distintos períodos históricos. Abaixo vemos  exemplares da época romana (séculos IaC – VdC), conhecidas como “Terra Sigillata“, de tonalidade vermelha e decoradas em relevo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, cerâmicas do período medieval (séculos XI ao XVI)…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE cerâmicas modernas (XVI ao XVIII), uma época de grande prosperidade para Ávila, com uma grande quantidade de famílias nobres que se assentaram na cidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO recinto arqueológico está formado por um espaço retangular de 16x7m, com três fornos de 2.30m de diâmetro, cujo formato circular se insere dentro da tipologia árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes fornos foram construídos num local pouco habitado da cidade intramuros, próximo ao Rio Adaja, que atravessa Ávila, como vemos a seguir junto com sua ponte medieval

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta fábrica onde o barro era cozido para a elaboração de cerâmicas permaneceu ativa até o século XVIII, quando esta atividade artesanal finalizou-se.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando a fábrica foi fechada, seu entorno foi preenchido com terra para a criação de uma horta. Os fornos foram descobertos em 1995, e depois de sua restauração com o objetivo de se inaugurar um museu, foi aberto ao público em 2014. A seguir, vemos fotos antigas que retratam a importância social das cerâmicas, bem como sua presença em obras pictóricas de pintores nascidos na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de visitar os fornos, percorremos uma parte da muralha aberta à visitação em sua estrutura mais elevada e subimos à Torre da Catedral, algo inédito em minhas frequentes visitas à cidade, que vocês poderão apreciar nas próximas matérias…

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Convento de Santa Teresa: Ávila

Neste último post sobre a cidade de Ávila, veremos o Convento de Santa Teresa, outro lugar fundamental associado à sua vida. Foi levantado sobre a casa natal da santa no primeiro terço do século XVII, alguns anos após sua morte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento foi construído pelo Carmelita Descalço Fray Alonso de San José entre 1629 e 1636. Ambas datas sao simbólicas. A primeira pedra de sua construção foi colocada em 19/3/1629, dia de San José, e o convento foi consagrado em 15/10/1636, dia de Santa Teresa, que já tinha sido canonizada.

dsc00168Desde sua inauguração, foi severamente criticado, pois sua fachada ostentava uma riqueza decorativa que nao tinha nada que ver com a forma de vida levada pela santa. Na parte inferior da fachada se abriu uma galeria composta por 3 arcos de meio ponto. Logo acima, se colocou uma imagem da santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Ávila, o convento é conhecido como a “Igreja da Santa“, constituindo a residência das Carmelitas Descalças na cidade natal de sua fundadora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja está formado por 3 naves. O altar maior ocupa parte do espaço onde antes se encontrava sua casa. O pai de Santa Teresa, devido a problemas econômicos, decidiu vender a residência familiar. Tempos depois, a Ordem das Carmelitas Descalças adquiriu o imóvel, com a intenção de erguer um convento em homenagem à santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um retábulo com freiras e frades carmelitas na parte inferior, e Santa Teresa escrevendo sua obra literária, em sua parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJunto ao Presbitério se encontra o local mais importante do conjunto, a Capela do Nascimento, que coincide com o local onde veio ao mundo Santa Teresa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço está presidido por um retábulo com uma imagem de Santa Teresa, esculpida pelo maior escultor do Barroco Espanhol, Gregório Fernández, que viveu nos anos imediatos à morte da santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA imagem retrata a santa comovida ante o sofrimento de Cristo, reproduzindo a visão que ela teve num dos locutórios do Monastério de la Encarnación.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas partes laterais da capela, foram pintados quadros que representam os principais episódios de sua vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém encontramos um espaço onde se reproduz como deveria ter sido o quarto onde nasceu a santa, com uma inscrição em que D.Alonso, seu pai, comenta o nascimento da famosa filha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVestígios de sua casa podem ser vistos na cripta. A partir da década de 80 do século passado, seu enorme espaço foi transformado em outro museu dedicado à vida e obra de Santa Teresa. Lamentavelmente as fotos estão proibidas, e vale muito a pena conhecê-lo. Finalizamos a matéria com uma foto que mostra a entrada ao museu.

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Convento de San José: Ávila

O Convento de San José foi fundado por Santa Teresa em 1562, o primeiro da Ordem das Carmelitas Descalças em toda a Espanha. Nele, estabeleceu a regra primitiva do Carmelo (século XIII), materializando a reforma carmelita, baseada na austeridade, contemplação, oração e penitência.Sua fundação é narrada pela própria santa no “Livro de la Vida“, sendo também o local onde escreveu grande parte de sua obra mística e literária. No início, o convento foi constituído por um conjunto de casas que foram sendo adquiridas mediante doações, e a igreja situava-se num pequeno dormitório, dada as pequenas dimensões do convento. Com o tempo, foi sendo ampliado, chegando a haver 4 igrejas anteriores à atual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída por Francisco de Mora no século XVII, sua arquitetura tornou-se o modelo do que se conhece como Igreja Carmelitana, um retângulo vertical formado por 3 espaços distintos, rematado por um Frontón (estrutura triangular) em sua parte superior. Na parte inferior, vemos uma arcada composta por 3 arcos. No nível intermediário se colocou uma imagem do santo titular da igreja, San José. No terceiro nível, uma janela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO objetivo de Santa Teresa era construir uma clausura em que se pudesse viver a regra primitiva da Ordem das Carmelitas como se fosse uma grande família, dentro dos preceitos da pobreza, obediência e penitência. Por este motivo, em Ávila é conhecido como “Convento de las Madres“. Apesar da precaução com que a santa organizou sua construção no mais absoluto sigilo, não pôde fazer nada com que as pessoas tomassem consciência do fato, sendo duramente perseguida até que recebeu a autorização do Papa Pio IV para sua fundação. Teresa estipulou o número máximo de religiosas do convento em 13, 1 priora e 12 freiras. Com o tempo, a própria santa aumentou para 20. Depois de sua morte, se fixa em 21 o número de religiosas do convento, pois o desejo das freiras era que Santa Teresa ocupasse esta vaga, de forma simbólica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da regra primitiva da Ordem do Carmelo ter sido aprovada em 1247, Santa Teresa se inspirava numa época anterior, quando os eremitas que viviam no Monte Carmelo desenvolveram um modelo de vida austero e dedicado à oração. As freiras começaram a tratar-se como irmãs e mães, e Teresa passou a ser chamada Teresa de Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASanta Teresa viveu 5 anos no Convento de San José, berço de sua reforma e que serviu de plataforma para a fundaçao de outros conventos pelo país. Ainda hoje o convento conserva o espírito de sua fundadora. Uma pena as fotos estarem proibidas em seu interior, pois conserva muitas lembranças de sua vida na clausura. Junto à igreja, situa-se o Museu Teresiano, fundado em 1970 com uma coleção de obras de arte e relíquias da santa, objetos pessoais, etc.

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Monastério de la Encarnación: Ávila

O Monastério de la Encarnación é um lugar de visita obrigatória para as pessoas que desejam realizar o itinerário turístico existente em Ávila, relacionado com a vida de Santa Teresa. Nele, a santa viveu 30 anos, dos quais 27 como freira e posteriormente 3 anos em que exerceu o cargo de Priora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPrimeira comunidade feminina da Ordem das Carmelitas em Ávila, o Monastério de la Encarnación foi fundado em 1479 por um desejo de D.Elvira González de Medina. Inicialmente situado em residências nobres, foi levado ao local atual em 4 de Abril de 1515, no mesmo dia em que Santa Teresa foi batizada na Igreja de San Juan Bautista. Durante muitos anos, tornou-se o monastério preferido pelas famílias da nobreza, chegando a contar com 200 freiras em 1565. Foi neste momento quando passou por dificuldades econômicas, por não poder alimentar a todas elas com o monastério ainda em construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando foi fundado, a instituição era uma espécie de casa de oração, um Beatério, para mulheres solteiras, viúvas, ou em situação de desamparo. Não constituía ainda um monastério ou convento, pois não pertencia a nenhuma ordem religiosa. Adotou a Regra Carmelita em 1515, ano de nascimento de Santa Teresa. Este lugar transformou-se num local simbólico, pois nele Santa Teresa realizou a Reforma Carmelita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASanta Teresa nele ingressou em 1535, quando tinha 20 anos de idade. Entre 1571 e 1574 tornou-se sua Priora. Seu estado atual pouco mudou desde que nele viveu a santa. O melhor de tudo é que o monastério é visitável, sendo que seu museu conta com diversas lembranças materiais da época de Santa Teresa e várias relíquias, como uma parte do seu braço.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um pedaço de madeira que Santa Teresa usava como uma espécie de almofada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Monastério de la Encarnación Santa Teresa viveu suas experiências religiosas mais intensas, e muito dos quadros e pinturas conservadas  retratam suas vivências místicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa escada principal, que vemos abaixo, a santa encontrou-se com o Menino Jesus

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério conserva 3 locutórios, espaços sagrados que foram testemunhos dos momentos místicos da santa. Em um deles, teve a visão de Cristo preso à coluna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConserva sua cela original e a chave da mesma, onde experimentou a “Transverberación“, quando foi atingida pelo “fogo divino”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o quadro doado por D.Alonso, pai da santa, quando sua filha ingressou no monastério. Este quadro representa o encontro de Jesus com a Samaritana, episódio bíblico que Santa Teresa tinha especial devoção. Devido as dificuldades econômicas por que passava sua família na época, seu pai em vez de realizar doações em dinheiro, decidiu fazê-lo com obras de arte, como esta que decorava sua casa natal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1628, o Bispo de Ávila Francisco Márquez Gaceta ordenou que a cela da santa fosse transformada na Capela da Transverberación, o momento espiritual mais transcendental de sua vida. Abaixo, vemos outras dependências do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de la Encarnación também está ligado à figura de San Juan de la Cruz, que nele viveu entre  1573 e 1577. Este grande poeta místico colaborou de forma decisiva na Reforma Carmelita, pois enquanto a santa fundou Conventos Femininos da Ordem das Carmelitas Descalças, San Juan de la Cruz foi o responsável pela fundação de Conventos Masculinos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos apreciar também uma bela coleção de instrumentos antigos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1562, Santa Teresa saiu do Monastério de la Encarnación e fundou o Convento de San José de Ávila, o primeiro da Ordem das Carmelitas Descalças na Espanha. Posteriormente, regressa ao monastério, já como Priora. A visita do Papa João Paulo II em 1982 representou um momento auge na vida deste espaço sagrado, um dos referentes de todo o mundo em relação à Ordem do Carmelo.

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Santa Teresa de Ávila: Parte 2

Em 1542, Santa Teresa sofreu uma grave doença, fato que a obrigou deixar o Convento de N.Sra de Gracia. Os médicos aconselharam a D.Alonso, seu pai, que a levassem ao campo para que se recuperasse, e durante os meses seguintes descansou na casa de familiares que tiveram uma grande importância em sua vida, como seu tio Pedro, que lhe ajudou em sua vocação religiosa, mostrando-lhe diversas obras literárias que repercutiram na sobrinha, como “As Epístolas de San Jerónimo“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecuperada da doença, regressa à casa de seu pai em Ávila. Depois de um período de reflexão, decide seguir a vida religiosa, tornando-se freira. Ingressa, contra a vontade paterna, no Monastério de la Encarnación, local decisivo para o desenvolvimento de sua vida (o próximo post estará dedicado a ele), que vemos abaixo numa foto geral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor esta porta, Santa Teresa entrou por primeira vez no monastério, e nele permaneceu um total de 30 anos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando cumpriu um ano depois de ingressar no monastério, finalmente seu pai aceitou seu destino como religiosa, entregando à instituição alguns bens familiares. A partir de então, sua filha passou a viver numa cela própria. Naquela época, a clausura se observava de forma distinta aos dias atuais. Havia permissividade em relação às visitas, sendo constante o contato com pessoas do mundo exterior, além do fato que as freiras saíam do convento. O motivo principal era a alimentação, pois o monastério encontrava-se em dificuldades financeiras, e as freiras tinham que ir à casa de seus familiares para comer.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro problema existente na clausura do Monastério de la Encarnación era de natureza social, a diferença de classes entre as próprias freiras. Enquanto algumas delas viviam em celas exclusivas, com uma certa comodidade, outras dividiam um dormitório com demais freiras. Pouco tempo depois de sua entrada, a doença golpeou novamente a santa, que mais uma vez teve que recuperar-se fora do convento. Em 15 de agosto de 1539 sofreu um colapso que a deixou 4 dias inconsciente.  Recuperou-se somente na primavera de 1542, e sempre considerou que sua cura se deveu a um milagre de São José. Abaixo, vemos outras imagens do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASanta Teresa passa a experimentar experiências místicas de união com Cristo, a Virgem Maria e os Santos, graça que lhe acompanhará pelo resto de sua vida. Em seus escritos, narra com detalhes algumas delas, como a Paixão de Cristo, em que Ele permaneceu preso a uma coluna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA experiência mais famosa é a conhecida “Transverberación“, que se produziu na intimidade de sua cela, onde sentiu como fogo divino lhe “golpeava” o coração e ampliava sua capacidade de união mística. Abaixo, vemos uma representação do fato num quadro anônimo do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido aos problemas vivenciados durante sua longa estadia no monastério, que distanciavam as religiosas de sua vocação e de uma vida dedicada a Deus, Santa Teresa pouco a pouco, inspirada pelas experiências místicas, decidiu reformar a Ordem das Carmelitas. Segundo ela, o Carmelo deveria retornar aos princípios básicos de pobreza e oração com os quais havia sido criado originalmente. Mesmo com a resistência da igreja e depois de muitas dificuldades, fundou em Ávila o primeiro Convento da nova Ordem das Carmelitas Descalças, o Convento de San José.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Padre Geral da Ordem Carmelita da Espanha, Fray Juan Bautista Rubeo, ficou encantado com o que viu no Convento de San José. Depois da autorização papal, Santa Teresa recebeu a ordem de fundar por todo o país tantos conventos quanto possível, tarefa a qual a santa se entregou até o final de sua vida. Fundou 17 monastérios segundo a nova ordem carmelita, mas a árdua missao de percorrer o país sem descanso lhe custou a vida, vindo a falecer na cidade de Alba de Tormes (Província de Salamanca) em 1582, local onde permanece enterrada.