Castelos Reais da Espanha

A partir deste post veremos alguns exemplos de Castelos que pertenceram aos monarcas dos diversos reinos que formavam a Espanha de épocas passadas. Na Ilha de Mallorca, uma das quatro que compõem a Comunidade Marítima das Ilhas Baleares, um de seus principais destaques é o Castelo de Bellver, situado em sua capital e maior cidade, Palma de Mallorca. Possui um inusual formato circular, único na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta fortaleza foi construída pelo Rei Jaime II de Mallorca no século XIV, combinando as funções defensivas e residenciais, e utilizando-o como sede da corte durante seu reinado. Foi também utilizado como refúgio por Pedro IV de Aragón no mesmo século, durante uma epidemia de peste que assolou o continente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm de seus principais elementos é a Torre de Homenaje, de forma circular, como vemos nas imagens acima. O Castelo de Bellver foi usado também como prisão…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade de Aragón, o Castelo de Loarre constitui uma de suas principais fortalezas. Localizado na Província de Huesca, foi construído por ordem do Rei Sancho III El Mayor no século XI.

DSC05328Este magnífico castelo foi edificado na rocha onde se assenta, e conserva toda sua estrutura original.

DSC05317De fato, o Castelo de Loarre é considerado um dos castelos de estilo românico melhor conservado de toda a Europa, e foi cenário de várias produções cinematográficas, como o filme “Reino dos Céus“, dirigido por Ridley Scott em 2005. No final do século XIII se construiu sua muralha defensiva.

DSC05288Na Comunidade de Castilla y León, Província de Ávila, o Castelo de Arévalos é um exemplo de castelo nobre que passou com o tempo a ser propriedade real. Sua construção foi ordenada pelo Duque de Béjar, Don Álvaro de Zuñiga, no século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois o Castelo de Arévalos tornou-se uma propriedade dos Reis Católicos, sendo que Isabel la Católica passou sua infância nesta fortaleza. No século XVI transformou-se em penitenciária, e nele esteve detido o Príncipe de Nassau, Guilherme de Orange. Posteriormente foi utilizado como cemitério…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo de Peñafiel é um dos mais impressionantes da Província de Valladolid (Comunidade de Castilla y León) e considerado uma das maiores fortalezas medievais da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua forma estreita e alongada lhe confere um aspecto semelhante à proa de um grande barco. Foi edificado a partir do século X, ainda que seu aspecto atual se deve às reformas realizadas no século XV por Don Pedro Girón, mestre da Ordem de Calatrava.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele nasceu o Príncipe de Viana, filho do Rei Juan II de Aragón e da Rainha Blanca de Navarra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o Castelo de Peñafiel é a sede do Museu Provincial do Vinho

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra fortaleza cuja construção foi ordenada por um nobre e que transformou-se em Castelo Real podemos ver na Comunidade de Madrid, o Castelo de Villaviciosa de Odón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século XV pelos Condes de Chinchón, no século XVIII foi adquirido pelo Rei Felipe V, que o entregou a seu filho, o Infante Luís. Depois foi a residência do Rei Fernando VI, que habitou o castelo após a morte de sua esposa Bárbara de Bragança, e nele veio a falecer em 1759. Hoje em dia, o Castelo de Villaviciosa de Odón é a sede de uma arquivo histórico.

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Castelo de Villaviciosa de Odón – Comunidade de Madrid

Villaviciosa de Odón é um tranquilo município localizado na regiao oeste da área metropolitana de Madrid. Com cerca de 26 mil habitantes, é um verdadeiro remanso de paz bem próximo à capital.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA foto acima corresponde à Praça do Ayuntamiento. Abaixo, vemos o Edifício da Prefeitura de Villaviciosa de Odón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma excurçao de um dia é perfeita para se conhecer o povoado e tirar algumas fotografias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAVillaviciosa de Odón é conhecida principalmente por seu castelo que, na realidade, mais se parece com um palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta fortaleza foi construída, inicialmente, no princípio do séc. XV pelos primeiros Condes de Chinchón. Sobre ela, se edificou o castelo atual em 1496 pelo Marquês de Moya. Como sempre acontece, o castelo sofreu duros golpes em seus mais de 5 séculos de existência. Logo depois de sua construçao, foi arrasado em 1521 durante as denominadas Guerras de Comunidades. No final deste século, foi reconstruído pelo arquiteto do Monastério de El Escorial, Juan de Herrera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa nobreza, o castelo passou a ser propriedade real, quando o rei Felipe V o adquiriu em 1738. Seu sucessor, Fernando VI, o declarou Real Sítio, ou seja, a denominaçao que recebem as propriedades reais utilizadas como ócio, residência de verao, etc. Quando sua esposa Bárbara de Bragança (1711/1758) faleceu, Fernando VI se retirou deprimido ao castelo, e nele passou o resto de sua vida, falecendo um ano depois de sua esposa, em 1759. Sob a direçao de Ventura Rodríguez, o castelo foi reformado e nesta época atingiu sua época de maior esplendor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo possui uma planta quadrangular, com três torres circulares e uma grande Torre de Homenagem, também de base quadrada, que vemos acima. Durante a Guerra Civil Espanhola do séc. XX, foi saqueado, servindo de alojamento tanto para os republicanos, quanto para os nacionalistas. Em 1965, os proprietários descendentes dos Condes de Chinchón venderam o imóvel ao estado, e novamente foi restaurado. Atualmente, pertence ao Ministério de Defesa, e nele acolhe o Arquivo Histórico do Exército do Ar (denominaçao das forças armadas correspondente à Aeronáutica, no Brasil).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando estive na cidade, o castelo estava fechado e nao pude visitá-lo em seu interior. Em uma das laterais da fortaleza, Ventura Rodríguez, o arquiteto acima mencionado, realizou no séc. XVIII o projeto de uma bela fonte, chamada Fonte dos 3 Canos, que ainda se conserva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro personagem histórico associado a Villaviciosa de Odón foi Manuel Godoy, o primeiro ministro do rei Carlos IV, que construiu na cidade um palácio, atualmente transformado em um centro cultural.

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Igreja das Salesas Reales – Segunda Parte

Continuando nossa visita pelo interior da Igreja das Salesas Reales, observamos de imediato o cromatismo barroco deste belo templo em seus quadros e retábulos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela Maior, admiramos este retábulo, realizado por François Carlier, feito de mármore verde e bronzeado. No centro, uma pintura representa a Visitação de Maria a Santa Isabel, obra do pintor napolitano do séc. XVIII, Francisco del Mura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro pintor italiano, Corrado Giaquinto, foi encarregado do seguinte retábulo, em que aparecem São Francisco de Sales e Santa Joana, adorando o Sagrado Coração de Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo lado esquerdo do presbitério, vemos a Tribuna Real, que comunicava com as dependências que os monarcas utilizavam, quando vinham de retiro espiritual ao convento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, os maiores tesouros da igreja são os sepulcros reais dos fundadores do convento, Bárbara de Bragança e Fernando VI. Mais que sepulcros, são verdadeiros monumentos funerários, dos únicos reis espanhóis que estão enterrados na capital (exceção feita à rainha Maria de las Mercedes de Orleans, sepultada na Catedral de Almudena). Os mausoléus foram projetados, por encargo do rei Carlos III, ao arquiteto real Francisco Sabatini, e lavrados em mármore pelos escultores Francisco Gutiérrez e Juan León. O casal real foi enterrado no convento por seu próprio desejo, expresso em vida. Abaixo, vemos o sepulcro de Fernando VI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior, o escudo real está sustentado por um anjo e uma representação da fama.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, vemos Saturno, como Deus temporal, segurando um medalhão com o busto do rei, cuja imagem vemos acima. Na parte inferior, aparecem as virtudes de seu reinado, alegoricamente representadas por duas mulheres, símbolos da fortaleza, justiça, paz e abundância. Entre ambas figuras, uma inscrição diz:

OLYMPUS DIGITAL CAMERATraduzindo: ” Aqui jaz o fundador deste monastério, Fernando VI, rei de Espanha, ótimo príncipe que morreu sem deixar filhos, mas com uma numerosa prole de virtudes. Pai da pátria, 10 de agosto de 1759. Carlos III dedicou este monumento de tristeza e piedade a seu queridíssimo irmão, cuja vida preferia ao  reino”. Situado numa capela particular, o sepulcro de Bárbara de Bragança não está às vistas do público, sendo que sua entrada se dá pelo lado direito do presbitério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa verdade, seu sepulcro situa-se ao lado do mausoléu do marido, separado por uma parede. Tive a sorte de encontrá-la aberta, e pude conhecer a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da capela, vemos um retábulo feito por Juan Domingo Olivieri, no séc. XVIII. No lado direito, aparece o sepulcro de Bárbara de Bragança.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro do monumento, chama a atenção os símbolos da morte, representados pela caveira e a tíbia. Na parte frontal, o escudo de Portugal. A inscrição abaixo reza: “Maria Bárbara de Portugal, esposa de Fernando VI, depois de ter fundado este templo para a glória de Deus e como convento para religiosas, descansa neste sepulcro, entre orações e oferendas. Faleceu com 47 anos de idade em Kalendas, setembro de 1758”.

Do lado oposto ao sepulcro do rei, encontramos outra lápide, que acolhe os restos de Lepoldo O Donell, nobre, político e militar espanhol.

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Igreja das Salesas Reales – Madrid

Esta semana estará dedicada a algumas das mais belas e interessantes igrejas e ermitas de Madrid. Ontem, vimos a Igreja de San Jerónimo. Hoje e amanha conhecermos a Igreja das Salesas Reales. Na verdade, trata-se do antigo monastério da Visitação de N.Sra., formado pelo convento, a igreja e um palácio. O complexo foi fundado em 1758 pela rainha Bárbara de Bragança, como colégio e residência para jovens da nobreza. O propósito da rainha, porém, não era somente a fundação de um convento, mas assegurar um local tranquilo onde pudesse viver, em caso da morte de seu marido, o rei Fernando VI. Atualmente, a igreja acolhe a Paróquia de Santa Bárbara, e o resto da construção tornou-se a sede do Tribunal Supremo. Abaixo, vemos uma foto do antigo palácio e as duas entradas ao tribunal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento foi projetado pelo francês François Carlier, mas a construção acabou sendo realizada por Francisco Moradillo, que alterou o desenho original, incorporando as duas torres que vemos na fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras iniciaram-se em 1750, e o convento foi inaugurado 8 anos depois. A fachada se articula verticalmente com pilastras, estando composto por 7 partes, das quais as três centrais formam o triplo pórtico de entrada ao átrio da igreja. Vários relevos distribuem-se na fachada, destacando o central, circular, onde está representada a visitação da Virgem Maria a sua prima, Santa Isabel. O relevo foi realizado pelo italiano Juan Domingo Olivieri, o principal promotor da Academia de Belas Artes de San Fernando, uma das mais prestigiosas pinacotecas da capital.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a parte superior da fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja é um dos mais suntuosos do barroco madrilenho. Decorado no estilo rococó, combina elementos clássicos com a magnificência do barroco, com bronzes, mármores e pedras coloridas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos muitos elementos de destaque é o espetacular púlpito, um dos mais belos de toda a cidade, feito de mármore verde e branco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA decoração pictórica do interior coube aos irmãos Luís, Alejandro e Antonio Velásquez, que a realizaram no séc. XVIII. Abaixo, vemos a cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAContinuaremos conhecendo a Igreja das Salesas Reales no próximo post. Até lá!!!!