Mesquita-Catedral de Córdoba

Este post está dedicado a um dos monumentos mais extraordinários que a arte hispano-muçulmana produziu no país. A Mesquita de Córdoba, posterior Catedral da Asunçao de Nossa Senhora, é considerada o monumento islâmico mais importante do ocidente. Declarada, juntamente com o centro histórico da cidade, Patrimônio da Humanidade, faz parte também da lista dos 12 tesouros do território espanhol.

O lugar que ocupa a Mesquita-Catedral foi, durante séculos, um local de culto de diferentes divindades. Durante a época visigoda se construiu a Basílica de San Vicente, que foi utilizada tanto por cristãos quanto por árabes. Escavações arqueológicas demonstraram a existência de um complexo episcopal que pode datar-se dos séc. IV e V dC. Ali se encontram os restos da antiga basílica.

Com o aumento da população muçulmana, a basílica foi adquirida por Abderraman I, o primeiro Emir da dinastia dos Omeya, que a destruiu para a edificação da mesquita. Um fato singular desta primeira mesquita é que está orientada ao sul, e não à Meca como seria o habitual. Esta circunstancia pode ser explicada de várias formas, e parece provável que os terrenos arenosos do rio Guadalquivir impossibilitavam uma orientação ortodoxa à cidade sagrada.

Um elemento novo relacionado à arquitetura foi a utilização dos denominados arcos de ferradura procedentes da arte visigoda, e que o islã adotou como símbolo de sua arquitetura.

Sua construção iniciou-se no ano 786 dC e com 23.400 metros quadradas é uma das maiores do mundo. Durante sua história, foram realizadas 3 grandes ampliações.

A primeira ocorreu durante o reinado de Abderraman II (821/852 dC), que ampliou a denominada sala de oração. Sob o governo de Abderraman III (séc. X), Córdoba se converte na capital do maior e mais influente reino islâmico do ocidente. Proclamado califa, construiu o primeiro minarete no continente europeu e ampliou o pátio dos naranjos. A última reforma foi realizada a finais do mesmo século, graças às intervenções feitas por Almanzor.

Nada mais entrar no interior, um imenso bosque de colunas de mármore, jaspe e granito recebe o extasiado visitante. A alternância de pedra e tijolo lhe confere sua singular bicromia.

O Mihrab, local sagrado de uma mesquita, é uma jóia feita de mármore e mosaicos bizantinos, decorados sobre um fundo de ouro e bronze, além de cobre e prata.

Abaixo vemos a suntuosa cúpula do Mihrab, belíssimamente decorada.

Em 1238, depois da reconquista crista, a mesquita foi convertida em catedral católica, e em 1523 se iniciou a construção de um templo renascentista no centro da mesquita muçulmana, durante o governo do rei Carlos V.

Apesar de terem respeitado as ampliações feitas anteriormente, se alterou o aspecto que tinha originalmente. Um comentário feito pelo próprio monarca 3 anos depois é significativo:

“Destruímos uma maravilha única no mundo, e colocamos em seu lugar algo que podemos ver em qualquer lugar…”.

Na foto que segue, uma imagem da torre campanário, cujo minarete construído por Abderraman II encontra-se em seu interior.

Podemos admirar atualmente um resumo histórico da arquitetura omeya de Espanha, além dos estilos gótico, renascentista e barroco da Catedral católica. A Mesquita-Catedral de Córdoba é um símbolo da fusão cultural, que durante quase 800 anos, marcou a história do pais, e junto com a Alhambra de Granada, é o expoente máximo da arquitetura de Al Andaluz.

Basílica de San Vicente- Ávila

A Basílica dos Santos Irmaos Mártires Vicente, Sabina e Cristeta, mais conhecida simplesmente como Basílica de San Vicente é um templo Românico localizado em Ávila. Depois da catedral, é considerada o edifício religioso mais importante  e uma das obras arquitetônicas do estilo mencionado mais destacadas de toda Espanha. Foi declarada Monumento Nacional em 1882.

Situada na parte externa das muralhas que contornam inteiramente o perímetro da cidade velha, bem em frente à denominada Porta de San Vicente, um dos principais acessoa ao interior da cidade velha, a Basílica foi incluída na lista dos monmentos declarados Patrimônio da Humanidade, tanto por sua importância histórica quanto por sua beleza arquitetônica. Abaixo, vemos uma imagem da mencionada porta e uma panorâmica do templo, vista da parte superior das muralhas.

Abaixo, uma foto dos ábsides do edifício.

Sua história remonta ao ano 306 dC, durante o período da perseguição crista promovida pelo imperador Diocleciano, quando foram martirizados os santos irmãos. Seus corpos foram depositados no local onde posteriormente levantou-se o templo atual, iniciado no séc. XII.

Durante os séculos, os restos dos santos foram levados para vários lugares, até que foram devolvidos ao seu lugar original, onde descansam numa urna situada no Altar Maior. Na sequência, vemos as estátuas dos santos mártires.

Depois de anos paralisadas, as obras da Basílica foram retomadas com o auxílio dos reis Alfonso X “O Sábio “ e Sancho IV, permitindo que fossem finalizadas a princípios do séc. XIV.

Deste esta época até o séc. XIX, foram feitas obras de restauração que respeitaram seu estilo original. A pedra utilizada chamava-se caleña, uma pedra arenítica de tons amarelados . No Altar Maior e no Áside sul, porém, utilizou-se uma variedade rica em tons vermelhos.

A autoria da construção se atribui ao arquiteto francês Giral Fruchel, um dos introdutores do Gótico na Espanha. A Basílica possui planta de cruz latina com 3 naves e cripta. Esta divide-se em 3 capelas, sendo que na central encontra-se a imagem românica da Virgem de Soterraña, padroeira da cidade. As fotos abaixo mostram imagens da nave central, do trifório e das bôvedas que cobrem o templo.

No exterior, destaque para suas portadas, de fina decoração. A ocidental é a mais destacada, em que aparece no tímpano cenas da vida de Lázaro. No parteluz, aparece a figura de Cristo, e nos lados , os apóstolos.

Já a Porta Meridional representa a Anunciaçao, com as figuras da Virgem Maria e do Arcanjo Gabriel.

O Altar Maior não é o original, e sim de época Barroca, com as imagens de San Vicente no centro e de suas irmãs nas laterais.

O Órgao da Basílica é barroco.

Porém, o elemento mais destacado do interior é o cenotáfio dos irmãos mártires. Trata-se de um monumento funerário comemorativo dos Santos titulares. Feito de pedra policromada, é considerada uma das obras escultóricas fundamentais do estilo Românico Espanhol. As cenas representam a história dos Reis Magos, bem como o martírio dos santos.  Seu atual estado de conservação é excepcional.

Finalizando, uma imagem de um esbelta capela e sua profusa decoraçao.