San Clemente – Castilla La Mancha

Depois de conhecer Alarcón, fomos visitar a cidade de San Clemente, também localizada na Província de Cuenca (Comunidade de Castilla La Mancha), situada a cerca de meia hora em ônibus de Alarcón. Possui aproximadamente 7 mil habitantes, constituindo-se no maior município do sul da província. Também recebeu o título de conjunto histórico-artístico, graças à riqueza e conservação de seu patrimônio histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu nome é uma referência a um dos primeiros cavalheiros que se estabeleceram na localidade, Clemente Pérez de Rus. A conquista das cidades de Cuenca e Alarcón pelas tropas do Rei Alfonso VIII, e a posterior derrota àrabe na Batalha das Navas de Tolosa em 1212 representou a causa direta de sua anexaçao ao antigo Reino de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante um período de sua história, San Clemente foi dependente de Alarcón, integrando o Marquesado de Villena. Inicialmente pertenceu a Don Juan Manuel e depois a Don Juan Pacheco, mestre da Ordem de Santiago e primeiro Marquês de Villena. Este último, em 1445, elevou o status do povoado a vila, título reconhecido por vários monarcas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm fato crucial para seu progresso foi o apoio dado por San Clemente à Isabel La Católica entre 1476 e 1479, dentro do contexto da guerra que assolou o antigo Reino de Castilla entre os partidários de Isabel e Juana la Beltraneja para alcançar o trono real. Como vimos, Alarcón apoiou a Juana, fato que provocou sua decadência a partir do momento em que Isabel converte-se em Rainha de Castilla. O povo de San Clemente, descontente com o Marquês de Villena, partidário de Juana, decidiu apoiar a Isabel. Com sua vitória na disputa, San Clemente foi incorporada à coroa, convertendo.se numa vila de realengo, tornando-se finalmente independente de Alarcón. Abaixo, vemos a denominada Torre Velha, a construção mais antiga da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta esbelta torre foi edificada no século XV e foi utilizada como uma estrutura defensiva para a vigilância da cidade. De planta quadrada, atualmente encontra-se restaurada, e abriga a Oficina de Turismo e o Museu Etnográfico, com uma curiosa coleção de objetos antigos de uso cotidiano, agrícola, artesanato local, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos objetos que mais me chamou a atenção foi o chamado “bombo de sorteio”, utilizado para o sorteio daqueles homens que deveriam prestar o serviço militar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte mais elevada da torre existe um mirante com belas vistas da cidade, um local onde aproveitei para que me tirassem uma foto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade atingiu sua época de maior prosperidade entre os séculos XV e XVI, com a chegada de religiosos, hidalgos e nobres, que construíram diversos palácios pela cidade, como o que vemos a seguir, situado ao lado da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post sobre San Clemente, vocês poderão ver os principais edifícios da cidade e a importância de seu patrimônio histórico. O final de tarde na cidade foi belíssimo….

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Cáceres – Extremadura

Cáceres foi a cidade que escolhi como base para conhecer a parte norte da Comunidade de Extremadura. Com quase 100 mil habitantes, Cáceres é a cidade mais populosa da parte norte da comunidade e considerada o município mais extenso de toda a Espanha (1.750 km quadrados).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos centros medievais mais importantes de todo o continente europeu, Cáceres foi declarada Patrimônio da Humanidade em 1986. Fundada pelos romanos, a cidade foi, no entanto, ocupada muito antes, como demonstram as pinturas rupestres encontradas em cavernas situadas na parte sul de seu núcleo urbano, como a Cueva de Maltravieso, cujas pinturas remontam a 20 mil anos atrás. Também foi ocupada pelos povos ibéricos, que construíram um castro (povoado ibérico) na região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Cáceres foi fundada pelos romanos no ano de 28 aC com  a denominaçao de “Norba Caesarina“, em homenagem ao general romano Cayo Norbano Flaco, seu fundador, e ao Imperador Júlio César. Este primitivo núcleo transformou-se com o tempo no atual Centro Histórico da cidade. A cidade foi construída num local estratégico, na atualmente denominada Vía de la Plata, um caminho que unia as cidades de Astorga, no norte do país, com Mérida (Extremadura) e Sevilha (Andaluzia). Deste nome antigo, Norba Caesarina, procede o atual nome da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a chegada dos Visigodos no final do século V, o anterior assentamento romano foi arrasado e até os séculos VIII e IX não existem nenhuma referência à cidade. Foram os muçulmanos que aproveitaram sua localização estratégica e o que sobrou da antiga colônia romana como base militar para combater os reinos cristianos do norte. Desta forma, em 1147, Abd al-Mumin refundou a cidade e, a partir do século XII, árabes e cristãos se sucederam alternativamente no governo de Cáceres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1169, o Rei Fernando II conquistou a cidade, entregando-a a um grupo de cavalheiros que constituíram uma ordem religiosa e militar, embrião da futura Ordem de Santiago. Quatro anos depois, Abu Yaqub reconquistou a cidade para os muçulmanos, ordenando degolar a maioria destes cavalheiros. A partir de 1212, data da vitória cristã na famosa Batalha de Navas de Tolosa, os avanços cristianos na Extremadura foram definitivos e em 1218 as Ordens Militares de Alcântara e de Santiago ampliaram seus domínios por quase toda a zona. Finalmente, em 1229, Cáceres foi definitivamente reconquistada pelo Rei Alfonso IX de León. O fato ocorreu precisamente no dia 23 de Abril, dia de São Jorge, que foi declarado padroeiro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO falecimento de Alfonso IX de León um ano depois da reconquista fez com que Cáceres passasse a integrar o antigo Reino de Castilla. No século XIV, sucessivas lutas entre a nobreza local fez com que os Reis Católicos, no século seguinte, ordenassem a derrubada das torres defensivas pertencentes a estas famílias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante as décadas seguintes ao Descobrimento da América, em Cáceres nasceram várias personalidades que desempenharam um importante papel no novo continente, ocupando cargos de relêvancia, como Diego García de Cáceres. Em 1790, ocorreu um fato decisivo para sua história, quando o Rei Carlos IV estabeleceu na cidade a sede da Real Audiência de Extremadura, o máximo órgão jurídico da região, fato que a transformou de uma simples vila a constituir uma cidade importante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIX, com a divisao administrativa de Extremadura em duas províncias, Cáceres foi designada capital de sua parte norte, enquanto Badajoz tornou-se a capital da província da metade sul. No verão de 1936, no início da Guerra Civil Espanhola, o General Franco estabeleceu em Cáceres seu quartel general. Atualmente, sua economia está baseada no setor de serviços, principalmente a construção e o turismo. Por ela passa o trem que liga Madrid a Lisboa, e transformou-se num dos principais destinos turísticos de toda a comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANesta nova série de matérias que hoje inicio, vocês poderão conhecer esta belíssima cidade e seu excepcional centro histórico, cuja visita é mais que recomendável….

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A Catedral de Córdoba

O conjunto da Mesquita-Catedral de Córdoba é resultado dos vários períodos históricos que passou a cidade, desde sua construção inicial como templo islâmico sobre a Basílica Visigoda de San Vicente a partir do século VIII, e suas reformas e ampliações nos séculos posteriores, até a incorporação do edifício catedralício em sua estrutura, depois que Córdoba foi reconquistada pelos cristãos no século XIII. Mas como ocorreu este processo?

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA chegada ao poder de Almanzor, primeiro ministro do governo do califa Hisham II, supôs a última reforma da Mesquita de Córdoba, como vimos no post anterior. Este personagem destacou-se por suas inúmeras incursões militares contra as cidades que faziam parte dos Reinos Cristianos, como Barcelona, Léon e Santiago de Compostela, somente para citar algumas. Como general que era, a influência e importância de Almanzor debilitou o poder do califa, originando uma guerra civil que provocou a desintegração do Califato de Códoba em 1013 e  seu desaparecimento em 1031. A partir deste momento, Al Andalus se transforma num conglomerado de estados independentes, denominados Reinos de Taifas. Esta descentralização facilitou o avanço cristão e o processo de reconquista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs contínuas guerras travadas entre os distintos Reinos de Taifas provocaram a interferência dos monarcas cristãos através da política de Parias, um tributo que os Reinos de Taifas começaram a pagar para não serem atacados ou em troca de proteção militar. A situação de debilidade frente aos cristãos ficou patente em 1085, com a reconquista de Toledo. Depois deste importante acontecimento, os Reinos de Taifas solicitaram o auxílio dos Almorávides e depois dos Almohades, que invadiram a península a partir do final do século XI. Estes povos estavam formados por uma classe guerreira que defendiam uma doutrina ortodoxa do Islã. No entanto, a vitória dos exércitos cristãos na famosa Batalha de Navas de Tolosa em 1212 deixou o caminho aberto para a reconquista. Abaixo, vemos um braseiro de época almohade, pertencente ao acervo do Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns anos antes da batalha, em 1146, o Rei Alfonso VII protagonizou a primeira conquista de Córdoba, embora nao fosse a definitiva, e a dedicação da Mesquita de Córdoba como Catedral. A cidade é reconquistada definitivamente em 1236 pelo Rei Fernando III, depois de 6 meses de assédio.  Abaixo, vemos um quadro situado numa das capelas da catedral que celebra a Reconquista de Córdoba por Fernando III.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASomente depois da conversão da mesquita em catedral o monarca realizou sua entrada solene na cidade. Considerado um rei piedoso e compassivo, ganhou a simpatia de seus súditos pela humildade que demonstrava em suas ações. Costumava convidar as pessoas de poucos recursos para comer junto a sua mesa e visitava pessoalmente os feridos nas batalhas. Antes de empreender uma ação militar, tentava esgotar todas as possibilidades diplomáticas. Grande devoto da Virgem Maria, seu corpo está enterrado na Catedral de Sevilha, cidade que também reconquistou. Estimulou as ciências e a cultura, contribuindo para o aparecimento das universidades. Sua fama de santidade fez com que fosse canonizado em 1671, passando a ser chamado de Fernando III, “El Santo“. Foi o responsável da recuperação de grandes áreas ocupadas pelos muçulmanos, como o Reino de Murcia e boa parte da atual Andaluzia. Abaixo, vemos uma estátua do rei, situada no Real Alcázar Cristiano de Córdoba (original em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMaravilhado com a Mesquita de Córdoba, Fernando III decretou sua conservação, e não houve alterações substanciais em sua estrutura. A maior modificação na antiga mesquita ocorreu no século XVI, quando se decidiu construir uma catedral em seu interior a partir de 1523, durante a etapa do Bispo Alonso Manrique. O eclesiástico era tio do Imperador Carlos I, que recebeu sua autorização para a construção da catedral. O processo construtivo não esteve isento de polêmica, entre os que consideravam oportuno construir um templo cristão no interior da mesquita e aqueles que eram contrários ao projeto. Um pouco depois, o próprio Imperador Carlos I se arrependeu, ao pronunciar uma frase que ficou famosa: “Destruímos o que era único no mundo, e colocamos em seu lugar algo que podemos ver em todas as partes”. Não obstante, a transformação de parte da mesquita em catedral possibilitou sua conservação, e atualmente podemos contemplar ambos templos nesta construção maravilhosa. Nas próximas matérias, publicarei fotos e informações referentes à Catedral de Córdoba.

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