Um Passeio por Córdoba

Para se conhecer o Centro Histórico de Córdoba, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o ideal é caminhar por suas ruas sem pressa, pois sempre existem lugares de interesse para os visitantes curiosos por sua milenar história. Ao redor da Mesquita-Catedral, por exemplo, existem várias construções que se destacam, como o antigo Hospital de San Sebastián, construído pelo arquiteto Hernán Ruiz “El Viejo” entre 1512 e 1516.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA instituição foi criada pela Confraria de San Sebastián, cuja origem se deve a grande quantidade de crianças abandonadas que haviam na época. Atualmente o edifício é a sede do Palácio de Congresso e Exposições, e conserva a bela fachada de sua igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do Real Alcázar situa-se uma grande edifício, as Reales Caballerizas de Córdoba, fundada pelo Rei Felipe II com a finalidade de criar cavalos de pura raça espanhola para os serviços da Casa Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1757 sofreu um incêndio, sendo reconstruído durante o reinado de Carlos III. Em 1822, os cavalos utilizados pela corte foram retirados, e o edifício passou a ser usado pelo Corpo de Cavalaria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2002 foi adquirido pela Prefeitura de Córdoba como um espaço cultural. Atualmente se realizam espetáculos equestres no local, além de visitas guiadas pelo interior do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos uma foto das Reales Caballerizas tirada desde o Real Alcázar

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro lugar emblemático do centro histórico é a Plaza de la Corredera, um verdadeiro ponto de encontro dos habitantes da cidade, declarada Bem de Interesse Cultural em 1981.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada a única praça de formato quadrangular de toda a Comunidade de Andaluzia, ao modo das praças castelhanas, possui 113m de comprimento por 55m de largura. Seu espaço foi sempre utilizado para a representação de espetáculos públicos, como as Corridas de Touros. Em uma delas, a arquibancada de madeira caiu, para o desespero das pessoas que se encontravam no local. Se projetou então uma nova praça, antes irregular, num espaço uniforme, alinhando as fachadas dos edifícios de três níveis de altura e melhorando a segurança dos espetáculos públicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras da nova praça realizaram-se no final do século XVII e foram pagas pelos próprios habitantes da cidade. O projeto se deve ao arquiteto Antonio Ramós Valdés. Grandes personagens da época presenciaram as Corridas de Touros, como o Rei Felipe IV e inclusive Cosme de Médici. A Plaza de la Corredera conserva edifícios cuja construção é anterior a própria praça, como a antiga Casa Consistorial, erguida no final do século XVI pelo arquiteto Hernán Ruiz II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de representar o centro político da cidade, nela se situava também a prisão, que permaneceu no local até 1821, quando foi levada ao Real Alcázar de Córdoba. Em 1846, o edifício foi adquirido por um empresário cordobês, José Sánchez Peña, que instalou uma fábrica de sombreros, colocando as residências dos trabalhadores em sua parte superior. Depois, passou a abrigar o Mercado da cidade. Outro espetáculo famoso realizado na praça, antes da reforma, ocorreu em 1571, durante as festividades celebradas pela vitória na Batalha de Lepanto contra os turcos otomanos, quando se organizou uma verdadeira batalha naval na praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Tribunal da Inquisição também escolheu a praça para a realização de vários autos de fé, quando foram julgados os condenados por cometer delitos contra os dogmas da igreja. Escavações realizadas na praça durante as reformas descobriram mosaicos romanos em seu subsolo, atualmente expostos no Real Alcázar, cujas imagens já publiquei na matéria sobre a Córdoba Romana. Durante a Guerra da Independência no início do século XIX, os franceses colocaram patíbulos na praça para execução pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX,  a praça foi pintada nas cores vermelha, verde e ocre, retornando ao aspecto que tinha no final do século XVII. Se dizia que nesta época a tonalidade vermelha se conseguia com o próprio sangue dos touros sacrificados na praça. É mole?

Museu Naval – Parte 2

O Museu Naval de Madrid possui um acervo tão imenso de peças e objetos históricos que se torna impossível um registro pormenorizado, de forma que veremos algumas delas. Uma grande quantidade de pinturas, representando os monarcas da Espanha, integra sua coleção, bem como retratos dos grandes marinheiros e exploradores espanhóis, como Vasco Núñez de Balboa (1475/1519), considerado o descobridor do Oceano Pacífico e o primeiro conquistador espanhol em fundar uma cidade permanente em terras americanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO descobridor do continente americano, Cristóvão Colombo, é representado no quadro abaixo, realizado em 1892 pelo pintor José Garnelo. O artista retrata o momento em que o navegante genovês chega à terra firme. As pinturas de caráter histórico adquiriram um grande protagonismo no século XIX com a eclosão do Movimento Romântico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Juan de la Corte (1597/1660) foi um pintor espanhol que realizou diversas obras sobre as campanhas militares espanholas nas costas brasileiras, com o intuito de recuperar zonas que foram ocupadas pelos holandeses no século XVII. Abaixo, vemos um quadro que representa uma das batalhas navais travadas entre os dois países.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a época em que a Espanha foi governada pelos reis da Dinastia Austríaca dos Habsburgos (séculos XV,XVI e XVII), o país tornou-se a primeira potência do mundo. A incorporação de Portugal à Espanha em 1580 fez com que a partir do reinado de Felipe II o Império Espanhol ficasse conhecido como “O Império onde jamais se põe o sol…”, uma referência ao tamanho das terras conquistadas e a enorme extensão pertencente à Monarquia Espanhola. Essa hegemonia foi conseguida através de sucessivas vitórias sobre os ingleses, franceses e holandeses em diversas batalhas navais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Batalha Naval de Lepanto (1571) foi uma das mais memoráveis, quando uma liga composta pelo Reino da Espanha, Veneza, os Estados Pontifícios e os Cavalheiros de Malta derrotaram os turcos otomanos sob o comando do espanhol Juan de Áustria, terminando com a expansão muçulmana no Mar Mediterrâneo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1588, Felipe II ordenou a modernização da frota naval espanhola, que passaria a ser conhecida como a “Armada Invencível“, com o objetivo de conquistar a Inglaterra, plano que acabaria sendo um um grande fracasso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das grandes atrações do Museu Naval constituem a grande quantidade de reproduções feitas à escala de diversos tipos de embarcaçoes, tanto de uso civil quanto militares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtravés destes modelos podemos compreender a evolução tecnológica da construção naval, que foi determinada no plano militar pelo progresso da artilharia. A presença de armas de maior calibre possibilitaram o aparecimento de barcos como o galeão, de origem espanhola, que substituiu as antigas naus. Durante 150 anos foram os grandes navios de guerra que dominaram os mares do mundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo museu podemos conhecer ainda as principais rotas de navegação realizadas na época dos descobrimentos, e uma ampla coleção de instrumentos náuticos de diversas épocas, que contribuiram para o avance da tecnologia naval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas salas do museu reproduzem o ambiente dos antigos barcos, tanto dos espaços reservados aos marinheiros, quanto aqueles destinados aos oficiais de maior patente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas peças mais valiosas é o Mapa realizado por Juan de la Costa em 1500, em que aparece por primeira vez o continente americano. No lado direito do mapa, vemos uma linha verde, que representa a demarcação estabelecida aos territórios  pertencentes a Espanha e Portugal com a assinatura do Tratado de Tordesilhas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Naval possui um interessante conjunto de peças arqueológicas provenientes de navios afundados, como o da Nau de San Diego, que naufragou nas águas de Filipinas em 1600.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADiversas e interessantes exposições temporárias se realizam, contribuindo para o conhecimento da história marítima espanhola. Tive a oportunidade de visitá-lo diversas vezes, e considero o Museu Naval um dos museus imprescindíveis de Madrid.

Cervantes em Ciudad Real

Ciudad Real localiza-se em plena Comunidade de Castilla La Mancha, região onde se desenvolve a novela mais famosa  da Literatura Espanhola, “El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha“, escrita por Miguel de Cervantes em duas partes, a primeira em 1605 e a segunda dez anos depois, em 1615. Na cidade, são abundantes os monumentos e estátuas relacionados ao escritor e sua universal obra. Bem no centro de Ciudad Real foi colocado o Monumento a Cervantes, esculpido em 1927 por Felipe Garcia Coronado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs famosos personagens da novela também foram homenageados com monumentos, como esta estátua de D.Quijote (Dom Quixote, em português), realizada em 1967 por Joaquín Garcia Donaire.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA mulher amada de Don Quijote na novela, Dulcinea de Toboso, podemos ver numa escultura colocada na parte traseira do Ayuntamiento de Ciudad Real em 2015, realizada por López-Arza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2015 foram celebradas inúmeras exposições pelo país para comemorar o quarto centenário da publicação da segunda parte da novela. Ainda hoje, muitas continuam sendo realizadas, com o intuito de mostra quem foi realmente Miguel de Cervantes, o impacto de sua obra na época em que foi escrita e a importância que teve ao longo dos séculos. Um lugar perfeito para descobrir a “Alma de Cervantes” se encontra em Ciudad Real, o Museo del Quijote e a Biblioteca Cervantina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs exposições realizadas no museu nos permitem conhecer Miguel de Cervantes através dos lugares e caminhos que transitou durante seus passeios por La Mancha, que afinal são os mesmos onde se desenrolam os episódios da novela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFotografias, desenhos, esculturas e modernas montagens multimídia nos ajudam a compreender a vida e a obra deste admirável escritor, bem como os capítulos principais da novela e fatos relacionados com sua vida. Cervantes lutou na famosa Batalha Naval de Lepanto, travada contra os turcos em 1571, e perdeu uma mão, ficando conhecido também pelo apelido de “El Manco de Lepanto“. Abaixo, vemos uma cópia do relevo de pedra que constitui uma das cenas do Monumento a Cervantes, que vimos na primeira foto, em que foi retratada a batalha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo mesmo monumento é a cena, também esculpida em pedra, em que Don Quijote é colocado numa jaula…

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu fiel escudeiro, Sancho Panza, aparece num mural de azulejos com sua esposa…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo museu foi ambientado uma imprensa de Madrid do século XVII, com os equipamentos destinados à publicação da obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Biblioteca Cervantina está composta por um acervo de mais de 3500 livros relacionados ao autor. Também podemos admirar o funcionamento de um moinho de vento, um dos episódios mais conhecidos da novela…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao museu aparecem os dois personagens principais, Don Quijote e Sancho Panza, montados no cavalo Rocinante e no burrinho Rucio, respectivamente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita ao Museo del Quijote é muito instrutiva e recomendável, e passei interessantes momentos em seu interior, contribuindo para o conhecimento deste escritor que transcendeu a literatura de seu país, tornando-se universal, e de sua imortal novela…

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Praça da Vila – Madrid

Um dos núcleos mais antigos de Madrid, a Praça da Vila localiza-se junto à Calle Mayor, e corresponde ao primitivo traçado medieval da cidade. Antigamente, era conhecida como Praça do Salvador, devido à igreja que se situava diante dela. No séc. XV, a praça adotou o nome atual, coincidindo com a outorgaçao do título de Nobre e Leal Vila que recebeu Madrid, das maos do rei Enrique IV de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAContornando a praça, se encontram 3 edifícios de grande valor histórico-artístico, erguidos em épocas distintas. O mais antigo é a Casa e Torre dos Lujanes, pertencente a uma rica família de comerciantes aragoneses. Construída no estilo gótico-mudéjar, seu conjunto é considerado a edificaçao civil mais antiga de Madrid (séc. XV)

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, esta casa sedia a Real Academia de Ciências Morais e Políticas, e sua bela fachada está formada por um arco de ferradura mudéjar e uma porta de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado desta casa, vemos a residência da família Lujanes, cujo escudo decora a fachada gótica principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEncostada na casa dos Lujanes, vemos a torre, que alimenta várias lendas em torno ao rei francês Francisco I, derrotado na Batalha de Pavía pelo rei espanhol Carlos V. Apesar de vencido, o monarca francês foi bem recebido em Madrid, mas se negava a fazer reverências ao rei espanhol, por uma questao de orgulho pessoal. Este, entao, mandou construir uma pequena porta que dificultaria a entrada de Francisco I, graças a sua elevada estatura, obrigando-lhe a inclinar-se ante a Carlos V. Diz a lenda que Carlos V entrou primeiro na torre, seguido do francês, mas a estratégia nao deu certo, pois Francisco I entrou de costas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de Cisneros é, na verdade, um palácio construído em 1537, no estilo plateresco, para o sobrinho do famoso cardeal Cisneros, construtor da famosa Universidade de Alcalá de Henares, Benito Jiménez de Cisneros. A fachada que dá para a praça foi alçada no começo do séc. XX, quando a prefeitura adquiriu o imóvel, procedendo uma reforma em consonância com seu aspecto original. A obra foi realizada pelo arquiteto Luís Bellido González, que também construiu a passagem entre o palácio e a prédio da prefeitura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntiga Casa Consistorial e prisao, a denominada Casa da Vila foi erguida no séc. XVII, no estilo barroco, por um dos arquitetos da Praça Maior, Juan Gómez de Mora. Sua construçao iniciou-se em 1645, e do período compreendido entre 1693 e 2007, foi a sede do Ayuntamiento (prefeitura) da cidade. Atualmente, está localizada no Palácio das Comunicaçoes (post publicado em 13/9/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da praça, vemos um monumento que homenageia ao famoso almirante da armada espanhola Don Álvaro de Bazán (1526/1588). A estátua foi esculpida em 1888, como motivo do terceiro centenário de sua morte. Dito personagem teve uma participaçao destacada na importante Batalha de Lepanto, em que uma coalizao crista, formada pelo Reino de Espanha, as Repúblicas de Veneza e Gênova, além dos Estados Pontifícios, derrotaram os turcos otomanos, detendo sua expansao no Mediterâneo (1571).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta batalha, participou também o escritor Miguel de Cervantes, que resultou ferido, perdendo a mobilidade de sua mao esquerda, fato que lhe valeu o apelido de “Manco de Lepanto”.