A Catedral Compostelana

Esta série de matérias sobre Santiago de Compostela estaria incompleta, caso não publicasse posts sobre seu edifício mais famoso e importante, a Catedral, que preside o Centro Histórico da cidade, declarado Patrimônio da Humanidade em 1985.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada um dos templos mais importantes de todo o mundo, a Catedral Compostelana está dedicada ao Apóstolo Santiago, cujos restos descansam em seu interior. Este fato a converteu num dos principais centros de peregrinação da Europa desde a Idade Média, através do Caminho de Santiago. O sepulcro do Apóstolo, nomeado Padroeiro da Espanha, foi descoberto no século IX por um eremita chamado Pelayo, que comunicou o achado ao Bispo Teodomiro de Iria Flávia, atual município galego de Padrón. O bispo, por su vez, avisou da notável descoberta ao Rei Asturiano Alfonso II, que posteriormente converteu-se no primeiro peregrino documentado do caminho. O monarca ordenou a construção de uma pequena capela no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADiante do crescente número de peregrinos e das reduzidas dimensões do templo, se construiu uma igreja maior no ano 829 e no final do século IX (899) uma outra igreja, de estilo pré-românico, construída pelo Rei Alfonso III, que se transformou gradualmente num importante local de peregrinaçao. Em 997, esta primitiva igreja foi destruída pelo General Almanzor, comandante do exército muçulmano do Califato de Córdoba, que respeitou, no entanto, o sepulcro do Apóstolo Santiago. Apesar disso, as portas e campanas da igreja foram levadas à Mesquita de Córdoba. Quando a cidade andaluza foi reconquistada pelo Rei Fernando III em 1236, foram transportadas por prisioneiros muçulmanos à cidade de Toledo, concretamente a sua notável catedral gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADestruída a igreja primitiva, durante o reinado de Alfonso VI e sob o patrocínio do Bispo Diego Peláez, se iniciou a construção da atual catedral, um dos edifícios de estilo românico de maior importância em toda Europa. Edificada basicamente com granito, as obras se detiveram em vários momentos, sendo finalizada em 1122 e consagrada por primeira vez seis anos depois. Seus principais arquitetos foram Bernardo El Viejo, seu discípulo Roberto e um grande arquiteto da Arquitetura Românica, o Mestre Esteban. A última etapa construtiva ocorreu a partir de 1168, quando o chamado Mestre Mateo realizou a cripta e o fabuloso Pórtico da Glória, considerado um dos expoentes máximos da Arte Românica. As obras finalizaram em 1211, ano em que a Catedral é definitivamente consagrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima, vemos o aspecto da fachada principal românica da catedral, antes da reforma barroca realizada no século XVIII, que dá para a Plaza del Obradoiro. Esta imponente e maravilhosa fachada, além de outras partes da Catedral, como o mencionado Pórtico da Glória, está sendo restaurada para solucionar o processo de deterioração em seus elementos estruturais e decorativos, causado principalmente pela humidade, além de intervenções realizadas no passado que resultaram problemáticas. Além do mais, a fachada recebeu um necessário tratamento de limpeza. Abaixo, vemos duas imagens da fachada, antes da reforma, e outra atual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs primitivas torres da fachada principal eram românicas, mas forma substituídas pelas atuais durante a reforma barroca. Abaixo, vemos a Torre do Relógio, situada no lado direito da fachada. Foi realizada em 1680 por Domingo de Andrade. O relógio é de 1831, e os sinos são réplicas, cujos originais foram colocadas no claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo exterior da catedral, a única fachada que conserva sua fábrica românica é a impressionante Fachada de las Platerías, construída pelo Mestre Esteban entre 1103 e 1117.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACaracteriza-se por sua riqueza escultórica, tanto nos capitéis, quanto nos tímpanos de suas duas portas. No tímpano da esquerda, vemos cenas relacionadas às tentaçoes de Cristo. No extremo direito aparece a representação de Eva com uma caveira, identificada como adúltera pelo Códice Calixtino (um pouco complicado de ver na foto…).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo tímpano da direita, vemos outras cenas historiadas, como a Epifania em sua parte superior. Na parte inferior, a cura do cego e episódios da Paixão de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns elementos decorativos foram colocados posteriormente (final do século XIX), como estes 6 meninos que faziam parte do coro de pedra situado na nave central da igreja e realizado pelo Mestre Mateo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local destacável do exterior da catedral é a Porta Santa, cuja porta se abre somente nos denominados Anos Santos ou Jubilar, quando as festividades em honra ao Apóstolo Santiago (25 de julho) caem num domingo, algo que ocorre em intervalos de 5, 6 e 11 anos. Este privilégio foi concedido pelo Papa Calixto II em 1122.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais da porta, também foram colocadas, no século XVII, 24 figuras de personagens bíblicos, do Antigo e do Novo Testamento, que originalmente integravam o coro pétreo do Mestre Mateo. Em sua parte superior, vemos o Apóstolo Santiago, cuja imagem foi realizada em 1694 por Pedro del Campo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos esta primeira parte sobre a Catedral de Santiago de Compostela com a Fachada da la Azabachería, construída em 1758, substituindo a antiga Porta do Paraíso, pela qual entravam a maioria dos peregrinos.

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Santiago de Compostela

Minha viagem com o Marcelo e a Cristina pela Galícia finalizou de forma maravilhosa em Santiago de Compostela, cidade monumental cujos adjetivos escasseiam para definir sua beleza e importância histórica. Capital da Comunidade da Galícia, sede do governo e do parlamento galhego, meta última dos milhares de peregrinos que realizam o Caminho de Santiago, pois acolhe o sepulcro do Apóstolo Santiago, padroeiro da Espanha, e Patrimônio da Humanidade desde 1985, Santiago de Compostela é uma destas cidades que merecem ser visitadas ao menos uma vez na vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas origens estão intimamente relacionadas ao culto do apóstolo que lhe dá nome, pois até o descobrimento de seus restos no início do século IX, se pode dizer que a cidade não existia. O crescimento e importância desta cidade se deve à enorme quantidade de peregrinos que desde a Idade Média visitam a tumba do apóstolo, situado em sua impressionante Catedral Românica, que recebiam o apelativo genérico de “francos“, independente de seu local de origem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome “Compostela” deriva da expressao latina “Campus Stellae“, que significa “Campo de Estrela“. Segundo a tradição medieval, no ano de 813 um eremita chamado Pelayo, alertado pelas estrelas que iluminavam o céu noturno num bosque denominado Libredón, encontrou os restos do Apóstolo Santiago e avisou ao Bispo Teodomiro de Iria Flávia sobre as relíquias do santo. A descoberta propiciou que o Rei Alfonso II de Asturias (760/842) realizasse a primeira peregrinação a este novo local sagrado para o Cristianismo, pois as outras rotas de peregrinação, como Roma, encontravam-se, naquele momento, num período de decadente, e Jerusalém estava sob o poder dos árabes. Abaixo, vemos a imagem do apóstolo que preside a incrível fachada barroca da Catedral de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPouco a pouco a cidade começou a desenvolver-se devido a este protagonismo religioso, mas foi destruída pelo General Almanzor em 997, numa batalha situada dentro do processo de reconquista cristã das terras ocupadas pelos mouros. Almanzor, respeitou, no entanto, a tumba do apóstolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra explicação para o nome da cidade vem da expressao “Composita Tella“, que significa “Tierras Hermosas“. A cidade foi reconstruída e fortificada a partir do século XI, momento em que se construiu uma nova muralha, além de transformar-se numa sede apostólica pelo Bispo Cresconio. Em 1075, o Bispo Diego Pelaéz ordenou a construção da Catedral Românica, que atualmente contemplamos apesar das reformas realizadas, principalmente em sua fachada principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo ponto de vista político, destaca-se a coroação do Rei Alfonso VI (1040/1109) na catedral compostelana. Este monarca foi Rei de León, Castilla e da Galícia. Em 1181, o Papa Alexandro III concedeu o privilégio do Ano Santo Jacobeu. Nesta época foi redatado o famoso Códice Calixtino, um conjunto de textos que tornou-se uma fonte primordial para os peregrinos que realizavam o caminho, e que atualmente encontra-se protegido dentro da catedral, depois que foi roubado há poucos anos atrás e posteriormente reencontrado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra data fundamental para a cidade foi 1643, quando o Rei Felipe IV estabeleceu o Apóstolo Santiago como o Padroeiro da Espanha. A prosperidade alcançada fez com que se tornasse um grande centro artístico a partir da época barroca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos a Plaza del Obradoiro, a principal da cidade, onde situa-se a fachada principal da Catedral, a Prefeitura, um maravilhoso Parador de Turismo e um dos edifícios de sua famosa Universidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Atualmente, Santiago de Compostela é uma cidade de serviços em virtude do intenso turismo religioso e cultural que possui. Sua economia destaca-se também pela indústria de telecomunicações e do setor madeireiro, além de centro universitário e sede administrativa do Governo Autônomo da Galícia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATive o privilégio de ficar 4 dias na cidade, e conhecer boa parte de seus monumentos, igrejas, praças, ruas e pontos de interesse turístico. A partir de hoje, inicio uma extensa série de matérias, onde os leitores (as) do blog poderão conhecê-la com mais profundidade.

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