Na Torre da Catedral de Ávila

A Catedral de Ávila é outra das atrações históricas da cidade, e foi tema de uma série de 3 posts, publicados nos dias 21, 22 e 23/01/2017. Considerada a primeira catedral de estilo gótico na Espanha, foi edificada como templo e como fortaleza, já que o ábside da construção constitui um dos cubos da própria muralha de Ávila, algo inédito nos edifícios catedralícios, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão se sabe com precisão quando começou a ser levantada. A teoria mais aceita diz que data de mediados do século XII, cujo projeto foi realizado por um mestre francês chamado Fruchel, coincidindo com o processo de repovoamento de terras castelhanas por Raimundo de Borgoña, genro do Rei Alfonso VI. A parte construída por Fruchel, correspondente ao altar maior da catedral, se insere no estilo românico de transiçao ao gótico. Posteriormente, outros mestres finalizaram as obras da catedral (naves, capelas e o remate das torres) já no estilo gótico. Abaixo, vemos a fachada principal da Catedral de Ávila e seu impressionante aspecto de fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vemos na imagem acima, se construiu apenas uma torre, a outra permaneceu inacabada. O primeiro corpo da torre campanário data do século XIII, assim como as naves da igreja. As bôvedas (teto) e o segundo corpo da torre campanário datam do século XIV. No século XV, finalmente se finaliza todas as obras da catedral. Abaixo, vemos uma foto de seu interior, destacando sua bôveda de crucería, característica da arquitetura gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesta última vez que estive em Ávila com o Marcelo, a Cristina e o Ernesto, tivemos a oportunidade de subir no alto da torre campanário, um passeio imperdível que proporciona visitar lugares de uma catedral que normalmente estão fechados ao público. Antes de chegar na parte mais elevada da torre, pudemos contemplar umas excelentes vistas da nave central da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre campanário possui 7 sinos (campanas, em espanhol), cada qual com seu nome de batismo, como “Maria Teresa”, “Platera”, devido à presença de prata em sua fabricação, ou “San Segundo”, em homenagem ao Santo Padroeiro de Ávila. Abaixo, vemos algumas delas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, uma foto da torre inacabada, que foi fechada com tijolos, mas que deixa à vista uma parte da construção de pedra…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita inclui um elemento que normalmente os visitantes não têm acesso, a estrutura de madeira construída como sustentação do telhado ou cobertura da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto curioso foi observar as diversas marcas de canteiros ao longo da construção. Estas marcas talhadas na pedra constituem uma espécie de assinatura dos trabalhadores que colaboraram na edificação da catedral. Cada um deles possuía uma marca diferente e, desta forma, podiam cobrar pelo trabalho realizado. As marcas de canteiros são habituais nas catedrais românicas e góticas. Abaixo, vemos algumas das que descobrimos no passeio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto que me surpreendeu está relacionado com o antigo ofício dos campaneiros. Na realidade, este termo se refere a dois ofícios tradicionais, designando aqueles responsáveis pela fabricação dos sinos (elaboração do molde e posterior fundição do metal) e também às pessoas que realizavam os toques das campanas. Sempre pensei de como seria a vida destes trabalhadores que executavam este trabalho de tocar os sinos e, na visita à torre, muitas perguntas foram respondidas. A primeira questionava onde viviam e o mais curioso, é que residiam na própria torre, ao nível dos próprios sinos. A torre da Catedral de Ávila conserva maravilhosamente a casa do campaneiro. De estilo castelhano humilde, parece incrível que se manteve intacta. Os campaneiros nela viveram até os anos 50 do século XX. A residência possuía sala, alcobas, cozinha com chaminé, banheiro, etc…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa dos campaneiros foi construída aos pés da catedral, sobre a bôveda gótica. Para visitá-la, subimos os 113 degraus de uma escada em espiral, que salva a diferença entre o solo da catedral e sua cobertura. Nela se desenvolvia  a vida familiar dos campaneiros, sendo praticamente tarefa de todos seus membros realizar o toque das campanas, durante todo o dia. Frequentemente, o ofício passava de pai para filho, e as condições de vida eram extremamente duras, como nos explicou o guia que conduziu a visita. Em primeiro lugar, tinham que suportar um frio aterrador, numa cidade na qual as temperaturas normalmente atingem mínimas negativas, e muitos padeciam de doenças respiratórias. Além do mais, muitos campaneiros, depois de uma longa vida dedicada ao ofício, ficavam surdos com o forte som decorrente dos sinos. Em seus momentos de ócio, construíram pequenos jogos talhados nas pedras da torre (algo parecido com o atual jogo de damas), como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs dificuldades de acesso a esta peculiar residência fizeram com que fossem criados mecanismos de abastecimento e comunicação com o mundo exterior. O sistema implantado na Catedral de Ávila se resume a uma corda atada a uma polea que se utilizava para para subir alimentos e água, além de outros objetos essenciais à vida, e para baixar tudo aquilo que já não servia. Abaixo, vemos o sistema desde o solo da catedral e em sua parte superior, junto à casa dos campaneiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante séculos as campanas funcionaram como uma forma de comunicação social, anunciando festas, falecimentos e os atos litúrgicos, entre outros. O ofício de campaneiros data do período medieval em sua concepção atual. Atualmente, está em perigo de extinção com o desenvolvimento de métodos eletromecânicos para os toques de sinos e muitos aspiram que o toque manual seja declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. As campanas e seus variados sons constituem um maravilhoso universo, e seu estudo denomina-se Campanologia. Para saber mais sobre elas, ver as matérias publicadas em 6 e 7/3/2018, cujo tema foi o Museu das Campanas da belíssima cidade de Urueña, também situada na Comunidade de Castilla y León.

Catedral de Murcia – Parte 2

O interior da Catedral de Murcia possui a mesma riqueza estilística que em seu aspecto exterior. Belas obras de arte enriquecem e adornam o templo, das quais veremos as principais. Está composto por 3 naves, a central e duas laterais, e a girola, como se conhece a prolongação das naves laterais que rodeiam o Altar Maior. O Retábulo Maior é do séc. XIX, que substituiu o original renascentista do séc. XVI, destruído num incêndio em 1854. O Altar maior é considerado uma Capela Real por acolher o sepulcro com o coração do rei Alfonso X “El Sábio”, que passou longas temporadas na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe da Virgem que preside o Retábulo Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao Altar Maior situa-se o Coro, exemplo da Arte Plateresca, que foi trazido à catedral pela rainha Isabel II procedente do Monastério de San Martín de Valdeiglesias (Comunidade de Madrid), depois que o anterior coro e os órgãos nele situados ardessem no mesmo incêndio relatado acima. O órgão atual é de 1855.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte traseira do coro, por este motivo denominado Trascoro, vemos a Capela da Imaculada Conceição, realmente muito bonita. Construída no séc. XVII, é considerada uma das primeiras capelas de toda  Europa dedicada a ela. De estilo barroco, está ornamentada com abundantes mármores coloridos e uma imagem da Virgem do séc. XVIII, pertencente à escola madrilenha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a Capela do Nazareno, construída em 1479 e fundada pelo canônico D.Diego Rodríguez de Almeida, que nela está enterrado. Uma escultura de Jesus Nazareno do séc. XVIII preside a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Capela de San Fernando foi fundada em 1477 e está adornada com um retábulo rococó do séc. XVIII, presidido por uma imagem do santo de autor desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra bela capela é a do Socorro, construída no estilo renascentista em 1541 por Giovanni de Lugano. Tanto a capela quanto a imagem de N.Sra do Socorro foram realizados em mármore de Carrara.Famosa também é sua Pia Batismal, executada por Jacobo Florentino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA gótica Capela de San Bartolomé acolhe um quadro do santo de começo do séc. XIX, atribuído a Manuel Lázaro Meroño, uma cópia do grande pintor espanhol José de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, apesar da beleza e importância de cada uma destas capelas, a mais famosa é a Capela dos Vélez, situada na parte de trás do Altar Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta maravilhosa capela foi construída durante o reinado dos Reis Católicos. Sua construção foi encomendada por Juan de Chacón, Adelantado de Murcia, em 1490 e finalizada em 1507 por seu filho D. Pedro Fajardo, Marquês de Vélez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO autor do projeto é desconhecido, e sua exuberante decoração lhe valeu o título de Monumento Nacional em 1928. Fiquei um bom tempo contemplando esta joia da catedral, uma das obras mais destacadas do Gótico Espanhol. A seguir, vemos sua bôveda de crucería em forma de estrela de oito pontas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma das pinturas murais que se conservam no interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcluímos a matéria com a imagem de um dos vitrais da catedral, com a representação de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre a Catedral de Murcia, veremos o interessantíssimo Museu Catedralício, que complementa a visita ao templo.

Real Colegiata de Santa María – Antequera

Depois da conquista de Antequera em 1410, a cidade se transformou num próspero centro urbano da Andalucía. No século XVI, uma grande expansão urbana e demográfica se produziu, e muitos monumentos foram construídos, com especial destaque para a Real Colegiata de Santa María La Mayor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção do templo foi ordenada pelo então Bispo de Málaga Diego Ramírez de Villaescusa. Para tanto, solicitou uma permissão ao Papa Julio II, que a concedeu mediante uma bula em 1503. A importância desta igreja reside no fato de que foi a primeira edificação  de estilo renascentista de toda a Comunidade de Andalucía, num momento em que ainda era vigente o gosto pela arquitetura gótica no país. Por este motivo, foram colocados os pináculos que vemos na fachada principal, um elemento característico do estilo gótico. Em frente à Real Colegiata, vemos a escultura do poeta Pedro Espinosa, uma referência à catedra de gramática que existiu no local, transformando a igreja num importante foco do humanismo na região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAImportantes e consagrados arquitetos participaram de sua construção. As obras se iniciaram somente em 1530, sob a direção do arquiteto Pedro López, que deixou concluída toda a cimentação do templo. Depois, o famoso arquiteto da Catedral de Granada (entre outras obras), Diego de Siloé, outorgou o aspecto renascentista que possui.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre, realizada com tijolo, foi edificada somente no séc. XVII, e não constava do projeto original. O acesso ao templo se dá depois de passar pelo Arco dos Gigantes, que vimos no post anterior. Abaixo, vemos imagens da torre, tiradas dos jardins da Alcazaba de Antequera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior está formado por um grande salão basilical, e constituído por 3 naves separadas por colunas de Ordem Jônico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO teto da igreja, feito de madeira, é mudéjar do séc. XVI. Em 1692, a Real Colegiata foi levada à Igreja de San Sebastián, situada na parte baixa da cidade. Atualmente, o templo se encontra carente de elementos decorativos, pois não se dedica ao culto, sendo que seu espaço é utilizado para concertos e exposições. A Capela Maior foi realizada por Diego de Vergara entre 1545 e 1550, e sua bôveda é de crucería gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO elegante baldaquino que preside a Capela Maior foi construído em 2002, uma réplica fidedigna do original de 1578. Na época barroca, as procissões de Corpus Christi se realizavam com grande teatralidade, utilizando elementos profanos junto com as imagens religiosas. Um exemplo que podemos ver no interior da Real Colegiata é a Tarasca, uma representação de um monstro com forma de serpente ou dragão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASobre o monstro, vemos uma mulher, que normalmente simboliza a fé e o triunfo de Cristo sobre o pecado, representado pelo dragão, neste caso. A Tarasca da foto foi realizada em 1760, e está formada por 7 cabeças, uma referência aos sete pecados capitais. Em algumas cidades da Andalucía, ainda podemos observar as Tarascas pelas ruas, durante a semana de Corpus Christi…

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Igreja de Santa Cruz de Madrid – Parte 2

Na matéria de hoje veremos o interior da Igreja de Santa Cruz de Madrid. Como em sua parte exterior, o estilo construtivo do interior é o neogótico, que podemos notar nos arcos ojivais presentes em sua estrutura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstá formado por uma só nave e oito capelas laterais. Possui uma bôveda de crucería característica da arquitetura gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe muito interesse é o cimbório, sustentado por arcos escalonados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALamentavelmente, o templo foi bombardeado durante a Guerra Civil e muitos dos retábulos e esculturas tiveram que ser refeitos. O Retábulo Maior, por exemplo, foi realizado pelo artista Emilio Tudanca em 1962.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo altar maior se venera um “Lignun Crucis“, uma das relíquias mais sagradas do cristianismo, pois se trata de um pedaço da cruz onde Cristo foi crucificado. Abaixo vemos o órgão e o belo rosetón situado no transepto, ou o braço transversal em relação à nave do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas capelas podem ser admiradas muitas imagens veneradas pelos madrilenhos. A de São Judas Tadeu, por exemplo, é uma das que oferecem a maior devoção. Muitos fiéis acodem ao interior da igreja para adorar sua imagem e solicitar pedidos ao santo dos desejos impossíveis. A imagem vemos abaixo, do lado direito da foto, com o Cristo Nazareno no centro e a escultura da Esperança da Triana no lado esquerdo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de San Antonio de Pádua conserva um belo quadro do séc. XVII .

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra Capela significativa é a da Sagrada Família, constituída por um retábulo de estilo barroco com colunas salomônicas, realizado por Francisco Palma Burgos em 1943. O grupo escultórico é de autoria de Ricardo Pons. Embaixo do retábulo vemos uma escultura de Cristo jacente, realizada por Jacinto Higueras em 1941, que substituiu uma anterior do grande Pedro de Mena, queimada durante a Guerra Civil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEspecialmente bonitos são os vitrais, fabricados pela conhecida Casa Maumejeán. Esta empresa familiar foi fundada pelo francês Jules Pierre Maumejeán. Seus 5 filhos continuaram o trabalho artístico do pai, seguindo a tradição na fabricação de vitrais de grande qualidade durante mais de 150 anos.Vários dos membros da família se estabeleceram na Espanha, contribuindo com a decoração de pinturas sobre o vidro para inúmeros edifícios, tanto civis quanto religiosos. Por seu talentoso trabalho, receberam vários prêmios internacionais, que ratificaram sua fama como um dos fabricantes mais importantes de vitrais dos séculos XIX e XX.

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O Caminho de Santiago em Burgos

A cidade de Burgos adquiriu importância quando se tornou capital do incipiente Reino de Castilla no séc. X, durante o governo de Fernán González. Sua localização em pleno Caminho de Santiago lhe converteu num centro comercial e religioso fundamental na rota de peregrinos. O auge do caminho na Idade Média ocorreu entre os séculos XI e XIV, e os peregrinos traziam novas ideias que se propagavam pelo resto do continente. Muitos deles permaneceram na Espanha, como por exemplo os francos, que impulsionaram as atividades comerciais e artesanais em Burgos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANaquela época, Burgos era a primeira grande cidade que um peregrino alcançava depois de atravessar os Pirineus, por sua população e importância política, além da grande infraestrutura que possuía para receber aqueles que realizavam o Caminho de Santiago. Este potencial urbano incluía tanto os edifícios públicos, quanto assistenciais. Neste período, Burgos já contava com sua Catedral, 15 igrejas paroquiais, e mais de 30 hospitais que haviam sido abertos até o final do séc. XV para receber os peregrinos. Dentre os mais importantes, destacavam o Hospital del Rey e o de San Juan.  O peregrino que chegava à cidade nela entrava pela Porta de San Juan, construída no séc. XIV no estilo mudéjar, mas refeita em 1563. Restaurações posteriores modificaram totalmente seu aspecto original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a peregrinação, os (as) caminhantes se deparam, por todo o trajeto, e com Burgos não é diferente, com símbolos associados ao Caminho de Santiago, que identificam a rota que deve ser percorrida. Um deles é a denominada Concha de Vieira, também conhecida como Venera. Na realidade, trata-se da concha de um molusco comum que se encontra em muitos locais do continente, inclusive na costa da Galícia. Na Idade Média, o caminho finalizava em Finestere, considerado na época o fim do mundo. Ali, os peregrinos pegavam uma concha como prova indiscutível de que tinham realizado o Caminho de Santiago. Depois acabou tornando-se um símbolo do mesmo e um dos atributos distintivos do Apóstolo Santiago. Atualmente é um dos logotipos associados à rota de peregrinação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, Burgos oferece muitas opções de hospedagem para os peregrinos, como o Albergue de Santiago e Santa Catalina, que vemos abaixo, com a representação de ambos em sua fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima, vemos a representação de Santiago Peregrino que decora a fachada do albergue. Em seu trajeto entre a Porta de San Juan e a de San Martín ( cerca de 1350m), pela qual os peregrinos saíam da cidade, algumas visitas eram obrigatórias, já que estavam relacionadas ao próprio caminho, bem como a personagens que colaboraram em seu desenvolvimento. Um dos principais na cidade é San Lesmes, um monge francês que se instalou em Burgos no séc. XI, junto com outros 12 religiosos. Sua ideia principal era criar um complexo assistencial para os peregrinos, o Monastério de San Juan.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASan Lesmes faleceu em 1097, sendo aclamado como santo logo depois de sua morte. Em 1511, foi proclamado Padroeiro de Burgos. O edifício que hoje contemplamos não tem nada a ver com sua construção românica original. A fachada de estilo clássico foi reconstruída no final do séc. XVI ou começo do XVII. Depois da Desamortização de Mendizábal de 1836, o monastério foi abandonado e boa parte dele se converteu em ruínas. Atualmente, se conserva apenas o claustro do séc. XVI e a sala capitular. No entanto, nele são realizadas uma intensa atividade cultural, com conferências, exposições, etc. Outro monumento associado ao santo é a Igreja de San Lesmes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo foi construído na fase final do estilo gótico, nos séculos XV e XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da Igreja de San Lesmes é rico em obras de arte, com destaque para o Retábulo Maior Barroco, executado no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO teto da igreja foi construído com as típicas Bôvedas de Crucería da Arquitetura Gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa nave central foi colocado o Sepulcro de San Lesmes, realizado pelo Mestre de Covarrubias no final do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro destaque da Igreja de San Lesmes é a Capela dos Salamanca, com um belíssimo retábulo flamenco.

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Castelo de Almansa

Um dos monumentos mais conhecidos da cidade, o Castelo de Almansa é um dos mais belos e preservados de toda a Comunidade de Castilla La-Mancha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta fortaleza se adapta perfeitamente ao terreno onde está situada, possuindo 100m de comprimento x 30m e largura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo de Almansa foi levantado pelo infante D.Juan Manuel no séc. XIV, sobre uma fortaleza árabe anterior. No entanto, seu aspecto atual se deve ao Marquês de Villena Juan Pacheco, que ordena construir as torres circulares defensivas, a Torre de Homenagem e a barbacana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEdificado sobre uma grande rocha conhecida como “Cerro da Águia”, seu acesso é complicado, principalmente por tratar-se de um sistema defensivo. O recinto está dividido em vários níveis, desde a Barbacana em sua parte inferior até a Torre da Homenagem em sua parte mais elevada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua muralha está adaptada ao desnível do terreno, com torres circulares nas esquinas e almenas em todo seu perímetro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do séc. XVI, paulatinamente o castelo entra num longo processo  de abandono e deterioraçao por falta de uso, ao perder sua funçao original de baluarte defensivo da cidade. Em 1921 escapou da destruiçao total ao ser nomeado Monumento Histórico-Artístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de 1952, foi restaurado de forma contínua, sendo valorizado como um importante elemento turístico da regiao. Abaixo, vemos a entrada principal do castelo, construída entre os séc. XIV e XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Torre de Homenagem destaca-se por sua imponência, cujo teto está coberto por uma bôveda de crucería, realizada no período gótico (séc. XV).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA mediados do séc. XIX foi descoberta uma maravilhosa escada em caracol, até entao desconhecida, e em perfeito estado de conservaçao, que serve para alcançar a parte mais alta da Torre de Homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos outras imagens do belíssimo Castelo de Almansa.

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Catedral de Astorga – Parte 2

O interior da Catedral de Astorga possui planta basilical formada por 3 naves e o mesmo número de ábsides poligonais. As bôvedas sao típicamente góticas, chamadas de crucería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Trascoro, situado como o próprio nome indica na parte detrás do Coro, é neoclássico, e foi feito de materiais diversos, como mármore, jaspe, alabastro e bronze. Trata-se de uma verdadeira capela com um retabulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele, vemos duas imagens principais, a da Virgem no centro e de Santo Toríbio, Bispo de Astorga do séc. V, no alto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Coro é de estilo flamenco e foi executado com madeira de nogal. Foi realizado por Juan de Colonia, um dos arquitetos da catedral, em 1515.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior direita do Coro, vemos o belíssimo órgao barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs vitrais que compoem a catedral estao sendo, pouco a pouco, restaurados. Alguns sao medievais. Outros, de época moderna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe barroco de uma de suas capelas e a cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Catedral de Astorga estao sepultadas as conhecidas Enfermeiras Mártires de Somiedo, que foram fuziladas pelos republicanos no começo da Guerra Civil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos maires tesouros artísticos do interior do templo é o Retábulo Maior. Esta grande obra de arte foi realizada por Gaspar Becerra (1520/1568), um dos grandes nomes do Renascimento Espanhol. Pintor e escultor, o artista viveu durante um tempo na Itália, e sua obra caracteriza-se por uma forte influência de Miguel Ângelo. Foi pintor da corte de Felipe II e este retábulo é uma de suas principais obras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste retábulo, realizado na segunda metade do séc. XVI, foi revolucionário para a época, tornando-se motivo de inspiraçao para muitos outros que vieram depois dele. A claridade e monumentalidade arquitetônica, além de sua sobriedade decorativa, colaboraram para isso. Os temas escultóricos estao relacionados com a exaltaçao da Virgem Maria e a vida de Cristo. Na parte superior do retábulo, observamos o Calvário. Toda esta iconografia estava relacionada com o Concílio de Trento, cujas reformas visavam reafirmar os dogmas do Catolicismo, bem como uma tentativa de deter o avance do Protestantismo.