Castelos e Fortalezas Árabes da Espanha – Parte 2

Além das Alcazabas que vimos no post anterior, várias outras fortificações espanholas que vemos hoje em dia tiveram sua origem no período árabe ou islâmico. Veremos algumas delas, como o impressionante Castelo de Frías, situado na Província de Burgos, Comunidade de Castilla y León. Sua origem se remonta ao século X, e no século XV foi cedido à família dos Fernández de Velasco, Duque de Frías.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALocalizado na Província de Guadalajara (Comunidade de Castilla La Mancha), o Castelo de Molina de Aragón originou-se como um Alcázar muçulmano (palavra árabe que significa fortaleza), a residência dos governadores da Taifa de Guadalajara. Conquistado pelo Rei Alfonso I de Aragón em 1129, foi a partir deste momento reconstruído, dando-lhe o aspecto que vemos atualmente. Este belo castelo é considerado o maior de toda a Província de Guadalajara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade de Extremadura, Província de Cáceres, destaca o Castelo de Trujillo, construído entre os séculos IX e XII. Nele observamos detalhes arquitetônicos característicos  das construções islâmicas, como o Arco de Ferradura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma vista panorâmica da fortaleza de Trujillo e uma imagem de sua muralha defensiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade de Aragón, gostaria de mencionar duas fortalezas relevantes do período islâmico. Na cidade de Calatayud, Província de Zaragoza, situa-se o Castelo de Ayyub, de origem muçulmano e construída no século IX. O nome da fortaleza é uma referência ao fundador da cidade Ayyub Ben Habib Al Lajmi, que fundou Calatayud no ano 716. Este castelo é uma das 5 fortalezas existentes nos cerros que delimitam a cidade, unidos por 4 km de muralhas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs vistas da cidade desde o alto do castelo impressionam, destacando suas belas igrejas mudéjares, que integram a lista deste tipo de edifícios aragoneses declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa capital e maior cidade da Comunidade de Aragón, Zaragoza, se conserva uma fortaleza de grande importância histórica relacionada às fortificaçoes do período islâmico, o Palácio da Aljafería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste belíssimo palácio fortificado foi construído na segunda metade do século XI e reflete o esplendor alcançado pela Taifa de Zaragoza. Se considera o único palácio muçulmano que se conserva de toda a Espanha, relacionado ao período de Taifas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua parte mais antiga é a chamada Torre do Trovador, que vemos na esquina do lado direito na imagem acima. Esta fortaleza era um palácio de recreio dos governadores da Taifa de Zaragoza, e sua tradução significa “Palácio da Alegria“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da reconquista de Zaragoza pelo Rei Alfonso I “El Batallador” em 1118, a Aljafería passou a ser a residência dos reis aragoneses, quando a partir deste momento foi reformado no estilo mudéjar.

DSC_0195DSC_0194DSC04832O Palácio da Aljafería conserva inclusive sua mesquita

DSC00187Posteriormente, foi reformado durante o reinado dos Reis Católicos e transformou-se na prisão do Tribunal da Inquisição em Aragón. Também foi utilizado como quartel militar em séculos posteriores. Atualmente é a sede das Cortes de Aragón.

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La Dolores – Calatayud

Se vas a Calatayud, pregunta por Dolores, una chica muy guapa y amiga de hacer favores…

Assim começa uma copla, uma espécie de canção popular anônima, que originou um dos personagens mais conhecidos de Calatayud, La Dolores. Realmente, entre as lendas de Aragón, poucas se tornaram tão universais quanto esta história de amor e morte protagonizada por esta figura, fruto da imaginação literária do escritor catalão José Feliú y Codina e do talento musical de Tomás Bretón, criador da famosa ópera sobre a heroína.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATudo começou a mediados do séc. XIX, quando surgiu de forma anônima esta canção popular. Feliú y Codina escreveu o drama em 1891, depois de ter escutado a copla de um cego, numa estação de trem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a história descrita por Feliú y Codina, Dolores foi uma bela jovem que viveu em Calatayud no princípio do séc. XIX e que trabalhava na Pousada de San Antón. Sua beleza fez com que fosse alvo de vários pretendentes, entre os quais um barbeiro, um comerciante e um sargento. Porém, Dolores se apaixonou por Lázaro, cujo amor correspondido era, no entanto, impossível, pois Lázaro estava estudando para ser seminarista. Na luta que se desenrola por seu amor, um dos personagens morre apunhalado por Lázaro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1895, Tomás Bretón (Salamanca-1850/Madrid-1923) escreveu uma ópera baseada no romance de Feliú y Codina que tornaria famosa La Dolores, cuja estreia ocorreu no Teatro da Zarzuela de Madrid. Abaixo, vemos uma foto do dramaturgo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de então, é assombrosa a quantidade e variedade do patrimônio cultural que surgiu em torno deste personagem, entre filmes, musicais, etc. Das inúmeras composições musicais, destacam “Una noche en Calatayud”, de Pablo Luna (1924) e “Se vas a Calatayud”, de Salvador Valverde e Ramón Zarzoso (1944).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro filme sobre La Dolores foi realizado em 1908 e muitos outros vieram depois. Um dos mais famosos foi protagonizado pela atriz Conchita Piquer, intitulado como não poderia ser de outro modo “La Dolores”, uma produção de 1940.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO tenor Plácido Domingo em muitos de seus espetáculos finaliza o show com uma jota sobre La Dolores. A mulher que inspirou a copla realmente existiu, Dolores Peinador Narvión, nascida em Calatayud em 1819, cuja beleza chamava a atenção de todos. Pertencente a uma das famílias mais influentes da cidade, sua vida foi bem diferente à lenda criada em torno ao personagem. Faleceu em Madrid em 1894.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara conhecer a história da Dolores, um lugar imprescindível é o Mesón de la Dolores, situado em Calatayud. Trata-se de um antigo palácio renascentista do séc. XV, um dos edifícios mais antigos da cidade. O palacete sofreu uma grande transformação no séc. XIX ao ser convertido numa pousada, função que exerceu até 1963. Depois, o imóvel ficou abandonado até que em 1997 a Prefeitura de Calatayud restaurou o edifício, que foi reinaugurado como hospedaria, conservando sua decoração tradicional.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO local transformou-se numa grande atração turística de Calatayud depois que suas dependências foram adaptadas para sediar o Museu de La Dolores, que revive a história deste personagem, e cujas fotos vemos na presente matéria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do mais, na bodega medieval do edifício podemos conhecer o Centro de Interpretação da Denominação de Origem Calatayud, que controla a qualidade dos saborosos vinhos fabricados na região.

Mudéjar em Calatayud – Parte 2

Dando continuidade a matéria sobre o estilo mudéjar em Calatayud, hoje veremos a principal igreja da cidade, a Colegiata de Santa María la Mayor. Este templo foi incluído, junto com a Paróquia de San Andrés, na lista dos monumentos mudéjares da Comunidade de Aragón declarados Patrimônio da Humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Colegiata de Santa María está documentada desde o séc. XII. Foi edificada sobre a mesquita maior de Calatayud. Depois da reconquista da cidade, a mesquita foi consagrada como templo católico, sob a advocaçao da Virgem Maria, em 1249. Porém, desta igreja primitiva não se conserva nada. O templo atual substituiu o anterior, construído em diversas épocas. Do estilo mudéjar, se conservam a torre, o ábside e o claustro. A torre da colegiata é o principal elemento identificativo de Calatayud. Com 70m de altura, é considerada a torre mais alta de Aragón, sendo levantada entre os séc. XIV e XV.

20150813_100522OLYMPUS DIGITAL CAMERADe notável beleza é a fachada, realizada a modo de retábulo, dentro da estética renascentista. Este conjunto arquitetônico-escultórico é considerado um dos melhores e mais preservados conjuntos platerescos de toda a comunidade (estilo renascentista espanhol caracterizado pela grande ornamentação).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta impressionante porta foi esculpida em 1528 por Juan de Talavera e o francês Esteban de Obray. Aberta num arco de meio ponto, sua rica iconografia está decorada por cabeças de querubins, personagens grotescos, motivos florais, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA cena principal está formada, em sua parte superior, por um relevo que representa  a Pentecostes. Embaixo, vemos a Anunciação da Virgem, franqueada por anjos. Nas laterais, aparecem as figuras de São Pedro (com a Bíblia) e São Paulo (com a espada).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACompletando a cena, na parte lateral inferior foram representados 3 santos de cada lado. Abaixo, vemos a São Prudêncio, São Roque e Santa Lúcia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja é barroco, mas atualmente não pode ser visitado devido as obras de restauração que estão sendo feitas. A Colegiata de Santa María foi declarada Monumento Nacional em 1984. Outro templo de importância em Calatayud que preserva elementos mudéjares é a Igreja de San Pedro de los Francos. Foi construída logo após a reconquista como paróquia para os francos que chegaram para repovoar a cidade. Como nas demais igrejas, o mudéjar, neste caso de maior simplicidade, também se conserva na torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta igreja possui uma grande importância histórica, pois nela se celebraram as cortes em 1461, quando foi proclamado o Príncipe Fernando, depois chamado de ·”El Católico“, como herdeiro do monarca Juan II. Construída no séc. XIV, a torre sofreu, ao longo dos séculos, uma incrível inclinação. Por isso, em 1840 demoliram a parte onde se situava os sinos, com a justificativa de proteger a segurança da família real que se encontrava hospedada justo em frente da igreja, no denominado Palácio do Barão de Wassage, herói da Guerra da Independência. A fachada da igreja é gótica , de grande simplicidade. Sua localização, numa rua estreita, dificulta a obtenção de imagens gerais, que ofereçam um panorama completo de sua estrutura.

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Mudéjar em Calatayud

O maior legado artístico da cidade de Calatayud para a posteridade é o estilo mudéjar, presente em muitas das construções religiosas do centro histórico, principalmente em suas admiráveis torres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe fato, Calatayud é considerada uma das “capitais” do Mudéjar Aragonês, junto com Daroca (post publicado em 15/10/2013), Teruel (20/10/2013) e Zaragoza (9/10/2012). Mudéjar, como já foi dito em várias ocasiões, é a denominação que receberam a população de cultura, tradição e religião muçulmana que permaneceram vivendo na Espanha depois da Reconquista dos Reis Cristãos. Até 1610, quando os mouros foram expulsos do país, muitos muçulmanos mantiveram seus costumes nos lares das cidades que apresentavam uma comunidade importante de indivíduos que professavam a religião islâmica. Alguns eram hábeis construtores, incorporando elementos da tradição arquitetônica árabe nos edifícios religiosos cristãos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do séc. XIII, surgiram originais modelos construtivos, baseado na combinação de materiais como o tijolo (em espanhol, ladrillo), utilizado como elemento construtivo e decorativo, o gesso, a madeira e a cerâmica. A beleza e particularidades do Mudéjar Aragonês foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade em 2001, como um testemunho da convivência entre distintas culturas e a criação de uma arte exclusiva do território espanhol. A Província de Zaragoza conta com uma grande quantidade de construções deste estilo único. Provavelmente, a igreja mais antiga de Calatayud é a Paróquia de San Andrés, uma das primeiras fundadas depois de ser reconquistada pelo monarca Alfonso I “El Batallador”. É bem possível que se trata de um templo originário de uma antiga mesquita, que acabou sendo transformada em igreja católica.

20150813_100412No séc. XVI a igreja foi ampliada, momento em que se edifica sua bela torre octogonal mudéjar. Formada por 3 corpos, é um típico exemplo de torre alminar, elemento característico da arquitetura islâmica presente nas mesquitas, cuja função principal é a chamada dos fiéis à oração diária (também denominado de Minarete). Aqui observamos a importância do tijolo dentro do contexto construtivo, transformando-se no material principal da arquitetura mudéjar. Normalmente, os materiais usados no estilo mudéjar são de fácil obtenção e baixo custo. Porém, os artesãos islâmicos foram capazes de transformar estes simples materiais em obras artísticas de grande plasticidade, compostas por formas geométricas que se repetem, arcos entrecruzados (denominados de Sebka), motivos vegetais, etc.

20150813_100435A Igreja de San Juan El Real, apesar de ter sido construída somente no séc. XVIII (entre 1774 e 1777), adotou formas arquitetônicas inspiradas do mudéjar, que podemos observar em sua torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste templo foi construído para a Companhia de Jesus, nome pelo qual se conhece a Ordem dos Jesuítas, que se estabeleceram na cidade em 1584.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADevido a problemas estruturais, as igrejas mudéjares de Calatayud estão sendo submetidas a um importante processo de restauração em seu interior, de modo que não pude visitá-las por dentro. A exceção foi justamente a Igreja de San Juan, cuja visita realizei logo após chegar à cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANesta igreja, o pintor aragonês Francisco de Goya, com apenas 20 anos, realizou as pinturas representativas dos 4 Padres da Igreja Católica Ocidental nas partes laterais da cúpula. Fico devendo imagens das mesmas (na foto acima, podemos ver, mas não contemplar, duas delas, no alto da imagem). Abaixo, observamos a parte lateral da nave central e seu belíssimo órgão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos a segunda parte da matéria sobre o Mudéjar em Calatayud, com destaque para a Colegiata de Santa Maria.

Um Passeio por Calatayud

Em 1967, Calatayud foi declarada Conjunto Histórico-Artístico, graças a conservação e importância de seus monumentos. Hoje veremos alguns deles, num passeio pelo centro da cidade. Da antiga muralha medieval, se preservam algumas portas, como a Porta de Zaragoza, uma das principais vias de acesso ao seu interior, que foi reconstruída no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Porta de Terrer impressiona por seu aspecto monumental. Construída no séc. XVI, está formada por duas torres cilíndricas, feitas de tijolo. Na parte inferior, vemos dois brasões, um representando a Dinastia dos Áustrias e o outro da própria cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente a esta bela porta, situa-se a Fonte dos Oito Canos, construída também no séc. XVI para trazer água a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas residências nobres antigas ainda se conservam, apesar da passagem dos séculos. Uma delas é o Palácio de los Sese, um palácio renascentista do séc. XVI, realizado ao estilo aragonês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHistoricamente, uma das principais ordens religiosas que se instalaram em Calatayud foi a dos jesuítas, com o objetivo de criar centros de estudos superiores. O chamado Seminário de Nobres foi levantado com este fim no séc. XVIII. Com a posterior expulsão dos jesuítas da Espanha, o edifício passou a exercer outras funções, como Hospital Municipal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pequeno monumento serve de homenagem a uma das manifestações culturais mais características da Comunidade, a Jota Aragonesa. Este gênero musical é encontrado em boa parte do pais, mas em Aragón adquiriu fama internacional por suas particularidades. Tal como se conhece atualmente, a jota foi criada no séc. XVIII ou princípio do XIX, e hoje em dia faz parte do folclore aragonês. Ao lado de uma típica dançarina de jota, vemos alguns dos monumentos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo algumas teorias, a jota originou-se na cidade de Valência. Por este motivo, existe uma pequena inscrição junto ao monumento, que devido ao pequeno tamanho não se pode ler, mas que diz o seguinte:

” La jota nasció en Valencia, Se crió en Aragón, Calatayud fue su cuna (berço), A la orilla (nas margens) del Jalón ( o nome do rio que atravessa a cidade)”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA jota se expressa através da combinação de dança, canto e interpretação instrumental. É acompanhada por castañuelas, e os participantes se vestem com trajes típicos. Um lugar que não poderia faltar em Calatayud é a Praça de Touros. O Coso Taurino, como muitas vezes se denominam estes espaços, da cidade foi construído em 1877.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe forma octogonal, sua construção foi inspirada na arquitetura mudéjar, de cuja importância na cidade falaremos na próxima matéria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de visitar a cidade, uma boa dica é conhecer uma das paisagens mais belas da comunidade aragonesa, o famoso Monastério de Piedra. Situado a pouca distância do centro de Calatayud, este monastério cistercense do séc. XII está localizado numa reserva natural de grande beleza. O Rio Piedra, num paciente processo de erosão, formou grutas e um relevo acidentado, responsável pela enorme quantidade de cachoeiras no local. Além do mais, é possível hospedar-se no próprio monastério e ver as ruínas do antigo convento cistercense. Um passeio imperdível…

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Castelo de Ayub – Calatayud

Poucos anos depois da invasão muçulmana da Península Ibérica  (ano 711), os árabes se assentaram na atual Comunidade de Aragón, onde construíram um dos recintos fortificados mais importantes da península. O Castelo de Ayub, como foi denominado, deu origem ao nome da nova cidade fundada ao redor da fortaleza, Calatayud.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAErguido na parte mais elevada da cidade, o Castelo de Ayub é considerado um dos recintos defensivos de época muçulmana mais antigos que se conservam, não só da Península Ibérica, como de todo o mundo islâmico.

20150813_094122Este castelo se encontra em seu estado puro, sem qualquer tipo de restauração, ainda que esteja deteriorado devido a própria erosão dos materiais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte mais antiga está formada por duas torres octogonais e o muro que as une.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do séc. IX, durante o governo do quarto emir de Córdoba, Muhammad I, o recinto foi ampliado, alcançando um perímetro de 4 km e unido por muralhas de até 15m de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do Castelo de Ayub, o mais importante por sua estratégica posição e tamanho, foram construídos outros 4 castelos: do Reloj (relógio), de Doña Martina, de la Peña e da Torre Mocha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO sistema defensivo acabaria sendo constantemente refortificado em épocas posteriores, em virtude das guerras civis que assolaram o reino na Idade Média, como por exemplo, no séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA20150813_091928As vistas da cidade de Calatayud desde o Castelo de Ayub são formidáveis, devido à sua localização no alto do cerro que cerca a mesma. No próximo post, faremos um passeio pelas ruas e praças desta cidade aragonesa, descobrindo seus encantos e principais pontos de interesse.

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Bílbilis Romana- Parte 2

Na matéria de hoje, veremos alguns aspectos relacionados às manifestações artísticas produzidas na antiga cidade celtíbera-romana de Bílbilis, que podemos encontrar no Museu de Calatayud, bem como alguns dos principais monumentos do local. O Fórum, por exemplo, foi construído durante o reinado de Augusto e finalizado no de Tibério. Considerado o centro social e político das cidades romanas, nele se localizam os principais edifícios públicos do espaço urbano, além de ser um símbolo de poder e da cultura romana. No caso de Bílbilis, foi edificado no alto de um cerro, de modo que fosse visível desde a calçada romana que interligava Caesaraugusta (atual Zaragoza) com Emérita Augusta (atual Mérida). Abaixo, vemos uma foto onde se situava o foro nas ruínas de Bílbilis e sua representação idealizada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm edifício imprescindível em qualquer urbe romana é o Teatro, um dos principais locais de divertimento da população. O Teatro de Bílbilis possuía um caráter comarcal, pois sua capacidade de 4500 espectadores era superior ao número de habitantes da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABílbilis contava também com as habituais termas (construídas no séc. I dC), um local utilizado não só como zona de ócio, como também de encontro social. As esculturas adornavam os principais edifícios, e algumas que foram recuperadas representavam a retratos de imperadores, como vimos no post anterior. No Museu de Calatayud, podemos admirar outras obras escultóricas encontradas em Bílbilis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs grandes edifícios se complementavam com uma rica ornamentação,  principalmente com capitéis jônicos (primeira foto abaixo) e coríntios (segunda foto), feitos em pedra calcária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs muros, tanto dos edifícios, quanto das casas de famílias mais favorecidas economicamente, estavam decorados com pinturas ao fresco ou placas de mármore, em muitos casos importadas da Itália, Grécia, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas conservadas possuem uma extraordinária riqueza e variedade de cenas. O estado de conservação é excelente, e a maioria se inserem dentro do estilo das pinturas encontradas em Pompéia. Abaixo, vemos as pinturas que decoravam as paredes de um cubiculum, um dormitório de uma casa romana, datadas em 50 aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos a representação de um pavão real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO solo era embelezado com mosaicos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO latim foi utilizado como um meio para transmitir e unificar a cultura romana através dos povos conquistados. Em Bílbilis, sua presença se manifesta de diversas formas, como nos escritos do poeta Marco Valério Marcial, nas inscrições monumentais de mármore encontradas no Fórum e nos túmulos de seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA inscrição acima, traduzida, diz: “Aqui jaz Lucio Cornelio Samio, liberto de Filomuso, natural de Aquae (atual cidade de Alhama de Aragón)”. O latim também foi empregado nas inscrições realizadas em moedas, através das quais foi possível conhecer os nomes dos magistrados da cidade. Junto ao latim, generalizado desde a época de Augusto, apareceram letras e elementos gráficos da língua ibérica em objetos cotidianos e nos materiais de construção, indicando a sobrevivência do idioma e dos costumes indígenas, que paulatinamente foram desaparecendo. Alguns elementos de culto privado, encontrado nas casas, nos permitem conhecer alguns ritos religiosos, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto acima, na parte superior esquerda, aparece a figura de Hércules, feita em bronze. Ao lado, uma pequena estátua de uma divindade oriental. Peças de cerâmica representam figuras femininas (Vênus?) e masculinas. Na parte inferior esquerda, vemos um caduceu, que portava a imagem de Mercúrio, também realizada em bronze. Com a desintegração do Império Romano, alguns séculos passaram até a chegada dos árabes no séc. VIII, que finalmente fundaram a cidade de Calatayud, com a construção de um imponente recinto defensivo, cuja história veremos no próximo post.