Parque Quinta de los Molinos: Madrid

Na Europa, o inverno se desenvolve nos meses finais do ano e nos primeiros meses do ano seguinte. Enquanto no Brasil as praias lotadas constituem o lugar comum nos meses de verão, no continente europeu os protagonistas são as estações de esqui. Nesta época, as árvores perdem suas folhas, e a maior parte da vegetação carece de sua beleza e cromatismo essenciais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, existe uma espécie que florece justamente no final do inverno, anunciando a primavera (final de fevereiro e começo de março). Me refiro à Amendoeira (Almendros, em espanhol), cujo fruto, a amêndoa, é muito apreciado na Gastronomia Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espetáculo de sua floração é outro presente da natureza e existe um lugar de Madrid onde podemos admirá-la em todo seu esplendor, o Parque da Quinta de los Molinos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Parque situa-se em plena Calle de Alcalá, a avenida mais comprida da cidade e de grande importância histórica, que acolhe também a área verde mais famosa da capital, o maravilhoso Parque do Retiro, muito mais conhecido e frequentado. Talvez por este motivo, a Quinta de los Molinos é um parque seleto, e desconhecido para a grande maioria do público.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo parque se contabilizam aproximadamente 1500 amendoeiras, e vê-las em sua plenitude é uma verdadeira experiência sensorial. Pertence à família das rosáceas (Prunus Dulcis), e sua altura pode alcançar entre os 3 e os 5 metros.Quando jovem, possui uma cor amarelada, substituída pela cor rosa, quando chega à idade adulta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta espécie vegetal é originária das regiões montanhosas da Ásia central e  cultivada na Espanha há mais de 2 mil anos. Provavelmente introduzida pelos fenícios, a árvore propagou-se pelo país durante a época romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs amêndoas sao utilizadas no ramo da perfumaria e, principalmente, na culinária. É muito usada na elaboração de sobremesas tradicionais, como os Turrones (consumido preferencialmente nas festas de finais de ano) e o Mazapán (doce típico da cidade de Toledo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs amêndoas possuem um alto valor energético. Cada 100g da fruta produz 579 kcal, com grandes quantidades de carboidratos, gordura, proteínas e fibra, além de ser rico em minerais essenciais e vitaminas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO parque possui muitas outras espécies vegetais, como as oliveiras, eucaliptos e pinos, embora a Amendoeira seja a rainha inquestionável…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, contarei um pouco da história deste belo parque de Madrid, pois além do belo espetáculo das Amendoeiras, existem muitos outros locais para serem visitados.

Igreja das Calatravas – Madrid

Num segundo momento, o Barroco em Madrid entra numa fase mais ornamental. As linhas curvas se destacam e o interior dos templos é invadido por retábulos de grande complexidade. Inicia-se por volta de 1660 e entra em decadência na década de 40 do século XVIII. Um exemplo deste tipo de barroco é a Igreja das Calatravas, situada na Calle de Alcalá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste templo foi mandado construir pelo rei Felipe IV para a Ordem Militar de Calatrava, onde se ordenavam os cavalheiros de dita organização. A igreja integrava o convento, que foi destruído durante o século XIX devido à Desamortizaçao de Mendizábal. Graças à intervenção de personalidades influentes, a igreja escapou de ser derrubada. No mesmo local onde se levantou o convento, existia um palácio de uma família nobre cuja filha foi amante de Felipe IV, como muitas outras damas de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome completo do templo era Convento de la Concepción Real de la Orden de las Comendadoras de Calatrava, e durante séculos sua cúpula dominou o horizonte da Calle de Alcalá, antes que modernos edifícios nas proximidades fossem construídos, ocultando seu perfil na modernidade. Abaixo, vemos uma foto antiga da Calle de Alcalá, onde podemos observar a cúpula no lado esquerdo da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto convento-igreja foi projetado pelo arquiteto Fray Lorenzo de San Nicolás entre 1670 e 1678. A fachada que estamos vendo foi, no entanto, reformada em 1858 no estilo neo-renascentista por Juan de Madrazo y Kuntz, onde destaca sua cor avermelhada e a cruz da Ordem de Calatrava em seu rosetón (roseta, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta ordem foi fundada em 1158 durante o período da reconquista para defender a cidade e o castelo de Calatrava, situados na atual Província de Ciudad Real, Comunidade de Castilla La Mancha, constantemente atacados pelas tropas árabes. Logo se fundaram conventos femininos para acolher as mulheres e filhas daqueles que partiram à guerra, cuja missão era orar por seu triunfo. Com o tempo, estes conventos se transformaram em centros educacionais de prestígio para a nobreza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA história da Ordem de Calatrava, a diferença de outras ordens militares, é bem conhecida graças aos relatos do Bispo de Toledo Rodrigo Jiménez de Rada (1170/1247), promotor da construção da Catedral de Toledo. A ordem foi fundada pelo abade Don Raimundo, pertencente ao Monastério de Fitero de Navarra, sendo regida pelos ditames da Regra de San Benito e da Ordem Religiosa dos Cistercenses.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Cruz da Ordem de Calatrava pode ser vista como elemento decorativo em vários lugares da igreja, como em uma de suas portas de acesso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as distintas Ordens Militares existentes ao longo da história espanhola e os escudos a elas relacionadas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada exterior da igreja, vemos uma escultura da Imaculada Conceição que preside o templo, realizada por Sabino Medina.

dsc01993A riqueza decorativa de seu interior originou a frase que diz ” Na Igreja de Calatrava se encontram todos os santos…”. Abaixo, vemos a Virgem Negra de Montserrat, Padroeira da Catalunha e a Virgem do Pilar, Padroeira da Espanha e do Mundo Hispano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta segunda fase do barroco é conhecida como Estilo Churrigueresco, uma referência a José Benito de Churriguera (Madrid: 1665/1725), que realizou retábulos maravilhosos, caracterizados por sua suntuosa decoração. O artista realizou sua única obra na cidade justamente para a Igreja das Calatravas em 1720, dedicada a San Raimundo de Fitero, fundador da ordem. Uma pena que, quando estava tirando as fotos do interior, fui avisado que elas não estavam permitidas, e pude tirar apenas uma do retábulo, que não ficou grande coisa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste barroco intenso e expressivo foi posteriormente desprezado pelo estilo neoclássico por seu exagero decorativo, sendo contrário aos princípios elaborados pela instituição reguladora do novo estilo que se impôs, a Real Academia de Belas Artes de San Fernando, também situada na Calle de Alcalá (ver matéria publicada entre 31/5/2014 e 6/6/2014). Apesar disso, o Estilo Churrigueresco tornou.se muito popular e expandiu-se pelo país e, inclusive, pela América latina. No início do século XXI, a Igreja das Calatravas foi novamente restaurada, depois de décadas abandonada…

 

Antonio Palacios

No final do séc. XIX, surgiu na arquitetura o denominado estilo eclético, uma reação contra o neoclassicismo, considerado rígido e pobre em elementos ornamentais. Nesta nova corrente, todos os estilos precedentes se combinavam, mas sem um ideal estético definido. Muitas das principais construções europeias foram edificadas neste estilo, contribuindo para a evolução arquitetônica que se produziria no século seguinte. A partir do momento em que sua fórmula se “esgotou”, por assim dizer, se buscou na Espanha uma nova identidade nacional arquitetônica, baseada nas modernas correntes que começaram a surgir. Neste contexto, a figura de Antonio Palacios (Porriño-1876/Madrid-1945) teve um papel fundamental. Considerado um dos maiores arquitetos da história do país, seu legado pode ser admirado pelas principais ruas da cidade de Madrid, em especial a Calle de Alcalá. Natural de Porriño, um povoado de Pontevedra, Comunidade de Galícia, com tão somente 18 anos veio à capital para cursar a carreira de arquitetura, nela permanecendo para tentar ganhar a vida e aproveitar a intensa atividade imobiliária que se estava desenvolvendo em Madrid naquele momento. Sua primeira obra é considerada um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, o Palácio de Comunicações, situado na famosa Praça de Cibeles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua primeira fase, sua obra caracteriza-se pela estreita colaboração que teve com  Joaquín Otamendi, membro de uma influente família da arquitetos vascos. Ambos venceram um concurso público para a realização da nova sede dos Correios e Telégrafos. O fato do projeto ser o de mais baixo orçamento, aliado à juventude e inexperiência dos arquitetos criou uma grande polêmica, que só aumentou quando começaram a aparecer as formas do novo edifício. Os críticos mais “moderados” disseram que a construção mais parecia uma catedral que uma central do correio. De fato, um cronista da época se referiu ao edifício como “Nossa Senhora das Comunicações“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ muito complicado definir o estilo de Antonio Palacios, já que foi influenciado por muitas correntes arquitetônicas.Uma delas se relaciona com o arquiteto francês Violet Le Duc e suas concepções medievalistas. Realmente, as torres que rematam o Palácio das Comunicações lembram o formato dos antigos castelos medievais.OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi finalizado em 1919, e atualmente tornou-se um símbolo de Madrid. No alto, um aconchegante bar oferece belas vistas do entorno (foto acima). Em 2011, a sede da Prefeitura de Madrid foi levada para a parte traseira do edifício, que passou a denominar-se Palácio Cibeles. Abaixo, vemos uma imagem desta parte da construção, que pode ser visitada nos finais de semana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vocês podem observar, o projeto do edifício foi um dos mais complexos executados por Palacios. Outra das características do arquiteto foi a incorporação de elementos ornamentais, colaborando para o desenvolvimento das Artes Decorativas, como vemos nas escadas de acesso aos andares superiores do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a parte frontal do palácio se transformou num importante centro cultural, com uma rica programação de atividades. Abaixo, vemos uma foto do interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara saber mais a respeito deste belo edifício, ver a matéria publicada em 13/9/2012. Antonio Palacios também colaborou para que a Calle de Alcalá ficasse conhecida como a rua dos banqueiros com duas construções que levam sua assinatura. A primeira delas é a sede do antigo Banco do Rio da Prata, posteriormente sede do Banco Central.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste edifício foi inspirado na Acrópole de Atenas e impressionam por suas colunas de ordem gigante e as cariátides que decoram a entrada principal. Desde 2006, o edifício é a sede do Instituto Cultural Cervantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra sede de instituição financeira executada na Calle Alcalá por Antonio Palacios foi o Banco Mercantil e Industrial. Finalizado somente depois da Guerra Civil, esta foi a última obra que o arquiteto realizou em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe até então, a pedra, em especial o granito, foram seus materiais preferidos, neste edifício adota o aço inoxidável como elemento preponderante. Atualmente, o edifício é a sede do Conselho de Cultura e Deportes da Comunidade de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuase em frente ao Instituto Cervantes, podemos apreciar uma das obras mais conceituadas do grande arquiteto, o Círculo de Belas Artes (ver matéria publicada em 9/11/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Círculo de Belas Artes, uma das principais instituições culturais da cidade, foi fundado em 1880 e em 1919 se realizou um concurso para sua nova sede, vencido por Antonio Palacios. O pré-requisito para o projeto salientava que suas dependências fossem capazes de acolher inúmeras manifestações artísticas, critério que o arquiteto soube explorar devidamente. Abaixo, vemos uma foto do interior do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de sua variada programação, o local oferece uma das vistas mais espetaculares de Madrid no alto do edifício, na denominada Azotea do Círculo de Belas Artes. Por apenas 4 euros, se pode admirar uma panorâmica estupenda da cidade. A seguir, vemos o Palácio das Comunicações…ou Palácio Cibeles.

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Calle de Alcalá – Segunda Parte

Como dito no post anterior, o primeiro trecho da Calle de Alcalá, que vai da Puerta del Sol até a Plaza de Cibeles e que possui um grande interesse histórico,ficou conhecida como a rua dos banqueiros. Abaixo, vemos uma imagem atual, onde podemos observar a Plaza de Cibeles e, ao fundo, a Porta de Alcalá. No lado direito, o enorme edifício do Banco de España e em frente, o Palácio das Comunicações.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Banco de España foi construído em 1891, e sua construção representou uma das principais obras realizadas no final do séc. XIX em Madrid  (ver post publicado em 7/2/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos uma antiga foto que nos mostra o banco em construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma foto de 1905. Nela, vemos que o Palácio das Comunicações ainda não existia, pois foi inaugurado alguns anos depois.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo alto do palácio existe um acolhedor bar, que oferece excelentes vistas da Plaza de Cibeles. Na foto abaixo, o Banco de España está à esquerda. Na parte superior esquerda, o Círculo de Belas Artes e no centro, com pouca visualização, o Edifício Metrópolis e a intersecção da Calle de Alcalá com o começo da Gran Vía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra foto antiga, tirada mais ou menos do mesmo local…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta imagem, podemos ver claramente, no lado esquerdo inferior, a famosa Fonte de Cibeles, situada no centro da praça homônima. O segundo trecho da Calle de Alcalá, entre a Plaza de Cibeles e a Porta de Alcalá, era conhecido antigamente como Calle del Pósito, devido à existência de uma grande depósito de grãos. No gravado que vemos a seguir, podemos observá-lo no lado direito, junto com a antiga Plaza de Touros de Alcalá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO terreno do antigo depósito foi ocupado no final do séc. XIX por uma mansão aristocrática conhecida como Palácio de Linares, que em 1992 foi convertido no Centro Cultural Casa de América, situado no outro lado do Palácio das Comunicações.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Porta de Alcalá é um dos monumentos mais conhecidos de Madrid e foi construída pelo arquiteto Francisco Sabatini. Foi finalizada em 1778, durante o reinado de Carlos III (ver post publicado em 11/3/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta porta monumental era uma das entradas (ou saídas) da antiga Cerca de Felipe IV, que desapareceu durante o processo de Ensanche da cidade na metade do séc. XIX. Abaixo, vemos uma foto bem antiga, quando a praça que a rodeia, chamada de Praça da Independência, ainda não estava ajardinada (esta praça é o principal ponto de entrada ao Parque do Retiro).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto podemos ver os antigos portões de ferro que fechavam durante a noite, impedindo a saída ou a chegada de pessoas à cidade. Na parte inferior, uma pequena carroça estacionada junto à porta espera seu proprietário, que foi pagar o denominado imposto de Portazgo, uma taxa obrigatória a todos aqueles que entravam na cidade com mercadorias, além de ser considerado um imposto de trânsito. Esta era a principal função das chamadas cercas, que durante séculos, rodearam Madrid. Uma das curiosidades da Calle de Alcalá é que uma vez ao ano se recorda uma tradição que remonta a séculos, a passagem de milhares de ovelhas pela rua, um fato realmente inusitado, pois o tráfico de veículos é bloqueado para o acontecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO fato se explica porque a Calle de Alcalá é uma Cañada Real, isto é, uma via em que os pecuaristas podem levar seus rebanhos no inverno a zonas de clima mais amenos e com melhores pastos. Este privilégio foi concedido pelo rei Alfonso X El Sábio no séc XIII. Este itinerário é denominado na Espanha de trashumancia e pude presenciá-lo uma vez, mas na ocasião não tinha a câmara de fotos comigo…A partir da Porta de Alcalá em direção leste da cidade, a rua foi prolongada com o processo de Ensanche no séc. XIX, e este trecho era conhecido como Carretera de Aragón, pois conduzia aos caminhos que levava a esta região espanhola. Também ficou conhecido como Paseo de la Venta do Espírito Santo, zona situada onde hoje encontramos a Praça de Touros de Las Ventas. Abaixo, vemos uma foto antiga desta que era uma zona degradada e suja da cidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste foi o local escolhido para a construção da maior Praça de Touros da Espanha, conhecida como Praça de las Ventas. Com capacidade para 23 mil espectadores, foi projetada pelo arquiteto José Espeliú e inaugurada em 1931 (post publicado em 21/5/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1929, a praça já estava concluída, mas como a zona ainda não estava devidamente urbanizada, sua inauguração teve que ser adiada por mais dois anos. Abaixo, vemos uma foto da praça logo depois de finalizada as obras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de todas estas denominações, a grande rua sempre foi conhecida como Calle de Alcalá, e passear por ela nos possibilita conhecer muitos dos principais pontos históricos de Madrid. No próximo post, conheceremos a obra de um dos maiores arquitetos da história da Espanha, que deixou um legado importantíssimo na capital, especialmente na Calle de Alcalá, chamado Antonio Palácios. Não percam !!!!!

Calle de Alcalá – Madrid

Antes de iniciar o primeiro post de 2016, gostaria de desejar a todos (as) leitores (as)  um feliz 2016, repleto de realizações e felicidades. Aproveito também para agradecer  a visualização do meu blog, esperando que seu conteúdo seja do agrado de vocês. Inicio o ano com uma matéria sobre uma das mais importantes ruas de Madrid, a Calle de Alcalá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das ruas mais antigas e compridas da cidade, a Calle de Alcalá cruza a capital da Espanha de leste a este, num traçado de cerca de 10 km. Historicamente, representou o eixo de crescimento da cidade, até o período em que foi derrubada a antiga cerca de Felipe IV e o posterior alargamento urbano no processo conhecido como Ensanche de Madrid (segunda metade do séc. XIX), que possibilitou a abertura de grandes avenidas, como o Paseo de la Castellana. A partir de então, a cidade começou a expandir-se no sentido sul-norte. O primeiro trecho da Calle de Alcalá compreende o espaço entre a Puerta del Sol e a Plaza de Cibeles, que concentra uma grande quantidade dos edifícios mais emblemáticos da cidade. Muitos deles já apareceram nas matérias do blog. Colocarei a data de sua publicação quando forem mencionados na presente matéria. Alternarei fotos antigas com imagens atuais, para que tenham uma ideia das transformações ocorridas nesta que é uma das vias urbanas mais importantes da cidade. Abaixo, vemos uma foto do Palácio das Comunicações, antiga sede central dos Correios da Espanha, situado na Plaza de Cibeles, e construído pelo arquiteto Antonio Palácios (publicado em 13/9/2012).

DSC09435Antigamente, este primeiro trecho da Calle de Acalá denominava-se Calle de los Olivares, devido a existência de oliveiras, que serviam de “abrigo” para os bandidos que se multiplicavam pela cidade em séculos passados. Por este motivo, as árvores foram derrubadas por ordem da rainha Isabel La Católica. O traçado da rua surgiu no século XV, seguindo o antigo caminho que levava à cidade de Alcalá de Henares, daí a explicação de seu nome. A seguir, vemos a foto de um quadro do pintor italiano Antonio Joli (Módena-1770/Nápoles-1777) intitulado “Vista de Madrid“, realizado em 1750, que oferece uma das imagens antigas mais célebres da Calle de Alcalá do séc. XVIII. O artista pintou o quadro durante sua estadia na capital, no período compreendido entre 1749 e 1754.

DSC08546No quadro podemos ver, na parte esquerda, a Igreja de San José, que ainda existe (matéria publicada em 10 e 11/4/2014). No centro, a primitiva Porta de Alcalá, que foi derrubada para a construção da atual na segunda metade do séc. XVIII. Ao seu lado, a antiga Praça de Touros, feita de madeira e com capacidade para 10 mil espectadores. Inaugurada em 1743, funcionou até 1874, quando desapareceu em virtude da construção do Bairro de Salamanca. Também do séc. XVIII é a Real Casa da Aduana que, apesar das reformas realizadas, conserva atualmente o seu aspecto original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada uma das obras de caráter civil mais importante deste século em Madrid, a Real Casa da Aduana foi erguida entre 1761 e 1769, e foi a primeira construção realizada na cidade pelo arquiteto real de Carlos III, Francisco Sabatini, autor também da Porta de Alcalá. Inspirada nos palácios italianos do séc. XVI, foi declarada Bem de Interesse Cultural em 1998 e atualmente é a sede do Ministério da Fazenda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO arquiteto empregou no edifício os principais critérios adotados pelo Renascimento Italiano, como a horizontalidade e o sentido de proporção e harmonia, com poucos elementos decorativos. Ao lado, vemos um dos principais museus de Madrid, a Real Academia de Belas Artes de San Fernando, construído em 1725 (para maiores informações, ver a série de posts publicados entre 31/5 e 6/6/2014).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de tornar-se Capital da Espanha em 1561, o crescimento de Madrid foi enorme, e na Calle de Alcalá começaram a aparecer conventos e mansões aristocráticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIX, transformou-se no centro financeiro da cidade, e ficou conhecida como a rua dos banqueiros, graças a grande quantidade de instituições econômicas que surgiram a partir de então. Um exemplo é a antiga sede do BBVA, construído em 1923 e que ficou famoso pelas esculturas de quadrigas que servem de ornamentação para a parte mais alta do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro exemplo é o edifício do atual Banco Espanhol de Crédito, construído em 1891 pelo arquiteto José Grases Riera, inicialmente como sede da empresa americana de seguros Equitativa. De fato, este belo edifício também é conhecido como Palácio Equitativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAmbos edifícios apareceram na série Belos Edifícios de Madrid, publicado em 22/11/2012. A Calle de Alcalá somente foi pavimentada em 1900. Abaixo, vemos uma foto das obras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XX, a rua também tornou-se um local de entretenimento e muitos teatros surgiram, como o Alcázar, que fez parte de uma série sobre o Teatro Espanhol publicado em 25/6/2012. Abaixo, vemos no lado direito o famoso teatro, numa foto de 1930.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Calle de Alcalá foi sempre uma das mais movimentadas ruas de Madrid, tanto em relação à atividade comercial, quanto ao tráfico de veículos. Finalizamos a matéria com uma imagem de princípio do séc. XX, quando os bondes, aqui chamados de Tranvía,  ainda circulavam pela rua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos conhecendo mais sobre a Calle de Alcalá

A Construção da Gran Vía – Madrid

No dia 4 de Abril de 1910, foram levantadas tribunas onde hoje se ergue solene o Edifício Metrópolis, na Calle de Alcalá. O propósito eram receber a personalidades da Família Real Espanhola, que assistiriam a uma cerimônia que transformaria para sempre a Capital da Espanha. Uma carruagem trouxe a sua majestade, o rei Alfonso XIII e sua esposa D.Victoria, que foram recebidos pelo Presidente do Governo e pelo Prefeito de Madrid. Em seguida, os habituais discursos. Quando finalizados, o monarca desceu da tribuna, passou em frente a chamada Casa do Cura, pertencente ao sacerdote da vizinha Igreja de San José, quando lhe foi entregue uma picareta de prata. Com um gesto simbólico, o rei alçou o utensílio e golpeou a janela da casa do cura, que poucos momentos depois desaparecia da paisagem madrilenha. Estava inaugurada a Construção da Gran Vía de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois do golpe simbólico, apareceram um grande grupo de trabalhadores, que rapidamente reduziram o edifício a uma montanha de escombros. No dia seguinte, um jovem jornalista publicou uma frase que se tornou lendária: “Alfonso XIII hinca el pico” (literalmente, Alfonso XIII crava a picareta). O atrevido jornalista acabou tornando-se famoso e uma rua foi batizada com seu nome, D. Francisco Serrano Anguita. Na foto que segue, vemos uma imagem antiga da Igreja de San José, e do lado esquerdo vemos um pedaço da antiga Casa do Cura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da destruição da residência sacerdotal, outras reformas afetaram a própria igreja, cuja altura entre sua parte central e as laterais teve que ser uniformizada para alinhar-se com os novos edifícios que foram construídos com o tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Construção da Gran Vía supôs a reforma urbana mais importante ocorrida em Madrid no início do séc. XX, inserida dentro do contexto de ampliação da cidade, processo conhecido como Ensanche, como vimos no último post. Seu objetivo principal era o de unir a parte leste e oeste da cidade, através de um corredor que integraria a Calle de Alcalá com a própria Gran Vía. O eixo sul-norte, compreendido pelo Paseo del Prado, Recoletos e Paseo da Castelhana já existia, de forma que a abertura da Gran Vía facilitaria sobremaneira o tráfico de veículos e o acesso aos demais locais da cidade. Abaixo, vemos a Plaza de Cibeles, ponto de conexão entre o eixo sul-norte (sentido direita para esquerda da foto) e leste-oeste (de cima para baixo).

DSC09435Desde que a Cerca de Felipe IV foi derrubada, numerosos projetos foram realizados para sua construção. Muito antes que existisse, sua construção foi a mais comentada e discutida de todas as ruas existentes em Madrid até então. Inclusive foi criada uma típica zarzuela, composta por Federico Chueca (cujo famoso bairro leva seu sobrenome) e Felipe Pérez em 1886, chamada “La Gran Vía”, que obteve um enorme êxito na cidade. Traduzida ao francês, logo estreou no Teatro Olímpia de Paris, com o mesmo sucesso da capital espanhola. Posteriormente, foi traduzida para inúmeros outros idiomas. Assim, a Gran Vía já era conhecida internacionalmente, antes mesmo que tomasse forma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto vencedor da Construção da Gran Vía foi o de José López Sallaberry, que contou com o apoio e o esforço do Prefeito de Madrid na época e grande impulsor da obra, o Conde de Peñalver. Sua memória está registrada numa placa comemorativa no começo da Gran Vía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO apoio financeiro para a obra foi dado inicialmente pelo banqueiro francês Julio Bielsa. A Construção da Gran Vía provocou o desaparecimento de aproximadamente 50 quarteirões. A maior parte das ruas destruídas tinham menos de 6 metros de largura, o que por si só dificultava tremendamente o tráfico rodado na região. Abaixo, vemos uma foto do tráfico na Gran Vía em 1963.

DSC07977Apesar de ter cumprido “apenas” 100 anos recentemente, a Gran Vía foi alvo de muitas reformas, algumas das quais representaram o desaparecimento de estruturas lendárias da própria avenida, como o acesso modernista da estação de metrô, realizada pelo insigne arquiteto Antonio Palácios.

DSC07979Na sequência, vemos a famosa rua nos anos 30 do século passado…

DSC00285Sua construção foi realizada em três etapas, que proporcionaram sua constituição final. Abaixo, a última parte construída, hoje em dia conhecida como a Broadway Madrilenha, graças a grande quantidade de cines e teatros que acolhe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos as distintas partes que a constituem, e um pouco de sua história…

Palácio de Buenavista – Madrid

Um dos mais antigos e importantes de Madrid, o Palácio de Buenavista ergue-se soberano na Calle de Alcalá. Ao longo de sua longa história, foi habitado tanto pelos monarcas, quanto pela nobreza. Já estava construído na época de Felipe II (séc. XVI), sendo utilizado pelo rei durante o período de reformas do antigo Alcázar.

DSC09415 O Palácio de Buenavista está situado num terreno elevado, com amplas vistas à Praça de Cibeles e ao Paseo del Prado, daí seu nome. Abaixo, vemos uma foto panorâmica da praça, com os jardins do palácio no lado direito da imagem. À esquerda, o Banco de España e o início do Paseo del Prado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma foto da famosa Fonte de Cibeles, também com os jardins do palácio de fundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de ter sido a residência temporária de Felipe III (filho de Felipe II), no séc. XVII o palácio  pasou a ser propriedade da nobreza.

DSC09423No séc. XVIII, novamente a corte adquire o imóvel, quando a esposa de Felipe V, Isabel de Farnésio, compra o palácio em 1759 e o transforma num verdadeiro museu, com uma grande coleçao de obras de arte adquirida em sua vida. Abaixo, vemos um quadro realizado em 1836 por José María Avrial y Flores, intitulado “Vistas de Cibeles e o Palácio de Buenavista”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o falecimento de Isabel de Farnésio, o edifício passa a ser propriedade da Casa de Alba, que derruba o palácio e constrói um novo, no estilo neoclássico. A partir de 1816, torna-se sede do Real Museu de Artilharia e depois, do Ministério da Guerra. O palácio é  entao ampliado para exercer suas novas funçoes militares.

DSC09425Na fachada do palácio vemos as estátuas de dois heróis do país, Rodrigo Díaz de Vivar, mais conhecido como El Cid Campeador (1043/1099) e Gonzalo Fernández de Cordoba, um militar a serviço dos Reis Católicos que obteve várias vitórias militares na Itália, passando à história com o título de El Gran Capitán (1453/1515).

DSC09418DSC09419Abaixo, uma foto de princípios do séc. XX do Palácio de Buenavista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o palácio é a sede do Quartel Geral do Exército, e os jardins podem ser visitados, quando é utilizado como local de exposiçoes.

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