Poza de la Sal – Parte 2

O povoado de Poza de la Sal esteve protegido, desde o século IX, por um castelo, situado na parte mais elevada da vila. No século XIV, a família Rodríguez de Rojas construiu a atual fortificaçao, erguida sobre a primitiva construção do século IX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua espetacular localização permite uma ampla panorâmica da comarca onde se encontra o povoado. Subimos uma pequena escada para visitar o interior do castelo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO desenvolvimento de Poza de la Sal esteve intimamente relacionado com a exploração de suas salinas, fato que começou a ocorrer já no período romano, convertendo-se num dos principais centros produtores de sal do norte da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste produto, indispensável para a conservação dos alimentos, foi também utilizado como forma de pagamento em épocas passadas, originando o termo salário. A importância estratégica do povoado, devido a existência das salinas, provocou a fortificação de seu núcleo urbano na Idade Média.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA produção de sal se realizava conduzindo a água dos mananciais através de uma rede de aquedutos até umas plataformas horizontais construídas em madeira e pedra denominadas Granjas, nas quais a água era distribuídas em parcelas retangulares chamadas Eras. A evaporação da água permitia o afloramento do sal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste imprescindível recurso natural em Poza de la Sal pertenceu a distintos proprietários, mas em 1564 o Rei Felipe II decretou o monopólio de sua extração, que se manteve em vigor até 1888. O sal explorado na região se deve a uma formaçao geológica denominada Diapiro. De formato circular, possui um raio de 2.5 km, sendo considerada a maior da Europa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1845, a vila contava com 3200 habitantes que exploravam o sal de suas salinas, quantidade bastante superior ao número de habitantes existente atualmente. A última salina fechou em 1974, quando a extração de sal foi abandonada na cidade. Em 2011, as salinas foram declaradas Bem de Interese Cultural (BIC) e iniciou-se um plano de restauração com finalidades turísticas. Um Centro de Interpretação foi inaugurado na antiga Casa de Administração das Reais Salinas, um edifício construído durante o reinado de Carlos III no século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEu e meu irmão Marcelo realizamos uma visita guiada pelo Centro de Interpretação, organizada por uma guia especializada no assunto, que nos contagiou com sua paixão pela cidade e a histórica salina. Seus profundos conhecimentos favoreceram a compreensão da importância do sal na história da vila e também no desenvolvimento da humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria sobre Poza de la Sal com um curioso complexo de mananciais, aquedutos, lavadeiros e uma ponte que integram o patrimônio histórico do povoado.

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Universidade de Santiago de Compostela – Parte 2

Nesta última matéria sobre a Universidade de Santiago de Compostela, veremos outros edifícios relevantes da instituição, que integram as visitas guiadas que se realizam diariamente. O Colégio de San Jerónimo (San Xerome, no idioma galego) está unido ao Colégio de Fonseca, que vimos no post anterior. Também foi fundado pelo Arcebispo Alonso III de Fonseca para estudantes sem recursos, e sua fachada principal dá para a Plaza del Obradoiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente o colégio esteve situado num hospital situado próximo à catedral e desde 1652 encontra-se na atual localizaçao. O pórtico de entrada que vemos acima pertenceu a este antigo hospital, cuja riqueza decorativa inclui, no tímpano, a Virgem Maria como a Imaculada. Nas laterais, aparecem Santa Margarita e Santa Catalina. Nas colunas da parte inferior, diversos santos, entre os quais o Apóstolo Santiago, identificado pela concha, completam este belo conjunto escultórico do século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Colégio de San Jerónimo foi criado como um Colégio Maior, mas em 1840 perdeu esta condição. Atualmente sedia a Reitoria da Universidade de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a sala onde se reunem os membros da reitoria, local onde se discutem os assuntos pertinentes ao governo da instituição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a visita que realizei, tivemos a sorte de encontrar com o Reitor da Universidade num dos corredores do edifício, um senhor simpático que estava a ponto de deixar o cargo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o período conhecido como a Ilustração, na segunda metade do século XVIII, o Rei Carlos III concede o título de Real à Universidade, incorporando o escudo da coroa que, junto com as armas de Castilla, León e Galícia, além dos escudos dos fundadores, conformam o brasão da Universidade de Santiago de Compostela. Nesta época, a instituição distancia-se do poder eclesiástico e passa a constituir um centro secular. Os jesuítas foram expulsos do país durante o reinado do citado monarca, sendo que os antigos terrenos e edifícios pertencentes à Ordem foram cedidos à universidade. Abaixo, vemos a Igreja da Companhia de Jesus, também denominada Igreja da Universidade, cuja fachada caracteriza-se por seu classicismo (final do século XVIII).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAdossado à igreja, encontramos o antigo Colégio dos Jesuítas, edifício que também foi doado à Universidade após o decreto de expulsão da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante um tempo, o edifício acolheu a reitoria e diversas faculdades, das quais permanecem atualmente os cursos de História e Geografia. O interior organiza-se em torno a um grande pátio com uma fonte no centro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERATivemos o privilégio de conhecer o Paraninfo, situado numa das salas do edifício, e inaugurado no curso de 1906/1907 como local de importantes atos acadêmicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO maravilhoso espaço está ornamentado por pinturas no teto que representam figuras femininas e deusas da mitologia clássica como alegorias das artes, ciências e do conhecimento em geral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERARetratos de personalidades relevantes da história da universidade  complementam a decoração da sala, como o do Arcebispo Alonso III de Fonseca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo início do século XIX, os estudantes universitários comprovaram seu intenso patriotismo, formando o Batalhão Literário, que combateu contra as tropas francesas  durante a Guerra da Independência. A seguir, outro edifício pertencente ao campus universitário…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX houve um grande crescimento na quantidade de alunos matriculados e na oferta de títulos superiores concedidos, surgindo novas faculdades. Iniciam-se as relações com outras universidades estrangeiras, assim como o acesso às mulheres ao ensino superior da universidade, durante o curso de 1913/1914. Durante minha visita, meu orgulho patriótico irrompeu quando o guia mencionou a escritora brasileira Nélida Piñon como a única mulher que recebeu o título de Honoris Causa pela Universidade de Santiago de Compostela. Nascida no Rio de Janeiro em 1934, seus pais e avós foram emigrantes galegos e seu nome é um anagrama de seu avô, que se chamava Daniel. Membro da Academia Brasileira de Letras, tornou-se presidenta da associação, caso único em sua história. Recebeu inúmeros prêmios literários e um retrato da escritora carioca decora uma das salas da Universidade de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, a Universidade de Santiago de Compostela está incluída entre as 10 melhores de toda a Espanha, estando composta por cerca de 30 centros educativos, 80 departamentos e mais de 60 títulos superiores oferecidos.

Torre de Hércules – Patrimônio da Humanidade

Em maio de 2012 estive na cidade de La Coruña, uma das mais importantes da Galícia, e sobre ela publiquei um dos primeiros posts do blog, em 23/5/2012. Naquela oportunidade, comentei um pouco sobre a história da cidade, mencionando algumas de suas principais atrações. Retornei a La Coruña com o Marcelo e a Cristina para um passeio de um dia, partindo de Ferrol, e voltei a visitar a Torre de Hércules, um impressionante farol de origem romano que foi declarado Patrimônio da Humanidade em 2009.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO tempo não estava muito convidativo, com chuva, vento e um pouco de frio, mas não impediu que visitássemos o farol, situado numa colina a 60 metros sobre o nível do mar. A Torre de Hércules é considerado o único farol da antiguidade que segue em funcionamento. Foi construído pelos romanos, no século I dC, e sob a torre se encontram  restos arqueológicos e os cimentos originais da estrutura, além de construções que foram realizadas posteriormente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA lenda atribui ao herói grego Hércules sua construção, relatada pelo Rei Alfonso X “El Sábio” em 1270. Conta a história que Hércules venceu um gigante chamado Gerión, que ameaçava todos os habitantes da zona. Vitorioso, o herói enterrou a cabeça de seu inimigo e sobre ela ordenou que se edificasse uma torre. Em suas proximidades fundou uma cidade com o nome de Crunia, lembrança da primeira mulher que a habitou e da qual se apaixonou. Esta denominação latina evolucionou até o nome da cidade atual, La Coruña (em espanhol) ou A Coruña (em galhego). A origem lendária do farol podemos observar numa das portas da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATrata-se do único farol romano de todo o mundo do qual se sabe o nome do arquiteto que o projetou, Caio Sevio Lupo, graças a uma inscrição conservada. A Torre de Hércules se iluminava com uma lâmpada de azeite, similar às de uso doméstico, mas de grande tamanho. Abaixo, vemos uma pedra circular que fazia parte do sistema de iluminação do farol, colocada sobre o recipiente que continha o azeite. Vemos na foto o orifício onde a mancha era acesa, projetando a luz sobre um espelho parabólico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente o farol era mais baixo, com 41.5 metros de altura e mais largo, porque contava com uma rampa exterior através da qual se transportava o combustível que o alimentava. Atualmente, possui 59m de altura e possui uma planta quadrada, sendo que sua luz alcança as 24 milhas náuticas. Da parte subterrânea, onde se encontram os restos arqueológicos, começa uma escada que nos conduz ao alto da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACartazes advertem que a subida não é apta para pessoas com problemas cardiorrespiratórios ou claustrofobia…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, em razão das medidas de segurança adotadas devido ao mau tempo, no dia em que estivemos no farol as visitas à parte mais alta da torre foram suspensas. De qualquer modo, pudemos admirar o núcleo interno desta maravilhosa obra de engenharia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo de sua milenar história, o farol sofreu diversas modificações, sendo a mais importante realizada em 1788, durante o reinado de Carlos III, cuja estátua colocada em frente a torre celebra o fato.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA reforma recobriu a estrutura romana com fachada que vemos atualmente. Para recordar a antiga rampa existente, se introduziu na fachada uma faixa ascendente que percorre toda a altura da torre. Abaixo, vemos alguma imagens do farol tiradas em 2012, quando o sol embelezava este emblemático monumento da arquitetura romana na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo o post com uma placa colocada na fachada que enaltece a importância da reforma de Carlos III.

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Museu da Construção Naval – Ferrol

A tradição marítima de Ferrol pode ser melhor conhecida nos dois museus da cidade, situados um do lado do outro, o Museu Naval e o Museu da Construção Naval, sediados em edifícios pertencentes ao Arsenal de Ferrol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Naval foi inaugurado em 1986 com a finalidade de proteger, conservar e exibir o patrimônio naval da cidade. A exposição permanente abarca dois andares do edifício, abrangendo todas as facetas da história naval: mapas, maquetes, modelos de barcos, instrumentos de navegação, artilharia e mergulho, objetos relacionados às guerras marítimas, entre outros aspectos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs duas instituições são consideradas museus de referência na temática naval. Conheci de forma mais abrangente o Museu da Construção Naval, situado no antigo Edifício de Herrerías do Arsenal de Ferrol, destinado ao trabalho com o ferro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste edifício data de 1760 e por si só constitui uma grande atração para o visitante. Possui uma planta em forma de U, com três grandes naves separadas por arcos semicirculares sustentados por pilares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInaugurado em 2008, é considerado o mais importante museu da Espanha dedicado à construção naval. Possui uma grande variedade de maquetes de barcos e navios de todas as épocas, tanto relacionado à Marinha de Guerra, quanto comerciais. Algumas delas possuem um corte longitudinal que possibilita a observação de sua estrutura interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm aspecto que me impressionou é a grande quantidade de faróis exibidos, dos mais variados tamanhos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos conhecer a fundo as antigas máquinas de construção naval, os diferentes tipos de barcos, motores antigos e modernos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA criação de um Arsenal e um centro de construção naval em Ferrol foi uma decisão política que buscava organizar a Marinha de Guerra Espanhola, praticamente inexistente no começo do século XVIII. Nela estiveram implicados os reis Felipe V, Fernando VI e Carlos III, além do Marquês de la Ensenada. O arsenal propriamente dito foi construído entre 1750 e 1771, sob a supervisao geral do engenheiro naval e cientista espanhol Jorge Juan y Santacilia (1713/1773), que causou grande admiração no continente europeu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro barco construído foi o “El Fernando“, em 1751. Em 1881, se fabricou a primeira embarcação com casco metálico e, em 1912, o primeiro encouraçado. Em 1988, se construiu o porta-avioes “Príncipe de Asturias“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO recinto continua sendo utilizado como Base Naval da Armada Espanhola, estando vigiado por militares. Por sua importância histórica, foi declarado Bem de Interesse Cultural.

Um Passeio por Córdoba

Para se conhecer o Centro Histórico de Córdoba, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o ideal é caminhar por suas ruas sem pressa, pois sempre existem lugares de interesse para os visitantes curiosos por sua milenar história. Ao redor da Mesquita-Catedral, por exemplo, existem várias construções que se destacam, como o antigo Hospital de San Sebastián, construído pelo arquiteto Hernán Ruiz “El Viejo” entre 1512 e 1516.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA instituição foi criada pela Confraria de San Sebastián, cuja origem se deve a grande quantidade de crianças abandonadas que haviam na época. Atualmente o edifício é a sede do Palácio de Congresso e Exposições, e conserva a bela fachada de sua igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do Real Alcázar situa-se uma grande edifício, as Reales Caballerizas de Córdoba, fundada pelo Rei Felipe II com a finalidade de criar cavalos de pura raça espanhola para os serviços da Casa Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1757 sofreu um incêndio, sendo reconstruído durante o reinado de Carlos III. Em 1822, os cavalos utilizados pela corte foram retirados, e o edifício passou a ser usado pelo Corpo de Cavalaria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2002 foi adquirido pela Prefeitura de Córdoba como um espaço cultural. Atualmente se realizam espetáculos equestres no local, além de visitas guiadas pelo interior do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos uma foto das Reales Caballerizas tirada desde o Real Alcázar

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro lugar emblemático do centro histórico é a Plaza de la Corredera, um verdadeiro ponto de encontro dos habitantes da cidade, declarada Bem de Interesse Cultural em 1981.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada a única praça de formato quadrangular de toda a Comunidade de Andaluzia, ao modo das praças castelhanas, possui 113m de comprimento por 55m de largura. Seu espaço foi sempre utilizado para a representação de espetáculos públicos, como as Corridas de Touros. Em uma delas, a arquibancada de madeira caiu, para o desespero das pessoas que se encontravam no local. Se projetou então uma nova praça, antes irregular, num espaço uniforme, alinhando as fachadas dos edifícios de três níveis de altura e melhorando a segurança dos espetáculos públicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras da nova praça realizaram-se no final do século XVII e foram pagas pelos próprios habitantes da cidade. O projeto se deve ao arquiteto Antonio Ramós Valdés. Grandes personagens da época presenciaram as Corridas de Touros, como o Rei Felipe IV e inclusive Cosme de Médici. A Plaza de la Corredera conserva edifícios cuja construção é anterior a própria praça, como a antiga Casa Consistorial, erguida no final do século XVI pelo arquiteto Hernán Ruiz II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de representar o centro político da cidade, nela se situava também a prisão, que permaneceu no local até 1821, quando foi levada ao Real Alcázar de Córdoba. Em 1846, o edifício foi adquirido por um empresário cordobês, José Sánchez Peña, que instalou uma fábrica de sombreros, colocando as residências dos trabalhadores em sua parte superior. Depois, passou a abrigar o Mercado da cidade. Outro espetáculo famoso realizado na praça, antes da reforma, ocorreu em 1571, durante as festividades celebradas pela vitória na Batalha de Lepanto contra os turcos otomanos, quando se organizou uma verdadeira batalha naval na praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Tribunal da Inquisição também escolheu a praça para a realização de vários autos de fé, quando foram julgados os condenados por cometer delitos contra os dogmas da igreja. Escavações realizadas na praça durante as reformas descobriram mosaicos romanos em seu subsolo, atualmente expostos no Real Alcázar, cujas imagens já publiquei na matéria sobre a Córdoba Romana. Durante a Guerra da Independência no início do século XIX, os franceses colocaram patíbulos na praça para execução pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX,  a praça foi pintada nas cores vermelha, verde e ocre, retornando ao aspecto que tinha no final do século XVII. Se dizia que nesta época a tonalidade vermelha se conseguia com o próprio sangue dos touros sacrificados na praça. É mole?

Santuário de San Pedro Alcántara

Há cerca de 3 km de Arenas de San Pedro situa-se um dos monumentos de maior relevância da cidade, o Santuário de San Pedro Alcántara, o último convento fundado por seu santo padroeiro, em 1561.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara se chegar ao local, o ideal é percorrer o caminho à pé através de uma estrada muito frequentada pelos habitantes da cidade, que impressiona por sua beleza natural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção do convento tinha como finalidade inicial a contemplação e a vida de penitência da comunidade de religiosos, dentro da linha de ascetismo proposta por San Pedro de Alcántara para os membros da Ordem Franciscana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO falecimento do santo em Arenas de San Pedro transformou o santuário num local de grande devoção e peregrinação para as milhares de pessoas que o visitam durante o ano. No dia 19 de outubro, recebe uma grande quantidade de pessoas que vêm de todas as partes da Espanha, para assistir a procissão com a imagem do santo pelos campos da região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO santuário que vemos atualmente foi projetado pelo arquiteto Ventura Rodríguez, com a colaboraçao do Rei Carlos III no século XVIII. Se realizam visitas guiadas pelo interior do conjunto conventual, e várias são as dependências que se podem conhecer. De grande interesse é a Capela Real, parecida à Capela do Palácio Real de Madrid, também construída por Ventura Rodríguez. De planta octogonal, guarda os restos do santo numa urna situada no altar maior, e protegida por duas esculturas de alabastro, que representam a fé e a esperança.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtrás da urna, vemos a representação da apoteose do santo em sua ascensão ao céu, realizado pelo escultor Francisco Gutiérrez em 1773.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a cúpula da capela…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja conventual é a parte mais antiga do santuário (XVI), e conserva um retábulo dedicado ao santo. Abaixo, vemos a entrada da igreja…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE seu interior…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa sacristia podemos admirar um móvel utilizado para guardar roupas litúrgicas que foi construído pelos Astecas, povo que dominou a zona central do México, e que acabou sendo submetido à conquista espanhola no século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos o claustro, adornado com pinturas relacionadas à vida do santo, além de uma coleção de cerâmicas de Talavera de la Reina do século XVIII, um dos maiores centros produtores de cerâmicas país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO denominado Museu Alcantarino guarda uma série de documentos, objetos e obras artísticas relacionados com a vida do santo e também da época em que viveu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm outro espaço do santuário acolhe o Museu de Arte Sacra, que possui mais de 200 obras entre pinturas, esculturas, objetos e roupas litúrgicas, compreendendo o período  que vai desde o século XVI até o XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua importante biblioteca possui um acervo de cerca de 18 mil livros, dos quais 165 pertencem ao século XVI e 325 ao século XVII. Em 1972, o Santuário de San Pedro de Alcántara foi declarado Monumento Histórico-Artístico Nacional, e constitui um motivo a mais para se conhecer a cidade de Arenas de San Pedro.

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Ayuntamientos de España: Parte 5

Outro aspecto importante a salientar em relação à decoração das fachadas dos edifícios que albergam os Ayuntamientos de España constituem as imagens, tanto religiosas, quanto profanas, e os símbolos heráldicos. Por exemplo, no Ayuntamiento de Zaragoza, foram esculpidos os Anjos da Cidade, pelo famoso escultor Pablo Serrano, em 1965.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANumerosas também, as imagens profanas recordam heróis mitológicos, como na excepcional fachada do Ayuntamiento de Tarazona (Comunidade de Aragón).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas das imagens possuem um significado alegórico, representando a indústria, o comércio, os ofícios tradicionais, bem como virtudes morais, como a justiça, a caridade, etc. Em certos edifícios, aparecem medalhões representando a personagens reais, como no Ayuntamiento de Chinchilla de Aragón (Castilla La Mancha) com o busto do Rei Carlos III, cuja construção ocorreu durante seu reinado (segunda metade do século XVIII).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Escudos de Armas representam outro elemento decorativo presentes em muitas Casas Consistoriais do país. Originários da Idade Média, os escudos mais antigos pertencem ao período gótico, como podemos observar no Ayuntamiento de Baeza (Andalucía), cidade que conserva três edifícios que foram sedes da prefeitura local. Este é o mais antigo deles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, com o florescimento da arquitetura civil, os escudos se proliferam nos edifícios sedes de Ayuntamientos, caso do Ayuntamiento de Ciudad Rodrigo (Castilla y León).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos escudos de armas estão relacionados a títulos nobiliários e linhagens, principalmente em edifícios que foram construídos originalmente como palácios, que depois se converteram em prefeituras. Um exemplo é o Ayuntamiento de Úbeda, antigo palácio de Vázquez de Molina, cujo escudo preside a fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO mesmo sucede com o Ayuntamiento de Ayllón (Castilla y León), antigo palácio dos Marqueses de Villena, senhores da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns escudos se referem aos alcaldes que promocionaram a construção do edifício, como em Ciudad Rodrigo. As Armas Reais também aparecem em muitos edifícios, principalmente dos monarcas da Dinastia dos Habsburgos. No antigo Ayuntamiento de Covarrubias (Castilla y León), por exemplo, vemos o Escudo de Armas de Felipe II

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