Castelos Reais da Espanha – Parte 3

Neste último post sobre os Castelos Reais da Espanha, veremos duas fortalezas de grande importância histórica e arquitetônica, ambas denominadas Alcázares Reais.  Integram o excepcional patrimônio histórico-artístico das cidades onde de encontram, Toledo e Segóvia, declaradas Patrimônio da Humanidade pela importância e conservação de seu centro histórico. O Alcázar de Toledo (Comunidade de Castilla La Mancha) está situado na parte mais elevada da cidade castelhana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVestígios arqueológicos encontrados confirmam que o local esteve fortificado desde a época romana, quando a cidade foi fundada com o nome de Toletum, palavra que significa colina elevada, uma referência à própria geografia de Toledo. No período muçulmano, uma outra fortaleza se levantou no mesmo local, que foi ampliada pelos reis cristãos após a cidade ter sido reconquistada pelo Rei Alfonso VI no final do século XI.

20160425_165434O atual Alcázar de Toledo foi construído no século XVI durante o reinado de Carlos I como residência real, quando o monarca trouxe a capital do reino a Toledo. O projeto construtivo se deve aos arquitetos Alonso de Covarrubias e Juan de Herrera, ambos referências do Renascimento Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fortaleza foi utilizada como prisão real, quartel militar e sede de uma Academia de Infantaria. Sofreu, ao longo dos séculos, vários incêndios, como os ocorridos durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1710), na Guerra da Independência contra os franceses, no início do século XIX, e outro em 1887.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil do século XX (1936/1939), o Alcázar de Toledo foi praticamente destruído pelas tropas republicanas. A resistência dos nacionalistas, que se encontravam no interior do edifício, foi usada como propaganda política pelos integrantes do grupo comandado pelo General Franco. O Alcázar foi reconstruído a partir dos anos 40. Atualmente é a sede da Biblioteca de Castilla La Mancha e também do Museu do Exército. Vemos abaixo o grande pátio interior do Alcázar de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar de Segóvia (Comunidade de Castilla y León) é, indiscutivelmente, uma das mais belas fortalezas da Espanha. Ergue-se soberano no alto de um grande rochedo, e sua vista é espetacular de qualquer ângulo, como o que vemos abaixo, junto com a românica Igreja de Vera Cruz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar de Segóvia é um típico castelo de contos de fada, daqueles que imaginamos quando lemos um livro sobre as histórias de reis e princesas da Idade Média

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs primeiros documentos que comprovam sua existência datam do século XII, embora se acredita que haviam edifícios de períodos anteriores. Durante a Idade Média converteu-se na residência favorita de muitos monarcas castelhanos, e foi remodelado várias vezes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADele partiu Isabel la Católica para ser coroada Rainha de Castilla (1474) na Igreja de San Miguel, situada no Centro Histórico de Segóvia, como vemos na pintura abaixo, que podemos contemplar no interior do Alcázar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Torre del Homenaje do castelo, construída durante a época do Rei Juan II no século XV e as coberturas de pizarra (ardósia) que foram colocadas durante o reinado de Felipe II no século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o reinado de Carlos III, o Alcázar de Segóvia tornou-se a sede do Real Colégio de Artilharia, em 1762. Cem anos depois, um terrível incêndio destruiu o interior da fortaleza, que pôde ser reconstruída da mesma forma graças às gravuras existentes. A visita ao interior do Alcázar nos permite admirar suas várias dependências, com destaque para suas inúmeras e magníficas coberturas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar de Segóvia possui também uma excelente coleção de armas e armaduras…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa próxima matéria sobre os Castelos e Fortalezas da Espanha, veremos alguns exemplos de edifícios construídos que pertenceram ao clero.

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Colégio do Arcebispo Fonseca

Finalizando a matéria sobre a Universidade de Salamanca, no post de hoje veremos outro de seus edifícios históricos, o Colégio do Arcebispo Fonseca, também conhecido como o Colégio Maior de Santiago Zebedeo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste colégio foi um dos quatro colégios maiores pertencentes à Universidade de Salamanca, destinado em sua origem a jovens talentosos com poucos recursos econômicos. Foi fundado pelo Arcebispo de Santiago de Compostela Alonso de Fonseca em 1519, para os estudantes galegos que se matriculavam na instituição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seus projeto construtivo participaram arquitetos fundamentais do Renascimento Espanhol, como Diego de Siloé e Rodrigo Gil de Hontañón. De estilo plateresco, o edifício foi construído segundo os princípios dos conjuntos conventuais, cuja estrutura se organiza em torno a um claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a reforma universitária realizada pelo Rei Carlos III em 1780, o colégio foi fechado e um pouco depois, com a abolição dos Colégios Maiores, transformou-se num hospital em 1801. Abaixo, um detalhe decorativo do claustro, e uma das portas que se destaca por seu belo trabalho escultórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste pátio é considerado um dos mais belos da Espanha do estilo renascentista. Abaixo, vemos a escada de acesso ao nível superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o restabelecimento de suas funções originais durante o reinado de Fernando VII, o edifício reabriu em 1817 mas voltou a fechar de forma definitiva em 1837. Acabou sendo ocupado pela comunidade de irlandeses que se estabeleceu em Salamanca, devido à perseguição inglesa aos católicos da Irlanda. Durante a Guerra da Independência, os franceses destruíram o antigo Colégio dos Irlandeses, e o antigo Colégio do Arcebispo Fonseca foi cedido a eles. Além do claustro, é possível visitar a antiga capela do colégio, uma verdadeira maravilha, com uma excepcional bôveda  de planta quadrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior da Capela foi realizado pelo escultor, pintor e arquiteto Alonso  de Berruguete (1490/1560), considerado um dos artistas mais importantes do Renascimento Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe conserva também a antiga hospedaria construída no período barroco

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeclarado Bem de Interesse Cultural em 1931, o antigo Colégio do Arcebispo Fonseca é utilizado hoje em dia como local de eventos culturais, bem como hospedagem para estudantes que realizam cursos de mestrado e doutorado na Universidade de Salamanca.

Ampliação do Museu Reina Sofia

O Museu Reina Sofia de Madrid é considerado um dos museus de Arte Contemporânea mais importantes de todo o mundo. Sua exposição permanente exibe obras dos artistas mais influentes dos séculos XIX e XX, como Picasso, Dalí, Miró, etc. Entre todas as pinturas deste museu imprescindível destaca-se o famoso quadro de Picasso “Guernica“, possivelmente o quadro mais importante do século XX (ver post publicado em 17/5/2012). Realizei também, entre 29/6 e 4/7/2016, uma série de publicações sobre as obras primas do museu, que servem de referência a uma visita ao Reina Sofia. O museu encontra-se sediado no edifício do antigo Hospital de San Carlos, entidade fundada no século XVI pelo Rei Felipe II com a finalidade de centralizar todos os serviços de atendimento hospitalar que se encontravam dispersos pela capital da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVIII, o monarca Carlos III decidiu construir um novo edifício para o hospital, já que as instalações do edifício anterior ficaram insuficientes com o crescimento populacional da cidade. O projeto foi encarregado aos arquitetos José de Hermosilla e, principalmente, a Francisco Sabatini. Ainda hoje, a sede principal do museu é conhecida como Edifício Sabatini. O hospital foi clausurado em 1965, e o edifício sobreviveu apesar dos rumores sobre sua demolição, principalmente depois que foi catalogado como Monumento Histórico-Artístico em 1977, garantindo sua continuidade. Em 1980 inicia-se sua restauração e em 1986 se inaugura o Centro de Arte Reina Sofia, utilizando os primeiros andares do edifício como salas de exposições temporárias. No final de 1988 se construíram as torres de aço e vidro para servir de elevadores. A coleção permanente do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, seu nome completo, foi inaugurada em 1992, com a presença do Rei Juan Carlos I e sua esposa, a Rainha Sofia, com os fundos artísticos provenientes do antigo Museu Espanhol de Arte Contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 2001 e 2005, o museu foi alvo de uma grande ampliação, a cargo do arquiteto francês Jean Nouvel, cujo resultado contribuiu para transformar o aspecto do museu e da própria paisagem urbana de Madrid.

20190202_125010O custo da obra foi de 92 milhões de euros e possibilitou um aumento de 60% da superfície do museu. Uma praça, decorada com uma escultura de Roy Lichtenstein, conecta o Edifício Sabatini com as estruturas de ampliação realizadas por Jean Nouvel.

20190202_132209Jean Nouvel (França – 1945) é considerado atualmente um dos arquitetos de maior prestígio internacional e recebeu em 2008 o Prêmio Pritzker de arquitetura. Para ele, a arquitetura constitui uma arte visual, uma produção de imagens que provocam emoções e sensações, algo que podemos comprovar numa visita ao museu.

20190202_13222920190202_133023A ampliação do museu possibiltou a construção de uma excelente biblioteca, duas novas salas para exposições temporais, dois auditórios, uma loja e um restaurante, cujas imagens vemos abaixo…

20190202_13014720190202_131525Qualquer pessoa pode conhecer esta parte do museu, sem a necessidade de pagar entrada para ver o acervo permanente, visita que evidentemente recomendo. A seguir vemos o contraste entre os dois edifícios, o histórico de Sabatini e a obra realizada por Jean Nouvel.

20190202_13365220190202_133630Vale a pena subir na parte mais alta do edifício e contemplar as vistas que oferece, principalmente da Estação Ferroviária de Atocha, situada nas proximidades do museu.

20190202_133239Finalizo o post com outras fotos do Museu Reina Sofia

20190202_13342620190202_13345420190202_131815

 

Poza de la Sal – Parte 2

O povoado de Poza de la Sal esteve protegido, desde o século IX, por um castelo, situado na parte mais elevada da vila. No século XIV, a família Rodríguez de Rojas construiu a atual fortificaçao, erguida sobre a primitiva construção do século IX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua espetacular localização permite uma ampla panorâmica da comarca onde se encontra o povoado. Subimos uma pequena escada para visitar o interior do castelo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO desenvolvimento de Poza de la Sal esteve intimamente relacionado com a exploração de suas salinas, fato que começou a ocorrer já no período romano, convertendo-se num dos principais centros produtores de sal do norte da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste produto, indispensável para a conservação dos alimentos, foi também utilizado como forma de pagamento em épocas passadas, originando o termo salário. A importância estratégica do povoado, devido a existência das salinas, provocou a fortificação de seu núcleo urbano na Idade Média.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA produção de sal se realizava conduzindo a água dos mananciais através de uma rede de aquedutos até umas plataformas horizontais construídas em madeira e pedra denominadas Granjas, nas quais a água era distribuídas em parcelas retangulares chamadas Eras. A evaporação da água permitia o afloramento do sal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste imprescindível recurso natural em Poza de la Sal pertenceu a distintos proprietários, mas em 1564 o Rei Felipe II decretou o monopólio de sua extração, que se manteve em vigor até 1888. O sal explorado na região se deve a uma formaçao geológica denominada Diapiro. De formato circular, possui um raio de 2.5 km, sendo considerada a maior da Europa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1845, a vila contava com 3200 habitantes que exploravam o sal de suas salinas, quantidade bastante superior ao número de habitantes existente atualmente. A última salina fechou em 1974, quando a extração de sal foi abandonada na cidade. Em 2011, as salinas foram declaradas Bem de Interese Cultural (BIC) e iniciou-se um plano de restauração com finalidades turísticas. Um Centro de Interpretação foi inaugurado na antiga Casa de Administração das Reais Salinas, um edifício construído durante o reinado de Carlos III no século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEu e meu irmão Marcelo realizamos uma visita guiada pelo Centro de Interpretação, organizada por uma guia especializada no assunto, que nos contagiou com sua paixão pela cidade e a histórica salina. Seus profundos conhecimentos favoreceram a compreensão da importância do sal na história da vila e também no desenvolvimento da humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria sobre Poza de la Sal com um curioso complexo de mananciais, aquedutos, lavadeiros e uma ponte que integram o patrimônio histórico do povoado.

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Universidade de Santiago de Compostela – Parte 2

Nesta última matéria sobre a Universidade de Santiago de Compostela, veremos outros edifícios relevantes da instituição, que integram as visitas guiadas que se realizam diariamente. O Colégio de San Jerónimo (San Xerome, no idioma galego) está unido ao Colégio de Fonseca, que vimos no post anterior. Também foi fundado pelo Arcebispo Alonso III de Fonseca para estudantes sem recursos, e sua fachada principal dá para a Plaza del Obradoiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente o colégio esteve situado num hospital situado próximo à catedral e desde 1652 encontra-se na atual localizaçao. O pórtico de entrada que vemos acima pertenceu a este antigo hospital, cuja riqueza decorativa inclui, no tímpano, a Virgem Maria como a Imaculada. Nas laterais, aparecem Santa Margarita e Santa Catalina. Nas colunas da parte inferior, diversos santos, entre os quais o Apóstolo Santiago, identificado pela concha, completam este belo conjunto escultórico do século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Colégio de San Jerónimo foi criado como um Colégio Maior, mas em 1840 perdeu esta condição. Atualmente sedia a Reitoria da Universidade de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a sala onde se reunem os membros da reitoria, local onde se discutem os assuntos pertinentes ao governo da instituição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a visita que realizei, tivemos a sorte de encontrar com o Reitor da Universidade num dos corredores do edifício, um senhor simpático que estava a ponto de deixar o cargo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o período conhecido como a Ilustração, na segunda metade do século XVIII, o Rei Carlos III concede o título de Real à Universidade, incorporando o escudo da coroa que, junto com as armas de Castilla, León e Galícia, além dos escudos dos fundadores, conformam o brasão da Universidade de Santiago de Compostela. Nesta época, a instituição distancia-se do poder eclesiástico e passa a constituir um centro secular. Os jesuítas foram expulsos do país durante o reinado do citado monarca, sendo que os antigos terrenos e edifícios pertencentes à Ordem foram cedidos à universidade. Abaixo, vemos a Igreja da Companhia de Jesus, também denominada Igreja da Universidade, cuja fachada caracteriza-se por seu classicismo (final do século XVIII).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAdossado à igreja, encontramos o antigo Colégio dos Jesuítas, edifício que também foi doado à Universidade após o decreto de expulsão da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante um tempo, o edifício acolheu a reitoria e diversas faculdades, das quais permanecem atualmente os cursos de História e Geografia. O interior organiza-se em torno a um grande pátio com uma fonte no centro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERATivemos o privilégio de conhecer o Paraninfo, situado numa das salas do edifício, e inaugurado no curso de 1906/1907 como local de importantes atos acadêmicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO maravilhoso espaço está ornamentado por pinturas no teto que representam figuras femininas e deusas da mitologia clássica como alegorias das artes, ciências e do conhecimento em geral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERARetratos de personalidades relevantes da história da universidade  complementam a decoração da sala, como o do Arcebispo Alonso III de Fonseca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo início do século XIX, os estudantes universitários comprovaram seu intenso patriotismo, formando o Batalhão Literário, que combateu contra as tropas francesas  durante a Guerra da Independência. A seguir, outro edifício pertencente ao campus universitário…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX houve um grande crescimento na quantidade de alunos matriculados e na oferta de títulos superiores concedidos, surgindo novas faculdades. Iniciam-se as relações com outras universidades estrangeiras, assim como o acesso às mulheres ao ensino superior da universidade, durante o curso de 1913/1914. Durante minha visita, meu orgulho patriótico irrompeu quando o guia mencionou a escritora brasileira Nélida Piñon como a única mulher que recebeu o título de Honoris Causa pela Universidade de Santiago de Compostela. Nascida no Rio de Janeiro em 1934, seus pais e avós foram emigrantes galegos e seu nome é um anagrama de seu avô, que se chamava Daniel. Membro da Academia Brasileira de Letras, tornou-se presidenta da associação, caso único em sua história. Recebeu inúmeros prêmios literários e um retrato da escritora carioca decora uma das salas da Universidade de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, a Universidade de Santiago de Compostela está incluída entre as 10 melhores de toda a Espanha, estando composta por cerca de 30 centros educativos, 80 departamentos e mais de 60 títulos superiores oferecidos.

Torre de Hércules – Patrimônio da Humanidade

Em maio de 2012 estive na cidade de La Coruña, uma das mais importantes da Galícia, e sobre ela publiquei um dos primeiros posts do blog, em 23/5/2012. Naquela oportunidade, comentei um pouco sobre a história da cidade, mencionando algumas de suas principais atrações. Retornei a La Coruña com o Marcelo e a Cristina para um passeio de um dia, partindo de Ferrol, e voltei a visitar a Torre de Hércules, um impressionante farol de origem romano que foi declarado Patrimônio da Humanidade em 2009.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO tempo não estava muito convidativo, com chuva, vento e um pouco de frio, mas não impediu que visitássemos o farol, situado numa colina a 60 metros sobre o nível do mar. A Torre de Hércules é considerado o único farol da antiguidade que segue em funcionamento. Foi construído pelos romanos, no século I dC, e sob a torre se encontram  restos arqueológicos e os cimentos originais da estrutura, além de construções que foram realizadas posteriormente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA lenda atribui ao herói grego Hércules sua construção, relatada pelo Rei Alfonso X “El Sábio” em 1270. Conta a história que Hércules venceu um gigante chamado Gerión, que ameaçava todos os habitantes da zona. Vitorioso, o herói enterrou a cabeça de seu inimigo e sobre ela ordenou que se edificasse uma torre. Em suas proximidades fundou uma cidade com o nome de Crunia, lembrança da primeira mulher que a habitou e da qual se apaixonou. Esta denominação latina evolucionou até o nome da cidade atual, La Coruña (em espanhol) ou A Coruña (em galhego). A origem lendária do farol podemos observar numa das portas da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATrata-se do único farol romano de todo o mundo do qual se sabe o nome do arquiteto que o projetou, Caio Sevio Lupo, graças a uma inscrição conservada. A Torre de Hércules se iluminava com uma lâmpada de azeite, similar às de uso doméstico, mas de grande tamanho. Abaixo, vemos uma pedra circular que fazia parte do sistema de iluminação do farol, colocada sobre o recipiente que continha o azeite. Vemos na foto o orifício onde a mancha era acesa, projetando a luz sobre um espelho parabólico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente o farol era mais baixo, com 41.5 metros de altura e mais largo, porque contava com uma rampa exterior através da qual se transportava o combustível que o alimentava. Atualmente, possui 59m de altura e possui uma planta quadrada, sendo que sua luz alcança as 24 milhas náuticas. Da parte subterrânea, onde se encontram os restos arqueológicos, começa uma escada que nos conduz ao alto da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACartazes advertem que a subida não é apta para pessoas com problemas cardiorrespiratórios ou claustrofobia…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, em razão das medidas de segurança adotadas devido ao mau tempo, no dia em que estivemos no farol as visitas à parte mais alta da torre foram suspensas. De qualquer modo, pudemos admirar o núcleo interno desta maravilhosa obra de engenharia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo de sua milenar história, o farol sofreu diversas modificações, sendo a mais importante realizada em 1788, durante o reinado de Carlos III, cuja estátua colocada em frente a torre celebra o fato.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA reforma recobriu a estrutura romana com fachada que vemos atualmente. Para recordar a antiga rampa existente, se introduziu na fachada uma faixa ascendente que percorre toda a altura da torre. Abaixo, vemos alguma imagens do farol tiradas em 2012, quando o sol embelezava este emblemático monumento da arquitetura romana na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo o post com uma placa colocada na fachada que enaltece a importância da reforma de Carlos III.

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Museu da Construção Naval – Ferrol

A tradição marítima de Ferrol pode ser melhor conhecida nos dois museus da cidade, situados um do lado do outro, o Museu Naval e o Museu da Construção Naval, sediados em edifícios pertencentes ao Arsenal de Ferrol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Naval foi inaugurado em 1986 com a finalidade de proteger, conservar e exibir o patrimônio naval da cidade. A exposição permanente abarca dois andares do edifício, abrangendo todas as facetas da história naval: mapas, maquetes, modelos de barcos, instrumentos de navegação, artilharia e mergulho, objetos relacionados às guerras marítimas, entre outros aspectos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs duas instituições são consideradas museus de referência na temática naval. Conheci de forma mais abrangente o Museu da Construção Naval, situado no antigo Edifício de Herrerías do Arsenal de Ferrol, destinado ao trabalho com o ferro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste edifício data de 1760 e por si só constitui uma grande atração para o visitante. Possui uma planta em forma de U, com três grandes naves separadas por arcos semicirculares sustentados por pilares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInaugurado em 2008, é considerado o mais importante museu da Espanha dedicado à construção naval. Possui uma grande variedade de maquetes de barcos e navios de todas as épocas, tanto relacionado à Marinha de Guerra, quanto comerciais. Algumas delas possuem um corte longitudinal que possibilita a observação de sua estrutura interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm aspecto que me impressionou é a grande quantidade de faróis exibidos, dos mais variados tamanhos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos conhecer a fundo as antigas máquinas de construção naval, os diferentes tipos de barcos, motores antigos e modernos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA criação de um Arsenal e um centro de construção naval em Ferrol foi uma decisão política que buscava organizar a Marinha de Guerra Espanhola, praticamente inexistente no começo do século XVIII. Nela estiveram implicados os reis Felipe V, Fernando VI e Carlos III, além do Marquês de la Ensenada. O arsenal propriamente dito foi construído entre 1750 e 1771, sob a supervisao geral do engenheiro naval e cientista espanhol Jorge Juan y Santacilia (1713/1773), que causou grande admiração no continente europeu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro barco construído foi o “El Fernando“, em 1751. Em 1881, se fabricou a primeira embarcação com casco metálico e, em 1912, o primeiro encouraçado. Em 1988, se construiu o porta-avioes “Príncipe de Asturias“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO recinto continua sendo utilizado como Base Naval da Armada Espanhola, estando vigiado por militares. Por sua importância histórica, foi declarado Bem de Interesse Cultural.