Tarragona Medieval

Com a queda do Império Romano, Tarragona e o território espanhol foram invadidos pelos visigodos. Parece que a conquista foi tranquila, pois não se encontraram sinais de destruição. Os visigodos aproveitaram a estrutura urbana existente. No ano 585, Hermenegildo, irmão do Rei Visigodo Leovigildo, foi assassinado na cidade. Neste período, Tarragona entrou em decadência, com perda paulatina de suas atividades econômicas e população. Entre 713 e 714, foi invadida por um exército muçulmano. A maioria dos estudiosos afirmam que  a cidade foi destruída depois de um assédio de um mês. O Bispo de Tarragona fugiu para a Itália e a cidade careceu de um líder para organizar sua resistência. A antiga Tarraco perde toda sua importância adquirida em época romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo ano 1129, San Olegario, Bispo de Tarragona, cedeu a cidade ao mercenário Robert Bordet, que foi nomeado Príncipe de Tarragona mediante um ato de vassalagem. O cavalheiro aproveitou a antiga torre romana, conhecida como Torre do Pretório, para no local estabelecer seu castelo. Com a morte de San Olegario, uma série de conflitos jurídicos culminaram na extinção do principado, e Tarragona passou a depender do Condado de Barcelona em 1151. No século XII, a cidade converte-se num núcleo urbano consolidado e centro de um grande território. Seu crescimento realizou-se ocupando a área do antigo Fórum Romano, mantendo a estrutura herdada dos romanos. Em 1171 se inicia a construçao da Catedral de Tarragona, que foi consagrada somente em 1331. O templo foi iniciado dentro do estilo românico, mas finalizada já no estilo gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Tarragona foi o tema de dois posts, publicados em 8 e 9/4/2013, motivo pelo qual não me estenderei muito sobre ela. Apenas comentar que se trata de um templo belíssimo, e que sua visita é muito recomendável. Abaixo, vemos uma foto geral de seu interior e outra do claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFora do recinto defensivo desta época, haviam outras zonas diferenciadas. Por exemplo, a área ocupada pelo antigo Circo Romano transformou-se num núcleo situado fora das muralhas denominada El Corral, acolhendo uma população dedicada ao comércio e pequenas atividades industriais. Outra parte importante, a chamada Vila Nova prolongava-se desde El Corral até o porto, estando dedicada aos cultivos. Abaixo, vemos uma interessantíssima maquete que foi colocada no interior da Torre do Pretório, que nos proporciona uma excelente idéia da Tarragona Medieval na primeira metade do século XV. Foi realizada com dois tipos de madeiras. Uma mais escura, que sinaliza os edifícios romanos que se crê foram reutilizados dentro da estrutura urbana medieval, e uma mais clara, que representa os edifícios construídos na Idade Média.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA sala onde foi situada a maquete constitui uma atração por si só. Foi construída no ano 1368, durante o reinado de Pedro III “El Ceremonioso”, e se considera um dos melhores exemplos da Arquitetura Gótica Civil de toda a Catalunha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém na sala vemos um curioso sarcófago romano do século I, que foi reutilizado por um legionário romano numa época posterior e novamente usado como sepulcro por um nobre medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1348, a Peste Bubônica chegou à Tarragona, causando uma alta taxa de mortalidade. Depois, a cidade começou um processo de reforço de suas antigas muralhas, mediante a construção da chamada La Muralleta, na altura do Circo Romano. Dessa forma, a zona conhecida como El Corral foi incorporado ao núcleo urbano. No século XV, a situaçao política agravou-se, ocasionando uma guerra civil que levou à cidade a mais absoluta decadência. As defesas da cidade foram duramente afetadas, principalmente as relacionadas com La Muralleta. A população mais uma vez diminuiu de maneira drástica e o município declarou-se em quebra. Os efeitos desta guerra foram visíveis na cidade durante muito tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo período medieval se conservam muitos outros elementos de interesse, como os arcos góticos do século XIV, que faziam parte da estrutura de um mercado municipal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos o Palácio Episcopal, também edificado no estilo gótico (século XIV).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO atual Centro Histórico de Tarragona pertence ao período medieval, e outro de seus atrativos é visitar o antigo bairro judeu ou Judería. Estava formada por ruas pequenas, com uma acesso independente ao resto da cidade. Sua proximidade com o castelo real indica que seus habitantes estiveram sob a jurisdição do próprio monarca. A seguir, vemos uma parte do bairro que se conserva atualmente…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa antiga Casa del Degá, um palácio renascentista e barroco, propriedade dos diáconos da Catedral, vemos inscrições romanas e lápides judaicas de época medieval. Atualmente este edifício, totalmente reconstruído, é a sede do Colégio de Engenheiros Industriais de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Finalizamos a matéria com os restos arqueológicos de um importante edifício da Judería de Tarragona, dos séculos XIII e XIV.

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Tarragona – Comunidade de Catalunha

Situada ao sul da Comunidade de Catalunha e capital da província homônima, Tarragona é um centro turístico importante, por estar banhada pelo Mar Mediterâneo, que lhe proporciona praias de águas cálidas, e por sua larga história de mais de dois milênios, oferecendo ao visitante um vasto repertório de monumentos históricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua origem se deve aos romanos, que fundaram a antiga Tarraco como um acampamento militar durante a guerra que o império travou contra Cartago. Com o tempo, transformou-se na capital da Hispania Citerior Tarraconensis,a maior província romana da península ibérica, sendo considerada seu assentamento romano mais antigo. Antes de sua ocupação e incorporação romana, porém, esteve povoada pelos povos Ibéricos, que estabeleceram contatos comerciais com gregos e fenícios localizados na costa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto arqueológico romano conservado na cidade recebeu o título de Patrimônio da Humanidade, outorgado pela Unesco, no ano 2000. Seu período de maior esplendor ocorreu entre os séculos I e II dC, sendo que a maioria dos monumentos que vemos em Tarragona pertencem a esta época.

A muralha que rodeia parte de seu centro histórico é a parte mais antiga do recinto arqueológico. Construída no séc. II aC, se conserva 1km do seu perímetro original, que possuía aproximadamente 4 km.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Foro Romano era um conjunto monumental imenso, composto por duas grandes praças nas quais estavam edificadas as principais construções administrativas, religiosas e culturais. Erguido no ano 73 dC, durante o reinado do imperador Vespasiano, seu uso foi mantido até o séc. V dC. A denominada Torre do Pretório marcava a entrada ao foro, unindo a parte baixa da cidade e o circo (através de galerias subterâneas) com suas praças. Na Idade Média, a torre tornou-se propriedade da Coroa Aragonesa, passando a ser residência real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, alberga o Museu Arqueológico, com várias peças de grande valor histórico.

No museu, existe uma maquete que mostra a paisagem urbana da antiga Tarraco.

Do alto da torre, se contempla uma bela vista de Tarragona.

O Circo, situado nas proximidades do foro, foi construído no séc. I dC,e nele se celebravam as populares corridas de cavalos, e também cumpriu esta função até a desintegração do império no séc. V. Durante as épocas seguintes, a arena foi utilizada como espaço para novas construções residenciais, de modo que o circo permaneceu incrustado em pleno centro urbano, que dessa forma facilitou curiosamente sua conservação.

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Abaixo, vemos a galeria que comunicava o foro com o circo.

O Anfiteatro chama a atenção por sua localização, próximo ao mar. Esta construção do séc. II dC foi utilizada na centúria seguinte como local de execução de cristãos, durante a perseguição a que foram submetidos. Tal foi o caso do bispo da cidade Fructuoso e seus diáconos Augúrio e Eulogio, que se tranformaram nos primeiros mártires da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA No anfiteatro disputavam-se todos os tipos de espetáculos sangretos, como lutas de gladiadores e contra animais. Tinha capacidade para 15 mil pessoas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. V, como conseqüência da política religiosa dos imperadores cristãos, foi perdendo sua função original e um século depois se aproveitaram suas pedras para a construção de uma basílica, na qual pudessem ser venerados os santos citados acima, já na época visigoda.

Ao redor do templo foram construídos também um cemitério com tumbas escavadas na arena e mausoléus funerários, adossados à igreja. A invasão muçulmana fez com que o local fosse abandonado, até que no séc. XII se ergueu, sobre os restos da antiga basílica, um novo templo românico dedicado a Santa Maria do Milagre. Esta igreja permaneceu de pé até 1915.

Outro dos monumentos romanos conservados é o Foro Colonial, espaço reservado aos assuntos comerciais e administrativos.

O Portal de San Antonio está situado nas muralhas, porém sua origem nao é romana. Foi levantada em 1737 (época barroca) e em sua parte superior vemos o escudo do rei Felipe V.

A Catedral de Tarragona é seu principal monumento religioso. Construída a partir de 1171, foi concluída em 1331, e apresenta um estilo de transição do românico ao gótico.

A portada central, por ex., pertence ao estilo gótico, e nela vemos a Virgem Maria no parteluz e a profetas e apóstolos esculpidos nas laterais.

Para conhecer melhor a catedral, visite o post publicado nos dias 8 e 9/3 de 2013. Outro local de interessante visita é a Casa Castellarnau, um palacete gótico do séc. XV, que sedia um Museu de História.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm suas dependências, podemos admirar móveis dos séc. XVIII e XIX.

O espaço conserva estruturas arquitetônicas de várias épocas, como o pátio e a escada com colunas góticas.

Uma das muitas tradições do povo catalão e representada nas datas festivas é o denominado Castells ou pirâmide humana. Em Tarragona há uma estátua que a homenageia. Existem concursos nos quais os vencedores são aqueles capazes de fazer a pirâmide mais alta e estável.

Finalizamos o post na Praça do Sedassos. Nela, vemos a original decoração do edifício que pertence ao pintor Carles Arola. O mural representa uma típica fachada do séc. XIX, composta por personagens tradicionais e incorpora elementos festivos próprios da cultura popular. Pintado em 1995, o artista utilizou recursos da técnica do claro-escuro e da perspectiva, conseguindo um efeito de realidade das pessoas e objetos. Dessa forma, a obra cria situações que parecem verdadeiras, aos olhos do observador.